
Charada

Sandra Brown



Captulo um

10 DE OUTUBRO DE 1990



Cat,
acorda!
Temos
um
corao!
Cat
Delaney
saiu
pouco
a
pouco
do
torpor
produzido
pela
medicao
e
recuperou
o
conhecimento.
Ao
abrir
os
olhos
tentou
centrar
o
olhar
em
Dean.
A
imagem
tinha
o
contorno
borrado,
mas
o
sorriso 
era 
claro, 
amplo 
e 
radiante. 
Temos 
um 
corao 
para 
ti 
 
repetiu. 
 
Para 
valer? 
perguntou 
ela 
com 
voz 
spera, 
debilitada. 
Tinha 
ingressado 
no 
hospital 
com 
a 
convico 
de 
que 
sairia 
com 
um 
corao 
transplantado 
ou 
em 
um 
carro 
fnebre. 
A 
equipe 
de 
recuperao 
de 
rgos 
est 
em 
caminho. 
O 
doutor 
Dean 
Spicer 
apartou-se 
de 
seu 
lado 
para 
falar 
com 
o 
pessoal 
do 
hospital 
que 
tinha 
entrado 
com 
ele 
na 
UTI. 
Ela 
ouvia 
sua 
voz, 
mas 
suas 
palavras 
pareciam 
sem 
sentido. 
Estava 
sonhando? 
No: 
Dean 
tinha 
afirmado 
com 
toda 
clareza 
que 
estava 
a 
caminho 
o 
corao 
de 
um 
doador. 
Um 
corao 
novo 
para 
ela! 
Uma 
vida! 
De 
repente 
experimentou 
dentro 
de 
sim 
um 
surto 
de 
energia 
que 
no 
havia 
sentido 
 
meses. 
Sentouse 
na 
cama 
e 
encheu 
de 
queixas 
s 
enfermeiras 
e 
auxiliares 
sanitrios 
que 
a 
rodeavam 
com 
agulhas 
e 
cateteres 
para 
fur-la 
e 
sonda-la. 
A 
violao 
mdica 
de 
tecidos 
e 
orifcios 
tinha-se 
convertido 
em 
uma 
prtica 
diria 
que 
j 
nem 
sequer 
notava. 
Durante 
os 
vrios 
meses 
foi 
extraido 
fludos 
corporais 
que 
dava 
pra 
preencher 
uma 
piscina 
olmpica. 
Tinha 
perdido 
muito 
peso 
e 
pouca 
carne 
ficava 
em 
seu 
pequeno 
esqueleto. 
Dean? 
Aonde 
voc 
foi? 
Estou 
aqui. 
O 
cardiologista 
abriu 
passo 
at 
a 
cabeceira 
da 
cama 
e 
tomou-lhe 
a 
mo. 
Disse 
que 
teramos 
um 
corao 
a 
tempo, 
verdade? 
No 
seja 
presunoso. 
Todos 
os 
mdicos 
so 
iguais. 
Imbecis 
e 
convencidos. 
Protesto. 
O 
doutor 
Jeffries, 
o 
cirurgio 
cardaco 
encarregado 
de 
fazer 
o 
transplante, 
entrou 
na 
habitao 
como 
se 
estivesse 
dando 
um 
passeio 
vespertino. 
Dava 
gua 
na 
boca. 
Encaixava 
perfeitamente 
dentro 
do 
estereotipo 
que 
Cat 
tinha 
mencionado. 
Ela 
reconhecia 
seu 
talento, 
confiava 
em 
seu 
profissionalismo, 
mas 
como 
pessoa 
era 
deplorvel. 
Que 
faz 
voc 
aqui? 
perguntou. 
No 
deveria 
estar 
na 
sala 
de 
cirurgia 
esterilizando 
os 
instrumentos? 
 
uma 
indireta? 
Supe-se 
que 
o 
gnio 
 
voc. 
Averiguarei. 
To 
antiptica 
como 
sempre. 
Quem 
acha 
que 
? 
Uma 
estrela 
de 
TV? 
Exato. 
Determinado, 
o 
cirurgio 
dirigiu-se 
 
enfermeira 
chefe 
da 
UTI 
e 
perguntou-lhe: 
Tem 
febre 
a 
paciente? 
No. 
Resfriado? 
Algum 
vrus? 
Alguma 
infeco? 
#
Qual 
o 
motivo 
tudo 
isto? 
perguntou 
Cat, 
incomodada. 
Voc 
quer 
dar 
para 
trs? 
Quer 
a 
noite 
livre, 
doutor? 
Tem 
outros 
planos? 
S 
estou 
me 
assegurando 
de 
que 
est 
voc 
bem. 
Estou 
bem. 
Apanhe 
esse 
corao, 
troque 
e 
faa 
em 
troca. 
A 
anestesia 
 
opcional. 
O 
homem 
deu 
a 
volta 
e 
saiu 
caminhando 
devagar. 
Presuntuoso 
 
murmurou 
ela. 
 
melhor 
que 
no 
o 
insulte 
 
disse 
Dean 
com 
uma 
risadinha. 
Vai 
ser-nos 
muito 
til 
esta 
noite. 
Quanto 
terei 
que 
esperar? 
Um 
pouco. 
Cat 
tentou 
que 
concentrar-se 
mais, 
mas 
no 
conseguiu. 
Recomendaram 
que 
descansasse, 
mas, 
carregada 
de 
adrenalina, 
permaneceu 
acordada 
observando 
o 
relougio 
enquanto 
as 
horas 
passavam 
lentamente. 
Estava 
mais 
esperanosa 
que 
nervosa. 
As 
notcias 
do 
iminente 
transplante 
estenderam-se 
pelo 
hospital. 
Transplantes 
de 
rgos 
eram 
j 
bastante 
freqentes, 
mas 
seguiam 
inspirando 
respeito. 
E 
mais 
ainda 
os 
de 
corao. 
Durante 
a 
noite 
passaram 
por 
sua 
habitao 
muitas 
pessoas 
para 
desejar-lhe 
boa 
sorte. 
A 
banharam 
em 
iodo, 
um 
lquido 
pegajoso, 
repugnante, 
que 
lhe 
deixou 
a 
pele 
manchada 
de 
uma 
desagradvel 
cor 
amarelada. 
Engoliu-se 
a 
primeira 
dose 
de 
ciclosporina, 
o 
medicamento 
vital 
para 
evitar 
a 
rejeio. 
Tinham 
misturado 
o 
lquido 
com 
leite 
e 
chocolate, 
uma 
inteno 
intil 
de 
disfarar 


o 
sabor 
de 
azeite 
de 
oliva. 
Ainda 
estava 
comentando 
quando 
irrompeu 
Dean 
com 
a 
notcia 
que 
esperava 
ouvir. 
J 
vm 
com 
teu 
corao 
novo, 
preparada? 
Que 
te 
parece? 
Inclinou-se 
e 
a 
beijou 
na 
frente. 
Vou 
sair 
para 
me 
lavar 
e 
pr 
as 
luvas. 
No 
me 
separarei 
de 
Jeffries. 
Estarei 
a 
teu 
lado. 
Ela 
o 
agarrou 
pela 
manga. 
Quando 
acordar, 
eu 
quero 
saber 
em 
seguida 
se 
tenho 
um 
corao 
novo. 
 
Com 
certeza. 
Tinha 
ouvido 
falar 
de 
outros 
pacientes 
de 
transplante 
a 
quem 
disseram 
que 
tinham 
conseguido 
um 
corao 
adequado 
para 
eles. 
Um 
homem 
que 
ela 
conhecia 
inclusive 
estava 
j 
preparado 
e 
anestesiado. 
Quando 
chegou 
o 
corao, 
o 
doutor 
Jeffries 
o 
examinou 
e 
se 
negou 
ao 
transplante 
dizendo 
que 
no 
era 
o 
bastante 
so. 
O 
paciente 
ainda 
no 
tinha 
recuperado 
do 
desgosto 
pelo 
atraso 
em 
saber, 
e 
que 
estava 
piorando 
o 
estado 
crtico 
de 
seu 
corao. 
Agora, 
com 
uma 
fora 
surpreendente, 
Cat 
segurou 
a 
manga 
da 
jaqueta 
Armani 
de 
Dean. 
Quando 
sair 
da 
anestesia, 
eu 
quero 
saber 
se 
tenho 
outro 
corao. 
De 
acordo? 
O 
doutor 
tampou 
a 
mo 
dela 
com 
a 
sua 
e 
assentiu. 
Tens 
minha 
palavra 
de 
honra. 
Doutor 
Spicer, 
faz 
favor 
 
solicitou 
uma 
enfermeira. 
Te 
verei 
na 
sala 
de 
cirurgia, 
querida. 
Quando 
ele 
saiu, 
tudo 
aconteceu 
com 
uma 
rapidez 
surpreendente. 
Cat 
agarrou-se 
s 
braos 
da 
maca 
enquanto 
empurravam-na 
pelos 
corredores. 
Ao 
entrar 
pela 
porta 
de 
dupla 
no 
esperava 
a 
luz 
forte 
#
da 
sala 
de 
cirurgia, 
onde 
o 
pessoal 
com 
mscaras 
se 
movia 
com 
rapidez 
e 
segurana, 
engajados 
em 
seu 
trabalho. 
Para 
alm 
dos 
focos 
suspensos 
sobre 
a 
mesa 
de 
operaes, 
Cat 
viu 
caras 
que 
olhavam 
desde 
o 
alto 
atravs 
do 
vidro 
que 
rodeava 
a 
galeria 
de 
observao. 
Vejo 
que 
tenho 
uma 
multido. 
Tm 
entradas 
e 
programas 
impressos? 
Quem 
so? 
Bom, 
que 
algum 
tenha 
algo 
a 
declarar. 
Eh, 
garotos! 
Que 
fazeis 
a? 
Uma 
das 
pessoas 
com 
luvas 
e 
mscaras 
resmungou: 
-Onde 
est 
o 
doutor 
Ashford? 
Aqui 
 
disse 
o 
anestesista 
ao 
entrar. 
Graas 
a 
Deus 
que 
chegou. 
Ponha-a 
fora 
de 
combate, 
para 
que 
possamos 
trabalhar.
 
uma 
falante, 
um 
p 
no 
saco. 
Cat 
no 
se 
ofendeu, 
j 
sabia 
que 
no 
era 
essa 
a 
inteno. 
Os 
olhos 
que 
assomavam 
acima 
das 
mscaras 
sorriam. 
O 
ambiente 
na 
sala 
de 
cirurgia 
era 
de 
otimismo; 
melhor 
assim. 
Se 
dedicam 
a 
insultar 
aos 
pacientes, 
no 
de 
se 
estranhar 
que 
levem 
mscaras 
para 
ocultar 
suas 
identidade. 
Covardes. 
O 
anestesista 
ocupou 
seu 
lugar 
a 
um 
lado 
da 
mesa. 
Segundo 
parece, 
est 
voc 
um 
pouco 
excitada 
e 
armando 
bronca, 
senhorita 
Delaney.
 
minha 
grande 
cena. 
A 
interpretarei 
a 
minha 
maneira. 
Pois 
vai 
estar 
sensacional. 
Tem 
visto 
meu 
novo 
corao? 
No 
estou 
a 
cargo 
do 
material. 
Limito-me 
a 
jogar 
gasolina. 
Agora 
relaxe. 
Esfregou-lhe 
o 
dorso 
da 
mo 
com 
um 
algodo 
empapado 
em 
lcool. 
Vai 
sentir 
uma 
pontada. 
Estou 
muito 
acostumada 
com 
pontadas. 
Todos 
riram. 
Chegou 
o 
doutor 
Jeffries 
com 
Dean 
e 
o 
doutor 
Sholden, 
o 
cardiologista 
ao 
que 
Dean 
a 
tinha 
enviado 
quando 
renunciou 
a 
ser 
seu 
medico 
por 
motivos 
pessoais. 
Tudo 
bem, 
vamos? 
 perguntou 
Jeffries. 
Seu 
roteirista 
equivocou-se, 
doutor 
 contou 
Cat 
com 
desdm. 
Isso 
teria 
que 
ser 
minha 
entrada. 


 
Examinamos 
o 
corao 
 
replicou 
sem 
alterar-se. 
Ela 
conteve 
o 
flego 
e 
depois 
o 
olhou 
com 
o 
cenho 
franzido.
Ns 
utilizamos 
essas 
pausas 
cheias 
de 
expectativas 
para 
criar 
suspense. 
 
um 
truque 
barato. 
Fale 
do 
corao. 
 
precioso 
 contou 
Sholden 
 E 
como 
feito 
a 
sob 
medida. 
Pelo 
rabo 
do 
olho, 
Cat 
observou 
a 
um 
grupo 
de 
auxiliares 
de 
sala 
de 
cirurgia 
que 
manipulavam 
uma 
geladeira 
porttil. 
Quando 
acordar 
ele 
bater 
em 
teu 
peito 
 
disse 
Dean. 
Preparada? 
perguntou 
o 
doutor 
Jeffries. 
Estava-o? 
Como 
era 
lgico, 
tinha 
tido 
alguns 
receios 
quando 
se 
insinuou 
a 
idia 
de 
um 
transplante. 
Mas 
achava 
que 
j 
estavam 
dissipados. 
Entrou 
em 
um 
lento 
processo 
de 
debilitao 
pouco 
depois 
de 
que 
Dean 
lhe 
diagnosticara 
seu 
#
problema 
cardaco. 
A 
medicao 
era 
um 
remdio 
em 
curto 
prazo 
para 
sua 
enorme 
fadiga 
e 
falta 
de 
energias, 
mas 
anunciou 
que, 
 
longo 
prazo, 
no 
tinha 
soluo 
para 
seu 
estado. 
Inclusive 
ao 
ouvir 
isto 
se 
tinha 
negado 
a 
aceitar 
a 
gravidade 
de 
sua 
doena. 
S 
quando 
comeou 
a 
se 
sentir 
mal 
para 
valer, 
quando 
tomar 
uma 
ducha 
se 
converteu 
em 
uma 
tortura 
e 
comer 
um 
prato 
era 
agonizante, 
teve 
que 
aceitar 
que 
seu 
corao 
estava 
em 
fase 
terminal. 
Preciso 
um 
transplante 
de 
corao. 
Ao 
comunicar 
aos 
executivos 
da 
emissora 
de 
TV, 
estes 
se 
mostraram 
surpreendidos. 
Seus 
colegas 
de 
partilha 
e 
os 
tcnicos 
da 
telenovela 
Passages, 
com 
quem 
trabalhava 
a 
diariamente, 
nunca 
tinham 
visto 
sua 
reveladora 
palidez 
embaixo 
da 
maquiagem. 
Eles, 
junto 
aos 
redatores 
da 
emissora, 
se 
tinham 
negado 
ao 
crer. 
Ningum 
podia 
aceitar 
que 
Cat 
Delaney, 
ganhadora 
de 
trs 
prmios 
Emmy, 
sua 
estrela, 
cujo 
papel 
de 
Laura 
Madison 
era 
fundamental 
para 
o 
desenvolvimento 
da 
srie 
Passages, 
estivesse 
to 
doente. 
Com 
seu 
apoio 
incondicional, 
e 
utilizando 
sua 
habilidade 
como 
atriz 
e 
a 
sua 
exuberante 
personalidade, 
tinha 
continuado 
trabalhando. 
Mas 
chegou 
o 
momento 
em 
que, 
apesar 
de 
sua 
fora 
de 
vontade, 
j 
no 
pde 
cumprir 
as 
exigncias 
do 
plano 
de 
filmagem 
e 
teve 
que 
pedir 
a 
afastamento 
do 
programa. 
Conforme 
sua 
sade 
ia 
se 
deteriorando, 
perdeu 
tanto 
peso 
que 
suas 
legies 
de 
admiradores 
no 
a 
teriam 
reconhecido. 
Tinha 
olheiras 
escuras 
porque 
no 
podia 
dormir, 
por 
estar 
sempre 
esgotada. 
Os 
dedos 
e 
os 
lbios 
eram 
agora 
de 
cor 
azul. 
Os 
jornais 
publicaram 
que 
padecia 
diversas 
doenas, 
desde 
rubola 
a 
aids. 
Em 
outras 
circunstncias, 
essa 
classe 
de 
explorao 
cruel 
dos 
meios 
de 
comunicao 
a 
teria 
enfurecido 
e 
preocupado, 
mas 
carecia 
da 
energia 
necessria 
para 
isso, 
de 
modo 
que 
no 
fez 
caso 
e 
se 
concentrou 
em 
sobreviver. 
Seu 
estado 
chegou 
a 
ser 
to 
perigoso 
e 
sua 
depresso 
to 
profunda 
que 
uma 
tarde 
disse 
a 
Dean: 
Estou 
to 
farta 
de 
sentir-me 
dbil 
e 
intil 
que 
preferiria 
colocar 
fim 
ao 
filme. 
Dean 
rara 
vez 
aceitava 
seus 
comentrios 
sobre 
a 
morte, 
nem 
sequer 
em 
tom 
humorstico, 
mas 
nesse 
dia 
percebeu 
a 
necessidade 
que 
tinha 
Cat 
de 
expressar 
seus 
medos 
em 
voz 
alta. 
Que 
passa 
por 
tua 
cabea? 
Tenho 
conversas 
dirias 
com 
a 
morte 
 disse 
-pacto 
com 
ela. 
A 
cada 
dia, 
ao 
sair 
o 
sol, 
digo-lhe: 
D-me 
em 
outro 
dia, 
faz 
favor, 
s 
um 
mais. 
Qualquer 
coisa 
que 
fao, 
penso 
se 
ser 
por 
ltima 
vez.
 
esta 
a 
ltima 
vez 
que 
vejo 
chover? 
Ou 
que 
como 
abacaxi? 
Que 
escuto 
uma 
cano 
dos 
Beatles? 
Olhou-o 
um 
momento. 
E 
concluiu: 
Tenho 
feito 
as 
pazes 
com 
Deus, 
no 
me 
assusta 
morrer, 
mas 
no 
quisesse 
que 
fosse 
com 
dor 
e 
angstia. 
Quando 
chegue 
a 
hora, 
como 
ser? 
Dean 
no 
mentiu 
para 
mitigar 
seus 
temores, 
seno 
que 
contou 
com 
franqueza: 
Teu 
corao, 
simplesmente, 
deixar 
de 
bater, 
Cat. 
Sem 
um 
toque 
de 
corneta 
nem 
um 
soar 
de 
tambor? 
Sem 
nada. 
No 
ser 
traumtico 
como 
um 
infarto. 
Nem 
ter 
o 
anncio 
preliminar 
de 
um 
formigamento 
no 
brao. 
O 
corao, 
simplesmente... 
Se 
parar. 
Sim. 
Esta 
conversa 
teve 
lugar 
poucos 
dias 
atrs. 
Agora, 
por 
um 
capricho 
do 
destino, 
seu 
futuro 
tinha 


#
mudado 
e 
tinha 
uma 
possibilidade 
de 
seguir 
vivendo. 
Mas 
de 
repente 
passou 
pela 
sua 
cabea 
que 
para 
lhe 
colocar 
um 
corao 
novo 
tinham 
que 
lhe 
tirar 
o 
velho. 
Era 
uma 
idia 
era 
uma 
de 
dar 
medo. 
Ainda 
que 
guardasse 
rancor 
ao 
dbil 
rgo 
que 
durante 
os 
ltimos 
dois 
anos 
tinha 
assumido 
o 
controle 
de 
sua 
vida, 
lhe 
tinha 
tambm 
um 
inexplicvel 
amor. 
Na 
verdade, 
estava 
angustiada 
por 
desprender 
desse 
corao 
doente, 
mas 
advertia 
que 
todos 
pareciam 
muito 
desejosos 
de 
lhe 
o 
tirar. 
J 
era 
demasiado 
tarde 
para 
entreter-se 
com 
remorsos. 
Alm 
do 
mais 
podia 
dizer-se 
que 
esta 
operao 
era 
singela 
comparada 
com 
outras 
a 
corao 
aberto. 
Corta-se, 
tira-se, 
muda-se, 
costura. 
Enquanto 
esperava 
um 
doador, 
a 
equipe 
de 
transplantes 
havia 
dito 
que 
perguntasse 
o 
que 
quisesse. 
Ela 
os 
tinha 
inundado 
de 
discusses 
interminveis 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
recolhia 
informao 
por 
conta 
prpria. 
Seu 
grupo 
de 
apoio, 
composto 
por 
outros 
pacientes 
doentes 
de 
corao 
que 
esperavam 
transplante, 
exps 
e 
compartilhou 
seus 
temores 
durante 
as 
reunies. 
Suas 
trocas 
de 
opinies 
eram 
interessantes 
e 
convidavam 
 
reflexo, 
j 
que 
o 
transplante 
de 
rgos 
era 
um 
tema 
muito 
controvertido. 
Os 
pontos 
de 
vista 
variavam 
segundo 
a 
pessoa 
e 
tinham 
em 
conta 
sentimentos, 
crenas 
religiosas, 
questes 
ticas 
e 
complicaes 
legais. 
Durante 
os 
meses 
de 
espera, 
Cat 
tinha 
feito 
uma 
lista 
de 
ambigidades 
e 
estava 
satisfeita 
com 
sua 
deciso. 
Sabia 
muito 
bem 
os 
riscos 
que 
assumia 
e 
estava 
disposta 
a 
suportar 
o 
sofrimento 
que 
lhe 
esperava 
na 
sala 
de 
recuperao 
da 
UTI. 
Aceitava 
a 
possibilidade 
de 
uma 
rejeio. 
Mas 
a 
nica 
alternativa 
ao 
transplante 
era 
a 
morte 
segura... 
e 
muito 
cedo. 
De 
modo 
que 
no 
lhe 
ficava 
outra 
opo. 
Estou 
preparada 
 
anunciou 
segura. 
Oh, 
esperem, 
s 
uma 
coisa. 
Quando 
estiver 
sob 
os 
efeitos 
da 
anestesia 
e 
comecem 
a 
cantar 
os 
louvores 
de 
meu 
fibrilador, 
no 
criam 
nem 
uma 
palavra. 
Os 
risos 
ficaram 
amortecidos 
pelas 
mscaras. 
Segundos 
depois 
o 
lquido 
morno 
da 
anestesia 
comeou 
a 
apoderar-se 
dela, 
incutindo 
uma 
serena 
lassitude. 
Olhou 
a 
Dean, 
sorriu 
e 
fechou 
os 
olhos, 
quem 
sabia 
se 
por 
ltima 
vez. 
E, 
justo 
ao 
perder 
o 
sentido, 
teve 
uma 
ltima 
idia 
que 
resplandeceu 
um 
segundo 
somente, 
como 
o 
surto 
de 
uma 
estrela 
antes 
de 
desintregar-se. 
Quem 
era 
seu 
doador? 



Captulo 
dois 
10 
DE 
OUTUBRO 
DE 
1990 


Como 
pode 
ser 
o 
divrcio 
mais 
pecado 
que 
isto? 
perguntou 
ele. 
Estavam 
estendidos 
na 
cama 
que 
ela 
compartilhava 
normalmente 
com 
seu 
marido, 
quem 
h 
essa 
hora 
fazia 
em 
troca 
de 
turno 
na 
rea 
de 
embalagem 
de 
carne. 
Devido 
a 
uma 
fuga 
na 
instalao 
de 
gs, 
o 
edifcio 
de 
escritrios 
onde 
ambos 
trabalhavam 
tinha 
sido 
desalojado 
at 
o 
dia 
seguinte. 
Estavam 
aproveitando 
aquelas 
inesperadas 
horas 
livres. 
O 
dormitrio, 
pequeno 
e 
desordenado, 
cheirava 
a 
neblina 
essencial 
do 
sexo. 
O 
suor 
estava 
secando 
em 
sua 
pele 
com 
a 
colaborao 
do 
ventilador 
de 
teto 
que 
dava 
voltas 
lentamente 
sobre 
suas 
cabeas. 


#
As 
lenis 
estavam 
midas 
e 
arrugadas 
e 
as 
persianas 
jogadas 
impediam 
a 
passagem 
do 
sol 
da 
tarde. 
As 
velas 
de 
incenso 
ardiam 
no 
criado-mudo 
e 
piscavam 
ante 
o 
crucifixo 
que 
pendurava 
sobre 
o 
envelhecido 
papel 
floreado 
das 
paredes. 
O 
clima 
sonolento 
era 
enganoso. 
Tinham 
um 
limite, 
o 
tempo 
corria 
e 
no 
tinha 
que 
desperdiar 
nem 
um 
s 
instante 
de 
prazer. 
Suas 
duas 
filhas 
no 
demorariam 
em 
voltar 
da 
escola 
e 
ela 
no 
suportava 
perder 
os 
momentos 
que 
ficavam 
em 
discusses 
repetitivas 
e 
dolorosas. 
No 
era 
a 
primeira 
vez 
que 
ele 
implorava 
que 
se 
divorciasse 
de 
seu 
marido 
e 
se 
casasse 
com 
ele. 
Ela 
era 
catlica 
e 
no 
podia 
propor 
o 
divrcio. 
Sim, 
 
verdade, 
sou 
culpada 
de 
adultrio, 
mas 
meu 
pecado 
s 
afeta 
a 
ns 
dois. 
Somos 
os 
nicos 
que 
sabem 
fora 
o 
meu 
confessor. 
Teu 
confessor 
sabe 
o 
ns? 
Dei-me 
conta 
de 
que 
sempre 
me 
confessava 
do 
mesmo 
e 
j 
no 
vou. 
Sinto 
vergonha. 


Se 
levantou 
e 
sentou 
de 
costas 
na 
borda 
da 
cama, 
para 
no 
olhar 
seu 
amante. 
O 
espelho 
de 
canto 
dobrava 
a 
imagem 
que 
via. 
Mata-a 
de 
cabelo 
negro 
chegava-lhe 
at 
as 
costas, 
e 
esta 
se 
estreitava 
na 
cintura 
antes 
de 
se 
alargar 
nos 
esplndidos 
quadris. 
E 
tinha 
duas 
covinhas 
na 
face. 
Ela 
no 
estava 
contente 
de 
seu 
corpo, 
pensava 
que 
sobravam 
quadris 
e 
coxa. 
Mas 
ele 
parecia 
gostar 
da 
exuberncia 
de 
curvas 
e 
sua 
cor 
torrada. 
Inclusive 
sabia 
a 
morena, 
tinha-lhe 
dito 
uma 
vez. 
Claro 
que 
os 
sussurros 
de 
travesseiro 
no 
calor 
da 
paixo 
no 
significam 
nada. 
No 
entanto, 
tinha-se 
sentido 
lisonjeada 
pelo 
elogio. 
Ele 
alongou 
a 
mo 
e 
acariciou 
as 
suas 
costas. 
No 
sente 
vergonha 
do 
que 
fazemos. 
Deixa-me 
magoado 
quando 
diz 
que 
se 
envergonha 
de 
nosso 
amor. 
O 
assunto 
comeou 
quatro 
meses 
atrs. 
Antes 
tinham 
passado 
outros 
em 
vrios 
meses 
de 
angstia 
lutando 
com 
sua 
conscincia. 
No 
trabalhavam 
no 
mesmo 
andar, 
mas 
se 
viam 
nos 
elevadores 
do 
arranha-cus. 
Encontraram-se 
pela 
primeira 
vez 
na 
cafeteira 
do 
trreo 
quando, 
por 
acidente, 
ele 
a 
empurrou, 
fazendo 
com 
que 
ela 
derramasse 
o 
caf. 
Tinham 
sorrido 
enquanto 
desculpavam-se. 
Muito 
cedo 
fizeram 
coincidir 
as 
horas 
do 
almoo 
e 
do 
caf, 
E 
os 
encontros 
foram 
o 
primeiro, 
um 
costume 
e 
depois 
uma 
necessidade. 
Seu 
bem-estar 
dependia 
de 
que 
se 
vissem. 
Os 
fins 
de 
semana 
era 
uma 
tortura: 
eternidades 
que 
tinha 
que 
suportar 
at 
a 
segunda-feira, 
quando 
voltavam 
a 
se 
encontrar. 
Ambos 
comearam 
a 
trabalhar 
horas 
extras 
para 
dispor 
de 
uns 
poucos 
minutos 
a 
sozinhos 
antes 
de 
irem 
para 
casa. 
Uma 
noite, 
enquanto 
saam 
juntos, 
comeou 
a 
chover. 
Ele 
se 
ofereceu 
para 
acompanh-la. 
Ela 
recusou 
com 
a 
cabea. 
Tomarei 
o 
nibus 
como 
sempre. 
Mas 
obrigado 
de 
todas 
as 
formas. 
Olharam-se 
nos 
olhos 
com 
pena 
e 
ansiedade 
ao 
despedir-se. 
Segurando 
a 
bolsa 
contra 
o 
peito 
com 
uma 
mo 
e 
o 
guarda-chuva 
na 
outra, 
correu 
sob 
o 
temporal 
em 
direo 
 
parada 
de 
nibus 
da 
esquina. 
Ainda 
seguia 
ali, 
com 
sua 
capa 
de 
chuva, 
quando 
ele 
parou 
seu 
carro 
e 
abriu 
a 
janela. 
Faz 
favor, 
sobe. 
O 
nibus 
no 
demorar 
em 
chegar. 


#
Ests 
empapada. 
Sobe. 
S 
se 
est 
atrasando 
uns 
minutos. 
Faz 
favor. 
Estava-lhe 
pedindo 
algo 
mais 
que 
a 
oportunidade 
da 
levar 
a 
casa, 
e 
ambos 
o 
sabiam. 
Incapaz 
de 
resistir 
 
tentao 
subiu. 
quando 
ele 
abriu 
a 
porta 
do 
carro. 
Sem 
mais 
palavras, 
se 
dirigiram 
a 
um 
lugar 
solitrio 
do 
parque 
municipal, 
no 
muito 
longe 
do 
centro 
da 
cidade. 
Assim 
que 
parou 
o 
motor, 
se 
beijaram 
com 
paixo. 
Ao 
primeiro 
roce 
de 
seus 
lbios, 
ela 
se 
esqueceu 
de 
seu 
marido, 
de 
suas 
filhas 
e 
de 
suas 
crenas 
religiosas. 
Estava 
dominada 
pelo 
desejo, 
longe 
das 
normas 
de 
conduta 
pelas 
que 
se 
governava 
desde 
que 
foi 
capaz 
de 
discernir 
entre 
o 
bem 
e 
o 
mau. 
Com 
impacincia, 
abriram 
botes 
e 
abriram 
zperes 
e 
colchetes 
at 
libertar-se 
das 
midas 
roupas 
e 
ficar 
pele 
contra 
pele. 
Primeiro 
com 
suas 
mos 
e 
depois 
com 
sua 
boca, 
ele 
lhe 
fez 
coisas 
que 
a 
estremeceram 
e 
a 
surpreenderam. 
Quando 
a 
penetrou, 
sua 
conscincia 
j 
no 
contava 
para 
nada. 
Aquela 
paixo 
inicial 
no 
tinha 
apagado. 
Mais 
sim 
tinha 
acentuado 
durante 
as 
horas 
roubadas 
que 
passavam 
juntos. 
Agora, 
ela 
voltou 
 
cabea 
e 
o 
olhou 
acima 
do 
ombro 
esboando 
um 
tmido 
sorriso. 
No 
estou 
to 
envergonhada 
como 
para 
terminar 
nossas 
relaes. 
Ainda 
que 
sei 
que 
 
pecado, 
mas 
morreria 
s 
de 
pensar 
que 
j 
no 
faria 
amor 
contigo. 
Com 
um 
gemido 
de 
renovado 
desejo, 
atraiu-a 
para 
si. 
Ela 
deu 
a 
volta 
at 
ficar 
em 
cima 
dele, 
com 
as 
pernas 
abertas 
junto 
a 
seus 
quadris. 
Ele 
a 
penetrou 
e 
depois 
levantou 
a 
cabea 
do 
travesseiro 
para 
beijar 
os 
mamilos 
e, 
depois, 
a 
boca. 
Esta 
postura 
era 
uma 
experincia 
ainda 
inslita, 
e 
muito 
estimulante, 
para 
ela. 
Fez 
seguir 
ao 
homem 
seu 
ritmo 
at 
que 
ambos 
atingiram 
um 
novo 
orgasmo 
simultneo 
que 
os 
deixou 
rendidos 
e 
ofegantes. 
Deixe-o 
 
a 
instado 
. 
Hoje. 
Agora. 
No 
passes 
nem 
uma 
noite 
mais 
com 
ele. 
No 
posso. 
Sim 
pode. 
Fico 
louco 
a 
idia 
de 
que 
esteja 
com 
ele. 
Quero-te. 
Eu 
tambm 
te 
quero 
 
disse 
ela 
entre 
lgrimas. 
Mas 
no 
posso 
deixar 
meu 
lar. 
No 
posso 
abandonar 
as 
minhas 
filhas. 
Agora 
teu 
lar 
est 
comigo. 
No 
tens 
que 
deixar 
a 
tuas 
filhas. 
Traga-as. 
Eu 
serei 
seu 
pai.
Ele 
 
seu 
pai 
e 
o 
querem. 
 
meu 
marido 
e, 
ante 
Deus, 
perteno-lhe 
e 
no 
posso 
lhe 
deixar. 
No 
o 
amas. 
No, 
no 
como 
amo 
a 
ti. 
Mas 
 
um 
bom 
homem 
e 
ocupa-se 
de 
mim 
e 
das 
meninas. 
Isso 
no 
 
amor. 
Limita-se 
a 
cumprir 
com 
sua 
obrigao. 
-Para 
ele 
vem 
a 
ser 
o 
mesmo. 
A 
mulher 
apoiou 
a 
cabea 
sobre 
seu 
ombro, 
desejando 
que 
ele 
entendesse. 
-Crescemos 
na 
mesma 
comunidade. 
Ficamos 
noivos 
no 
colegial. 
Nossas 
vidas 
esto 
entrelaadas, 
faz 
parte 
de 
mim 
e 
eu 
dele. 
Se 
o 
abandonasse, 
nunca 
entenderia 
o 
porque. 
O 
destruiria. 
-Mas 
destruir 
a 
mim 
se 
no 
o 
fizer. 
No, 
tu 
s 
mais 
inteligente 
que 
ele, 
mais 
seguro 
de 
si 
mesmo 
e 
mais 
forte. 
Tu 
sobrevivers 
passe 
o 
que 
passe. 
Ele 
no. 
No 
te 
ama 
como 
eu. 
No 
me 
faz 
o 
amor 
como 
tu. 
Nunca 
lhe 
ocorreria... 


#
Baixou 
a 
cabea. 
Para 
ela, 
a 
sexualidade 
era 
ainda 
um 
tema 
reservado, 
vetado 
 
conversa 
franca. 
Nunca 
tinha 
tratado 
abertamente, 
nem 
em 
sua 
famlia 
quando 
era 
jovenzinha 
nem 
quando 
j 
estava 
casada. 
Era 
algo 
que 
se 
fazia 
na 
escurido, 
um 
mal 
necessrio 
permitido 
e 
perdoado 
por 
Deus 
a 
fim 
de 
perpetuar 
a 
espcie 
humana. 
No 
se 
d 
conta 
de 
meus 
desejos 
 disse 
ruborizando. 
Voc 
se 
surpreenderia 
saber 
que 
os 
tenho. 
Tu 
me 
estimulas 
a 
te 
acariciar 
como 
nunca 
faria 
com 
ele 
porque 
se 
ofenderia. 
Nossa 
sensualidade 
pareceria 
aberrante. 
No 
o 
educaram 
para 
se 
entregar 
e 
ser 
terno 
na 
cama. 
-Machismo 
 disse 
ele 
com 
amargura. 
Quer 
suportar 
isso 
durante 
o 
resto 
de 
tua 
vida? 
Ela 
o 
olhou 
com 
tristeza. 
Quero-te 
mais 
que 
a 
nada; 
mas 
 
meu 
marido, 
temos 
filhos 
e 
uma 
herana 
comum. 
Podemos 
ter 
filhos. 
Ela 
lhe 
acariciou 
a 
bochecha 
com 
amor 
e 
pena. 
s 
vezes 
era 
como 
um 
menino 
pouco 
razovel 
pedindo 
coisas 
inalcansveis. 
O 
casamento 
 
um 
sacramento. 
Ante 
Deus, 
jurei 
dedicar-lhe 
minha 
vida 
at 
a 
morte; 
e 
s 
a 
morte 
nos 
separar. 
Tenho 
rompido 
meu 
juramento 
de 
fidelidade 
por 
ti. 
No 
romperei 
os 
outros 
 
se 
jogou 
a 
chorar. 
No 
chores. 
O 
ltimo 
que 
quero 
 
que 
sejas 
infeliz. 
Abraa-me. 
Se 
encostou 
ao 
seu 
lado 
e 
ele 
lhe 
acariciou 
o 
cabelo. 
Sei 
que 
comigo 
violas 
tuas 
crenas 
religiosas, 
mas 
isso 
 
uma 
prova 
da 
intensidade 
de 
teu 
amor, 
verdade? 
Teu 
sentido 
da 
moral 
no 
te 
permitiria 
te 
deitar 
comigo 
no 
me 
quisesses 
com 
toda 
a 
alma. 
Quero-te 
com 
toda 
a 
alma. 
Sei-o 
 
secou-lhe 
as 
lgrimas. 
Deixa 
de 
chorar, 
Judy, 
j 
o 
solucionaremos. 
E 
agora 
no 
te 
separes 
de 
mim 
durante 
o 
tempo 
que 
ficaremos 
juntos. 
Abraaram-se, 
com 
uma 
pena 
por 
sua 
situao 
to 
intensa 
como 
a 
felicidade 
por 
seu 
amor. 
Os 
corpos, 
nus 
e 
fundidos. 
Assim 
foram 
como 
os 
encontrou 
seu 
marido 
uns 
minutos 
mais 
tarde. 
Ela 
foi 
 
primeira 
a 
v-lo 
de 
p 
na 
ombreira, 
tremendo 
de 
justa 
indignao. 
Incorporou-se 
inesperadamente 
tentando 
cobrir-se 
com 
o 
lenol. 
Tratou 
de 
pronunciar 
seu 
nome, 
mas 
tinha 
a 
boca 
seca 
pelo 
medo 
e 
a 
vergonha. 
Amaldioando 
e 
blasfemando, 
com 
profuso 
de 
palavras 
obscenas 
para 
os 
dois, 
seu 
marido 
chegou 
a 
grandes 
passadas 
at 
a 
cama, 
levantou 
um 
taco 
de 
beisebol 
sobre 
sua 
cabea, 
descreveu 
um 
arco 
mortal 
e 
mirou 
o 
golpe. 
Mais 
tarde, 
inclusive 
os 
tcnicos 
sanitrios, 
acostumados 
a 
ver 
palcos 
de 
delitos 
truculentos, 
tiveram 
que 
fazer 
grandes 
esforos 
para 
no 
vomitar. 
Tinha 
um 
pequeno 
feixe 
de 
crebros 
e 
sangue 
espalhado 
pelo 
papel 
floreado 
de 
por 
trs 
da 
cama. 
Sem 
inteno 
de 
ser 
desrespeitoso 
com 
o 
crucifixo 
salpicado 
de 
sangue 
que 
estava 
pendurado 
na 
parede, 
um 
dos 
homens 
murmurou: 
Jesus. 
Seu 
colega 
ajoelhou-se. 


#
Maldita 
seja, 
ainda 
tem 
pulso! 
O 
outro 
olhou, 
incrdulo, 
a 
massa 
que 
saia 
do 
crnio 
aberto. 
Achas 
que 
tem 
alguma 
possibilidade? 
No, 
mas 
a 
levaremos. 
Pode 
ser 
doador 
de 
rgos. 



Captulo 
trs 
10 
DE 
OUTUBRO 
DE 
1990 


Aconteceu 
algo 
com 
as 
panquecas? 
Ele 
levantou 
a 
cabea 
e 
a 
olhou 
sem 
compreender. 
Que? 
No 
livro 
te 
asseguram 
jogar 
panquecas 
ao 
ar 
que 
nunca 
falha. 
Devo 
de 
ter 
feito 
algo 
errado. 
Estava 
brincando 
com 
o 
caf 
da 
manh 
durante 
cinco 
minutos 
sem 
provar 
bocado. 
Introduziu 
o 
garfo 
na 
massa 
macia 
e 
espessa 
e 
sorriu 
para 
desculpar-se. 
No 
 
nada 
com 
a 
tua 
forma 
de 
cozinhar. 
Estava 
sendo 
amvel. 
Amanda 
era 
uma 
cozinheira 
horrvel. 
E 
que 
tal 
o 
caf? 
Estupendo. 
Tomarei 
outra 
caneca. 
Ela 
olhou 
o 
relougio 
da 
cozinha. 
Tens 
tempo? 
O 
buscarei. 
Rara 
as 
vezes 
que 
se 
permitia 
o 
luxo 
de 
chegar 
tarde 
ao 
trabalho. 
Fora 
o 
que 
fosse 
o 
que 
estivesse 
preocupando 
a 
vrios 
dias, 
tinha 
que 
ser 
muito 
importante, 
pensou 
ela. 
Com 
certa 
dificuldade, 
levantou-se 
e 
chegou 
 
mquina 
situada 
sobre 
o 
mrmore 
da 
cozinha. 
Apanhou 
a 
jarra, 
voltou 
 
mesa 
e 
encheu 
a 
caneca 
dele. 
Temos 
que 
falar. 
A 
conversa 
poderia 
ser 
umem 
troca 
agradvel 
-disse 
acomodando 
na 
cadeira. 
Esteve 
em 
outro 
mundo. 
Eu 
sei. 
Me 
perdoa. 
Via 
a 
carranca 
franzida 
enquanto 
contemplava 
a 
caneca 
de 
caf 
fumegante, 
que 
ela 
sabia 
que 
no 
lhe 
apetecia. 
Era 
s 
uma 
desculpa. 
Assustas-me. 
Seja 
o 
que 
for 
que 
te 
preocupa, 
por 
que 
no 
me 
diz 
de 
uma 
vez? 
De 
que 
se 
trata? 
Outra 
mulher? 
Ele 
lhe 
dedicou 
um 
olhar 
retrado, 
indicando 
com 
clareza 
que 
como 
se 
no 
acontecia 
nem 
sequer 
devia 
sugerir. 
Isso 
 
 disse 
Amanda 
dando 
um 
soco 
sobre 
a 
mesa. 
Est 
desgostoso 
comigo 
porque 
pareo 
 
mame 
do 
Dumbo. 
Os 
tornozelos 
inchados 
pela 
reteno 
de 
lquido 
do 
nuseas, 
verdade? 
Tem 
saudades 
das 
tetas 
pequenas 
e 
erguidas 
com 
as 
que 
tanto 
me 
chupava. 
Meu 
ventre 
plano 
 
s 
uma 
lembrana 
e 
o 
barrigo 
te 
parece 
repugnante. 
A 
gravidez 
tirou-me 
todo 
o 
encanto, 
de 
modo 
que 
perdeu 
a 
cabea 
por 
alguma 
mocinha 
com 
boas 
curvas 
e 
no 
te 
atreves 
a 
me 
dizer. 
Estou 
enganada? 


#
Est 
louca. 
Rodeou 
a 
mesinha 
redonda 
e 
fez 
que 
ela 
se 
levantasse. 
Ento 
acariciou 
o 
dilatado 
abdmen. 
Adoro-te 
igual 
com 
ou 
sem 
barrigo. 
E 
o 
beijou 
atravs 
da 
fina 
vestido. 
Alguns 
dos 
cabelos 
mais 
grossos 
do 
bigode 
atravessaram 
o 
tecido 
e 
fizeram 
ccegas. 
Adoro 
ao 
beb 
e 
adoro-te 
a 
ti. 
No 
h 
outra 
mulher 
em 
minha 
vida 
e 
nunca 
a 
ter. 
Bobagem. 
Fatos. 
Michelle 
Pfeiffer? 
Sorriu 
enquanto 
simulava 
pens-lo. 
Bom, 
isso 
 
muito 
forte. 
Tudo 
bem 
se 
ficar 
sem 
as 
panquecas? 
 
que 
te 
importarias? 
Rindo, 
a 
fez 
sentar 
em 
seu 
colo 
e 
abraou-a. 
Cuidado 
 
advertiu-lhe 
ela. 
Eu 
esmagarei 
as 
tuas 
partes 
ntimas. 
Correrei 
esse 
risco. 
Se 
beijaram 
com 
paixo 
e, 
quando 
a 
libertou, 
ela 
observou 
seu 
semblante 
preocupado. 
Apesar 
de 
ser 
cedo, 
tomou 
banho 
e 
se 
barbeou, 
estava 
abatido, 
como 
se 
tivesse 
tido 
um 
dia 
cansativo. 
Se 
no 
 
minha 
forma 
de 
cozinhar, 
nem 
outra 
mulher, 
e 
tambm 
no 
te 
desagrada 
meu 
aspecto, 
qual 
 
o 
problema? 
No 
suporto 
que 
tenhas 
tido 
que 
deixar 
tua 
carreira 
em 
suspenso. 
Com 
a 
idia 
de 
que 
tivesse 
podido 
ser 
algo 
bem 
mais 
srio, 
ela 
sentiu 
uma 
grande 
sensao 
de 
alvio. 
Isso 
era 
isso 
que 
tem 
te 
consumindo?
 
injusto. 
Pra 
quem? 
Para 
ti, 
certamente. 
Amanda 
olhou-o 
com 
suspeita: 
-Ou 
talvez 
planejasse 
se 
aposentar 
antecipadamente, 
converter-se 
em 
um 
vadio 
e 
viver 
a 
minha 
costa? 
No 
 
m 
idia 
 
disse 
ele 
esboando 
um 
sorriso. 
 
srio, 
penso 
s 
em 
ti. 
Como 
a 
biologia 
favorece 
ao 
homem... 
-Totalmente 
de 
acordo. 
Tu 
tens 
que 
te 
sacrificar. 
-Quantas 
vezes 
eu 
te 
disse 
que 
estou 
fazendo 
exatamente 
o 
que 
quero 
fazer? 
Vou 
ter 
um 
filho, 
nosso 
filho. 
E 
isso 
me 
faz 
muito 
feliz. 
Ele 
tinha 
recebido 
a 
notcia 
da 
gravidez 
com 
emoes 
confusas. 
A 
princpio 
ficou 
atnita. 
Ela 
deixou 
de 
tomar 
a 
plula 
sem 
lhe 
consultar. 
Mas, 
depois 
da 
surpresa 
inicial 
e 
se 
acostumar 
 
idia 
de 
ser 
pai, 
estava 
contente. 
Aps 
o 
primeiro 
trimestre, 
ela 
tinha 
anunciado 
a 
seus 
scios 
do 
escritrio 
de 
advogados 
que 
tomaria 
um 
afastamento 
para 
ficar 
em 
casa 
durante 
os 
meses 
mais 
crticos. 
Naquele 
momento, 
eles 
no 
puseram 
nenhuma 
objeo. 
Agora 
estranhavam 
seus 
receios. 
Faz 
s 
duas 
semanas 
que 
no 
vais 
ao 
escritrio 
e 
j 
te 
vejo 
nervosa. 
Reconheo 
os 
sintomas. 
Sei 
quando 
est 
inquieta. 


#
Amanda 
apartou 
alguns 
cabelos 
que 
lhe 
caam 
sobre 
a 
frente. 
S 
porque 
fiquei 
sem 
nada 
que 
fazer 
aqui. 
Tenho 
esfregado 
os 
soquetes, 
as 
latas 
de 
conservas 
esto 
colocadas 
por 
ordem 
alfabtica 
e 
a 
roupa 
na 
gaveta 
correspondente. 
E 
tenho 
terminado 
a 
lista 
de 
possveis 
projetos. 
Mas 
quando 
chegar 
o 
beb, 
terei 
mais 
trabalho 
que 
possa 
pensar. 
A 
expresso 
de 
remorso 
do 
homem 
no 
mudou. 
Enquanto 
brinca 
de 
dona-de-casa 
feliz, 
teus 
scios 
vo 
te 
despedir. 


E 
da 
se 
fazerem? 
contou 
ela 
rindo. 
Ter 
nosso 
filho 
 
a 
coisa 
mais 
importante 
que 
tenho 
feito 
e 
que 
farei. 
Estou 
te 
dizendo 
de 
todo 
corao. 
Tomou-lhe 
a 
mo 
e 
colocou 
sobre 
seu 
umbigo. 
O 
beb 
se 
movia. 
Est 
sentido? 
Como 
quer 
que 
me 
importe 
que 
me 
mandem 
embora 
pelo 
no 
cumprimento 
do 
trabalho? 
Tomei 
uma 
deciso 
e 
estou 
tranqila. 
E 
quero 
que 
voc 
tambm 
esteja. 
Isso 
talvez 
seja 
pedir 
demais. 
Em 
silncio, 
ela 
assentiu. 
No 
estaria 
nunca 
completamente 
tranqilo, 
mas 
tinha 
encontrado 
sossego 
em 
seu 
amor 
por 
ela 
e 
no 
iminente 
nascimento 
de 
seu 
filho. 
Acariciou 
a 
zona 
onde 
o 
pequeno 
tinha 
dado 
um 
chute. 
Achava 
que 
o 
ideal 
masculino 
era 
ter 
 
mulherzinha 
em 
casa, 
de 
chinelos 
e 
grvida. 
Que 
ocorre 
contigo? 
No 
quero 
que 
chegue 
no 
dia 
em 
que 
lamentes 
ter 
deixado 
tua 
carreira 
em 
suspenso. 
Tranqilizou-o 
com 
um 
sorriso. 
Isso 
no 
vai 
ocorrer. 
Ento, 
por 
que 
me 
sinto 
como 
se 
tivesse 
uma 
espada 
suspendida 
sobre 
a 
cabea? 
Porque 
sempre 
que 
olhas 
o 
copo 
voc 
o 
v 
meio 
vazio. 
E 
tu 
meio 
cheio. 
Vejo-o 
cheio 
e 
a 
ponto 
de 
derramar-se. 
Sim, 
j; 
sou 
o 
eterno 
pessimista. 
Admite-lo? 
No, 
mas 
j 
temos 
falado 
muito 
deste 
tema. 
Ad 
nauseam. 
Sorriram 
e 
ele 
voltou 
a 
abra-la. 
J 
tens 
sacrificado 
muito 
por 
mim. 
No 
te 
mereo. 
Pois 
estarei 
presente 
se 
alguma 
vez 
Michelle 
Pfeiffer 
se 
insinuar. 
Acomodou-se 
em 
seus 
braos 
enquanto 
ele 
a 
beijava 
e 
lhe 
acariciava 
os 
peitos 
com 
a 
ponta 
do 
vestido. 
Estavam 
duros 
e 
completos, 
preparando-se 
para 
a 
lactao. 
Ento 
deslizou 
a 
camisola 
e 
lambeu-lhe 
os 
mamilos. 
Quando 
lhe 
fez 
ccegas 
com 
o 
bigode, 
disse: 
No 
joga 
limpo. 
Quanto 
teremos 
que 
esperar? 
Pelo 
menos 
seis 
semanas 
aps 
o 
parto. 
Ele 
choramingou.
 
melhor 
no 
comear 
algo 
que 
no 
poderemos 
parar. 
J 
 
demasiado 
tarde 
 disse 
ele 
com 
uma 
careta 
de 
dor. 
Rindo, 
ela 
voltou 
a 
subir 
a 
camisola 
e 
levantou 
de 
seu 
colo. 


#
 
melhor 
que 
te 
vs. 
Sim, 
 
melhor. 
Ps-se 
em 
p, 
apanhou 
a 
jaqueta 
e 
caminhou 
para 
a 
porta. 
Encontras-te 
bem? 
Ela 
embalou 
o 
ventre 
com 
os 
braos. 
Ns 
dois 
estamos 
bem. 
Dormes 
mal. 
Tenta 
dormir 
com 
algum 
que 
joga 
ao 
futebol 
com 
todos 
teus 
rgos 
internos. 
Na 
porta 
deram-se 
o 
beijo 
de 
despedida. 
O 
que 
quer 
para 
o 
jantar? 
Iremos 
a 
jantar 
fora. 
A 
um 
chins? 
Seguro. 
A 
maioria 
de 
dias 
despedia-o 
na 
porta. 
Hoje, 
pendurou-se 
de 
seu 
brao 
e 
acompanhou-o 
at 
o 
carro. 
Quando 
chegou 
o 
momento 
deixa-lo 
ir, 
sentiu 
um 
desassossego 
inexplicvel, 
como 
se 
o 
pessimismo 
dele 
fosse 
contagioso. 
Devia 
de 
ter-lhe 
imbudo 
algum 
pressentimento, 
j 
que 
seu 
instinto 
pedia-lhe 
que 
chamasse 
ao 
trabalho 
dizendo 
que 
estava 
doente 
e 
ficasse 
com 
ela. 
Para 
dissimular 
o 
que 
com 
toda 
probabilidade 
no 
era 
nada 
mais 
que 
uma 
simples 
instabilidade 
emocional 
relacionada 
com 
a 
gravidez, 
disse: 
No 
aches 
que 
vou 
ser 
uma 
escrava 
da 
maternidade. 
Quando 
tivermos 
a 
menino, 
vai 
ter 
que 
trocar 
as 
fraldas. 
Estou-o 
desejando 
 disse 
ele 
sorrindo. 
Moderou 
seu 
entusiasmo, 
ps 
as 
mos 
sobre 
os 
ombros 
de 
sua 
mulher 
e 
obrigou-a 
a 
acercar-se. 
Faz 
com 
que 
seja 
muito 
fcil 
te 
querer. 
E 
sabes 
quanto? 
Ela 
inclinou 
a 
cabea 
e 
lhe 
sorriu. 
Sei-o. 
A 
luz 
do 
sol 
era 
muito 
forte. 
Talvez 
por 
isso 
que 
encheram 
os 
olhos 
de 
lgrimas. 
Eu 
tambm 
te 
quero. 
Antes 
de 
beij-la, 
apanhou-a 
pelo 
queixo 
e 
olhou-a. 
Sua 
voz 
estava 
cheia 
de 
emoo 
ao 
dizer: 
Tentarei 
voltar 
cedo. 
Ao 
pr 
ao 
volante 
acrescentou: 
Chama-me 
se 
precisar. 
O 
farei. 
Quando 
chegou 
 
esquina, 
ela 
agitou 
a 
mo 
para 
se 
despedir. 
Comeou 
a 
sentir 
dores 
na 
parte 
baixa 
das 
costas 
momentos 
depois 
de 
lavar 
os 
pratos 
do 
caf 
da 
manh. 
Deitou 
por 
um 
momento 
antes 
de 
fazer 
a 
cama, 
mas 
as 
pontadas 
persistiam. 
A 
meio 
dia 
j 
tinha 
pontadas 
mais 
fortes 
no 
abdmen. 
Pensou 
em 
chamar 
seu 
marido, 
mas 
desistiu. 
Podia 
ter 
contraes 
semanas 
antes 
do 
parto, 
e 
ainda 
lhe 
ficavam 
um 
par 
de 
semanas. 
Podia 
ser 
um 
falso 
alarme. 
No 
queria 
molestar 
em 
seu 
lugar 
de 
trabalho 
se 
no 
era 
absolutamente 
necessrio. 
Pouco 
depois 
das 
quatro 
rompeu 
a 
bolsa 
e 
comeou 
o 
parto 
em 
srio 
Telefonou 
ao 
ginecologista. 
O 
mdico 
disse-lhe 
que 
no 
tinha 
necessidade 
de 
sair 
correndo, 
o 
primeiro 
filho 
demora 
s 
vezes 
horas 
em 
chegar, 
mas 
lhe 
recomendou 
que 
fosse 
ao 
hospital. 
J 
no 
podia 
atrasar 
o 
aviso 
a 
seu 
marido. 
Chamou 
no 
seu 
escritrio, 
mas 
no 
estava 
localiz-lo. 


#
Bom, 
no 
importava. 
Ainda 
tinha 
coisas 
por 
fazer 
antes 
de 
sair 
para 
o 
hospital. 
Se 
banhou, 
se 
depilou 
as 
pernas 
e 
lavou-se 
o 
cabelo, 
j 
que 
no 
sabia 
quando 
voltaria 
a 
ter 
outra 
oportunidade 
do 
fazer. 
A 
mala 
j 
estava 
preparada 
com 
camisolas, 
uma 
calcinha 
nova 
e 
chinelos. 
E 


o 
enxoval 
unisex 
com 
todo 
o 
necessrio 
para 
o 
beb. 
Acrescentou 
um 
necesser 
pessoal 
e 
deixou 
a 
bagagem 
ao 
lado 
da 
porta. 
As 
dores 
ficaram 
mais 
intensas 
e 
mais 
seguidas. 
Voltou 
a 
telefonar 
perguntando 
por 
ele. 
Tem 
sado 
 foi 
a 
resposta. 
Mas 
posso 
tentar 
localiza-lo 
se 
trata-se 
de 
uma 
urgncia. 
Era 
uma 
urgncia? 
Em 
realidade, 
no. 
As 
mulheres 
tm 
a 
seus 
filhos 
em 
qualquer 
circunstncia 
imaginvel. 
Era 
capaz 
de 
chegar 
por 
seus 
prprios 
meios 
ao 
hospital. 
Alm 
do 
mais, 
ele 
teria 
que 
cruzar 
a 
cidade 
para 
chegar 
a 
casa 
e 
depois 
desfazer 
o 
caminho 
de 
novo 
at 
o 
hospital. 
Desejava 
com 
toda 
sua 
alma 
ouvir 
sua 
voz, 
que 
lhe 
teria 
dado 
foras. 
Mas 
teve 
que 
se 
contentar 
com 
lhe 
deixar 
o 
recado 
de 
que 
se 
reunisse 
com 
ela 
no 
hospital 
o 
antes 
possvel. 
Compreendeu 
que 
no 
fazia 
sentido 
se 
fazer 
de 
valente 
e 
dirigir 
ela 
mesma, 
mas 
no 
tinha 
a 
mo, 
parentes 
nem 
amigos. 
Chamou 
ao 
servio 
de 
ambulncias 
de 
urgncia. 
Estou 
em 
trabalho 
parto 
e 
preciso 
que 
me 
levem 
ao 
hospital. 
A 
ambulncia 
chegou 
depois 
de 
poucos 
minutos. 
O 
enfermeiro 
examinou-a. 
Presso 
um 
pouco 
alta 
 
anunciou 
ao 
tirar-lhe 
a 
pulseira. 
Quando 
comeou 
a 
sentir 
dores? 
Faz 
umas 
horas. 
As 
contraes 
j 
eram 
intensas. 
Os 
exerccios 
de 
respirao 
e 
concentrao 
aprendidos 
nas 
classes 
de 
maternidade 
s 
que 
tinha 
assistido 
com 
seu 
marido 
eram 
menos 
eficazes. 
Intentou 
realiz-los, 
mas 
no 
aliviavam 
sua 
dor. 
Falta 
muito? 
Estamos 
perto. 
Tolerncia. 
Tudo 
vai 
bem. 
Mas 
no 
ia 
bem. 
Soube-o 
ao 
ver 
a 
cara 
do 
mdico 
aps 
o 
exame 
preliminar. 
O 
pequeno 
vem 
de 
costas. 
Deus 
meu! 
gemeu. 
No 
se 
alarme. 
Ocorre 
continuamente. 
Tentaremos 
dar-lhe 
a 
volta 
e, 
se 
no 
funcionar, 
faremos 
uma 
cesrea. 
Tenho 
chamado 
ao 
telefone 
que 
me 
deu 
 lhe 
disse 
a 
enfermeira 
ao 
se 
dar 
conta 
de 
seu 
pnico. 
Vem 
de 
caminho. 
Graas 
a 
Deus. 
Amanda 
suspirou 
e 
se 
relaxou 
um 
pouco. 
Cedo 
estaria 
ali.
 
seu 
monitor 
de 
maternidade? 
Ele 
o 
 
tudo 
para 
mim. 
A 
enfermeira 
apertou-lhe 
a 
mo 
e 
seguiu 
falando-lhe 
enquanto 
padecia 
a 
manipulao 
do 
mdico 
tentando 
colocar 
ao 
beb 
na 
posio 
correta. 
Controlavam 
os 
batidos 
do 
corao 
por 
computador. 
A 
enfermeira 
tomava-lhe 
a 
presso 
a 
intervalos 
a 
cada 
vez 
mais 
curtos. 
Por 
fim, 
o 
mdico 
disse: 
-Preparem 
uma 
cesrea. 
Os 
minutos 
seguintes 
foram 
como 
vistos 
atravs 
de 
um 
calendoscpio 
borrado. 
Levaram-na 
a 
toda 
pressa 
 
sala 
de 
partos. 
Onde 
estava 
ele? 
#
No 
deixou 
de 
pronunciar 
seu 
nome 
em 
tom 
lastimoso 
antes 
de 
apertar 
os 
dentes 
como 
esforo 
supremo 
para 
atenuar 
o 
martrio 
que 
passava 
seu 
tero. 
Ento 
ouviu 
como 
em 
sonhos 
uma 
conversa 
entre 
duas 
das 
enfermeiras. 
Aconteceu 
um 
tremendo 
choque 
mltiplo 
no 
cruzamento. 
J 
ia 
comentar 
com 
voc. 
Passei 
pela 
sala 
de 
urgncias 
quando 
subia. 
E 
parece 
um 
circo. 
Muitos 
mortos 
e 
a 
maioria 
com 
leses 
na 
cabea. 
H 
equipes 
de 
retirada 
de 
rgos 
e 
tecidos 
esperando 
para 
falar 
com 
os 
familiares 
quando 
cheguem. 
Amanda 
sentiu 
um 
ferro 
nas 
costas 
e 
o 
abdmen 
frio 
por 
algum 
lquido. 
E 
notou 
que 
lhe 
cobriam 
as 
pernas 
com 
lenis 
estReyes. 
Um 
choque 
mltiplo 
no 
cruzamento 
primeiramente 
 
cidade. 
Ele 
devia 
de 
ter 
pressa 
por 
chegar 
antes 
de 
que 
nascesse 
seu 
filho. 
Conduzia 
a 
muita 
velocidade. 
Fez 
manobras 
imprprias 
dele. 
No! 
Tranqila, 
dentro 
de 
muito 
pouco 
ter 
ao 
menino 
nos 
braos. 
Era 
uma 
voz 
agradvel, 
mas 
no 
a 
dele. 
No 
a 
que 
ela 
morria 
de 
vontades 
de 
ouvir. 
De 
repente, 
soube 
que 
j 
nunca 
mais 
voltaria 
a 
escutar 
sua 
voz. 
Em 
um 
instante 
de 
percepo 
extrasensorial 
soube, 
de 
forma 
inexplicvel, 
que 
jamais 
voltaria 
ao 
ver. 
Aquela 
manh, 
quando 
em 
seus 
olhos 
teve 
lgrimas 
sem 
motivo, 
tinha 
tido 
a 
premonio 
de 
que 
seu 
beijo 
de 
despedida 
seria 
o 
ltimo. 
De 
alguma 
forma, 
sabia 
que 
jamais 
voltaria 
a 
tocar 
a 
seu 
marido. 
Por 
isso 
se 
tinha 
mostrado 
to 
relutante 
ao 
sair. 
Lembrou 
seu 
olhar 
intenso, 
como 
se 
quisesse 
memorizar 
os 
matizes 
de 
sua 
cara. 
Tambm 
ele 
teria 
pressentido 
que 
era 
o 
ltimo 
adeus? 
No! 
soluou. 
Mas 
o 
destino 
estava 
selado 
e 
nada 
podia 
o 
mudar. 
Amor 
meu, 
te 
quero. 
Seu 
soluo 
fez 
eco 
na 
sala 
de 
partos, 
mas 
ele 
no 
estava 
ali 
Para 
o 
ouvir. 
Tinha-se 
ido. 
Para 
sempre. 



Captulo 
quatro 
10 
DE 
OUTUBRO 
DE 
1990 


Cyc 
 
um 
asqueroso 
filho 
da 
puta. 
Petey 
tirou 
o 
sangue 
da 
unha 
e 
limpou 
a 
ponta 
da 
navalha 
na 
perna 
do 
vaqueiro. 
E 
acrescentou: 
E 
um 
imbecil. 
Sobretudo, 
um 
imbecil. 
Eu, 
em 
teu 
lugar, 
lhe 
devolveria 
a 
garota. 
Tua 
vida 
seria 
bem 
mais 
fcil 
Sparky. 
No 
ests 
em 
meu 
lugar 
 tossiu 
e 
cuspiu 
um 
catarro 
ao 
lado 
das 
desgastadas 
botas 
negras 
de 
seu 
amigo. 
E 
a 
Cyclops 
no 
vou 
dar 
nada, 
fora 
uma 
surra 
se 
voltar 
a 
chegar 
perto 
dela. 
No 
te 
esqueas 
de 
que 
Kismet 
era 
sua 
garota 
muito 
antes 
que 
tu 
aparecesses 
em 
cena. 
No 
vai 


#
deixar 
as 
coisas 
assim. 
Tratava-a 
como 
a 
uma 
droga. 
Petey 
encolheu 
de 
ombros. 
Se 
atreve 
a 
pr-lhe 
a 
mo 
em 
cima.., 
e 
muito 
parece-me 
que 
essa 
 
sua 
inteno, 
no 
saber 
onde 
se 
buscar 
as 
pelotas 
 
disse 
Sparky. 
Tio, 
tu 
ests 
louco 
 
exclamou 
Petey 
Um 
bom 
c 
 
legal, 
mas 
 
mais 
fcil 
passar. 
No 
vale 
a 
pena 
morrer 
por 
isso. 
Vai-te 
com 
olho. 
Cyc 
est 
acostumado 
a 
sair-se 
com 
a 
sua. 
Por 
isso 
tem 
cheguei 
a 
ser 
o 
lder. 
Sparky 
murmurou:
Lder..., 
e 
um 
ovo. 
 
s 
um 
porra 
cheguei. 
Isso 
tambm. 
Bom, 
pois 
no 
me 
assusta. 
No 
vou 
deixar 
que 
passe 
nem 
um 
cabelo. 
E, 
desde 
agora 
em 
adiante, 
ela 
tambm 
no. 
Olhou 
para 
o 
grupo 
de 
garotas 
que 
se 
estavam 
passando 
na 
rea 
da 
entrada 
raqutica 
do 
motel. 
O 
edifcio 
estava 
situado 
ao 
p 
das 
colinas 
de 
uma 
estrada 
muito 
pouco 
freqentada 
desde 
que 
a 
estrada 
passava 
perto. 
Era 
um 
lugar 
apartado. 
Nos 
velhos 
tempos 
teria 
sido 
o 
refgio 
de 
contrabandistas 
de 
licor, 
putas, 
jogadores 
e 
gangsters. 
Agora 
era 
o 
ponto 
de 
reunio 
de 
motoristas, 
delinqentes 
de 
pouco 
renome 
e 
outros 
marginalizados. 
A 
cada 
noite 
produzia 
no 
mnimo 
uma 
bronca, 
mas 
inclusive 
s 
briga 
em 
que 
ocorria 
sangue 
se 
solucionavam 
sem 
a 
interveno 
da 
polcia. 
Entre 
as 
mulheres 
da 
entrada, 
Kismet 
resplandecia 
como 
um 
diamante 
entre 
cinzas. 
Tinha 
uma 
mata 
de 
cabelo 
encaracolado 
e 
cor 
negra, 
olhos 
penetrantes 
e 
uma 
esbelta 
figura 
que 
exibia 
com 
orgulho 
com 
jeans 
cingidos 
como 
uma 
segunda 
pele. 
Levava 
um 
cinto 
de 
couro 
negro 
com 
pregas 
prateadas 
e 
uma 
camiseta 
to 
decotada 
que 
deixava 
ver 
a 
lua 
crescente 
tatuada 
 
altura 
do 
corao. 
Ele 
gostou 
de 
ver 
que 
levava 
no 
antebrao 
a 
pulseira 
de 
cobre 
que 
tinha 
trazido 
de 
Mxico 
um 
par 
de 
semanas 
atrs. 
De 
suas 
orelhas 
pendiam 
diversos 
aros. 
Kismet 
notou 
sua 
olhar 
e 
respondeu 
a 
ele 
com 
um 
movimento 
de 
cabea 
e 
abrindo 
os 
lbios, 
insinuante. 
Riu 
por 
algo 
que 
disse 
uma 
de 
suas 
amigas, 
mas 
seus 
olhos 
escuros 
no 
se 
apartaram 
dele. 
Vale, 
tio, 
est 
azedo 
-disse 
Petey 
com 
resignao. 
Molestou 
o 
comentrio, 
mas 
no 
contou. 
Esse 
descerebrado 
no 
merecia 
um 
desgaste 
de 
energia. 
Alm 
do 
mais, 
Sparky 
no 
estava 
seguro 
de 
poder 
explicar 
com 
palavras 
o 
que 
sentia 
por 
Kismet, 
mas 
ia 
bem 
mais 
longe 
do 
que 
tinha 
sentido 
por 
nenhuma 
outra 
mulher. 
Sparky 
mostrava-se 
reservado 
com 
respeito 
a 
seu 
passado 
e 
pouco 
disposto 
a 
revelar 
seu 
verdadeiro 
nome. 
A 
outros 
motoristas 
se 
teriam 
ficado 
de 
pedra 
se 
soubessem 
que 
se 
tinha 
licenciado 
em 
literatura 
em 
uma 
das 
melhores 
universidades. 
Entre 
essa 
liga, 
a 
inteligncia 
e 
os 
conhecimentos 
aprendidos 
em 
livros 
eram 
mais 
bem 
motivos 
de 
deboche 
e 
desdm. 
Quanto 
menos 
soubessem 
dele, 
melhor. 
Era 
evidente 
que 
Kismet 
tambm 
no 
era 
partidria 
de 
falar 
de 
sua 
vida 
antes 
de 
se 
unir 
a 
Cyclops, 
j 
que 
nunca 
tinha 
abordado 
o 
tema. 
E 
ele 
no 
tinha 
perguntado. 
Como 
almas 
gmeas, 
tinham 
reconhecido 
o 
um 
no 
outro 
uma 
1nquietu 
comum, 
umas 
nsias 
de 
ver 


#
mundo, 
que 
era 
mais 
uma 
fuga 
que 
uma 
busca. 
Ambos 
escapavam 
de 
uma 
situao 
que 
j 
no 
podiam 
suportar. 
Talvez 
sem 
saber, 
se 
tinham 
estado 
buscando 
o 
um 
ao 
outro. 
Talvez 
a 
busca 
tivesse 
terminado. 
Ele 
gostava 
de 
refletir 
Sobre 
esta 
explicao 
metafsica. 
A 
Primeira 
vez 
que 
a 
viu, 
ela 
levava 
um 
olho 
preto 
e 
inchado 
e 
o 
lbio 
partido. 
O 
Que 
voc 
est 
olhando? 
disse 
Kismet 
com 
agressividade 
ao 
notar 
sua 
olhar 
Perguntava-me 
quem 
te 
bateu. 
-tu 
que 
te 
importas? 
Pensei 
que 
poderia 
dar 
uma 
resposta. 
Ela 
o 
olhou 
de 
acima 
abaixo 
e 
sorriu 
com 
desdm. 


Sou 
mais 
forte 
do 
que 
pareo. 
E 
eu 
a 
rainha 
de 
Sab. 
Alm 
do 
mais, 
sei 
cuidar-me 
sozinha. 
Mas 
resultou 
que 
no. 
Depois 
de 
poucos 
dias 
voltava 
a 
aparecer 
com 
novos 
ferimentos 
na 
cara 
e 
o 
pescoo. 
Ento 
ele 
j 
sabia 
que 
pertencia 
a 
Cyclops, 
apelidado 
assim 
porque 
tinha 
um 
olho 
de 
cristal. 
O 
defeito 
no 
contribua 
a 
suavizar 
seu 
aspecto 
sinistro. 
O 
olho 
so 
era 
to 
frio 
e 
sem 
vida 
como 
o 
de 
cristal. 
Quando 
fixava 
a 
vista 
em 
algum 
que 
tinha 
cado 
em 
desgraa, 
lhe 
bastava 
e 
sobrava 
com 
um 
sozinho 
olho. 
A 
suas 
costas 
todos 
o 
chamavam 
o 
mestio. 
Alm 
do 
sangue 
branco, 
corria 
por 
suas 
veias 
sangue 
mexicano 
ou 
ndio, 
nada 
estava 
muito 
seguro. 
Era 
provvel 
que 
nem 
o 
mesmo 
Cyc 
conhecia 
suas 
origens. 
E 
seguro 
que 
tambm 
no 
se 
importava. 
Tinha 
a 
pele 
morena, 
era 
magro 
e 
mais 
duro 
que 
o 
ao. 
A 
navalha 
era 
sua 
arma 
e, 
de 
no 
ter 
sido 
por 
Kismet, 
Sparky 
se 
teria 
mantido 
afastado 
dele. 
Por 
desgraa, 
interveio 
o 
destino. 
Tinha-se 
sentido 
atrado 
no 
instante 
pelo 
corpo 
voluptuoso 
de 
Kismet, 
seus 
olhos 
negros, 
seu 
cabelo 
indomvel. 
A 
um 
nvel 
mais 
profundo, 
tinha 
percebido 
o 
medo 
e 
a 
vulnerabilidade 
por 
trs 
de 
sua 
olhar 
desafiante 
e 
sua 
expresso 
hostil. 
De 
forma 
milagrosa, 
ela 
correspondeu 
a 
seus 
sentimentos. 
Ele 
nunca 
tinha 
dado 
um 
passo, 
nunca 
a 
convidou 
a 
subir 
a 
sua 
moto. 
No 
entanto, 
Kismet 
deve 
ter 
lido 
os 
sinais 
silenciosos. 
Uma 
manh, 
enquanto 
estavam 
indo 
subir 
nas 
motos, 
ela 
saltou 
no 
assento 
de 
atrs 
e 
rodeou 
sua 
cintura 
com 
seus 
de 
delgados 
braos 
nus. 
Produziu 
um 
sussurro 
expectante 
entre 
a 
liga 
quando 
Cyc 
avanou 
para 
sua 
moto. 
Olhou 
a 
seu 
ao 
redor, 
buscando-a. 
Ao 
v-la 
sentada 
por 
trs 
de 
Sparky, 
o 
olho 
so 
de 
Cyc 
se 
diminudo, 
ameaador, 
e 
os 
lbios 
delgados 
se 
tensos 
em 
uma 
careta 
feroz. 
A 
seguir 
deu 
gs 
 
moto 
e 
saiu 
disparado. 
Essa 
noite, 
Kismet 
reuniu-se 
com 
ele. 
Pensei 
trat-la 
com 
delicadeza 
devido 
s 
recentes 
surras 
que 
ela 
tinha 
recebido 
de 
Cyclops. 
Ante 
sua 
surpresa, 
a 
agressora 
foi 
ela, 
atacando-o 
com 
unhas 
e 
dentes 
e 
um 
apetite 
sexual 
ao 
que 
parece 
insacivel 
que 
ele 
era 
mais 
que 
capaz 
de 
satisfazer. 
Desde 
ento 
foram 
amantes 
e 
eram 
considerados 
casal. 
Mas 
os 
que 
estavam 
na 
liga 
desde 
fazia 
mais 
tempo 
que 
ele, 
quem 
conheciam 
bem 
a 
Cyc 
e 
tinham 
presenciado 
sua 
vingana 
por 
ofensas 
reais 
ou 
imaginarias, 
sabiam 
que 
o 
rancor 
de 
seu 
lder 
estava 
fervendo 
a 
fogo 
lento 
e 
de 
repente, 
chegaria 
 
ebulio. 
Ningum 
levava 
nada 
que 
pertencesse 
a 
Cyc 
saa 
impune. 
As 
palavras 
de 
advertncia 
de 
Petey 
eram 


#
desnecessrias. 
Sparky 
j 
ia 
com 
ps 
de 
chumbo 
com 
Cyc, 
cuja 
indiferena 
pelo 
abandono 
de 
Kismet 
era 
provavelmente 
uma 
posse, 
uma 
tentativa 
de 
salvar 
a 
cara 
ante 
os 
outros 
membros 
da 
liga. 
No 
se 
fiava 
de 
sua 
aparente 
tranqilidade 
e 
estava 
sempre 
alerta 
ante 
um 
ataque 
por 
surpresa. 
Por 
isso 
se 
arrepiaram 
os 
cabelos 
da 
nuca 
quando 
Cyc 
chegou 
cambaleando 
pela 
porta 
do 
bar 
at 
a 
entrada. 
Apoiou-se 
com 
uma 
mo 
na 
jamba 
da 
porta 
para 
recuperar 
o 
equilbrio, 
enquanto 
com 
a 
outra 
levava 
uma 
garrafa 
de 
vodka 
 
boca. 
Inclusive 
desde 
certa 
distncia, 
observando 
entre 
as 
sombras 
enganosas 
do 
crepsculo, 
Sparky 
viu 
o 
olho 
do 
energmeno 
fixo 
em 
Kismet. 
Cyc 
avanou 
cambaleando 
para 
ela 
e 
alongou 
a 
mo 
para 
lhe 
acariciar 
o 
pescoo, 
mas 
a 
rapariga 
lha 
apartou 
de 
um 
bofetada. 
Dobrado 
pela 
estreita 
cintura 
disse-lhe 
algo 
e 
a 
obscena 
rplica 
de 
Kismet 
fez 
rir 
s 
outras 
garotas. 
A 
Cyc 
no 
lhe 
fez 
graa. 
Deixou 
cair 
a 
garrafa 
de 
vodka 
e 
sacou 
uma 
navalha 
de 
funda-a 
de 
couro 
que 
levava 
sempre 
no 
bolsos 
dos 
jeans. 
As 
outras 
garotas 
apartaram-se, 
mas 
Kismet 
no 
se 
moveu 
nem 
sequer 
quando 
brandiu 
a 
lenol 
adiante 
de 
sua 
cara. 
No 
piscou 
at 
que 
Cyc 
fez 
um 
movimento 
rpido 
com 
a 
arma. 
Ele 
riu 
a 
gargalhadas 
pelo 
espontneo 
retrocesso 
da 
menina. 
Sem 
prestar 
ateno 
aos 
conselhos 
de 
Petey 
e 
dos 
demais, 
Sparky 
correu 
para 
ele. 
Cyc 
deu-se 
conta 
de 
sua 
presena, 
girou 
em 
redondo 
e 
agachou-se, 
adotando 
uma 
posio 
de 
ataque. 
Passou 
a 
navalha 
de 
uma 
mo 
a 
outra 
enquanto 
incitava-o. 
Vem 
a 
apanh-la. 
Sparky 
esquivou 
diversos 
golpes 
do 
lenol, 
qualquer 
deles 
capaz 
do 
partir 
em 
duas. 
Cyc 
era 
superior 
fisicamente. 
Confiando 
s 
em 
seu 
serenidade, 
rapidez 
e 
destreza, 
Sparky 
planificou 
o 
contra 
ataque. 
Esperou 
o 
momento 
oportuno 
e 
deu 
um 
chute 
 
boneca 
de 
seu 
adversrio. 
A 
bota 
golpeou 
em 
pleno 
osso 
e 
Cyc 
deixou 
cair 
a 
navalha 
enquanto 
gritava 
de 
dor. 
Imediatamente 
o 
soco 
bem 
situado 
no 
queixo 
lhe 
fez 
cambalear 
para 
trs, 
chocar 
Contra 
a 
parede 
e 
aterrissar 
no 
solo, 
onde 
ficou 
como 
uma 
marionete 
desmantaada. 
Sparky 
recolheu 
a 
navalha 
cada 
do 
cho 
e 
lanou-a 
to 
longe 
como 
pde. 
 
luz 
do 
anncio 
de 
non, 
todos 
observaram 
pasmados 
como 
descrevia 
uma 
curva 
no 
ar 
e 
desaparecia 
entre 
os 
arbustos. 
Custava-lhe 
recuperar 
o 
flego, 
mas, 
com 
toda 
dignidade, 
tensionou 
sua 
mo 
a 
Kismet, 
quem 
a 
aceitou 
sem 
duvidar 
nem 
um 
segundo. 
Saram 
Juntos 
e 
subiram 
 
moto. 
Ele 
no 
olhou 
para 
trs. 
Ela 
sim. 
Cyc 
tinha 
recuperado 
o 
conhecimento 
e 
sacudia 
a 
cabea, 
aturdido. 
Kismet 
fez-lhe 
um 
corte 
de 
mangas 
antes 
que 
a 
moto 
se 
perdesse 
na 
escurido. 
O 
vento 
assobiava 
nos 
ouvidos 
e 
a 
conversa 
era 
impossvel, 
de 
modo 
que 
comunicavam 
por 
outros 
meios. 
Apertou 
suas 
coxas 
contra 
os 
quadris 
dele, 
esfregou 
os 
seios 
contra 
suas 
costas 
e 
o 
acariciou 
a 
entre 
as 
pernas 
com 
mos 
ansiosas. 
Seus 
dentes 
se 
fincaram 
na 
parte 
carnosa 
do 
ombro. 
Sparky 
gemeu 
de 
prazer, 
dor 
e 
alegria. 
J 
era 
sua 
sem 
a 
menor 
dvida. 
Se 
a 
ela 
lhe 
tivesse 
ficado 
ainda 
algum 
tipo 
de 
sentimento 
pelo 
derrotado 
Cyclops, 
se 
teria 
ficado 
junto 
a 
ele. 
Agora 
era 
seu 
prmio: 
como 
vencedor, 
tinha 
ganhado 
o 
direito 
 
reclamar. 
To 
cedo 
como 
tivessem 
posto 
terra 
de 
por 
mdio 
entre 
eles 
e 
Cyc... 
Droga. 
Segue-nos, 
Sparky. 
Um 
segundo 
antes 
que 
ela 
falasse 
j 
tinha 
observado 
o 
faro 
que 
atravessava 
a 
escurido 
a 
suas 
costas 
brilhando 
como 
o 
nico 
olho 
de 
um 
monstro; 
uma 
comparao 
que 
lhe 
parecia 
apropriada, 
mas 
inquietante. 


#
O 
faro 
crescia 
no 
retrovisor 
conforme 
Cyc 
a 
cercava 
em 
uma 
alarmante 
velocidade. 
Tomando 
curvas 
fechadas 
demasiado 
rpido, 
acelerou 
para 
manter 
uma 
distncia 
relativamente 
segura. 
Sabia 
que 
Cyc 
estava 
enlouquecido 
pela 
vodka 
e 
a 
raiva, 
de 
modo 
que 
tentou 
concentrar 
na 
carreira 
de 
desafio 
 
morte 
pelas 
curvas 
fechadas 
at 
que 
chegassem 
 
cidade, 
onde 
confiava 
em 
despist-lo. 
Manter 
o 
controle 
da 
moto 
era 
um 
repto 
implacvel. 
Gritou 
a 
Kismet 
que 
se 
agarrasse 
forte 
e 
tomou 
uma 
curva 
em 
um 
ngulo 
aterrorizante, 
com 
as 
pernas 
quase 
tocando 
o 
solo. 
Quando 
recuperou 
a 
situao 
vertical, 
jogou 
uma 
olhada 
ao 
retrovisor 
e 
viu 
que 
a 
curva 
no 
tinha 
feito 
perder 
terreno 
a 
Cyc. 
Mais 
depressa! 
gritou 
ela. 
Est 
nos 
alcanando. 
Se 
nos 
alcanar, 
nos 
matar. 
Deu 
mais 
gs 
e 
a 
paisagem 
era 
a 
cada 
vez 
mais 
borrada. 
No 
queria 
pensar 
que 
pudesse 
vir 
algum 
veculo 
de 
frente. 
At 
agora 
no 
tinham 
encontrado 
nenhum, 
mas... 
Cuidado! 
Cyc 
quase 
se 
tinha 
posto 
a 
sua 
altura 
e 
Sparky 
passou 
ao 
carril 
contrrio 
por 
adiante 
dele 
para 
poder 
seguir 
levando 
vantagem. 
Se 
permitisse 
que 
os 
atingisse 
ou 
os 
adiantasse, 
j 
estavam 
mortos. 
A 
estrada 
no 
tinha 
agora 
tanta 
pendente, 
mas 
seguia 
cortando 
as 
montanhas. 
J 
no 
faltava 
muito 
para 
chegar 
 
cidade. 
Ali 
despistariam 
a 
esse 
filho 
da 
puta. 
Estava 
criando 
sua 
estratgia 
quando 
tomaram 
outra 
curva. 
Ao 
sair 
dela, 
se 
sentiram 
como 
transportados 
a 
outro 
mundo. 
De 
repente 
as 
colinas 
tinham 
desaparecido 
e 
abria-se 
um 
trecho 
de 
estrada 
reta 
que 
conduzia 
ao 
centro 
da 
cidade. 
Se 
a 
sorte 
tivesse-lhes 
favorecido 
teria 
sido 
uma 
viso 
agradvel. 
Mas 
Kismet 
gritou 
e 
ele 
amaldioou. 
Iam 
diretos 
a 
um 
cruzamento 
e 
um 
caminho 
de 
gado 
entrava 
em 
seu 
carril. 
A 
essa 
velocidade 
no 
podiam 
girar. 
Cyc 
j 
tocava 
seu 
tubo 
de 
escape. 
O 
caminho 
de 
gado 
no 
pde 
se 
apartar 
do 
cruzamento. 
No 
teve 
tempo 
de 
pensar 
em 
nada. 


Meia 
hora 
mais 
tarde, 
um 
dos 
jovens 
mdicos 
residentes 
corria 
por 
um 
corredor 
do 
hospital 
para 
a 
sala 
de 
espera 
da 
sala 
de 
cirurgia 
de 
urgncias, 
onde 
um 
grupo 
de 
motoristas 
esperava 
conhecer 
o 
estado 
de 
seus 
amigos. 
Inclusive 
os 
mais 
duros 
ficaram 
plidos 
ao 
ver 
o 
sangue 
que 
estavam 
nas 
luvas 
dos 
funcionrios. 
Ofegante, 
disse: 
Sinto-o, 
temos 
feito 
todo 
o 
possvel. 
Agora 
precisamos 
falar 
com 
o 
familiar 
mais 
prximo 
para 
tratar 
da 
doao 
dos 
rgos. 
E 
rpido. 



Captulo 
cinco 
MAIO 
DE 
1991 


Oua, 
Pierce, 
isto 
 
um 
edifcio 
pblico. 
Como 
tal, 
merece 
algum 
respeito. 
Tira 
os 
malditos 
ps 
da 
parede. 


#
Aquela 
voz 
teria 
feito 
acordar 
aos 
mortos. 
E, 
desde 
depois, 
fez 
reagir 
a 
Alex 
Pierce. 
Seu 
semblante 
adusto 
alumiou-se 
com 
um 
sorriso 
quando 
a 
servidora 
pblica 
se 
acercou. 
Arrependido 
e 
obediente, 
colocou 
suas 
botas 
de 
cowboy 
no 
cho. 
Ol, 
Linda. 
Isso 
 
tudo? 
Ol, 
Linda. 
 
Depois 
do 
que 
significamos 
um 
para 
o 
outro? 
Ps-se 
em 
guarda 
e 
olhou-o 
irada, 
mas 
a 
seguir 
abandonou 
pose 
e 
deu-lhe 
uma 
palmada 
afetuosa 
no 
ombro. 
Tudo 
bem 
como 
vai, 
amor? 
No 
posso 
me 
queixar. 
E 
a 
ti? 
Como 
sempre. 
Olhou, 
carrancuda, 
a 
sala 
atestada, 
onde 
vrios 
possveis 
membros 
do 
jri 
esperavam 
ser 
excludos 
de 
sua 
obrigao 
Cvica. 
Aqui 
no 
muda 
nada 
fora 
as 
caras. 
Sempre 
as 
mesmas 
desculpas 
para 
evitar 
ser 
eleito 
membro 
do 
jri. 
De 
novo 
voltou 
a 
olh-lo. 
Onde 
esteve 
escondido? 
Tenho 
ouvido 
dizer 
que 
tinha 
ido 
embora 
de 
Houston. 
Antes 
do 
Quatro 
de 
Julho 
passado, 
costumava 
freqentar 
o 
Palcio 
de 
Justia 
do 
Condado 
de 
Harris 
para 
se 
declarar 
como 
testemunha 
em 
julgamentos 
que 
tinham 
como 
protagonistas 
os 
delinqentes 
que 
tinha 
ajudado 
a 
deter. 
Sigo 
recebendo 
o 
correio 
aqui. 
Em 
geral 
tenho 
viajado. 
E 
pescando 
em 
Mxico. 
Pescaste 
algo? 
-Nada 
que 
valha 
a 
pena. 
-Espero 
que 
no 
fosse 
uma 
gonorria. 
Ele 
sorriu 
com 
ironia. 
Nos 
tempos 
que 
correm, 
podes 
estar 
contente 
se 
s 
tratar 
de 
uma 
gonorria. 
-Verdade 
que 
sim? 
A 
corpulenta 
mulher 
agitou 
sua 
cabea 
rolia. 
Ontem 
li 
no 
jornal 
que 
o 
desodorante 
faz 
buracos 
na 
camada 
de 
oznio. 
Os 
absorventes 
podem 
causar 
um 
ataque 
txico. 
O 
que 
comemos, 
ou 
nos 
tampa 
as 
artrias 
ou 
provoca 
cncer 
de 
clon. 
Inclusive 
tm 
conseguido 
tiram 
a 
vontade 
de 
transar 
por 
a. 
Alex 
riu 
de 
boa 
vontade, 
sem 
ligar 
para 
sua 
linguagem 
vulgar. 
Conheciam-se 
desde 
os 
tempos 
em 
que 
ele 
era 
um 
policial 
novato 
armado 
com 
escopeta 
que 
percorria 
Houston 
em 
um 
carro 
patrulha. 
Linda 
era 
uma 
instituio 
no 
Palcio 
de 
Justia 
e 
sabia 
sempre 
os 
ltimos 
rumores 
e 
as 
fofocas 
mais 
frescas. 
Seu 
talanto 
mal 
humorado 
e 
seus 
tacos 
eram 
uma 
armadura 
para 
sua 
ternura, 
que 
s 
mostrava 
a 
uns 
poucos. 
Alex 
estava 
entre 
eles. 
Para 
valer 
ests 
bem? 
Muito 
bem. 
No 
tem 
saudade 
do 
trabalho? 
Cus, 
no! 
J 
sei 
que 
no 
sente 
falta 
nem 
da 
politicagem 
nem 
as 
porcaria. 
Mas 
a 
ao? 
Agora 
deixo 
que 
minhas 
personagens 
esquivem 
as 
balas. 


#
Tuas 
personagens? 
Sim 
 disse, 
algo 
envergonhado. 
Escrevo, 
mais 
ou 
menos. 
No 
me 
tomas 
o 
cabelo? 
parecia 
impressionada. 
Escreves 
um 
livro 
sobre 
os 
assuntos 
internos 
do 
Departamento 
de 
Policia 
de 
uma 
grande 
cidade? 
Em 
realidade 
 
uma 
novela. 
Ainda 
que 
baseada 
em 
minhas 
experincias. 


Tens 
alguma 
possibilidade? 
De 
publicar? 
negou 
com 
a 
cabea. 
Isso 
 
outro 
cantar. 
No 
sei 
se 
alguma 
vez 
o 
conseguirei. 
O 
conseguirs. 
No 
sei. 
Meus 
antecedentes 
no 
so 
muito 
bons. 
Eu 
confio 
em 
ti. 
De 
verdade, 
sa 
com 
algum? 
Com 
uma 
mulher? 
A 
no 
ser 
que 
tenha 
mudado 
de 
gosto. 
No, 
no 
tenho 
mudado 
de 
gosto. 
Mas 
tambm 
no 
saio 
com 
a 
algum 
em 
especial. 
Ela 
o 
olhou 
de 
acima 
abaixo. 
Pois 
talvez 
devesse 
fazer. 
Teu 
vesturio 
deixa 
muito 
que 
desejar 
e 
viria 
bem 
um 
toque 
feminino. 
Que 
h 
com 
minha 
roupa? 
Deu 
uma 
olhada 
e 
no 
viu 
nada 
especial. 
Essa 
camisa 
no 
sabe 
o 
que 
 
estar 
passada. 
Est 
limpa. 
E 
tambm 
os 
jeans. 
Recordas-me 
a 
poca 
em 
que 
deixaste 
o 
corpo 
e 
te 
voltaste 
preguioso 
e 
descuidado. 
Agora 
sou 
meu 
prprio 
chefe. 
Visto-me 
com 
roupa 
cmoda 
e, 
se 
no 
tenho 
vontade 
de 
me 
barbear, 
no 
me 
barbeio. 
Ests 
delgado 
como 
um 
espantalho. 
Estou 
em 
forma. 
Ela 
levantou 
as 
sobrancelhas 
com 
ceticismo. 
OK. 
Incomodou-me 
um 
desse 
vrus 
mexicano 
e 
estive 
vomitando 
durante 
dias. 
Ainda 
no 
me 
recuperei. 
Compreendeu 
por 
sua 
expresso 
que 
no 
a 
tinha 
convencido.
Estou 
bem. 
s 
vezes 
esqueo-me 
de 
comer, 
mas 
isso 
 
tudo. 
Ponho-me 
a 
escrever 
quando 
anoitece 
e 
me 
dou 
conta 
ao 
amanhecer 
de 
que 
no 
jantei. 
Em 
minha 
nova 
profisso, 
s 
vezes 
h 
que 
optar 
por 
comer 
ou 
dormir. 
Ocorre 
o 
mesmo 
com 
o 
alcoolismo, 
segundo 
tenho 
ouvido 
dizer. 
Alex 
esquivou 
sua 
olhar 
e 
contou 
com 
raiva: 
Tenho-o 
controlado. 
No 
 
isso 
o 
que 
me 
disseram. 
Talvez 
eu 
deveria 
deixar. 
Sim, 
mame. 
Ouve 
imbecil, 
eu 
me 
considero 
sua 
amiga, 
no 
que 
possa 
presumir 
que 
tenha 
muitos 
 
parecia 
molesta 
e 
preocupada. 
Tenho 
ouvido 
dizer 
que 
te 
ficaste 
fritado 
em 
mais 
de 
uma 
ocasio. 
As 
malditas 
fofocas. 
J 
nem 
sequer 
estava 
dentro 
do 
jogo, 
mas 
seu 
nome 
ainda 
provocava 
falatrio. 
H 
algum 
tempo 
que 
no 
 
mentiu. 


#
S 
tenho 
mencionado 
tua 
relao 
amorosa 
com 
Johnny 
Walker 
porque 
me 
preocupo 
por 
ti. 
Pois, 
ento, 
s 
a 
nica. 
Ao 
ouvir 
o 
que 
parecia 
auto-compaixo 
em 
sua 
voz, 
baixou 
a 
guarda 
e 
suavizou 
sua 
expresso. 
Eu 
te 
agradeo, 
Linda. 
Sei 
que 
estava 
fora 
quando 
veio 
 
tona 
toda 
essa 
droga, 
mas 
agora 
estou 
bem. 
Para 
valer. 
No 
faas 
caso 
de 
rumores 
que 
digam 
o 
contrrio. 
A 
mulher 
olhou-o 
ctica, 
mas 
mudou 
de 
tema. 
Bom, 
que 
te 
traz 
por 
aqui? 
Ver 
se 
encontro 
tema 
para 
um 
livro. 
O 
julgamento 
de 
Reyes 
parece 
ter 
possibilidades. 
Os 
olhos 
da 
servidora 
pblica 
expressaram 
receio. 
-Algum 
motivo 
especial 
para 
que 
voc 
se 
interessar 
pelo 
caso 
Reyes 
tendo 
tantos 
para 
eleger? 
Alex 
esteve 
seguindo 
aquele 
caso 
to 
intrigante 
durante 
vrios 
meses. 
Tem 
todos 
os 
ingredientes 
para 
uma 
novela 
de 
intriga. 
Sexo 
ilcito. 
Conotaes 
religiosas. 
Os 
amantes 
surpreendidos 
por 
um 
marido 
enfurecido. 
Um 
taco 
de 
beisebol 
como 
arma... 
Muito 
mais 
original 
que 
uma 
bala 
na 
cabea. 
Sangue 
e 
crebros 
nas 
paredes. 
Um 
cadver 
a 
caminho 
do 
depsito. 
Um 
cadver 
ainda 
no 
cadver. 
Morte 
cerebral 
 
rebateu. 
Isso 
 
um 
termo 
mdico, 
no 
jurdico 
 
ela 
recordou. 
O 
advogado 
de 
Reyes 
alega 
que 
ele 
no 
matou 
 
vtima, 
j 
que 
mantiveram 
o 
corao 
com 
vida 
para 
um 
transplante. 
Transplantes 
-disse 
Linda 
com 
desdm. 
Razes 
para 
os 
mdicos 
brilharem. 


Alex 
assentiu. 
O 
caso 
 
que 
se 
abriu 
toda 
uma 
srie 
de 
vazios 
legais. 
Se 
o 
morto 
ainda 
no 
era 
morto 
quando 
retiraram 
o 
corao, 
 
Reyes 
culpado 
de 
assassinato? 
argumentou 
ela.
Por 
sorte, 
nem 
tu 
nem 
eu 
temos 
que 
decidir 
 contou 
Alex. 
 
assunto 
do 
jri. 
Se 
fosses 
membro 
do 
jri 
o 
que 
votaria? 
No 
sei, 
ainda 
no 
tenho 
ouvido 
as 
declaraes. 
Mas 
tenho 
a 
inteno 
de 
faz-lo. 
Sabe 
em 
que 
sala 
ser 
o 
julgamento? 
Sim 
 sorriu 
mostrando 
um 
par 
de 
dentes 
de 
ouro 
 
Qual 
 
tua 
oferta? 
Qualquer 
empregado 
do 
Palcio 
de 
Justia 
podia 
indicar 
a 
sala, 
mas 
continuou 
o 
jogo. 
Um 
par 
de 
cervejas 
aps 
o 
trabalho? 
Estava 
pensando 
em 
algo 
parecido 
a 
um 
jantar 
em 
minha 
casa. 
E, 
depois, 
quem 
sabe? 
Ah, 
sim? 
Um 
fil, 
batatas 
e 
sexo. 
No 
necessariamente 
por 
esta 
ordem. 
Admite-o, 
amigo: 
 
a 
melhor 
oferta 
do 
dia. 
Alex 
riu, 
sem 
tomar 
em 
srio 
o 
convite 
e 
sabendo 
que 
ela 
tambm 
no. 
Sinto-o, 
Linda, 
esta 
noite 
j 
tenho 
outros 
planos. 
Sei 
que 
no 
sou 
nenhuma 
beleza, 
mas 
no 
deixes 
que 
meu 
aspecto 
te 
engane. 
Conheo 
como 
a 
palma 
da 
mo 
a 
anatomia 
masculina 
e 
Poderia 
fazer-te 
chorar 
de 
gratido. 
Juro. 
No 
sabe 
o 
que 
perde. 
Estou 
seguro 
disso. 
Tens 
muito 
encanto, 
Linda, 
acredito 
sempre
 
mentira, 
mas 
tens 
muita 
habilidade 
para 
enganar. 
s 
vezes 
Inclusive 
tem 
me 
feito 
crer. 
Por 


#
isso 
estou 
segura 
de 
que 
ter 
sucesso 
como 
escritor. 
Faz 
a 
gente 
acreditar 
no 
que 
diz. 
Apanhou-o 
pelo 
brao. 
Vamos, 
amor, 
acompanho-te 
 
sala. 
Cedo 
vai 
comear 
a 
seleo 
do 
jri. 
E 
tenta 
portar-te 
bem, 
ok? 
Se 
tomar 
um 
copo 
a 
mais, 
e 
armar 
escndalo 
e 
expulsam-te, 
no 
penso 
em 
dar 
a 
cara 
por 
ti. 
Prometo-te 
que 
serei 
bom. 
E 
ps-se 
a 
mo 
no 
corao. 
A 
funcionaria 
Sorriu 
Como 
acabo 
de 
dizer: 
mentira. 


O 
julgamento 
por 
assassinato 
de 
Paul 
Reyes 
tinha 
grandes 
espectativas. 
Alex 
tinha 
que 
chegar 
ao 
Palcio 
de 
Justia 
cada 
dia 
mais 
cedo 
para 
conseguir 
assento. 
Os 
familiares 
e 
amigos 
de 
Reyes 
ocupavam 
grande 
parte 
do 
lugar 
disponvel. 
O 
promotor 
tinha 
baseado 
sua 
acusao 
na 
declarao 
dos 
primeiros 
Policias 
que 
entraram 
no 
local 
do 
crime, 
que 
se 
descreveu 
com 
todo 
luxo 
de 
detalhes. 
Quando 
os 
membros 
do 
jri 
viram 
as 
fotos 
de 
8 
x 
10 
tiradas, 
estremeceram. 
A 
defesa 
tinha 
organizado 
um 
peloto 
de 
colegas 
de 
trabalho 
e 
amigos 
do 
acusado, 
incluindo 
a 
um 
padre, 
que 
fiz 
questo 
do 
carter 
pacfico 
de 
Reyes. 
S 
o 
adultrio 
de 
sua 
amada 
esposa 
o 
pde 
levar 
a 
cometer 
uma 
ao 
violenta 
. 
O 
jri 
escutou 
a 
declarao 
dos 
paramdicos 
a 
quem 
o 
mesmo 
Reyes 
tinha 
telefonado 
desde 
o 
lugar 
dos 
fatos. 
Quando 
chegaram, 
a 
vtima 
ainda 
tinha 
pulso, 
disse 
um. 
O 
mdico 
de 
urgncias 
tinha 
diagnosticado 
que 
no 
existia 
atividade 
cerebral, 
mas 
manteve 
com 
vida 
o 
corao 
e 
os 
pulmes 
com 
meios 
artificios 
em 
espera 
de 
conseguir 
permisso 
para 
conservar 
rgos 
e 
tecido. 
O 
cirurgio 
que 
tinha 
realizado 
a 
interveno 
declarou 
que 
o 
corao 
ainda 
batia 
quando 
o 
terminou. 
Este 
depoimento 
causou 
comoo 
na 
sala. 
O 
juiz 
pediu 
silncio 
a 
multido. 
O 
ajudante 
do 
promotor 
tentou 
dar 
a 
impresso 
de 
estar 
tranqilo, 
mas 
fracassou. 
Alex 
opinava 
que 
tinha 
que 
ter 
apresentado 
o 
cargo 
por 
homicdio 
e 
no 
por 
assassinato. 
O 
assassinato 
implica 
premeditao, 
que 
neste 
caso 
no 
podia 
se 
provar. 
E 
o 
pior 
era 
que 
o 
sobrevivente 
do 
ataque 
no 
podia 
declarar. 
Por 
estes 
obstculos, 
o 
promotor 
fez 
um 
brilhante 
discurso 
final, 
pedindo 
ao 
jri 
um 
veredicto 
de 
culpa. 
Tanto 
se 
vtima 
tinha 
morrido 
no 
momento 
do 
golpe 
como 
se 
no, 
Paul 
Reyes 
era 
o 
responsvel 
pela 
morte 
de 
um 
ser 
humano 
e 
tinha 
que 
o 
declarar 
culpado. 
O 
defensor 
s 
teve 
que 
recordar 
aos 
membros 
do 
jri, 
uma 
e 
outra 
vez, 
que 
Paul 
Reyes 
estava 
no 
crcere 
quando 
a 
vitima 
faleceu. 
O 
caso 
ficou 
em 
mos 
do 
jri 
aps 
trs 
dias 
de 
declaraes. 
Quatro 
horas 
e 
dezoito 
minutos 
depois 
anunciou-se 
que 
o 
jri 
tinha 
seu 
veredicto 
e 
Alex 
foi 
um 
de 
primeiros 
em 
voltar 
 
sala. 
Tentou 
averiguar 
a 
deciso 
do 
jri 
conforme 
seus 
componentes 
iam 
entrando, 
mas 
era 
impossvel 
decifrar 
sua 
expresso. 
A 
sala 
guardou 
silncio 
quando 
se 
pediu 
ao 
acusado 
que 
pusesse 
em 
p. 
No 
culpado. 
A 
Reyes 
dobraram-se 
os 
joelhos, 
mas 
seu 
advogado 
sustentou-o. 
Os 
parentes 
e 
amigos 
precipitaramse 
a 
abra-lo. 
O 
juiz 
deu 
as 
graas 
aos 
membros 
do 
jri 
e 
terminou 
a 
sesso. 
Os 
jornalistas 
esperavam 
ansiosos 
as 
declaraes, 
mas 
o 
advogado 
de 
Reyes 
no 
prestou 
ateno 
e 
o 


#
fez 
avanar 
pelo 
corredor 
central 
para 
a 
sada. 
Quando 
Reyes 
chegou 
 
fila 
de 
Alex, 
pareceu 
advertir 
sua 
olhar. 
De 
repente 
parou, 
voltou 
a 
cabea 
e, 
durante 
um 
segundo 
seus 
olhos 
encontraram-se. 



Captulo 
seis 
MAIO 
DE 
1991 


Comer. 
Dormir. 
Respirar. 
Essas 
funes 
que 
sustentam 
a 
vida 
as 
realizavam 
agora 
maquinalmente. 
Pra 
que 
se 
molestar? 
A 
vida 
j 
no 
fazia 
sentido. 
No 
tinha 
forma 
de 
encontrar 
concho. 
Nem 
na 
religio, 
nem 
na 
meditao, 
nem 
no 
trabalho, 
nem 
no 
exerccio 
fsico 
esgotante. 
Tambm 
no 
nos 
arrebatos 
de 
clera. 
Tudo 
o 
tinha 
intentado 
como 
mdio 
de 
suavizar 
a 
desgarradora 
aflio 
da 
perdida. 
No 
entanto, 
a 
seguia. 
A 
paz 
era 
inalcansvel. 
A 
cada 
suspiro 
estava 
impregnado 
de 
dor. 
O 
mundo 
tinha 
ficado 
reduzido 
a 
uma 
pequena 
esfera 
de 
suprema 
tristeza. 
Muito 
poucos 
estmulos 
atravessavam 
a 
cpsula 
onde 
a 
pena 
estava 
encerrada. 
Para 
algum 
to 
imerso 
na 
aflio, 
o 
mundo 
carecia 
de 
cores, 
de 
sons, 
de 
sabores. 
O 
intenso 
pesar 
paralisava-o 
tudo. 
A 
morte 
prematura 
tinha 
sido 
injusta. 
Enloquecedora. 
Por 
que 
tinha 
ocorrido 
a 
eles? 
No 
existiam 
outras 
duas 
pessoas 
que 
se 
tivessem 
amado 
tanto. 
Seu 
amor 
era 
excepcional 
e 
charuto: 
tinha 
que 
ter 
perdurado 
durante 
anos 
e, 
depois, 
prolongar-se 
at 
para 
alm 
da 
morte. 
Falavam 
disso, 
se 
tinham 
jurado 
amor 
eterno. 
Agora 
a 
imortalidade 
de 
seu 
amor 
era 
impossvel 
porque 
tinham 
roubado 
o 
espao 
onde 
este 
estava 
guardado 
e 
o 
tinham 
entregado 
a 
outra 
pessoa. 
Que 
horrvel, 
esse 
vandalismo 
ps 
mortem. 
Primeiro 
tiram 
sua 
vida, 
depois 
a 
alma 
da 
existncia, 
o 
recinto 
onde 
esse 
esprito 
tinha 
morado. 
Agora, 
em 
alguma 
parte, 
dentro 
de 
um 
estranho, 
esse 
amado 
corao 
ainda 
seguia 
pulsando. 
Os 
gemidos 
fizeram 
eco 
na 
pequena 
habitao. 
-No 
posso 
o 
suportar 
nem 
em 
um 
dia 
mais. 
No 
posso. 
-Ainda 
que 
a 
pessoa 
amada 
estivesse 
sob 
terra 
no 
cemitrio, 
seu 
corao 
vivia. 
Seu 
corao 
seguia 
vivo. 
Esta 
era 
uma 
idia 
inevitvel, 
obstinada, 
permanente. 
O 
bistur 
do 
cirurgio 
foi 
rpido 
e 
seguro. 
Por 
doloroso 
que 
fosse 
o 
aceitar, 
o 
que 
tinha 
feito 
era 
irreversvel. 
O 
corao 
seguia 
vivendo 
enquanto 
a 
alma 
estava 
injustamente 
condenada 
a 
ficar 
incompleta 
pra 
toda 
a 
eternidade. 
A 
alma 
vagaria 
sempre, 
e 
em 
vo, 
seu 
lar, 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
o 
corao, 
ainda 
pulsando, 
seguiria 
debochando 
da 
integridade 
da 
morte. 
A 
menos 
que... 
Tinha 
uma 
forma! 
De 
repente, 
os 
lamentos 
cessaram. 
A 
respirao 
fez-se 
mais 
agitada, 
entrecortada 
pela 
excitao. 
Prestou 
ateno 
aos 
pensamentos 
breves, 
velozes, 
que, 
de 
repente, 
se 
desencadearam. 
A 
idia 
cobrou 
vida, 
perfilou 
suas 
formas, 
dividiu-se, 
se 
expandiu 
com 
rapidez, 
como 
um 
vulo 
que 
acabasse 
de 
ser 
fecundado. 
Uma 
vez 
nascida, 
brincou 
dentro 
de 
seu 
crebro, 
imobilizado 
durante 
meses 
pelo 
desespero. 


#
Tinha 
uma 
forma 
de 
libertar-se 
desse 
insuportvel 
tormento. 
S 
uma. 
Uma 
soluo 
que, 
com 
rapidez, 
evoluram 
de 
uma 
simples 
clula 
de 
idia 
a 
um 
embrio 
j 
formado. 
Converteu-se 
em 
palavras 
musitadas 
com 
exatido, 
com 
a 
adorao 
de 
um 
discpulo 
a 
quem 
foi 
 
noite 
uma 
misso 
divina: 
Sim. 
Desde 
depois, 
desde 
depois. 
Buscarei 
esse 
corao 
amado. 
E 
quando 
o 
encontre, 
a 
fim 
de 
unir 
nossas 
almas 
e 
ficar 
em 
paz, 
farei, 
com 
misericordia 
e 
amor, 
que 
se 
pare. 



Captulo 
sete 
10 
DE 
OUTUBRO 
DE 
1991 


Cat 
Delaney 
movia-se 
pelo 
salo 
dando 
voltas 
como 
uma 
borboleta 
para 
saudar 
aos 
grupinhos 
de 
convidados. 
Todos 
se 
tm 
perplexos 
por 
sua 
energia 
e 
vitalidade.
 
incrvel. 
O 
doutor 
Dean 
Spicer, 
que 
a 
observava 
a 
um 
lado, 
se 
deu 
a 
volta 
para 
o 
homem 
que 
assim 
falava. 
Dean 
tinha 
sido 
o 
acompanhante 
de 
Cat 
em 
inumerveis 
festas 
sociais 
e 
conhecia 
a 
muitas 
das 
pessoas 
com 
as 
que 
ela 
trabalhava. 
No 
obstante 
aquele 
cavaleiro 
alto 
e 
elegante 
era 
um 
desconhecido 
para 
ele. 
Sim, 
 
incrvel 
 
respondeu 
em 
tom 
familiar. 
Chamo-me 
Bill 
Webster. 
Dean 
tambm 
se 
apresentou 
enquanto 
se 
estreitavan 
a 
Voc 
era 
o 
cardiologista 
de 
Cat, 
no? 
Ao 
princpio 
 contou 
Dean, 
conformado 
por 
ser 
reconhecido 
pelo 
apelido. 
Antes 
que 
nossa 
relao 
comear. 
Webster 
sorriu 
comprensivo 
e 
voltou 
a 
olhar 
a 
Cat.
 
uma 
mulher 
encantadora. 
Dean 
perguntou-se 
quem 
seria 
Webster 
e 
por 
que 
teria 
convidado 
 
festa 
de 
gala 
patrocinada 
pela 
cadeia 
de 
televiso 
para 
celebrar 
o 
primeiro 
aniversrio 
do 
transplante 
de 
Cat. 
Estavam 
ali 
os 
executivos 
de 
outras 
emissoras 
associadas 
e 
tambm 
patrocinadores 
comerciais, 
representante 
do 
meio 
comunicao, 
agentes 
artsticos, 
atores 
e 
outras 
pessoas 
tinham 
intervindo 
em 
Passages. 
Dean 
sentia 
curiosidade 
por 
Webster 
e 
perguntou-lhe: 
Como 
sabe 
quem 
sou? 
No 
subestime 
sua 
fama, 
doutor 
Spicer; 
j 
 
voc 
quase 
to 
conhecido 
como 
sua 
colega. 
-De 
verdade 
tipo 
de 
revistas 
 replicou 
Dean 
com 
falsa 
modestia. 
Gostava 
do 
reconhecimento 
pblico 
que 
recebia 
por 
ser 
o 
asiduo 
acompanhante 
de 
Cat 
Delaney 
como 
o 
tinha 
etiquetado 
uma 
das 
colunistas 
de 
Hollywood. 
-A 
publicidade 
gerada 
pela 
imprensa 
no 
resta 
mritos 
a 
seu 
talento 
como 
cardiologista 
 disse 


#
Webster. 
-Obrigado. 
Oxal 
pudesse 
dar 
a 
todos 
meus 
pacientes 
um 
diagnstico 
to 
acertado 
como 
no 
caso 
de 
Cat. 
Sua 
recuperao 
tem 
sido 
sensacional. 
Surpreende-lhe? 
Em 
absoluto. 
Esperava 
isso 
dela. 
No 
s 
 
uma 
paciente 
excepcional, 
seno 
tambm 
uma 
pessoa 
excepcional. 
Quando 
superou 
as 
primeiras 
semanas 
de 
difcil 
recuperao, 
decidiu 
viver 
muitos 
anos.
E 
o 
conseguir. 
Sua 
grande 
vantagem 
 
o 
otimismo. 
 
o 
orgulho 
do 
departamento 
de 
transplantes 
do 
hospital. 
Tenho 
entendido 
que 
agora 
 
uma 
firme 
defensora 
dos 
transplantes. 
Apela 
 
conscincia 
dos 
doadores 
e 
costuma 
visitar 
a 
pacientes 
em 
espera 
de 
ser 
operados. 
Quando 
se 
deprimem, 
os 
anima 
a 
no 
perder 
a 
esperana. 
Tm-na 
como 
a 
um 
anjo 
salvador 
 
sorriu 
comovido. 
Eles 
no 
a 
conhecem 
to 
bem 
como 
eu. 
Tem 
o 
temperamento 
fogoso 
das 
ruivas. 
Pois, 
por 
seu 
temperamento, 
 
evidente 
que 
a 
admira. 
Mais 
que 
isso. 
Pensamos 
nos 
casar 
o 
mais 
cedo 
possvel. 
Isso 
no 
era 
totalmente 
verdadeiro. 
Ele 
pensava 
se 
casar 
com 
Cat, 
mas 
ela 
continuava 
sem 
querer 
se 
comprometer. 
Dean 
tinha 
a 
pedido 
muitas 
vezes 
que 
se 
mudasse 
para 
sua 
casa 
de 
Beverly 
Hills, 
mas 
Cat 
seguia 
ainda 
em 
sua 
casa 
da 
praia, 
em 
Malib, 
alegando 
que 
o 
oceano 
causava 
efeitos 
teraputicos, 
vitais 
para 
sua 
sade 
fsica 
e 
mental. 
S 
com 
o 
olhar, 
j 
recargo 
pilhas. 
Tambm 
sustentava 
que 
a 
independncia 
era 
essencial 
para 
SEU 
bem-estar. 
A 
independncia 
era 
uma 
dbil 
desculpa 
para 
no 
contrair 
matrimonio. 
Dean 
no 
tinha 
a 
inteno 
de 
tranc-la 
na 
cozinha 
quando 
fosse 
sua 
mulher. 
De 
fato, 
queria 
que 
continuasse 
sua 
carreira. 
Uma 
dona-de-casa 
no 
entrava 
em 
seus 
planos 
de 
uma 
vida 
feliz. 
Simplesmente 
saam 
juntos 
e 
sem 
preocupar 
dos 
fantasmas 
de 
suas 
relaes 
anteriores. 
Quando 
ela 
se 
recuperou 
totalmente, 
descobriram 
que 
sua 
sexualidade 
se 
adaptava 
 
perfeo. 
Ambos 
tinham 
seus 
prprios 
rendimentos 
seguros, 
de 
modo 
que 
no 
se 
tratava 
de 
uma 
unio 
por 
interesse 
econmico. 
Ele 
no 
via 
nenhuma 
desculpa 
plausvel 
para 
a 
contnua 
rejeio 
de 
Cat 
a 
suas 
propostas. 
Com 
pacincia, 
ia-se 
rendendo 
a 
suas 
negativas, 
mas 
agora 
que 
o 
transplante 
tinha 
sido 
um 
sucesso 
e 
tinha 
recuperado 
seu 
papel 
de 
protagonista 
em 
Passages, 
tinha 
a 
inteno 
de 
for-la 
a 
se 
comprometer. 
No 
pararia 
at 
que 
Cat 
Delaney 
fosse 
completamente 
sua. 
Ento 
suponho 
que 
devo 
lhe 
felicitar 
 
disse 
Webster 
enquanto 
levantava 
a 
copa 
de 
champanhe. 
Dean 
devolveu 
o 
sorriso 
a 
Bill 
Webster 
e 
fizeram 
um 
brinde. 


Enquanto 
escutava 
a 
um 
executivo 
publicitrio 
lhe 
que 
dava 
mo 
dizendo 
o 
valente 
que 
era 
e 
que 
nunca 
antes 
tinha 
apertado 
a 
mo 
de 
algum 
com 
corao 
transplantado, 
Cat 
olhava 
acima 
de 
seu 
ombro 
a 
Dean 
e 
ao 
homem 
com 
quem 
estava 
falando. 
No 
o 
conhecia 
e 
tinha 
acordado 
sua 
curiosidade. 
Obrigado 
por 
todos 
os 
cartes 
que 
me 
enviou 
durante 
a 
convalecencia. 
Com 
a 
menor 
brusquedade 
possvel, 
desprendeu-se 
do 
aperto 
de 
mos 
do 
executivo. 


#
Agora, 
me 
perdoe; 
mas 
acabo 
de 
localizar 
a 
um 
amigo 
a 
que 
no 
via 
desde 
faz 
tempo. 
Com 
a 
maior 
naturalidade 
abriu-se 
passo 
entre 
a 
multido. 
Vrias 
pessoas 
tentaram 
engaja-la 
em 
uma 
conversa, 
mas 
s 
se 
deteve 
o 
tempo 
necessrio 
para 
trocar 
saudaes 
e 
responder 
a 
felicitaes 
e 
elogios. 
Como 
tinha 
tido 
to 
mau 
aspecto 
durante 
tanto 
tempo, 
antes 
do 
transplante, 
acreditava 
quase 
justificada 
sua 
vaidade 
pelo 
radiante 
que 
estava 
esta 
noite. 
O 
cabelo 
tinha 
recuperado 
o 
brilho, 
ainda 
que 
os 
esteroides 
que 
teve 
de 
tomar 
aps 
a 
operao 
tivesse 
dado 
uma 
tonalidade 
mais 
rolia. 
Para 
a 
festa, 
tinha-o 
recolhido 
em 
um 
lao 
alto 
a 
fim 
de 
ter 
um 
aspecto 
mais 
sofisticado. 
A 
maquiagem 
destacava 
ainda 
mais 
seus 
olhos, 
descritos 
como 
Um 
raio 
laser 
azul 
quase 
a 
cada 
vez 
que 
seu 
nome 
aparecia 
impresso, 
e 
no 
se 
recatava 
de 
exibir 
sua 
formosa 
pele 
com 
um 
vestido 
negro 
de 
lentejoulas, 
muito 
curto 
e 
cingido, 
que 
lhe 
deixava 
os 
braos 
e 
as 
costas 
ao 
ar. 
Por 
suposto, 
o 
vestido 
ia 
fechado 
at 
o 
pescoo 
pela 
frente. 
No 
tinha 
a 
menor 
inteno 
de 
mostrar 
sua 
zper, 
a 
cicatriz 
que 
percorria 
a 
extenso 
em 
sentido 
vertical. 
Todo 
seu 
novo 
vesturio 
tinha 
sido 
elegido 
de 
maneira 
que 
ocultasse 
a 
cicatriz. 
Dean 
fazia 
questo 
de 
que 
mal 
se 
via 
e 
que 
a 
cada 
dia 
se 
borrava 
um 
pouco 
mais, 
mas 
para 
ela 
era 
bem 
visvel. 
Sabia 
que 
era 
o 
pequeno 
preo 
que 
tinha 
que 
pagar 
por 
seu 
corao 
novo. 
Sua 
timidez 
pela 
cicatriz 
era 
sem 
dvida 
um 
reminiscencia 
da 
infncia, 
quando, 
com 
freqncia, 
se 
tinha 
sentido 
ferida 
por 
comentrios 
irreflexivos 
ou 
crueis 
de 
suas 
colegas 
de 
classe. 
Ento, 
sua 
falta 
de 
sade 
tinha-a 
feito 
objeto 
de 
curiosidade, 
igual 
que 
o 
transplante 
agora. 
Nunca 
tinha 
querido 
inspirar 
lstima 
nem 
curiosidade; 
por 
isso 
escondia 
a 
cicatriz. 
Por 
a 
que 
esta 
noite 
se 
sentia 
estupendamente, 
ela 
nunca 
daria 
por 
segura 
a 
boa 
sade. 
As 
lembranas 
de 
sua 
doena 
estavam 
ainda 
demasiado 
vivo. 
Dava 
obrigado 
por 
seguir 
vivendo 
e 
poder 
trabalhar. 
Recuperar 
o 
papel 
de 
Laura 
Madison, 
e 
as 
exigencias 
fsicas 
que 
isso 
comportava, 
no 
lhe 
tinha 
ocasionado 
nenhum 
problema. 
Agora, 
em 
um 
ano 
aps 
a 
operao, 
se 
sentia 
melhor 
que 
nunca. 
Esboando 
um 
sorriso, 
caminhou 
at 
chegar 
ao 
lado 
de 
Dean 
e 
pendurou-se 
em 
seu 
brao. 
Como 
 
possvel 
que 
os 
dois 
homens 
mais 
atraentes 
do 
salo 
estejam 
aqui 
parados 
e 
nos 
privem 
de 
sua 
companhia 
s 
mulheres? 
Dean 
sorriu. 
Obrigado. 
O 
mesmo 
digo 
 
acrescentou 
o 
outro 
homem. 
O 
elogio 
vale 
o 
duplo 
vindo 
da 
beleza 
da 
festa. 
Ela 
fez 
uma 
reverncia 
zombadora 
e 
lhe 
tendeu 
a 
mo. 
Sou 
Cat 
Delaney. 
Encantado 
Bill 
Webster. 
De 
onde 
 
voc? 
De 
San 
Antonio, 
Texas. 
Ah, 
a 
WWSA! 
De 
modo 
que 
voc 
 
esse 
Webster. 
Olhou 
a 
Dean 
e, 
com 
um 
sussurro 
teatral, 
acrescentou: 
Um 
peixe 
gordo. 
O 
proprietrio 
e 
manda 
mais. 
Em 
poucas 
palavras: 
trata-o 
bem. 
Webster 
soltou 
uma 
risadinha. 
Seu 
nome 
era 
conhecido 
e 
respeitado 
em 
toda 
a 
indstria. 
Devia 
ter 
uns 
cinquenta 
anos, 
apresentava 
un 
traos 
muito 
atraentes 
na 
face 
e 
seu 
moreno 
rosto 
resistia 
bem 
a 
madurez. 
A 
Cat 
gostou 
do 
que 


#
via. 
Mas 
no 
nasceu 
em 
Texas, 
verdade? 
perguntou 
ela. 
Ou 
dissimula 
o 
acento. 
Tem 
bom 
ouvido. 
E 
boas 
pernas 
 contou 
Cat 
virando 
um 
olho. 
Estou 
de 
acordo 
 
acrescentou 
Dean. 
Webster 
voltou 
a 
rir. 
Sou 
do 
centro-oeste; 
mas 
faz 
quinze 
anos 
que 
vivo 
em 
Texas. 
Converteu-se 
em 
meu 
lar. 
Agradeo-lhe 
que 
se 
tenha 
molestado 
em 
vir 
desde 
to 
longe 
para 
assistir 
 
festa 
 
disse 
ela 
sinceramente. 


-No 
tivesse 
gostado 
de 
perder-me 
o 
doutor 
Spicer 
e 
eu 
estvamos 
falando 
de 
sua 
excelente 
recuperao. 


Todo 
o 
mrito 
 
seu 
-disse 
ela 
sorrindo 
a 
Dean. 
E 
os 
mdicos 
e 
enfermeiras 
da 
equipe 
de 
transplantes. 
Eles 
fizeram 
o 
trabalho, 
eu 
s 
era 
a 
paciente. 
Dean 
rodeou-lhe 
a 
cintura 
com 
seus 
braos 
e 
disse 
orgulhoso: 
Tem 
sido 
a 
paciente 
ideal, 
primeiro 
para 
mim 
e 
depois 
para 
Sholden, 
que 
se 
fez 
cargo 
de 
seu 
caso 
quando 
nossa 
relao 
e 
a 
medicina 
podiam 
ser 
incompatveis. 
J 
v 
que 
tudo 
saiu 
bem. 
Cat 
suspirou. 
Tudo 
vai 
bem 
desde 
que 
os 
hormnios 
se 
assentaram. 
Bom, 
tenho 
saudades 
o 
bigode 
e 
as 
bochechas 
com 
plos, 
mas 
no 
se 
pode 
ter 
tudo. 
Os 
efeitos 
desagradveis 
da 
medicao 
tinham 
desaparecido 
ao 
reduzir 
a 
dose. 
Tambm 
tinha 
recuperado 
seu 
peso 
ideal. 
Mas 
inclusive 
antes 
que 
a 
zper 
fizesse 
parte 
seu 
corpo, 
sua 
delgada 
figura 
no 
era 
seu 
ponto 
forte. 
A 
adolescncia 
no 
se 
tinha 
mostrado 
com 
ela 
to 
generosa 
como 
outras 
garotas; 
as 
to 
desejadas 
curvas 
no 
se 
desenvolveram. 
Seu 
mayor 
encanto 
residia 
na 
angulosa 
estrutura 
do 
rosto 
e 
a 
formosa 
tonalidade 
de 
sua 
pele. 
Tinha 
aprendido 
a 
potenciar 
ambas 
as 
qualidades 
e 
a 
cmera 
a 
adorava. 
Sou 
um 
admirador 
incondicional, 
senhorita 
Delaney 
 
disse 
Bill 
Webster. 
Faz 
favor, 
chame-me 
Cat. 
Encantam-me 
os 
admiradores 
condicionais. 
S 
me 
perco 
o 
episdio 
dirio 
se 
tenho 
um 
almoo 
importante. 
Sento-me 
lisonjeada. 
Atribuo 
o 
grande 
sucesso 
da 
srie 
a 
voc 
e 
a 
sua 
personagem. 
Obrigado, 
mas 
acho 
que 
exagera. 
Passages 
j 
tinha 
aceitao 
antes 
que 
aparecesse 
Laura 
Madison. 
E 
manteve-se 
nos 
primeiros 
lugares 
de 
audincia 
quando 
eu 
estava 
de 
fora. 
O 
sucesso 
 
produto 
de 
um 
labor 
de 
equipe. 
Webster 
olhou 
a 
Dean. 
 
sempre 
to 
modesta? 


 
temo 
que 
Muito 
at 
transforma-se 
em 
um 
defeito.
 
voc 
um 
homem 
afortunado. 
Rapazes, 
eu 
acho 
que 
 
meu 
dever 
avisar-lhes 
que 
no 
que 
falem 
como 
se 
eu 
fosse 
invisvel. 
Sinto 
muito 
-disse 
Webster 
-Retomo 
o 
fio 
da 
conversa 
que 
sustentvamos 
quando 
voc 
chegou. 
#
Estava 
felicitando 
ao 
doutor 
Spicer 
por 
seu 
prximo 
casamento. 
A 
Cat 
apagou 
o 
sorriso 
e, 
por 
dentro, 
estava 
furiosa. 
No 
era 
a 
primeira 
vez 
que 
Dean 
se 
tinha 
montado 
por 
sua 
conta 
noivado 
em 
srio. 
Tinha 
tanto 
amor 
prprio 
que 
no 
podia 
se 
permitir 
aceitar 
suas 
negativas 
ao 
casamento. 
Ao 
princpio, 
a 
amizade 
tinha 
posto 
em 
perigo 
sua 
objetividade 
para 
ser 
seu 
cardiologista. 
Durante 
sua 
doena 
e 
aps 
o 
depois 
transplante. 
Cat 
tinha-se 
apoiado 
nele. 
A 
relao 
era 
mais 
ntima 
desde 
fazia 
em 
um 
ano 
e 
ele 
importar 
muito, 
mas 
Dean 
seguia 
confundindo 
a 
natureza 
de 
seus 
sentimentos. 
-Obrigado, 
Bill, 
mas 
ainda 
no 
temos 
concretado 
uma 
data. 
Ainda 
que 
tentasse 
ocultar 
seu 
enfado 
com 
Dean, 
Webster 
deve 
t-lo 
notado. 
Tossiu 
e 
disse: 
Cat, 
aqui 
h 
muitas 
pessoas 
que 
requerem 
sua 
ateno 
e 
eu 
tenho 
que 
me 
ir. 
Ela 
estendeu 
a 
mo. 
Tem 
sido 
um 
prazer 
conhecer-lhe. 
Confio 
em 
que 
voltaremos 
a 
nos 
ver. 
Ele 
lha 
abraou. 
Sem 
dvida. 
Cat 
estava 
convencida 
de 
que 
o 
dizia 
para 
valer. 



Captulo 
oito 
10 
DE 
OUTUBRO 
DE 
1991 


Amanhecia 
quando 
decidiram 
que 
j 
estava 
bem 
de 
caa-niqueis. 
Acostumados 
 
escurido 
da 
sala, 
onde 
os 
traos 
de 
um 
indivduo 
mal 
se 
distinguiam 
dos 
de 
outro, 
os 
fluorescentes 
do 
complexo 
comercial 
os 
deslumbravam. 
Riram 
enquanto 
davam 
tempo 
aos 
olhos 
se 
adaptassem. 
As 
lojas 
e 
bares 
h 
horas 
que 
tinham 
fechado. 
Suas 
vozes 
ressoavam 
na 
praa; 
era 
um 
alvio 
poder 
manter 
conversa 
sem 
ter 
que 
gritar 
para 
se 
fazer 
ouvir 
por 
cima 
os 
cacofnicos 
rudos 
da 
sala 
de 
jogos. 
Seguro 
que 
no 
ter 
problemas? 
Jerry 
Ward 
dedicou 
a 
seu 
novo 
amigo 
um 
sorriso 
aberto 
e 
seguro 
dos 
garotos 
de 
dezesseis 
anos 
felizes 
e 
bem 
adaptados. 
Meus 
pais 
j 
estaro 
dormidos. 
No 
esperam 
que 
eu 
levante 
No 
sei, 
me 
parece 
estranho 
que 
me 
convides 
sem 
mais. 
Mal 
nos 
conhecemos. 
Que 
outra 
forma 
melhor 
para 
nos 
conhecer? 
Acaba 
de 
perder 
teu 
emprego 
e 
precisa 
um 
trabalho, 
no? 
Meu 
pai 
tem 
um 
negcio 
e 
sempre 
contrata 
gente. 
Algo 
te 
encontrar. 
E 
esta 
noite 
precisa 
um 
lugar 
onde 
dormir. 
Voc 
poupar 
uns 
dlares 
ficando 
no 
quarto 
de 
convidados. 
No 
te 
agrada 
o 
que 
possam 
pensar 
meus 
pais, 
te 
acordo 
cedo 
pela 
manh, 
voc 
tem 
sair 
sem 
que 
eles 
o 
vejam 
e 
os 
apresento 
depois. 
No 
tm 
por 
que 
saber 
que 
dormiu 
em 
casa. 
De 
modo 
que 
fique 
tranqilo 
 riu 
e 
estendeu 
os 
braos. 
Vale? 
Ests 
tranqilo? 


#
A 
cordialidade 
de 
Jerry 
era 
contagiosa 
e 
provocou 
um 
sorriso. 
Estou 
tranqilo. 
Genial. 
Guau! 
Olha 
esses 
patins! 
Jerry 
deteve-se 
diante 
da 
vitrine 
de 
uma 
loja 
de 
esportes 
onde 
estavam 
expostos 
patins 
de 
rodas 
em 
linha 
com 
toda 
sua 
parafernalia.
Tens 
visto 
esses 
com 
as 
rodas 
verdes? 
So 
demasiado. 
 
o 
que 
quero 
como 
presente 
de 
Natal. 
E 
o 
capacete 
tambm. 
O 
jogo. 
Nunca 
patinei 
com 
isso. 
Parece-me 
perigoso. 


 
o 
que 
diz 
minha 
me, 
mas 
acho 
que 
para 
Natal 
j 
a 
terei 
convencido. 
Est 
to 
contente 
de 
que 
eu 
faa 
coisas 
normais 
que 
 
fcil 
de 
amolecer. 
Jerry 
deu 
um 
ltimo 
e 
cobioso 
olhar 
ao 
objeto 
de 
seu 
desejo 
antes 
de 
seguir 
andando. 
-Que 
queres 
dizer 
com 
isso 
de 
coisas 
normais? 
-Como? 
Oh, 
no 
importa. 
-Perdoa, 
no 
tentava 
meter 
o 
nariz 
em 
assuntos 
privados. 
Jerry 
no 
tinha 
a 
inteno 
de 
ofender 
ao 
seu 
novo 
amigo, 
mas 
tinha 
sido 
um 
intil 
durante 
tantos 
anos 
e 
estava 
to 
contente 
de 
j 
no 
o 
ser 
que 
odiava 
as 
lembranas 
de 
sua 
doena. 
Vers, 
 
que 
estive 
doente 
de 
menino. 
Grave 
para 
valer. 
Desde 
os 
cinco 
anos 
at 
o 
ano 
passado. 
De 
fato, 
amanh 
 
o 
aniversrio 
e 
mame 
dar 
uma 
festa 
para 
celebr-lo. 
Celebrar 
que? 
No 
se 
importar 
que 
eu 
pergunte. 
Tinham 
chegado 
 
porta 
de 
sada 
e 
o 
guarda 
de 
servio 
estava 
amontoado 
em 
um 
banco. 
Roncava. 
Jerry 
olhou 
de 
frente 
ao 
seu 
colega 
com 
expresso 
de 
dvida. 
Promete 
que 
se 
eu 
digo 
no 
pensars 
que 
sou 
anormal. 
No 
pensarei 
que 
s 
anormal. 
Bom, 
 
que 
muitas 
pessoas 
acham 
estranho 
 Jerry 
suspirou. 
Levo 
um 
corao 
transplantado. 
A 
declarao 
foi 
recebida 
com 
uma 
gargalhada 
de 
incredulidade. 
J. 
Vale. 
Juro-to. 
Estava 
a 
ponto 
de 
morrer 
e 
encontraram 
um 
corao 
a 
tempo. 
Em 
srio? 
No 
est 
arrepiado? 
Deus 
meu! 
Jerry 
riu. 
Sim, 
meus 
pais 
acham 
que 
Deus 
teve 
algo 
a 
ver. 
Vamos. 
Empurrou 
a 
porta 
e 
deu-lhe 
na 
cara 
uma 
ragada 
de 
vento 
frio 
e 
mido. 
Droga 
volta 
a 
chover. 
A 
cada 
vez 
que 
cai 
um 
pingo 
transborda 
o 
rio 
perto 
de 
casa. 
Onde 
tens 
o 
Carro? 
Ali. 
O 
meu 
est 
tambm 
por 
essa 
zona. 
Queres 
que 
te 
acompanhe? 
No. 
Espera-me 
adiante 
de 
Sears 
e 
desde 
ali 
te 
seguirei. 
Jerry 
levantou 
o 
polegar, 
ps-se 
a 
capucha 
do 
anorak 
e 
saiu 
ao 
temporal. 
No 
se 
fixou 
na 
olhar 
de 
seu 
colega 
ao 
guarda 
que 
seguia 
dormindo. 
Aps 
a 
operao 
de 
transplante, 
os 
Ward 
tinham-lhe 
comprado 
a 
Jerry 
um 
carro. 
Dobrou 
o 
beco, 
diante 
da 
Sears 
e 
fez 
soar 
a 
buzina 
duas 
vezes. 
Viu 
atravs 
do 
retrovisor 
que 
o 
outro 
carro 
se 


#
situava 
por 
trs 
dele. 
Tocava 
a 
cano 
da 
rdio 
e 
acompanhava 
com 
alguma 
percusso 
enquanto 
ia 
circulando 
pelas 
ruas 
que 
comunicavam 
os 
suburbios 
de 
Memphis 
com 
a 
zona 
rural. 
Manteve 
a 
velocidade 
moderada 
para 
no 
se 
distanciar 
demasiado 
do 
carro 
o 
seguia. 
No 
se 
conhecia 
o 
caminho 
que 
se 
adentrava, 
e 
de 
noite 
era 
fcil 
se 
perder. 
Ao 
chergar 
a 
uma 
ponte 
estreita, 
Jerry 
diminuiu. 
Tal 
como 
tinha 
previsto, 
o 
rio 
descia 
rpido 
e 
crescia 
Quase 
tinha 
chegado 
 
metade 
da 
ponte 
quando 
o 
carro 
sofreu 
uma 
investida 
por 
detrs. 
Que 
diabos...? 
Jerry 
notou 
uma 
sacudida 
para 
diante, 
mas 
o 
cinto 
segurana 
o 
segurou. 
Ento 
sua 
cabea 
caiu 
para 
trs 
por 
retrocesso 
e 
sentiu 
como 
se 
algum 
tivesse 
metido 
uma 
faca 
quente 
na 
nuca. 
Gritou 
de 
dor 
e, 
de 
maneira 
instintiva, 
levou 
as 
mos 
 
cabea. 
Quando 
soltou 
o 
volante, 
o 
outro 
carro 
investiu 
de 
novo 
contra 
seu 
parachoque 
traseiro. 
Saltaram 
pedeos 
de 
madeira 
quando 
o 
utilitario 
bateu 
contra 
a 
dbil 
barricada. 
Por 
instante, 
o 
pequeno 
veculo 
voou 
pelos 
ares; 
depois, 
caiu 
na 
negra 
gua 
que 
formava 
redemoinhos 
e 
que, 
em 
matria 
de 
segundos, 
golpeava 
o 
parabrisas. 
Gritando 
como 
um 
possesso, 
buscou 
o 
fecho 
do 
cinto 
e 
soltou. 
Em 
seguida, 
buscou 
s 
apalpadelas, 
frentico, 
a 
ala 
da 
porta 
antes 
de 
recordar 
que 
esta 
se 
fechava 
de 
forma 
automtica 
com 
o 
motor 
ligado. 
Droga. 
A 
gua 
chegava 
at 
o 
joelho, 
levantou 
as 
pernas 
e 
chutou 
com 
todas 
suas 
foras 
a 
janela 
at 
que 
o 
vidro 
se 
rompeu. 
Mas 
o 
rompimento 
tinha 
sido 
pela 
fora 
da 
gua, 
que 
entrou 
aos 
montes 
e 
inundou 


o 
veculo. 
Jerry 
conteve 
o 
flego. 
Sabia 
que 
sua 
vida 
tinha 
acabado. 
A 
morte, 
 
que 
em 
um 
ano 
antes 
pde 
debochar, 
vinha 
agora 
a 
cobrar 
sua 
dvida. 
Estava 
a 
ponto 
de 
reunir-se 
com 
Deus. 
Melhor 
dito, 
um 
desconhecido 
tinha-o 
enviado 
a 
reunir-se 
com 
Deus. 
O 
ltimo 
pensamento 
de 
Jerry 
Ward 
foi 
de 
raiva 
e 
de 
perplexidade. 
Por 
que? 
Captulo 
nove
VERO 
DE 
1992 


Est 
chateada. 
Dean 
no 
fazia 
uma 
pergunta. 
Afirmava. 
Cat 
continuou 
com 
a 
olhar 
fixo 
no 
parabrisas 
do 
Jaguar. 
Qual 
foi 
a 
primeira 
pista? 
Faz 
vinte 
minutos 
que 
no 
me 
dirige 
a 
palavra. 
Porque 
sempre 
fala 
por 
mim. 
Outra 
vez, 
quase 
voltou 
a 
pr 
anncios. 
Cat, 
dei 
conversa 
a 
uma 
colega 
de 
mesa. 
E 
faltou 
tempo 
para 
cercar-me 
no 
banheiro 
e 
pedir-me 
os 
detalhes 
do 
casamento. 
Suponho 
que 
deste 
a 
entender 
que 
era 
um 
fato. 
O 
curioso 
 
que 
no 
temos 
a 
inteno 
de 
nos 
casar. 


#
Claro 
que 
sim. 
Cat 
no 
estava 
de 
acordo, 
mas 
ele 
deu 
a 
volta 
 
entrada 
da 
casa 
e 
estacionou. 
A 
chaveiro 
de 
Dean 
abriu 
a 
porta. 
Cat 
sorriu 
ao 
entrar 
no 
vestbulo. 
No 
gostava 
nada 
que 
dos 
serventes 
os 
esperassem 
Dean 
j 
a 
tinha 
apanhado 
desprevinida. 
Oxal 
no 
tivesse 
aceitado 
passar 
a 
noite 
em 
casa 
dele, 
pensou 
Cat. 
Mas 
no 
lhe 
apetecia 
nada, 
aps 
o 
que 
prometia 
ser 
uma 
longa 
viagem 
at 
Malib 
e, 
pela 
manh, 
desfazer 
o 
caminho 
at 
os 
estdios. 
Se 
a 
discusso 
piorasse 
chamaria 
ao 
hotel 
Bel 
Air 
para 
que 
lhe 
enviassem 
um 
carro. 
Entrou 
no 
escritrio, 
j 
que 
era 
a 
habitao 
mais 
acolhedora 
e 
menos 
sria. 
-Quer 
beber 
algo? 
perguntou 
ele. 
No, 
obrigado. 
-E 
algo 
para 
comer? 
Mal 
tem 
jantado. 
Estava 
muito 
ocupada 
falando 
com 
Bill 
Webster. 
Ela 
no 
fez 
caso 
do 
comentrio 
Desde 
que 
o 
conheceu, 
varias 
vezes 
tinha 
perdido 
a 
oportunidade 
de 
conversar 
com 
o 
executivo 
de 
Texas. 
Dean 
tinha 
interpretado 
mal 
seu 
interesse. 
Obrigado, 
no 
tenho 
apetite. 
Celesta 
pode 
preparar-te 
algo. 
No 
 
necessrio 
a 
molestar. 
Para 
isso 
lhe 
pago. 
Que 
te 
apetece? 
Nada! 
Lamentou 
seu 
tom 
de 
voz 
cortante 
e 
suspirou 
profundamente 
para 
conter 
seu 
mau 
humor. 
Dean, 
no 
me 
assedie. 
Se 
quisesse 
algo 
o 
pediria. 
Ele 
saiu 
do 
escritrio 
o 
tempo 
suficiente 
para 
dizer 
ao 
mordomo 
que 
seus 
servios 
j 
no 
eram 
necessrios. 
Ao 
voltar 
a 
entrar, 
Cat 
contemplava 
da 
janela 
o 
bem 
cuidado 
jardim. 
Ouviu 
que 
ele 
voltava, 
mas 
no 
se 
deu 
a 
volta. 
Dean 
apoiou 
as 
mos 
sobre 
seus 
ombros. 
Perdoa, 
no 
achava 
era 
que 
um 
comentrio 
circunstancial 
problemas. 
Por 
que 
no 
nos 
casamos 
e 
assim 
evitamos 
este 
tema 
de 
controvrsia? 
No 
me 
parece 
um 
motivo 
para 
se 
casar. 
Cat. 
No 
 
esse 
o 
motivo 
pelo 
qual 
quero 
me 
casar 
contigo. 
Podiam 
falar 
de 
qualquer 
coisa. 
Do 
tempo, 
de 
seu 
postre 
favorito, 
do 
detaco 
sobre 
o 
estado 
da 
nao: 
sempre 
terminavam 
igual. 
Dean, 
no 
voltemos 
ao 
mesmo. 
Tive 
pacincia, 
Cat. 
Sei-o. 
O 
casamento 
no 
tem 
por 
que 
ser 
um 
acontecimento 
jornalstico. 
Podemos 
ir 
a 
Mxico 
ou 
s 
Vegas 
antes 
que 
um 
jornalista 
se 
inteire. 
No 
se 
trata 
disso. 
De 
que, 
se 
no? 
No 
voltes 
a 
me 
dizer 
que 
no 
queres 
a 
casa 
de 
Malib 
ou 
de 
teu 
medo 
a 
perder 
a 
independncia. 
J 
so 
desculpas 
muito 
fracas. 
Se 
continuas 
negando-te, 
ters 
inventar 
algo 
mais 
slido. 
S 
faz 
em 
um 
ano 
e 
meio 
desde 
o 
transplante. 


#
-E? 
Poderias 
ter 
que 
carregar 
com 
uma 
esposa 
que 
tem 
que 
passar 
grande 
parte 
de 
sua 
vida, 
e 
da 
tua, 
em 
guarda. 
No 
tens 
tido 
nem 
um 
s 
sintoma 
de 
rejeio. 
Nem 
um. 
No 
 
nenhuma 
garantia 
de 
que 
no 
o 
tenha. 
Algumas 
pessoas 
com 
transplante 
vivem 
bem 
com 
seu 
corao 
durante 
anos 
e 
de 
repente... 
sem 
motivo 
aparente, 
sofrem 
uma 
rejeio. 
E 
outras 
morrem 
por 
causas 
que 
no 
tm 
nada 
que 
ver 
seu 
corao. 
Em 
realidade, 
h 
uma 
possibilidade 
entre 
um 
milho 
de 
que 
morra 
por 
um 
raio. 


-Estou 
falando 
em 
srio. 
-Eu 
tambm 
 
suavizou 
seu 
tom 
de 
voz. 
Cat, 
muitas 
pessoas 
com 
transplantes 
tm 
vivido 
vinte 
anos 
ou 
mais 
sem 
problemas. 
Esses 
pacientes 
receberam 
coraes 
quando 
o 
sistema 
era 
ainda 
experimental. 
E 
a 
tecnologia 
tem 
melhorado 
muito. 
Tem 
muitas 
garantias 
de 
uma 
expectativa 
de 
vida 
normal. 
E 
a 
cada 
dia 
dessa 
vida 
normal 
estar 
controlando 
meus 
sinais 
vitais. 
Dean 
ficou 
perplexo. 
Dean, 
era 
tua 
paciente 
antes 
de 
ser 
sua 
amiga 
e 
amante. 
Tenho 
a 
sensao 
de 
que 
sempre 
vou 
ser 
tua 
paciente. 
No 
-contou 
sem 
duvidar. 
Mas 
ela 
sabia 
que 
sim. 
Tentava 
proteg-la, 
e 
era 
uma 
lembrana 
contnua 
de 
que 
esteve 
muito 
delicada 
de 
sade. 
Ainda 
a 
tratava 
com 
um 
cuidado 
infinito. 
Inclusive 
quando 
faziam 
o 
amor 
era 
de 
uma 
delicadeza 
extrema. 
Seu 
crispante 
autodominio 
ofendia-a 
e 
limitava 
sua 
paixo. 
Por 
medo 
a 
ferir, 
suportava 
sua 
frustrao 
em 
silncio 
enquanto 
morria 
de 
vontade 
de 
que 
a 
tratassem 
como 
a 
uma 
mulher 
e 
no 
como 
a 
uma 
transplantada. 
Duvidava 
que 
com 
Dean 
fosse 
possvel. 
Mas 
sabia 
que, 
no 
fundo, 
isto 
era 
uma 
desculpa 
e 
que 
o 
verdadeiro 
problema 
consistia 
em 
que 
no 
estava 
apaixonada 
por 
ele. 
No 
da 
forma 
que 
deveria 
o 
estar 
para 
se 
casar. 
A 
vida 
eria 
sido 
bem 
mais 
singela 
se 
estivesse 
apaixonada, 
e 
s 
vezes 
desejava 
que 
assim 
fosse. 
Tinha 
tentado 
esconder 
seus 
sentimentos, 
mas 
agora 
sabia 
que 
tinha 
que 
ser 
sincera. 
No 
quero 
me 
casar 
contigo, 
Dean. 
Quero-te 
muito 
e 
jamais 
teria 
do 
adiante 
sem 
ti 
 lhe 
sorriu 
com 
ternura. 
Mas 
no 
estou 
apaixonada. 
Dou-me 
conta 
disso, 
e 
tambm 
no 
o 
esperava. 
Isso 
 
para 
as 
crianas; 
ns 
vamos 
para 
alm 
do 
absurdo 
romantismo. 
Por 
outra 
parte, 
formamos 
uma 
boa 
equipe. 
Uma 
equipe 
 repetiu 
ela 
 
Tambm 
no 
isso 
me 
atrai. 
No 
tenho 
pertencido 
a 
ningum 
desde 
que 
tinha 
oito 
anos, 
quando 
meus 
pais.. 
morreram. 
Motivo 
a 
mais 
para 
que 
me 
deixes 
cuidar 
de 
ti. 
No 
quero 
que 
ningum 
me 
cuide! 
Quero 
ser 
Cat. 
A 
nova 
Cat. 
A 
cada 
dia, 
desde 
a 
operao, 
tenho 
ido 
fazendo 
novos 
descobrimentos. 
Ainda 
estou 
me 
familiarizando 
com 
esta 
mulher 
que 
Sobe 
a 
escada 
em 
vez 
de 
utilizar 
o 
elevador. 
Que 
pode 
lavar 
o 
cabelo 
em 
trs 
minutos 
em 
vez 
de 
precisar 
trinta. 
Ps 
a 
mo 
sobre 
o 
corao. 
O 
tempo 
tem 
uma 
nova 
dimenso 
para 
mim, 
Dean; 
quero 
proteger 
o 
tempo 
que 
passo 
comigo 


#
mesma. 
At 
que 
no 
conhea 
do 
tudo 
 
nova 
Cat 
Delaney, 
no 
quero 
a 
compartilhar 
com 
ningum. 
Compreendo 
 contou 
ele, 
mais 
enojado 
que 
apenado. 
Ela 
riu. 
Deixa 
de 
lamentar. 
No 
acredito. 
Tambm 
no 
vais 
sofrer 
muito 
se 
no 
nos 
casamos. 
O 
que 
mais 
gostas 
de 
mim 
 
a 
celebridade, 
te 
encanta 
compartilhar 
os 
focos, 
assistir 
s 
estrias 
de 
Hollywood, 
entrar 
em 
Spargo 
do 
brao 
de 
uma 
estrela 
do 
tv. 
Adotou 
uma 
pose 
sofisticada, 
com 
uma 
mo 
na 
nuca 
outra 
na 
cadeira. 
O 
sorriso 
tmido 
dele 
supunha 
quase 
uma 
confesso. 
Mas 
seguiu 
pressionando: 
Admite-o, 
Dean. 
Se 
fosse 
caixa 
de 
um 
supermercado, 
Pedirias 
minha 
mo?
 
uma 
mulher 
fria, 
Cat 
Delaney. 
Digo 
a 
verdade. 
Se 
a 
natureza 
do 
amor 
de 
Dean 
fosse 
diferente, 
ela 
j 
teria 
terminado 
suas 
relaes 
a 
muito 
tempo 
atrs 
para 
no 
o 
machucar. 
Mas 
ele 
admitia 
que 
a 
queria 
somente 
todo 
o 
era 
capaz 
de 
amar. 
Abraou-a 
e 
a 
beijou 
na 
frente. 
A 
minha 
maneira 
quero-te, 
Cat, 
e 
sigo 
desejando 
casar-me 
contigo, 
mas, 
por 
agora, 
no 
insistirei, 
te 
parece 
bem? 
No 
tinham 
resolvido 
nada, 
mas 
ao 
menos 
garantia 
uma 
trgua. 
Parece-me 
bem. 
Estupendo. 
Vamos 
dormir? 
Antes 
nadarei 
um 
pouco. 
Queres 
companhia? 
No 
 
que 
a 
Dean 
gostasse 
muito 
nadar, 
o 
que 
era 
uma 
pena, 
j 
que 
tinha 
uma 
piscina 
preciosa 
rodeada 
de 
verdes 
plantas, 
como 
um 
lago 
tropical. 
Sobe. 
No 
demorarei. 
Ele 
subiu 
a 
escada 
at 
o 
segundo 
andar. 
Cat 
saiu 
pela 
porta 
do 
terrao 
e 
caminhou 
pelo 
caminho 
de 
pedra 
do 
formoso 
jardim 
at 
a 
piscina. 
De 
forma 
maquinal, 
se 
desabotoou 
o 
vestido, 
tirou 
e, 
a 
seguir, 
deixou 
cair 
o 
suti 
e 
as 
calcinhas. 
Entrou 
nua 
na 
deliciosa 
gua 
fresca. 
Era 
como 
um 
banho 
purificador. 
Talvez 
lavasse 
a 
inquietante 
insatisfao 
que 
a 
corroa 
h 
meses, 
no 
s 
por 
Dean, 
seno 
por 
todo 
o 
que 
rodeava 
sua 
vida. 
Fez 
trs 
longos 
braadas 
antes 
de 
tender-se 
de 
costas 
e 
ficar 
flutuando. 
Ainda 
lhe 
maravilhava 
poder 
nadar 
sem 
ofegar 
e 
sem 
medo 
que 
o 
corao 
parasse. 
Em 
um 
ano 
e 
meio 
atrs, 
lhe 
teria 
parecido 
impossvel 
tamanha 
proeza. 
Estava 
preparada 
para 
morrer. 
E 
teria 
morrido 
se 
algum 
no 
tivesse 
perdido 
a 
vida 
antes 
que 
ela. 
Essa 
idia 
estava 
guardada 
em 
sua 
mente 
e, 
quando 
a 
assaltava, 
era 
inquietante. 
Agora 
a 
fez 
sair 
da 
gua. 
Tremendo, 
caminhou 
de 
em 
pontas 
do 
p 
at 
o 
vesturio 
e 
envolveu-se 
em 
uma 
toalha. 
O 
pensamento 
espreitava-a: 
a 
morte 
de 
algum 
lhe 
tinha 
presenteado 
a 
vida. 
Deixou 
claro 
a 
Dean 
e 
 
equipe 
mdica 
que 
no 
queria 
saber 
nada 
do 
doador. 
Muito 
rara 
vez 
se 
permitia 
pensar 
nesse 
ser 
annimo 
como 
em 
uma 
pessoa, 
algum 
com 
uma 
famlia 
que 
tinha 
feito 
um 
enorme 
sacrifcio 
para 
que 
ela 
pudesse 
viver. 
Quando 
lhe 
assaltava 
a 
idia 
desse 
algum 
sem 
nome, 
seu 
ambiguo 
descontentamento 
lhe 
parecia 
uma 
montanha 
de 
egosmo 
e 
autocompaixo. 
Tinham 
ceifado 
uma 
vida 
e 
tinham-lhe 
garantido 
outra 
a 
ela. 


#
Tendeu-se 
em 
uma 
das 
espriguiadeiras, 
fechou 
os 
olhos 
e 
concentrou-se 
em 
reconhecer 
a 
afortunada 
que 
era. 
Tinha 
superado 
as 
desventajens 
de 
sua 
desgraada 
infncia, 
tinha 
perseguido 
um 
sonho 
e 
tinha-o 
feito 
realidade. 
Estava 
no 
pice 
de 
sua 
carreira 
e 
trabalhava 
com 
pessoas 
de 
talento 
que 
a 
queriam 
e 
a 
admiravam. 
Tinha 
mais 
dinheiro 
do 
que 
precisava. 
Um 
cardiologista 
muito 
respeitado, 
com 
cultura, 
bem 
parecido, 
que 
vivia 
como 
um 
prncipe, 
a 
adorava 
e 
a 
desejava. 
E, 
ento, 
por 
que 
esse 
inconcreto 
desassossego, 
essa 
incerta 
inquietude 
que 
no 
podia 
nem 
explicar 
nem 
desvanecer? 
Sua 
vida, 
to 
duramente 
ganhada, 
parecia 
agora 
sem 
sentido 
nem 
rumo. 
Padecia 
por 
algo 
que 
no 
podia 
descrever 
nem 
identificar, 
algo 
que 
ia 
bem 
mais 
l 
de 
seu 
alcance 
e 
de 
seu 
entendimento. 
Que 
mais 
podia 
querer 
que 
no 
tivesse? 
Que 
mais 
podia 
pedir 
se 
j 
lhe 
tinham 
dado 
a 
vida? 
Cat 
incorporou-se 
inesperadamente, 
com 
uma 
idia 
repentina 
que 
lhe 
infundiu 
energia. 
A 
falta 
de 
confiana 
em 
um 
mesmo 
podia 
ser 
uma 
motivao 
Positiva 
e 
o 
exame 
de 
conscincia 
no 
tinha 
nada 
de 
mau. 
Era 
o 
enfoque 
do 
autoanlises 
o 
que 
estava 
mal 
proposto. 
Em 
vez 
de 
indagar 
que 
mais 
podia 
querer 
talvez 
devesse 
se 
perguntar 
que 
podia 
dar. 



Captulo 
dez 
10 
DE 
OUTUBRO 
DE 
1992 


Sua 
casa 
sempre 
cheirava 
como 
se 
algo 
acabasse 
de 
sair 
do 
forno. 
Esta 
manh 
eram 
massas 
de 
ch. 
Douradas 
e 
polvilhadas 
com 
acar, 
estavam 
enfriando 
sobre 
uma 
parte 
da 
mesa 
da 
cozinha, 
ao 
lado 
de 
um 
pastel 
de 
chocolate 
e 
duas 
tortas 
de 
frutas. 
As 
cortinas 
com 
volante 
flutuavam 
na 
janela 
aberta. 
Na 
geladeira, 
os 
ims 
seguravam 
coraes 
de 
san 
Valentn 
de 
papel 
vermelho, 
toalhas 
de 
enfeito 
e 
desenhos 
de 
perus 
e 
de 
anjos 
que 
pareciam 
morcegos. 
Todo 
obra 
dos 
netos. 
Respondeu 
ao 
telefonema 
na 
porta 
traseira 
com 
uma 
olhar, 
um 
sorriso 
e 
uma 
indicao 
de 
que 
passasse. 
A 
toda 
a 
comunidade 
fica 
de 
gua 
na 
boca. 
Tenho 
cheirado 
as 
bolachas 
nada 
mais 
sai 
de 
casa. 
Sua 
cara 
rolia 
estava 
ruborizada 
pelo 
calor 
do 
forno. 
Ao 
sorrir, 
os 
olhos 
vivazes 
e 
calorosos 
se 
inclinavam. 
Apanha 
uma, 
agora 
que 
esto 
quentinhas 
 
indicou 
as 
massas 
de 
ch. 
No, 
so 
para 
a 
festa. 
S 
uma, 
preciso 
tua 
opinio. 
Mas 
diga-me 
a 
verdade. 
Apanhou 
uma 
das 
massas 
e 
a 
alongou 
expectante. 
Teria 
sido 
de 
m 
educao 
negar-se, 
de 
modo 
que 
o 
recm 
chegado 
aceitou-a. 
Hummm. 
So 
deliciosas 
e 
se 
desfaz 
na 
boca. 
Igual 
que 
as 
fazia 
minha 
av. 
Nunca 
me 
falou 
de 
tua 
famlia. 
E 
j 
est 
vivendo 
trs 
meses 
na 
casa 
da 
o 
lado. 
Deu 
a 
volta 
e 
comeou 
a 
lavar 
os 
cacharros 
no 
tanque. 
No 
h 
muito 
que 
contar. 
Papai 
estava 
no 
exrcito 
e 
mandavam 
de 
uma 
a 
outra 
cidade. 
Doze 


#
mudanas, 
doze 
escolas. 
-Devia 
de 
ser 
duro 
para 
um 
menino.
-Isto 
 
uma 
celebrao! 
No 
falemos 
de 
coisas 
tristes. 
 
tua 
festa. 
Ela 
riu 
como 
uma 
criana, 
ainda 
que 
fosse 
uma 
cinquentona. 
-Tenho 
tantas 
coisas 
que 
fazer... 
Fred 
pediu 
permisso 
para 
sair 
antes. 
Chegar 
sobre 
as 
duas. 
E 
os 
meninos 
e 
a 
famlia 
s 
cinco. 
-No 
podes 
fazer 
tudo 
sozinha. 
Tenho 
o 
dia 
livre 
para 
ajudar-te. 
-No 
deveria 
o 
ter 
feito 
isso! 
O 
seu 
chefe 
no 
se 
zangou? 


Se 
enfadou 
m 
sorte. 
Disse 
que 
tenho 
como 
vizinha 
uma 
senhora 
muito 
especial 
e 
que, 
tanto 
gosto 
e 
a 
ajudaria 
a 
preparar 
sua 
festa 
de 
dois 
anos 
com 
um 
corao 
novo. 
Sentiu-se 
comovida 
e 
saltaram-se 
as 
lgrimas. 
Tenho 
sido 
to 
afortunada... 
Quando 
penso 
o 
perto 
que...
Vamos, 
vamos, 
esquece 
isso 
agora. 
 
dia 
de 
festa. 
Por 
onde 
comeamos? 
A 
mulher 
secou 
os 
olhos 
com 
um 
leno 
bordado 
e 
devolveu-o 
ao 
bolso 
do 
avental. 
Poderia 
comear 
a 
colocar 
as 
cadeiras 
de 
plstico 
enquanto 
rego 
as 
plantas. 
Diante, 
pois. 
Entraram 
no 
salo, 
claro 
e 
acolhedor. 
Uma 
das 
paredes 
era 
uma 
porta 
de 
vidro 
com 
sada 
ao 
ptio. 
Para 
que 
lhe 
desse 
o 
sol, 
tinha 
uma 
samambaia 
pendurada 
no 
brao. 
Suponho 
que 
seja 
Fred 
quem 
rega 
essa 
planta. 
Tu 
no 
alcanas. 
Isso 
no 
 
nenhum 
problema 
 
contou 
. 
Utilizo 
uma 
escada. 
Tinha 
passado 
um 
ano 
desde 
que 
o 
garoto 
dos 
Ward 
teve 
aquele 
desafortunado 
acidente 
em 
Memphis. 
Tinham 
decorrido 
doze 
meses 
de 
cuidadoso 
planejamento. 
Saber 
esperar, 
ainda 
que 
causasse 
angstia, 
era 
necessrio. 
O 
procedimento 
era 
essencial 
em 
Sua 
misso. 
Sem 
ordem 
e 
disciplina, 
teria 
sido 
uma 
loucura. 
A 
parte 
mais 
longa 
do 
ano 
foi 
s 
ltimas 
horas, 
desde 
meia-noite 
Tinham 
parecido 
to 
longo 
como 
todas 
as 
do 
ano 
anterior 
juntas. 
Contava 
a 
cada 
segundo 
com 
impacincia. 
A 
longa 
espera 
j 
quase 
tinha 
terminado: 
estava 
a 
poucos 
minutos 
de 
ser 
gratificada
Amor 
meu, 
estou 
fazendo 
isto 
por 
ti. 
 
uma 
prova 
do 
amor 
que 
nem 
sequer 
a 
morte 
pode 
derrotar. 
Uma 
escada 
Que 
bem. 



Captulo 
onze 
NOVEMBRO 
DE 
1993 


Algum 
tocou 
a 
campainha. 
Eu 
ouvi 
um 
carro. 
Cat 
se 
afastou 
convidando 
Dean 
para 
que 
a 
companhasse 
ao 
salo 
de 
sua 
casa 
de 
Malib. 
Tinha 
trs 
prmios 
Emmy 
em 
uma 
estante 
feita 
especialmente 
para 
eles. 
As 
paredes 
brancas 
estavam 


#
decoradas 
com 
retratos 
de 
revistas 
que 
aparecia 
sua 
imagem. 
Era 
uma 
habitao 
muito 
pessoal, 
clida 
e 
acolhedora 
ao 
alto 
teto 
e 
os 
enormes 
janelas. 
A 
casa 
era 
de 
construo 
moderna, 
sobre 
um 
alcantilado, 
e 
sob 
 
praia 
uma 
empinada 
escada 
em 
zigzag. 
O 
fogo, 
na 
chamin, 
diminuia 
o 
frio 
do 
dia. 
Desde 
a 
janela 
com 
vistas 
ao 
Pacfico, 
a 
paisagem 
era 
sem 
cor; 
e 
o 
horizonte, 
invisvel. 
A 
gua 
tinha 
a 
mesma 
cor 
cinza 
das 
nuvens. 
Inclusive 
com 
o 
mais 
desprezvel 
clima, 
a 
Cat 
encantava 
paisagem 
marinha 
de 
sua 
casa. 
O 
oceano 
nunca 
deixava 
de 
assombrar. 
A 
cada 
vez 
que 
o 
olhava, 
era 
como 
se 
fosse 
a 
primeira 
de 
suas 
mudanas 
incessantes 
que 
inspiravam 
respeito, 
a 
desconcertava 
e 
a 
faziam 
se 
sentir 
insignificante 
comparada 
com 
aquele 
impeto 
selvagem. 
Costumava 
passear 
pela 
orla. 
Passava 
horas 
contemplando 
as 
enquanto 
pensava 
em 
suas 
opes, 
buscando 
respostas 
em 
puma. 
Quer 
tomar 
algo? 
perguntou. 
Nada, 
obrigado. 
Retornou 
a 
cadeira 
confortvel 
em 
que 
deixou 
cair 
uma 
manta 
ao 
ouvir 
o 
carro. 
No 
extremo 
da 
mesa 
tinha 
uma 
caneca 
de 
ch 
com 
menta 
e 
uma 
luz 
focava 
seu 
colo. 
Dean 
sentou 
diante 
dela. 
-Que 
 
isso? 
-Rascunhos 
de 
roteiros. 
Todos 
os 
roteiristas 
da 
equipe 
tm 
apresentado 
uma 
idia 
sobre 
o 
destino 
de 
Laura 
Madison. 
Todas 
so 
muito 
boas 
e 
muito 
tristes. 
Em 
vez 
de 
faz-la 
desaparecer, 
sugeri-lhes 
que 
contratassem 
a 
outra 
atriz 
para 
o 
papel 
 suspirou 
e 
dslizou 
os 
dedos 
entre 
os 
cachos 
. 
Mas 
esto 
decididos 
a 
elimin-la. 
No 
h 
outra 
atriz 
que 
possa 
interpretar 
o 
papel 
 
disse 
Dean. 
Nem 
sequer 
Meryl 
Streep 
poderia 
salv-lo. 
Laura 
Madison 
s 
tu. 
Reconheceu 
no 
rosto 
de 
Dean 
sinais 
de 
frustrao 
e 
ansiedade 
que 
teriam 
passado 
desapercebido 
para 
quem 
no 
o 
conhecia 
bem. 
Ela 
era 
a 
causadora 
de 
sua 
infelicidade, 
e 
isso 
a 
abalava. 
Bom, 
j 
 
coisa 
feita, 
no? 
disse 
Dean. 
Entertainment 
Tonight 
publicou-o 
ontem. 
Deixas 
Passages. 
Quando 
termina 
o 
contrato; 
pouco 
depois 
de 
primeiros 
de 
ano, 
segundo 
parece. 
Ela 
assentiu, 
mas 
no 
disse 
nada. 
O 
vento 
golpeava 
contra 
as 
paredes 
de 
vidro 
como 
se 
quisessem 
apagar 
as 
velas 
da 
prateleira. 
Brinquei 
com 
a 
franja 
da 
manta. 
Quando 
levantou 
a 
vista, 
Dean 
olhava 
pela 
janela, 
com 
uma 
expresso 
to 
turbulenta 
como 
as 
ondas. 
At 
que 
ponto 
tem 
infludo 
Bill 
Webster 
em 
tua 
deciso? 
Demorou 
em 
responder. 
A 
WWSA 
 
sua 
cadeia 
de 
televiso. 
No 
 
isso 
o 
que 
te 
estou 
perguntando. 
Se 
insinuas 
que 
nossa 
relao 
 
algo 
mais 
que 
profissional, 
ests 
muito 
equivocado. 
Tenho 
muitos 
defeitos, 
Dean, 
mas 
mentir 
no 
 
um 
deles. 
Em 
todo 
caso, 
sou 
demasiado 
sincera 
inclusive 
quando 
no 
me 
convm. 
Alm 
do 
mais, 
Bill 
 
um 
homem 
felizmente 
casado 
com 
uma 
mulher 
to 
atraente 
e 
encantadora 
Como 
ele. 
Ele 
seguia 
com 
as 
feies 
tensas. 
Em 
uma 
tentativa 
desesperada 
por 
entender 
por 
que 
d 
as 
costas 
a 
tua 
carreira, 
a 
tudo 
pelo 
que 
tanto 
tens 
lutado, 
tenho 
estudado 
tua 
deciso 
de 
todos 
os 
ngulos. 
Como 
 
lgico, 
me 
ocorreu 
que 


#
um 
idilio 
podia 
ter 
infludo. 
Pois 
no 
 
respondeu 
de 
forma 
categrica. 
Os 
Webster 
tm 
seis 
filhos. 
Tinham 
tambm 
uma 
filha 
que 
morreu 
faz 
em 
alguns 
anos. 
Era 
a 
primeira 
e 
sua 
morte 
afetou-os 
muito 
Faz 
j 
tempo, 
no 
me 
sento 
feliz 
com 
minha 
vida. 
Mas 
S 
Quando 
Bill 
me 
falou 
de 
sua 
filha, 
faz 
uns 
seis 
meses, 
soube 
que 
tinha 
que 
comear 
de 
novo. 
A 
vida 
 
demasiado 
valiosa 
Para 
perder 
nem 
em 
um 
s 
dia. 
Essa 
noite, 
Bill 
e 
eu 
tivemos 
uma 
conversa 
muito 
sria 
sobre 
a 
perda 
de 
sua 
filha 
e, 
antes 
de 
me 
dar 
conta, 
estava 
na 
minha 
infncia. 
Expliquei 
o 
que 
se 
sente 
ao 
ser 
uma 
rf, 
e 
estar 
sob 
a 
tutela 
do 
Estado, 
passar 
de 
um 
orfanato 
a 
outro 
sem 
chegar 
a 
encaixar. 
A 
conversa 
derivou 
para 
um 
grande 
programa 
que 
Bill 
tinha 
visto 
em 
vrias 
grandes 
cidades, 
onde 
passa 
reportagens 
de 
meninos 
que 
precisavam 
pais 
adotivos 
por 
intermedio 
do 
telenoticias. 
Estava 
interessado 
em 
fazer 
o 
mesmo 
na 
WWSA 
como 
um 
servio 
 
comunidade. 
Ento 
viu 
um 
novo 
ponto 
de 
partida 
para 
mim 
mesma. 
No 
tinha 
a 
inteno 
de 
manter 
 
margem, 
Dean. 
Muitas 
vezes 
quis 
dizer-to, 
mas 
sabia 
que 
tu 
no 
podias 
ser 
objetivo. 
Nem 
entenderia 
meus 
motivos 
para 
querer, 
para 
precisar 
fazer 
isto. 
Esboou 
um 
sorriso. 
No 
estou 
muito 
segura 
dos 
entender 
eu 
mesma. 
Mas 
a. 
Lutei 
contra 
eles, 
tentei 
escapar, 
mas 
eles 
j 
tinham 
se 
fixado 
e 
no 
se 
foram 
embora. 
Quanto 
mais 
penso 
no 
alcance 
que 
pode 
ter 
o 
programa, 
mais 
esperanosa 
estou. 
Tenho 
recordado 
todas 
as 
vezes 
que 
recusaram 
minha 
adoo 
pela 
idade, 
pelo 
sexo, 
por 
meu 
historico 
clnico. 
Inclusive 
o 
vermelho 
era 
um 
impedimento, 
segundo 
parece. 
H 
muitos 
meninos 
com 
problemas 
especiais, 
que 
no 
tm 
pais 
que 
os 
queiram. 
Comeam 
a 
ficar 
obssessivos, 
Dean. 
No 
posso 
dormir 
ao 
os 
ouvir 
chorar 
na 
escurido, 
sozinhos, 
aterrorizem 
sem
amor. 
Tenho 
que 
fazer 
algo 
por 
eles. 
 
assim 
de 
simples. 
Admiro 
teu 
altruismo, 
Cat. 
Se 
quiser 
adotar 
um 
menino 
mais 
de 
um, 
estou 
perfeitamente 
disposto. 
Cat 
no 
pde 
evitar 
o 
riso.
No 
me 
digas! 
Dean, 
faz 
favor, 
seja 
realista. 
 
um 
mdico 
extraordinrio, 
mas 
falta-te 
a 
flexibilidade 
necessria 
para 
ser 
pai. 
Se 
isso 
fosse 
a 
diferena 
entre 
te 
ter 
ou 
no... 
No 
o 
. 
Cr-me: 
se 
pensasse 
que 
um 
juiz 
ia 
conceder 
a 
custodia 
de 
um 
menino 
a 
uma 
mulher 
solteira 
e 
com 
transplante 
o 
teria. 
Mas 
no 
se 
trata 
de 
que 
eu 
adote. 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
 
para 
convencer 
a 
outras 
pessoas 
que 
o 
faam. 
Os 
Meninos 
de 
Cat? 
O 
nome 
 
idia 
de 
Nancy 
Webster. 
Gostas? 
No 
parece 
muito 
original. 
Oxal 
Dean 
pudesse 
compartilhar 
seu 
entusiasmo, 
mas 
era 
evidente 
que 
toda 
a 
idia 
lhe 
parecia 
absurda. 
-Cat, 
para 
valer 
quer... 
degradar 
dessa 
forma? 
Deixar 
tua 
carreira 
e 
mudar-se 
para 
Texas? 
-Ser 
diferente 
 
aceitou, 
com 
uma 
risadinha. 


#
-No 
poderia 
te 
limitar 
a 
patrocinar 
o 
programa, 
ser 
a 
porta-voz 
oficial, 
sem 
ter 
que 
te 
envolver 
em 
pessoa? 
-Quer 
dizer 
ser 
uma 
figura 
decorativa? 
-Algo 
parecido. 
-Seria 
um 
engano. 
Se 
leva 
meu 
nome, 
 
meu 
programa. 
Quero 
trabalhar 
nele 
a 
minha 
maneira. 
Olhou 
a 
Dean 
com 
tristeza. 
-Alm 
do 
mais, 
no 
o 
vejo 
como 
uma 
degradao. 
Acho 
que 
no 
dou 
um 
passo 
atrs, 
seno 
vrios 
passos 
 
frente. 
Espero 
grandes 
recompensas. 
Inquieta 
pela 
emoo, 
tirou 
a 
manta 
e 
levantou 
da 
cadeira. 
Isto 
 
o 
que 
voc 
no 
entende 
 
deu 
a 
volta 
para 
olh-lo 
e 
ps 
uma 
mo 
no 
peito. 
Fao 
isto 
porque 
no 
teria 
a 
conscincia 
tranqila 
se 
no 
o 
fizesse. 
Tens 
razo 
 disse 
ele, 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
se 
levantava. 
No 
o 
entendo. 
Tiveste 
uma 
infncia 
difcil; 
e 
quem 
no? 
Deixa-te 
de 
contos 
de 
fadas, 
Cat. 
Na 
vida 
real, 
quem 
mais 
quem 
menos, 
cresceu 
sentindo-se 
no 
querido. 
Sim! 
Especialmente 
se 
teu 
pai 
e 
tua 
me 
preferem 
morrer 
a 
viver 
contigo! 
Sua 
resposta 
irada 
causou 
efeito. 
Olhou-a 
atnito. 
Suicdio? 
Disseste-me 
que 
teus 
pais 
tinham 
morrido 
em 
um 
acidente. 
Pois 
no. 
Agora 
lamentava 
ter 
dito 
a 
amarga 
verdade 
sobre 
a 
morte 
de 
seus 
pais, 
j 
que 
ele 
a 
observava 
com 
a 
mesma 
mescla 
de 
fascinao 
e 
horror 
com 
que 
as 
assistentes 
sociais 
comtemplaravam 
a 
Catherine 
Delaney, 
aquela 
criatura 
magra, 
perigosa 
e 
obstinada. 
Por 
isso 
aprendi 
a 
contar 
piadas 
em 
vez 
de 
chorar. 
Ou 
me 
virava 
ou 
convertia-me 
em 
um 
caso 
perdido. 
De 
modo 
que 
no 
sinta 
Pena 
por 
mim, 
Dean 
Foi 
terrvel 
quando 
ocorreu, 
mas 
me 
fez 
forte 
me 
deu, 
por 
exemplo, 
a 
coragem 
suficiente 
para 
superar 
um 
transplante. 
Espero 
que 
possas 
compreender 
por 
que 
tenho 
que 
seguir 
adiante 
meu 
projeto. 
Sei 
por 
experincia 
prpria 
o 
que 
 
estar 
afastada 
de 
outros 
meninos. 
Se 
teus 
pais 
morrem, 
se 
doente, 
ou 
pobre, 
voc 
 
discriminada. 
Estas 
desvantagens 
fazem 
de 
um 
menino 
um 
bicho 
raro. 
E 
sabes 
to 
bem 
como 
eu 
que 
se 
 
diferente 
est 
fora. 
Ponto 
Centos 
de 
milhares 
de 
meninos 
sofrem 
e 
tm 
problemas 
inimaginveis. 
S 
passar 
o 
dia 
j 
lhes 
supe 
um 
tormento. 
No 
podem 
brincar, 
nem 
aprender, 
nem 
relacionar 
com 
outros 
meninos, 
porque 
tm 
que 
suportar 
o 
nus 
de 
ser 
maltratados, 
ou 
de 
ser 
rfos, 
ou 
de 
estar 
doentes, 
ou 
qualquer 
combinao 
das 
coisas. 
H 
famlias 
capazes 
e 
ansiosas 
de 
poder 
ajudar 
a 
estes 
meninos 
se 
soubessem 
como 
os 
encontrar. 
Eu 
vou 
ajudar 
ao 
unir, 
um 
repto 
que 
agradeo. 
Marcou 
um 
objetivo 
e 
estou 
convencida 
de 
que 
por 
isso 
se 
me 
tem 
dado 
uma 
segunda 
vida. 
Cat, 
no 
me 
venha 
com 
filosofias. 
Tens 
uma 
segunda 
vida 
porque 
a 
tecnologia 
mdica 
tornou 
possvel. 
Tu 
tens 
tua 
explicao 
eu, 
a 
minha 
contou 
ela-o 
nico 
que 
sei 
 
que 
deveria 
pagar 
de 
alguma 
forma 
minha 
boa 
sorte. 
Ser 
uma 
estrela 
da 
tv, 
amasar 
uma 
fortuna, 
estar 
rodeada 
de 
gente 
encantadora.. 
-no 
o 
 
tudo 
na 
vida. 
Ao 
menos 
para 
mim. 
Quero 
mais, 
e 
no 
me 
refiro 
a 
mais 
dinheiro 
nem 
fama. 
Quero 
algo 
autntico. 


#
Apanhou-lhe 
as 
mos. 
Tens 
para 
mim 
um 
valor 
inestimvel. 
Foste 
um 
amigo 
incondicional 
durante 
a 
pior 
poca 
de 
minha 
vida. 
Quero-te, 
admiro-te, 
e 
vou 
ter-te 
saudades. 
Mas 
no 
podes 
seguir 
sendo 
minha 
tbua 
de 
salvao. 
Preferida 
ser 
teu 
marido. 
Por 
agora 
no 
encaixam 
em 
meus 
planos 
nem 
idilios 
nem 
casamentos. 
O 
que 
vou 
fazer 
requer 
toda 
minha 
ateno. 
Faz 
favor, 
deseja-me 
sorte. 
Olhou-a 
fixamente 
aos 
olhos 
suplicantes. 
A 
seguir, 
sorriu 
com 
tristeza. 
-Estou 
convencido 
de 
que 
converters 
o 
programa 
em 
um 
sucesso 
da 
noite 
para 
o 
dia. 
Tens 
o 
talento, 
a 
ambio 
e 
o 
modo 
de 
conseguir 
todo 
o 
que 
queres. 
Agradeo-te 
o 
voto 
de 
confiana. 
Sou, 
no 
entanto, 
um 
perdedor 
dodo. 
Sigo 
pensando 
que 
Bill 
Webster 
te 
deslumbrou 
com 
toda
essa 
retrica 
do 
programa 
como 
servio 
 
comunidade, 
 
muito 
triste 
que 
tenha 
perdido 
a 
uma 
filha, 
mas 
acho 
que 
se 
aproveitou 
de 
tua 
compaixo 
para 
levar 
a 
sua 
emissora. 
Contigo 
ali, 
o 
nvel 
de 
audincia 
se 
por 
pelas 
nuvens 
e 
ele 
o 
sabe. 
Duvido 
muito 
que 
seu 
interesse 
neste 
programa 
seja 
s 
altrusta. 
Atrevo-me 
a 
dizer 
que 
descobrir 
que 
 
um 
ser 
humano 
com 
as 
mesmas 
virtudes 
e 
defeitos 
que 
todos 
ns. 
Bill 
deu-me 
uma 
oportunidade, 
mas 
ele 
no 
 
o 
motivo 
de 
minha 
deciso. 
Seus 
motivos 
no 
tm 
nada 
que 
ver 
com 
os 
meus. 
Eu 
queria 
mudar 
minha 
vida 
e, 
de 
no 
ter 
sido 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
teria 
sido 
outra 
coisa. 
Dean 
declinou 
fazer 
nenhum 
comentrio 
ao 
respecto 
e 
disse: 
Tenho 
a 
impresso 
de 
que 
vai 
sentir 
minha 
falta. 
A 
mim 
e 
a 
esta 
classe 
de 
vida. 
E 
sei 
que 
voltar 
logo 
 acariciou 
a 
bochecha. 
Quando 
acontecer, 
estarei 
te 
esperando. 
Rogo-te 
que 
no 
faa 
isso. 
-Em 
qualquer 
dia 
aparecers 
por 
aqui. 
Porquanto, 
tal 
e 
como 
me 
pediste, 
te 
desejo 
muita 
sorte. 



Captulo 
doze 
JANEIRO 
DE 
1994 


O 
relgio 
de 
em 
cima 
da 
mesa 
era 
antigo, 
com 
a 
esfera 
redonda 
e 
branca 
e 
os 
nmeros 
grandes 
e 
negros. 
Tinha 
um 
segundo 
brao 
vermelho 
que 
marcava 
os 
segundos 
com 
um 
tictac 
compasso 
que 
recordava 
os 
batidos 
do 
corao. 
As 
tampas 
do 
lbum 
de 
recortes 
eram 
uma 
imitao 
de 
pele, 
mas 
bem 
feita, 
com 
o 
gro 
em 
relevo. 
Pesado 
e 
slido, 
o 
tomo 
era 
agradvel 
 
palma 
da 
mo, 
que 
o 
acariciava 
como 
se 
fosse 
um 
animal 
domstico. 
Em 
certa 
forma, 
isso 
era. 
Um 
mascote. 
Um 
amigo 
que 
pode 
estar 
seguro 
que 
guardar 
os 
segredos. 
Como 
algum 
a 
quem 
cuidar 
com 
quem 
jogar 
em 
momentos 
de 
lazer 
ou 
a 
quem 
ir 
quando 
h 
necessidade 
de 
concho 
e 
companhia. 
E 
com 
sua 
aprovao 
incondicional. 


#
As 
pginas 
estavam 
cheias 
de 
recortes 
de 
jornais. 
Muitas 
davam 
um 
resumo 
da 
vida 
do 
jovem 
Jerry 
Ward, 
sua 
valente 
luta 
contra 
um 
defeito 
congnito 
do 
corao, 
o 
transplante 
e 
a 
recuperao 
e 
sua 
morte 
prematura, 
acidental, 
ao 
afogar-se. 
Essa 
tragdia 
em 
plena 
adolescencia. 
Depois 
estava 
a 
av 
na 
Flrida. 
To 
elogiada 
por 
familiares 
e 
amigos, 
desolados 
por 
sua 
inesperada 
morte. 
Ao 
que 
parece 
a 
mulher 
no 
tinha 
um 
s 
inimigo. 
Todos 
a 
queriam. 
Aps 
o 
transplante, 
o 
cirurgio 
afirmou 
que 
a 
adaptao 
era 
boa. 
Teria 
vivido 
muitos 
mais 
anos 
a 
no 
ser 
pelo 
pedao 
de 
vidro 
que 
se 
fincou 
no 
pulmo 
ao 
cair 
e 
atravessar 
a 
porta 
enquanto 
regava 
uma 
samambaia. 
E 
o 
desgraado 
acidente 
tinha 
ocorrido 
nada 
menos 
que 
no 
dia 
do 
segundo 
aniversrio 
do 
transplante. 
Voltou 
a 
pgina. 
O 
seguinte 
aniversrio: 
o 
10 
de 
outubro 
de 
1993. 
Fazia 
trs 
meses. 
Outro 
estado, 
outra 
cidade, 
outro 
transplantado. 
Outro 
desgraado 
acidente. 
Se 
atrapalhou, 
este 
ltimo, 
com 
a 
motossera. 
Tinha 
sido 
uma 
m 
idia. 
Mas 
era 
um 
tipo 
que 
costumava 
estar 
ao 
ar 
livre, 
de 
modo 
que... 
Sua 
misso 
tinha 
uma 
falha 
evidente. 
No 
tinha 
forma 
de 
saber 
com 
exatido 
quando 
a 
teria 
cumprido. 
Era 
possvel 
que 
j 
o 
tivesse 
feito, 
com 
a 
morte 
de 
Jerry 
Ward 
ou 
com 
qualquer 
dos 
outros 
dois. 
Mas 
no 
podia 
a 
dar 
por 
concluda 
at 
que 
todos 
aqueles 
receptores 
de 
um 
corao 
tivessem 
sido 
eliminados. 
S 
ento 
teria 
a 
segurana 
de 
que 
o 
corao 
e 
o 
esprito 
do 
ser 
amado 
se 
tinham 
reunido. 
Fechou 
o 
lbum 
com 
respeito. 
A 
tampa 
posterior 
recebeu 
uma 
caricia 
antes 
de 
ficar 
depositado 
na 
gaveta 
da 
mesa 
e 
fechado 
sob 
chave, 
ainda 
que 
no 
tivesse 
perigo 
de 
que 
algum 
pudesse 
o 
ver. 
Ali 
nunca 
entrava 
ningum. 
Antes 
de 
fechar 
a 
gaveta, 
sacou 
um 
grosso 
envelope 
e 
espalhou 
seu 
contedo 
sobre 
a 
mesa. 
A 
cada 
artigo, 
fotografia 
e 
recorte 
haviam 
sido 
etiquetados 
para 
facilitar 
seu 
estudo. 
Tinha 
memorizado 
e 
analisado 
todos 
os 
fatos 
relacionados 
com 
essa 
informao. 
Sabia 
a 
estatura, 
o 
peso, 
a 
talha 
de 
roupa, 
os 
gostos 
e 
manas, 
sua 
crena 
religiosa, 
o 
perfume 
favorito, 
os 
amigos 
especiais, 
o 
nmero 
da 
carteira 
de 
motorista, 
o 
da 
Seguro 
Social, 
suas 
tendncias 
polticas, 
a 
medida 
do 
anel 
e 
o 
nmero 
de 
telefone 
do 
servio 
domstico 
que 
limpava 
sua 
casa 
de 
Malib. 
Tinha 
demorado 
meses 
em 
reunir 
a 
informao, 
mas 
era 
surpreendente 
o 
que 
pode 
chegar, 
a 
saber, 
de 
uma 
pessoa 
quando 
se 
dedicava 
o 
tempo 
s 
a 
essa 
tarefa. 
Por 
suposto, 
como 
era 
famosa, 
os 
meios 
de 
comunicao 
lhe 
facilitavam 
o 
trabalho, 
ainda 
que 
essa 
informao 
no 
sempre 
fosse 
cofivel. 
Tinha 
que 
verifica-la. 
Era 
curioso 
em 
troca 
que 
tinha 
experimentado 
h 
pouco 
tempo. 
Abandonava 
sua 
fabulosa 
vida 
em 
Hollywood 
pelo 
que 
parecia 
um 
trabalho 
de 
beneficencia 
em 
San 
Antonio, 
Texas. 
Seria 
interessante 
conhecer 
a 
Cat 
Delaney. 
E, 
mat-la, 
um 
verdadero 
desafio. 



Captulo 
treze 
MAIO 
DE 
1994 


#
Oua, 
talvez 
ache 
que 
estou 
louco, 
mas 
tenho 
olhado 
voc 
a 
algum 
tempo 
pensando 
que 
o 
conheo
de 
a1gum 
lugar. 
Inesperadamente, 
veio-me 
 
cabea. 
 
voc 
Alex 
Pearson? 
No. 
Seguro? 
Seguro. 
V. 
Teria 
jurado 
que 
era 
ele. 
Parece-se 
muito. 
Esse 
escritor, 
sabe? 
Tem 
escrito 
uma 
livros 
policiais
que 
todo 
mundo 
l. 
 
voc 
seu 
duplo. 
J 
tinha 
ido 
demasiado 
longe. 
Alex 
tendeu-lhe 
a 
mo. 
Sou 
Alex 
Pierce. 
Droga! 
Sabia-o! 
Reconheci-o 
pela 
foto 
do 
livro. 
Chamo-me 
Lester 
Dobbs 
 o 
amistoso 
desconhecido 
apertou 
a 
mo. 
Alegro-me 
de 
o 
conhecer, 
Alex. 
Posso 
chamar-lhe 
assim? 
Claro. 
Sem 
ser 
convidado, 
Dobbs 
sentou-se 
enfrente 
de 
Alex. 
Era 
a 
hora 
do 
caf 
da 
manh 
em 
Dennys. 
A 
cafeteria 
estava 
cheia 
de 
gente 
disposta 
a 
ir 
ao 
trabalho 
ou 
que 
acabava 
de 
terminar 
o 
turno 
de 
noite. 
Dobbs 
fez 
um 
sinal 
 
garonete 
para 
que 
voltasse 
s 
canecas 
de 
caf. 
No 
sei 
por 
que 
parece 
to 
puto 
 
murmurou 
quando 
mulher 
deu 
a 
volta. 
Afinal 
de 
contas 
deixei 
livre 
uma 
mesa. 
Alex 
dobrou 
o 
jornal 
e 
deixou-o 
sobre 
o 
assento 
contiguo. 
Ao 
que 
parece, 
demoraria 
a 
voltar 
a 
abrlo. 
Tenho 
lido 
que 
 
voc 
de 
Texas. 
No 
sei 
se 
vive 
ainda 
em 
Houston. 
No. 
Isto 
, 
no 
sempre. 
Movo-me 
bastante. 
-Suponho 
que 
seu 
trabalho 
lhe 
d 
essa 
liberdade. 
-Posso 
ligar 
o 
computador 
em 
qualquer 
parte 
enquanto 
tenha 
um 
escritrio 
de 
correios 
e 
um 
telefone. 
.No 
me 
faria 
nenhum 
bem 
que 
me 
desse 
por 
ver 
o 
mundo 
-disse 
Dobbs 
com 
pesar. 
Trabalho 
em 
uma 
refinaria. 
Desde 
os 
vinte 
e 
dois 
anos. 
Ela 
no 
vai 
ir 
a 
nenhuma 
parte 
e 
eu 
tambm 
no. 
Voc 
faz 
a 
vida, 
mas 
isso 
 
tudo. 
Os 
supervisores 
costumam 
ser 
uns 
filhos 
de 
puta 
 
hora 
de 
marcar, 
sabe 
o 
que 
quero 
dizer? 
Sim, 
j 
conheo 
a 
esses 
tipos 
 
respondeu 
Alex, 
solidario. 
-Voc 
era 
policia 
verdade? 
-Sim. 
E 
tem 
mudado 
a 
pistola 
pelo 
disco 
duro. 
Alex 
olhou-o 
assombrado. 
Sou 
pronto, 
eh? 
No 
 
mrito 
meu. 
Li-o 
em 
um 
artigo 
sobre 
voc 
no 
suplemento 
dominical, 
faz 
um 
par 
de 
meses. 
E 
ficou 
gravado. 
Estamos 
na 
seo 
de 
no 
fumantes? 
Droga. 
Bom, 
minha 
mulher 
e 
eu 
o 
admiramos. 
Alegra-me 
ouvir-lo 
dizer 
isso. 
No 
leio 
muito, 
a 
verdade. 
Mas 
ela 
tem 
sempre 
o 
nariz 
metido 
em 
um 
livro. 
Compra-os 
de 
segunda 
mo, 
por 
dzias. 
Eu 
gosto 
s 
do 
tipo 
de 
novela 
que 
voc 
escreve. 
Quanto 
mais 
sangue, 
melhor. 
Alex 
assentiu 
e 
tomou 
um 
gole 
de 
caf. 


#
Dobbs 
inclinou-se 
para 
diante 
e 
baixou 
a 
voz 
at 
um 
tom 
confidencial. 
E, 
tambm, 
quanto 
mais 
porno, 
melhor. 
Cara, 
as 
coisas 
que 
saem 
nesse 
livro 
seu. 
Quase 
a 
cada 
vinte 
pginas 
empinava-me. 
Minha 
mulher 
tambm 
o 
agradece. 
Acrescentou 
um 
sussurro. 
Alex 
tentava 
manter-se 
tranqilo. 
Alegro-me 
de 
que 
se 
sentisse 
to 
envolvido 
no 
relato. 
Conhece 
tias 
como 
as 
que 
saem 
no 
livro? 
Alguma 
lhe 
fez 
um 
trabalhinho 
como 
o 
que 
descreve 
no 
livro? 
Os 
homens 
como 
Lester 
Dobbs 
ficam 
achar 
que 
escrevia 
suas 
prprias 
experincias. 
So 
relatos 
de 
fico. 
Sim, 
j, 
mas 
algo 
para 
valer 
ter, 
no? 
Alex 
no 
podia 
contar 
que 
sua 
vida 
era 
solitria 
para 
no 
decepcionar 
o 
seu 
admirador, 
de 
modo 
que 
ficou 
calado 
e 
deixou 
que 
Dobbs 
tirasse 
suas 
prprias 
concluses. 
Este 
escolheu 
a 
que 
mais 
lhe 
gostava 
e 
se 
ria 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
tossia. 
-Alguns 
filhos 
de 
puta 
tm 
sorte. 
Nenhuma 
mulher 
vai 
me 
fazer 
isso, 
seguro 
Suponho 
que 
melhor 
para 
mim 
 acrescentou 
com 
filosofa-. 
O 
mais 
provvel 
 
que 
me 
morresse 
de 
um 
infarto 
esparramado 
na 
cama, 
nu 
e 
preso 
como 
uma 
vela 
e... 
-Mais 
caf, 
senhor 
Pierce? 
A 
garonete 
tinha 
a 
jarra 
sobre 
a 
caneca. 
No, 
obrigado. 
Traga-me 
a 
conta 
e 
acrescente 
a 
consumao 
do 
senhor 
Dobbs. 
Oh, 
 
voc 
muito 
amvel. 
Obrigado. 
No 
h 
de 
que. 
A 
minha 
mulher 
ficar 
babando 
quando 
contar 
que 
o 
vi 
em 
pessoa. 
Quando 
sair 
o 
prximo 
livro? 
Dentro 
de 
um 
ms. 
Ser 
to 
bom 
como 
o 
primeiro? 
Acho 
que 
melhor, 
ainda 
que 
 
difcil 
que 
um 
escritor 
ser 
juiz 
unnime 
de 
seu 
trabalho. 
Bom, 
j 
me 
morro 
de 
vontades 
do 
ler. 
Obrigado 
 
Alex 
recolheu 
a 
conta 
e 
o 
jornal. 
Perdoe, 
mas 
tenho 
pressa. 
Encantado 
de 
conhecer-lhe. 
Pagou 
na 
caixa 
e 
saiu 
do 
caf, 
ainda 
que 
tivesse 
gostado 
de 
tomar-se 
outra 
caneca. 
Em 
realidade 
estava 
trabalhando 
quando 
Dobbs 
o 
interrompeu. 
Queria 
absorver 
o 
ambiente, 
observar 
s 
pessoas, 
seus 
gestos 
e 
traos 
faciais, 
anotando-os 
mentalmente 
para 
futuras 
personagens. 
Fazia-o 
com 
discrio 
e 
surpreendeu-lhe 
que 
Dobb 
tivesse 
consertado 
nele. 
Ainda 
se 
assombrava 
que 
seus 
leitores 
o 
reconhecessem, 
o 
que 
no 
sucedia 
muito 
com 
freqncia. 
Sua 
primeira 
novela, 
foi 
publicada 
no 
ano 
passado 
a 
duras 
penas, 
tinha 
tido 
um 
mediocre 
sucesso 
comercial. 
Mas 
quando 
saiu 
a 
edio 
de 
bolsos, 
com 
umas 
quantas 
boas 
crticas 
e 
um 
pouco 
de 
publicidade, 
as 
vendas 
dispararam. 
Agora 
estava 
em 
diversas 
listas 
dos 
livros 
mais 
vendidos 
e 
Hollywood 
tinha 
interessado 
em 
fazer 
um 
filme 
com 
ele 
para 
televiso. 
Os 
leitores 
esperavam 
ansiosa 
sua 
segunda 
novela, 
que 
sairia 
dentro 
de 
um 
ms. 
Para 
a 
terceira 
novela, 
seu 
agente 
pediu 
uma 
antecipao 
muito 
substanciosa, 
que 
a 
editora 
tinha 


#
pagado. 
O 
livro 
foi 
acolhido 
com 
entusiasmo 
pelo 
editor, 
que 
se 
tinha 
virado 
em 
desenhar 
uma 
portada 
atraente 
e 
em 
preparar 
uma 
campanha 
de 
promoo. 
Mas, 
por 
a 
este 
sucesso, 
Alex 
Pierce 
estava 
ainda 
longe 
fama. 
Seguia 
sendo 
um 
desconhecido 
para 
quem 
no 
liam 
ou 
seus 
gostos 
se 
apartavam 
de 
seu 
gnero. 
Suas 
novelas 
policiais 
descreviam 
homens 
e 
mulheres 
a 
duas 
em 
situaes 
perigosas, 
s 
vezes 
brutais. 
As 
personagens 
-eram 
narcotraficantes, 
capangas, 
cafetes, 
prostitutas, 
membros 
de 
gangues, 
assassinos, 
credores, 
incendirios, 
estupradores, 
ladres, 
chantagistas, 
delatores: 
o 
pior 
da 
sociedade. 
Os 
heris 
eram 
policias 
que 
tratavam 
com 
eles 
dentro 
ou 
fora 
da 
lei. 
Em 
seus 
relatos, 
a 
linha 
divisria 
entre 
o 
bem 
e 
o 
mau 
era 
to 
sutil 
que 
mal 
se 
distinguia.. 
Suas 
novelas 
tinham 
um 
argumento 
duro 
e 
um 
fundo 
ainda 
mais 
duro. 
Escrevia 
com 
a 
olhar 
desesperanoso 
e 
o 
estmago 
de 
ao, 
sem 
poupar 
detalhes 
truculentos 
aos 
leitores 
e 
compondo 
uma 
narrativa 
e 
os 
dilogos 
com 
o 
maior 
realismo 
possvel. 
Ainda 
que 
s 
vezes 
no 
h 
suficientes 
palavras 
para 
descrever 
um 
crime 
horrendo, 
ele 
tentava 
reproduzir 
sobre 
o 
papel 
as 
vises,sons 
e 
cheiros 
das 
atrocidades 
que 
um 
ser 
humano 
 
capaz 
de 
infligir 
a 
outro 
e 
a 
psicologia 
escondida 
por 
trs 
de 
tais 
delitos. 
Costumava 
empregar 
a 
linguagem 
da 
rua 
e 
escrevia 
os 
episdios 
sexuais 
de 
forma 
to 
grfica 
como 
os 
que 
detalhavam 
autpsias. 
Seus 
livros 
causavam 
impacto. 
No 
eram 
para 
pessoas 
demasiado 
sensveis. 
Por 
a 
seu 
crudeza, 
um 
crtico 
disse 
que 
seu 
estilo 
tinha 
.... 
corao. 
Pierce 
possui 
uma 
extraordinria 
percepo 
da 
experiencia 
humana. 
Chega 
at 
a 
medula 
para 
mostrar 
a 
alma. 
Alex 
mostrava-se 
ctico 
pelos 
elogios. 
Temia 
que 
esses 
trs 
primeiros 
livros 
fossem 
uma 
onda 
de 
boa 
sorte. 
Questionava 
seu 
talento 
diriamente. 
No 
era 
to 
bom 
como 
queria 
ser 
e 
tinha 
chegado 
 
triste 
concluso 
de 
que 
ser 
um 
bom 
escritor 
e 
ter 
sucesso 
eram 
duas 
coisas 
incompatveis. 
Por 
a 
estas 
dvidas, 
seu 
crculo 
de 
leitores 
ia-se 
ampliando. 
O 
editor 
considerava-o 
um 
novo 
talento, 
mas 
ele 
no 
deixava 
que 
os 
elogios 
se 
lhe 
subissem 
 
cabea. 
Desconfiava 
da 
fama. 
Sua 
experincia 
anterior 
como 
centro 
de 
ateno 
dos 
meios 
de 
comunicao 
tinha 
sido 
a 
poca 
mais 
turbulenta 
de 
sua 
vida. 
Por 
muito 
que 
quisesse 
triunfar 
como 
novelista, 
estava 
contente 
de 
viver 
agora 
no 
anonimato. 
J 
tinha 
sido 
mais 
famoso 
do 
que 
tivesse 
querido. 
Subiu 
ao 
esportivo 
e 
em 
matria 
de 
minutos 
entrava 
na 
estrada, 
uma 
das 
mais 
temidas 
pelos 
motoristas 
pouco 
experincia. 
Deixou 
as 
janelas 
abertas, 
escutando 
o 
rudo 
do 
trfico, 
flutuando 
o 
vento 
no 
cabelo, 
inclusive 
desfrutando 
do 
cheiro 
persistente 
dos 
tubos 
de 
escape. 
Deleitava-se 
com 
as 
sensaes 
mais 
simples. 
Assombrava-lhe 
descobrir 
o 
estimulante 
que 
era 
o 
mundo 
agora 
que 
no 
tem 
os 
sentidos 
atrapalhados 
pelo 
lcool. 
Deixou 
a 
bebida 
ao 
ingressar 
em 
um 
hospital 
para 
alcolicos. 
Aps 
passar 
um 
verdadeiro 
inferno, 
saiu 
plido, 
squeltico 
e 
com 
tremores; 
mas 
sobrio. 
E 
no 
tinha 
provado 
uma 
gota 
desde 
fazia 
dois 
anos. 
No 
se 
importava 
com 
o 
tipo 
de 
presses 
que 
tivesse 
que 
suportar 
no 
futuro: 
estava 
decidido 
a 
no 
voltar 
a 
cair 
nesse 
poo. 
As 
perdas 
de 
conhecimento 
tinham-no 
desiludido 
para 
o 
resto 
de 
sua 
vida. 
Chegou 
ao 
apartamento, 
mas 
no 
era 
como 
voltar 
a 
casa. 
As 
espartanas 
habitaes 
estavam 
cheias 
de 
caixas 
de 
viagem. 
Sua 
investigao 
obrigava-o 
a 
viajar 
com 
freqncia 
e 
a 
ter 
que 
alojar-se 
em 
lugares 
muito 
diversos. 
No 
fazia 
sentido 
viver 
lugar 
fixo. 
De 
fato, 
j 
tinha 
realizado 


#
gerenciamentos 
para 
umem 
troca. 
Abriu-se 
passo 
entre 
as 
caixas, 
caminho 
do 
dormitrio 
que 
servia 
tambm 
como 
escritrio. 
Era 
a 
nica 
dependncia 
que 
parecia 
habitada. 
Uma 
cama 
sem 
fazer 
ao 
lado 
e 
uma 
mesa 
de 
trabalho 
ocupavam 
a 
maior 
parte 
do 
espao. 
E 
tinha 
papel 
por 
toda 
partes. 
Montes 
de 
matria1 
impresso 
acumulavam-se 
no 
cho 
e 
nas 
paredes, 
como 
uma 
improvisada 
e 
catica 
biblioteca 
que 
era 
o 
macabro 
recordao 
de 
sua 
data 
limite. 
Olhou 
o 
calendrio 
da 
parede. 
Maio. 
O 
tempo 
passava 
rpido, 
demasiado 
rpido. 
E 
tinha 
muito 
que 
fazer. 



Captulo 
catorze 


At 
quando 
teremos 
que 
esperar 
para 
fazer 
uma 
reportagem 
deste 
menino 
e 
conseguir 
um 
lar 
estvel? 
Cat, 
exasperada, 
repassava 
o 
expediente. 
Aos 
quatro 
anos, 
Danny 
j 
tinha 
recebido 
mais 
surras 
que 
a 
maioria 
de 
gente 
em 
toda 
sua 
vida. 
Lia 
os 
relatrios 
em 
voz 
alta: 
O 
amigo 
de 
sua 
me 
o 
surra 
com 
freqncia, 
assim 
que 
retirarmos 
a 
cstodia 
de 
sua 
me 
e 
proporcionaremos 
um 
lar 
acolhedor 
onde 
esto 
vrios 
meninos. 
Levantou 
a 
vista 
e 
continuou 
falando 
com 
Sherry 
Parks, 
uma 
especialista 
em 
proteo 
da 
infncia 
do 
Departamento 
de 
Servios 
Humanitrios 
de 
Texas. 
Graas 
a 
Deus, 
o 
amigo 
j 
no 
lhe 
bate, 
mas 
Danny 
precisa 
ateno 
personalizada. 
Precisa 
que 
o 
adotem, 
Sherry. 
Sua 
me 
quer 
se 
livrar 
dele. 
Pois 
qual 
 
o 
problema? 
Faamos 
uma 
reportagem, 
a 
ver 
se 
conseguimos 
que 
algumas 
famlias 
se 
interessem 
por 
sua 
adoo. 
O 
problema 
 
o 
juiz, 
Cat. 
Se 
quizer 
volto 
a 
apresentar 
o 
caso 
de 
Danny, 
mas 
no 
acho 
que 
sua 
deciso 
seja 
diferente 
agora. 
A 
assistente 
social 
de 
Danny 
insiste 
em 
afirmar 
que 
a 
criana 
deve 
estar 
em 
um 
orfanato. 
At 
agora, 
o 
juiz 
decidiu 
a 
seu 
favor. 
Desde 
o 
comeo 
do 
programa, 
Sherry 
Parks, 
uma 
mulher 
de 
meia 
idade 
e 
sentimentos 
maternais, 
tinha 
sido 
o 
elo 
de 
Cat 
com 
a 
agncia 
governamental. 
Ela 
se 
desdobrava 
para 
tirar 
os 
meninos 
maltratados 
ou 
com 
problemas 
especiais 
do 
sistema 
de 
orfanato 
e, 
aspirava 
a 
encontrar-lhes 
pais 
adotivos. 
No 
era 
empresa 
fcil. 
Tinha 
interminveis 
trmites 
burocrticos 
e, 
com 
freqncia, 
topava 
com 
os 
assistentes 
sociais 
dos 
meninos 
maltratados 
e 
com 
juzes 
que, 
como 
qualquer 
outra 
pessoa 
tinham 
preconceitos 
e 
opinies 
que 
influam 
em 
sua 
deciso. 
O 
menino, 
antes 
vtima 
em 
sua 
casa, 
convertiase 
muitas 
vezes 
em 
vtima 
do 
inoperante 
sistema. 
Cat 
disse: 
Estou 
segura 
de 
que 
a 
assistente 
trabalha 
com 
boa 
f, 
mas 
acho 
que 
Danny 
precisa 
um 
lar 


#
estvel. 
Falta 
a 
ele 
segurana 
e 
pais 
que 
sinta 
como 
seus. 
A 
assistente 
faz 
questo 
de 
que 
ainda 
precisa 
ajuda 
psicolgica 
antes 
de 
estar 
preparado 
para 
a 
adoo 
 contou 
Sherry 
Parks 
atuando 
como 
advogado 
do 
diabo-. 
Esteve 
abandonado 
desde 
o 
dia 
em 
que 
saiu 
da 
maternidade. 
Tem 
que 
aprender 
a 
viver 
dentro 
de 
uma 
estrutura 
familiar. 
Recomend-lo 
para 
adoo 
seria 
prematuro 
e 
destinado 
ao 
fracasso, 
segundo 
diz. 
Queremos 
inseri-lo 
dentro 
do 
sistema 
demasiado 
rpido 
As 
sobrancelhas 
rolias 
de 
Cat 
franziram-se. 
Enquanto, 
a 
mensagem 
que 
chega 
 
bem 
clara: 
ningum 
te 
quer. 
Esta 
no 
orfanato 
at 
que 
demonstres 
apto 
para 
ser 
adotado. 
No 
se 
do 
conta 
da 
responsabilidade 
que 
recae 
nos 
ombros 
de
Danny? 
A 
sensao 
de 
fracasso 
e 
impotencia 
so 
cada 
vez 
mais 
fortes. 
 
um 
crculo 
vicioso 
do 
que 
no 
pode 
escapar. 
Com 
franqueza, 
Cat: 
o 
menino 
 
um 
pesadelo. 
Morde 
a 
torto 
e 
a 
direito, 
faz 
birras 
diariamente, 
destroa 
todo 
o 
que 
cai 
em 
suas 
mos. 
Cat 
jogou 
a 
cabea 
para 
trs 
e 
levantou 
as 
mos 
em 
sinal 
de 
rendio. 
Sei-o, 
sei-o, 
tenho 
lido 
o 
relatrio. 
Mas 
o 
mau 
comportamento 
 
sintomtico, 
uma 
tentativa 
de 
chamar 
a 
ateno. 
Lembrana 
alguns 
dos 
truques 
que 
eu 
utilizava 
s 
para 
demonstrar 
o 
quanto 
indesejvel 
e 
rebelde 
que 
era. 
Aps 
boas 
perspectivas 
que, 
ao 
final, 
eram 
rejeies. 
Sei 
de 
onde 
vem, 
e 
ser 
um 
menino 
insuportvel 
at 
que 
algum 
se 
sente 
com 
ele 
e 
lhe 
diga: 
No 
me 
importo 
tuas 
birras 
Danny, 
te 
quererei 
de 
todas 
formas. 
Nada 
pode 
evitar 
que 
te 
queira. 
Nada. 
E 
tambm 
no 
te 
baterei 
nem 
te 
deixarei. 
Pertencemos-nos 
o 
um 
ao 
outro. 
E 
esse 
algum 
tem 
que 
o 
abraar 
at 
que 
a 
mensagem 
atravesse 
a 
droga 
que 
tem 
armazenado 
em 
seu 
corao 
e 
em 
sua 
cabea 
at 
lhe 
fazer 
social 
e 
emocionalmente 
um 
desajustado. 
Jeff 
Doyle 
aplaudiu. 
Tem 
sido 
um 
discurso 
comovedor, 
Cat. 
Deveramos 
aproveit-lo 
para 
publicidade. 
Sorriu 
ao 
jovem 
que 
fazia 
parte 
da 
equipe. 
No 
pouco 
tempo 
que 
levavam 
trabalhando 
juntos, 
se 
tinha 
convertido 
em 
um 
colaborador 
imprescindvel. 
Nenhum 
trabalho 
era-lhe 
grande, 
mas 
tambm 
no 
se 
importava 
realizar 
tarefas 
menores. 
Era 
to 
importante 
para 
o 
sucesso 
do 
programa 
que, 
ultimamente, 
Cat 
tinha 
pedido 
que 
assistisse 
s 
reunies 
com 
ela 
e 
Sherry. 
Tinha 
tomado 
interesse 
no 
s 
pela 
qualidade 
das 
reportagens, 
seno 
tambm 
pelo 
bem-estar 
dos 
meninos 
que 
intervinham. 
-Obrigado, 
Jeff 
 
disse. 
Mas 
no 
estava 
fazendo 
propaganda. 
Falava 
srio. 
Ento 
se 
dirigiu 
a 
Sherry. 
-No 
te 
importas 
voltar 
a 
apresentar 
ao 
juiz 
o 
caso 
de 
Danny? 
No 
me 
importo, 
mas 
vejo-o 
negro. 
De 
todas 
as 
formas, 
o 
farei. 
Apanhou 
o 
expediente 
e 
p-lo 
dentro 
da 
maleta. 
J 
te 
comunicarei 
no 
dia 
e 
hora 
da 
vista. 
Cat 
assentiu. 
Se 
eu 
no 
estiver, 
deixa 
o 
recado 
com 
Jeff 
ou 
Melia. 
Ser 
melhor 
que 
o 
deixe 
comigo 
 
interveio 
Jeff. 
Ou 
pode 
ser 
que 
Cat 
no 
o 
receba. 
Sherry 
olhou 
a 
ambos, 
mas 
Cat 
fez 
caso 
omisso. 
Jeff 
tinha 
mordido 
a 
lngua: 
j 
disse 
a 
voc 
em 
partucular. 
Roupa 
suja 
se 
lava 
em 
casa. 


#
Sherry 
recolheu 
suas 
coisas. 
Suponho 
que 
isto 
 
tudo 
por 
agora. 
Manteremos 
contato. 
Na 
porta, 
deteve-se 
para 
acrescentar: 
De 
verdade, 
a 
reportagem 
de 
ontem 
 
noite 
esteve 
muito 
bem. 
Obrigado 
em 
nome 
de 
toda 
a 
equipe. 
A 
cmera 
de 
vdeo 
Conseguiu 
estupendas 
imagens 
de 
Sally. 
A 
pequena, 
de 
cinco 
anos, 
tinha 
dificuldades 
de 
dico 
como 
resultado 
de 
maus 
tratos 
fsicos. 
A 
incapacidade, 
igual 
ao 
seu 
retraimento, 
podia 
se 
solucionar 
com 
amor 
e 
ateno. 
Claro 
que 
seus 
olhos 
diziam 
tudo. 
S 
tivemos 
que 
fazer 
primeiros 
planos. 
Seus 
olhos 
j
explicavam 
sua 
histria, 
de 
maneira 
que 
a 
Voz 
em 
off 
quase 
estava 
a 
mais. 
 
uma 
criatura 
com 
vontades 
de 
dar 
amor 
Espero 
que 
esta 
manh 
o 
quadro 
de 
seu 
escritrio 
tenha 
sido 
bloqueado. 
Eu 
tambm 
 
contou 
Sherry. 
Seguro 
que 
no 
te 
importa 
em 
me 
fazer 
esse 
favor? 
-Me 
ofereci 
como 
voluntria. 
Aps 
marcar 
uma 
entrevista 
com 
um 
casal 
que 
tinha 
solicitado 
uma 
adoo, 
Sherry 
se 
deu 
conta 
que 
tinha 
um 
erro 
em 
sua 
agenda. 
Cat 
tinha-a 
convencido 
a 
deix-la 
ocupar 
seu 
lugar. 
Pois 
obrigado 
de 
novo 
Te 
chamarei 
esta 
tarde 
para 
saber 
como 
foi. 
Sherry 
saiu 
e 
Jeff 
voltou 
a 
encher 
a 
caneca 
de 
caf 
de 
Cat. 
Que 
temos 
hoje? 
Faz 
favor, 
v 
ver 
se 
Melia 
j 
chegou. 
E, 
de 
agora 
em 
diante, 
guarde 
a 
sua 
opinio, 
sobre 
ela 
ou 
sobre 
qualquer 
pessoa 
da 
WWSA, 
diante 
de 
estranhos. 
De 
acordo? 
Sinto-o, 
sei 
que 
tinha 
que 
me 
ter 
calar, 
mas 
foi 
inconsciente. 
Alm 
do 
mais 
 
verdadeiro. 
H 
muitas 
possibilidades 
de 
que 
qualquer 
recado 
que 
deixem 
com 
Melia 
se 
perca 
antes 
de 
chegar 
a 
teu 
escritrio. 
Esse 
 
meu 
problema, 
no 
o 
teu. 
Mas... 
 
meu 
problema. 
E 
j 
o 
solucionarei. 
De 
acordo? 
De 
acordo. 
Saiu 
e 
voltou, 
segundos 
depois 
com 
Melia 
King. 
No 
se 
diferenciavam 
apenas 
no 
sexo. 
Jeff 
era 
loiro, 
de 
olhos 
azuis 
e 
vestia-se 
como 
os 
universitrios 
imaculados. 
Melia 
tinha 
as 
plpebras 
pesadas, 
olhos 
negros 
que 
acentuava 
com 
sombreado 
escuro 
e 
lbios 
carnudos 
e 
sensuais. 
Sentia 
preDigalheo 
pelas 
cores 
chamativas, 
que 
destacavam 
sua 
cor 
de 
pele 
morena 
e 
seu 
cabelo 
moreno. 
Bons 
dias, 
Melia. 
Ol. 
Esta 
manh 
levava 
um 
cingido 
vestido 
de 
ponto 
de 
cor 
vermelha 
ignio. 
Sentou-se 
e 
cruzou 
as 
pernas 
longas 
e 
torneadas. 
Seu 
sorriso 
era 
desdenhoso, 
arrogante, 
afetado, 
e 
Cat 
no 
a 
suportava. 
Seu 
ressentimento 
tinha-se 
convertido 
em 
uma 
fonte 
de 
mal-estar 
no 
escritrio. 
Por 
desgraa, 
as 
ms 
vibraes 
no 
eram 
motivo 
de 
demisso; 
caso 
contrrio, 
Cat 
j 
a 
teria 
demitido. 
Por 
outra 
parte, 
tambm 
no 
podia 
tomar 
essa 
deciso 
por 
sua 
conta. 
Bill 
Webster 
tinha 
selecionado 
 
equipe 
antes 
de 
sua 
chegada 
e 
os 
candidatos 
tinham 
sido 
apresentados 
para 
que 
desse 
seu 
visto 
bom. 
Jeff 
Doyle 
tinha 
solicitado 
passar 
a 
ser 
realizador 
de 
noticirios, 
mas 
ofereceu-se 
a 
oportunidade 
de 
trabalhar 
no 
programa 
de 
Cat 
e 
pareceu 
um 
posto 
de 
maior 
creatividadade. 


#
Melia 
King 
j 
estava 
na 
equipe 
de 
redao 
e 
tambm 
tinha 
expressado 
vontade 
de 
ter 
mais 
variedade, 
mais 
responsabilidade 
e 
mais 
dinheiro. 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
lhe 
caram 
como 
uma 
luva. 
Cat 
pensou 
que 
teria 
sido 
uma 
grosera 
deixar 
de 
lado 
o 
pessoal 
eleito 
por 
Bill, 
ainda 
que 
tivesse 
notado 
a 
antipata 
de 
Melia 
no 
mesmo 
momento 
em 
que 
apertaram 
a 
mo. 
No 
tinha 
outra 
explicao 
da 
hostilidade 
da 
jovem, 
imaginou 
que 
Melia 
estivesse 
nervosa 
ao 
conhecer 
a 
sua 
chefa 
e 
que 
cedo 
romperia 
o 
gelo. 
No 
entanto, 
seis 
meses 
aps 
trabalharem 
juntas, 
sua 
relao 
era 
ainda 
glacial. 
Melia 
nunca 
chegava 
tarde, 
por 
enquanto 
cometia 
pequenos 
erros 
e 
alguma 
que 
outra 
negligencia. 
Sempre 
se 
desculpava 
com 
alguma 
desculpa. 
Em 
poucas 
palavras: 
cobria 
as 
costas. 
Que 
tenho 
para 
hoje? 
perguntou-lhe 
Cat. 
Melia 
abriu 
com 
displicencia 
a 
agenda. 
-Entrevista 
com 
o 
senhor 
e 
a 
senhora 
Walters 
por 
conta 
da 
senhorita 
Parks. 
A 
que 
hora? 
perguntou 
Cat 
olhando 
o 
relgio 
de 
pulso.
s 
onze. 
Deixou 
o 
expediente 
em 
cima 
de 
minha 
mesa. 
O 
recolherei 
quando 
sair. 
Vivem 
em 
uma 
zona 
rural 
perto 
de 
Kerrville. 
Sabe 
por 
onde 
vai? 
No. 
Melia 
olhou-a 
como 
se 
a 
ignorncia 
de 
Cat 
da 
geografia 
de 
Texas 
fosse 
o 
cmulo 
da 
estupidez. 
-Terei 
que 
lhe 
fazer 
um 
mapa. 
Me 
seria 
de 
grande 
ajuda. 
Algo 
mais? 
Sesso 
de 
montagem 
s 
trs. 
Estarei 
de 
volta 
muito 
antes. 
E 
o 
senhor 
Webster 
quer 
v-la 
a 
qualquer 
hora, 
quando 
estiver 
bem 
para 
voc. 
Chama-lhe 
e 
pergunta 
se 
posso 
ir 
agora. 
Sem 
dizer 
uma 
palavra, 
Melia 
levantou-se 
e 
caminhou 
para 
a 
porta 
com 
andares 
felinos. 
Era 
evidente 
que 
a 
Jeff 
no 
impressionava, 
j 
que 
fez 
uma 
careta 
de 
desagrado. 
Cat 
simulou 
que 
no 
se 
tinha 
dado 
conta. 
No 
gostava 
dos 
Comentrios 
maledicientes 
entre 
colegas 
de 
trabalho 
nem 
queria 
tomar 
partido 
por 
um 
ou 
outro. 
Temos 
confirmao 
de 
onde 
filmaremos 
a 
reportagem 
de 
Tony? 
Sempre 
chamava 
aos 
meninos 
pelo 
nome 
de 
pilha, 
recordando 
quanto 
odiava 
que 
se 
referissem 
a 
ela 
como 
a 
menina, 
Como 
se 
por 
estar 
sob 
a 
tutela 
do 
Estado 
no 
fosse 
uma 
pessoa. 
-Que 
te 
parece 
Brackenridge 
Park? 
sugeriu 
Jeff. 
Poderiamos 
tomar 
imagens 
de 
Tony 
montado 
no 
trem 
em 
miniatura. 
Ficaria 
simptico 


-Tony 
desfrutaria. 
A 
que 
menino 
de 
seis 
anos 
no 
gosta 
de 
trens? 
Melia 
colocou 
a 
cabea 
pela 
porta. 
-O 
senhor 
Webster 
diz 
que 
pode 
ir. 
E 
voltou 
a 
desaparecer. 
Cat 
levantou-se 
da 
mesa 
e 
disse 
a 
Jeff: 
Enquanto 
estou 
fora, 
v 
ao 
parque 
e 
faz 
os 
gerenciamentos 
precisos. 
Diga 
ao 
encarregado 
que 


#
gostaramos 
de 
filmar 
na 
quarta-feira 
pela 
manh 
e 
que 
te 
confirme 
que 
o 
trem 
funcionara 
a 
que 
horas. 
E 
ligue 
ao 
escritrio 
de 
Sherry 
para 
dizer-lhes 
a 
que 
horas 
tm 
que 
levar 
ao 
Tony. 
E 
pede 
a 
produo 
uma 
equipe 
de 
video. 
Jeff 
tomava 
notas 
com 
rapidez. 
A1go 
mais? 
Sim, 
anima-te. 
A 
vida 
 
demasiado 
curta 
para 
lev-la 
to 
a 
srio. 
Ele 
levantou 
a 
cabea 
do 
bloco 
e 
a 
olhou 
desconcertado... 
Cr-me: 
eu 
o 
sei. 


O 
escritrio 
de 
Cat 
comunicava-se 
com 
a 
redao 
atravs 
de 
um 
corredor. 
Bill 
Webster 
tinha-lhe 
oferecido 
um 
escritrio 
maior 
e 
melhor 
situado 
na 
planta 
de 
executivos, 
mas 
ela 
o 
tinha 
recusado. 
Seu 
programa 
pertencia 
 
rea 
de 
noticirios. 
Parecia-lhe 
importante 
que 
sua 
equipe 
estivesse 
integrada 
com 
as 
cmeras 
de 
vdeo, 
os 
montadores 
e 
o 
pessoal 
dos 
estdios. 
Tinha-lhe 
dito 
a 
Webster: 
Dependo 
deles 
para 
ficar 
bem 
em 
tela 
e 
no 
me 
derei 
ao 
luxo 
de 
sua 
inimizade. 
Teve 
certa 
preveno 
contra 
ela 
por 
parte 
do 
pessoal 
de 
redao. 
Cat 
Delaney 
no 
tinha 
ganhado 
o 
posto 
a 
pulso 
como 
eles. 
Era 
atriz 
e 
no 
jornalista. 
Cat 
admitia 
no 
ter 
conhecimentos 
jornalsticos 
e 
sabia 
que 
seria 
mal 
recebida 
no 
departamento. 
Sem 
dvida 
esperavam 
que 
os 
olhasse 
acima 
do 
ombro, 
j 
que 
vinha 
de 
Hollywood, 
e 
se 
comportasse 
como 
a 
sabe-tudo 
mandona. 
Contudo, 
pedia 
sempre 
conselho. 
Por 
ter 
passado 
anos 
diante 
das 
cmeras, 
desconhecia 
todo 
o 
referente 
aos 
informativos. 
A 
fora 
de 
perguntar, 
de 
equivocar-se 
em 
palavras 
e 
gestos 
que 
requeriam 
repeties, 
e 
de 
caoar 
sobre 
sua 
torpeza, 
ia 
ganhando 
sua 
simpatia. 
A 
secretria 
do 
presidente 
recebeu-a 
com 
cordialidade. 
O 
senhor 
Webster 
est-a 
esperando, 
senhorita 
Delaney. 
Faa 
o 
favor 
de 
passar. 
No 
poderia 
estar 
mais 
contente 
por 
como 
vo 
as 
coisas 
-disse 
Bill 
quando 
Cat 
se 
sentou 
 
mesa 
lacada 
em 
negro 
que 
brilhava 
como 
um 
espelho. 
J 
o 
disseste 
muitas 
vezes. 
Se 
continuar 
com 
teus 
elogios, 
sou 
capaz 
de 
ruborizar-me. 
-No 
so 
elogios, 
tenho 
as 
cifras 
que 
o 
ratificam. 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
 
um 
sucesso 
esmagador. 
-No 
 
o 
que 
opina 
Truitt. 
Rum 
Truitt 
era 
um 
jornalista 
do 
San 
Antonio 
Light 
que 
criticava 
ao 
programa 
desde 
o 
princpio. 
-Esteve 
especialmente 
sarcstico 
em 
seu 
ltimo 
artigo. 
A 
ver, 
como 
o 
dizia? 
Estas 
reportagens 
so 
ingnuas 
e 
sensveis, 
no 
tm 
mais 
sentido 
em 
um 
teledirio 
que 
um 
intermedio 
musical. 
Esse 
tipo 
sabe 
como 
esmagar 
com 
uma 
frase, 
eh? 
Webster 
no 
se 
tomou 
a 
mal 
a 
crtica 
do 
jornalista. 
-Por 
desgraa, 
San 
Antonio 
 
conhecida 
nos 
crculos 
de 
televiso 
como 
o 
mercado 
sangrento. 
Como 
qualquer 
outra 
cidade, 
temos 
nossa 
rao 
de 
violncia. 
E 
os 
informativos, 
a 
tendncia 
sempre 
tem 
sido: 
quanto 
mais 
sangue, 
melhor. 
A 
poltica 
da 
WWSA 
no 
 
uma 
exceo. 
Temos 
tido 
que 
nos 
adaptar 
para 
seguir 
sendo 
competitivos. 
No 
gosto, 
mas 
assim 
so 
das 
coisas 
 
disse 
estendendo 
as 
mos, 
resignado-. 
Comparados 
com 
nossos 
titulares, 
que 
quase 
sempre 
se 
referem 
aos 
crimes 


#
violentos, 
tuas 
reportagens 
so 
como 
um 
sopro 
de 
ar 
fresco. 
Recordam 
aos 
telespectadores 
que 
ainda 
existe 
bondade 
no 
mundo. 
De 
modo 
que 
esquece 
das 
crticas 
de 
Truitt 
e 
considera-as 
como 
publicidade 
gratuita. 
Cat 
no 
compartilhava 
a 
falta 
de 
preocupao 
de 
Webster 
pelas 
crticas. 
Uma 
m 
crtica 
era 
uma 
m 
crtica. 
No 
lhe 
teria 
molestado 
tanto 
se 
censurase 
sua 
atuao, 
mas 
atacava 
a 
seu 
filho 
e, 
como 
uma 
loba, 
defendia 
a 
suas 
crias. 
Se 
querem 
ver 
violncia 
e 
crueldade 
deveamos 
ensin-lo 
as 
situaes 
que 
tm 
vivido 
estes 
meninos 
 
contou 
com 
amargura. 
Motivo 
a 
mais 
para 
que 
no 
te 
importes 
com 
as 
crticas. 
Diga 
a 
Truitt 
que 
sua 
opinio 
te 
traz 
sem 
cuidado. 
Tentei-o, 
mas 
esse 
covarde 
no 
se 
atende 
ao 
telefone 
 
encolheu 
de 
ombros 
-Suponho 
que 
 
melhor; 
no 
gostara 
de 
dar 
a 
satisfao 
de 
saber 
que 
seus 
artigos 
tendenciosos 
me 
Preocupam. 
Webster 
perguntou-lhe 
se 
queria 
tomar 
algo, 
mas 
ela 
declinou 
o 
convite 
dizendo 
que 
tinha 
uma 
entrevista 
com 
uns 
possveis 
pais 
adotivos. 
Isso 
no 
encaixa 
dentro 
de 
tuas 
responsabilidades. 
No, 
mas 
Sherry 
se 
tinha 
comprometido 
e 
surgiu 
um 
imprevisto. 
Em 
vez 
de 
anular 
entrevista, 
ofereci-me 
a 
ir. 
Alm 
do 
mais, 
parece 
que 
h 
boas 
perspectivas 
A 
verdade, 
Bill, 
gostaria 
de 
conhecer 
pessoalmente 
a 
todos 
os 
solicitantes, 
j 
que 
me 
daria 
a 
oportunidade 
de 
explicar 
com 
exatido 
com 
o 
que 
vo 
a 
encontrar. 
O 
posso 
dar 
desde 
uma 
perspectiva 
especial. 
A 
de 
algum 
que 
tem 
passou 
por 
orfanato. 
Exato. 
Ainda 
que 
tenham 
que 
fazer 
o 
cursinho 
de 
Paternidade 
Positiva, 
dois 
meses 
e 
meio 
de 
formao 
no 
preparam 
para 
os 
problemas 
que 
se 
apresentam 
ao 
relacionar 
com 
um 
menino 
especial. 
Tambm 
teriam 
ocasio 
de 
comprovar 
que 
tanto 
o 
programa 
como 
eu 
sou 
srio. 
J 
trabalhas 
o 
suficiente. 
Encanta-me 
estar 
ocupada. 
E 
 
uma 
fantica 
do 
controle. 
Queres 
supervisionar 
Culpado 
 
contou 
com 
um 
sorriso. 
Deverias 
cuidar-te. 
O 
conselho 
irritou-a. 
No 
suportava 
um 
tratamento 
deferente 
pelo 
transplante. 
No 
me 
venhas 
com 
essas, 
Bill. 
Cat, 
digo-lhes 
o 
mesmo 
a 
todas 
as 
pessoas 
com 
responsabilidade. 
Que 
no 
trabalhem 
at 
o 
ponto 
de 
jogar 
com 
a 
sua 
sade. 
Eles 
no 
tm 
um 
corao 
transplantado, 
acho 
que 
 
um 
bom 
conselho 
para 
todo 
mundo. 
Admito-o. 
Entende-se 
bem 
com 
teus 
colaboradores? 
Ao 
ver 
que 
ela 
vacilava, 
Webster 
levantou 
as 
sobrancelhas. 
Algum 
problema? 
Sempre 
que 
se 
trabalha 
em 
equipe 
 
provvel 
que 
tenha 
algum 
problema 
c 
ontestou 
com 
diplomacia. 
Webster 
se 
reclinou 
na 
cadeira. 
A 
controvrsia 
pode 
conduzir 
com 
freqncia 
a 
um 
intercmbio 
de 
idia 
muito 
beneficioso. 
Pensava 
que 
tua 
equipe 
estava 
bem 
eleita. 


#
Optou 
por 
abordar 
seus 
problemas 
com 
Melia 
dando 
um 
rodeio. 
Jeff 
 
um 
trabalhador 
incansvel 
e 
muito 
eficiente. 
Mas 
s 
vezes 
se 
sobreexcita. 
 
homossexual? 
 
que 
isso 
importa?
Em 
absoluto; 
simples 
curiosidade. 
 
o 
rumor 
que 
corre. 
Tanto 
faz; 
pessoalmente, 
penso 
que 
encaixa 
mais 
em 
teu 
programa 
que 
no 
esquema 
rgido 
de 
noticirios. 
Tudo 
bom 
com 
Melia? 
Tem 
suas 
mudanas 
de 
humor. 
Como 
todos, 
no? 
Desde 
depois. 
Mas 
s 
vezes 
suas 
mudanas 
de 
humor 
e 
esto 
a 
ponto 
de 
chocar. 
No 
quis 
insinuar 
que 
toda 
a 
culpa 
era 
de 
Melia. 
Talvez 
o 
era. 
A 
antipata 
era 
mtua, 
ainda 
que 
Cat 
tinha 
feito 
o 
possvel 
para 
conceder-lhe 
o 
benefcio 
da 
dvida. 
Tinha 
mais 
pacincia 
com 
ela 
da 
que 
merecia. 
Webster 
no 
recolheu 
a 
indireta. 
-Tal 
e 
como 
disse, 
sempre 
que 
h 
que 
trabalhar 
com 
outras 
pessoas 
o 
mais 
provvel 
 
que 
tenha 
controvrsias. 
-Bil 
tinha-se 
preocupado 
de 
que 
suem 
troca 
 
WWSA 
fosse 
fcil 
e 
agradvel. 
No 
queria 
parecer 
uma 
quejica, 
por 
isso 
guardou 
suas 
queixas. 
-Estou 
convencida 
de 
que, 
com 
o 
tempo, 
tudo 
se 
acertar. 
-Isso 
creio 
eu, 
algo 
mais? 
Olhou 
o 
relgio 
e 
viu 
que 
ainda 
dispunha 
de 
uns 
minutos. 
Gostaria 
que 
pensasses 
em 
de 
a 
possibilidade 
de 
uma 
arrecadao 
de 
fundos. 
-Arrecadao 
de 
fundos? 
Para 
os 
meninos, 
os 
que 
esto 
em 
orfanato 
e 
os 
j 
adotados. 
Aos 
pais, 
o 
Estado 
paga-lhes 
duzentos 
dlares 
mensais 
por 
menino. 
A 
Segurana 
Social 
faz-se 
cargo 
da 
ateno 
mdica. 
Mas 
isso 
no 
o 
cobre 
tudo. 
No 
seria 
boa 
publicidade 
para 
a 
emissora, 
e 
tambm 
beneficioso 
para 
os 
meninos, 
se 
a 
WWSA 
patrocinasse 
um 
concerto, 
ou 
um 
torneio 
de 
golf, 
ou 
algo 
parecido, 
a 
fim 
de 
arrecadar 
fundos 
para 
os 
extras? 
Extras 
como 
a 
ortodontia, 
culos 
e 
acampamentos 
de 
vero?
 
uma 
grande 
idia. 
Faz 
o 
que 
te 
parea. 
Obrigado, 
mas 
preciso 
ajuda. 
Ainda 
sou 
uma 
recm 
chegada 
e 
no 
conheo 
a 
muita 
gente. 
Acha 
que 
Nancy 
gostaria 
de 
me 
ajudar? 
Estar 
encantada. 
Nada 
gosta 
mais 
que 
das 
obras 
de 
bneficencia. 
Estupendo. 
A 
chamarei 
 se 
levantou. 
Tenho 
que 
ir. 
Ele 
a 
acompanhou 
at 
a 
porta. 
Est 
fazendo 
um 
bom 
trabalho, 
Cat; 
 
uma 
sorte 
que 
esteja 
aqui. 
Deste 
 
emissora 
credibilidade, 
carisma 
e 
classe. 
Tem 
sido 
igualmente 
proveitoso 
para 
ti? 
No 
te 
arrependes 
de 
ter 
deixado
Califrnia? 
s 
feliz? 
-Arrepender-me? 
Nem 
o 
um 
pouco. 
Adoro 
aos 
meninos, 
estou 
fazendo 
algo 
que 
vale 
a 
pena 
e 
me 
sinto 
recompensada. 
Bill 
esperou 
mas, 
quando 
ela 
no 
disse 
nada 
mais, 
sondou: 
Isso 
s 
responde 
uma 
parte 
de 
minha 
pergunta. 
-Se 
sou 
feliz? 
Desde 
depois, 
por 
que 
no 
teria 
do 
ser? 


#
E 
o 
doutor 
Spicer? 
Cat 
se 
dava 
bem 
com 
os 
colegas 
de 
trabalho, 
mas 
no 
tinha 
tido 
tempo 
de 
cultivar 
amizades. 
Alm 
do 
mais, 
tinha 
como 
norma 
no 
misturar 
o 
trabalho 
e 
os 
assuntos 
pessoais. 
As 
longas 
e 
apertadas 
jornadas 
trabalhistas 
no 
deixavam 
muito 
tempo 
para 
relacionar 
com 
outras 
pessoas. 
Portanto 
Dean 
seguia 
sendo 
seu 
melhor 
amigo; 
assim 
disse 
a 
Bill. 
Telefonamos-nos 
muita 
com 
freqncia. 
Isso 
preocupou 
a 
Bill. 
Existe 
a 
possibilidade 
de 
que 
possa 
te 
convencer 
para 
que 
volte 
a 
Califrnia? 
Nenhuma. 
Tenho 
muito 
que 
fazer 
aqui 
 olhou 
o 
relgio 
de 
pulsera 
 
Para 
comear, 
uma 
entrevista 
s 
onze. 



Captulo 
quinze 


Tocou 
a 
campainha 
do 
rancho. 
Atravs 
da 
teia 
metlica 
da 
porta 
principal, 
Cat 
viu 
um 
amplo 
vestbulo 
que 
chegava 
at 
a 
parte 
posterior 
da 
casa. 
Vrias 
habitaes 
comunicavam 
com 
este 
repartidor 
central, 
mas 
desde 
onde 
olhava 
no 
via 
ningum. 
Por 
ali 
perto 
latiu 
um 
co; 
grande, 
sups 
a 
julgar 
pelos 
fortes 
latidos. 
Por 
sorte, 
parecia 
mais 
curioso 
que 
feroz. 
Voltou 
a 
chamar 
e 
olhou 
a 
suas 
costas. 
A 
casa 
estava 
situada 
por 
trs 
de 
uma 
colina 
que 
a 
ocultava 
a 
estrada 
governamental. 
Uma 
cerca 
marcava 
os 
limites 
da 
propriedade 
e 
dividia-a 
em 
diversos 
pastos, 
onde 
pastavam 
cavalos 
e 
gado 
de 
corte. 
O 
edifcio, 
de 
uma 
s 
planta, 
estava 
construdo 
com 
pedra 
calcria. 
Uma 
grade 
de 
madeira 
coberta 
de 
frondosas 
dlicinias 
dava 
sombra 
ao 
terrao 
e 
nos 
tetos 
cresciam 
geranios 
vermelhos. 
Tudo 
tinha 
um 
aspecto 
bem 
cuidado, 
includo 
o 
dourado 
perdiguero 
que 
se 
assomou 
por 
uma 
esquina 
e 
subiu 
os 
degraus 
de 
pedra. 
Ol, 
cachorrinho. 
O 
animal 
inalou 
a 
mo 
que 
ela 
oferecia 
e 
depois 
deu 
uma 
lambida 
amistosa.
 
o 
nico 
que 
est 
em 
casa? 
Pensava 
que 
me 
estavam 
esperando 
Bem, 
a 
Sherry. 
Voltou 
a 
chamar. 
Os 
Walters 
tm 
que 
estar 
em 
alguma 
parte 
da 
Casa, 
raciocinou 
Parecia 
pouco 
provvel 
que 
se 
tivessem 
ido 
sem 
fechar 
a 
Porta 
de 
madeira. 
Voltou 
a 
olhar 
atravs 
da 
teia 
metlica 
e 
gritou: 
-Ol! 
H 
algum? 
Da 
parte 
posterior 
da 
casa, 
uma 
porta 
abriu 
e 
um 
homem 
saiu 
ao 
vestbulo. 
Cat 
retrocedeu, 
envergonhada 
de 
ter 
sido 
surpreendida 
espiando 
pela 
janela. 


Era 
alto, 
delgado, 
e 
estava 
descalo. 
Levava 
barba 
de 
dois 
dias 
e, 
enquanto 
avanava 
para 
a 
porta, 
tentou 
levantar 
o 
zper 
do 
Levis, 
mas 
deixou-o 
aps 
um 
par 
de 
botes. 
Arrumou 
o 
cabelo 


#
desordenado, 
bocejou 
e 
coou 
o 
torso 
nu. 
Posso 
ajud-la 
em 
algo? 
Estudou-a 
atravs 
da 
janela. 
Cat 
estava 
perplexa. 
Se 
teria 
equivocado 
Melia 
ao 
desenhar 
o 
mapa? 
Ou 
Sherry 
tinha-se 
confundido 
de 
nmero 
de 
propriedade 
ou 
de 
hora? 
Era 
evidente 
que 
o 
senhor 
Walters 
no 
esperava 
a 
ningum. 
Saa 
diretamente 
da 
cama. 
Estaria 
sua 
esposa 
com 
ele? 
Teria 
interrompido 
algo? 
Ol, 
sou... 
Cat 
Delaney. 
Ficou 
olhando 
para 
ela 
durante 
uns 
momentos. 
A 
seguir 
abriu 
a 
porta 
de 
janela 
e 
observou-a 
inclusive 
com 
maior 
curiosidade. 
Ol. 
Seu 
nome 
costumava 
suscitar 
alguma 
reao. 
Quando 
os 
vendedores 
se 
davam 
conta 
da 
quem 
tinham 
devolvido 
o 
carto 
de 
crdito, 
ou 
ficavam 
mudos 
ou 
falavam 
demasiado. 
Os 
garons 
gaguejavam 
cordiais 
cumpridos 
enquanto 
acompanhavam-na 
 
melhor 
mesa. 
Sua 
presena 
em 
algum 
lugar 
pblico 
provocava 
sussurros. 
O 
senhor 
Walters 
nem 
sequer 
piscou. 
Ao 
que 
parece, 
seu 
nome 
no 
significava 
nada 
para 
ele. 
A 
senhorita 
Parks, 
Sherry 
Parks, 
no 
pode 
vir, 
e 
eu... 
Calado! 
gritou 
ele 
se 
dando 
uma 
palmada 
na 
coxa. 
Cat 
ficou 
boquiabierta, 
mas 
logo 
compreendeu 
que 
no 
dizia 
a 
ela. 
Falava 
ao 
co, 
que 
ainda 
seguia 
lambendo 
a 
mo 
com 
sua 
lngua 
longa 
e 
rosada. 
Senta-te, 
Bandit 
 
ordenou 
com 
dureza. 
Cat 
olhou 
ao 
co 
com 
simpatia 
quando 
o 
animal 
se 
retirou 
a 
um 
extremo 
da 
entrada 
e 
fez 
o 
que 
lhe 
tinham 
ordenado, 
apoiando 
a 
cabea 
sobre 
as 
patas 
traseiras, 
mas 
sem 
apartar 
seus 
olhos 
tristes 
dela. 
Ao 
voltar 
 
cabea 
advertiu 
que 
o 
homem 
levava 
aberta 
com 
o 
brao 
estendido 
e 
tenso, 
o 
qual 
permitia 
ver 
sua 
axila. 
Uma 
s 
gota 
de 
suor 
escorregava-lhe 
pela 
superfcie 
ondulada 
desde 
as 
costas 
at 
a 
cintura 
e 
perdia-se 
em 
um 
umbigo 
dentro 
do 
jeans 
a 
meio 
aberto. 
Ela 
engoliu 
saliva. 
Temo-me 
que 
h 
algum 
erro. 
Vou 
tomar 
caf. 
Entre. 
Deu 
a 
volta 
e 
desapareceu. 
Cat 
apoiou 
a 
mo 
na 
porta 
antes 
que 
se 
fechasse 
e 
vacilou 
pensando 
se 
era 
prudente 
entrar. 
O 
homem 
no 
parecia 
muito 
predisposto 
a 
atender 
visitas. 
Sua 
mulher 
ainda 
no 
tinha 
aparecido. 
Mas 
no 
era 
seu 
estilo 
retirar 
ante 
a 
adversidade. 
Tinha 
enpenhado 
uma 
hora 
de 
seu 
valioso 
tempo 
para 
chegar 
at 
ali. 
Se 
agora 
abandonasse, 
a 
viagem 
teria 
sido 
em 
vo. 
Alm 
do 
mais, 
tinha 
que 
fazer 
um 
relatrio 
completo 
para 
Sherry. 
Estava 
ofendida 
pela 
grosera 
do 
senhor 
Walters, 
mas, 
ao 
mesmo 
tempo, 
sentia 
curiosidade. 
Tinha 
lido 
a 
solicitao 
do 
casal 
e 
tinha 
gostado. 
Ambos 
tinham 
ttulos 
universitrios, 
quarenta 
e 
poucos 
anos, 
e, 
aps 
quinze 
de 
casamento, 
seguiam 
sem 
filhos. 
A 
senhora 
Walters 
estava 
disposta 
a 
abandonar 
seu 
emprego 
como 
bibliotecaria 
para 
se 
converter 
em 
me, 
com 
plena 
dedicao, 
de 
um 
menino 
especial. 
A 
perda 
de 
seu 
salrio 
no 
supunha 
nenhum 
problema 
j 
que 
o 
senhor 
Walters 
se 
ganhava 
muito 
bem 
a 
vida 
como 
proprietrio 
de 
uma 
empresa 


#
de 
cimento. 
Pareciam 
ideais 
para 
adotar 
a 
um 
dos 
meninos. 
Por 
que 
teriam 
tomado 
o 
tempo 
e 
a 
molstia 
de 
encher 
a 
solicitao 
e 
depois 
no 
tinham 
feito 
o 
mnimo 
esforo 
de 
se 
preparar 
para 
a 
primeira 
entrevista? 
A 
pergunta 
era 
demasiado 
intrigante 
como 
para 
deixar 
sem 
resposta. 
A 
curiosidade 
matou 
ao 
gato, 
recordou 
ao 
entrar. 
O 
ditado 
podia 
ser 
um 
bom 
titular 
se 
no 
saa 
com 
vida, 
pensou 
com 
ironia. 
A 
arcada 
pela 
que 
tinha 
desaparecido 
o 
homem 
se 
abria 
um 
grande 
salo 
e 
amplas 
janelas 
permitiam 
a 
entrada 
do 
sol 
e 
a 
contemplao 
da 
formosa 
paisagem 
campestre. 
Os 
mveis 
eram 
confortveis 
e 
acolhedores. 
Uma 
habitao 
preciosa, 
mas 
imperava 
a 
desordem. 
Uma 
camisa 
de 
homem 
pendurada 
num 
dos 
braos 
da 
cadeira, 
as 
botas 
de 
vaqueiro 
e 
um 
par 
de 
meias 
estavam 
atiradas 
no 
cho. 
A 
televiso 
estava 
em 
ligada, 
mas 
sem 
som, 
o 
qual 
o 
poupou 
de 
escutar 
os 
berros 
dos 
desenhos 
animados. 
Tinha 
jornais 
espalhados 
por 
todas 
as 
partes 
e 
um 
travesseiro 
jogado 
em 
um 
lado 
do 
sof 
ainda 
guardava 
a 
forma 
de 
uma 
cabea. 
Dois 
copos 
de 
limonada 
ocupavam 
uma 
esquina 
da 
mesinha, 
ao 
lado 
de 
um 
saco 
de 
batatas 
fritas 
amassado 
e 
o 
que 
pareciam 
os 
restos 
de 
um 
sanduche 
de 
mortadela. 
Cat 
ficou 
justo 
 
entrada 
do 
salo, 
desagradada 
pelo 
que 
via, 
no 
outro 
lado 
do 
balco 
que 
separava 
as 
duas 
habitaes 
estava 
a 
cozinha, 
onde 
o 
senhor 
Walters 
tirava 
copos 
de 
um 
armrio. 
Soprou 
para 
tirar-lhes 
o 
p. 
-No 
est 
a 
senhora 
Walters? 
perguntou 
Cat, 
duvidosa. 
No. 
Quando 
voltar? 
No 
o 
sei. 
Suponho 
que 
dentro 
de 
um 
par 
de 
dias. 
O 
caf 
j 
est. 
Programei 
a 
cafeteira 
para 
que 
se 
pusesse 
em 
comear 
s 
sete. 
Tem 
repousado 
umas 
quantas 
horas, 
mas 
quanto 
mais 
forte 
melhor, 
no? 
Leite 
ou 
acar? 
A 
verdade 
 
que... 
V! 
Esquea 
do 
leite. 
Tinha 
uma 
caixa 
aberta 
da 
geladeira. 
E 
cheirava 
azedo. 
Tinha 
um 
aucareiro 
em 
alguma 
parte 
 
murmurou 
buscava. 
Vi-o 
faz 
dois 
ou 
trs 
dias. 
No 
quero 
acar. 
Melhor, 
j 
que 
no 
o 
encontro. 
No 
lhe 
estranhava. 
A 
cozinha 
estava 
em 
piores 
condies 
que 
o 
salo. 
O 
tanque 
transbordava 
de 
pratos 
sujos, 
no 
forno 
tinha 
duas 
ou 
trs 
bandejas 
grudentas, 
a 
superfcie 
da 
mesa 
estava 
coberta 
a 
mais 
pratos 
sujos, 
correio 
sem 
abrir, 
revistas, 
papis 
e 
o 
recepiente 
gorduroso 
de 
tortinhaas 
mexicanas 
prontas 
para 
assar. 
Algo 
amarelo 
e 
gelatinoso 
tinha 
cado 
ao 
cho. 
O 
exterior 
idlico 
da 
casa 
era 
enganoso. 
Quem 
morava 
ali 
eram 
uns 
desastrados. 
Aqui 
tem. 
Fez 
escorregar 
um 
copo 
pela 
bar 
para 
ela. 
Chapinou 
nas 
baldosas, 
mas 
pareceu 
no 
se 
dar 
conta. 
Ele 
j 
bebia 
seu 
copo. 
Aps 
uns 
tragos, 
suspirou: 
Bom, 
que 
vende? 
Riu, 
incrdula. 


#
No 
vendo 
nada. 
Sherry 
Parks 
achava 
que 
tinha 
uma 
entrevista 
com 
vocs 
esta 
manh. 
J, 
e 
como 
tem 
dito 
que 
se 
chama? 
Cat 
Delaney. 
Cat... 
Olhou-
a 
de 
soslaio 
atravs 
do 
vapor 
que 
emanava 
de 
caf. 
Deu 
uma 
revista 
de 
acima 
abaixo.
Maldita 
seja! 
 
voc 
a 
estrela 
de 
televiso, 
no? 
De 
certo 
modo 
contou 
com 
friamente. 
Agora 
substituo 
 
senhorita 
Parks, 
que 
tinha 
uma 
entrevista 
com 
vocs 
esta 
manh 
s 
onze. 
Uma 
entrevista? 
Esta 
manh? 
Negou 
com 
a 
cabea, 
aturdido. 
Cat 
fez 
um 
gesto 
de 
despedida 
com 
a 
mo. 
No 
importa. 
Deve 
de 
ter 
algum 
malentendido, 
mas 
d 
igual 
 jogou 
uma 
olhada 
 
sujeira 
que 
a 
rodeava 
e, 
1ogo 
o 
olhou 
cara 
a 
cara. 
No 
acho 
que 
servisse. 
Bebeu 
um 
gole 
de 
caf. 
-Servir 
pra 
que? 
Ou 
era 
doido 
da 
cabea 
ou 
muito 
idiota. 
No 
sabia 
se 
batia 
da 
cabea 
ou 
se 
para 
valer 
no 
tinha 
nem 
a 
menor 
idia 
de 
sua 
visita. 
A 
senhora 
Walters 
nos 
enviou 
uma 
solicitao 
e 
concordando 
com 
a 
entrevista 
pelas 
costas 
de 
seu 
marido 
para 
enfrentar 
aos 
fatos 
consumados. 
Ocorria 
algumas 
vezes. 
Um 
membro 
do 
casal, 
no 
geral 
a 
esposa, 
queria 
ser 
me 
e 
o 
marido 
no; 
em 
ocasies, 
inclusive 
opunha-se 
redondamente. 
Esse 
podia 
ser 
o 
caso 
e 
Cat 
no 
queria 
se 
ver 
no 
meio 
de 
uma 
disputa 
conjugal. 
-Tm 
estudado 
o 
assunto 
em 
todos 
os 
aspectos? 
Ele 
deu 
a 
volta 
para 
se 
servir 
outro 
copo 
de 
caf 
e, 
por 
em 
cima 
do 
ombro, 
perguntou: 
-Os 
aspectos 
de 
que? 
De 
adotar 
um 
menino 
 respondeu, 
a 
ponto 
de 
perder 
a 
pacincia. 
O 
homem 
dedicou-lhe 
uma 
olhar 
perspicaz, 
baixou 
a 
cabea, 
fechou 
os 
olhos 
e 
mexeu 
o 
nariz. 
Devo 
de 
estar 
sonhando 
 balbuceou 
 
Voc 
est 
aqui 
para 
falar 
sobre 
a 
adoo 
de 
um 
menino? 
Por 
suposto, 
que 
se 
imaginava? 
E 
eu 
que 
sei 
-contou 
enojado. 
Para 
mim, 
voc 
 
a 
que 
faz 
propaganda 
das 
bolachas 
Girl 
Scout. 
Pois 
no. 
De 
modo 
que... 
Calou-se 
quando 
se 
lhe 
acendeu 
uma 
bombilla. 
Deixou 
o 
copo 
em 
cima 
do 
balco. 
Droga! 
Que 
dia 
 
hoje? 
Segunda-feira. 
Olhou 
o 
calendrio 
pendurado 
em 
cima 
da 
geladeira 
e 
deu 
um 
soco 
na 
parede. 
Maldita 
seja. 
Comeou 
a 
passear-se 
acima 
e 
abaixo 
enquanto 
mexia 
os 
escuros 
cabelos 
com 
aspecto 
contrariado. 
-Tinha 
que 
chamar 
uma 
tal 
senhorita 
Parks 
na 
sexta-feira 
para 
adiar 
a 
entrevista 
Tudo 
 
culpa 
minha, 
me 
esqueci 
de 
olhar 
o 
calendrio 
a 
cada 
dia 
tal 
e 
como 
me 
disse 
ela. 
De 
verdade! 
Olhe, 
sinto-o 


#
poderia 
ter-lhe 
poupado 
a 
viagem. 
Ter 
que 
marcar 
outra 
entrevista. 
No 
acho 
que 
ser 
necessrio 
 
disse 
Cat 
em 
tom 
seco. 
Diga 
a 
sua 
esposa... 
-Minha 
esposa? 
No 
est 
casado? 
No 
Ela 
se 
considera 
a 
senhora 
Walters. 
E 
o 
. 
Irene 
Walters 
est 
casada 
com 
Charlie 
Walters. 
No 
gostariam 
que 
me 
tivessem 
confundido 
com 
dele. 
Como 
resposta 
a 
sua 
olhar 
de 
assombro, 
negou 
e 
explicou: 
Estou 
cuidando 
da 
casa. 
Na 
semana 
passada 
que 
viajar 
as 
pressas 
quando 
um 
dos 
parentes 
de 
Charlie 
teve 
um 
acidente 
em 
Georgia. 
Eu 
precisava 
um 
lugar 
tranqilo 
para 
trabalhar 
enquanto 
pintavam 
meu 
apartamento. 
De 
modo 
que 
era 
uma 
boa 
troca. 
Deixaram-no 
ao 
cuidado 
de 
sua 
casa? 
Olhou 
com 
toda 
inteno 
o 
tanque 
repleto 
de 
pratos 
sujos. 
Ele 
seguiu 
sua 
olhar 
e 
pareceu 
surpreendido, 
como 
se 
os 
visse 
pela 
primeira 
vez. 
Terei 
que 
limpar 
antes 
que 
voltem. 
Faz 
um 
par 
ou 
trs 
de 
dias 
veio 
uma 
faxineira, 
mas 
a 
pus 
porta 
a 
fora. 
Estava 
feito 
louco 
tirando 
o 
p 
e 
passando 
o 
aspirador 
enquanto 
eu 
tentava 
escrever. 
Parece-me 
que 
a 
insultei, 
no 
sei, 
o 
caso 
 
que 
saiu 
com 
muita 
uma 
fria. 
Irene 
ter 
que 
a 
acalmar, 
e 
tambm 
ficar 
chateada 
comigo 
por 
isso. 
Escreve? 
Parecia 
absorto. 
Como 
diz? 
Disse 
que 
tentava 
escrever. 
Passou 
junto 
a 
Cat 
e 
chegou 
da 
estante 
do 
salo. 
Sacou 
um 
livro 
e 
o 
lanou. 
Alex 
Pierce. 
Ela 
leu 
o 
ttulo 
do 
livro; 
depois, 
deu 
a 
volta 
para 
fotografia 
da 
contracapa. 
O 
homem 
da 
foto 
levava 
terno 
e 
gravata 
e 
eram 
bem 
diferentes. 
Mas 
os 
olhos 
eram 
os 
mesmos: 
cinzas 
e 
penetrantes 
sob 
espessas 
sobrancelhas; 
uma 
delas, 
partida 
por 
uma 
cicatriz. 
Nariz 
reto. 
Boca 
sensual. 
Mandbula 
quadrada. 
Era 
um 
rosto 
muito 
masculino, 
duro 
e 
atrativo. 
Manteve 
a 
cabea 
baixa, 
j 
que 
era 
mais 
fcil 
olhar 
os 
olhos 
da 
foto 
que 
os 
reais. 
Sentia 
um 
calor 
inexplicvel 
e 
vontade 
de 
voar. 
Tenho 
ouvido 
falar 
de 
voc, 
mas 
no 
o 
teria 
reconhecido. 
Me 
adecent 
para 
a 
foto. 
Arnie, 
meu 
agente, 
insistiu. 
Quantos 
livros 
tem 
publicado, 
senhor 
Pierce? 
Dois. 
O 
terceiro 
est 
previsto 
para 
o 
ano 
que 
vem. 
Novela 
policial, 
verdade? 
Ou 
algo 
parecido? 
Algo 
parecido. 
Me 
desculpe, 
no 
os 
li. 
No 
gostaria. 
Isso 
fez 
que 
levantasse 
a 
cabea. 
Por 
que 
no? 


#
_No 
 
seu 
tipo 
 se 
encolheu 
de 
ombros. 
Meus 
livros 
falam 
de 
tripas 
e 
pistolas, 
de 
sangue 
e 
crebros, 
de 
assassinato 
e 
violncia. 
No 
so 
agradveis. 
-Mas 
devem 
de 
ser 
realistas. 
Ele 
levantou 
a 
sobrancelha 
partida. 
-Por 
que 
acha 
que 
no 
gostaria? 
Olhou-a 
de 
novo 
com 
insolncia 
e, 
a 
seguir, 
apanhou 
uma 
mecha 
de 
seu 
cabelo. 
-Porque, 
neles, 
as 
ruivas 
sempre 
so 
mulheres 
fceis. 
Sentia 
o 
estmago 
na 
garganta, 
o 
qual 
a 
ps 
furiosa, 
j 
que 
suspeitava 
que 
fosse 
a 
reao 
que 
ele 
queria. 
Apartou 
a 
mo. 
E 
de 
gnio 
vivo 
 
acrescentou 
com 
um 
sorriso 
arrogante. 
Devolveu-lhe 
o 
livro. 
Tem 
razo, 
no 
gostaria. 
Lutando 
contra 
sua 
indignao, 
s 
conseguiu 
se 
dominar, 
porque 
no 
queria 
estar 
 
altura 
do 
estereotipo. 
Quando 
acha 
que 
voltaro 
os 
Walters? 
Disseram 
que 
me 
chamariam 
quando 
sassem 
de 
Georgia. 
At 
que 
dem 
sinais 
de 
vida, 
qualquer 
sabe. 
Quando 
voltem 
lhes 
diga 
que 
se 
ponham 
em 
contato 
com 
o 
escritrio 
da 
senhorita 
Parks 
para 
outra 
entrevista. 
Irene 
e 
Charlie 
so 
grandes 
pessoas. 
Sero 
uns 
bons 
pais 
para 
um 
desses 
meninos. 
Isso 
o 
decidir 
o 
juiz. 
Mas 
a 
aprovao 
de 
voc 
conta 
muito, 
no? 
Suponho 
que 
pode 
influir 
na 
deciso 
da 
senhorita 
Parks 
e 
demais 
autoridades. 
-Aonde 
quer 
chegar 
senhor 
Pierce? 
O 
que 
quero 
dizer 
 
que 
no 
incomode 
a 
Irene 
e 
a 
Charlie 
por 
uns 
quantos 
pratos 
sujos. 
No 
os 
julgue 
por 
mim. 
Ofende-me 
sua 
suposio. 
No 
vim 
a 
julgar 
a 
ningum. 
-E 
um 
corno. 
J 
tem 
dito 
que 
eu 
no 
servia. 
Voc 
no 
serve. 
D-se 
conta? 
Tem 
sua 
opinio 
em 
muito 
alta 
estima 
e 
gosta 
de 
impo-la 
Por 
que, 
se 
no, 
uma 
estrela 
da 
pequena 
grandeza 
estaria 
visitando 
os 
bairros 
baixos 
de 
San 
Antonio? 
Cat 
jogava 
fascas, 
mas 
sabia 
que 
em 
uma 
guerra 
de 
palavras 
perderia. 


Adeus, 
senhor 
Pierce. 
Seguiu-a 
at 
a 
porta 
principal. 
Ela 
sabia 
que 
seu 
traseiro 
era 
o 
ponto 
de 
olha 
de 
seus 
olhos 
penetrantes. 
Adeus, 
Bandit. 
O 
co 
incorporou-se 
e 
olhou 
quando 
Cat 
passou 
por 
diante. 
Era 
provvel 
que 
fosse 
infeliz 
porque 
seus 
amos 
o 
tinham 
deixado 
ao 
cuidado 
de 
um 
energumeno 
quem 
azedava 
o 
leite. 
Alex 
Pierce 
era 
mais 
abrasivo 
que 
o 
papel 
de 
lija. 
A 
tinha 
arrepiado, 
tinha-a 
acovardado, 
tinha-a 


#
insultado. 
No 
obstante, 
estava 
mais 
furiosa 
consigo 
mesma 
que 
com 
ele. 
Por 
que 
tinha 
dado 
vantagem? 
Em 
vez 
de 
sentir-se 
envergonhada 
por 
sua 
trapalahada, 
por 
que 
no 
tinha 
feito 
uma 
piada? 
O 
humor 
era 
seu 
antdoto 
para 
a 
maioria 
de 
situaes 
comprometedoras. 
Mas 
desta 
vez 
tinha-se 
tornado 
alvo. 
Tinha-se 
ruborizado 
como 
uma 
criana 
nervosa 
e 
agora 
s 
ficavam 
restos 
de 
seu 
orgulho 
e 
verdadeiro 
ressentimento 
contra 
um 
autor 
de 
novelas 
srdidas 
que 
vivia 
como 
um 
porco 
e 
bebia 
caf 
requentado 
como 
se 
fosse 
gua 
da 
torneira. 
O 
objeto 
de 
seu 
desprezo 
saiu 
tranqilamente 
da 
entrada 
e 
deixou-se 
cair 
no 
sof-columpio, 
que 
chiou 
por 
seu 
peso. 
Apalpou 
o 
espao 
livre 
a 
seu 
lado 
e 
Bandit, 
feliz 
pelo 
inesperado 
convite, 
saltou 
e 
apoiou 
o 
nariz 
no 
coxa 
do 
novelista.. 
Cat 
abandonou 
o 
lugar 
com 
a 
viso 
de 
Alex 
Pierce 
balanando-se 
no 
columpio, 
bebendo 
caf 
e 
acariciando 
o 
lombo 
de 
Bandit. 



Captulo 
dezesseis 


-Voc 
parece 
esgotada. 
Melia, 
fresca 
como 
uma 
rosa 
sainda 
da 
cmera 
frigorfica 
da 
floricultura, 
os 
saudou 
de 
sua 
mesa. 
Estvamos 
em 
uma 
sauna. 
Tambm 
se 
chama 
Brackenridge 
Park. 
Cat 
soltando 
da 
pesada 
bolsa. 
No 
corria 
nem 
uma 
gota 
de 
ar. 
Durante 
o 
vero, 
no 
colocarei 
mais 
blusa 
de 
seda 
em 
San 
Antonio. 
Separou 
com 
dois 
dedos 
o 
tecido 
de 
sua 
pele 
suada. 
Saiu 
tudo 
bem? 
Muito 
bem. 
O 
vdeo 
de 
Tony 
ficou 
sensacional 
 
disse 
Jeff 
ao 
cair 
em 
uma 
cadeira. 
No 
 
nada 
tmido 
ante 
a 
cmera. 
Melia 
passou 
a 
Cat 
diversas 
mensagens 
telefnicas. 
Sherry 
Parks 
quer 
que 
a 
chame 
em 
seguida. 
Ao 
que 
parece, 
o 
juiz 
est 
disposto 
a 
conceder 
a 
adoo 
de 
Danny. 
Estupendo! 
exclamou 
Cat 
esquecendo 
a 
fadiga. 
Faz 
o 
favor 
de 
cham-la. 
Voltou 
a 
apanhar 
a 
bolsa 
e 
entrou 
em 
seu 
escritrio. 
Tirou 
os 
sapatos 
e 
sentou-se 
 
mesa. 
Ainda 
que 
no 
tivesse 
esse 
costume, 
olhou 
o 
relgio 
e 
abriu 
a 
ltima 
gaveta. 
Soou 
o 
telefone. 
Desligou 
o 
aparelho 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
olhava 
a 
Gaveta. 
A 
senhorita 
Parks 
na 
um. 
A 
gaveta 
estava 
vazia 
-Passo 
passar? 
A 
gaveta 
estava 
vazia. 
-Cat? 
Ouve-me? 
Sim, 
mas 
o... 
Melia 
onde 
esto 
meus 
medicamentos? 
Como? 


#
Minhas 
plulas. 
Meus 
remdios. 
Onde 
esto? 
No 
as 
guarda 
na 
gaveta 
de 
sua 
mesa? 
perguntou 
Melia 
que 
parecia 
no 
entender 
nada. 
Claro, 
mas 
no 
esto. 
Fechou 
a 
gaveta 
e, 
de 
imediato, 
voltou 
a 
abri-la 
como 
para 
comprovar 
que 
no 
tinha 
sido 
uma 
iluso 
tica. 
A 
gaveta 
seguia 
vazia. 
Suas 
plulas 
tinham 
desaparecido. 
Melia 
apareceu 
na 
porta. 
Disse 
 
senhorita 
Parks 
que 
voltaria 
a 
chamar. 
Que 
ocorre? 
O 
que 
acabo 
de 
dizer! 
Sem 
dar 
conta 
tinha 
gritado 
e, 
de 
imediato, 
recuperou 
o 
controle 
de 
seu 
tom 
de 
voz. 
Tm 
desaparecido 
meus 
medicamentos. 
Sempre 
os 
guardo 
na 
ltima 
gaveta, 
sempre. 
Mas 
agora 
no 
esto. 
A1gum 
os 
pegou. 
A 
quem 
poderia 
interessar 
suas 
plulas? 
Isso 
gostaria 
de 
saber. 
Ento 
entrou 
Jeff. 
Que 
ocorre? 
Algum 
levou 
meus 
medicamentos. 
Que? 
Os 
dois 
esto 
surdos? 
gritou. 
Tenho 
que 
voltar 
a 
repetir? 
Algum 
entrou 
e 
roubou 
minhas 
plulas! 
Sabia 
que 
se 
comportava 
de 
forma 
pouco 
razovel, 
mas 
a 
medicao 
era 
sua 
salvavidas. 
Jeff 
olhou 
a 
gaveta 
vazio. 
A 
quem 
poderia 
interessar 
suas 
plulas? 
Cat 
alisou 
o 
cabelo 
com 
a 
mo. 
Foi 
isso 
mesmo 
que 
perguntei 
disse 
Melia 
baixinho-e 
a 
irritou. 
-No 
 
possvel 
que 
as 
tenhas 
extraviado? 
sugeriu 
Jeff 
Seu 
tom 
de 
voz 
suave, 
sua 
inteno 
de 
ajudar, 
s 
contribuiram 
para 
exasper-la.
Pode-se 
perder 
uma 
aspirina 
e 
encontrar 
depois 
de 
um 
ms 
no 
bolso 
de 
um 
abrigo. 
 
difcil 
perder 
catorze 
frascos 
de 
plulas. 
No 
os 
levou 
para 
casa 
ontem 
 
noite? 
Jamais 
fao 
isso 
j 
voltava 
a 
levantar 
o 
tom 
de 
voz-Os 
tenho 
em 
duplicidade. 
Uns 
ficam 
em 
casa 
e 
os 
outros 
no 
escritrio. 
Assim 
posso 
tomar 
a 
dose 
do 
meio 
dia 
e 
meio 
a 
tarde, 
 
complicada 
a 
minha 
jornada 
de 
trabalho. 
Trs 
dos 
catorze 
medicamentos 
eram 
bsicos 
para 
evitar 
a 
rejeio 
e 
os 
outros 
onze 
evitavam 
os 
efeitos 
secundrios 
dos 
primeiros. 
Seguia 
religiosamente 
a 
prescrio 
de 
tom-las 
trs 
vezes 
ao 
dia. 
-Se 
ontem 
 
noite 
as 
tivesse 
levado 
at 
em 
casa 
catorze 
frascos 
de 
plulas, 
coisa 
que 
no 
fiz, 
me 
lembraria. 
Algum 
entrou 
aqui 
e 
as 
roubou. 
Quem 
esteve 
aqui 
esta 
manh? 
-Eu 
e 
o 
senhor 
Webster 
 contou 
Melia. 
Deixou 
um 
vdeo 
que 
queria 
que 
visse 
 indicou 
um 
cassete 
depositado 
em 
cima 
da 
mesa. 
Eu 
no 
vi 
ningum 
mais. 
Esteve 
muito 
tempo 
fora 
de 
teu 
lugar? 
perguntou 
Jeff. 
A 
Melia 
molestou 
a 
pergunta 
e 
respondeu-a 
na 
defensiva. 


#
-Quer 
dizer 
sentada 
atrs 
da 
mesa? 
Sai 
para 
fazer 
alguns 
servios 
vrias 
vezes 
e 
sa 
para 
comer. 
Desde 
quando 
 
isso 
um 
delito? 
Cat 
negava-se 
a 
suspeitar 
que 
fosse 
malcia 
de 
Melia. 
Se 
acusasse 
de 
que 
serviria? 
Se 
fosse 
culpado, 


o 
negaria. 
Se 
fosse 
inocente, 
a 
acusao 
ampliaria 
a 
brecha 
entre 
ambas. 
O 
mais 
importante, 
de 
todos 
os 
modos, 
era 
que, 
em 
mos 
equivocadas, 
as 
plulas 
podiam 
ser 
perigosas. 
Melia, 
faz 
favor, 
ligue 
ao 
doutor 
Sullivan. 
O 
cardiologista 
recomendado 
por 
Dean 
tinha 
o 
consultorio 
perto. 
Se 
no 
est, 
o 
busca. 
Diga-lhe 
que 
chame 
 
farmcia 
e 
pea 
que 
me 
traga 
a 
medicao 
o 
antes 
possvel. 
Melia 
deu 
a 
volta 
e 
saiu 
do 
escritrio 
sem 
dizer 
uma 
palavra. 
Posso 
ir 
a 
tua 
casa 
a 
buscar 
os 
remdios 
 
sugeriu 
Jeff. 
Obrigado; 
se 
fosse 
esse 
o 
caso, 
eu 
mesma 
iria. 
Est 
muito 
nervosa 
para 
conduzir. 
No 
gostava 
de 
reconhec-lo, 
mas 
estava 
muito 
nervosa. 
Cedo 
teria 
os 
medicamentos; 
no 
era 
por 
isso. 
O 
que 
lhe 
inquietava 
era 
que 
tinham 
roubado 
algo 
bem 
mais 
valioso 
que 
jias, 
peles 
ou 
dinheiro. 
Sua 
vida 
dependia 
dessas 
plulas. 
Agradeo-to, 
Jeff 
 disse, 
aparentando 
tranqilidade. 
Mas 
quando 
o 
doutor 
Sullivan 
falar 
com 
o 
farmacutico 
tudo 
estar 
solucionado. 
-Aonde 
vais? 
Jeff 
saiu 
depois 
dela. 
Estou 
esperando 
que 
o 
doutor 
Sullivan 
atenda 
ao 
telefone. 
Est 
com 
uma 
paciente, 
mas 
a 
enfermeira 
diz 
que 
lhe 
passar 
o 
telefonema 
 informou 
Melia. 
-Obrigado 
Olhou 
a 
Jeff. 
-Se 
algum 
filho 
da 
puta 
acha 
que 
isto 
 
muito 
divertido, 
vai 
ver. 
Na 
redao 
sempre 
estavam 
fazendo 
piadas. 
Tentavam 
superar 
uns 
a 
outros 
inventando 
a 
melhor 
ou 
a 
pior 
ocorrncia. 
Desde 
pr 
carteiras 
de 
plstico 
com 
algo 
repugnante 
na 
geladeira 
a 
informar 
que 
o 
presidente 
dos 
Estados 
Unidos 
tinha 
sido 
assassinado 
no 
servio 
de 
cavaleiros 
de 
um 
Texaco 
da 
estrada 
35. 
Cat 
chegou 
 
mesa 
do 
redator 
chefe. 
Era 
um 
homem 
arisco, 
mal 
humorado, 
um 
fumante 
empedernido 
com 
enfisema 
pulmonar 
que 
lamentava 
que 
na 
redao 
estivesse 
proibido 
fumar. 
Costumava 
estar 
amuado, 
mas 
seu 
olfato 
para 
as 
notcias 
fazia-o 
merecedor 
do 
mximo 
respeito. 
Se 
dissesse 
salta, 
inclusive 
os 
jornalistas 
mais 
egocntricos 
perguntavam 
a 
que 
altura. 
Teve 
um 
sobressalto 
quando 
Cat 
apertou 
o 
boto 
do 
interfone. 
Ol, 
garotos. 
Sua 
voz 
ressoou 
nos 
altos-falantes 
da 
grande 
sala 
dividida 
por 
painis 
de 
vidro. 
Quero 
dizer-lhe 
que 
 
um 
cmulo 
terem 
pensado 
que 
seria 
divertido 
mais 
no 
. 
Mas 
de 
que 
droga 
ela 
est 
falando? 
perguntou 
o 
redator 
chefe 
com 
voz 
asmtica. 
Sem 
fazer 
caso, 
Cat 
continuou: 
Foi 
muito 
gracioso 
quando 
vocs 
utilizaram 
papel 
higinico 
como 
guardanapo. 
E 
ri-me 
muito 
quando 
apareceu 
essa 
fotografia 
minha 
com 
bigodes 
ao 
Dal 
e 
uma 
teta 
a 
mais. 
Mas 
isto 
no 
me 
pareceu 
divertido. 
No 
pretendo 
descobrir 
ao 
culpado: 
s 
digo 
que 
no 
volte 
a 
faz-lo. 
#
Saa 
da. 
O 
redator 
chefe 
reclamava 
o 
aparelho 
que 
nunca 
ningum 
antes 
tinha 
atrevido 
a 
tocar. 
De 
que 
est 
falando? 
Algum 
roubou 
meus 
remdios. 
Os 
jornalistas 
saam 
de 
seus 
cubculos 
e 
olhavam-na 
com 
curiosidade. 
Ento 
chegou 
o 
diretor 
de 
noticirios 
com 
o 
cenho 
franzido. 
Que 
diabos 
est 
passando? 
Ela 
repetiu 
a 
acusao. 
Estou 
segura 
de 
que 
algum 
entrou 
em 
meu 
escritrio 
e 
as 
pegou 
no 
queria 
me 
prejudicar. 
No 
obstante, 
foi 
um 
ato 
estpido 
e 
perigoso. 
Como 
sabe 
que 
tem 
sido 
algum 
da 
redao 
-perguntou 
o 
diretor. 
No 
sei 
 
reconheceu 
 
Mas 
algum 
deste 
prdio 
tem 
maior 
possibilidade 
de 
entrar 
em 
meu 
escritrio 
sem 
chamar 
a 
ateno. 
E 
a 
todos 
estes 
garotos 
lhes 
adoram 
fazer 
piadas. 
Quanto 
mais 
pesadas 
melhor. 
Mas 
com 
os 
medicamentos 
no 
se 
pode 
brincar. 
-E 
estou 
convencido 
de 
que 
todo 
o 
pessoal 
de 
redao 
 
consciente 
disso, 
senhorita 
Delaney. 
-A 
confiana 
em 
seus 
subordinados 
provocou 
que 
Cat 
reconsiderasse 
sua 
atuao. 
Talvez 
tivesse 
se 
precipitado. 
-Perdoem 
a 
interrupo 
 disse 
sentindo-se 
ridcula. 
E, 
para 
limpar 
a 
discusso, 
voltou 
ao 
seu 
escritrio. 
-O 
envio 
vem 
a 
caminho 
 anunciou 
Melia 
-Disseram-me 
que 
demorar 
uns 
vinte 
minutos, 
esta 
bem? 
-Muito 
bem, 
obrigado. 
Faz 
o 
favor 
de 
voltar 
a 
chamar 
a 
Sherry. 
Jeff 
me 
traga 
o 
expediente 
de 
Danny. 
Precisava 
um 
minuto 
de 
intimidade 
e 
fechou 
a 
porta. 
Apoiou-se 
nela 
e 
respirou 
profundamente. 
Levava 
a 
blusa 
colada 
pelo 
suor 
nervoso 
E 
tremiam-lhe 
os 
joelhos. 
Durante 
trs 
anos 
tinha 
tentado 
convencer-se 
de 
que 
era 
uma 
pessoa 
normal. 
Mas 
o 
fato 
era 
que 
levava 
um 
corao 
transplantado. 
Isso 
significava 
que 
era 
algum 
fora 
do 
comum, 
com 
necessidades 
compartilhadas 
por 
muito 
poucas 
pessoas, 
o 
quisesse 
ou 
no. 
E 
assim 
seria 
durante 
o 
resto 
de 
sua 
vida. 
A 
crise 
de 
hoje 
tinha 
sido 
curta 
e 
a 
situao 
no 
chegou 
a 
comportar 
nenhum 
risco. 
No 
entanto, 
tinha 
sido 
uma 
cruel 
recordao 
do 
frgil 
que 
era. 



Captulo 
dezessete 


Cat 
tinha 
j 
a 
primeira 
mostra 
da 
ira 
contida 
de 
Bill 
Webster. 
Tinha 
ouvido 
dizer 
que 
rara 
vez 
perdia 
a 
acalma, 
mas 
que 
quando 
se 
dava 
o 
caso 
todo 
mundo 
tremia. 
Esta 
manh 
ia 
dirigida 
contra 
ela. 
Esto 
muito 
indignados, 
Cat. 
Sua 
resposta 
foi 
submissa. 
Tm 
todo 
o 
direito 
ao 
estar. 


#
Sentem-se 
enganados 
com 
a 
menina. 
Assim 
, 
mas 
no 
era 
essa 
nossa 
inteno. 
Webster 
emitiu 
um 
suspiro. 
Parecia 
mais 
tranqilo, 
mas 
ainda 
estava 
corado. 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
 
uma 
contribuio 
 
comunidade 
e 
grande 
parte 
do 
sucesso 
deve-se 
a 
sua 
credibilidade. 
O 
programa 
converteu-se 
no 
carro 
chefe 
da 
WWSA. 
Mas 
tambm 
tem 
todo 
o 
potencial 
para 
ser 
seu 
Aquiles 
 
disse 
ela 
sabendo 
por 
aonde 
iam 
os 
tiros. 
Exato. 
Sigo 
apoiando 
o 
programa, 
no 
enho 
esfriado, 
mas 
estamos 
desprotegidos 
diante 
dos 
processos 
judiciais. 
Somos 
o 
ponto 
de 
olha 
do 
Estado, 
os 
pais 
adotivos, 
os 
pais 
naturais... 
Em 
realidade, 
de 
qualquer 
que 
busque 
os 
trs 
ps 
ao 
gato. 
Esta 
emissora 
est 
em 
uma 
situao 
precria 
no 
meio 
de 
uma 
batalha. 
Onde 
se 
podem 
receber 
tiros 
de 
ambos 
os 
lados. 
Assentiu. 
Para 
comear, 
ns 
sabamos 
que 
nos 
expunhoriamos 
a 
estes 
riscos; 
e 
como 
presidente 
eu 
os 
assumo, 
porque 
so 
menores 
que 
os 
benefcios. 
Mas 
h 
que 
extremar 
as 
precaues 
para 
evitar 
que 
voltem 
a 
se 
produzir 
outros 
incidentes 
como 
este. 
Cat 
passou 
a 
mo 
pela 
frente. 
No 
dia 
anterior, 
os 
OConnor 
haviam 
telefonado 
a 
Sherry 
Parks 
para 
anular 
sua 
recente 
adoo 
de 
uma 
menina, 
solicitada 
aps 
que 
tivesse 
aparecido 
no 
programa. 
A 
pequena 
tinha 
tentado 
acariciar 
os 
genitais 
do 
senhor 
OConnor. 
-Afirmam 
que 
se 
ocultou 
deliberadamente 
sua 
precocidade 
sexual 
para 
facilitar 
a 
adoo. 
-No 
 
verdadeiro, 
Bill. 
Viram-na 
diversos 
psiclogos 
infantis. 
A 
menina 
enganou 
aos 
mdicos, 
s 
assistentes 
sociais, 
aos 
outros, 
a 
todos 
os 
que 
tivemos 
relao 
com 
ela. 
No 
entendo 
como 
ningum 
se 
deu 
conta. 
-Tem 
sete 
anos! 
exclamou 
Cat. 
Tem 
covinhas 
e 
leva 
tranas; 
no 
rabo 
e 
cornos! 
Quem 
podia 
pensar 
que 
tinha 
problemas 
sexuais? 
Mas 
o 
caso 
 
que, 
desde 
muito 
pequena, 
seu 
padrastro 
a 
tinha 
ensinado 
como 
dar 
prazer. 
Ensinou-lhe 
a 
excitar-lo 
e 
a... 
Por 
todos 
os 
santos! 
exclamou 
Bill. 
Poupa-me 
dos 
detalhes. 
Pois 
todos 
deveriam 
conhecer 
-contou 
em 
tom 
seco. 
Dessa 
forma, 
estes 
abusos 
no 
seriam 
to 
grandes 
em 
nossa 
sociedade. 
Entendido. 
Segue 
diante. 
Tendo 
em 
conta 
seus 
antecedentes, 
aos 
psiclogos 
assombrou-lhes 
ao 
princpio 
que 
estivesse 
to 
pouco 
traumatizada. 
Agora 
sabemos 
a 
gravidade 
do 
problema. 
Utiliza 
sua 
sexualidade 
para 
manipular 
a 
quem 
a 
rodeia; 
melhor 
dizendo: 
para 
conseguir 
o 
que 
quer 
dos 
homens, 
de 
qualquer 
homem. 
Tem 
razo, 
Bill: 
no 
podemos 
imaginar 
que 
uma 
menina 
de 
aspecto 
to 
inocente 
seja 
uma 
mulher 
fatal. 
Mas 
tambm 
no 
podemos 
imaginar 
o 
que 
se 
fez 
para 
converter 
nisso. 
No 
entanto, 
no 
podemos 
culpar 
aos 
OConnor 
por 
querer 
anular 
a 
adoo. 
Por 
suposto 
que 
no. 
Mas 
disse-lhes 
que 
tinha 
sofrido 
abusos 
sexuais 
e 
aceitaram 
se 
fazer 
cargo 
das 
conseqncias. 
Ento 
ningum 
conhecia 
a 
gravidade 
do 
problema. 
E 
ignorvamos 
com 
que 
astcia 
tinha 
manipulado 
aos 
experientes. 
Sabia 
a 
respostas 
corretas 
a 
todas 
as 
perguntas, 
contestava 
o 
que 
queriam 
ouvir; 
tudo 
com 
o 
fim 
de 
dormir 
na 
cama 
cor 
de 
rosa. 
Agora 
confessou 
a 
Sherry. 


#
BiU 
negou 
com 
a 
cabea, 
incrdulo. 
-No 
 
a 
Primeira 
vez 
que 
tenho 
ouvido 
falar 
de 
casos 
parecidos 
-disse 
Cat-. 
So 
uma 
tragdia 
para 
todos. 
-Verdadeiro; 
e 
por 
isso 
mesmo, 
no 
temos 
necessidade 
de 
nos 
envolver 
neles. 
No 
pode 
se 
repetir 
um 
erro 
assim, 
Cat. 
-No 
posso 
te 
dar 
nenhuma 
garantia, 
mas 
assumo 
toda 
a 
responsabilidade 
pela 
seleo 
de 
meninos 
que 
aparecem 
e 
grama. 
Se 
tiver 
alguma 
dvida... 
Deixa-los 
de 
lado. 
No 
gostou 
da 
ordem. 
Estava 
dizendo 
que 
escolhesse 
os 
meninos 
com 
menos 
feridas. 
Mas 
assentiu. 
Esta 
manh 
eu 
enviei 
aos 
OConnor 
uma 
carta 
desculpando-me. 
Lamento-o 
muito. 
Como 
 
lgico, 
esto 
horrorizados 
pelo 
comportamento 
da 
menina, 
mas 
tinham 
chegado 
a 
afeioar-se 
a 
ela. 
Tem 
sido 
um 
grande 
desgosto. 
Espero 
que 
no 
apresentem 
uma 
demanda 
de 
vrios 
milhes 
 disse 
Webster, 
falando 
agora 
como 
homem 
de 
negcios. 
Sinto 
que 
a 
empresa 
tenha 
que 
encaixar 
o 
golpe. 
Mais 
acalmado, 
aceitou 
sua 
desculpa. 
Tu 
s 
a 
que 
est 
na 
trinchera, 
Cat, 
mas 
todos 
ns 
fazemos 
parte 
do 
projeto. 
Ocorra 
o 
que 
ocorra, 
te 
apoiarei 
ao 
cem 
por 
cem. 
Temos 
advogados 
e 
so 
como 
aves 
de 
rapina. 
A 
Cat 
desagradou 
a 
imagem 
dos 
corvos 
bicando 
o 
casal, 
que 
j 
tinha 
sofrido 
uma 
pena 
imerecida. 
Confio 
que 
no 
tenha 
que 
chegar 
a 
isso. 
Eu 
tambm. 
Assumiu 
o 
ar 
de 
um 
juiz 
a 
ponto 
de 
ditar 
sentena. 
No 
obstante, 
aps 
este 
caso 
talvez 
devesses 
reconsiderar 
teu 
interesse 
pessoal 
por 
esses 
meninos. 
Tomas-te 
teus 
problemas 
como 
prprios 
e 
perde 
a 
objetividade. 
Graas 
a 
Deus. 
No 
quero 
ser 
objetiva. 
So 
meninos, 
nmeros 
nem 
estatsticas. 
So 
seres 
humanos, 
com 
corao 
alma 
e 
mente, 
que 
tm 
sido 
esmagados 
de 
uma 
ou 
outra 
forma. 
Tu 
podes 
os 
ver 
como 
um 
truque 
publicitrio, 
uma 
forma 
de 
aumentar 
a 
audincia. 
E 
para 
os 
que 
trabalham 
no 
programa 
s 
so 
os 
protagonistas 
de 
uma 
reportagem: 
gente 
para 
a 
que 
h 
que 
enfocar 
a 
cmera. 
Se 
reclinou 
sobre 
a 
mesa 
com 
os 
braos 
cruzados. 
Mas, 
para 
mim, 
eles, 
os 
meninos, 
so 
meus 
nicos 
objetivos, 
e 
todos 
os 
demais 
so 
meios 
para 
chegar 
a 
um 
fim. 
De 
quesesse 
fama 
e 
dinheiro 
eu 
teria 
ficado 
em 
Passages. 
Em 
mudana, 
vim 
aqui 
com 
um 
propsito 
que 
nunca 
perco 
de 
vista. 
Para 
consegui-lo 
tenho 
que 
estar 
pessoalmente 
envolvida. 
No 
estou 
de 
acordo, 
mas 
confio 
em 
que 
saibas 
o 
que 
ests 
fazendo. 
Eu 
no 
o 
decepcionarei. 
Bill 
alongou 
o 
jornal, 
mas 
ela 
j 
tinha 
lido 
o 
artigo 
marcado 
com 
um 
crculo 
vermelho. 
Agora 
que 
j 
temos 
falado 
do 
assunto 
OConnor 
gostaria 
de 
saber 
como 
pensas 
solucionar 
isto. 
Nada 
mais 
entrar 
no 
escritrio, 
Cat 
chamou 
a 
Jeff 
e 
a 
Melia. 
-Com 
o 
fim 
de 
poupar 
tempo 
e 
energia, 
vou 
saltar-me 
as 
normas 
do 
manual 
do 
bom 
chefe 
e 
irei 
diretamente 
ao 
ponto. 
Ontem 
pela 
tarde 
os 
dois 
estavam 
a 
par 
da 
situao 
com 
OConnor. 
Algum 
dos 
dois 
deu 
o 
sopro 
aos 
jornalistas? 
No 
contestaram. 


#
Cat 
indicou 
o 
jornal 
que 
tinha 
levado 
do 
escritrio 
de 
Bill.
-Rum 
Truitt 
ataca 
de 
novo. 
Mas 
desta 
vez 
facilitaram 
a 
munio. 
 
impossvel 
que 
se 
inteirasse 
do 
assunto 
por 
acaso. 
Ningum 
de 
Servios 
Humanitrios 
estava 
interessado 
na 
publicao 
do 
incidente. 
Aos 
OConnor 
preocupa-lhes 
tanto 
a 
violao 
de 
sua 
intimidade 
como 
o 
desgosto 
em 
si. 
Truitt 
no 
o 
soube 
por 
eles. 
Todos 
os 
dedos 
acusam 
 
WWSA 
e, 
para 
precisar, 
a 
este 
escritrio. 
-Quem 
 
o 
responsvel? 
E, 
junto 
 
confisso, 
agradeceria 
uma 
explicao. 
Se 
o 
programa 
deixa 
de 
emitir-se, 
nos 
ficamos 
sem 
emprego; 
portanto, 
que 
se 
ganha 
o 
desprestgiando? 
Ambos 
seguiam 
calados 
e 
com 
o 
olhar 
baixo. 
Jeff 
-disse 
Cat 
aps 
uns 
momentos. 
Quer 
fazer 
o 
favor 
de 
deixar-nos 
a 
ss? 
Jeff 
tossiu 
e 
olhou 
a 
Mela. 
Desde 
depois. 
Saiu 
e 
fechou 
a 
porta. 
Cat 
permitiu 
uns 
instantes 
de 
silncio. 
Tinha 
que 
reconhecer 
que 
Melia 
King 
tinha 
estmago. 
Seus 
olhos 
negros 
nunca 
piscavam 
e, 
agora, 
a 
olhavam 
fixamente. 
Melia, 
dou-te 
a 
ltima 
oportunidade 
de 
reconhecer 
que 
passou 
a 
nticia 
a 
Truitt. 
Recebers 
uma 
sano, 
mas 
prometer 
que 
no 
voltars 
a 
revelar 
assuntos 
internos, 
isso 
ser 
tudo. 
No 
chamei 
a 
esse 
jornalista 
nem 
a 
ningum. 
Cat 
abriu 
o 
ltimo 
gaveta, 
sacou 
uma 
carteira 
de 
papel 
de 
McDonalds 
e 
deixou-a 
em 
cima 
da 
mesa. 
Provocou 
na 
estoica 
jovem 
uma 
reao 
que 
fazia 
muito 
tempo 
que 
esperava. 
Melia 
olhou 
a 
carteira, 
boquiabierta. 
Aps 
o 
misterioso 
desaparecimento 
de 
meus 
medicamentos, 
um 
dos 
garotos 
de 
informativos 
venho 
me 
ver. 
Viu-te 
atravessar 
a 
Zona 
de 
estacionamento 
 
hora 
do 
almoo 
e 
atirar 
isto 
no 
lixo. 
Ele 
achou 
estranho 
que 
algum 
sasse 
de 
um 
edifcio 
com 
ar 
acondicionado 
s 
doze 
do 
meio 
dia 
e 
atravessasse 
o 
trrido 
asfalto 
do 
estacionamento 
s 
para 
atirar 
uma 
saco 
com 
restos 
de 
comida. 
Eu 
mesma 
revolv 
essa 
lixeira 
e 
encontrei 
o 
saco. 
Tinha 
quatro 
batatas 
fritas, 
um 
sach 
de 
ketchup 
sem 
abrir 
e 
catorze 
frascos 
de 
plulas. 
Ao 
ver-se 
pega, 
Melia 
jogou 
os 
cabelos 
para 
trz 
em 
atitude 
desafiante. 
Aquela 
manh 
eu 
tinha 
me 
irritado. 
Estava 
chateada 
por 
ter-me 
equivocado 
ao 
tomar 
um 
nmero 
de 
telefone. 
E 
essa 
 
a 
sua 
desculpa? 
-disse 
Cat. 
No 
ia 
morrer. 
Sabia 
que 
trariam 
outro 
lote 
a 
tempo. 
Isso 
no 
importa. 
O 
fato 
sim 
implica 
rancor. 
Voc 
mereceu! 
gritou 
Melia. 
Por 
me 
colocar 
esse 
maricas 
na 
minha 
frente, 
como 
se 
eu 
fosse 
estpida! 
No 
sou 
estpida! 
Cat 
levantou-se. 
No, 
nunca 
pensei 
que 
fosse 
estpida; 
ao 
invs 
acho 
que 
 
inteligente. 
Mas 
no 
tanto 
como 
para 
evitar 
que 
te 
tenham 
descoberto. 
Ergueu 
os 
ombros. 
Faz 
favor, 
deixa 
livre 
de 
imediato 
tua 
mesa. 
Est-me 
despedindo? 
falou 
incrdula. 
Darei 
ordem 
de 
que 
te 
paguem 
nos 
dias 
trabalhados 
e 
a 
indenizao 
estipulada, 
o 
qual, 
dadas 
as 


#
circunstncias, 
 
mais 
que 
generoso. 
Melia 
cerrou 
os 
olhos 
com 
malcia, 
mas 
Cat 
manteve-se 
firme. 
Por 
fim, 
a 
jovem 
deu 
a 
volta 
e 
caminhou 
para 
a 
porta. 
Se 
arrepender 
disto 
 
disse 
antes 
de 
sair.
s 
doze 
tinha 
retirado 
todos 
os 
objetos 
pessoais 
de 
sua 
mesa 
e 
abandonado 
o 
edifcio. 
Cat 
solicitou 
ao 
diretor 
de 
noticirios 
uma 
secretria 
substituta 
at 
que 
encontrasse 
a 
algum 
para 
substituir 
a 
Melia. 
Estava 
contente 
de 
t-la 
perdido 
de 
vista, 
mas 
todo 
o 
assunto, 
comeando 
pelo 
incidente 
OConnor 
no 
dia 
anterior, 
a 
deixou 
esgotada. 
Seu 
estado 
de 
nimo 
no 
era 
o 
adequado 
para 
receber 
visitas 
quando 
chegou 
a 
casa 
ao 
anoitecer. 
E, 
depois, 
no 
estava 
em 
condies 
de 
se 
enfrentar 
a 
Alex 
Pierce. 
Que 
est 
fazendo 
aqui? 
perguntou 
pela 
janela 
do 
carro. 
Como 
sabe 
onde 
vivo? 
Alex 
estava 
montado 
sobre 
uma 
moto 
estacionada 
na 
calada. 
Com 
um 
simples 
ol, 
tudo 
bom? 
me 
conformaria. 
Cat 
estacionou 
e, 
ao 
descer, 
ele 
saiu 
ao 
passo 
para 
apanhar 
a 
maleta. 
J 
posso, 
obrigado 
 disse 
mal-humorada. 
Subiu 
a 
escada 
e 
recolheu 
o 
correio; 
a 
maior 
parte, 
propaganda. 
Por 
que 
me 
enviam 
este 
lixo? 
Tm 
sacrificado 
rvores 
s 
para 
que 
eu 
encha 
a 
lixeira. 
Alex 
parecia 
divertido 
por 
sua 
rabugie. 
-Tem 
tido 
em 
um 
mau 
dia? 
-Horrvel. 
-J. 
Tenho 
visto 
seu 
nome 
no 
jornal. 
-No 
 
precisamente 
como 
para 
ficar 
a 
saltar. 
-Duro 
o 
dessa 
menina. 
Muito. 
Teve 
que 
fazer 
malabarismos 
com 
o 
correio, 
a 
bolsa, 
a 
maleta 
e 
as 
chaves 
para 
abrir 
a 
porta. 
Outra 
mo 
teria 
sido 
til, 
mas 
se 
negava 
a 
pedir 
sua 
ajuda. 
Deixou 
cair 
a 
correspondencia 
na 
mesa 
da 
entrada, 
abandonou 
a 
mala 
e 
a 
bolsa 
no 
cho 
E 
deu 
a 
volta 
para 
impedir 
que 
entrasse. 
Ele 
olhava 
acima 
do 
ombro 
de 
Cat 
para 
o 
interior 
da 
casa. 
-Parece 
um 
lugar 
agradvel. 
No 
para 
as 
visitas 
inesperadas. 
Gostaria 
de 
comprov-lo 
 
e 
acrescentou-: 
Tem 
que 
ter 
dois 
para 
este 
jogo. 
E 
sou 
bom 
em 
jogos 
de 
palavras. 
Disso 
estou 
segura. 
Ps-se 
uma 
mo 
na 
cintura 
como 
para 
reforar 
o 
bloqueio. 
Que 
est 
fazendo 
aqui, 
senhor 
Pierce? 
Agora 
que 
tem 
lido 
meu 
livro, 
por 
que 
no 
me 
chama 
Alex? 
Como 
sabe 
que...? 
Cat 
deu-se 
conta 
de 
que 
tinha 
cado 
na 
armadilha. 
De 
acordo, 
um 
ponto 
a 
seu 
favor. 
Li-os. 
Os 
dois? 
Sentia 
curiosidade. 
Mas 
ainda 
gostaria 
de 
saber 
como 
me 
encontrou 
e 
por 
que 
se 
tomou 
a 


#
molstia. 
-Tem 
apetite? 
Como 
diz? 
Que 
tal 
um 
hamburguer? 
Com 
voc? 
Pierce 
mostrou-lhe 
as 
palmas. 
Lavei 
as 
mos 
Inclusive 
tenho 
feito 
as 
unhas. 
Por 
estar 
decidida 
a 
resistir 
a 
seu 
encanto, 
abachou 
a 
cabea 
e 
riu. 
Ele 
relaxou 
sua 
postura 
e 
apoiou 
as 
costas 
contra 
o 
marco 
da 
Porta. 


-Segundo 
parece, 
no 
outro 
dia 
comeamos 
com 
o 
p 
errado. 
-No 
o 
parece; 
assim 
foi. 
-As 
manhs 
no 
so 
meu 
forte. 
E 
menos 
ainda 
uma 
noite 
de 
maratona 
-Escrevendo? 
A 
pergunta 
tinha-lhe 
escapado. 
No 
estava 
muito 
segura 
de 
que 
atividade 
era 
uma 
maratona. 
Deve 
ter 
lido 
seus 
pensamentos, 
j 
que 
sorriu 
com 
ar 
travesso. 
Trabalho 
de 
investigao. 
Que 
no 
, 
nem 
de 
longe, 
to 
apaixonante 
como 
escrever. 
Como 
 
isso? 
Porque 
so 
fatos 
e 
no 
fico. 
Prefere 
a 
fico 
 
realidade? 
Pela 
experincia 
que 
tenho 
sobre 
a 
realidade, 
sim. 
Aps 
uma 
pausa 
acrescentou: 
Bom, 
o 
caso 
 
que 
no 
me 
considero 
responsvel 
por 
nada 
que 
diga 
ou 
faa 
antes 
da 
primeira 
caneca 
de 
caf. 
Era 
cedo 
e... 
Eram 
as 
onze. 
E 
voc 
parecia 
se 
ter 
engolido 
um 
pau. 
Dispunha-se 
a 
protestar, 
mas 
mudou 
de 
idia. 
Estive 
bastante 
atarantada, 
verdade? 
Pois 
sim. 
Me 
desculpe. 
Apanhou-me 
desprevenida 
e 
reagi. 
Aceitou 
sua 
desculpa 
encolhendo 
os 
ombros. 
V-se 
que 
tenho 
um 
dom 
especial 
para 
sacar 
uma 
doida 
 
disse 
com 
um 
matiz 
de 
tristeza. 
Bem, 
tudo 
bom 
se 
nos 
damos 
uma 
segunda 
oportunidade? 
Cat 
no 
tinha 
tido 
vida 
social 
desde 
suem 
troca 
a 
San 
Antonio. 
Na 
WWSA 
no 
tinha 
ningum 
que 
lhe 
interessasse, 
mas 
ainda 
que 
tivesse 
tido 
algum 
homem 
atraente 
e 
disponvel 
pouco 
o 
teria 
animado. 
Era 
contrria 
a 
sair 
com 
colegas 
de 
trabalho, 
j 
que 
se 
o 
idilio 
naufragava 
tambm 
pioravam 
as 
relaes 
trabalhistas. 
Queria 
aceitar 
o 
convite 
de 
Alex 
Pierce? 
Parecia 
culto 
e 
inteligente. 
Em 
casa 
dos 
Walters 
tinha-se 
mostrado 
irascvel, 
mas 
agora 
percebia 
nele 
traos 
de 
um 
humor 
sutil 
e 
ingenioso. 
Podia 
ser 
estimulante 
o 
desafio 
verbal 
com 
um 
oponente 
a 
sua 
altura. 
Ia 
melhor 
vestido 
que 
a 
vez 
anterior, 
mas 
ainda 
se 
chegava 
mais 
aos 
maus 
de 
suas 
novelas 
que 
aos 


#
bons. 
Tinha 
nele 
algo 
perigoso; 
seu 
encanto 
escondia 
um 
lado 
escuro 
que 
lhe 
intrigava 
e 
a 
assustava. 
Era 
um 
homem 
muito 
bem 
parecido 
e 
no 
tinha 
mostrado 
timidez 
ao 
se 
encontrar 
com 
um 
estranho, 
uma 
mulher, 
vestido 
sozinho 
com 
uns 
jeans 
a 
meio 
abertos. 
Com 
toda 
probabilidade, 
sabia 
que 
lhe 
sentavam 
bem, 
igual 
que 
sabia 
o 
efeito 
inquietante 
que 
causava 
nela. 
Cat 
valorizou 
os 
prs 
e 
os 
contras 
e 
chegou 
 
concluso 
de 
que 
era 
a 
classe 
de 
homem 
que 
tinha 
que 
esquivar. 
Mas 
disse: 
Voc 
se 
importa 
de 
esperar 
um 
momento 
enquanto 
troco 
de 
roupa? 



Captulo 
dezoito 


O 
restaurante 
no 
era 
o 
tipo 
de 
local 
que 
teria 
escolhido, 
nem 
tampouco 
ao 
que 
tivesse 
ido 
sozinha. 
O 
estacionamento 
estava 
cheio 
de 
furgonetas 
e 
caminhes. 
Dentro, 
as 
bolas 
de 
billar 
chocavam 
na 
mesa 
situada 
ao 
fundo 
e 
soava 
msica 
country. 
O 
estabelecimento 
servia 
os 
melhores 
hamburguers 
e 
a 
cerveja 
mais 
gelada 
de 
Texas. 
O 
hamburguer 
era 
duplo, 
efetivamente, 
duplo; 
e 
riqusima. 
Despois 
de 
algumas 
mordidas, 
disse: 
ao 
diabo 
os 
bons 
modos; 
e 
devorou-o 
a 
grandes 
bocados. 
Molhei 
uma 
batata 
frita 
no 
ketchup 
antes 
de 
levar-lha 
 
boca. 
Ainda 
no 
est 
perdoado 
pelo 
insulto 
do 
outro 
dia 
as 
ruivas. 
No 
me 
lembro. 
Olhou-o 
com 
sarcsmo. 
Claro 
que 
se 
lembra. 
Disse 
que 
as 
ruivas 
de 
suas 
novelas 
eram 
garotas 
fceis. 
Uma 
piada 
barata 
 admitiu; 
mas 
fracassou 
ao 
querer 
simular 
arrepentimiento. 
Por 
desgraa 
 
verdadeiro 
-disse 
Cat. 
Mas 
tambm 
o 
so 
as 
loiras, 
as 
morenas... 
As 
personagens 
femininas 
sempre 
esto 
Dispostas. 
-Sim, 
Os 
heris 
nunca 
pedem 
permisso 
e 
elas 
nunca 
dizem 
no. 
-H 
muita 
fantasa 
em 
toda 
obra 
de 
fico. 
-E 
neste 
caso, 
fantasa 
sexual. 


-Trabalho 
como 
Ian 
Fleming. 
James 
Bond 
dizia 
posso? 
Alguma 
vez 
a 
garota 
recusava-o? 
Amassou 
o 
papel 
do 
hamburguer, 
limpou 
os 
lbios 
com 
um 
guardanapo 
de 
papel 
e 
apoiou 
os 
braos 
em 
cima 
da 
mesa 
como 
se 
dispusesse 
a 
uma 
conversa 
a 
srio. 
Fora 
o 
sexo 
agressivo, 
e 
deixando 
a 
um 
lado 
os 
personagens 
femininos 
nus 
e 
com 
as 
pernas 
abertas, 
que 
opina 
de 
meus 
livros? 
Molestava 
ter 
que 
lhe 
dizer 
que 
eram 
boas, 
mas 
se 
sentia 
obrigada 
a 
ser 
sincera. 
Tinha 
pedido 
a 
sua 
opinio 
e 
uma 
resposta 
clara. 
So 
boas, 
Alex. 
Duras, 
sem 
concesses, 
realistas 
at 
o 
insuportvel. 
Tive 
que 
saltar 
as 
cenas 
mais 
violentas, 
mas 
so 
bons 
livros. 
Por 
mais 
difcil 
que 
seja 
reconhec-lo 
a 
cada 
vez 
que 
uma 
mulher 
est 
nua 
e 
com 
as 
pernas 
abertas, 
faz 
sentido. 


#
Obrigado. 
Mas... 
Deveria 
ser 
crtico 
literrio, 
Cat. 
Lanam-te 
flores 
e 
a 
seguir 
um 
p 
na 
bunda. 
Ela 
riu 
a 
gargalhadas. 
No 
ia 
criticar 
nada. 
Para 
valer. 
Acho 
que 
tem 
talento 
como 
escritor. 
E 
onde 
est 
o 
mas? 
Ela 
vacilou. 
So 
tristes 
suas 
novelas. 
Tristes? 
No 
encontro 
a 
palavra. 
H 
desesperana 
nelas, 
seu 
enfoque 
 
fatalista. 
Pierce 
refletiu 
durante 
uns 
minutos. 
Deve 
de 
ser 
porque 
tenho 
visto 
muita 
violncia 
em 
primeira 
fila. 


 
Quando 
era 
policial? 
Tem-lhe 
ficado 
colado 
o 
pior. 
Isso 
. 
Demasiado 
com 
freqncia, 
o 
crime 
no 
se 
paga 
e 
os 
maus 
ganham. 
Se 
sou 
fatalista 
suponho 
que 
seja 
por 
isso. 
Acertei 
na 
mosca 
porque 
assim 
 
como 
me 
senti 
quando... 
Voltou 
a 
duvidar. 
Era 
a 
primeira 
vez 
que 
saam 
juntos 
At 
onde 
estava 
disposta 
a 
chegar? 
Quando 
que? 
Cat 
fixou 
a 
olhar 
na 
bandeja 
de 
plstico 
que 
continha 
os 
restos 
do 
jantar. 
No 
sei 
se 
voc 
sabe. 
Publicou-se, 
mas 
no 
acostumo 
falar 
disso. 
Algumas 
pessoas 
tm 
um 
comportamento 
estranho, 
no 
 
que 
seja 
algo 
extraordinrio, 
mas... 
Levantou 
a 
cabea 
e 
olhou 
a 
Alex 
com 
toda 
inteno. 
Fiz 
um 
transplante 
de 
corao. 
Pierce 
piscou 
um 
par 
de 
vezes, 
mas 
isso 
foi 
tudo. 
Claro 
que 
era 
impossvel 
averiguar 
o 
que 
passava 
por 
trs 
de 
seus 
olhos 
cinzas 
e 
profundos. 
Depois 
de 
um 
momento, 
seu 
olhar 
posou 
nos 
seios 
de 
Cat 
e 
notou 
que 
engolia 
saliva. 
A 
seguir, 
olhoua 
fixamente 
 
cara. 
-Quanto 
tempo 
faz? 
Quase 
quatro 
anos. 
-E 
est 
bem? 
Cat 
riu 
para 
aliviar 
a 
presso. 
-Claro 
que 
estou 
bem. 
Acha 
que 
vou 
cair 
desmaiada 
e 
voc 
ter 
que 
carregar 
com 
o 
morto? 
Era 
imprevisvel 
a 
reao 
da 
gente 
ante 
algum 
com 
um 
transplante. 
A 
alguns 
causava 
repulsa. 
Estremeciam-se 
e 
negavam-se 
a 
falar 
disso. 
Outros 
sentiam 
respeito 
e 
a 
tocavam 
como 
se 
estivesse 
dotada 
de 
poderes 
mgicos. 
Chegavam-se 
a 
ela 
como 
se 
fosse 
gua 
milagrosa 
ou 
uma 
imagem 
da 
Virgem 
Maria 
que 
chorasse 
lgrimas 
de 
sangue. 
No 
sabia 
que 
milagres 
esperavam 
dela. 
E 
tinha 
outras 
pessoas 
cuja 
curiosidade 
era 
enervante, 
gente 
que 
a 
acossavam 
a 
perguntas 
pessoais; 
impertinentes 
com 
freqncia. 
Tem 
alguma 
limitao? 
Sim 
 contou 
em 
tom 
pessimista. 
No 
posso 
assinar 
cheques 
que 
excedam 
de 
certa 
quantia 


#
sem 
que 
o 
banco 
me 
cobre 
interesses. 
Olhou-a 
com 
retraimento. 
J 
sabe 
ao 
que 
me 
refiro. 
Sim, 
sabia 
ao 
que 
se 
referia, 
mas 
essa 
era 
a 
parte 
que 
odiava: 
ter 
que 
se 
classificar. 
Tenho 
que 
tomar 
um 
punhado 
de 
plulas 
trs 
vezes 
ao 
dia. 
Supe-se 
que 
devo 
fazer 
exerccio 
e 
comer 
alimentos 
saudveis, 
como 
todo 
mundo. 
Baixas 
em 
gordura 
e 
em 
colesterol. 
Pierce 
levantou 
a 
sobrancelha 
e 
indicou 
as 
bandeijas 
vazias 
do 
hamburguers 
e 
das 
batatas 
fritas. 
Mas 
no 
provei 
a 
cerveja 
mais 
gelada 
de 
Texas. 
Nada 
de 
lcool? 
-Incompatvel 
com 
a 
medicao. 
E 
voc? 
Tem 
tomado 
limonada 
enquanto 
todos 
os 
demais 
enguliam 
cerveja. 
A 
pergunta 
o 
deixou 
nervoso, 
mas 
Cat 
apoiou 
a 
cara 
na 
palma 
da 
mo 
e 
seguiu 
olhando-o 
at 
que 
ele 
se 
tranqilizou. 
Incompatvel 
com 
minha 
mente. 
Fizemos 
um 
contato 
em 
uns 
anos 
atrs. 
No 
cheguei 
a 
cair 
ao 
cho 
do 
ringueue, 
fiquei 
cambaleante. 


-Ainda 
se 
cambaleia? 
No 
sei. 
Me 
falta 
segurana 
em 
mim 
mesmo 
para 
voltar 
ao 
ringueue. 
Ao 
que 
parece, 
esperava 
a 
reao 
dela, 
comprovar 
se 
seus 
problemas 
passados 
com 
a 
bebida 
a 
fariam 
mudar 
sobre 
ele. 
Cat 
queria 
perguntar 
se 
tinham 
comeado 
aps 
deixar 
a 
policia 
ou 
se 
tinha 
sido 
o 
motivo 
de 
sua 
sada. 
Decidiu 
que 
era 
melhor 
no 
questionar. 
No 
era 
assunto 
seu, 
ainda 
que 
estivesse 
quase 
segura 
de 
que 
o 
lcool 
tinha 
muito 
a 
ver 
com 
esse 
aspecto 
sombrio 
de 
sua 
personalidade. 
Voltar 
ao 
ringueue 
repetiu 
ela 
mudando 
de 
conversa-Gosto 
conversar 
com 
um 
novelista. 
O 
dilogo 
est 
carregado 
de 
metforas 
e 
analogias. 
Alm 
das 
semelhanas 
com 
a 
realidade. 
No 
volte 
a 
comear 
com 
isso. 
Quando 
deixou 
em 
cima 
da 
mesa 
o 
dinheiro 
da 
conta 
mais 
uma 
generosa 
gorjeta, 
ela 
ofereceu 
para 
pagar 
sua 
parte. 
No, 
a 
convidei. 
Alm 
do 
mais 
me 
vai 
bem 
para 
deduzir 
os 
impostos. 
No 
foi 
um 
jantar 
de 
negcios. 
Equivoca-se. 
Mas 
ainda 
no 
tenho 
abordado 
esse 
aspecto. 
Uma 
vez 
fora, 
ajudou-a 
a 
pr 
o 
capacete. 
Cat 
saltou 
ao 
banco 
traseiro 
e 
Alex 
calcou 
a 
embreagem. 
Ao 
sair 
a 
toda 
velocidade 
do 
estacionamento, 
ela 
rodeou 
sua 
cintura. 
Conduzia 
rpido, 
mas 
com 
prudncia. 
No 
entanto, 
no 
pde 
evitar 
recordar 
que 
Dean 
sempre 
dizia 
que 
os 
motoristas 
so 
doador 
em 
potencial. 
A 
idia 
desvaneceu-se 
cedo. 
Ao 
chegar 
a 
sua 
casa, 
lamentava 
que 
o 
trajeto 
tivesse 
sido 
to 
curto. 
Alex 
deve 
ter 
percebido 
sua 
pouca 
vontade 
de 
descer 
da 
moto. 
Que 
passa? 
perguntou 
enquanto 
tirava 
o 
capacete. 
Nada 
 respondeu 
ela 
ao 
devolver 
o 
seu. 
Algo. 
Quero 
lhe 
agradacer 
por 
no 
dar 
muita 
importncia. 
Olhou-a 
sem 
compreender. 


#
Ao 
meu 
transplante. 
No 
ficou 
branco 
como 
o 
papel 
ao 
levar 
na 
moto 
e 
tem 
conduzido 
to 
rpido 
como 
sempre. 
E 
por 
que 
no? 
Muitas 
pessoas 
pensam 
que 
sou 
frgil 
e 
no 
se 
arriscam 
a 
muita 
coisa. 
E 
tanta 
considerao 
 
uma 
droga. 
Agradeo-lhe 
que 
no 
me 
trate 
com 
luva 
de 
seda. 
Seus 
olhos 
encontraram 
e 
ela 
sabia 
que 
algo 
estava 
passando. 
Esse 
homem 
atraa-a 
tanto 
que 
era 
impossvel 
no 
se 
dar 
conta. 
E 
no 
tinha 
comeado 
agora. 
Tinha 
sentido 
um 
frio 
em 
seu 
interior 
no 
momento 
em 
que 
o 
tinha 
visto 
na 
porta 
da 
casa 
dos 
Walters 
e 
a 
tinha 
olhado. 
Esses 
olhos 
eram 
uma 
tentao, 
mas 
tinha 
resistido. 
Agora 
j 
no 
e 
estudou 
sua 
cara. 
Tinha 
cenas 
assim 
em 
Passages, 
situaes 
que 
davam 
a 
entender 
que 
produzia 
umem 
troca 
na 
vida 
da 
protagonista: 
um 
momento 
que 
dividia 
um 
antes 
e 
um 
depois. 
Para 
delcia 
dos 
telespectadores, 
ela 
interpretava 
esse 
impulso; 
mas 
no 
o 
tinha 
experimentado. 
No 
dessa 
forma. 
Alex 
interrompeu 
o 
feitio. 
-Tenho 
que 
lhe 
pedir 
um 
favor. 
Caminharam 
para 
a 
casa.
- 
este 
o 
assunto 
de 
negcios 
que 
fazia 
parte 
do 
jantar? 
Sim. 
Quero 
que 
pense 
na 
possibilidade 
de 
ajudar 
nos 
trabalhos 
de 
investigao 
para 
meu 
novo 
livro. 
Como 
poderia 
lhe 
ajudar? 
Ao 
chegar 
 
porta, 
deu 
a 
volta 
para 
olh-la 
cara 
a 
cara. 
Cedendo 
na 
primeira 
entrevista. 
Que? 
Se 
deitaria 
comigo 
esta 
noite? 
No! 
Pois 
j 
est. 
Negcio 
terminado. 
Pedi 
que 
me 
ajudasse 
no 
trabalho 
de 
investigao 
Tem 
dito 
que 
no, 
como 
esperava; 
mas 
tem 
sido 
uma 
petio 
legtima 
e 
direta. 
Cat 
tentou 
manter 
a 
raiva, 
mas 
escapou-lhe 
um 
sorriso. 
Acha 
que 
Fazenda 
o 
aceitar 
como 
uma 
operao 
comercial? 
No 
me 
pedem 
que 
especifique. 
Passou 
um 
carro 
que 
chamou 
a 
ateno. 
No 
esperava 
que 
vivesse 
em 
um 
lugar 
assim. 
-Que 
esperava? 
Algo 
mais 
sofisticado. 
-Tenho 
Uma 
casa 
mais 
sofisticada 
em 
Malib 
Isto 
 
justo 
o 
que 
buscava 
quando 
me 
mudei. 
Uma 
avenida 
com 
rvores 
em 
um 
bairro 
tranqilo. 
Uma 
casa 
construda 
faz 
trinta 
anos, 
com 
cho 
de 
madeira, 
espaciosa 
e 
cmoda. 
-Uma 
casa 
que 
gostaria 
a 
sua 
me. 
Sim, 
 
Possvel. 
De 
imediato 
percebeu 
sua 
tristeza. 
Falei 
besteira, 
verdade? 
Ambiente 
familiar 
ruim? 


#
Nenhum 
ambiente 
familiar. 
Meus 
pais 
morreram 
quando 
eu 
tinha 
oito 
anos. 
-Cu 
santo 
que 
ocorreu? 
Evitou 
contestar 
aparentando 
no 
entender 
o 
significado 
da 
pergunta. 
Absorveu-me 
o 
sistema. 
-Orfanato? 
Ningum 
me 
adotou 
porque 
estava 
doente. 
Todos 
os 
meninos 
tm 
doenas. 
No 
se 
tratava 
de 
doenas 
infantis; 
eu 
tinha 
o 
mau 
de 
Hodgkins. 
Detectou-se 
a 
tempo 
e 
comecei 


o 
tratamento, 
mas 
as 
pessoas 
pensavam 
que 
era 
arriscado 
adotar 
a 
uma 
ruiva 
esculida 
com 
um 
historico 
clnico 
to 
penoso. 
A 
partir 
da, 
tudo 
ficou 
ruim. 
Quer 
mesmo 
que 
eu 
explique? 
Ainda 
no 
tenho 
sado 
correndo. 
Pode 
faz-lo 
quando 
quizer. 
Ele 
ficou. 
Cat 
suspirou 
e 
continuou: 
Passava 
de 
um 
orfanato 
a 
outro. 
Devido 
s 
contnuas 
rejeies, 
adotei 
uma 
atitude 
negativa. 
Portava-me 
mau 
para 
chamar 
a 
ateno. 
Em 
poucas 
palavras: 
era 
um 
verdadeiro 
terror.
 
compreensvel. 
Sempre 
fui 
diferente 
dos 
demais 
meninos; 
primeiro 
porque 
estava 
gravemente 
doente 
e 
depois
porque 
no 
tinha 
pais. 
 
uma 
sorte 
que 
sobrevivesse 
sem 
demasiados 
traumas. 
Creio-o. 
Tem 
a 
olhar 
de 
uma 
lutadora 
feroz. 
O 
que 
lhe 
causou 
os 
problemas 
de 
corao? 
A 
quimioterapia 
para 
linfoma 
de 
Hodgkins. 
Matou 
o 
cncer, 
mas 
produziu 
leses 
no 
corao. 
Fazia 
anos 
que 
me 
consumia. 
-E 
no 
o 
sabia? 
No, 
fazia 
uma 
vida 
normal. 
Mas 
o 
corao 
ia-se 
pretrificando... 
Quando 
j 
ficava 
pouca 
musculatura, 
comecei 
a 
notar 
a 
falta 
de 
energia. 
Atribua-o 
a 
que 
trabalhava 
demasiado, 
mas 
nem 
o 
descanso 
nem 
as 
vitaminas 
aliviavam 
a 
fadiga. 
Fui 
a 
uma 
reviso 
de 
rotina 
e, 
para 
meu 
desespero, 
o 
cardiologista 
anunciou 
que 
grande 
parte 
do 
msculo 
cardaco 
era 
to 
dura 
e 
pouco 
flexvel 
como 
uma 
pedra. 
No 
podia 
bombear 
o 
sangue 
necessrio, 
trabalhava 
a 
um 
tero 
de 
sua 
capacidade, 
o 
qual 
me 
fazia 
merecedora 
de 
um 
transplante. 
Ou, 
pior 
ainda: 
estava 
condenada. 
Sentiu 
medo? 
No 
tanto 
como 
raiva. 
Tinha 
conseguido 
superar 
todas 
minhas 
carncias 
infantis 
e 
era 
uma 
estrela 
do 
tv. 
Milhes 
de 
pessoas 
admiravam-me. 
Minha 
vida 
era 
fantstica, 
e 
ento... 
Teria 
querido 
agarrar 
a 
Deus 
pela 
gola 
e 
dizer-lhe: 
Ouve, 
no 
gosto 
de 
queixar-me, 
mas 
me 
parece 
que 
j 
 
suficiente 
Suponho 
que 
recebeu 
a 
mensagem, 
j 
que 
me 
deixou 
viver. 
-E 
da 
Os 
Meninos 
de 
Cat. 
-E 
da 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
 repetiu 
em 
um 
susurro, 
sorrindo, 
contente 
de 
que 
Alex 
fosse 
o 
bastante 
intuitivo 
como 
para 
ver 
a 
conexo 
Olharam-se 
aos 
olhos 
entre 
as 
sombras 
e 
o 
silncio 
da 
noite. 
Passou 
outro 
carro, 
mas 
no 
prestaram 
ateno. 
Um 
mosquito 
aterrissou 
em 
seu 
brao 
e 
Cat 
espantou-o. 
Pierce 
levantou 
a 
mo 
e 
deslizou-a 
pelo 
decote 
dela. 
As 
pontas 
dos 
dedos 
avanaram 
desde 
o 
pescoo 
at 
a 
extenso 
enquanto 
seguia 
o 
processo 
com 
a 
vista. 
#
-Esperava 
ver 
uma 
cicatriz. 
Sua 
voz 
de 
bartono 
incitou-a 
a 
uma 
resposta 
sincera. 
-Tem 
desaparecido, 
mas 
eu 
ainda 
a 
vejo. 
-Sim? 
Sim. 
Ainda 
que 
j 
no 
esteja. 
-Di? 
A 
cicatriz? 
-Todo 
o 
processo. 
Uma 
parte 
foi... 
difcil.
 
voc 
muito 
valente. 
Na 
UTI 
no. 
Os 
tubos, 
os 
cateteres, 
a 
sensao 
de 
asfixia. 
Ainda 
que 
tinham-me 
advertido 
do 
que 
me 
esperava, 
tinha 
pnico. 
Era 
uma 
cmera 
de 
torturas. 
Imagino. 
No, 
no 
pode 
imaginar 
at 
voc 
passar 
por 
isso. 
Seguro 
que 
tem 
razo. 
A 
nica 
coisa 
que 
me 
dava 
nimos 
era 
o 
saber 
que 
tinha 
um 
corao 
novo. 
Sintia-o 
pulsar 
com 
tanta 
fora! 
Como 
agora? 
Ele 
pressionou 
a 
mo 
contra 
o 
seio. 
No, 
agora 
est 
ainda 
mais 
forte. 
Falavam 
baixinho 
e 
Alex 
continuava 
acariciando 
a 
zona 
da 
cicatriz. 
Cat 
estava 
adorando 
que 
o 
permitisse 
a 
tocar, 
mas, 
de 
alguma 
forma, 
no 
parecia 
incorrecto. 
Sua 
caricia 
era 
suave. 
E, 
intencionalmente 
ou 
no, 
ertica. 
Estava-se 
derretendo. 
Uma 
deliciosa 
languidez 
apoderou-se 
dela, 
to 
irresistvel 
como 
a 
anestesia. 
Sentia 
formigamento 
e 
ccegas 
nas 
terminaes 
nervosas 
e 
a 
sensibilidade 
exacerbada. 
Alex 
observava 
o 
ponto 
de 
contato 
entre 
seus 
dedos 
e 
a 
pele 
de 
Cat, 
mas, 
pouco 
a 
pouco, 
seus 
olhos 
voltaram 
a 
encontrar-se 
com 
os 
dela. 
Comunicavam 
desejo. 
Necessidade. 
-Me 
convidas 
entrar? 
perguntou 
com 
voz 
rouca. 
No. 
Ficar 
chateado? 
No. 
S 
decepcionado. 
Ento 
atraiu-a 
para 
si 
e 
a 
beijou, 
buscando 
sua 
lngua. 
Quando 
se 
encontraram, 
emitiu 
um 
gemido 
viril. 
Ela 
estremeceu 
e 
ps 
a 
mo 
em 
sua 
nuca, 
estreitando 
os 
dedos 
entre 
os 
cabelos. 
Alex 
deslizou 
uma 
mo 
at 
o 
traseiro 
dos 
jeans 
da 
mulher 
e 
a 
apertou 
mais 
contra 
sua 
pelvis. 
Cat 
jogou 
a 
cabea 
para 
atrs 
Ofegante. 
Alex. 
Hum. 
A 
beijava 
no 
pescoo 
com 
avidez. 
Tenho 
que 
entrar. 
Ele 
levantou 
a 
cabea 
e 
piscou. 
Bom. 
Apartou, 
arrumou 
o 
cabelo 
e 
deu 
a 
volta 
para 
ir 
embora. 
Desceu 
os 
trs 
degraus 
em 
um 
salto. 


#
Cat 
sentiu 
remorsos. 
voc 
me 
ligar? 
Alex 
girou 
sobre 
seus 
ps. 
Quer 
que 
o 
faa? 
Ela 
sentia 
seus 
ps 
 
beira 
de 
um 
abismo. 
Cairia 
em 
pecado 
para 
o 
desconhecido 
at 
aterrissar 
sobre 
algo 
que 
podia 
ser 
maravilhoso 
ou 
um 
pesadelo. 
No 
o 
saberia 
at 
que 
saltasse, 
por 
mais 
perigoso 
que 
fosse, 
queria 
correr 
o 
risco 
e 
averiguar 
o 
tinha 
abaixo. 
Sim. 
Quero 
que 
me 
chames. 
O 
farei. 


Demorou 
um 
momento 
para 
acalmar-se. 
Aturdida, 
vagava 
pela 
casa 
sem 
saber 
por 
que 
tinha 
entrado 
em 
uma 
habitao, 
incapaz 
de 
se 
concentrar 
em 
nada 
que 
no 
fosse 
a 
boca 
e 
as 
mos 
de 
Alex 
sobre 
seu 
corpo. 
Despiu-se 
e 
tomou 
uma 
ducha 
e 
uma 
caneca 
de 
ch 
para 
relajar 
e 
baixar 
da 
nuvem 
ertica. 
Por 
fim, 
pensando 
que 
j 
poderia 
dormir, 
caminhou 
pela 
casa 
apagando 
as 
luzes. 
Aps 
passar 
os 
ps 
da 
primeira 
porta, 
viu 
o 
correio 
sem 
abrir 
que 
deixou 
em 
cima 
da 
mesa. 
Tinha 
vontade 
de 
deitar 
e 
reviver 
os 
momentos 
junto 
a 
Alex, 
mas 
sim 
deixava 
a 
correspondncia, 
amanh 
teria 
o 
duplo. 
Recolheu-a 
e 
levou 
 
cama. 
Fez 
uma 
seleo 
rpida 
atirando 
a 
propaganda 
ao 
cho 
e 
deixando 
as 
faturas 
no 
criado-mudo. 
O 
ltimo 
envelope 
chamou-lhe 
a 
ateno 
por 
seu 
asseio. 
Seu 
nome 
e 
endereo 
escritos 
no 
centro. 
No 
levava 
nem 
remetente, 
ainda 
que 
sim 
o 
selo 
do 
escritrio 
dos 
correios. 
O 
abriu 
intrigada 
e 
encontrou 
um 
recorte 
de 
jornal 
de 
uma 
coluna 
e 
quatro 
pargrafos. 
Nenhuma 
nota 
nem 
explicao. 
Leu 
o 
artigo 
com 
crescente 
interesse. 
Em 
Memphis, 
Tennessee, 
Jerry 
Ward, 
um 
rapaz 
de 
dezesseis 
anos, 
tinha 
morrido 
afogado 
ao 
no 
poder 
sair 
do 
carro. 
Ao 
que 
parece, 
tinha 
perdido 
o 
controle 
do 
veculo 
em 
uma 
ponte 
escorregadia 
pela 
chuva 
e 
caiu 
ao 
rio. 
Passaram 
horas 
entre 
o 
acidente 
e 
a 
recuperao 
do 
cadver. 
Cat 
olhou 
de 
novo 
o 
envelope. 
Podia 
ser 
uma 
notcia 
de 
qualquer 
jornal 
do 
pas; 
qualquer 
leitor 
teria 
dado 
uma 
olhada 
antes 
de 
passar 
a 
algo 
mais 
interessante. 
Mas 
o 
annimo 
remitente 
sabia 
que 
acordaria 
o 
interesse 
de 
Cat 
Delaney, 
j 
que 
ela 
e 
o 
garoto 
de 
Memphis 
tinham 
algo 
em 
comum. 
Jerry 
Ward 
tinha 
um 
corao 
transplantado. 
Aps 
lutar 
contra 
uma 
doena 
cardaca 
desde 
a 
infncia, 
tinha 
uma 
vida 
nova 
tirada 
por 
um 
trgico 
acidente. 
A 
Cat, 
a 
cruel 
ironia 
no 
passou 
desapercebido. 
Suspeitava 
que 
essa 
era 
a 
inteno 
do 
remitente. 



Captulo 
dezenove 


#
Nancy 
Webster 
deitou 
ao 
lado 
de 
seu 
marido. 
Ps 
sua 
mo 
em 
seu 
estmago, 
um 
gesto 
habitual 
para 
concluir 
no 
dia. 
Ele 
acariciou 
distrado. 
Que 
passa 
por 
tua 
cabea 
esta 
noite? 
Bill 
sorriu. 
Montes 
de 
coisas. 
Como 
que? 
Nada 
em 
concreto. 
No 
comeo 
de 
seu 
casamento 
costumava 
comentar 
com 
ela 
todos 
os 
aspectos 
de 
seu 
trabalho 
cotidiano. 
Falavam 
baixinho 
para 
no 
acordar 
aos 
meninos, 
que 
dormiam 
na 
habitao 
contigua. 
Ao 
longo 
dos 
anos, 
outras 
obrigaes 
tinham 
s 
vezes 
ocupando 
o 
lugar 
das 
conversas 
de 
travesseiro. 
Nancy 
tinha 
saudades 
e 
sentia 
falta 
dos 
tempos 
em 
que 
ele 
valorizava 
sua 
opinio 
acima 
de 
qualquer 
outra. 
Ainda 
era 
assim, 
estava 
segura 
disso, 
mas 
j 
no 
pedia 
to 
com 
freqncia 
como 
antes 
que 
seu 
sucesso 
estivesse 
consolidado. 
Os 
novos 
ndices 
de 
audincia 
publicam-se 
amanh 
-comentou 
Bill. 
A 
ltima 
vez, 
a 
WWSA 
era 
o 
lder. 
E 
a 
concorrncia 
estava 
a 
anos 
luz 
no 
segundo 
lugar. 
Seguro 
que 
agora 
ganhado 
mais 
pontos. 
Confio 
em 
que 
tenhas 
razo. 
Chegou 
e 
apoiou 
a 
cabea 
em 
seu 
ombro. 
E 
da 
mais? 
Bom... 
Nada 
e 
tudo. 
Cat 
Delaney? 
Notou 
de 
imediato 
sua 
reao. 
Era 
sutil... 
Um 
msculo 
mais 
tenso; 
um 
retraimento 
da 
mo; 
algo 
que 
a 
ela 
no 
escapava. 


-Por 
que 
deveria 
estar 
pensando 
em 
Cat 
e 
no 
em 
Dirk 
Preston 
ou 
em 
Wally 
Seymour 
ou 
em 
Jane 
Jesco? 
disse, 
mencionando 
outros 
nomes 
importantes 
da 
WWSA. 
-Isso 
 
precisamente 
o 
que 
te 
estou 
perguntando. 
Por 
alguma 
razo 
especial 
pensas 
em 
Cat? 
-Faz 
um 
excelente 
trabalho, 
mas 
na 
semana 
passada 
ps-nos 
em 
um 
compromisso 
quando 
esse 
casal 
voltou 
atrs 
na 
adoo. 
Ainda 
bem 
que 
no 
colocaram 
a 
culpa 
em 
ns. 
Acomodou-se 
embaixo 
dos 
lenis 
e 
seu 
p 
roou 
o 
dela, 
mas 
o 
apartou. 
-Cat 
 
muito 
responsvel, 
s 
vezes 
demasiado, 
mas 
admiro-a 
e 
gosto. 
A 
mim 
tambm. 
Nancy 
apoiou-se 
no 
cotovelo 
e 
olhou-o. 
Mas 
no 
penso 
compartilhar 
meu 
marido 
com 
ela. 
De 
que 
ests 
falando? 
Bill, 
algo 
no 
funciona 
entre 
ns. 
No 
 
verdade. 
Noto-o. 
Estamos 
casados 
mais 
de 
trinta 
anos 
e 
a 
cada 
noite 
dormimos 
juntos. 
Vi-te 
feliz, 
triste, 
frustrado, 
alegre 
e 
inquieto. 
Eu 
o 
conheo 
com 
a 
palma 
da 
mo 
teus 
estados 
de 
nimo. 
E 
adoro-te. 
Avariou-lhe 
a 
voz 
e 
isso 
lhe 
molestava, 
j 
que 
no 
queria 
converter-se 
em 
uma 
esposa 
queixosa 
que 
lana 
seu 
marido 
aos 
braos 
de 
outra 
mulher 
mais 
compreensiva 
e 
menos 
propensa 
a 
interrogar. 
Bill 
acariciou-lhe 
o 
cabelo. 


#
Eu 
tambm 
te 
adoro. 
Juro-te 
por 
Deus 
que 
no 
mantenho 
um 
idilio 
com 
Cat. 
Mas 
era 
obcecado. 
Inclusive 
antes 
de 
a 
conhecer. 


A 
queria 
para 
a 
WWSA.
No 
me 
venhas 
com 
essas. 
 
algo 
mais 
que 
interesse 
profissional. 
J 
tens 
buscado 
pessoas 
outras 
vezes, 
mas 
no 
com 
a 
insistencia 
empregada 
com 
ela. 
Atrai-te 
sexualmente? 
-No! 
A 
seguir 
baixou 
a 
voz 
e 
repetiu: 
-No, 
Nancy. 
Ela 
olhou-o, 
buscando 
a 
verdade, 
mas 
seus 
olhos 
no 
revelavam 
nada. 
Isso 
lhe 
tinha 
ajudado 
a 
ser 
um 
excelente 
homem 
de 
negcios. 
Se 
seus 
olhos 
no 
queriam 
falar, 
ningum 
podia 
ler 
neles. 
Prosseguir 
a 
discusso 
equivalia 
a 
chamar-lhe 
mentiroso 
e 
s 
contribuiria 
os 
afastar 
ainda 
mais. 
-Creio-te. 
Bill 
passou-lhe 
o 
brao 
pelo 
ombro. 
Sabes 
que 
te 
quero. 
Sabe-lo. 
Ela 
assentiu. 
Mas 
para 
ficar 
tranqila 
precisava 
provas 
fsicas. 
Tomou-lhe 
a 
mo 
e 
p-la 
sobre 
seu 
seio. 
Ele 
respondeu. 
Se 
beijaram 
e 
acariciaram-se. 
Quando 
a 
penetrou, 
o 
abraou 
com 
as 
pernas, 
possessiva. 
Depois, 
se 
aconchegou 
ao 
seu 
lado, 
escutando 
sua 
respirao 
profunda 
e 
compassada. 
Por 
estar 
pele 
contra 
pe1e, 
por 
 
unio 
sensual 
e 
apaixonada, 
faltava 
a 
intimidade 
espiritual 
que 
tinham 
compartilhado 
durante 
anos. 
Algo 
interferia. 
Cat 
Delaney 
no 
parecia 
o 
tipo 
de 
mulher 
que 
teria 
um 
caso 
com 
um 
homem 
casado, 
mas, 
afinal 
de 
contas, 
era 
uma 
atriz. 
Sua 
cordialidade 
com 
ela 
podia 
ser 
s 
aparente. 
Nancy 
no 
confiava 
em 
nenhuma 
mulher. 
Bill 
era 
lindissimo, 
agradvel 
e 
rico: 
uma 
presa 
apetecvel 
para 
muitas 
mulheres 
cuja 
moral 
no 
impediria 
romper 
um 
casamento. 
Por 
boa 
que 
fosse 
sua 
relao, 
podia 
ocorrer. 
Ela 
e 
Bill 
tinham 
se 
conhecido 
e 
casado 
enquanto 
estavam 
na 
universidade, 
mas 
muitos 
casais 
rompiam 
depois 
de 
trinta 
anos. 
O 
sentimentalismo 
no 
bastaria 
para 
os 
manter 
juntos. 
Nem 
os 
seis 
filhos 
o 
reteriam 
a 
seu 
lado 
para 
sempre. 
Nancy 
s 
dependia 
do 
amor 
que 
tinha 
resistido 
trs 
dcadas 
e 
dela 
mesma. 
Mantinha-se 
em 
boa 
forma 
fsica 
e, 
aos 
cinquenta 
e 
quatro 
anos, 
tinha 
a 
pele 
elstica 
e 
quase 
sem 
rugas. 
Um 
banho 
de 
cor 
lhe 
dissimulava 
os 
poucos 
cabelos 
brancos. 
Ia 
ao 
ginasio 
trs 
vezes 
por 
semana 
e 
jogava 
ao 
golf 
e 
tnis, 
tudo 
o 
qual 
contribua 
a 
combater 
a 
fraqueza 
da 
maturidade. 
Quando 
se 
olhava 
ao 
espelho, 
sem 
falsa 
modstia 
se 
via 
com 
melhor 
aspecto 
que 
a 
maioria 
de 
mulheres 
de 
sua 
idade. 
Nunca 
tinha 
tido 
uma 
carreira 
prpria, 
dedicando 
toda 
sua 
energia 
a 
apoiar 
a 
de 
Bill. 
Webster 
comeou 
como 
cmera 
de 
estdios 
aos 
vinte 
e 
poucos 
anos 
e 
tinha 
escalado 
postos 
at 
chegar 
a 
diretor, 
mudando 
de 
emissora 
a 
emissora, 
de 
cidade 
em 
cidade, 
de 
estado 
a 
estado. 
Os 
primeiros 
quinze 
anos 
de 
casamento 
mudaram 
tantas 
vezes 
de 
domiclio 
que 
Nancy 
tinha 
perdido 
a 
conta. 
No 
importava 
as 
mudanas, 
j 
que 
com 
cada 
novo 
emprego 
melhorava 
sua 
posio 
dentro 
da 
indstria 
televisiva 
e 
ela 
sabia 
o 
importante 
que 
era 
para 
ele. 
Enquanto 
era 
diretor 
geral 
em 
uma 
emissora 
de 
Michigan 
tinha 
gerenciado 
sua 
venda 
a 
uma 
multinacional, 
ganhando 
uma 
importante 
comisso. 
Os 
novos 
proprietrios 
pediram-lhe 
que 
ficasse, 
mas 
optou 
por 
utilizar 
a 
comisso 
como 
primeiro 
pagamento 
de 
sua 
prpria 
emissora. 
A 
WWSA 


#
tinha-se 
convertido 
para 
eles 
em 
outro 
filho. 
Bill 
dedicava-se 
 
emissora 
e 
ela 
se 
dedicava 
a 
ele. 
Tinha 
planejado 
permanecer 
em 
seu 
papel 
de 
confidente, 
esposa, 
amiga 
e 
amante 
at 
o 
final 
de 
seus 
dias. 
Amava 
a 
William 
Webster 
e 
faria 
o 
que 
fosse 
com 
tal 
do 
reter. 
Apoiou 
a 
bochecha 
no 
travesseiro 
e 
observou 
seu 
marido 
enquanto 
dormia. 
Com 
esse 
homem 
tinha 
experimentado 
um 
amor 
que 
nunca 
imaginou 
que 
pudesse 
existir. 
Era 
um 
amor 
complexo 
e 
que 
tinha 
muitos 
aspectos, 
marcado 
por 
episdios 
fundamentais 
em 
suas 
vidas. 
No 
dia 
de 
seu 
casamento. 
A 
cada 
passo 
de 
sua 
carreira. 
A 
cada 
xito 
e 
a 
cada 
fracasso. 
O 
nascimento 
dos 
filhos. 
A 
morte 
de 
uma 
filha. 
Nancy 
ficou 
sem 
flego. 
Era 
possvel 
que 
Bill 
dissesse 
a 
verdade? 
E 
se 
sua 
obssesso 
por 
Cat 
Delaney 
no 
fosse 
de 
tipo 
sexual? 
Teria 
algo 
que 
ver 
com 
Carla? 
Essa 
possibilidade 
encheu-a 
de 
temor. 


Bons 
dias, 
senhorita 
Delaney. 
Cat 
ficou 
de 
pedra 
ao 
ver 
a 
Melia 
King 
por 
trs 
da 
mesa 
de 
recepo, 
ao 
lado 
do 
escritrio 
do 
diretor 
de 
noticirios. 
Perdoe. 
Melia 
contou 
ao 
telefone. 
Bons 
dias. 
WWSA. 
Diga-me. 
Passou 
o 
telefonema 
a 
um 
dos 
jornalistas 
e 
a 
seguir 
ofereceu 
a 
Cat 
seu 
melhor 
sorriso. 
Agora 
trabalho 
aqui. 
Cat 
deu 
a 
volta. 
Em 
vez 
de 
subir 
no 
elevador, 
optou 
pela 
escada. 
Chegou 
ao 
departamento 
pessoal 
em 
matria 
de 
minutos 
e 
chegou 
 
secretria. 
Sem 
prembulos, 
perguntou 
se 
Melia 
King 
seguia 
em 
nmina. 
Agora 
 
a 
recepcionista 
de 
noticirios. 
Como 
 
possvel? 
Despedi-a 
faz 
duas 
semanas. 
Tm 
voltado 
a 
contrat-la. 
Quando? 
Por 
que? 
No 
estou 
em 
situao 
de 
informar, 
senhorita 
Delaney. 
Disseram-me 
que 
voltasse 
 
empregar; 
isso 
 
o 
nico 
que 
sei. 
Cat 
olhou 
a 
porta 
fechada 
do 
escritrio 
da 
chefa 
de 
pessoal. 
-Quero 
falar 
com 
ela. 
Faa 
o 
favor 
de 
anunciar-me. 
-No 
est, 
senhorita 
Delaney 
Lhe 
deixarei 
o 
recado. 
-No 
faz 
falta, 
obrigado. 
Isto 
no 
pode 
esperar. 
Virou 
para 
ir-se, 
mas 
antes 
disse: 
-No 
se 
preocupe; 
a 
manterei 
 
margem 
do 
assunto. 
-Saiu 
do 
escritrio 
de 
pessoal, 
caminhou 
at 
o 
final 
do 
corredor 
e 
entrou 
e 
a 
antessala 
do 
diretor 
Geral. 
-Esta 
ele? 
O 
ajudante 
de 
Webster 
olhou-a 
entre 
ofendido 
e 
temeroso 
como 
se 
esta 
fera 
com 
cabelo 
vermelho 
e 
olhos 
cintilantes 
lhe 
tivesse 
pedido 
a 
carteira 
ou 
a 
vida. 
Sim, 
mas... 


#
Obrigado. 
Bill 
falava 
por 
telefone 
quando 
ela 
abriu 
a 
porta. 
Levantou 
 
vista 
contrariado, 
mas 
ao 
ver 
que 
era 
Cat 
sorriu 
e 
indicou 
que 
entrasse. 
Sim, 
sim, 
lhe 
chamarei 
na 
prxima 
semana. 
Sim, 
obrigado. 
Adeus. 
Pendurou 
e 
levantou 
sorrindo. 
Alegro-me 
de 
ver-te, 
Cat; 
queria 
conversar 
um 
pouco 
contigo. 
No 
vim 
para 
conversar. 
Seu 
tom 
spero 
surpreendeu-lhe 
e 
apagou 
seu 
sorriso. 
J 
o 
vejo. 
Senta-te. 
Prefiro 
estar 
de 
p. 
Sabes 
que 
Melia 
King 
voltou 
a 
trabalhar 
aqui? 
Ah, 
trata-se 
disso. 
A 
chefa 
de 
pessoal 
voltou 
a 
empreg-la 
depois 
que 
eu 
a 
despedi. 
No 
tenho 
nem 
idia 
de 
por 
que 
o 
fez, 
mas 
quero 
e 
espero 
que 
intervenhas 
e 
respaldes 
minha 
deciso. 
No 
posso, 
Cat.
s 
o 
diretor 
geral; 
por 
suposto 
que 
podes. 
No 
posso 
porque 
tenho 
autorizado 
a 
volta 
ao 
trabalho 
da 
senhorita 
King. 
Ao 
ouvir 
isto 
se 
sentou, 
mas 
sem 
ter 
conscincia 
disso. 
O 
assombro 
fazia 
que 
tremessem 
os 
joelhos 
e 
teve 
que 
se 
deixar 
cair 
na 
cadeira. 
Aps 
olh-lo 
com 
incredulidade 
uns 
segundos, 
apoiou 
as 
mos 
em 
cima 
da 
mesa. 
Por 
que, 
Bill? 
Estes 
assuntos 
so 
delicados, 
Cat. 
Podem 
parecer 
fceis, 
mas 
asseguro-te 
que 
so 
complicados. 
Sua 
condescendncia 
p-la 
furiosa. 
No 
me 
vai 
dizer 
que 
no 
 
nada 
que 
deva 
preocupar 
a 
esta 
linda 
cabecinha, 
verdade? 
Ele 
franziu 
o 
cenho. 
No 
te 
estou 
falando 
com 
superioridade. 
Sim, 
est 
fazendo. 
E 
deixa 
de 
rodeos 
e 
vai 
ao 
ponto. 
Por 
complicado 
que 
seja, 
acho 
que 
poderei 
entender. 
Por 
que 
anulou 
a 
demisso 
de 
Melia? 
Por 
dois 
motivos. 
Um: 
 
hispana 
e 
temos 
que 
ter 
cuidado 
com 
as 
demisses 
de 
minorias 
tnicas. 
Leva 
tempo 
suficiente 
neste 
negcio 
como 
para 
saber 
que 
se 
violas 
de 
alguma 
forma 
a 
Ata 
de 
Igualdade 
de 
Oportunidades 
de 
Emprego, 
ou 
inclusive 
se 
a 
algum 
lhe 
parece 
que 
a 
violaste, 
a 
Direo 
geral 
de 
Telecomunicaes 
te 
olha 
com 
lupa. 
Pelo 
preo 
de 
um 
selo 
de 
correios 
qualquer 
pode 
apresentar 
uma 
queixa 
e 
te 
fecham 
a 
emissora. 
-Minha 
demisso 
no 
tem 
nada 
que 
ver 
com 
a 
origem 
tnica, 
e 
o 
sabes 
muito 
bem. 
-Sei-o, 
mas 
se 
nos 
abrem 
uma 
investigao 
minha 
opinio 
no 
contar 
para 
nada. 
Olha 
Cat, 
s 
que 
tens 
tido 
problemas 
com 
essa 
empregada. 
Mas 
no 
apresentastes 
queixas 
por 
escrito 
dos 
incidentes. 
-No 
queria 
te 
trazer 
problemas. 
-Agradeo-to, 
mas, 
por 
desgraa, 
desta 
vez 
tua 
considerao 
no 
te 
fez 
nenhum 
favor. 
Se 
tivesse 
relatrios 
por 
escrito 
da 
negligencia 
ou 
incompetncia 
da 
senhorita 
King, 
teria 
provas 
slidas 
para 
sua 
demisso. 
Mas 
no 
as 
h 
e 
d 
a 
impresso 
de 
que 
a 
despediste 
sem 
motivo, 
que 
se 
tratava 
de 
uma 
incompatibilidade 
de 
carater 
e 
nada 
mais. 
O 
organismo 
competente 
nos 
sancionaria. 
A 
senhorita 
King 
sabia-o 
e 
lho 
comentou 
 
chefa 
de 
pessoal, 
quem 
exps-me 
o 
caso. 
A 
sutil 
mensagem 


#
da 
senhorita 
King 
era 
claro. 
Atira-se 
um 
farol 
e 
tu 
lhe 
ensinas 
as 
cartas. 
Tomei 
a 
deciso 
de 
readmitir-la 
pelo 
bem 
da 
WWSA. 
Era 
um 
fato 
consumado 
e 
Webster 
no 
voltaria 
atrs. 
Cat 
sbia 
que 
no 
ganharia 
nada 
explicando 


o 
assunto 
dos 
medicamentos 
e 
a 
confesso 
de 
Melia. 
No 
 
que 
custo, 
mas 
qual 
 
o 
outro 
motivo 
para 
seu 
readmisso? 
Disse 
que 
tinha 
dois.
 
diminuda. 
Diminuda? 
repetiu 
Cat 
com 
uma 
gargalhada. 
Se 
h 
a 
alguma 
empregada 
sem 
nenhuma 
tara 
fsica, 
essa 
 
Melia 
King.
 
dislxica. 
Deus 
meu. 
Cat 
suspirou 
recordando 
todas 
as 
vezes 
que 
a 
tinha 
repreendido 
por 
apontar 
mal 
os 
nmeros 
de 
telefone. 
No 
tinha 
nem 
a 
menor 
idia. 
Nem 
tu 
nem 
ningum. 
No 
constava 
em 
seu 
histrico 
trabalhista. 
Tem 
aprendido 
a 
colocar 
bem 
as 
vogais, 
ainda 
que 
no 
sempre 
com 
sucesso. 
Talvez 
por 
isso 
cometesse 
tantos 
erros. 
Talvez. 
A 
dislexia 
no 
era 
uma 
desculpa 
para 
o 
que 
tinha 
feito 
com 
os 
medicamentos 
Cat 
lamentava 
seu 
defeito 
e 
no 
teria 
importado 
perdoar 
erros 
pretritos 
e 
os 
passar 
por 
alto 
no 
futuro 
se 
Melia 
tivesse 
tido 
uma 
atitude 
mais 
cordial. 
-No 
deveria 
fazer 
outros 
trabalhos 
em 
lugar 
dos 
administrativos 
que 
requerem 
apontar 
nomes, 
nmeros? 
-Faz 
questo 
de 
que 
se 
defende 
bem. 
Alm 
do 
mais, 
 
o 
nico 
j 
que 
temos 
podido 
dar-lhe. 
Inclusive 
nisso 
tivemos 
que 
fazer 
malabarismos. 
V, 
v; 
foi 
muito 
cmodo. 
O 
sarcasmo 
no 
te 
vai, 
Cat. 
Chateada, 
levantou-se 
e 
disps-se 
a 
sair. 


Compreendo 
que 
estava 
em 
uma 
situao 
comprometedora, 
Bill. 
Inclusive 
aceito 
que, 
pelo 
bem 
da 
emissora, 
tinhas 
pouca 
eleio. 
O 
que 
para 
valer 
me 
deixa 
chateada 
 
que 
no 
se 
me 
consultasse. 
Me 
fez 
parecer 
ridcula 
e 
sem 
autoridade. 
No 
 
verdade, 
Cat. 
Temo 
que 
sim. 
Se 
eu 
ou 
algum 
que 
se 
supe 
um 
cargo 
executivo, 
v 
como 
suas 
decises 
so 
revogadas 
por 
que 
nos 
faz 
achar 
que 
temos 
poder? 
Deixando 
fora 
a 
dislexia, 
Melia 
merecia 
que 
a 
despedisse.
 
muito 
possvel, 
mas 
assim 
 
a 
natureza 
de 
nosso 
negcio. 
Bom, 
pois 
essa 
parte 
da 
natureza 
do 
negcio 
no 
presta. 
Bill 
levantou-se. 
Acho 
que 
est 
exagerando, 
Cat. 
H 
algo 
mais 
que 
te 
preocupa? 
Sim, 
pensou. 
Esse 
inquietante 
recorte 
de 
jornal. 
Ainda 
estava 
dentro 
do 
envelope, 
na 
gaveta 
de 
seu 
criado-mudo. 
Tentou 
tom-lo 
como 
obra 
de 
um 


#
louco 
e 
o 
jogar 
 
lixeira, 
mas 
algo 
a 
tinha 
impulsionado 
ao 
guardar. 
Mais 
inquietante 
ainda 
que 
o 
artigo 
em 
si, 
era 
o 
fato 
de 
que 
o 
tivessem 
enviado 
como 
um 
annimo. 
Mas 
isso 
no 
significava 
necessariamente 
um 
perigo; 
talvez 
s 
indicasse 
que 
o 
remitente 
era 
insensvel 
e 
tinha 
um 
pssimo 
sentido 
do 
humor. 
No 
tinha 
chegado 
a 
nenhuma 
concluso 
e 
era 
prematuro 
falar 
disso 
ao 
Bill, 
que, 
sem 
dvida, 
pensaria 
que 
tinha 
mana 
de 
perseguio. 
E 
teria 
razo. 
Tudo 
vai 
muito 
bem 
 
disse. 
Esboou 
um 
sorriso 
e 
mudou 
de 
tema: 
No 
te 
comentei 
o 
ltimo 
sucesso? 
Chantal. 
Lembras-te 
dela? 
A 
menina 
que 
precisava 
um 
transplante 
de 
rins? 
Exato. 
Seus 
pais 
adotivos 
tm 
assumido 
toda 
a 
responsabilidade 
de 
sua 
assistncia 
mdica. 
Ontem 
encontraram 
um 
doador 
e 
ontem 
 
noite 
operaram-na. 
At 
agora 
no 
tem 
tido 
nenhum 
problema. 
Isso 
 
estupendo, 
Cat. 
E 
nos 
dar 
boa 
imagem. 
Sim, 
j 
lhe 
pedi 
a 
Jeff 
que 
redija 
e 
distribua 
um 
comunicado 
de 
imprensa. 
E 
que 
o 
primeiro 
seja 
para 
Rum 
Truit. 
Se 
no 
faz 
um 
artigo 
sobre 
isto 
poderemos 
lhe 
acusar 
de 
jornalismo 
partidrio. 
Bill 
ps 
as 
mos 
sobre 
seus 
ombros. 


-No 
penses 
mais 
nesse 
outro 
assunto; 
no 
tem 
importncia, 
comparado 
com 
o 
excelente 
trabalho 
que 
ests 
fazendo. 
Segue 
assim 
e 
deixa 
as 
tarefas 
rotineiras 
da 
WWSA 
para 
mim. 
-Farei 
o 
que 
possa 
para 
recordar. 
Mas 
quando 
me 
ponho 
furiosa 
fica 
nublada 
a 
minha 
memria. 
-Bill 
riu 
e 
acompanhou-a 
at 
a 
porta. 
-Tinha 
motivos 
para 
ficar 
chateada. 
Ver 
como 
isso 
passa. 
Nancy 
est 
planejando 
um 
jantar 
para 
apresentar-te 
a 
pessoas 
que 
podem 
contribuir 
a 
uma 
arrecadao 
de 
fundos 
com 
famosos, 
tal 
e 
como 
falamos. 
Vai-te 
bem 
no 
sbado? 
-Fantstico. 
Posso 
trazer 
meu 
famoso? 
Por 
suposto. 
Quem 
? 
-Alex 
Pierce. 
O 
escritor? 
Tenho 
ouvido 
falar 
dele? 
E 
quem 
no? 
J 
se 
considera 
uma 
grande 
revelao. 
No 
sabia 
que 
vivia 
em 
San 
Antonio. 
Tenho 
a 
impresso 
de 
que 
no 
tem 
casa 
em 
nenhuma 
parte, 
mas 
agora 
est 
aqui 
escrevendo 
sua 
prxima 
novela. 
Trag-o. 
Nancy 
ficar 
encantada. 



Captulo 
vinte 


Que 
me 
dizes? 
Queres 
ir? 
Que 
tenho 
que 
levar? 


#
Para 
comear, 
sapatos 
e 
meias. 
Atravs 
do 
telefone 
escutou 
sua 
gargalhada 
que 
fazia 
ccegas 
na 
orelha 
e 
lhe 
punha 
a 
pele 
de 
galinha. 
Isto 
 
ridculo 
pensou. 
Estava 
se 
comportando 
como 
uma 
colegial 
em 
pleno 
idilio. 
Sempre 
pensava 
nele, 
sua 
imagem 
a 
distraa 
no 
trabalho 
e 
se 
alegrava 
ao 
ouvir 
sua 
voz. 
Era 
absurdo! 
Buscarei. 
Verei 
se 
encontro 
um 
par 
de 
meias. 
No 
 
um 
jantar 
de 
gala, 
mas 
no 
gostaria 
que 
de 
meu 
acompanhante 
se 
pusesse 
em 
evidncia. 
Ter 
pessoas 
muito 
importantes. 
Nancy 
Webster 
organiza 
uma 
arrecadao 
de 
fundos 
para 
os 
meninos, 
de 
modo 
que 
no 
voltarei 
a 
te 
dirigir 
a 
palavra 
se 
der 
um 
passo 
em 
falso 
que 
ponha 
em 
perigo 
o 
dinheiro 
para 
eles. 
Prometo 
que 
no 
arranhar 
e 
nem 
torcer 
o 
nariz. 
Oh, 
obrigado 
pela 
garantia. 
Ento, 
ou 
me 
humilhars 
ou 
te 
esquecers 
de 
aparecer. 
O 
marcarei 
no 
calendrio. 
Mas 
 
que 
te 
esqueces 
de 
olhar 
o 
calendado. 
Foi 
Assim 
que 
nos 
conhecemos. 


 
Foi 
o 
melhor 
erro 
que 
cometi. 
Se 
ruborizou 
de 
prazer 
e 
pensou 
que 
ainda 
bem 
que 
ele 
no 
via 
seu 
sorriso 
embobado. 
Para 
evitar 
mal 
entendidos 
te 
chamarei 
um 
par 
de 
horas 
antes 
e 
passarei 
para 
peg-lo. 
Boa 
idia. 
Vais 
escrever 
esta 
noite? 
Sim, 
mas 
ultimamente 
custa-me 
concentrar-me 
sabes 
o 
que 
distrai 
minha 
ateno? 
De 
novo 
sentiu 
ccegas... 
Era 
agradvel 
ser 
motivo 
de 
sua 
distrao... 
Tinham 
sado 
duas 
vezes 
desde 
aquela 
primeira. 
Uma 
delas 
se 
encontraram 
em 
um 
restaurante 
para 
jantar 
e 
depois 
foi 
cada 
um 
para 
o 
seu 
lado. 
A 
outra, 
ele 
a 
tinha 
passado 
a 
buscar... 
De 
carro. 
Foram 
ao 
Riverwalk, 
onde 
comeram 
uma 
horrvel 
comida 
mexicana 
em 
num 
terrao 
e 
a 
seguir 
deram 
um 
passeio 
pela 
famosa 
alameda 
que 
flanquea 
o 
rio 
San 
Antonio 
at 
o 
centro 
da 
cidade. 
Depois 
de 
um 
momento 
deixaram 
as 
lojas 
para 
os 
turistas 
e 
subiram 
ao 
nvel 
da 
rua, 
onde 
estava 
mais 
fresco, 
era 
mais 
tranqilo 
e 
estava 
menos 
freqentado. 
Cruzaram 
a 
rua, 
compraram 
sorvetes 
com 
sabor 
de 
abacaxi 
de 
um 
vendedor 
sonolento 
e 
sentaram 
em 
um 
banco 
apartado 
e 
 
sombra 
na 
praa 
Alamo. 
Comeava 
o 
crepsculo 
e 
o 
nibus 
de 
turistas 
j 
tinham 
sado. 
O 
forte, 
iluminado, 
majestoso 
e 
imponente, 
era 
uma 
lembrana 
da 
batalha 
que 
teve 
lugar 
ali 
cento 
cinquenta 
anos 
atrs. 
-Eles 
tiveram 
escolha, 
no? 
disse 
Alex 
masticando 
o 
gelo 
triturado-. 
Voc 
teria 
ficado? 
Lutando 
at 
a 
morte? 
 
difcil 
diz-lo. 
Suponho 
que 
sim, 
se 
no 
pensar 
que 
pode 
perder 
a 
vida. 
Passei 
por 
isso, 
em 
verdadeiro 
modo. 
Interrogou-a 
com 
a 
olhar. 
Justo 
antes 
do 
transplante 
dei-me 
conta 
de 
repente 
de 
que 
ia 
tirar 
meu 
corao. 
No 
me 
interprete 
mal 
queria 
um 
novo, 
mas, 
por 
um 
momento, 
experimentei 
certa 
angstia. 
Algum 
teria 
que 
morrer 
para 
seguir 
vivendo. 
Foi 
um 
instante 
aterrador 
 
olhou-o 
e 
sorriu 
 
mas 
j 
passou 
e 
tenho 
um 
corao 
novo 
e 
uma 
segunda 
vida. 
Continuaram 
saboreando 
os 
sorvetes 
em 
silncio. 
Passou 
uma 
carroa 
atirado 
por 
um 
cavalo, 
sem 
#
passageiros; 
s 
ia 
a 
carroa 
com 
as 
costas 
encorvadas 
e 
um 
aspecto 
to 
cansado 
como 
o 
do 
cavalo. 
Cat. 
Dime. 
-Sabes 
quem 
era 
teu 
doador? 
-No. 
-No 
sabes 
nada 
dele? 
No, 
nem 
quero 
o 
saber. 
Ele 
assentiu, 
mas 
era 
evidente 
que 
no 
estava 
satisfeito 
com 
suas 
respostas 
lacnicas. 
-Como 
 
isso? 
Quero 
dizer, 
 
o 
emissor 
entre 
pessoas 
com 
transplantes? 
-No. 
Alguns 
querem 
conhecer 
 
famlia 
do 
doador 
para 
lhes 
dar 
as 
obrigado. 
Desejam 
fazer-lhes 
saber 
que 
so 
conscientes 
do 
sacrifcio 
que 
tm 
feito. 
No 
 
meu 
caso; 
no 
fui 
capaz 
do 
fazer. 
Em 
que 
sentido? 
E 
se 
aos 
familiares 
causava-lhes 
uma 
pena 
desnecessaria? 
Duvido 
muito 
que 
assim 
fosse. 
H 
muitas 
zonas 
em 
penumbra 
implicadas. 
Em 
vez 
de 
mexer 
na 
ferida 
de 
quem 
o 
fez 
possvel, 
prefiro 
fazer 
que 
minha 
vida 
sirva 
para 
algo. 
Ento, 
seu 
sacrifcio 
no 
tenha 
sido 
em 
vo. 
A 
conversa 
terminou 
aqui; 
ele 
no 
fez 
questo 
do 
tema 
e 
ela 
lho 
agradeceu. 
Era 
um 
assunto 
delicado 
e, 
fora 
de 
Dean, 
no 
tinha 
falado 
disso 
com 
tanta 
franqueza 
com 
ningum 
mais. 
Agora, 
com 
a 
olhar 
fixa 
na 
gaveta 
do 
criado-mudo, 
pensou 
se 
deveria 
comentar 
o 
assunto 
que 
a 
inquietava... 
O 
correio 
que 
tinha 
recebido. 
Pensaria 
ele 
que 
o 
artigo 
datado 
em 
Memphis 
tinha 
algum 
significado? 
E 
se 
no, 
por 
que 
o 
teriam 
enviado? 
Queria 
saber 
a 
opinio 
de 
Alex 
a 
respeito, 
mas 
no 
era 
o 
momento 
mais 
oportuno. 
Bem, 
te 
deixo. 
Perdoa 
que 
te 
tenha 
interrompido. 
No 
importa. 
Levava 
horas 
trabalhando 
e 
no 
me 
foi 
mau 
um 
descanso. 
Obrigado 
pelo 
convite. 
Obrigado 
por 
aceit-lo. 
Me 
portarei 
bem. 
S 
estava 
caoando. 
J 
o 
sei. 
Boas 
noites. 
At 
o 
sbado. 
Ao 
desligar, 
ainda 
sorria. 
Sim, 
isto 
estava 
escapando 
das 
mos. 
No 
era 
prprio 
dela, 
ser 
to 
imprudente 
com 
suas 
emoes. 
Devido 
a 
sua 
infncia, 
era 
relutante 
a 
implicar 
em 
uma 
relao. 
Muitas 
vezes 
tinha 
tido 
que 
deixar 
pessoas 
com 
que 
estava 
apaixonada. 
No 
entanto, 
estava 
se 
apaixonando 
por 
Alex 
Pierce. 
O 
Que 
ele 
sentia? 
Queria 
deitar-se 
com 
ela; 
isso 
seguro. 
Tinha 
uma 
sexualidade 
transbordante: 
no 
tinha 
mais 
que 
ler 
as 
descries 
de 
seus 
livros. 
E 
Cat 
tinha-os 
lido. 
Vrias 
vezes. 
Por 
suposto, 
no 
aprovava 
a 
atitude 
de 
suas 
personagens 
masculinas 
com 
as 
mulheres. 
Qualific-la 
de 
machista 
seria 
pouco. 
Com 
honrosas 
excees, 
tratavam 
s 
mulheres 
como 
se 
fosse 
um 
kleenex. 
Mas 
Alex 
no 
dava 
a 
impresso 
de 
compartilhar 
o 
critrio 
de 
suas 
personagens. 
Tinha-a 
em 
alta 
estima, 
a 
ela 
e 
a 
seu 
trabalho; 
tinha-lho 
dito. 
Ainda 
que 
pudesse 
rir 
e 
caoar, 
por 
natureza 
era 
srio, 
s 
vezes 
inclusive 
demasiado. 
Tinha 
pouca 


#
pacincia 
para 
banalidades 
e 
tambm 
no 
falava 
muito 
de 
seu 
anterior 
emprego 
na 
policia. 
Quando 
alguma 
vez 
o 
fazia, 
sua 
voz 
tinha 
um 
matiz 
de 
amargura. 
Cat 
suspeitava 
que 
no 
houvesse 
abandonado 
o 
corpo 
por 
vontade 
prpria. 
Ainda 
que 
imaginasse 
como 
amante, 
tambm 
o 
desejava 
como 
amigo Dean 
seguia 
sendo 
seu 
melhor 
amigo, 
mas 
estava 
bem 
longe 
e 
precisava 
a 
algum 
em 
quem 
confiar 
e 
no 
a 
longa 
distncia. 
Seus 
olhos 
seguiam 
fixos 
na 
gaveta 
do 
criado-mudo, 
onde 
guardava 
o 
recorte 
misterioso... 
Junto 
ao 
que 
tinha 
chegado 
hoje. 
Ia 
dentro 
de 
um 
envelope 
idntico 
ao 
anterior, 
que 
no 
continha 
nada 
mais 
que 
outro 
recorte 
de 
jornal, 
desta 
vez, 
datado 
em 
Boca 
Raton, 
Flrida. 
Tinham 
encontrado 
uma 
mulher 
morta 
aps 
uma 
queda 
acidental. 
Estava 
em 
casa 
sozinha 
e, 
ao 
tentar 
regar 
uma 
planta 
pendurada 
do 
teto, 
a 
escada 
escorregou 
e 
a 
infortunada 
mulher 
havia 
atravessado 
a 
porta 
que 
dava 
ao 
ptio. 
Os 
vidros 
rompidos 
perfuraram 
o 
pulmo. 
Igual 
que 
o 
garoto 
de 
Memphis, 
tinha 
um 
corao 
trasplantado. 
Cat 
no 
sabia 
que 
pensar 
destas 
enigmticas 
mensagens. 
Como 
ex-policiall, 
qual 
seria 
a 
opinio 
de 
Alex? 
Pensaria 
que 
eram 
um 
motivo 
de 
alarme 
ou 
os 
consideraria 
obra 
de 
um 
louco? 
Quase 
tinha 
chegado 
a 
essa 
concluso 
com 
respeito 
ao 
primeiro, 
mas 
depois 
recebeu 
o 
segundo. 
Era 
uma 
estranha 
coincidncia 
que 
duas 
pessoas 
com 
transplante 
de 
corao 
tivessem 
morrido 
em 
acidentes 
to 
peculiares. 
E 
mais 
estranho 
ainda 
que 
algum 
se 
tomasse 
a 
molstia 
de 
avisar 
dessas 
mortes. 
Bobagens 
 
exclamou. 
Voltou 
a 
pr 
recorte 
dentro 
do 
envelope 
e 
fechou 
a 
gaveta. 
O 
mais 
provvel 
era 
que 
os 
tivessem 
enviado 
para 
inquietar-la 
e 
a 
incomodar 
No 
o 
permitiria. 
Se 
perdesse 
um 
momento 
se 
preocupando 
por 
isso, 
deixaria 
que 
um 
perturbado 
controlasse 
sua 
mente. 
As 
cartas 
enviadas 
por 
loucos 
eram 
um 
dos 
riscos 
de 
sua 
profisso. 
Uma 
chegava 
a 
se 
acostumar. 
A 
no 
ser 
que 
fossem 
ameaadoras, 
no 
tinha 
que 
as 
tomar 
em 
srio. 
Alm 
do 
mais, 
tinha 
coisas 
mais 
urgentes 
em 
que 
pensar. 
Por 
exemplo, 
o 
que 
poria 
para 
o 
jantar 
dos 
Webster. 


-Joder! 
-Cat 
chegou 
ao 
apartamento 
de 
Alex 
cinco 
minutos 
antes 
do 
previsto. 
Abriu 
a 
porta 
vestido 
com 
calas 
pretas 
e 
uma 
camisa 
cinza 
plida 
para 
fora. 
Os 
punhos 
sem 
abotuaduras 
estavam 
dobrados 
sobre 
os 
punhos 
e 
s 
levava 
desabotoados 
dois 
botes. 
Ia 
descalo. 
-Sua 
exclamao 
espontnea 
tinha 
sido 
quase 
um 
gemido. 
Cat 
notou 
que 
as 
pernas 
estavam 
feito 
gelatina. 
Obrigado. 
Ests 
preciosa. 
Obrigado 
de 
novo. 
Perdoa 
que 
tenha 
vindo 
antes, 
mas 
no 
tinha 
tanto 
trfico 
como 
supunha. 
Em 
vez 
de 
ficar 
no 
carro, 
tenho 
preferido 
comprovar 
se 
j 
estavas 
preparado. 
Vejo 
que 
no, 
mas 
no 
h 
pressa. 
Porque 
est 
to 
nervosa? 
J 
te 
disse 
que 
levaria 
meias 
e 
sapatos. 


#
Era 
muito 
intuitivo. 
Ela 
estava 
falando 
a 
toda 
pressa 
para 
dissimular 
as 
borboletas 
que 
se 
notava 
no 
estmago. 
Ps-se 
mais 
nervosa 
ainda 
ao 
comprovar 
que 
ele 
tinha 
dado 
conta. 
Mas 
tinha 
a 
perspicacia 
de 
um 
escritor: 
se 
estivesse 
escrevendo 
essa 
cena 
teria 
descrito 
 
personagem 
assim, 
nervoso 
e 
falando 
como 
um 
papagaio. 
Seu 
conhecimento 
do 
comportamento 
humano 
e 
suas 
motivaes 
deixavam-na 
em 
desventagem. 
Teria 
que 
se 
controlar, 
falar 
com 
cara 
de 
pquer 
e 
no 
dar 
tantas 
pistas. 
Ele 
se 
fez 
a 
um 
lado. 
Passa. 
Disse 
a 
aranha 
 
mosca. 
No 
como 
ningum 
 fechou 
a 
porta. 
Bom, 
no 
tudo. 
Cat 
riu 
mais 
tranqila 
e 
jogou 
uma 
olhada 
ao 
dplex. 
Cheirava 
ainda 
a 
recm 
pintado. 
O 
teto 
alto 
e 
as 
janelas 
recordaram 
a 
sua 
casa 
de 
Malib. 
Acima, 
tinha 
outras 
duas 
portas. 
Os 
dormitrios 
 
disse 
ele. 
E 
a 
est 
a 
cozinha. 
Gosto. 
No 
est 
mau. 
Mas 
j 
sabes 
que 
as 
tarefas 
domsticas 
no 
so 
meu 
forte. 
Em 
realidade 
tinha-lhe 
surpreendido 
que 
o 
apartamento 
estivesse 
to 
ordenado, 
mas 
ento 
viu 
que 
embaixo 
das 
almofadas 
do 
sof 
assomava 
um 
pedao 
de 
uma 
camisa. 
As 
revistas 
empilhadas 
em 
cima 
da 
mesa 
davam 
a 
impresso 
de 
que 
tinham 
sido 
recolhidas 
a 
toda 
pressa. 
Na 
brilhante 
superfcie 
tinha 
crculos 
midos 
enlaados 
como 
os 
aros 
olmpicos. 
Digo-o 
em 
srio, 
Delaney: 
esta 
noite 
ests 
impressionante. 
Seu 
elogio 
fez-lhe 
dar 
a 
volta. 
A 
olhar 
era 
penetrante 
e 
abrasadora. 
Ainda 
que 
tenha 
entendido 
que 
s 
ruivas 
no 
lhes 
senta 
bem 
a 
laranja. 
-No 
 
laranja; 
 
cor 
cobre.
- 
laranja. 
O 
vestido, 
curto 
e 
com 
alas 
estreitas, 
estava 
coberto 
com 
lentejoulas 
que 
brilhavam 
como 
espelhos. 
Desde 
o 
transplante 
no 
tinha 
levado 
nada 
com 
decote 
e 
teria 
parecido 
impensvel 
poucas 
semanas 
atrs, 
mas 
Alex 
tinha 
tirado 
a 
timidez 
por 
sua 
cicatriz. 
-Seja 
a 
cor 
que 
seja, 
 
o 
mesmo 
de 
teu 
cabelo 
e 
resplandece 
como 
o 
fogo.
-Fala 
como 
um 
escritor. 
 
poeta 
e 
no 
sabe. 
J 
sei 
que 
 
uma 
metfora 
barata. 
Faz 
favor, 
fique 
a 
vontade. 
Volto 
em 
seguida. 
Subiu 
os 
degraus 
de 
dois 
em 
dois. 
Ao 
chegar 
acima 
colocou 
a 
camisa 
dentro 
das 
calas.
 
possvel 
que 
na 
geladeira 
tenha 
algo 
para 
beber. 
Sirva-se 
se 
quiser. 
Obrigado. 
Onde 
est 
a 
moto? 
No 
a 
vi 
a 
fora. 
Levei-a 
 
oficina 
para 
uma 
reviso 
completa. 
Lstima; 
gostava. 
Quando 
tem 
tanta 
potncia 
entre 
as 
pernas 
voc 
fica 
viciado. 
Muito 
gracioso. 
Tenho 
saudades. 
O 
mecnico 
disse-me 
que 
demoraria 
bastante 
na 
deixar 
em 
condies. 
E 
o 
livro 
vai 
bem? 
Fatal. 
No 
o 
creio. 


#
Os 
escritores 
sempre 
tm 
um 
pobre 
conceito 
do 
trabalho 
que 
levam 
entre 
mos. 
Passeou 
pelo 
salo, 
em 
busca 
de 
pistas 
para 
descobrir 
algo 
mais 
sobre 
o 
homem. 
No 
tinha 
nenhuma. 
Dava 
a 
impresso 
de 
um 
lugar 
de 
passagem, 
no 
via 
nenhuma 
foto 
familiar, 
nem 
objetos 
perssoais, 
nem 
correspondncia, 
nem 
faturas. 
Os 
mveis 
eram 
os 
tpicos 
de 
um 
apartamento 
alugado. 
Estava 
decepcionada. 
Embaixo 
da 
escada 
tinha 
duas 
caixas 
de 
embalagem 
com 
os 
ttulos 
de 
suas 
duas 
novelas 
escritos 
com 
rotulos. 
Sem 
abrir. 
Por 
que 
no 
tinha 
repartido 
exemplares 
de 
seus 
livros 
entre 
familiares 
e 
amigos? 
Talvez 
o 
tivesse 
feito 
e 
estes 
tinham 
sobrado. 
Ou 
talvez 
no 
tivesse 
famlia 
nem 
amigos. 
-E 
talvez 
ela 
estivesse 
deixando 
voar 
sua 
imaginao. 
Caminho 
da 
cozinha 
viu 
uma 
porta 
fechada. 
Um 
armrio? 
Outro 
banheiro? 
Sem 
dar-se 
conta, 
j 
tinha 
a 
mo 
no 
tirador 
da 
porta. 
Parou-se 
um 
momento 
a 
pens-lo. 
Alex 
no 
lhe 
tinha 
mencionado 
outra 
habitao. 
A 
propsito? 
Girou 
o 
pomo 
e 
a 
porta 
abriu-se 
sem 
fazer 
rudo. 
Fora 
da 
escurido, 
no 
via 
nada. 
Abriu-a 
mais 
e 
assomou 
o 
nariz. 
Atravs 
das 
persianas 
jogadas 
entrava 
um 
pouco 
de 
luz, 
mas 
mal 
distinguia 
algo 
que 
parecia 
uma 
mesa... 
Uma 
mo 
segurou 
seu 
pulso. 
Que 
diabos 
ests 
fazendo? 



Captulo 
vinte 
e 
um 


-Maldito 
seja, 
Alex! 
Fouou 
at 
soltar 
sua 
mo 
e 
deu 
a 
volta. 
Deste-me 
um 
susto 
de 
morte. 
Que 
te 
ocorre? 
Alex 
fechou 
a 
porta. 
Esta 
habitao 
 
terra 
de 
ningum. 
Proibida 
para 
as 
visitas.
Pois 
por 
que 
no 
tens 
pendurado 
um 
cartaz 
com 
o 
sinal? 
 
que 
aqui 
falsificas 
moeda? 
Voltou 
a 
apanhar 
pelo 
pulso, 
desta 
vez 
com 
menos 
fora. 
Perdoa 
que 
te 
tenha 
assustado, 
no 
era 
minha 
inteno. 
Mas 
quero 
proteger 
meu 
lugar 
de 
trabalho. 
Isso 
no 
mnimo 
 disse 
mal 
humorada. 
Rogo-te 
que 
o 
compreendas. 
O 
que 
fao 
aqui 
 
muito 
pessoal. 
Observou 
a 
porta 
fechada 
como 
se 
pudesse 
ver 
atravs 
dela 


 
Esta 
habitao 
 
a 
testemunha 
de 
minhas 
melhores 
ou 
piores 
estado 
de 
nimo. 
Aqui 
dou 
a 
luz 
a 
cada 
porra 
de 
palavra, 
e 
parir 
 
doloroso. 
Aqui 
abenoo 
e 
amaldioo 
o 
processo 
criativo; 
 
minha 
sala 
de 
torturas, 
privada 
e 
masoquista. 
Sorrio 
com 
ironia. 
-Sei 
que 
parece 
uma 
extravagancia 
para 
outras 
pessoas, 
mas 
deixar 
que 
algum 
entre 
em 
meu 
lugar 
de 
criao 
seria 
como 
se 
violassem 
meu 
subconsciente. 
Nunca 
voltaria 
a 
me 
pertencer 
em 
exclusiva. 
Nem 
meus 
pensamentos. 
Tinha 
bem 
merecida 
a 
reprimenda. 
Por 
que 
tinha 
que 
meter 
o 
nariz 
em 
uma 
porta 
fechada? 
Os 
#
pintores 
e 
escultores 
mantinham 
suas 
obras 
inacabadas 
embaixo 
de 
trapos 
at 
que 
as 
do 
por 
concludas. 
Ningum 
escuta 
a 
msica 
de 
um 
compositor 
at 
que 
a 
d 
por 
boa. 
Tinha 
que 
ter 
suposto 
que 
no 
era 
diferente 
de 
outros 
artistas. 
No 
o 
sabia 
 se 
desculpou 
arrependida. 
Fora 
desta 
habitao, 
pode 
ficar 
curiosa 
aonde 
quiser. 
Dou-te 
permisso 
para 
abrir 
a 
despensa, 
a 
geladeira 
e 
cesto 
de 
roupa 
suja. 
Inclusive 
podes 
olhar 
minha 
coleo 
de 
revistas 
erticas, 
o 
que 
quizer; 
mas 
esta 
habitao 
 
sagrada. 
Uma 
das 
assistentes 
sociais 
predisse-me 
que 
a 
curiosidade 
seria 
minha 
perdio. 
E 
tambm 
pensava 
que 
o 
chocolate 
era 
veneno 
e 
me 
aconselhou 
que 
no 
o 
provasse. 
No 
parecia 
muito 
compungida. 
Parece-me 
que 
nunca 
tenho 
seguido 
seus 
conselhos. 
Alex 
apoiou 
um 
antebrao 
contra 
a 
parede, 
segurando-a 
ali. 
Perdoo-te 
a 
curiosidade. 
Perdoas-me 
tu 
por 
minha 
reao 
exagerada? 
Levava 
a 
gravata 
ao 
redor 
do 
pescoo, 
ainda 
que 
sem 
colocar. 
Cheirava 
a 
sabonete, 
a 
pele 
masculina 
limpa, 
bem 
mais 
incitante 
para 
ela 
que 
o 
aroma 
a 
colnia 
de 
marca. 
Estava 
ainda 
sem 
pentear 
e 
com 


o 
cabelo 
mido. 
Para 
resumir: 
jamais 
um 
homem 
a 
tinha 
excitado 
tanto. 
Colecionas 
revistas 
erticas? 
Desde 
quando? 
Desde 
que 
soube 
que 
eram 
obscenas. 
Deve 
fazer 
muito 
tempo. 
Gostaria 
de 
v-las. 
Cat 
Delaney: 
parece-me 
que 
tens 
uma 
veia 
perversa. 
Tambm 
isso 
molestava 
s 
assistentes 
sociais. 
Alex 
estudava 
seu 
rosto 
e 
depois 
centrou 
em 
seu 
pescoo. 
No 
resistia 
ao 
seu 
olhar 
nem 
seu 
flego. 
Apoiou 
o 
pulso 
dela, 
que 
ainda 
segurava, 
contra 
a 
parede 
e 
beijou 
a 
zona 
onde 
batia 
o 
pulso. 
Roou 
seus 
lbios. 
A 
que 
horas 
temos 
que 
estar 
ali? 
Faz 
dez 
minutos. 
V. 
Alex 
passou 
a 
lngua 
por 
seu 
pescoo. 
Mas 
pensava 
que 
chegaramos 
tarde. 
Achava 
que 
no 
estaria 
pronto 
a 
tempo? 
No, 
mas 
por 
talvez... 
Era 
difcil 
pensar 
enquanto 
ele 
lhe 
acariciava 
o 
lbulo 
da 
orelha. 
Sabe 
algo 
que 
possa 
nos 
atrasar. 
Que 
podia 
ser 
esse 
algo? 
O 
trfico. 
Ah, 
j, 
o 
trfico. 
Disps-se 
a 
comear, 
mas 
Cat 
segurou-o 
pela 
gravata. 
No 
nos 
perdemos 
nada. 
Antes 
h 
um 
cocktail 
que 
durar 
uma 
hora. 
-E 
ns 
no 
tomamos 
lcool. 
Ps 
a 
mo 
embaixo 
do 
seio 
e 
levantou-o 
at 
que 
assomou 
pelo 
decote 
e 
inclinou 
a 
cabea 
para 
acariciar 
com 
a 
lngua. 
#
Cat 
gemeu 
de 
prazer 
e 
remdio 
o 
corpo 
contra 
ele.
1ex 
levantou 
a 
cabea 
e 
a 
beijou 
na 
boca. 
A 
seguir 
Ofegante, 
disse: 
-Bom. 
Que? 
Que? 
-Vamos 
a 
trepar? 
A 
inesperada 
vulgaridade 
apagou 
seu 
desejo 
como 
um 
jarro 
de 
gua 
fria. 
Apartou-o. 
Ele 
levantou 
as 
mos 
com 
um 
gesto 
de 
inocncia 
e 
rendio. 
Acusas 
aos 
protagonistas 
de 
minhas 
novelas 
de 
que 
nunca 
pedem 
permisso. 
Eu 
o 
fiz. 
-Podias 
ter 
sido 
um 
pouco 
mais 
delicado! 
Muito 
bem. 
Faz 
favor, 
senhora, 
quer 
voc 
trepar? 
Que 
gracioso. 
Tentou 
afastar-se, 
mas 
rodeou-a 
pela 
cintura 
e 
voltou 
a 
segura-la 
entre 
ele 
e 
a 
parede. 
No 
tinha 
a 
menor 
dvida 
de 
que 
queria 
excit-la 
quando 
a 
beijou 
de 
novo, 
mais 
possessivo 
que 
sedutor, 
e 
Cat 
no 
teve 
mais 
remdio 
que 
responder 
com 
o 
mesmo 
ardor, 
Quando 
por 
fim 
se 
apartou, 
a 
Cat 
queimavam 
os 
lbios 
e 
todo 
seu 
corpo 
se 
estremecia. 
Quero 
deitar-me 
contigo 
 
disse 
ele. 
Mas 
no 
se 
tenho 
que 
me 
preocupar 
de 
no 
te 
estragar 
o 
penteado 
e 
a 
maquiagem. 
Nem 
se 
tenho 
que 
me 
dar 
pressa 
porque 
h 
um 
limite 
de 
tempo. 
E 
no 
quando 
nos 
esto 
esperando 
para 
um 
jantar 
que 
te 
reportar 
dinhero 
para 
os 
meninos. 
Muito 
pareceme 
que, 
contigo, 
uma 
vez 
no 
ser 
suficiente. 
Entendeste-o? 
Sem 
flego, 
e 
envergonhada 
pelo 
discurso, 
ela 
assentiu. 
Tenho 
utilizado 
uma 
linguagem 
crua 
em 
plano 
de 
coa, 
mas 
o 
convite 
segue 
em 
p. 
Nas 
condies 
expostas. 
Trata-se 
s 
de 
que 
escolhas 
a 
hora 
e 
o 
lugar. 
De 
acordo? 
De 
novo 
assentiu. 
Alex 
manteve 
sua 
olhar 
durante 
uns 
instantes 
e 
depois 
deu 
a 
volta. 
-Vou 
terminar 
de 
vestir. 


-Ol, 
Cat! 
Nancy 
Webster 
a 
beijou. 
Todo 
mundo 
quer 
te 
conhecer. 
-Uma 
donzela 
uniformada 
tinha-os 
acompanhado 
at 
o 
salo 
da 
suntuosa 
casa, 
que 
essa 
noite 
estava 
abarrotada 
com 
as 
pessoas 
mais 
ricas 
e 
influentes 
da 
cidade. 
O 
rudo 
imperante 
indicava 
a 
habilidade 
de 
Nancy 
para 
que 
seus 
convidados 
se 
sentissem 
cmodos. 
Sinto 
ter 
chegado 
tarde 
 
disse 
Cat, 
mas... 
Tem 
sido 
culpa 
minha. 
Surgiu 
um 
imprevisto. 
Senhor 
Pierce, 
bem 
vindo. 
Chame-me 
Alex, 
faz 
favor. 
Bill 
deu-me 
uma 
agradvel 
surpresa 
quando 
me 
disse 
que 
seria 
o 
acompanhante 
de 
Cat. 
 
uma 
honra 
e 
um 
prazer 
t-lo 
em 
casa. 
Estou 
encantado 
de 
estar 
aqui. 
Lhe 
apresentarei 
meu 
marido. 
O 
que 
quer 
tomar? 
Nancy 
era 
uma 
anfitri 
impecvel. 
Depois 
de 
um 
momento 
tinha 
Perrier 
com 
lima 
na 
mo 
de 
Alex 
e 
j 
tinha 
feito 
as 
apresentaes. 


#
Li 
sua 
primeira 
novela 
e 
encontrei-a 
muito 
boa 
para 
um 
principiante 
 comentou 
Bill. 
Era 
um 
desses 
elogios 
ambiguos 
para 
os 
que 
no 
h 
resposta. 
Alex 
pensou 
se 
Webster 
era 
consciente 
disso 
e 
chegou 
 
concluso 
de 
que 
sim. 
O 
homem 
tentava 
desacredit-lo 
sem 
que 
resultasse 
evidente. 
Tentou 
tom-lo 
a 
broma. 
Obrigado 
pelo 
elogio 
e 
pelos 
direitos 
de 
autor. 
Est 
escrevendo 
outra 
novela? 
Sim, 
estou 
nisso. 
Est 
ambientada 
em 
San 
Antonio? 
Em 
parte. 
Cat 
pendurou-se 
em 
seu 
brao. 
Pode 
poupar-te 
as 
perguntas, 
Bill; 
no 
conseguir 
nada. 
Quando 
se 
trata 
de 
seu 
trabalho, 
se 
fecha 
em 
banda. 
Webster 
olhou-o 
com 
curiosidade. 
Por 
que? 
Falar 
da 
histria 
antes 
que 
esteja 
escrita 
estraga 
as 
surpresas. 
No 
para 
o 
leitor, 
seno 
para 
mim. 
Escreve 
e 
no 
sabe 
o 
que 
ocorrer 
depois? 
No 
sempre. 
Webster 
levantou 
as 
sobrancelhas. 
Temo-me 
que 
no 
sou 
demasiado 
proclive 
a 
trabalhar 
dessa 
forma. 
Importo-me 
com 
um 
ovo, 
pensou 
Alex. 
Cat 
rompeu 
o 
silncio. 
No 
gosto 
presumir, 
mas 
Alex 
me 
pediu 
que 
lhe 
ajudasse 
em 
um 
trabalho 
de 
investigao. 
Deveras? 
disse 
Webster. 
As 
cenas 
de 
cama 
eram 
complicadas, 
de 
modo 
que 
contei 
histrias 
e 
episdios 
de 
meu 
passado 
em 
Hollywod 
e 
dei 
permisso 
para... 
Fez 
um 
gesto 
como 
de 
buscar 
a 
palavra 
adequada. 
-Exager-las? 
disse 
Nancy 
para 
ajudar. 
-No, 
para 
que 
moderasse 
o 
tom. 
Todos 
riram. 
E 
Nancy 
disse: 
-Bill, 
no 
podemos 
prend-los. 
Os 
demais 
convidados 
no 
nos 
perdoaria. 
Ps-se 
no 
meio 
de 
Cat 
e 
Alex 
e 
tomou-os 
do 
brao. 
-Primeiro 
quero 
apresentar-vos 
 
nova 
prefeita 
e 
a 
seu 
marido. 
Acompanhou-os 
pelo 
salo 
para 
fazer 
as 
apresentaes. 
Alex 
estava 
encantado 
em 
saber 
que 
tinha 
tantos 
seguidores 
e 
Cat 
uma 
legio 
de 
admiradores 
do 
programa 
Os 
Meninos 
de 
Cat. 
Ela 
costumava 
comentar 
que 
no 
todo 
o 
mrito 
era 
seu. 
-Desde 
Bill 
Webster 
at 
o 
ltimo 
colaborador, 
todos 
na 
WWSA 
compartilhamos 
o 
sucesso 
do 
projeto. 
Uma 
das 
convidadas 
mencionou 
um 
artigo 
publicado 
no 
domingo 
do 
San 
Antonio 
Light. 
Tratava 
de 
uma 
menina 
adotada 
que 
tinha 
tido 
que 
se 
submeter 
a 
um 
transplante 
de 
rim. 


 
Sim, 
a 
histria 
de 
Chantal 
 
comovedora 
 contou 
Cat. 
Ento 
olhou 
a 
Webster 
e, 
baixinho, 
disse: 
Que 
lhe 
parecer 
a 
Truitt 
o 
sabor 
da 
derrota? 
#
Durante 
vrios 
dias 
o 
jornalista 
de 
espetculos 
tinha 
ido 
atrs 
da 
histria 
dos 
OConnor 
sem 
conseguir 
nada. 
Aps 
que 
o 
departamento 
de 
relaes 
pblicas 
da 
emissora 
distribuira 
um 
comunicado, 
j 
no 
teve 
mais 
comentrios 
por 
parte 
da 
WWSA. 
Por 
conselho 
de 
seu 
advogado, 
os 
OConnor 
negaram 
a 
conceder 
entrevistas. 
Por 
ltimo, 
quando 
a 
psicloga 
os 
convenceu 
de 
que 
a 
menina 
tinha 
ocultado 
a 
todos 
a 
sua 
depravao 
emocional, 
o 
compungido 
casal 
decidiu 
se 
combinar 
com 
ela. 
Tanto 
a 
agncia 
governamental 
como 
o 
programa 
tinha 
se 
livrado 
do 
desastre 
por 
um 
fio. 
Cat 
confiava 
em 
que 
este 
ltimo 
artigo 
no 
jornal 
dissipasse 
as 
dvidas 
sobre 
a 
validade 
dos 
Meninos 
de 
Cat. 
O 
ocorrido 
na 
vida 
de 
Chantal 
 
um 
milagre 
disse Por 
desgraa 
h 
muitos 
outros 
meninos 
que 
tambm 
se 
merecem 
seu 
milagre. 
O 
sistema 
de 
orfanato 
demonstra 
que 
as 
pessoas 
que 
se 
ocupam 
deles 
so 
gente 
boa 
e 
carinhosa. 
Mas 
o 
que 
precisam 
 
um 
lar 
permanente. 


O 
jantar 
consistia 
em 
sete 
pratos 
e 
prolongou-se 
durante 
mais 
de 
duas 
horas. 
Alex 
teria 
se 
fechado 
como 
uma 
ostra 
se 
no 
fosse 
por 
Cat, 
quem, 
a 
petio 
dos 
outros 
comensales, 
explicava 
as 
vidas 
de 
alguns 
dos 
meninos. 
Certas 
histrias 
provocavam 
risos; 
outras 
lgrimas; 
todas 
elas 
narradas 
de 
forma 
apaixonada. 
Quando 
serviram 
a 
mousse 
de 
chocolate, 
a 
mesa 
plena 
animao 
planejando 
uma 
fundao 
para 
os 
meninos. 
O 
jantar 
chegou 
a 
seu 
fim 
e 
Alex 
levantou-se 
para 
apartar 
a 
cadeira 
de 
Cat. 
Murmurou-lhe 
ao 
ouvido: 
Esto 
no 
saco. 
Os 
convidados 
se 
foram, 
mas 
os 
Webster 
pediram-lhes 
que 
ficassem 
a 
tomar 
uma 
ltima 
caneca 
de 
caf. 
No 
gabinete 
de 
Bill 
estaremos 
mais 
cmodos 
-sugeriu 
Nancy. 
Uma 
vez 
ali, 
entrou 
uma 
donzela 
com 
um 
servio 
de 
prata, 
mas 
serviu 
Nancy. 


 
Apetece-lhe 
um 
brandy, 
Alex? 
 
S 
caf, 
obrigado. 
Observei 
que 
no 
tem 
tomado 
vinho 
durante 
o 
jantar 
-disse 
Bill 
ao 
apanhar 
a 
caneca 
de 
caf 
com
umas 
gotas 
de 
brandy 
que 
Nancy 
lhe 
alongava. 
 
abstemio? 
Sim. 
No 
se 
sentia 
obrigado 
a 
dar 
mais 
explicaes. 
No 
obstante, 
isso 
provocou 
certa 
presso. 
De 
novo, 
Cat 
foi 
a 
tbua 
de 
salvao. 
 
So 
fotos 
familiares? 
Indicou 
um 
lbum 
forrado 
de 
pele 
que 
estava 
em 
cima 
da 
mesa 
de 
caf 
e 
se 
sentou 
no 
cho. 
 
Posso 
v-las? 
 
Por 
suposto 
-contou 
Nancy. 
Poderamos 
aborrec-los 
durante 
horas 
com 
fotografias 
dos 
garotos. 
 
Quantos 
tm? 
perguntou 
Alex. 
 
Seis. 
#
 
Seis! 
Ningum 
o 
diria 
vendo 
 
me. 
 
Obrigado. 
 
Conserva-se 
muito 
bem 
 acrescentou 
Webster, 
sorrindo 
com 
orgulho. 
 
Vivem 
com 
vocs? 
Enquanto 
Nancy 
resumia 
onde 
estavam 
e 
o 
que 
faziam 
seus 
filhos, 
Cat 
continuava 
olhando 
as 
pginas 
do 
lbum. 
De 
vez 
em 
quando, 
Alex 
jogava 
uma 
olhada. 
Os 
filhos 
dos 
Webster 
pareciam-se 
muito 
a 
seus 
pais, 
eram 
lindos, 
com 
aspecto 
saudvel, 
e 
tambm 
devemr 
triunfadores, 
j 
que 
sempre 
apareciam 
com 
um 
trofu 
ou 
uma 
medalha. 
Agora 
o 
nico 
que 
vive 
conosco 
 
o 
pequeno, 
ainda 
que 
rara 
vez 
est 
em 
casa 
dizia 
Nancy.
 
o 
editor 
do 
peridico 
escolar 
e... 
 
Deus 
meu! 
A 
exclamao 
de 
Cat 
interrompeu 
as 
palavras 
de 
Nancy. 
Todos 
os 
olhos 
se 
centraram 
nela. 
Captulo 
vinte 
e 
dois 


-Sabia 
que 
 
a 
viva 
imagem 
de 
sua 
filha 
Carla? 
Consciente 
de 
que 
Alex 
no 
tirava 
os 
olhos 
de 
cima 
dela, 
Cat 
se 
concentrou 
em 
conduzir 
e 
olhar 
 
frente. 
Somos 
muito 
parecidas 
 reconheceu. 
Isso 
 
pouco. 
Seus 
olhos 
eram 
castanhos, 
no 
azuis. 
Mas 
era 
ruiva, 
com 
o 
cabelo 
encaracolado, 
e 
tinha 
o 
mesmo 
tipo 
de 
cara. 
Analisou 
seu 
perfil. 
Sua 
estrutura 
ssea 
no 
era 
to 
angulosa, 
mas 
a 
semelhana 
 
extraordinria. 
Cat 
seguia 
com 
os 
olhos 
fixos 
na 
estrada, 
apegada 
ao 
volante. 
Sabes 
que 
 
verdadeiro 
 
insistia 
ele. 
Ao 
ver 
a 
foto 
quase 
desmaiou. 
Voc 
ficou 
plida.
 
muito 
observador. 
 
meu 
trabalho. 
Observar 
s 
pessoas 
e 
colocar 
no 
papel 
o 
que 
vi. 
-Bom, 
pois 
no 
gosto 
que 
me 
observem.
 
uma 
lstima, 
pois 
voc 
 
fascinante. 
E 
tambm 
Webster. 
-Bill? 
Por 
qu? 
-Para 
comear 
no 
gostou 
de 
mim 
desde 
o 
princpio. 
No 
que 
me 
importe, 
mas 
 
curioso.
-Curioso? 
 
que 
a 
toda 
pessoa 
que 
o 
conhea 
gosta 
de 
voc 
automticamente? 
-No 
diga 
que 
no 
percebeu. 
Para 
comear 
voc 
contou 
que 
me 
ajuda 
no 
trabalho 
de 
investigao. 
Ele 
quase 
teve 
um 
infarto 
quando 
voc 
pegou 
o 
lbum; 
no 
queria 
que 
visse 
as 
fotos 
de 
sua 
filha. 
Cat 
teve 
que 
fazer 
grandes 
esforos 
para 
continuar 
impassvel. 
No 
tinha 
observado 
a 
Bill 
como 
Alex, 
de 
modo 
que 
no 
podia 
dizer 
com 
exatido 
qual 
foi 
sua 
reao 
quando 
ela 
pediu 
ver 
o 
lbum. 
No 
entanto, 
no 
passou 
despercebido 
que 
ele 
permaneceu 
em 
silncio, 
deixando 
Nancy 
a 
cargo 
da 


#
situao. 
Nancy 
reconheceu 
a 
espantosa 
semelhana 
entre 
sua 
filha 
e 
Cat 
comentando: 
Bill 
e 
eu 
nos 
demos 
conta 
a 
primeira 
vez 
que 
apareceu 
em 
Passages. 
Caoamos 
com 
Carla 
acusando-a 
de 
ter 
uma 
dupla 
vida. 
Voc 
se 
lembra, 
querido? 
Bill 
assentiu 
com 
um 
rosnado. 
Aps 
isso, 
ela 
e 
Alex 
recusaram 
outra 
caneca 
e 
fizeram 
questo 
de 
se 
retirar. 
Cat 
agradeceu 
o 
jantar 
e 
Nancy 
disse 
que 
estava 
segura 
de 
que 
com 
o 
apoio 
de 
seus 
assistentes 
se 
poderiam 
organizar 
algo 
para 
arrecadarem 
fundos. 
Passem 
bem 
 
disse 
Alex 
a 
seus 
anfitries 
 
Obrigado 
por 
me 
incluir. 
Na 
porta, 
Nancy 
tinha-os 
abraado 
sem 
perder 
a 
compostura, 
ainda 
que 
Bill 
parecesse 
estar 
inquieto 
e... 
Culpado? 
E 
por 
que 
esteve 
to 
antiptico 
com 
Alex? 
Sabia 
de 
Carla 
antes 
desta 
noite? 
perguntou 
ele. 
Sabia 
que 
tinham 
perdido 
a 
sua 
filha 
maior. 
E 
que 
tinha 
morrido 
em 
um 
acidente 
de 
trfico 
quando 
voltava 
 
Universidade 
de 
Austin. 
Webster 
falou 
para 
voc? 
Sim, 
inclusive 
antes 
que 
me 
mudasse 
aqui. 
Ao 
que 
parece, 
no 
o 
tinham 
superado. 
E 
quem 
poderia? 
Tua 
filha 
vem 
a 
casa 
a 
passar 
o 
fim 
de 
semana, 
lavar 
suas 
roupas, 
escutar 
suas 
confidencias, 
lamentar-se 
do 
professor 
ao 
que 
no 
suportava. 
Ds-lhe 
um 
beijo 
de 
despedida 
recomendando 
que 
seja 
prudente. 
Quando 
voltar 
a 
v-la, 
 
para 
identificar 
seu 
cadver 
no 
depsito. 
No 
posso 
imaginar 
nada 
pior 
que 
enterrar 
a 
um 
filho. 
Alex 
guardou 
um 
silncio 
respetuoso 
e, 
a 
seguir, 
lanou 
um 
olhar 
assassino: 
Webster 
se 
apaixonou 
por 
voc? 


-No! 
Sim. 
No, 
de 
verdade 
 
insistiu 
ela. 
Seria 
doentio, 
tendo 
em 
conta 
minha 
semelhana 
com 
sua 
filha. 
Talvez 
fosse 
isso 
que 
acordou 
seu 
interesse. 
Sua 
atrao 
por 
ti 
era 
inocente 
quando 
te 
conheceu. 
Mas, 
com 
o 
tempo, 
tem 
evoluido 
para 
algo 
mais. 
No 
acredito. 
Alex 
manteve 
seu 
silncio 
ctico. 
Por 
fim, 
ela 
tinha 
meditado 
sua 
resposta. 
-Se 
fosseassim, 
nunca 
fez 
a 
menor 
insinuao. 
-No 
acho 
que 
te 
persiga 
pelo 
escritrio 
nem 
tente 
se 
esfregar 
quando 
ningum 
vos 
v. 
Tem 
demasiado 
orgulho 
para 
isso. 
-Nunca 
deu 
um 
passo; 
nem 
com 
subterfugios 
nem 
abertamente. 
-Mas 
sua 
relao 
 
algo 
mais 
que 
a 
de 
diretor-empregada. 
-Considero-o 
um 
amigo, 
mas 
nada 
mais. 
Por 
outra 
parte, 
tudo 
indica 
que 
sua 
relao 
com 
Nancy 
 
perfeita. 
-Nenhuma 
relao 
 
perfeita. 
-Diz 
isso 
por 
experincia 
prpria? 
-Por 
desgraa 
sim. 
Demasiado. 


#
-J 
o 
supunha. 
-Mas 
voc 
e 
Bill 
Webster... 
-Nada 
de 
eu 
e 
Bill 
Webster 
 protestou. 
Deu-me 
uma 
oportunidade, 
aprecio-o 
e 
respeito-o. 
Isso 
 
tudo. 
-Parece-me 
que 
no, 
Cat. 
No 
estou 
chamando 
voc 
de 
mentirosa. 
 
ele, 
h 
algo 
nele 
que 
me 
incomoda. 
 
um 
homem 
atraente, 
distinto 
e 
com 
muito 
prestgio. 
 
uma 
pessoa 
influente 
e 
emana 
autoridade. 
Ouve, 
ouve, 
espera, 
no 
est 
insinuando 
que 
estou 
com 
cimes 
dele? 
Foi 
voc 
quem 
disse. 
Pensou 
errado, 
querida. 
Era 
ele 
quem 
estava 
com 
cimes 
de 
mim 
por 
ser 
teu 
acompanhante. 
Bobagem! 
De 
acordo; 
Bobagem. 
Mas 
esse 
Webster 
esconde 
algo. 
Tinham 
chegado 
a 
um 
cruzamento. 
Cat 
no 
queria 
admitir 
o 
que 
pensaa; 
que 
Bill 
tinha 
se 
comportado 
de 
forma 
estranha 
e 
preocupante 
essa 
noite. 
Precisava 
tempo 
para 
refletir 
sobre 
isso. 
Mas 
Alex 
no 
estava 
disposto 
a 
mudar 
de 
tema. 
Por 
que 
acha 
que 
estava 
to 
contrariado 
quando 
viste 
a 
foto 
de 
sua 
filha? 
Porque 
se 
nossa 
semelhana 
foi 
o 
motivo 
de 
seu 
interesse 
por 
mim, 
se 
sentiu 
envergonhado. 
A 
veia 
sentimental 
no 
encaixa 
com 
a 
imagem 
de 
executivo 
duro; 
uma 
imagem 
que 
tem 
cuidado 
e 
mantido 
a 
intransigente. 
-Talvez. 
Cat 
diu 
um 
Soco 
no 
volante. 
-Sempre 
tem 
razo? 
No 
te 
ocorre 
pensar 
que 
voc 
olha 
as 
coisas 
de 
um 
ngulo 
que 
pode 
estar 
errado? 
-Desta 
vez 
no. 
H 
algo 
falso 
nesse 
homem, 
o 
instinto 
me 
diz, 
 
tudo 
muito 
perfeito, 
sua 
vida 
 
a 
ilustrao 
perfeita 
de 
um 
moderno 
conto 
de 
fadas. 
Eu 
busco 
o 
duende 
camuflado. 
Tens 
cado 
em 
teus 
vcios 
de 
policial.
 
provvel. 
 
um 
costume 
difcil 
de 
romper. 
Observo 
com 
verdadeiro 
grau 
de 
suspeita 
a 
todo 
mundo. 
Por 
que? 
Porque 
as 
pessoas 
so 
suspeitas 
por 
natureza. 
Todos 
ns 
temos 
algo 
que 
ocultar. 
Como 
um 
segredo? 
Seu 
sorriso 
malicioso 
no 
mudou 
a 
sria 
expresso 
de 
Alex. 
Exatamente: 
como 
um 
segredo. 
Todos 
ns 
temos 
algo 
que 
guardamos 
sob 
chave. 
Eu 
no; 
minha 
vida 
 
um 
livro 
aberto. 
Podem 
me 
olhar 
com 
raios 
X 
por 
dentro 
e 
por 
fora. 
Se 
tivesse 
algo 
que 
ocultar 
j 
o 
teriam 
descoberto 
faz 
tempo. 
Alex 
negou 
com 
a 
cabea. 
Tu 
tens 
um 
segredo, 
Cat. 
Talvez 
to 
profundo 
que 
est 
encerrado 
no 
subconsciente. 
Ainda 
que 
no 
saibas 
o 
que 
, 
no 
quer 
revelar 
a 
ti 
mesma 
porque 
teria 
que 
ir 
em 
frente. 
Todos 
ocultam 
os 
aspectos 
negativos 
de 
ns 
mesmos 
porque 
no 
suportamos 
enfrentar 
a 
eles. 
Cu, 
alegra-me 
de 
ter-te 
convidado: 
 
de 
morrer 
de 
rir. 


#
Antes 
eu 
quisesse 
brincar 
com 
voc. 
E 
no 
me 
pareceu 
que 
apreciasse 
meu 
sentido 
do 
humor. 
Olhou-o 
carrancuda. 
Acho 
que 
est 
levando 
a 
psicologia 
policial 
muito 
a 
srio. 
Pode 
ser, 
mas 
ns 
escritores 
tambm 
somos 
psiclogos. 
Hora 
depois 
de 
hora, 
dia 
depois 
de 
dia, 
descrevo 
vidas 
de 
pessoas, 
estudo 
suas 
pautas 
de 
comportamento 
e 
tentativa 
descobrir 
o 
que 
as 
faz 
reagir. 
Pensa 
nisto: 
ds-te 
um 
golpe 
no 
dedo 
com 
um 
martelo. 
Que 
fazes 
a 
seguir? 
O 
mais 
seguro 
 
que 
grite, 
diga 
um 
palavro 
e 
d 
pulos 
segurando 
o 
dedo. 
Exato. 
Causa 
e 
efeito. 
Dado 
esse 
estmulo, 
todos 
nos 
comportamos 
basicamente 
igual. 
Por 
outra 
parte, 
ocorrem 
coisas 
em 
nossa 
vida 
que 
para 
ns 
so 
nicas, 
mas, 
j 
sejam 
acidentais 
ou 
preconcebidas, 
nossas 
respostas 
esto 
tambm 
programadas. 
E 
a 
cada 
qual 
est 
programado 
de 
forma 
diferente 
segundo 
o 
sexo, 
o 
coeficiente 
mental, 
o 
nvel 
econmico, 
seu 
meio 
ao 
nascer, 
etctera. 
Todos 
ns 
temos 
razes 
para 
reagir 
como 
o 
fazemos. 
Isto 
 
a 
motivao. 
Como 
escritor, 
tenho 
que 
saber 
o 
que 
motiva 
um 
determinado 
personagem 
a 
responder 
a 
uma 
situao 
determinada 
e 
de 
uma 
forma 
determinada. 
-Estudas 
o 
comportamento 
humano. 
-Em 
todas 
suas 
facetas. 
-E 
est 
na 
natureza 
humana 
esconder 
os 
segredos? 
-Como 
um 
co 
esconde 
um 
osso. 
Ainda 
que 
rara 
vez 
queira 
desenterr-los 
e 
ro-los. 
-E 
qual 
 
teu 
segredo, 
Sigmund 
Freud?
-No 
posso 
o 
revelar. 
 
um 
segredo. 
Cat 
parou 
em 
outro 
cruzamento 
e 
voltou 
 
cabea 
para 
o 
olhar. 
-Acho 
que 
tem 
mais 
de 
um. 
Alex 
no 
picou 
o 
anzol. 
Limitou-se 
a 
perguntar: 
-Nos 
deitaremos 
juntos 
esta 
noite? 
Ela 
sustentou 
sua 
olhar 
at 
que 
mudou 
o 
semforo 
e 
o 
motorista 
que 
ia 
detrs 
fez 
soar 
o 
buzina. 
No 
o 
creio 
 
contou 
ao 
calcar 
o 
acelerador. 
-Por 
que 
no? 
Porque 
tens 
falado 
tanto 
de 
estudar-me 
que 
me 
sinto 
insegura. 
Serei 
a 
primeira 
estrela 
do 
tv 
que 
voc 
leva 
para 
cama? 
A 
primeira 
mulher 
com 
um 
corao 
transplantado? 
A 
primeira 
ruiva 
que 
cala 
um 
trinta 
e 
sete? 
Quer 
deitar 
comigo 
para 
poder 
armazenar 
a 
experincia 
em 
tua 
enciclopedia 
mental 
sobre 
o 
comportamento 
humano? 
Alex 
no 
negou 
e 
a 
Cat 
molestou 
que 
no 
o 
fizesse. 
Queria 
que 
recusasse 
a 
acusao 
de 
plano, 
mas 
seguia 
calado. 
Isso 
confirmou 
sua 
deciso. 
Me 
desculpe, 
Alex: 
no 
quero 
me 
ver 
retratada 
na 
cena 
da 
seduo 
de 
tua 
prxima 
novela. 


Alex 
afastou 
os 
olhos 
dela 
com 
a 
mandbula 
desencajada. 
Cat 
temia 
que 
fora 
pelo 
fato 
de 
que 
tinha 
dado 
no 
finco. 
Ainda 
que, 
ao 
menos, 
tinha 
a 
decencia 
de 
no 
mentir 
sobre 
seus 
motivos. 
No 
obstante, 
estava 
muito 
desesperanosa. 
-Fazes 
que 
parea 
um 
autntico 
porco.
 
provvel 
que 
o 
seja. 
Ento 
viu 
que 
Cat 
sorria. 


#
-Bom, 
tens 
razo. 
Mas 
inclusive 
aos 
porcos 
se 
concede 
o 
benefcio 
da 
dvida, 
algumas 
vezes. 
-De 
acordo. 
Um 
caf 
em 
minha 
casa? 
-Sim, 
desde 
ali 
pedirei 
um 
txi 
para 
voltar 
 
minha. 
-Caf 
e 
nada 
mais. 
-No 
sou 
nenhum 
selvagem, 
sabes? 
Posso 
controlar 
meus 
impulsos 
quando 
tenho 
que 
o 
fazer. 
Estava 
caoando, 
mas 
voltou 
a 
falar 
em 
srio. 
-Cat, 
gosto 
de 
falar 
contigo; 
para 
valer.
- 
uma 
nova 
tctica? 
-No. 
 
geniosa, 
inteligente, 
competitiva. 
Uma 
boa 
oponente. 
V, 
v; 
ainda 
que 
no 
seja 
verdadeiro 
 
muito 
lisonjeiro. 
Seguiram 
conversando 
e 
rindo 
enquanto 
recordava 
episdios 
do 
jantar. 
Ao 
dobrar 
a 
esquina, 
Cat 
freou 
inesperadamente. 
De 
quem 
 
esse 
carro? 
Tinha 
um 
sedn 
escuro 
estacionado 
diante 
de 
sua 
casa, 
oculto 
em 
parte 
pelas 
sombras 
dos 
ramos 
dos 
carvalhos. 
No 
o 
reconheces? 
Ela 
negou 
com 
a 
cabea. 
Esperava 
algum? 
No. 
Disse 
a 
si 
mesma 
que 
os 
dois 
recortes 
de 
jornal 
no 
tinham 
que 
a 
inquietar, 
mas 
sabia 
que 
era 
uma 
imprudencia 
os 
descartar 
por 
completo. 
Mais 
de 
um 
demente 
tinha 
cometido 
horrveis 
assassinatos 
devido 
a 
seu 
obssesso 
por 
alguma 
pessoa 
famosa. 
Costumava 
extremar 
as 
precaues 
assegurando-se 
de 
que 
as 
portas 
e 
as 
janelas 
estivessem 
fechadas, 
observando 
os 
estacionamentos 
ao 
sair 
dos 
edifcios 
e 
comprovando 
que 
no 
tivesse 
ningum 
no 
assento 
posterior 
antes 
de 
subir 
ao 
carro. 
No 
estava 
histrica, 
mas 
o 
sentido 
comum 
no 
faria 
nenhum 
dano. 
Que 
te 
assustou? 
perguntou 
Alex. 
No 
estou 
assustada; 
s... 
No 
minta. 
Suas 
mos 
esto 
tremendo 
e 
seu 
pulso 
acelerou 
na 
cartida. 
Que 
passa? 
Nada. 
Cat! 
Nada. 
Mentirosa. 
Estaciona. 
Mas... 
Estaciona! 
Saiu 
do 
carro, 
mas 
deixou 
o 
motor 
ligado. 
Apaga 
as 
luzes, 
no 
faas 
rudo, 
te 
fica 
aqui. 
Abriu 
a 
porta 
e 
saiu. 
Alex, 
que 
vai 
fazer? 
Sem 
dar 
ateno, 
andou 
em 
direo 
a 
sua 
casa. 
Logo 
o 
perdeu 
nas 
sombras 
e 
no 
podia 
o 
ver. 
Sua 
ansiedade 
inicial 
tinha-se 
mitigado. 
Sim, 
tinha-se 
assustado, 
mas 
s 
durante 
um 
momento, 
e 


#
agora 
parecia 
uma 
tolice. 
O 
carro 
podia 
ser 
de 
algum 
que 
visitasse 
um 
vizinho. 
Impaciente, 
tocou 
com 
os 
dedos 
sobre 
o 
volante. 
No 
faas 
rudo, 
te 
fica 
aqui, 
faz 
isto, 
faz 
o 
outro, 
murmurou 
ofendida. 
No 
precisava 
que 
ele 
a 
resgatasse. 
Saiu 
do 
carro 
e 
seguiu 
o 
mesmo 
caminho 
que 
Alex 
tinha 
tomado. 
Correu 
de 
em 
pontas 
do 
p, 
colando
s 
sombras. 
Quanto 
mais 
perto 
estava 
de 
casa, 
mais 
ridcula 
sentia-se. 
 
que 
algum 
que 
quisesse 
fazer 
mal 
estacionaria 
diante 
de 
sua 
casa, 
anunciando 
sua 
visita? 


Por 
outra 
parte, 
como 
podia 
explicar 
a 
estranha 
sensao 
de 
se 
sentir 
vigiada? 
Esses 
malditos 
envelopes 
e 
seus 
misteriosos 
avisos 
estavam-lhe 
fazendo 
mal. 
Sempre 
tinha 
odiado 
a 
covardia, 
no 
era 
seu 
estilo 
sobressaltar-se 
nem 
imaginar 
fantasmas 
escondidos 
a 
ponto 
de 
atacar. 
Mas 
SEU 
nervosismo 
intensificou-se 
ao 
chegar 
 
casa. 
Fora 
da 
luz 
da 
entrada 
da 
porta, 
tudo 
estava 
escuro 
e 
no 
se 
ouvia 
nem 
se 
movia 
nada. 
Ento, 
ouviu 
vozes 
que 
vinham 
do 
jardim 
traseiro. 
Um 
grito. 
Um 
rosnado. 
Rudo 
de 
uma 
briga. 
Dois 
siluetas 
apareceram 
na 
escurido. 
Alex 
lutava 
com 
outro 
homem 
e 
levava-o 
praticamente 
 
fora 
at 
a 
entrada 
da 
casa. 
-Tentava 
entrar 
pela 
porta 
de 
trs. 
-Solta-me, 
filho 
de 
puta 
 rosnava 
o 
homem. 
Nada 
disso. 
Alex 
atirou-o 
ao 
cho 
de 
bruos 
e 
ficou 
sentado 
em 
cima 
dele, 
pressionando 
o 
joelho 
contra 
os 
rins. 
Segurando 
o 
brao 
contra 
as 
costas. 
Se 
mover-te 
romperei 
a 
porra 
brao. 
Cat, 
ligue 
para 
911. 
Aturdida, 
correu 
para 
a 
porta, 
mas 
esteve 
a 
ponto 
de 
dar 
tropear 
nos 
degraus 
ao 
ouvir 
que 
voltavam 
a 
dizer 
seu 
nome, 
agora 
com 
uma 
voz 
entrecortada 
pela 
indignao 
e 
a 
dor, 
mas, 
ainda 
assim, 
inconfundvel. 
Cat, 
pelo 
amor 
de 
Deus: 
tira 
este 
filho 
da 
puta 
de 
cima 
de 
mim. 
Ela 
se 
deu 
a 
volta 
com 
os 
olhos 
arregalados 
pela 
perplexidade. 
Dean 



Captulo 
vinte 
e 
trs 


Cat 
limpou 
com 
lcool 
a 
ferida 
da 
bochecha 
de 
Dean. 
O 
cardiologista 
fazia 
caretas 
de 
dor 
e 
amaldioava. 
Alex, 
sentado 
numa 
cadeira, 
tentava 
dissimular 
seu 
sorriso. 
Estavam 
ao 
redor 
da 
mesa 
da 
cozinha. 
Era 
justo 
o 
tipo 
de 
cozinha 
que 
Alex 
teria 
atribudo 
a 
Cat 
se 
fosse 
um 
de 
seus 
personagens. 
A 
era 
branca, 
com 
algumas 
pinceladas 
de 
cor: 
uma 
amapola 
de 
Georgia 
OKeefe 
em 
uma 
das 
paredes, 
violetas 
africanas 
no 
alfizar 
da 
janela, 
uma 
fruteira 
com 
manchas 
brancas 
e 
negras 
como 
a 
pele 
de 
uma 
vaca 
leiteira. 


#
Spicer 
apartou 
a 
mo 
de 
Cat. 
J 
estou 
bem 
 
resmungou 
-Tem 
algo 
para 
beber? 
Se 
voc 
se 
refere 
a 
bebida 
alcolica? 
No. 
E 
uma 
aspirina? 
Cat 
negou 
com 
a 
cabea, 
compungida. 
Dean 
suspirou. 
Claro, 
suponho 
que 
no 
esperava 
ter 
uma 
visita 
atacada 
e 
arrastada 
pelo 
cho. 
Olhou 
a 
Alex. 
Acho 
que 
voc 
me 
deve 
uma 
desculpa. 
No 
penso 
me 
desculpar 
por 
reagir 
ao 
que 
eu 
vi 
que 
era 
voc 
tentando 
entrar 
pela 
porta 
de 
trs. 
Era 
verdade 
que 
o 
tinha 
maltratado 
sem 
saber 
que 
era 
amigo, 
mas 
na 
realidade 
no 
lhe 
tinha 
feito 
dano. 
O 
nico 
que 
estava 
ferido 
era 
seu 
orgulho, 
e 
isso 
a 
Alex 
no 
importava. 
No 
deveria 
estar 
rodeando 
na 
escurido 
tentando 
entrar. 
E 
voc 
deveria 
ter 
pedido 
que 
me 
identificasse 
antes 
de 
saltar 
em 
cima 
de 
mim. 
Alex 
disse 
em 
tom 
zombador: 
-Essa 
 
uma 
boa 
maneira 
de 
morrer. 
No 
se 
pede 
a 
um 
suspeito 
que 
se 
identifique. 
Primeiro 
o 
imobiliza 
e 
depois 
faz 
as 
perguntas. 
Voc 
no 
duraria 
nem 
dez 
minutos 
na 
rua. 
-No 
sabia. 
Ao 
contrrio 
de 
voc, 
no 
me 
criei 
na 
rua. 
Alex 
levantou 
inesperadamente 
e 
derrubou 
a 
cadeira. 
-Teve 
sorte 
de 
que 
Cat 
o 
reconhecesse 
 
tempo. 
Estava 
a 
ponto 
de 
esmag-lo 
por 
me 
chamar 
filho 
da 
puta. 
-Garotos, 
j 
chega! 
exclamou 
Cat. 
Foi 
um 
erro, 
daqui 
a 
pouco 
nos 
parecer 
gracioso. 
Alex 
duvidava 
que 
ele 
ou 
Spicer 
o 
encontrassem 
gracioso, 
mas 
no 
queria 
discutir 
com 
Cat, 
que 
j 
estava 
bastante 
nervosa. 
Levantou 
a 
cadeira 
e 
sentou-se 
enquanto 
trocava 
olhares 
rancorosos 
com 
Dean. 
Cat 
fechou 
a 
garrafa 
de 
lcool 
e 
disse: 
Dean, 
se 
tivesse 
telefonado, 
isto 
no 
teria 
ocorrido. 
Queria 
fazer 
uma 
surpresa. 
Pois 
conseguiu! 
disse 
risonha. 
Demasiado 
risonha. 
Seu 
sorriso 
parecia 
forado 
e 
Alex 
pensou 
que 
no 
estava 
muito 
contente 
de 
ver 
ao 
doutor 
Spicer, 
a 
quem 
temba 
fosse 
s 
como 
um 
amigo. 
Mas 
no 
passou 
por 
sua 
cabea 
que 
talvez 
entre 
eles 
fosse 
algo 
mais 
que 
isso. 
Voc 
comeu 
no 
avio? 
Quer 
que 
eu 
te 
prepare 
algo? 
No 
comi 
essa 
bazofia 
e 
j 
provei 
os 
teus 
pratos. 
De 
todas 
as 
formas, 
obrigado. 
Quer 
caf? 
No. 
Eu 
tambm 
no. 
Pois 
ser 
melhor 
que 
passemos 
ao 
salo. 
Nem 
um 
nem 
outro 
se 
moveram, 
de 
modo 
que 
se 
sentou 
com 
eles 
 
mesa 
da 
cozinha. 
No 
posso 
acreditar 
que 
esteja 
em 
San 
Antonio, 
Dean; 
achava 
que 
morreria 
antes 
de 
se 
deslocar 
a 
provncias. 
O 
que 
tenho 
visto 
at 
agora 
se 
ajusta 
a 
minhas 
piores 
expectativas. 


#
Muito 
obrigado! 
Cat 
disse-o 
em 
brincadeira, 
mas 
ele 
o 
tomou 
em 
srio. 
No 
me 
expressei 
bem. 
Tua 
casa 
 
bonita, 
ainda 
que 
no 
pode 
se 
comparar 
 
de 
Malib.
 
verdade. 
Em 
San 
Antonio 
andam 
escassos 
de 
terrenos 
com 
vistas 
 
praia. 
Cat 
riu 
com 
nervosismo 
sua 
prpria 
piada, 
mas 
nem 
Alex 
nem 
Dean 
esboaram 
um 
sorriso. 
Deixaram 
que 
ela 
continuasse 
a 
conversa. 
Quando 
decidiste 
vir, 
Dean? 
Foi 
uma 
idia 
repentina. 
Tenho 
poucas 
consultas 
nos 
prximos 
dias 
e 
foi 
fcil 
remarca-las. 
Alegro-me 
de 
que 
esteja 
aqui. 
Estava 
mentindo 
e 
Alex 
sabia-o. 
E 
tambm 
Spicer. 
Ainda 
que 
no 
o 
parea, 
voc 
chegou 
em 
um 
momento 
oportuno. 
Viemos 
de 
um 
jantar 
em 
casa 
dos 
Webster. 
Spicer 
emitiu 
um 
rosnado. 
Nancy 
est 
organizando 
uma 
arrecadao 
de 
fundos 
para 
Os 
Meninos 
de 
Cat. 
Que 
amvel. 
Esta 
noite 
estava 
ali 
a 
flor 
e 
nata 
da 
alta 
sociedade 
de 
San 
Antonio. 
No 
acho 
que 
seja 
grande 
coisa. 
Alex 
admirava 
o 
autodominio 
que 
demonstrava 
Cat 
ao 
no 
se 
incomodar 
com 
o 
comentrio 
ofensivo. 
Inclusive 
conservou 
o 
riso. 
As 
senhoras 
estavam 
encantadas 
de 
conhecer 
a 
Alex 
em 
pessoa. 
Spicer 
perguntou: 
Voc 
 
policial, 
no? 
Ex-policial. 
Spicer 
tossiu 
e 
olhou-o 
com 
desdm. 
Alex 
escreve 
livros 
policiais 
e 
 
quase 
uma 
celebridade. 
Voc 
j 
leu 
alguma? 
Spicer 
olhou-a 
como 
se 
tivesse 
falado 
uma 
besteira. 
No. 
Pois 
talvez 
devesse 
fazer 
 disse 
Alex. 
No 
vejo 
por 
que. 
Poderia 
aprender 
algo 
til; 
por 
exemplo, 
defesa 
pessoal. 
Spicer 
levantou-se. 
A 
seguir 
sentiu-se 
enjoado 
e 
teve 
que 
se 
apoiar 
no 
brao 
da 
cadeira. 
Alex 
disimulou 
outro 
sorriso 
de 
satisfao. 
Cat 
precipitou-se 
a 
ajudar 
ao 
cardiologista 
a 
sentar-se. 
Depois 
ps-se 
em 
p 
e 
disse: 
Estou 
tentando 
fazer 
de 
rbitro 
e 
o 
no 
gosto 
dele. 
Basta 
j! 
Vocs 
esto 
se 
comportando 
como 
um 
par 
de 
estpidos 
por 
nada. 
Isto 
no 
 
nada? 
 
disse 
Spicer 
indicando 
a 
ferida 
da 
bochecha. 
J 
est 
bem, 
homem 
 
murmurou 
Alex. 
E 
ameaou-me 
de 
quebrar 
o 
meu 
brao. 
Dean... 
-Porque 
o 
tomei 
por 
um 
ladro, 
mas 
era 
s 
um 
louco 
passeando 
na 
escurido 
e... 


-Alex... 


#
ALEX 
ps-se 
em 
p. 
-Deixa-o, 
Cat, 
no 
vale 
a 
pena. 
Parece 
que 
ouvi 
chegar 
um 
txi. 
-Pediu 
um? 
-Quando 
foi 
buscar 
a 
caixa 
de 
primeiros 
socorros. 
-Oh, 
pensei 
ficaria 
para 
conversar 
conosco. 
-No, 
atende 
a 
teu 
convidado. 
Foi 
um 
prazer, 
doutor. 
Spicer 
olhou-o 
furioso. 
Cat 
disse: 
Te 
acompanharei, 
Alex. 
Caminharam 
para 
a 
porta 
principal. 
Cat 
tinha 
tirado 
os 
sapatos 
de 
salto 
e 
seus 
passos 
eram 
silenciosos 
no 
cho 
da 
calada, 
ainda 
que 
este 
rangesse 
um 
pouco 
sob 
o 
peso 
de 
Alex. 
As 
habitaes 
eram 
espacosas, 
iluminadas 
por 
lustres 
de 
p. 
A 
suave 
luz 
caa 
como 
fotografias 
emolduradas, 
revistas 
e 
jarros 
com 
flores. 
Os 
sofs 
e 
cadeiras 
eram 
grandes, 
fofos 
e 
com 
almofadas 
de 
cores 
diversas. 
O 
ambiente 
era, 
despretencioso, 
amvel 
e 
acolhedor. 
Cat 
abriu 
a 
porta. 
Tnias 
razo; 
aqui 
est 
o 
txi. 
Estava 
estacionado 
em 
frente, 
por 
trs 
do 
carro 
de 
alugado 
de 
Spicer. 
Deu 
a 
volta 
e 
disse: 
Obrigado 
por 
acompanhar 
ao 
jantar. 
Obrigado 
por 
ter-me 
convidado. 
Se 
Cat 
tivesse 
sido 
prudente, 
o 
teria 
deixado 
assim, 
dando 
boa 
noite. 
Mas 
no 
era 
e, 
rindo, 
comentou: 
Temos 
tido 
uma 
surpresa 
ao 
final 
da 
noite, 
eh? 
Sim. 
Foi 
mais 
divertido 
que 
uma 
tranqila 
caneca 
de 
caf. 
E 
menos 
divertido 
que 
fazer 
amor 
com 
voc. 
Por 
que 
s 
to 
bruto? 
E 
tu 
to 
inibida? 
Sabe 
muito 
bem 
que 
amos 
transar. 
J 
te 
disse 
que 
no. 
E 
dizia 
 
srio? 
Cat 
baixou 
a 
cabea. 
Ele 
levantou 
seu 
queixo. 
Somos 
adultos, 
os 
dois 
sabemos 
o 
que 
nos 
levamos 
entre 
mos, 
de 
modo 
que 
te 
deixa 
de 
tolices 
comigo. 
Desde 
que 
a 
vi 
na 
Casa 
de 
Irene 
e 
Charlie 
voc 
me 
deixou 
doido 
e 
sabe 
disso. 
E 
voc 
sentiu 
o 
mesmo. 
Tudo 
o 
que 
temos 
dito 
e 
feito 
desde 
ento 
foram 
preliminares. 
Cat 
olhou 
nervosa 
em 
direo 
 
cozinha 
e 
isso 
lhe 
molestou. 
Captei 
a 
indireta. 
Boa 
noite, 
Cat. 
Saiu. 
E 
estava 
j 
a 
meio 
caminho 
quando 
se 
virou. 
Ela 
seguia 
na 
porta, 
silueteada 
pela 
luz 
da 
casa. 
Parecia 
triste 
e 
desabrigada. 
Ainda 
que 
ainda 
estivesse 
furioso 
por 
sbito 
aparecimento 
do 
ex 
amante 
de 
Cat, 
no 
queria 
se 
comportar 
como 
um 
insensato. 
Voltou 
sobre 
seus 
passos 
e, 
sem 
dizer 
uma 
palavra, 
apanhou-a 
pela 
cintura 
e 
a 
apertou 
contra 
si. 
A 
beijou 
apaixonadamente 
e, 
com 
a 
mesma 
rapidez 
que 
tinha 
comeado, 
terminou. 
Ela 
o 
olhou 
boquiaberta. 
Deixou-a 
atnita 
e 
excitada, 
faminta 
de 
sexo. 
Quando 
voltou 
a 


#
empreender 
o 
caminho 
pela 
segunda 
vez, 
estava 
ainda 
mais 
enfurecido 
que 
antes. 
Com 
Spicer, 
com 
ela, 
com 
ele 
mesmo. 
Com 
tudo. 


Quanto 
tempo 
faz 
que 
dura 
isto? 
Dean 
no 
fez 
rodeios. 
Assim 
que 
ela 
voltou 
a 
cozinha, 
abordou 
o 
tema 
que 
Cat 
tinha 
esperado 
poder 
esquivar... 
O 
que? 
No 
se 
faa 
de 
tonta, 
Cat. 
O 
caso 
com 
esse 
policial 
e 
escritor. 
Seu 
olhar 
inquisidor 
exigia 
uma 
resposta. 
No 
h 
nenhum 
assunto 
entre 
Alex 
e 
eu. 
Explicou 
o 
mal-entendido 
ocorrido 
em 
casa 
dos 
Walters.
Desde 
ento 
nos 
vimos 
algumas 
vezes. 
 
um 
homem 
agradvel. 
No 
h 
nada 
mais. 
Dean 
fez 
uma 
careta 
de 
ceticismo. 
Ela 
ainda 
conservava 
na 
boca 
o 
sabor 
de 
Alex 
e 
passou 
 
ofensiva: 
Olha, 
Dean, 
alegro-me 
de 
que 
tenha 
vindo 
me 
ver, 
mas 
quem 
te 
deu 
permisso 
para 
entrar 
em 
minha 
casa 
quando 
eu 
no 
estou? 
No 
achei 
que 
se 
importasse. 
J 
expliquei, 
a 
voc 
e 
a 
esse 
troglodita. 
Como 
no 
estava, 
pensei 
entrar 
e 
te 
esperar. 
No 
entendo 
por 
que 
te 
molesta. 
Tenho 
as 
chaves 
de 
tua 
casa 
de 
Malib. 
Qual 
 
a 
diferena? 
A 
diferena 
 
que 
te 
dei 
as 
chaves 
da 
casa 
de 
Malib 
e 
sabia 
que 
as 
tinhas. 
Deverias 
ter-me 
telefonado; 
no 
gosto 
das 
surpresas. 
J 
te 
disse 
muitas 
vezes. 
Pois 
teu 
desagrado 
pelas 
surpresas 
deve 
de 
ser 
uma 
das 
poucas 
coisas 
que 
no 
mudou 
desde 
que 
ests 
aqui. 
Levantou-se 
e 
comeou 
a 
passear 
pela 
cozinha 
sem 
tirar 
seus 
olhos 
dela, 
como 
se 
quisesse 
a 
observar 
por 
diversas 
perspectivas. 
No 
sei 
o 
que 
provocou 
em 
troca. 
Se 
 
a 
tua 
relao 
com 
esse 
gorila 
ou 
pelo 
trabalho. 
Algo 
mudou. 
-Em 
que 
sentido?
-Est 
agitada, 
nervosa. 
 
ponto 
se 
assustar 
por 
qualquer 
coisa. 
-No 
sei 
do 
que 
est 
falando. 
Se 
o 
sabia 
e 
preocupava-lhe 
que 
fosse 
to 
evidente. 
-Dei-me 
conta 
assim 
que 
a 
vi. 
Se 
algo 
vai 
mau... 
De 
repente 
ficou 
plida. 
Oh, 
Deus 
meu, 
ests 
bem? 
O 
corao? 
Algum 
sintoma 
de 
rejeio? 
Ela 
levantou 
as 
mos 
ante 
seu 
alarme. 
No, 
Dean, 
estou 
uma 
maravilha. 
No 
posso 
acreditar 
quo 
bem 
estou. 
A 
cada 
dia 
descubro 
que 
posso 
fazer 
coisas 
que 
antes 
eram 
impossveis. 
Aps 
tanto 
tempo, 
ainda 
no 
me 
acostumo 
 
idia. 
No 
seja 
imprudente 
 aconselhou 
com 
voz 
de 
mdico. 
Alegro-me 
de 
que 
esteja 
bem, 
mas 
se 
notar 
algum 
sintoma 
de 
rejeio 
tem 
que 
me 
avisar 
de 
imediato. 


 
Eu 
Prometo. 
Sei 
que 
no 
gosta, 
mas 
algum 
tem 
que 
lembr-la 
que 
no 
 
igual 
que 
qualquer 
outra 
pessoa. 
#
Levas 
um 
corao 
transplantado. 
Sou 
igual 
que 
qualquer 
outra 
pessoa. 
No 
gosto 
que 
me 
tratem 
como 
a 
uma 
doente. 
No 
parecia 
ouvir 
seus 
protestos. 
voc 
trabalha 
muito. 
Encanta-me 
trabalhar. 
Entreguei-me 
aos 
Meninos 
de 
Cat 
em 
corpo 
e 
alma. 
Por 
isso 
est 
to 
nervosa? 
Ela 
gostaria 
de 
mostrar 
os 
misteriosos 
recortes. 
Sua 
opinio 
teria 
sido 
valiosa. 
Mas, 
conhecendo-o, 
o 
mais 
provvel 
era 
que 
aconselhasse 
ir 
 
policia, 
e 
fazer 
isso 
seria 
admitir 
que 
tinham 
alguma 
importncia. 
Ainda 
tentava 
se 
convencer 
de 
que 
os 
velados 
avisos 
no 
significavam 
nada. 
Talvez 
eu 
parea 
tensa 
porque 
o 
jantar 
desta 
noite 
foi 
algo 
mais 
que 
uma 
festa 
convencional. 
Tinha 
que 
causar 
boa 
impresso 
a 
muitas 
pessoas, 
e 
isso 
cansa. 
Adoro 
o 
trabalho 
e 
os 
meninos, 
mas 
um 
programa 
assim 
te 
d 
muitas 
dores 
de 
cabea, 
a 
problemas 
relacionados 
com 
a 
produo 
e 
outros 
com 
a 
burocracia. 
Ter 
que 
tratar 
com 
a 
administrao 
esgota 
a 
qualquer. 
Quando 
chega 
a 
noite, 
estou 
cansada. 
Poderia 
deix-lo. 
Ela 
sorriu 
e 
negou 
com 
a 
cabea. 
Inclusive 
com 
todos 
os 
inconvenietes, 
gosto. 
Vale 
a 
pena 
quando 
conseguimos 
que 
adotem 
a 
um 
menino 
e 
que 
isso 
mude 
sua 
vida, 
convertendo 
seu 
pesadelo 
em 
um 
sonho. 
No, 
Dean, 
no 
penso 
em 
deixar. 
Se 
o 
trabalho 
 
to 
estupendo, 
deve 
de 
ser 
outra 
coisa. 
Olhou-a 
fixamente 
aos 
olhos.
 
por 
Pierce? 
Fica 
nervosa 
por 
ele? 
Outra 
vez 
com 
isso? 
At 
onde 
chega 
vossa 
relao? 
No 
podia 
contestar 
com 
franqueza, 
pois 
a 
verdade 
era 
que 
queria 
que 
sua 
relao 
com 
Alex 
se 
fizesse 
mais 
profunda 
e 
dar 
o 
seguinte 
passo.
 
um 
homem 
inteligente 
e 
interessante 
 disse 
-Se 
expressa 
bem, 
mas 
 
pouco 
comunicativo. 
Uma 
pessoa 
complexa. 
Quanto 
mais 
vemos-nos, 
parece 
que 
o 
conheo 
menos. 
Ele 
Me 
intriga.
Cat, 
no 
se 
engane. 
 
um 
macho 
duro 
e 
aposto 
o 
que 
intriga. 
No 
se 
deu 
conta?
 
um 
garoto 
mau 
e 
que 
nenhuma 
mulher 
pode 
resistir 
 disse 
ela 
baixinho.
Se 
voc 
j 
sabe, 
por 
que 
vai 
atrs 
dele? 
Por 
que 
te 
atrai? 
 
um 
selvagem, 
v-se 
a 
simples 
vista. 
E 
essa 
cicatriz 
na 
sobrancelha? 
Um 
delinqente 
o 
golpeou 
com 
uma 
garrafa 
de 
cerveja. 
Ah, 
vejo 
que 
j 
te 
contou. 
Tem 
outras 
cicatrizes? 
J 
as 
viu? 
Dormiu 
com 
ele? 
Isso 
no 
 
assunto 
teu! 
 
claro 
que 
. 
Se 
fosse 
assim 
ou 
no, 
no 
tenho 
que 
te 
dar 
satisfao. 
No 
queria 
ferir 
mais 
o 
ego 
de 
Dean, 
por 
isso 
conteve 
a 
ira. 
Dean, 
no 
quero 
discutir 
com 
voc. 
Faz 
favor, 
entende-o. 
Entendo-o 
perfeitamente. 
Quer 
a 
excitao 
e 
o 
ardor, 
cuja 
carncia 
lamentava 
em 
nossa 
relao. 
Se 
apaixonou 
por 
um 
homem 
duro 
com 
jeans 
tingidos. 
Sim 
 admitiu 
com 
verdadeiro 
ar 
de 
desafio. 
E 
continuou: 
tanto 
faz 
com 
quem 
seja, 
gosto 
de 


#
me 
apaixonar. 
Pelo 
amor 
de 
Deus, 
Cat. 
Parece-me 
to 
pueril... 
Sei 
que 
pensa 
que 
sou 
alocada 
e 
idealista. 
Tens 
razo. 
Eu 
sou 
um 
pragmtico. 
No 
tenho 
nem 
f 
nem 
ideais. 
A 
vida 
 
uma 
srie 
de 
realidades; 
no 
geral, 
muito 
duras. 
Ningum 
sabe 
melhor 
que 
eu, 
Dean. 
Por 
isso 
quero 
seguir 
diante 
com 
algo 
bom 
quando 
o 
encontrar. 
Na 
relao 
mais 
importante 
de 
minha 
vida 
nego-me 
a 
conformar-me 
com 
menos. 
A 
amizade 
e 
a 
camaradagem 
so 
bsicas, 
mas 
se 
apaixono 
quero 
tudo. 
Quero 
tambm 
sexo 
ardente 
e 
romantismo. 
E 
acha 
que 
esse 
tipo 
pode 
dar 
isso?
 
prematuro 
especular. 
Alm 
do 
mais, 
ele 
no 
 
o 
caso. 
E 
um 
corno. 
Se 
eu 
no 
estivesse 
aqui, 
no 
estaria 
flertando 
com 
ele 
neste 
momento? 
Cat 
no 
queria 
contestar, 
mas 
sabia 
que 
tinha 
que 
fazer. 
-Com 
franqueza, 
no 
sei. 
Talvez. 
Ao 
recordar 
o 
beijo 
de 
despedida 
de 
Alex 
acrescentou:
- 
provvel. 
Dean 
apanhou 
a 
jaqueta 
dobrada 
sobre 
a 
cadeira. 
-Talvez 
devesse 
cham-lo 
de 
volta 
para 
se 
certificar. 
-Dean, 
no 
v 
embora 
assim 
 suplicou 
por 
trs 
dele 
ao 
atingir 
a 
porta. 
No 
v 
embora 
chateaso, 
no 
me 
culpe 
por 
no 
estar 
apaixonada 
por 
voc. 
Voc 
ainda 
 
o 
meu 
melhor 
amigo 
e 
preciso 
de 
ti. 
Ningum 
pode 
romper 
nossa 
amizade. 
Dean! 
Ele 
no 
cedeu, 
saiu 
e 
fechou 
de 
uma 
portada. 
Cat 
ouviu 
quando 
os 
chiaram 
os 
pneus 
do 
carro 
alugado. 



Captulo 
vinte 
e 
quatro 


George 
Murphy 
estava 
enfurecido 
enquanto 
caminha 
pela 
rua 
cheia 
de 
lixo 
em 
direo 
a 
sua 
pequena 
moradia 
de 
aluguel. 
Ao 
subir 
a 
escada, 
o 
cho 
de 
madeira 
ameaava 
afundar 
sob 
seus 
ps. 
A 
pintura 
azul 
da 
porta 
estava 
desgastada 
e 
quando 
a 
abriu 
as 
dobradias 
chiaram... 
A 
sala 
cheirava 
a 
ensopados 
e 
a 
maconha. 
Murphy 
apartou 
de 
um 
chute 
um 
boneco 
de 
pelucia 
e 
amaldioou 
ao 
tropear 
com 
um 
caminho 
de 
brinquedo. 
A 
mulher 
saiu 
do 
dormitrio 
com 
a 
cara 
amarrotada. 
Ainda 
que 
fossem 
quase 
as 
doze, 
continuava 
de 
camisola. 
Passou 
a 
lngua 
pelos 
lbios 
ressecados. 
O 
que 
est 
fazendo 
aqui? 
Bom, 
eu 
vivo 
aqui. 
Ela 
se 
rodeou 
a 
cintura 
com 
os 
braos. 
Quando 
te 
soltaram? 
Faz 
como 
uma 
hora. 
No 
tinham 
provas 
e 
no 
podiam 
me 
reter 
em 
chirona. 
Queriam 
plantar 
evidncias 
nele. 
Um 
par 
de 
policiais 
com 
vontade 
de 
fazer 
mritos, 
seu 
aspecto 


#
diferente 
os 
tinham 
incomodado. 
Nada 
importante, 
mas 
a 
deteno 
interferiu 
no 
que 
gostava 
de 
fazer. 
Adorava 
tomar 
uma 
cerveja 
e 
trepar. 
Olhou-a 
com 
ar 
de 
inquisidor. 
Parecia 
especialmente 
nervosa. 
Que 
te 
ocorre? 
No 
fica 
contente 
em 
me 
ver? 
Entornou 
os 
olhos 
com 
perspicacia 
e 
olhou 
para 
ele 
Filha 
da 
puta, 
se 
h 
um 
homem 
a 
dentro 
te 
matarei. 
No 
h... 
A 
colocou 
de 
lado 
e 
entrou 
no 
quarto 
sem 
ventilao. 
Deitado 
sobre 
os 
lenis, 
dormia 
um 
menino. 
O 
pequeno 
tinha 
adotado 
a 
postura 
fetal 
e 
tinha 
o 
polegar 
na 
boca. 
Murphy 
sentiu-se 
ridculo 
por 
sentir 
ciumes, 
mas 
buscou 
tambm 
no 
banheiro. 
No 
tinha 
ningum. 
Ao 
sair, 
olhou 
o 
menino 
dormido. 
Devolveram-no? 
Ela 
assentiu. 
Esta 
manh. 
Passei 
duas 
noites 
chorando 
e 
sem 
vontade 
de 
fazer 
nada 
que 
no 
fosse 
pensar 
em 
Michael. 
Achava 
que 
desta 
vez 
o 
tinham 
levado 
para 
sempre. 


Estava 
a 
ponto 
de 
chorar, 
mas 
engoliu 
as 
lgrimas.
A 
assistente 
social 
disse 
que... 
Se 
voltasse 
a 
ter 
problemas 
o 
levariam 
definitivamente. 
 
a 
nossa 
ltima 
oportunide. 
Faz 
favor, 
no 
faas 
nada 
que... 
Traga-me 
uma 
cerveja... 
Ela 
vacilou 
e 
olhou 
ao 
menino. 
Murphy 
deu-lhe 
uma 
bofetada. 
Eu 
disse 
para 
me 
trazer 
uma 
cerveja! 
Voc 
 
surda 
ou 
 
idiota? 
Ela 
saiu 
a 
toda 
pressa 
da 
sala 
e 
voltou 
num 
instante 
com 
uma 
lata 
de 
Coors.
- 
a 
ltima. 
Quando 
Michael 
acordar 
irei 
comprar 
mais, 
e 
tambm 
algo 
para 
jantar. 
Que 
te 
apetece?
Ele 
resmungou, 
satisfeito; 
a 
atitude 
servil 
era 
mais 
de 
seu 
agrado. 
s 
vezes, 
a 
puta 
esquecia, 
e 
tinha 
que 
lembr-la 
quem 
era 
o 
amo 
da 
casa. 
No 
quero 
essa 
droga 
que 
me 
deste 
na 
semana 
passada. 
Era 
frango 
guisado 
ao 
estilo 
mexicano. 
No 
sei 
que 
droga 
tinha 
nesse 
molho. 


 
Te 
farei 
umas 
batatas 
fritas. 
Engoliu 
a 
cerveja 
e 
suspirou. 
Agora, 
seu 
desejo 
de 
satisfaz-lo 
o 
deixava 
exasperado. 
As 
mulheres 
deveriam 
nascer 
mudas, 
pensou. 
-E 
hamburguers 
com 
cebola, 
como 
voc 
gosta. 
J 
no 
a 
escutava. 
Amassou 
a 
lata 
de 
cerveja, 
atirou-a 
ao 
cho 
e 
se 
agitou 
entre 
a 
desordem 
da 
cmoda. 
-Que 
fez 
com 
ela? 
-No, 
faz 
favor. 
No 
pode, 
aqui 
no. 
Se 
a 
assistente 
social 
souber... 
Em 
cima 
da 
cmoda 
tinha 
uma 
caixa 
de 
plstico 
com 
compartimentos 
que 
continham 
missangas 
de 
diversos 
tipos, 
tamanhos 
e 
cores. 
Com 
um 
violento 
puxo 
de 
brao 
atirou-a 
ao 
cho. 
Reprimindo 
um 


#
grito 
de 
desespero, 
ela 
olhou 
as 
missangas 
espalhadas 
pelo 
cho 
de 
linleo 
rasgado. 
Segurou-a 
pelos 
braos 
e 
sacudiu-a. 
-Deixa-te 
de 
Bobagem! 
Onde 
est 
minha 
mercadoria? 
A 
mulher 
estava 
indecisa, 
mas 
o 
comeo 
de 
rebelio 
apagou-se 
logo. 
Na 
ltima 
gaveta. 
Pegue-a 
para 
mim. 
Quando 
se 
inclinou, 
a 
camisola 
colou 
em 
seus 
quadris. 
Ele 
olhou 
as 
ndegas, 
apertando 
a 
carne 
com 
seus 
fortes 
dedos. 
Aps 
um 
par 
de 
dias 
na 
cadeia, 
at 
o 
teu 
cu 
me 
deixa 
excitado. 
Ela 
se 
incorporou, 
mas 
ele 
seguiu 
com 
as 
mos 
no 
lugar 
e, 
depois, 
levantou 
a 
camisola. 
No, 
faz 
favor 
 
choramingou 
 
imagem 
de 
Murphy 
no 
espelho. 
Michael 
pode 
acordar. 
Fecha 
o 
bico 
e 
corta-me 
um 
par 
de 
raias. 
A 
mulher 
ia 
comear 
a 
protestar, 
de 
modo 
que 
a 
beliscou 
na 
coxa. 
Que 
no 
tenha 
que 
repetir. 
Com 
mos 
trmulas 
abriu 
a 
carteira 
de 
plstico, 
derramou 
um 
pouco 
de 
cocana 
e, 
com 
um 
naipe, 
cortou 
duas 
linhas 
sobre 
um 
pedao 
de 
vidro. 
Murphy 
agachou 
a 
cabea 
e 
cheirou 
com 
um 
caninho. 
Com 
o 
que 
sobrou 
esfregou 
nas 
gengivas. 
A 
dose 
era 
potente. 
Ah, 
isto 
j 
est 
melhor. 
Ps 
a 
mo 
no 
meio 
das 
costas, 
obrigando-a 
se 
inclinar 
sobre 
a 
cmoda, 
e 
desabotoou 
as 
calas. 
No! 
Cala-te. 
Tentou 
deslizar 
a 
mo 
entre 
suas 
pernas, 
mas 
ela 
as 
mantinha 
apertadas. 
Deu-lhe 
outra 
bofetada, 
desta 
vez 
mais 
forte, 
e 
ela 
gritou. 
Abre 
as 
pernas. 
No 
quero 
o 
fazer 
assim. 
Muito 
bem. 
Seu 
tom 
de 
voz 
era 
suave, 
mas 
tinha 
o 
rosto 
distorsido. 
Agarrou-a 
pelo 
cabelo 
e 
deu 
a 
volta, 
forando 
ela 
a 
ajoelhar-se 
e 
esfregou 
o 
pnis 
ereto 
em 
sua 
cara. 


 
Gostas 
mais 
assim? 
Tens 
visto 
que 
macho 
sou? 
E 
se 
me 
machucar 
te 
arrancarei 
a 
cabea. 
Sim, 
sim, 
o 
farei 
bem. 
Lgrimas 
de 
dor 
e 
humilhao 
rodaram 
por 
suas 
bochechas 
enquanto 
olhava 
ao 
menino 
dormindo. 
Mas 
na 
outra 
habitao. 
Gosto 
desta. 
Eu 
te 
imploro. 
Pelo 
menino. 
Deus, 
como 
voc 
fica 
feia 
quando 
choraminga. 
Deixarei 
de 
chorar, 
juro-to, 
mas 
no 
me 
obrigues 
a... 
-O 
menino 
dorme 
 murmurou 
Murphy. 
Mas 
posso 
despert-lo. 
Poderia 
te 
servir 
de 
lio. 
Fez 
a 
meno 
de 
ir 
 
cama, 
mas 
ela 
abraou 
a 
suas 
pernas. 
-No, 
no. 
-Pois 
mos 
 
obra. 
A 
metade 
de 
sua 
satisfao 
vinha 
do 
fato 
de 
v-la 
ajoelhada 
e 
o 
masturbando 
com 
a 
boca, 
vida 
e 
#
rpida. 
Ela 
tentava 
que 
ejaculasse 
o 
mais 
rpido 
possvel 
para 
terminar 
de 
uma 
vez. 
Mas 
ele 
era 
muito 
esperto 
para 
essa 
idiotice, 
pensava. 
Tinha 
descoberto 
conta 
o 
truque 
e 
agentava 
tanto 
como 
podia. 
Ao 
terminar, 
gritou 
como 
um 
asno. 
Foi 
um 
milagre 
que 
Michael 
no 
acordasse. 
Aps 
jantar, 
sentou-se 
a 
ver 
o 
tv. 
Era 
a 
hora 
do 
teledirio 
em 
todos 
os 
canais. 
Mudava 
de 
um 
canal 
para 
o 
outro 
esperando 
seu 
programa 
favorito. 
Uma 
ruiva 
chamou-lhe 
a 
ateno. 
Tinha-a 
visto 
antes, 
mas 
no 
deu 
muita 
ateno. 
Era 
bonita, 
mas 
mal 
tinha 
tetas. 
A 
suas 
costas 
via-se 
a 
foto 
gigante 
de 
um 
menino 
e 
a 
mulher 
falava 
para 
a 
cmera 
com 
desenvoltura: 


-... 
Estava 
abandonado. 
Seus 
pais 
so 
drogados. 
Ter 
certas 
dificuldades 
de 
adaptao, 
mas 
tem 
capacidade 
para 
coverter 
se 
em 
um 
menino 
inteligente, 
so 
e 
emocionalmente 
estvel. 
Com 
a 
famlia 
adequada, 
que 
lhe 
proporcione 
o 
amor 
e 
a 
educao 
que 
precisa... 
Murphy 
escutava 
a 
cada 
vez 
com 
maior 
interesse. 
Quando 
terminou 
a 
reportagem 
e 
a 
ruiva 
deu 
continuidade 
ao 
apresentador, 
Murphy 
contemplou 
com 
desdm 
ao 
menino 
que 
jogava 
na 
esquina 
com 
seu 
asqueroso 
coelho 
de 
pelcia. 
A 
criana 
era 
um 
incomodo. 
Claro 
que 
no 
fazia 
muito 
rudo 
e 
havia 
aprendido 
a 
golpes 
que 
no 
tinha 
que 
o 
incomodar, 
mas 
sempre 
era 
um 
estorvo 
para 
qualquer 
coisa 
que 
quisesse 
fazer: 
trepar, 
cheirar; 
o 
que 
fosse. 
Tinha 
que 
se 
andar 
com 
olho 
em 
sua 
prpria 
casa. 
Por 
esse 
piralho, 
ela 
resmungava: 
Michael 
pode 
nos 
ver, 
Michael 
pode 
nos 
ouvir. 
Era 
de 
enlouquecer. 


E 
essa 
maldita 
assistente 
social, 
que 
a 
cada 
duas 
semanas 
metia 
os 
narizes 
em 
sua 
vida! 
Tinha 
certeza 
que 
foi 
ela 
que 
falou 
com 
a 
policia. 
A 
ltima 
vez 
teve 
de 
sacudir 
a 
fulana. 
Ela 
tinha 
apertado 
seu 
pulso. 
Ele 
tinha 
voltado 
a 
casa 
e 
ela 
no 
estava. 
Quando 
por 
fim 
apareceu, 
no 
deu 
uma 
resposta 
clara 
de 
onde 
esteve. 
Supunha-se 
que 
tinha 
que 
o 
tolerar? 
E 
tambm 
no 
havia 
permitido 
que 
fizesse 
esse 
trabalho 
de 
criar 
colares. 
Dava 
a 
ela 
muita 
independncia. 
Mas 
o 
principal 
problema 
era 
o 
piralho. 
Quase 
a 
cada 
vez 
que 
ela 
reclamava 
era 
por 
ele. 
Se 
esse 
merdinha 
no 
estivesse 
ali, 
a 
vida 
seria 
bem 
mais 
fcil. 
Adoo 
disse 
a 
ruiva. 
No 
s 
para 
rfos 
seno 
tambm 
para 
meninos 
cujos 
pais 
se 
tinham 
fartado 
deles 
e 
queriam 
se 
livrar 
deles. 
Meninos 
de 
saldo. 
No 
estava 
mau. 
Olhou 
 
mulher 
quando 
se 
sentou 
com 
a 
caixa 
de 
missangas. 
Ficaria 
histrica 
se 
levassem 
Michael 
para 
sempre, 
mas 
tarde 
ou 
cedo 
se 
conformaria. 
Que 
outra 
coisa 
podia 
fazer? 
Ou 
talvez 
no 
se 
importasse 
tanto 
se 
soubesse 
que 
Michael 
tinha 
sido 
adotado 
por 
um 
lar 
decente. 
Fora 
o 
que 
fosse 
isso. 
Murphy 
apressou 
a 
cerveja 
enquanto 
comeavam 
os 
ttulos 
de 
seu 
programa 
favorito, 
mas 
sua 
mente 
estava 
na 
ruiva. 
Podia 
ser 
a 
soluo 
a 
seu 
problema. 
Valia 
a 
pena 
pens-lo. 



#
Captulo 
vinte 
e 
cinco 


-Cat? 
Cus! 
Teve 
um 
sobresalto 
e 
levou 
a 
mo 
ao 
corao: 
Pensava 
que 
no 
tinha 
ningum. 
Os 
estdios 
de 
televiso 
estavam 
escuros 
e 
ela 
achava 
que 
estavam 
desertos. 
E 
no 
h 
ningum. 
S 
eu, 
que 
te 
esperava. 
Alex 
levantou-se 
da 
cadeira 
do 
apresentador 
do 
teledirio 
e 
caminhou 
para 
ela. 
O 
medo 
tinha-a 
deixado 
resgardada. 
Na 
escurido, 
as 
cmeras 
pareciam 
formas 
humanas 
de 
outro 
planeta, 
com 
seus 
cabos 
enrolados 
e 
serpenteando 
pelo 
cho 
como 
cordes 
umbilicais 
eletrnicos. 
As 
telas 
dos 
monitores 
eram 
olhos 
cegos 
e 
imperturbveis... 
A 
essas 
horas, 
quando 
j 
no 
realizavam 
suas 
funes 
de 
alta 
tecnologa, 
os 
aparelhos 
do 
estdio 
assumiam 
as 
formas 
de 
criaturas 
monstruosas. 
At 
pouco 
tempo 
antes, 
uma 
idia 
to 
peregrina 
no 
passaria 
por 
sua 
cabea. 
Mas 
tal 
e 
como 
estavam 
as 
coisas, 
via 
fantasmas 
e 
duendes 
por 
todas 
as 
partes. 
Como 
soubia 
que 
me 
encontraria 
aqui? 
perguntou 
Cat. 
Disseram-me 
que 
 
por 
onde 
costuma 
sair. 
Quem 
te 
disse? 
E 
como 
voc 
conseguiu 
entrar? 
Negociei-o 
com 
o 
segurana. 
Supe-se 
que 
no 
tm 
que 
deixar 
entrar 
no 
edifcio 
a 
ningum 
que 
no 
tenha 
autorizao. 
Meu 
amigo 
Bob 
proporcionou-me 
um 
passe. 
Meu 
amigo 
Bob? 
J 
nos 
chamamos 
pelo 
nome. 
Quando 
lhe 
disse 
que 
sou 
ex-policial 
no 
pode 
ser 
mais 
amvel. 
Tinha 
sido 
do 
corpo 
de 
policia 
de 
San 
Antonio 
antes 
de 
aposentar-se 
e 
converter-se 
em 
segurana. 
Essa 
camaradagem 
entre 
ex-policias 
deve 
de 
ser 
muito 
til. 
Abre 
portas 
 
disse 
encolhendo-se 
de 
ombros. 
Voc 
est 
com 
frio? 
Tinha 
os 
braos 
cruzados 
sobre 
o 
peito 
e 
as 
mos 
nos 
cotovelos, 
mas 
no 
se 
tinha 
dado 
conta. 
Talvez 
um 
pouco, 
no 
sei. 
Ou 
sente 
calofros 
pelo 
que 
aconteceu? 
Olhou-o 
fixamente 
aos 
olhos. 
Como 
voc 
soube? 
Estava 
aqui. 
Aqui? 
Por 
qu? 
Tinha 
vindo 
v-la. 
Cheguei 
aps 
o 
carro 
de 
bombeiros. 
No 
meio 
de 
toda 
a 
confuso 
consegui 
o 
passe 
de 
Bob, 
mas 
no 
consegui 
chegar 
aos 
estdios, 
j 
que 
estavam 
isolados. 
Perguntei 
o 
que 
estava 
acontecendo 
um 
dos 
policias 
e 
ele 
me 
explicou. 
Identifiquei-me 
como 
amigo 
e 
disse 
que 
venha 
te 
ver, 
mas 
tinha 
ordens 
estritas 
de 
no 
deixar 
ningum 
passar. 
Oxal 
tivesse 
sabido 
que 
Alex 
estava 
no 
edifcio. 
Todos 
olhavam 
para 
ela, 
mas 
sua 
presena 
a 
teria 
reconfortado. 
Baixou 
a 
vista 
e 
murmurou: 
Acidentes 
que 
acontecem. 


#
tem 
certeza 
de 
que 
foi 
um 
acidente? 
Seu 
riso 
nervoso 
no 
demonstrava 
muito 
convincente. 
Por 
suposto 
que 
tem 
sido 
um 
acidente. 
Foi 
coincidncia 
eu 
estar 
sentada 
nessa 
cadeira 
quando 
cau 
o 
holofote. 
Me 
mostra 
o 
lugar. 
Seguiu-a 
at 
a 
mesa 
do 
teledirio. 
Tinha 
ali 
quatro 
cadeiras 
giratorias: 
duas 
delas 
eram 
para 
os 
apresentadores, 
outra 
para 
o 
homem 
do 
tempo, 
que 
conversava 
com 
o 
apresentador 
antes 
de 
passar 
ao 
mapa 
do 
tempo 
situado 
no 
outro 
extremo 
dos 
estdios 
e 
a 
quarta 
para 
o 
comentarista 
de 
esportes. 
Como 
voc 
sabe, 
so 
raras 
as 
vezes 
estou 
no 
balco 
durante 
a 
emisso, 
j 
que 
meus 
aparecimentos 
so 
gravados. 
Quando 
as 
rodamos, 
costumo 
estar 
sentada 
aqui 
 
apoiou 
as 
mos 
na 
cadeira 
do 
comentarista 
de 
esportes Hoje 
estava 
fazendo 
a 
apresentao 
quando 
aconteceu. 
Indicou 
para 
acima. 
O 
holofote 
rompido 
tinha 
sido 
trocado 
por 
outro 
novo. 
O 
terceiro 
pela 
esquerda 
 
disse 
a 
Alex. 
Cau 
do 
suporte 
e 
bateu 
contra 
a 
mesa. 
Aqui. 
Os 
sinais 
recentes 
na 
mesa 
de 
formica 
eram 
bem 
visveis. 
Faltava 
um 
pedao 
em 
forma 
em 
meia 
lua 
em 
um 
extremo, 
como 
se 
tivesse 
sido 
mordido. 
-Tive 
sorte 
de 
que 
isso 
no 
casse 
sobre 
a 
minha 
cabea 
-disse 
passando 
com 
o 
dedo 
no 
pedao 
cortado 
 O 
holofote 
passou-me 
tocando 
e 
quase 
cai 
no 
meu 
colo. 
Fez 
um 
rudo 
de 
mil 
demnios, 
com 
os 
vidros 
rompidos 
e 
os 
ferros 
retorcidos. 
Esboou 
um 
sorriso. 
Nem 
preciso 
te 
dizer 
que 
tive 
de 
fazer 
uma 
nova 
tomada. 
-Deram-te 
alguma 
explicao? 
Em 
matria 
de 
minutos 
o 
estdio 
estava 
cheio 
de 
gente. 
Bill 
deixou 
uma 
reunio 
e 
veio 
em 
seguida. 
Algum 
chamou 
o 
911. 
Por 
isso 
chegou 
tambm 
o 
carro 
de 
bombeiros 
e 
a 
ambulancia, 
ainda 
que 
no 
tivesse 
ningum 
ferido, 
o 
que 
foi 
um 
milagre. 
Depois 
de 
um 
momento, 
a 
policia 
e 
os 
seguranas 
terem 
evacuado 
o 
estdio 
para 
retirar 
os 
vidros 
e 
tudo 
mais. 
Bill 
subia 
pelas 
paredes 
e 
exigiu 
uma 
explicao 
aos 
tcnicos 
de 
iluminao. 
-E? 
No 
a 
tinham. 
Ameaou 
despedir 
a 
todos, 
mas 
o 
convenci 
para 
que 
no 
o 
fizesse. 
No 
pode 
provar 
de 
quem 
foi 
a 
negligencia 
que 
provocou 
a 
queda, 
e 
seria 
injusto 
despedir 
a 
todos. 
Algum 
inspecionou 
o 
holofote? 
Sim. 
Segundo 
parece, 
o 
suporte 
estava 
solto. 
Portanto 
foi 
uma 
negligencia. 
Ou 
o 
soltaram. 
Ou 
se 
soltou 
sozinho? 
Algo 
assim. 
Molestavam-lhe 
seu 
ceticismo 
e 
seu 
temor, 
j 
que 
coincidiam 
com 
os 
seus. 
J. 
Eu 
odeio 
quando 
diz 
isso! 


#
-Que 
digo? 
Esse 
j 
insinua 
que 
o 
que 
digo 
... 
Uma 
estupidez. 
Bom, 
pois 
o 
que 
acha 
que 
aconteceu? 
Que 
levou 
um 
enorme 
susto 
e 
que 
no 
foi 
um 
acidente 
Voltou 
a 
cruzar 
os 
braos, 
como 
se 
protegendo 
inconscientemente
- 
uma 
loucura. 
Quem 
ia 
querer 
fazer 
machucar 
a 
Kurt? 
-A 
Kurt? 
O 
comentarista 
esportivo. 
O 
holofote 
no 
cau 
quando 
Kurt 
estava 
sentado, 
s 
quando 
voc 
estava. 
Est 
me 
dizendo 
que 
o 
holofote 
estava 
preparado 
para 
que 
casse 
em 
cima 
de 
mim? 
Sim; 
e 
isso 
 
tambm 
o 
que 
tu 
pensas. 
No 
sabe 
o 
que 
penso.
 
fcil 
adivinhar. 
Pareces 
a 
ponto 
de 
derrubar-te 
como 
um 
castelo 
de 
naipes. 
Sabia 
que 
no 
fazia 
sentido 
negar 
que 
estava 
assustada, 
de 
modo 
que 
decidiu 
atuar 
como 
advogado 
do 
diabo. 
Supondo 
que 
tenha 
razo, 
quem 
gostaria 
de 
me 
machucar? 
S 
voc 
sabe. 


No 
sei! 
Mas 
suspeita 
de 
algum 
 ps 
um 
dedo 
nos 
lbios 
para 
calar 
seu 
protesto 
 Notei 
que 
algo 
ia 
mal 
 
outra 
quando 
viu 
o 
carro 
estacionado 
diante 
de 
tua 
casa. 
Eu 
estranhei. 
Qualquer 
um 
teria 
estranhado. 
Inquietou-te 
muito, 
como 
se 
j 
esperasse 
problemas 
inclusive 
antes 
dessa 
noite 
j 
se 
comportava 
dessa 
maneira. 
Tens 
algum 
motivo? 
No. 
Mentirosa. 
De 
repente 
sentiu 
que 
ia 
desmaiar, 
abaixou 
a 
cabea 
e 
esfregou 
os 
olhos. 
Voc 
venceu 
Alex; 
no 
estou 
com 
vontade 
de 
brigar. 
Por 
que 
no 
me 
diz 
o 
que 
te 
est 
atormentando? 
Por 
que... 
Vou 
para 
casa. 
Deu 
a 
volta 
para 
sair, 
mas 
ele 
a 
atingiu. 
Segue 
teu 
amante 
em 
tua 
casa? 
No 
 
meu 
amante. 
Ele 
parou. 
Ela 
tambm 
e 
o 
olhou 
nos 
olhos. 
No 
 
mais. 
Compreendo. 
De 
forma 
tcita 
lembraram 
de 
no 
falar 
mais 
de 
sua 
relao 
com 
Dean 
Spicer 
e 
saram 
do 
edifcio, 
parando 
para 
se 
despedir 
de 
Bob. 
O 
homem 
sorriu 
de 
orelha 
a 
orelha. 
Obrigado 
de 
novo 
pelo 
autgrafo. 
 
o 
tipo 
de 
livro 
que 
gosto 
 mostrou 
o 
livro 
de 
Alex 
aberto 
sobre 
a 
mesinha. 


#
Que 
a 
desfrute 
-disse 
Alex 
a 
seu 
novo 
admirador 
enquanto 
este 
abria 
a 
pesada 
porta 
de 
ao. 
Voc 
o 
subornou. 
- 
algo 
ao 
que 
se 
pode 
recorrer 
se 
lembranas 
de 
velhos 
no 
funcionar. 
-Como 
sabia 
que 
estava 
aqui 
esta 
noite? 
No 
geral 
no 
costumo 
trabalhar 
at 
to 
tarde. 
O 
estacionamento 
estava 
quase 
vazio. 
Inclusive 
o 
pessoal 
de 
fechamento 
tinha-se 
ido. 
-Outra 
intuio. 
No 
estava 
em 
casa. 
-Esteve 
l 
primeiro? 
-E 
arriscar 
a 
encontrar 
Spicer 
novamente? 
No, 
obrigado. 
Telefonei 
e 
ningum 
respondeu. 
-Por 
que 
queria 
me 
ver? 
-Para 
que 
me 
desse 
a 
sua 
verso 
sobre 
o 
acidente 
no 
estdio... 
Chegaram 
ao 
seu 
carro. 
Alex 
apoiou 
o 
brao 
sobre 
o 
teto 
e 
olhou-a 
cara 
a 
cara. 
-Queria 
desculpar-me 
por 
ter 
atacado 
a 
teu... 
a 
Spicer. 
No 
tem 
importncia; 
para 
ele, 
o 
pior 
foi 
seu 
orgulho 
ferido. 
Alex 
estava 
a 
ponto 
de 
acrescentar 
algo, 
mas 
no 
o 
fez. 
Cat 
abriu 
a 
porta 
do 
carro. 
Aceito 
as 
desculpas. 
Boas 
noites, 
Alex. 
Cat, 
esse 
cara 
 
um 
idiota. 
Como 
o 
encontrou? 
Pois, 
para 
comear, 
salvou-me 
a 
vida. 
E 
sentes-te 
em 
dvida 
com 
ele. 
No 
disse 
que... 
At 
onde 
chega 
a 
dvida? 
Basta 
j, 
Alex. 
Deixa-me 
em 
paz. 
J 
te 
disse 
que 
no 
tenho 
vontade 
de 
discutir. 
E 
hoje... 
tu... 
Mortificada, 
rompeu 
a 
chorar. 
Maldita 
seja 
-disse 
ele 
a 
atraindo 
para 
si. 
Queria 
resistir, 
mas 
no 
tinha 
fora 
fsica 
nem 
moral 
para 
parar. 
O 
homem 
abraou-a 
enquanto 
soluava. 
Depois, 
Cat 
levantou 
a 
cabea 
e 
aceitou 
o 
leno 
que 
lhe 
oferecia. 
O 
incidente 
com 
o 
holofote 
afetou 
mais 
do 
que 
acredita, 
Cat.
No 
-disse 
negando 
com 
a 
cabea. 
No 
choro 
por 
isso. 
 
outra 
coisa. 
Que 
? 
No 
me 
tenho 
nimos 
para 
falar 
disso. 
Olha 
que 
chegas 
a 
ser 
terca. 
Apartou-a 
de 
lado 
e 
fechou 
a 
porta 
do 
carro. 
Fez-lhe 
dar 
a 
volta 
e 
caminhar 
em 
sentido 
contrrio. 
Vamos. 
-Aonde? 
S 
tenho 
vontade 
de 
ir 
a 
casa. 
No 
quero 
ser 
grosseiro, 
mas 
vi 
espantalho 
com 
mais 
carne 
que 
tu. 
Vou 
tentar 
que 
coma 
algo. 
No 
tenho 
apetite. 
No 
estava 
disposto 
a 
aceitar 
sua 
negativa. 
Depois 
de 
uma 
hora 
chegaram 
ao 
apartamento 
de 
Alex 
com 
comida 
de 
Kentucky 
Fried 
Chicken. 
Em 
vez 
de 
sentar 
 
mesa 
levaram 
duas 
bandejas 
ao 
salo. 
Alex 
sentou-se 
em 
uma 
lado 
do 
sof 
e 
Cat 
no 
cho, 
diante 
da 
mesinha. 
Tenho 
que 
reconhecer 
que 
est 
delicioso 
 
disse 
ela-. 
 
um 
sabotador 
da 
nutrio. 
Hamburguers, 
batatas 
fritas 
e 
frango 
frito. 
Os 
policias 
sobrevivem 
a 
base 
de 
comida 
rpida. 
Apresenta-me 
a 
um 
policial 
ao 
que 
goste 
o 


#
yogurte 
e 
a 
soja. 
Cat 
riu 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
levantava 
uma 
colher 
de 
plstico 
cheia 
de 
pur 
de 
batatas 
e 
molho. 
Alex 
no 
ria. 
Estudava 
suas 
reaes. 
Que 
olhas? 
perguntou 
incmoda. 
Ele 
piscou, 
como 
se 
sasse 
de 
um 
transe. 
Estava 
pensando 
que 
tuas 
mudanas 
de 
humor 
so 
muito 
bruscas. 
Eu 
no. 
A 
mim 
as 
depresses 
duram 
dias, 
semanas, 
e 
inclusive 
meses, 
se 
o 
livro 
no 
avana. 
Voc 
se 
desafogou 
chorando 
e 
est 
como 
nova. 
Os 
homens 
deveram 
aprender 
a 
chorar. 
No 
deixes 
que 
meu 
apetite 
te 
engane. 
Meu 
corpo 
pedia 
alimentao 
que 
eu 
estava 
negando 
faz 
alguns 
dias, 
mas 
ainda 
estou 
deprimida. 
Por 
qu? 
Spicer 
saiu 
chateado? 
Sim, 
mas 
Dean 
no 
tem 
a 
culpa 
de 
que 
eu 
esteja 
deprimida. 
Apanhou 
um 
pedao 
de 
bolacha 
e 
brincou 
com 
ela. 
Chantal, 
a 
pequena 
com 
um 
transplante 
de 
rim, 
morreu 
esta 
manh. 
Alex 
soltou 
um 
palavro, 
cruzou 
os 
dedos 
e 
disse: 
Me 
desculpe, 
Cat. 
Eu 
tambm. 
Que 
tem 
passado? 
Por 
sorte 
foi 
rpido. 
Uma 
rejeio, 
a 
interrupo 
sbita 
da 
funo 
renal. 
Nada 
funcionava. 
Deixou 
cair 
as 
migalhas. 
Os 
pais 
adotivos 
esto 
destroados, 
e 
tambm 
Sherry. 
Jeff 
ps-se 
a 
chorar 
como 
um 
menino 
ao 
saber. 
E 
toda 
a 
equipe 
que 
fez 
a 
reportagem 
sobre 
ela 
est 
feito 
p. 
Tinha-se 
convertido 
em 
nossa 
mascote, 
o 
exemplo 
de 
como 
o 
futuro 
desesperanador 
de 
um 
menino 
pode 
se 
endireitar. 
Que 
siga 
sendo 
sua 
mascote. 


 
Alex, 
ela 
est 
morta. 
Mas... 
Intrometi-me 
na 
vida 
dessas 
pessoas 
 
interrompeu 
em 
voz 
mais 
alta. 
Fiz 
que 
Chantal 
os 
quisesse 
e 
eles 
a 
ela. 
Levaram-na 
a 
casa, 
passaram 
por 
essa 
tortura, 
vira 
como 
sofria 
e 
sofreram 
com 
ela... 
E 
o 
que 
tm 
agora? 
Um 
funeral 
televisado. 
Jornalistas 
ao 
redor 
do 
caixo 
atormentando-os 
para 
que 
faam 
algum 
comentrio. 
Sua 
dor 
 
uma 
notcia 
dos 
meios 
de 
comunicao. 
Tudo 
graas 
a 
mim. 
Apoiou 
as 
mos 
na 
mesinha 
e 
ocultou 
sua 
cara. 
-Esta 
noite 
refugiei-me 
no 
trabalho 
tentando 
tirar 
da 
cabea 
a 
morte 
de 
Chantal 
e 
dedicar-me 
a 
algo 
positivo. 
Mas 
no 
podia 
pensar 
em 
nada 
mais 
que 
na 
pena 
dessa 
pobre 
gente. 
-Voc 
acredita 
mesmo 
que 
os 
fez 
me 
amarem? 
Tem 
uma 
opinio 
muito 
alta 
de 
tua 
influncia 
sobre 
as 
pessoas 
e 
seus 
sentimentos... 
Cat 
levantou 
a 
cabea 
e 
olhou-o 
com 
olhos 
cintilantes. 
-No 
os 
obrigou 
 
aceitar. 
Eles 
solicitaram, 
fizeram 
cursos 
de 
capacitao, 
eles 
queriam 
ter 
Chantal. 
-Viva. 
Queriam 
uma 
menina 
viva 
e 
no 
uma 
tumba 
 
que 
levar 
flores... 
Queriam 
compartilhar 
sua 
infncia 
e 
v-la 
crescer. 
Por 
desgraa, 
uma 
criana 
adotada 
no 
tem 
uma 
data 
de 
vlidade; 
nenhuma 
criana. 
s 
vezes 
#
morrem, 
e 
no 
h 
que 
dar 
mais 
voltas. 
Faz 
favor, 
poupa-te 
a 
lgica 
de 
supermercado. 
No 
faz 
que 
me 
sinta 
melhor. 
No, 
j 
que 
te 
afoga 
na 
autocompaixo. 
Furiosa, 
respondeu: 
A 
nica 
que 
sei 
 
que, 
 
que 
se 
no 
fosse 
por 
mim, 
esse 
casal 
no 
estaria 
chorando 
esta 
noite. 
Eles 
te 
disseram 
isso? 
Claro 
que 
no.
Disseram 
isso: 
Senhorita 
Delaney, 
por 
que 
diabos 
voc 
nos 
fez 
isto? 
ramos 
muito 
felizes 
at 
que 
chegou 
voc 
e 
nos 
fez 
carregar 
essa 
menina 
doente. 
Disseram 
isso? 
No 
sejas 
absurdo. 
Chamaram-me 
para... 
-Alex 
inclinou-se 
para 
diante. 
-Pra 
que, 
Cat? 
Vamos, 
continua. 
Pra 
que? 
Tossiu 
e 
esquivou 
sua 
olhar. 
-Para 
me 
agradecer 
por 
ajud-los 
a 
conseguir 
a 
adoo 
de 
Chantal 
-Seguramente 
porque 
o 
tempo 
que 
esteve 
com 
eles 
foi 
o 
mais 
gratificante 
de 
sua 
vida. 
-Disseram 
que 
para 
ele 
foi 
uma 
beno. 


-Ento 
por 
que 
faz 
outras 
suposies? 
O 
programa 
 
uma 
iniciativa 
valiosa. 
O 
que 
lhe 
ocorreu 
a 
Chantal 
 
uma 
pena, 
mas 
teve 
amor 
e 
cuidado 
quando 
mais 
os 
necesitava. 
Correto? 
-Se 
tivesses 
a 
oportunidade, 
mudaria 
o 
que 
fez? 
Desfarias 
o 
fez? 
Apagaria 
o 
tempo 
em 
que 
estiveram 
juntas? 
Deixaria 
que 
Chantal 
morresse 
sozinha 
e 
sem 
amor? 
Tirarias 
dessas 
pessoas 
o 
direito 
de 
se 
sentir 
teis? 
Cat 
abaixou 
a 
cabea 
e 
a 
resposta 
foi 
quase 
inaudvel. 
No. 
Pois 
ento... 
Tens 
razo 
 sorriu 
com 
tristeza. 
A 
tragdia 
deixou-me 
pasmada, 
tinha 
dvidas 
e 
precisava 
que 
algum 
com 
um 
ponto 
de 
vista 
objetivo 
as 
dissipassem. 
Tambm 
precisava 
uma 
crise 
de 
choro. 
Obrigado. 
Secou 
os 
olhos 
midos 
com 
um 
guardanapo 
de 
papel. 
Alex 
fez 
um 
gesto 
para 
mostrar 
a 
importncia 
a 
sua 
gratido. 
A 
luz 
da 
cozinha 
caa 
sobre 
o 
escuro 
cabelo 
do 
homem 
e 
deixava 
entrever 
suas 
faces. 
Dean 
disse 
que 
era 
um 
gorila 
e, 
efetivamente, 
tinha 
um 
talante 
spero 
e 
brusco. 
Seguro 
que 
era 
capaz 
de 
causar 
dor, 
mas 
tambm 
devia 
do 
ter 
experimentado 
em 
carne 
prpria. 
Caso 
contrrio, 
como 
poderia 
o 
compreender 
to 
bem? 
Seus 
olhos 
penetrantes 
e 
a 
expresso 
adusta 
era 
o 
resultado 
disso. 
Com 
uma 
simples 
palavra 
podia 
ferir. 
Mas, 
tambm, 
com 
uma 
simples 
palavra 
contribua 
com 
carinho 
e 
solidariedade. 
No 
era 
terno, 
mas 
sim 
amvel. 
Um 
amigo 
quando 
se 
precisava. 
Vaio 
Tudo 
bem 
no 
livro? 
perguntou 
ela 
para 
romper 
o 
silncio. 
A 
passo 
de 
tartaruga, 
mesmo 
tendo 
alguns 
dias 
produtivos. 
Estupendo. 
Com 
esse 
exiguo 
intercmbio 
de 
palavras, 
deram 
o 
tema 
por 
esgotado. 
No 
diria 
nada 
mais 
sobre 
seu 
trabalho, 
e 
ela 
tambm 
no 
o 
esperava. 
No 
falavam, 
mas 
isso 
no 
significava 
deixar 
de 
se 
comunicar 
atravs 
dos 
olhos, 
e 
o 
silncio 
estava 
carregado 
de 
mudas 
mensagens. 


#
Depois 
de 
um 
momento, 
Alex 
levantou 
a 
bandeja 
de 
seu 
colo 
e 
deixou-a 
em 
cima 
da 
mesa. 
Sentou-se 
no 
cho, 
a 
seu 
lado, 
ps-lhe 
a 
mo 
na 
nuca 
e 
acercou-a 
at 
que 
seus 
lbios 
estiveram 
quase 
tocando 
os 
dele. 
J 
temos 
chegado 
o 
mais 
longe 
possvel 
com 
a 
roupa 
posta. 



Captulo 
vinte 
e 
seis 


Seus 
pensamentos 
atormentadores 
desapareceram 
como 
se 
fosse 
mgica, 
deixando 
sua 
mente 
livre 
para 
concentrar 
no 
beijo. 
Nada 
mais 
importava 
nesse 
momento. 
Precisava 
da 
fora 
desse 
homem, 
sua 
intensidade, 
seu 
desenfreado 
desejo 
por 
ela. 
Cat 
estava 
acesa 
como 
uma 
chama. 
Por 
que 
tinha 
que 
reprimir? 
Rodeou 
a 
nuca 
de 
Alex 
com 
os 
braos, 
uniram 
os 
lbios; 
ele 
apertou 
sua 
cintura 
e 
sussurrou 
em 
seu 
ouvido 
uma 
grosseria. 
A 
urgncia 
que 
revelava 
era 
to 
ertica 
que 
se 
esfregou 
contra 
ele 
pelo 
simples 
prazer 
de 
ouvi-lo 
repetir. 
Seguiam 
beijando-se 
enquanto 
tirava 
a 
blusa 
e 
Cat 
levantava 
a 
camisa 
para 
acariciar 
o 
torso 
forte 
e 
peludo. 
Soltou-a 
o 
tempo 
suficiente 
para 
tirar 
a 
camisa 
e 
atirar 
ao 
lado 
e, 
a 
seguir, 
voltou 
a 
abrala. 
No 
pode 
ser 
 falou 
ele 
ao 
deslizar 
as 
mos 
por 
baixo 
da 
saia. 
Tinha 
um 
tom 
zombador 
em 
sua 
voz 
rouca. 
Ambientao 
 
contou 
ela. 
Sempre 
que 
Laura 
Madison 
tinha 
cenas 
de 
sexo 
colocava 
cintaliga 
e 
meia-cala 
para 
entrar 
melhor 
na 
personagem. 
Tornou-se 
um 
costume. 
Alex 
acariciou 
as 
coxas 
nuas 
mais 
acima 
das 
meias. 
 
muito 
excitante. 
-Alguma 
semelhana 
a 
uma 
cena 
de 
cama 
em 
um 
de 
teus 
livros? 
-Muito 
melhor. 
Ele 
tirou 
sua 
saia, 
a 
combinao 
e 
as 
calcinhas. 
Cat 
tendeu-se 
de 
costas 
sobre 
o 
tapete. 
As 
taas 
do 
suti 
mal 
cobriam 
a 
metade 
da 
cada 
seio, 
o 
pubis 
ficava 
marcado 
pela 
cinta-liga 
de 
seda 
com 
encaixes 
e 
as 
pernas 
permaneciam 
vestidas 
pelas 
meias 
de 
seda. 
Assutou 
o 
seu 
prprio 
descaramento. 
Alex 
no 
deixava 
de 
olhar 
enquanto 
desabotoava 
o 
cinto 
e 
abria 
o 
zper. 
Tirou 
as 
calas 
e 
a 
cueca. 
Sua 
nudez 
deixou-a 
sem 
flego. 
O 
estmago 
era 
plano 
e 
duro; 
as 
pernas, 
longas 
e 
esbeltas. 
Era 
musculoso, 
mas 
sem 
exagerao, 
e 
as 
veias 
em 
braos 
e 
as 
mos 
estavam 
tensas. 
Sem 
poder 
conter-se 
dominada 
pelo 
desejo, 
o 
acariciou 
desde 
as 
plantas 
dos 
ps, 
passando 
pelo 
pnis 
em 
ereo 
e 
a 
boca, 
at 
a 
sobrancelha 
partida. 
Encostado 
ao 
seu 
lado, 
Alex 
beijava 
os 
seios 
que 
saiam 
do 
suti. 
Depois, 
baixou 
o 
encaixe 
e 
passou 
a 
lngua 
pelos 
mamilos. 
Ao 
levantar 
a 
cabea 
olhou-a 
nos 
olhos 
enquanto 
crculava 
com 
o 
polegar 
ao 
redor 
da 
zona 
rosada. 
Poderia 
escrever 
esta 
cena 
mil 
vezes 
e 
jamais 
dar 
este 
realismo 
contemplou 
a 
pele, 
que 
respondia 
a 
suas 
caricias 
 No 
se 
pode 
descrever 
as 
sensaes 
do 
corpo 
de 
uma 
mulher. 
Levou 
o 
mamilo 
 
boca 
e 
o 
sugou. 
Ela 
sentiu 
que 
um 
estremecimento 
no 
seu 
corpo. 
A 
lngua 
do 


#
homem 
tinha 
destreza; 
seu 
apetite, 
incontenvel. 
Deslizou 
a 
mo 
pelo 
ventre 
e 
as 
coxas 
e 
obrigou-o 
a 
coloc-la 
por 
cima. 
E 
beijaram 
de 
novo 
apaixonadamente. 
Alex, 
no 
se 
contenha. 
No 
seja 
amvel 
comigo. 
No 
tenho 
essa 
inteno. 
Quero 
sentir-me 
uma 
mulher, 
preciso 
um 
homem 
que 
me 
possua. 
Quero... 
Quer 
que 
se 
dane 
a 
conscincia. 
Colocou 
uma 
mo 
entre 
ambos 
os 
joelhos 
e 
as 
separou. 
Mas 
em 
vez 
de 
deslizar 
uma 
mo 
por 
entre 
as 
coxas 
como 
ela 
esperava, 
baixou 
a 
cabea 
e 
sua 
lngua 
buscou 
o 
cltoris. 
Estava 
muito 
aturdida 
para 
gritar, 
inclusive 
quando 
um 
instante 
depois 
chegou 
ao 
orgasmo. 
Afogava-se, 
tinha 
o 
lbio 
superior 
sudoroso 
e 
o 
cabelo 
mido 
na 
nuca. 
Tambm 
na 
pele 
de 
Alex 
escorregava 
o 
suor 
quando 
ficou 
a 
sua 
altura 
e 
levantou 
seu 
corpo 
com 
os 
braos. 
Com 
os 
olhos 
fechados 
e 
o 
rosto 
em 
presso, 
penetrou-a. 
Tinha 
a 
sensao 
de 
que 
o 
corpo 
de 
Cat 
o 
engulia, 
se 
ajustavam 
como 
uma 
luva 
e 
seu 
rosto 
refletiu 
um 
prazer 
imenso 
quando 
comeou 
a 
mover 
os 
quadris 
para 
frente 
e 
para 
atrs. 
Pouco 
a 
pouco, 
mas 
a 
cada 
vez 
com 
maior 
intensidade. 
Cat 
pensava 
que 
j 
tinha 
terminado, 
mas 
voltou 
a 
excitar-se 
com 
os 
compassados 
empurres. 
Nunca 
tinha 
experimentado 
uma 
penetrao 
sexual 
e 
mental 
to 
intensa 
e 
se 
abandonou 
a 
ela. 
Alex 
deslizou 
as 
mos 
embaixo 
das 
ndegas 
e 
a 
levantou 
segurando-as 
com 
fora. 
Concentrava-se 
em 
cada 
movimento 
de 
penetrao 
e 
retirada 
lenta, 
mas 
o 
ritmo 
ia 
aumentando. 
Sua 
respirao 
fezse 
rpida 
e 
ofegante; 
quase 
eram 
soluos. 
De 
repente 
seus 
braos 
relaxaram 
e 
derrubou-se 
sobre 
ela. 
Enquanto 
Cat 
tinha 
o 
segundo 
orgasmo. 
Demoraram 
um 
bom 
momento 
para 
se 
recuperarem, 
mas 
Cat 
poderia 
ficar 
ali 
para 
sempre, 
com 
os 
dedos 
entrelaados 
no 
amontoado 
de 
cabelo 
de 
Alex 
e 
bebendo 
as 
salgadas 
gotas 
de 
suor 
de 
sua 
face. 
Seu 
peso 
a 
esmagava, 
mas 
no 
se 
importava; 
ele 
havia 
se 
entregado 
e 
isso 
a 
emocionava. 
Conhecia 
os 
mecanismos 
da 
mtua 
satisfao 
e 
escrevia 
sobre 
isso: 
no 
era 
surpreendente 
que 
fosse 
um 
amante 
experiente, 
ardente 
e 
entregue 
Alm 
do 
mais, 
era 
extremamente 
sensual. 
Tinha 
provocado 
em 
Cat 
reaes 
puramente 
animais, 
sem 
que 
interviesse 
nelas 
o 
intelecto, 
ditadas 
s 
pelos 
sentidos, 
descontroladas. 
No 
entanto, 
ocorrido 
tambm 
entre 
eles 
uma 
comunicao 
espiritual. 
Ambos 
adivinhavam 
os 
desejos 
e 
necessidades 
do 
outro 
e 
os 
satisfaziam. 
Por 
isso 
desfrutava 
agora 
Cat 
do 
sossego: 
esses 
momentos 
silenciosos 
em 
que 
os 
flegos 
e 
suores 
se 
misturam 
e 
parecem 
emanar 
de 
um 
s 
corpo. 
Ele 
devia 
de 
sentir 
o 
mesmo, 
pois 
fez 
algo 
muito 
formoso: 
um 
momento 
antes 
de 
separar-se 
dela, 
depositou 
um 
beijo 
muito 
suave 
entre 
os 
seios, 
onde 
esteve 
 
cicatriz. 


Ela 
acordou 
primeiro. 
Como 
sabia 
que 
Alex 
costumava 
dormir 
at 
tarde, 
no 
fez 
rudo. 
Olhou 
seu 
cabelo 
despenteado 
e 
muito 
negro 
em 
contraste 
com 
o 
travesseiro. 
Tinha 
uma 
sombra 
de 
barba 
e 
alguns 
plos 
grisalhos 
nas 
tmporas. 
O 
cenho, 
um 
pouco 
franzido, 
indicava 
que 
nunca 
estava 
completamente 
tranqilo. 
Suas 
inquietudes 
perseguiam-no 
inclusive 
durante 
o 
sonho. 
O 
relgio 
do 
criado-mudo 
anunciou 
que 
era 
hora 
sair. 
Beijou 
seu 
ombro 
nu 
e 
saiu 
sem 
fazer 
rudo. 
No 
andar 
de 
baixo 
se 
vestiu, 
recolhendo 
roupas 
que 
foi 
tirando 
com 
o 
maior 
descaramento. 


#
Baixinho, 
pediu 
um 
txi. 
Enquanto 
esperava 
que 
chegasse, 
retirou 
os 
restos 
do 
jantar. 
A 
caminho 
da 
cozinha 
para 
jogar 
do 
lixo, 
passou 
diante 
da 
habitao 
proibida, 
mas 
no 
parou. 
Fechou 
a 
lixeira, 
lavou 
os 
copos 
e 
tomou 
um 
zumo 
de 
laranja. 
Apoiada 
no 
balco 
enquanto 
tomava 
o 
suco, 
pensou 
em 
abrir 
essa 
porta 
e 
dar 
uma 
olhada. 
A 
proibio 
tinha 
aumentado 
sua 
curiosidade. 
Ontem 
 
noite 
haviam 
entregado 
seus 
corpos 
para 
explor-los 
e 
tirar 
o 
mximo 
partido 
com 
uma 
liberdade 
ilimitada. 
Tinham 
realizado 
o 
ato 
mais 
ntimo 
entre 
duas 
pessoas. 
Agora 
que 
sua 
relao 
tinha 
chegado 
ao 
ponto 
mximo, 
certeza 
que 
Alex 
no 
se 
importaria 
compartilhar 
com 
ela 
esse 
aspecto 
de 
sua 
vida. 


E 
se 
importar? 
Valia 
a 
pena 
arriscar-se? 
No 
esperaria 
que 
ele 
a 
convidasse 
ao 
fazer. 
Chegou 
o 
txi 
e 
saiu 
sem 
que 
Alex 
tivesse 
acordado. 
Recolheu 
o 
carro 
no 
estacionamento 
dos 
estdios 
e 
foi 
a 
casa 
onde 
se 
banhou 
e 
mudou 
de 
roupa 
enquanto 
tentava 
memorizar 
a 
agenda 
do 
dia. 
Mas 
sua 
mente 
regressava 
 
noite 
anterior. 
As 
imagens 
erticas 
aglomeravam 
em 
sua 
cabea 
e 
deixava 
pouco 
espao 
para 
outras 
coisas. 
Sua 
euforia 
evia 
de 
ser 
evidente, 
j 
que, 
ao 
entrar 
no 
escritrio, 
Jeff 
comentou: 
O 
que 
aconteceu? 
Ganhou 
na 
lotera? 
Cat 
riu 
e 
aceitou 
a 
caneca 
de 
caf 
que 
ele 
oferecia. 
Por 
que 
diz 
isso? 
D 
para 
notar 
que 
voc 
est 
nas 
nuvens. 
Esperava 
v-la 
deprimida 
por 
Chantal. 
Seu 
sorriso 
desapareceu. 
Como 
 
natural, 
estou 
triste; 
mas 
j 
no 
me 
sinto 
to 
negativa 
como 
ontem. 
Um 
amigo 
recordoume 
que 
viver 
 
maravilhoso. 
Por 
acaso 
no 
seria 
o 
escritor 
gostoso? 
Gostoso, 
eh? 
-disse 
com 
uma 
risadinha. 
Isso 
me 
pareceu 
quando 
ontem 
o 
vi. 
Voc 
o 
viu? 
Com 
jeans 
e 
botas. 
Esse 
mesmo. 
Ele 
tem 
aquele 
olhar 
de 
lenis 
amassados, 
sabe? 
O 
Ricardo; 
que 
ama 
todas 
as 
mulheres. 
Dean 
tinha 
criticado 
o 
aspecto 
de 
Alex, 
mas 
era 
evidente 
que 
Jeff 
o 
aprovava. 
Ontem 
no 
me 
disse 
nada. 
Foi 
durante 
toda 
aquela 
baguna 
 
falou, 
envergonhado 
Tenho 
que 
admitir 
que 
fiquei 
paralisado. 
Tenho 
lido 
suas 
novelas 
e 
sei 
que 
voc 
sai 
com 
ele, 
mas 
no 
achei 
que 
tivesse 
a 
oportunidade 
do 
conhec-lo. 
Devia 
ter-me 
avisado 
que 
ele 
estava 
aqui. 
Voc 
estava 
rodeada 
de 
policiais 
e 
com 
o 
senhor 
Webster 
em 
p 
guerra. 
Depois, 
parecia 
to 
impressionada 
que 
no 
quis 
incomod-lamais. 
Suponho 
que 
o 
encontrou 
a 
noite 
e, 
pelo 
teu 
sorriso, 
imagino 
que 
tive 
uma 
noite... 
Teraputica. 
No 
 
assunto 
teu 
 
replicou 
ao 
notar 
que 
ruborizava. 


#
Jeff 
no 
era 
um 
idiota 
e 
sorriu 
de 
orelha 
a 
orelha. 
Bom, 
espero 
que 
tenha 
provado 
todo 
tipo 
de 
perversso. 
Voc 
tem 
trabalhado 
muito. 
Na 
verdade... 
Posso 
falar 
com 
franqueza? 
No 
como 
teu 
ajudante, 
mas 
como 
amigo. 
Cat 
indicou 
que 
se 
sentasse. 
-Diante, 
Jeff. 
-Bom, 
pois 
durante 
nas 
duas 
ltimas 
semanas 
parecia 
preocupada. 
No 
 
que 
deixasse 
de 
lado 
o
trabalho, 
no. 
J 
sei 
que 
nada 
impediria 
de 
trabalhar, 
como 
sempre. 
 
que... 
Pergunto-me 
se 
tens 
algo 
na 
sua 
cabea. 
Fora 
de 
Alex 
Pierce, 
claro. 


Ser 
que 
seu 
nervosismo 
tinha 
sido 
to 
transparente? 
Vrias 
pessoas 
tinham 
comentado: 
Dean, 
Alex 
e, 
agora, 
Jeff. 
No 
queria 
que 
nada 
manchasse 
seu 
bom 
humor, 
mas 
agradecia 
a 
oportunidade 
de 
poder 
falar 
sobre 
os 
dois 
recortes 
que 
tinha 
recebido. 
Queria 
que 
Jeff 
confirmasse 
sua 
opinio 
de 
que 
era 
obra 
de 
um 
louco 
e 
no 
tinha 
por 
que 
se 
preocupar.
- 
muito 
observador, 
Jeff. 
 
verdade 
que, 
faz 
algum 
tempo, 
que 
tenho 
estado 
desconcentrada. 
Retirou 
da 
bolsa 
os 
dois 
envelopes 
e 
os 
entregou. 
Fazia 
alguns 
dias 
que 
os 
levava 
consigo, 
talvez 
com 
a 
esperana 
subconsciente 
de 
ter 
a 
oportunidade 
de 
mostrar 
a 
algum. 
-Leia-os 
e 
diga-me 
o 
que 
pensa. 
E 
seja 
sincero. 
Aps 
comparar 
os 
dois 
envelopes 
idnticos, 
observou 
recortes. 
Diabos 
-murmurou 
depois 
de 
l-los 
duas 
vezes. 
Ambos 
morreram 
em 
estranhos 
acidentes 
e 
ambos 
tinham 
um 
corao 
trasplantado. 
Curiosa 
coincidncia, 
no? 
Isso 
parece. 
Mas 
que 
significa? 
Tens 
alguma 
idia 
de 
quem 
os 
enviou? 
No. 
Abro 
todo 
o 
correio 
que 
recebe 
e 
no 
recordo 
os 
ter 
visto, 
ainda 
que 
receba 
tantas 
cartas 
que 
pode 
ser 
que 
nem 
as 
veja. 
Ou 
chegaram 
quando 
Melia 
ainda 
trabalhava 
para 
ns? 
Enviaram 
para 
casa. 
Olhou 
para 
ela 
com 
estranheza. 
-Como 
poderia 
um... 
Admirador 
saber 
seu 
endereo? 
Cat 
encolheu 
os 
ombros. 
Este 
 
um 
dos 
motivos 
que 
me 
preocupam. 
Jeff 
voltou 
a 
olhar 
os 
envelopes 
e 
a 
releer 
os 
recortes. 
Cat 
observava-o 
enquanto 
seus 
olhos 
percorriam 
as 
linhas 
impressas. 
Sua 
reao 
inicial 
e 
seus 
comentrios 
no 
resultavam 
muito 
alentadores. 
Esperava 
que 
dissesse 
desde 
o 
princpio 
que 
no 
deveria 
se 
importar. 
Em 
mudana, 
perguntou:
Voc 
mostrou 
isso 
a 
algum 
mais? 
Ao 
senhor 
Webters? 
 
policia? 
No. 
Talvez 
devesse 
fazer. 
No 
quero 
ser 
uma 
alarmista. 
Ningum 
poderia 
te 
acusar 
disso. 
No 
sei, 
Jeff 
 suspirou 
 
No 
quero 
chamar 
a 
ateno 
sobre 
algo 
que, 
seguramente, 
no 
 
nada. 
Jeff 
esboou 
um 
sorriso 
forado 
e 
devolveu 
envelopes. 


#
 
provvel 
que 
tenha 
razo. 
Seguro 
que 
no 
h 
que 
se 
preocupar. 
Pelo 
visto 
h 
gente 
que 
no 
sabe 
como 
perder 
o 
tempo, 
verdade? 
H 
pessoas 
que 
acreditam 
em 
sua 
prpria 
histria 
intrometendo 
nas 
vidas 
de 
pessoas 
famosas. 
Vivem 
atravs 
de 
elas. 
Sim, 
mas... 
Se 
receber 
outra, 
acho 
que 
deveria 
reconsiderar 
e 
comunicar 
 
policia. 
Esquece-te 
do 
que 
possam 
pensar. 
No 
se 
importe 
que 
te 
considerem 
uma 
histrica. 
Tenho 
medo 
de 
que 
seja 
isso 
que 
pensariam. 
Ao 
menos 
deverias 
avisar 
e 
guarda-los 
em 
segurana 
na 
emissora, 
dizer-lhes 
que 
no 
deixem 
entrar 
no 
edifcio 
a 
tipos 
bizarros. 
Com 
isso 
excluiriam 
 
terceira 
parte 
dos 
empregados 
 caoou.
 
verdade. 
Jeff 
sorriu, 
mas 
voltou 
a 
falar 
em 
srio: 
Tem 
cuidado, 
Cat; 
h 
montes 
de 
manacos 
soltos. 
Sei-o. 
Guardou 
envelopes 
na 
bolsa 
e 
a 
fechou, 
dando 
por 
terminada 
a 
conversa 
e 
voltando 
a 
ocupar 
o 
papel 
de 
chefa. 
Preciso 
saber 
os 
detalhes 
do 
funeral 
de 
Chantal. 
-Na 
sexta-feira 
s 
catorze 
horas. 
Para 
tua 
informao, 
tem 
telefonado 
Rum 
Truitt. 
Queria 
um 
comunicado. 


Suponho 
que 
disse 
que 
tome 
um 
trem 
bala 
direto 
para 
o 
inferno. 
No 
com 
essas 
palavras, 
mas 
algo 
semelhante. 
Disse 
que 
no 
estava 
nem 
estaria 
disponvel 
para 
nenhuma 
declarao. 
Obrigado, 
eu 
no 
teria 
sido 
to 
diplomtica. 
Esse 
homem 
um 
chacal, 
sempre 
procurando 
sangue 
fresco. 
No 
queria 
perder 
tempo 
falando 
do 
jornalista 
idiota. 
Faz 
favor, 
te 
ocupa 
de 
que 
mandem 
uma 
coroa 
de 
flores 
da 
WWSA 
 
funerria. 
Quero 
enviar 
tambm 
algo 
pessoal, 
mas 
isso 
farei 
eu 
mesma. 
Quando 
Jeff 
saiu, 
tinha 
instrues 
de 
informar 
a 
Sherry 
e 
adiantar 
o 
horrio 
de 
filmagem. 
As 
dvidas 
da 
noite 
anterior 
sobre 
a 
utilidade 
do 
programa, 
agora 
pareciam 
absurdas. 
Tinham 
perdido 
a 
Chantal, 
mas 
existiam 
muitos 
outros 
meninos 
que 
precisavam 
de 
ajuda. 
No 
importavam 
os 
obstculos 
que 
encontrasse; 
fosse 
a 
burocracia, 
a 
imprensa 
negativa 
ou 
a 
desconfiana 
em 
si, 
no 
ia 
atirar 
a 
toalha. 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
era 
uma 
iniciativa 
bem 
mais 
importante 
que 
ela 
mesma; 
Alex 
tinha-a 
ajudado 
a 
ver 
essa 
perspectiva. 
Dentro 
do 
marco 
geral, 
seus 
contratempos 
pessoais 
eram 
insignificantes. 
Pouco 
antes 
das 
doze, 
Jeff 
voltou 
a 
seu 
escritrio 
com 
um 
recado. 
-Telefonema 
de 
teu 
novelista. 
O 
corao 
deu 
um 
salto 
ao 
pr 
a 
mo 
no 
telefone. 
-Em 
que 
linha? 
-Me 
desculpe, 
no 
podia 
esperar. 
Disse 
que 
te 
dissesse 
que 
s 
dispunha 
de 
tempo 
para 
deixar 
um 
recado. 


#
To 
nervoso 
como 
o 
pajem 
portador 
da 
m 
notcia 
 
rainha 
mal-humorada, 
Jeff 
alongou 
o 
recado. 
-Chamava 
do 
aeroporto 
e 
j 
tinham 
anunciado 
seu 
vo. 
-Seu 
vo? 
Notou 
seu 
corao 
na 
garganta. 
Saia 
da 
cidade? 
Aonde 
vai? 
Por 
quanto 
tempo? 
Tudo 
estava 
escrito 
na 
nota, 
mas 
Jeff 
comunicou 
de 
viva 
VOZ. 
Estar 
fora 
em 
uns 
dias 
e 
chamar 
quando 
volte. 
Isso 
 
tudo? 
Jeff 
assentiu. 
Tentou 
permanecer 
impassvel 
e 
com 
a 
voz 
serena. 
Era 
um 
enorme 
esforo. 
Obrigado, 
Jeff. 
Com 
atitude 
servil, 
seu 
ajudante 
saiu 
do 
escritrio 
e 
fechou 
a 
porta. 
Cat 
dobrou 
a 
nota 
e 
olhou-a 
como 
se 
pudesse 
lhe 
oferecer 
uma 
explicao 
at 
ento 
oculta. 
Mas 
no. 
Era 
um 
metiroso. 
Tinham 
feito 
iluses 
de 
jantar 
juntos 
nessa 
noite. 
S 
umas 
horas 
sem 
o 
ver 
e 
j 
sentia 
falta. 
Sua 
prpria 
debilidade 
a 
deixou 
furiosa. 
Alex 
no 
dava 
sinais 
de 
ter 
saudades 
e 
ali 
estava 
ela, 
melanclica 
como 
nica 
garota 
do 
colgiosem 
par 
para 
a 
formatura. 
Seu 
desnimo 
transformou-se 
em 
raiva. 
Que 
teria 
feito 
sair 
da 
cidade 
to 
apressado? 
Os 
negcios 
ou 
a 
diverso? 
Que 
era 
to 
importante 
que 
no 
teve 
tempo 
de 
se 
despedir? 



Captulo 
vinte 
e 
sete 


Alex 
no 
era 
um 
apaixonado 
por 
Nova 
York, 
mas 
fascinava 
uma 
cidade 
cheia 
de 
contrastes: 
um 
compndio 
da 
desesperana, 
a 
sujeira 
e 
a 
misria, 
por 
uma 
parte, 
o 
luxo 
e 
a 
sofisticao 
por 
outra. 
Suas 
reaes 
ao 
que 
via 
ali 
eram 
extremas; 
nunca 
moderadas. 
Dentro 
da 
mesma 
ma, 
tinha 
coisas 
que 
faziam 
rir 
e 
outras 
que 
o 
enojavam. 
Ele 
e 
seu 
agente 
jantavam 
em 
um 
pequeno 
restaurante 
do 
West 
Side. 
Nos 
primeiros 
tempos 
de 
sua 
relao 
com 
Arnold 
Villela 
na 
terceira 
viagem 
 
Grande 
Ma, 
Alex 
tinha 
mostrado 
seu 
desprezo 
pelos 
pratos 
ofensivamente 
caros 
do 
The 
Four 
seasons 
e 
do 
Lhe 
Cirque. 
Se 
no 
posso 
pronunciar 
seu 
nome 
ou 
ignoro 
sua 
procedncia, 
no 
penso 
em 
comer. 
Villella 
chamou-o 
de 
rstico, 
mas 
a 
partir 
de 
ento 
permitiu 
que 
Alex 
escolhesse 
o 
local 
para 
jantar. 
De 
vez 
em 
quando, 
tinham 
algo 
que 
celebrar, 
Alex 
tolerava 
que 
Villella 
o 
convidasse 
a 
um 
restaurante 
de 
tipo 
meio, 
mas 
o 
Oswalds 
Cafe, 
propriedade 
de 
um 
hngaro 
robusto 
que 
atendia 
a 
seus 
clientes 
pessoalmente, 
tinha 
convertido 
em 
seu 
lugar 
favorito. 
Os 
sanduches 
de 
rosbif 
servido 
com 
vrios 
acompanhamentos 
de 
semente 
de 
mostarda, 
to 
picante 
que 
fazia 
saltar 
as 
lgrimas. 
Esta 
noite 
devorava 
o 
sanduche 
enquanto 
Villela 
degustava 
um 
goulash. 
Vejo 
que 
tem 
fome 
disse 
o 
agente 
No 
te 
deram 
de 
jantar 
no 
avio? 
Suponho 
que 
no. 
No 
me 
lembro. 
Recordava 
pouco 
do 
curto 
vo 
de 
San 
Antonio 
a 
Dallas 
-Fort 
Worth, 
em 
troca 
de 
avio 
com 


#
destino 
 
La 
Guardia, 
do 
trajeto 
em 
txi 
at 
Manhattan 
ou 
de 
qualquer 
outra 
coisa 
ocorrido 
desde 
a 
noite 
passada. 
Sua 
memria 
estava 
fixa 
na 
sesso 
de 
sexo 
com 
a 
ruiva 
ao 
vivo, 
ruidosa, 
terna, 
exacerbada, 
carinhosa, 
frentica, 
selvagem 
e 
maravilhosa. 
Apartou 
o 
prato 
e 
quando 
chegou 
o 
garom 
com 
os 
cafs 
se 
deu 
conta 
que 
levava 
cinco 
minutos 
sem 
trocar 
uma 
palavra 
com 
seu 
agente. 
Villela 
permanecia 
em 
silncio. 
Quando 
tratava 
com 
editores 
que 
tentavam 
poupar 
um 
dlar, 
era 
vido 
como 
um 
tibaro, 
mas 
com 
os 
autores 
era 
um 
confessor 
paciente 
e 
disciplinado 
que 
se 
adaptava 
s 
necessidades 
de 
seus 
clientes. 
Arnold 
Villella 
aceitou 
ser 
agente 
de 
Alex 
antes 
de 
ele 
publicar 
algo. 
A 
maioria 
de 
agentes 
literrios 
que 
esteve 
em 
contato 
havia 
devolvido 
o 
original 
sem 
ler, 
j 
que 
sua 
poltica 
era 
no 
representar 
a 
autores 
novelas. 
O 
crculo 
vicioso 
da 
indstria 
editorial: 
no 
publicam 
nada 
se 
no 
tiver 
um 
agente 
e 
no 
consegue 
um 
agente 
se 
no 
algo 
publicado. 
Mas 
Villella 
telefonou 
a 
Houston 
em 
uma 
sexta-feira 
pela 
manh 
durante 
uma 
tormenta. 
Alex 
tinha 
uma 
ressaca 
imponente 
e 
Villella 
teve 
que 
repetir 
vrias 
vezes 
o 
que 
dizia 
antes 
que 
Alex 
pudesse 
ouvir 
a 
mensagem 
acima 
dos 
troves 
do 
exterior 
e 
dos 
que 
esmagavam 
sua 
cabea. 
Sua 
novela 
parece-me 
prometedora. 
Tem 
um 
estilo 
sem 
pudor, 
mas 
muito 
interessante. 
Se 
interessar, 
aceito 
ser 
seu 
agente. 
Alex 
no 
perdeu 
um 
minuto 
em 
voar 
a 
Nova 
York 
para 
conhecer 
 
nica 
pessoa 
que 
mostrava 
f 
nele. 
Villella 
era 
astuto 
e 
intuitivo, 
terco, 
e 
no 
mordia 
a 
lngua, 
mas 
tinha 
um 
corao 
de 
ouro. 
Quando 
soube 
do 
problema 
de 
Alex 
com 
a 
bebida, 
em 
vez 
de 
passar 
um 
sermo 
limitou 
a 
dizer 
que 
tinha 
conhecido 
a 
alguns 
escritores 
de 
talento 
que 
eram 
alcolicos. 
O 
lcool 
estimulava 
sua 
criatividade, 
mas 
ao 
longo 
do 
tempo 
arruinava 
sua 
carreira 
de 
escritores. 
Ao 
voltar 
a 
Houston, 
Alex 
ingressou 
em 
uma 
clnica 
para 
se 
desintoxicar 
e, 
enquanto 
trabalhava 
na 
reviso 
da 
novela, 
novas 
palavras 
saam 
de 
seus 
poros 
junto 
com 
o 
lcool 
que 
o 
tinha 
envenenado 
Villella 
tinha 
ganhado 
sua 
lealdade 
e 
sua 
confiana 
ilimitada; 
era 
a 
nica 
pessoa 
que 
confiava, 
a 
nica 
que 
podia 
censur-lo 
sem 
que 
ele 
se 
sentisse 
ofendido. 
Villella 
sabia 
quase 
tudo 
sobre 
Alex, 
mas 
nunca 
tinha 
emitido 
uma 
sentena 
sobre 
ele 
nem 
sobre 
seu 
comportamento. 
-Perdoa 
Arnie. 
J 
sei 
que 
esta 
noite 
no 
sou 
boa 
companhia. 
Deveria 
me 
dizer. 
Dizer 
o 
que? 
Por 
que 
veio 
at 
aqui 
para 
jantar 
comigo. 
Esperava 
que 
no 
tivesse 
outros 
planos. 
Tinha-os, 
mas 
sempre 
posso 
os 
mudar 
quando 
se 
trata 
de 
meu 
cliente 
mais 
importante. 
Seguro 
que 
diz 
isso 
a 
todos. 
Por 
suposto. 
So 
como 
meninos 
mimados. 
Eu 
devo 
de 
ser 
o 
que 
pior 
se 
comporta. 
Villella 
era 
muito 
educado 
para 
dizer 
que 
sim, 
mas 
levantou 
as 
mos 
em 
sinal 
de 
aprovao. 
Tudo 
bem 
com 
a 
novela? 
Bem. 


 
To 
mau? 
#
Alex 
riu, 
ainda 
que 
algo 
desagradado. 
Tento 
v-lo 
com 
perspectiva; 
no 
deixo 
de 
me 
dizer 
que 
s 
 
um 
rascunho. 
No 
o 
vou 
ler 
como 
definitivo. 
Espero 
que 
no. 
Vacilou, 
mas 
a 
seguir, 
com 
timidez 
rara 
nele, 
acrescentou: 
Tem 
pargrafos 
que 
no 
gosto, 
masa 
acho 
que 
pode 
ser 
boa, 
Arnie. 
Ser 
excelente. 
Supe 
para 
ti 
um 
desafio 
e 
cheira 
a 
best-seller. 
Se 
eu 
no 
a 
estragar. 
No 
o 
fars. 
Tranqilo, 
diverte-te 
com 
ela; 
tudo 
chegar. 
Estamos 
falando 
da 
novela 
ou 
de 
sexo? 
Eu 
da 
novela. 
E 
tu? 
A 
pergunta 
intencionada 
de 
Arnie 
surpreendeu. 
Fez 
uma 
indicao 
para 
pedir 
outro 
caf 
e, 
depois, 
ficou 
pensativo 
olhando 
a 
caneca. 
Ests 
mais 
hermtico 
que 
uma 
cmera 
fechada. 
Qual 
 
o 
problema? 
Outra 
depresso? 
insinuou 
Arnie. 
No. 
No 
voltou 
a 
ter 
ausncias? 
Graas 
a 
Deus, 
no. 
Villella 
referia-se 
s 
horas, 
inclusive 
nos 
dias, 
durante 
os 
quais 
Alex 
tinha 
perdido 
a 
conscincia 
pelo 
abuso 
do 
lcool. 
Quando 
voltava 
em 
si, 
era 
incapaz 
de 
explicar 
durante 
quanto 
tempo 
esteve 
fora. 
No 
recordava 
nem 
onde 
esteve 
nem 
o 
que 
disse 
ou 
feito. 
Uma 
sensao 
aterradora. 
No 
tem 
nada 
que 
ver 
com 
a 
bebida. 
No 
tenho 
provado 
uma 
gota. 
Observou 
que 
Arnie 
mostrava 
alvio. 
Se 
no 
ests 
angustiado 
pelo 
livro 
e 
tambm 
no 
garrafa, 
que 
? 
-Uma 
mulher. 


Villella 
piscou, 
incrdulo, 
Alex 
sabia 
por 
que. 
Seu 
confidente 
conhecia 
suas 
numerosas 
histrias 
sexuais. 
Algumas 
delas. 
-Isto 
 
diferente 
 balbuciou. 
-No 
me 
diga. 
Essa 
mulher 
tem 
elevado 
teu 
nvel 
habitual 
de 
tetosterona? 
-Sim; 
bom, 
no 
-Vamos 
ver, 
de 
que 
se 
trata?
-No 
 
uma 
puta. 
Nem 
tambm 
sexo 
por 
telefone. 
No 
 
s 
um 
assunto 
sexo. 
... 
Bom, 
no 
o 
sei. 
Villella 
dobrou 
uma 
de 
suas 
mos 
sobre 
a 
outra 
na 
borda 
da 
mesa, 
parecia 
muito 
interessado 
escutando. 
-No 
 
teu 
estilo. 
-Droga, 
no. 
J 
vejo 
que 
est 
preocupado. 
Nunca 
te 
definiria 
como 
um 
temperamento 
alegre, 
mas 
observo 
algo 
em 
ti 
muito 
semelhante 
ao 
desespero 
de 
nosso 
primeiro 
encontro. 
Recusa-te 
essa 
mulher? 
As 
imagens 
de 
Cat 
passaram 
por 
sua 
mente: 
um 
sorriso 
insinuante, 
uma 
olhar 
intencionada, 
uma 
atitude 
alentadora. 
Doura 
e 
sensualidadee, 
malcia 
e 
timidez. 
E, 
tambm, 
coquetera 
e 
ansiedade. 


#
No 
podia 
toc-la 
sem 
que 
gemesse 
de 
prazer. 
No, 
em 
absoluto. 
Ento 
no 
entendo 
que 
uma 
relao, 
ao 
que 
parece 
gratificante, 
seja 
to 
traumtica. 
No 
sabe 
quem 
. 
Bom, 
pois 
me 
diga.
 
Cat 
Delaney, 
Arnie. 
Deitei-me 
com 
Cat 
Delaney. 
Villella 
olhou-o 
fixamente 
aos 
olhos, 
plido 
pela 
impresso. 
Cu 
santo, 
Alex. 
Achei 
que 
j 
estava 
farto 
de 
imprensa. 
E 
agora 
resulta 
que 
saia 
com 
uma 
mulher 
que 
atrai 
aos 
meios 
de 
comunicao 
como 
um 
m. 
Algum 
que...
Eu 
sei. 
 
uma 
loucura. 
No, 
amigo, 
no 
s 
 
uma 
loucura. 
 
muito 
perigoso. 



Captulo 
vinte 
e 
oito 


Para 
Cat 
estava 
difcil 
manter 
a 
calma. 
Ao 
entrar 
na 
rua 
onde 
vivia 
viu 
Alex 
na 
calada 
e 
esteve 
a 
ponto 
de 
pisar 
no 
acelerador, 
mas 
pensou 
mostrar 
dignidade 
e 
orgulho. 
Estacionou 
e 
disse: 
Fez 
uma 
boa 
viagem? 
No 
muito 
bem. 
Aonde 
voc 
foi? 
A 
Nova 
York. 
Assim, 
por 
qu? 
Gosto 
de 
Nova 
York. 
Aconteceu 
assim 
de 
repente? 
Negcios 
urgentes. 
Claro, 
sabe 
que 
os 
editores 
distinguem 
por 
suas 
emergncias. 
Cat 
abriu 
a 
porta 
e 
entrou. 
A 
seguir 
olhou-o 
cara 
a 
cara, 
bloqueando 
sua 
entrada 
tal 
e 
como 
tinha 
feito 
a 
primeira 
vez 
que 
ele 
apareceu 
na 
ombreira. 
Aps 
aquela 
noite 
tinha 
sentido 
a 
vertigem 
nica 
do 
idilio 
recm 
iniciado. 
Mas 
ele 
tinha 
sado 
da 
cidade. 
Uma 
emergncia 
podia 
ter 
impedido 
que 
a 
chamasse 
para 
se 
despedir, 
mas 
no 
podia 
ter 
chamado 
depois? 
E 
ele 
No 
tinha 
feito. 
E 
no 
 
que 
agora 
despregasse 
o 
entusiasmo 
de 
Gene 
Kelly 
em 
Cantando 
sob 
a 
chuva. 
Parecia 
cansado 
e 
abatido, 
como 
se 
no 
tivesse 
dormido 
desde 
que 
o 
deixou 
na 
cama 
trs 
dias 
atrs. 
Seu 
impulso 
pedia 
para 
abra-lo 
at 
que 
essa 
olhar 
cansado 
cedesse, 
mas 
se 
conteve. 
Foi 
ao 
funeral 
da 
menina. 
 
uma 
pergunta 
ou 
uma 
afirmao? 
-Telefonei 
 
emissora 
e 
disseram 
que 
no 
voltaria. 
Foi 
triste? 


#
-Muito. 
Durante 
o 
oficio 
no 
deixei 
de 
pensar 
no 
dia 
em 
que 
Chantal 
se 
converteu 
legalmente 
em 
sua 
filha. 
Todos 
estavam 
contentes, 
tinham 
preparado 
um 
churrasco 
para 
apresent-la 
aos 
familiares 
e 
amigos. 
Os 
mesmos 
que 
hoje 
estavam 
na 
casa 
para 
enterr-la. 
Hoje 
no 
tinha 
bales 
nem 
serpentinas. 
Nada 
era 
o 
mesmo. 
Que 
te 
traz 
por 
aqui, 
Alex? 
-Temos 
que 
falar. 
O 
tom 
de 
voz 
e 
a 
expresso 
solene 
eram 
avisos 
inequvocos 
de 
que 
era 
algo 
que 
ela 
no 
queria 
ouvir. 
-Importa-se 
que 
falemos 
em 
outro 
dia? 
Com 
o 
funeral 
fiquei 
destroada. 
Preferiria 
deix-lo 
para 
mais 
diante. 
-No 
ter 
melhor 
oportunidade 
para 
o 
que 
tenho 
que 
te 
dizer. 
A 
Cat 
s 
ocorreu 
que 
pudesse 
um 
problema 
ser 
to 
urgente 
e 
o 
vestido 
negro 
que 
levava 
pesou 
como 
uma 
armadura... 
-Deixa-me 
adivinh-lo. 
Esqueceu 
um 
detalhe 
sem 
importncia 
a 
outra 
noite. 
Voc 
 
casado. 
No 
estou 
casado. 
E 
no 
penso 
seguir 
falando 
na 
porta. 
Passou 
por 
diante 
de 
seu 
nariz 
e 
entrou. 
Ela 
fechou 
a 
porta 
e 
disse: 
Se 
no 
 
casado, 
mas 
j 
esteve. 
No. 
Bom, 
 
pior 
do 
que 
me 
imaginava. 
Quando 
fiz 
a 
ltima 
anlise 
de 
sangue? 
Alex 
ps-se 
em 
jarras 
e 
disse: 
No 
me 
irrite. 
Se 
no 
tinha 
uma 
mulher 
em 
alguma 
parte, 
nenhuma 
ex 
esposa 
o 
atazanava 
exigindo 
a 
penso 
nem 
tinha 
contrado 
um 
vrus, 
s 
ficava 
uma 
explicao. 
Estava-se 
preparando 
a 
clssica 
fugida 
honrosa. 
At 
parece 
que 
daria 
essa 
satisfao 
a 
ele. 
Entrou, 
jogou 
os 
cabelos 
para 
trs 
e 
passou 
 
ofensiva. 
Alex, 
eu 
tenho 
a 
impresso 
de 
que 
sei 
o 
que 
vai 
dizer, 
de 
modo 
que 
no 
faz 
falta 
que 
me 
azede. 
A 
outra 
noite 
estava 
muito 
baixa 
de 
moral 
e 
precisava 
caricias 
amorosas. 
Tu 
mas 
deste. 
Somos 
adultos 
e 
est 
tudo 
bem. 
Ponto. 
Fez 
uma 
pausa 
para 
suspirar 
profundamente 
e 
no 
gostou 
que 
aparecesse 
de 
verdade 
tremor 
em 
sua 
voz. 
-Mas 
no 
quer 
uma 
relao 
estvel, 
nem 
um 
compromisso, 
nem 
te 
sentir 
atado. 
Bom, 
no 
 
o 
que 
voc 
quer; 
eu 
tambm 
no. 
Tirou 
os 
pendentes 
e 
os 
sapatos, 
como 
se 
esses 
gestos 
simples 
e 
cotidianos 
fizessem 
sua 
indiferena 
mais 
convincente. 
-Portanto, 
no 
coloque 
essa 
cara 
de 
estar 
a 
ponto 
de 
vomitar 
sobre 
meu 
tapete 
oriental. 
No 
vou 
pedir 
explicaes. 
Nem 
tenho 
um 
pai 
que 
te 
obrigue 
a 
ir 
ao 
altar 
te 
apontando 
com 
uma 
escopeta. 
Tambm 
no 
vou 
cortar 
as 
veias 
nem 
a 
perseguir 
com 
uma 
faca 
de 
aougueiro. 
Isto 
no 
se 
vai 
converter 
em 
uma 
atrao 
fatal. 
Conseguiu 
esboar 
um 
sorriso 
irnico. 
Assim 
fique 
tranqilo? 
Senta-te, 
Cat. 
Por 
qu? 
 
que 
me 
deixei 
algo 
de 
teu 
discurso 
to 
bem 
ensaiado? 
Faz 
favor. 


#
Deixou 
cair 
os 
pendentes 
na 
mesa 
e 
entrou 
na 
sala 
de 
estar, 
acendeu 
um 
lustre 
de 
sobremesa 
e 
sentou-se 
sobre 
as 
pernas 
em 
uma 
esquina 
do 
sof. 
Apanhou 
umuma 
almofada 
e 
a 
abraou 
contra 
o 
peito, 
como 
se 
fosse 
um 
ursinho 
de 
pelucia. 
Alex 
sentou-se 
na 
cadeira 
defronte 
do 
sof, 
estendeu 
os 
joelhos 
e 
olhou 
ao 
cho, 
entre 
os 
ps. 
Parecia 
um 
ru 
como 
instalavam 
a 
forca 
no 
ptio. 
Apoiou 
os 
cotovelos 
nos 
joelhos, 
esfregou 
os 
olhos 
e 
permaneceram 
uns 
momentos 
nessa 
postura 
antes 
de 
baixar 
as 
mos 
e 
observ-la. 
Quis 
deitar-me 
contigo 
desde 
o 
mesmo 
momento 
em 
que 
te 
vi. 
Cat 
analisou 
a 
afirmao 
de 
todos 
os 
ngulos. 
Soava 
muito 
romntico, 
mas 
no 
era 
uma 
ingnua. 
Suponho 
que 
deveria 
me 
sentir 
lisonjeada, 
mas 
estou 
esperando 
a 
que 
me 
dispensa. 
De 
que 
se 
trata? 
No 
estive 
 
altura 
de 
tuas 
expectativas? 
No 
digas 
tolices. 
Alex 
levantou-se 
e 
comeou 
a 
passear 
acima 
e 
abaixo. 
Outro 
mau 
sinal. 
Quando 
os 
homens 
se 
dispem 
a 
comunicar 
uma 
m 
notcia 
comeam 
a 
dar 
voltas. 
Parou 
em 
seco 
diante 
dela. 
Aqui 
h 
muito 
lixo 
 assinalou 
sua 
prpria 
cabea-. 
Entrou 
muita 
droga 
antes 
que 
deixasse 
o 
corpo 
de 
policia 
de 
Houston. 
J 
conhecia 
teu 
problema 
com 
a 
bebida. 
Isso 
foi 
o 
efeito, 
no 
a 
causa. 
Ainda 
no 
limpei 
tudo. 
Estou 
fazendo, 
mas 
no 
seria 
justo... 
No 
me 
venha 
com 
a 
lista 
de 
desculpa 
que 
no 
seria 
justo! 
V 
diretamente 
ao 
ponto. 
De 
acordo. 
Em 
poucas 
palavras: 
por 
enquanto 
no 
posso 
envolver 
em 
uma 
relao 
sria. 
Pensei 
que 
devia 
saber 
antes 
que 
a 
coisa 
fosse 
mais 
longe. 
Durante 
uns 
momentos 
ficou 
recostada 
e 
abraando 
a 
almofada. 
Depois 
o 
atirou 
ao 
lado, 
levantou 
e 
abriu 
a 
porta. 
Alex 
suspirou. 
-Ests 
chateada. 
-Equivocas-te. 
Deveria 
importar-me 
algo 
para 
estar 
chateada. 
-Ento, 
por 
que 
quer 
que 
eu 
v? 
-Porque 
nesta 
casa 
no 
h 
espao 
para 
mim, 
para 
ti 
e 
para 
teu 
gigantesco 
ego. 
Vocs 
dois 
tem 
que 
sair. 
Agora 
mesmo. 
-Fecha 
a 
porta. 
Fechou-a 
inesperadamente. 
-Achas 
que 
estou 
destroada? 
Supe 
que 
por 
ter 
dormido 
contigo 
significa 
para 
mim 
algo 
mais 
que 
isso? 
Que 
te 
fez 
pensar 
que 
eu 
queira 
algum 
tipo 
de 
relao 
sria 
contigo? 
-No 
disse 
que... 
-Teria 
muito 
que 
ensinar 
aos 
aspirantes 
a 
estrelas 
de 
Hollywood 
sobre 
o 
ego. 
Nunca 
tinha 
conhecido 
a 
nada 
to 
apegago 
a 
si 
mesmo, 
guardando 
o 
trabalho 
inacabado 
sob 
chave 
como 
se 
fosse 
um 
tesouro 
nacional. 
Seria 
realmente 
um 
fenmeno 
se 
teu 
pnis 
fosse 
to 
grande 
como 
tua 
arrogncia. 
Muito 
gracioso.
Em 
absoluto. 
 
muito 
triste. 


#
Alex 
estava 
perdendo 
a 
pacincia. 
No 
queria 
que 
esperasse 
algo 
que 
no 
posso 
te 
dar. 
Pois 
conseguiu, 
j 
que 
de 
ti 
esperava 
menos 
que 
nada. 
Uma 
noite 
de 
festa; 
nossos 
genitais 
passaram 
de 
medo. 
Isso 
 
tudo. 
No 
diga 
mais 
Bobagem. 
Voc 
brincou 
com 
fogo 
e 
eu 
tambm. 
Com 
vrias 
labaredas. 
Ele 
a 
estava 
tirando 
do 
srio, 
mas 
seguiu 
diante: 
Ns 
dois 
conseguimos 
o 
que 
queramos. 
Fim 
da 
histria. 
No 
 
verdade 
e 
ns 
dois 
sabemos 
 
gritou 
Alex 
 Se 
no 
houvesse 
significado 
nada, 
eu 
no 
estaria 
aqui 
tentando 
dar 
explicaes 
e 
voc 
no 
estaria 
a 
ponto 
de 
explodir. 
Geralmente 
dorme 
com 
elas 
e 
as 
deixa 
aps 
de 
estar 
satisfeito 
e 
se 
a 
ver 
novamente 
finge 
que 
no 
se 
lembrar, 
algo 
assim? 
Sim. 
Levantou 
as 
sonbrancelhas 
e 
ps 
a 
mo 
no 
corao. 
-Bom, 
que 
grande 
honra, 
senhor 
Pierce, 
estou 
comovida 
por 
sua 
considerao. 
Para 
valer. 
Cat, 
j 
basta. 
-Vai 
ao 
inferno 
Alex. 
Olhou-a 
furioso 
e 
frustrado, 
amaldioando 
baixinho. 
Na 
continuao 
disse: 
-No 
estaramos 
aqui 
discutindo 
se... 
se... 
Deixa 
de 
gaguejar 
e 
diga 
logo 
e 
sem 
rodeios. 
J 
 
um 
pouco 
tarde 
para 
a 
diplomacia. 
Chegou 
at 
que 
esteve 
a 
poucos 
centmetros 
dela 
e, 
com 
voz 
rouca 
e 
sensual, 
murmurou: 
Se 
no 
tivesse 
sido 
a 
maratona 
sexual 
do 
sculo. 
Cat 
tinha 
j 
o 
pulso 
acelerado 
pela 
ira 
e 
seu 
comentrio 
a 
acendeu 
ainda 
mais. 
Como 
era 
possvel 
que 
quisesse 
arrancar 
seus 
olhos 
e, 
ao 
mesmo 
tempo, 
tivesse 
excitada 
entre 
as 
pernas? 
Retrocedeu 
uns 
passos 
e, 
quando 
esteve 
a 
uma 
distncia 
segura, 
disse: 
Tem 
uma 
segurana 
ilimitada 
em 
teu 
atrativo 
verdade? 
Espera 
que 
eu 
caia 
em 
teus 
braos 
falando 
dessa 
forma? 
Acha 
que 
 
um 
desses 
personagens 
asquerosos 
de 
teus 
livros? 
Alex 
deu 
um 
soco 
contra 
a 
outra 
mo. 
Arnie 
no 
podia 
estar 
mais 
equivocado. 


 
Teu 
agente? 
O 
que 
ele 
tem 
a 
ver 
com 
isto? 
Aconselhou-me 
que 
fosse 
sincero 
contigo, 
que 
pusesse 
as 
cartas 
em 
cima 
da 
mesa. 
Disse 
que 
 
a 
melhor 
forma 
de 
abordar 
o 
problema. 
 
Perguntou 
ao 
seu 
agente 
como 
deveria 
me 
tratar? 
Este 
problema 
j 
foi 
resolvido! 
Inclusive 
farei 
eu 
o 
discurso 
final. 
Apontando 
o 
dedo 
ndice 
sobre 
o 
peito 
de 
Alex 
disse: 
No 
me 
chames, 
no 
volte 
a 
aparecer 
por 
esta 
casa, 
no 
tente 
entrar 
em 
contato 
comigo 
de 
nenhuma 
forma. 
Voc 
 
um 
imbecil, 
no 
vale 
nem 
a 
dcima 
parte 
do 
que 
acredita. 
No 
quero 
te 
ver 
nem 
pintado. 
Suspirou 
profundamente 
antes 
de 
concluir: 
#
 
Entendeu, 
seu 
filho 
de 
puta? 
Captulo 
vinte 
e 
nove 


Tinha 
mar 
alta, 
mas 
Cat 
estava 
sentada 
longe 
das 
ondas. 
Tinha 
o 
queixo 
apoiado 
nos 
joelhos 
e 
abraava 
suas 
pernas. 
Contemplava 
o 
horizonte, 
onde 
o 
sol 
colocava 
colorindo 
o 
cu 
de 
uma 
cor 
avermelhada 
que, 
pouco 
a 
pouco, 
ia 
se 
degradando 
at 
chegar 
ao 
ail. 
Notou 
a 
presena 
de 
algum, 
voltou 
a 
cabea 
e 
se 
surpreendeu 
ao 
ver 
Dean, 
que 
caminhava 
para 
ela. 
Sentou-se 
a 
seu 
lado 
sobre 
a 
areia. 
Quando 
recuperou 
a 
fala 
perguntou: 
Como 
sabia 
que 
eu 
estava 
aqui? 
Liguei 
para 
o 
seu 
escritrio 
de 
San 
Antonio 
esta 
tarde 
e 
tua 
ajudante 
disse-me 
que 
estava 
passando 
alguns 
dias 
em 
Malib. 
Voc 
ficaria 
aqui 
e 
voltaria 
me 
visitar? 


Sim. 
A 
ltima 
vez 
que 
nos 
vimos 
a 
despedida 
no 
foi 
muito 
amistosa. 
Um 
resqucio 
de 
tristeza 
apareceu 
no 
rosto 
de 
Dean. 
Vim 
para 
me 
desculpar. 
Eu 
me 
comportei 
como 
um 
idiota 
naquela 
noite. 
So 
guas 
passadas, 
no 
se 
preocupe. 
Notou 
que 
ele 
estudava 
seu 
perfil. 
A 
seguir 
disse: 
Perdoa 
o 
vou 
dizer, 
Cat, 
mas 
voc 
no 
est 
com 
um 
aspecto 
muito 
bom. 
De 
fato, 
parece 
uma 
morta-viva. 
Pois 
obrigado. 
-O 
que 
ele 
te 
fez? 
-Quem? 
Dean 
permaneceu 
calado 
e 
ela 
o 
olhou. 
Seus 
olhos 
a 
recriminavan 
por 
se 
fazer 
de 
tonta. 
Cat 
voltou 
a 
contemplar 
o 
mar. 
-Deitei-me 
com 
ele. 
Isso 
j 
o 
sabia, 
mas 
qual 
 
o 
problema? 
H 
outra 
mulher? 
Ele 
diz 
que 
no, 
e 
eu 
no 
tenho 
provas 
de 
que 
a 
tenha. 
Um 
passado 
escuro? 
Algo 
que 
ele 
chamou 
lixo, 
mas 
sem 
dizer 
ao 
certo. 
Acho 
que 
tem 
algo 
que 
ver 
com 
seu 
abandono 
do 
corpo 
de 
policia. 
Em 
poucas 
palavras: 
colocou 
mel 
em 
minha 
boca 
e 
conseguiu 
me 
encantar, 
mas 
s 
quer 
sexo 
sem 
compromisso. 
E 
ainda 
se 
sente 
atrada 
por 
ele? 
Cat 
sempre 
dizia 
a 
verdade, 
por 
pior 
que 
fosse, 
contra 
o 
seu 
amor 
prprio. 
Eu 
estaria 
mentindo 
se 
dissesse 
que 
no. 
Compreendo. 
Est 
apaixonada 
por 
ele? 
Como 
se 
a 
tivessem 
pinchado, 
soluou 
e 
escondeu 
a 
cara 
entre 
os 
joelhos. 
Devo 
entender 
que 
sim. 


#
-E 
ele 
sabe? 
disse 
Dean. 
Claro 
que 
no. 
Acho 
que 
fiz 
uma 
boa 
cena. 
Eu 
o 
deixei 
em 
farrapos 
e 
o 
expulsei 
de 
casa. 
Inclusive 
o 
ameaei 
com 
meu 
vaso 
Lalique. 
Duvido 
que 
acredite 
que 
eu 
pudesse 
fazer 
dano 
fsico, 
mas 
saiu. 
Levantou 
a 
cabea. 
Com 
o 
olhar 
fixo 
nas 
ondas, 
sentia-se 
to 
desolada 
que 
nem 
sequer 
era 
consciente 
de 
que 
estava 
chorando. 
Me 
desculpe, 
Dean, 
isto 
deve 
de 
ser 
muito 
duro 
para 
ti. 
Agradeo-te 
que 
me 
escutes. 
Dean 
passou 
um 
dedo 
pela 
fissura 
dos 
1abios, 
onde 
tinha 
uma 
lgrima. 
Esse 
homem 
no 
sabe 
o 
que 
perde. 
O 
que 
mais 
ele 
quer? 
Acho 
que 
Alex 
no 
sabe 
o 
que 
quer. 
Est 
desasosegado, 
buscando 
algo. 
Ou 
fugindo 
de 
algo.
 
possvel. 
Ou 
talvez 
s 
 
por 
natureza, 
e, 
sem 
ter 
conscincia 
disso, 
 
um 
egosta. 
Por 
diz-lo 
em 
voz 
alta, 
no 
estava 
muito 
segura 
disso. 
A 
noite 
que 
passaram 
juntos, 
Alex 
tinha 
sido 
terno, 
carinhoso 
e 
apaixonado, 
to 
preocupado 
em 
satisfaz-la 
como 
por 
sua 
prpria. 
Ou 
talvez 
enganasse 
a 
si 
mesma 
para 
salvaguardar 
um 
pouco 
sua 
dignidade? 
Talvez. 
Alex 
sabia 
como 
enganar 
e 
seduzir, 
seguro 
de 
que 
conseguia 
o 
que 
quisesse 
de 
uma 
mulher 
e, 
ao 
mesmo 
tempo, 
que 
sentisse 
mimada. 
Esticou 
as 
pernas 
e 
ficou 
olhando 
as 
sapatilhas 
esportivas, 
rememorando 
o 
momento 
em 
que 
o 
viu 
por 
vez 
primeira. 
A 
qumica 
tinha 
sido 
explosiva, 
algo 
indescritvel 
que 
nunca 
tinha 
experimentado 
antes. 
S 
de 
pensar 
ficava 
excitada. 
-Entremos, 
esta 
ficando 
frio. 
Sentados 
na 
cozinha 
e 
bebendo 
caf, 
Dean 
deixou-se 
levar 
pela 
intuio. 


 
Em 
tua 
cabea 
h 
algo 
mais 
que 
o 
novelista. 
-Contigo 
no 
h 
forma 
como 
manter 
um 
segredo. 
-Podes 
atuar 
bem 
de 
cara 
 
maioria, 
mas 
eu 
sei 
quando 
tem 
um 
problema. 
J 
me 
dei 
conta 
de 
que 
algo 
no 
andava 
bem 
naquela 
noite 
em 
San 
Antonio. 
Voc 
negou, 
mas 
sabia 
que 
estava 
mentindo. 
Quando 
vai 
confiar 
em 
mim, 
Cat? 
Do 
bolso 
da 
camisola 
Tirou 
trs 
envelopes 
e 
os 
entregou. 
Aps 
ler 
os 
recortes, 
olhou-a 
perplexo. 
-Enviarams 
para 
a 
sua 
casa? 
O 
primeiro 
e 
o 
segundo 
chegaram 
com 
um 
intervalo 
de 
poucas 
semanas. 
O 
terceiro, 
no 
dia 
que 
viajei. 
Dean 
observou 
os 
envelopes. 
No 
do 
nenhuma 
pista. 
Fora 
que 
levam 
o 
carimbo 
dos 
correios 
de 
San 
Antonio. 
Trs 
transplantados 
de 
diferentes 
partes 
do 
pas. 
Trs 
mortes 
acidentais 
estranhas. 
Uma 
mulher 
cai 
e 
atravessa 
uma 
porta 
de 
vidro, 
um 
rapaz 
afoga-se 
dentro 
do 
automvel, 
um 
homem 
tem 
um 
descuido 
com 
uma 
serra-eltrica. 
Cus. 
Parece 
um 
filme 
de 
Brian 
DePalma, 
verdade? 
Com 
garanta 
de 
muito 
susto. 
Dean 
deixou 
recortes 
em 
cima 
da 
mesa, 
mostrando 
desdm. 
#
Algum 
neurtico 
com 
um 
macabro 
senso 
do 
humor 
deve 
ter 
enviado.
 
o 
mais 
provvel. 
No 
parece 
muito 
convencida. 
No 
estou. 
Eu 
tambm 
no 
 
confessou 
ele 
 
Voc 
mostrou 
isso 
para 
algum 
mais? 
A 
Jeff. 
Os 
dois 
primeiros. 
No 
sabe 
nada 
do 
terceiro. 
-Qual 
 
sua 
Opinio? 


 
Igual 
que 
a 
tua: 
um 
louco 
fazendo 
uma 
piada 
de 
pssimo 
gosto. 
Aconselhou-me 
a 
no 
me 
preocupar, 
mas 
tambm 
me 
disse 
que 
se 
recebesse 
mais 
recortes 
que 
comunicasse 
 
policia. 
 
Fizeste-o? 
 
No, 
o 
fui 
adiando; 
ainda 
espero 
uma 
explicao. 
-Seguro 
que 
no 
h 
motivo 
de 
alarme, 
Cat, 
mas 
sempre 
cabe 
a 
possibilidade 
de 
que 
um 
7louco 
que 
envia 
cartas 
annimas 
seja 
capaz 
de 
cometer 
algum 
disparate. 
-J 
me 
dou 
conta. 
Alm 
de 
inquiet-la, 
os 
recortes 
ressuscitavam 
dvidas 
e 
ambigedades 
que 
deixou 
para 
trs 
fazia 
muito 
tempo. 
Dean, 
voc 
me 
conhece 
desde 
antes 
do 
transplante, 
muito 
melhor 
que 
qualquer 
outra 
pessoa. 
Voc 
ficou 
ao 
meu 
lado 
em 
todo 
o 
processo, 
ficou 
comigo 
em 
meus 
momentos 
mais 
eufricos 
e 
nas 
horas 
mais 
baixas. 
E 
me 
conhece 
igualmente 
bem 
aps 
o 
transplante. 
Ficou 
ao 
meu 
lado 
na 
doena 
e 
na 
sade 
e 
 
a 
pessoa 
que 
melhor 
poderia 
descrever 
minha 
personalidade. 
Aonde 
quer 
chegar? 
Eu 
estou 
diferente? 
olhou-o 
aos 
olhos. 
O 
que 
estou 
te 
perguntando 
: 
Eu 
mudei 
aps 
o 
transplante? 
Sim, 
antes 
estavas 
morrendo. 
Agora 
no. 
No 
me 
refiro 
a 
isso. 
J 
sei 
ao 
que 
se 
refere. 
Queres 
saber 
se 
experimentou 
umem 
troca 
de 
personalidade 
aps 
a
operao. 
O 
qual 
nos 
leva 
a 
uma 
questo 
inevitvel. 
 
possvel 
que 
matizes 
do 
carter 
do 
doador 
se
transmitam 
ao 
transplantado 
atravs 
do 
corao? 
 
isso? 
Cat 
assentiu. 
Dean 
suspirou. 
No 
 
possvel 
que 
acredite 
nessas 
Bobagens. 
So 
Bobagens? 
Sem 
a 
menor 
dvida. 
Cu 
santo, 
Cat, 
seja 
razovel. 
Ocorrem 
coisas 
estranhas 
que 
no 
tm 
explicao 
lgica 
nem 
cientfica. 
Neste 
caso, 
no. 
Voc 
 
uma 
mulher 
inteligente 
e 
 
provvel 
que 
saiba 
mais 
de 
anatomia 
que 
muitos 
estudantes 
de 
medicina. 
O 
corao 
 
uma 
vlvula, 
uma 
parte 
mecnica 
do 
corpo 
humano. 
Se 
estragar, 
pode 
arrumar 
ou 
mudar. 
Tenho 
visto 
inumerveis 
coraes 
abertos 
durante 
as 
operaes. 
So 
feitos 
de 
tecido. 
Nenhum 
deles 
tinha 
lacunas 
onde 
se 
guardavam 
medos 
e 
aspiraes, 
gostos 
e 
fobias, 
amor 
e 
dio. 
O 
conceito 
de 
que 
o 
corao 
 
um 
tesouro 
escondido 
de 
emoes 
e 
sentimentos 
inspiram 
a 
muitos 
#
poetas, 
mas, 
do 
ponto 
de 
vista 
mdico, 
no 
tem 
nenhum 
sentido. 
-No 
obstante, 
se 
esses 
recortes 
te 
impressionaram 
at 
o 
ponto 
de 
querer 
conhecer 
 
famlia 
do 
doador, 
farei 
o 
que 
posso 
para 
te 
ajudar. 
Deixei 
bem 
claro 
que 
nunca 
quereria 
saber 
nada 
sobre 
o 
doador. 
Dean 
ignorava, 
mas 
na 
noite 
da 
operao, 
Cat 
tinha-se 
inteirado 
de 
algo. 
Oxal 
no 
tivesse 
nem 
essa 
pequena 
pista. 
Mas 
era 
uma 
pedra 
no 
sapato, 
no 
a 
deixava 
em 
paz. 
E, 
nos 
ltimos 
tempos, 
era 
inclusive 
mais 
inquietante. 
Talvez 
devesse 
mudar 
de 
idia 
 disse 
no 
muito 
convencida. 
Dean 
levantou-se 
e 
abraou-a. 
Estou 
convencido 
de 
que 
esses 
acidentes 
so 
simples 
coincidncias. 
Algum 
se 
deu 
conta 
e 
est 
fazendo 
uma 
piada 
cruel.
- 
o 
que 
disse 
a 
mim 
mesmo 
quando 
recebi 
a 
primeira. 
E 
aps 
a 
segunda. 
Depois 
chegou 
a 
terceira. 
Ento 
me 
dei 
conta 
de 
um 
detalhe 
que 
antes 
me 
tinha 
escapado. 
Ao 
que 
parece, 
tambm 
passou 
desapercibido 
para 
voc. 
Ainda 
que 
no 
sei 
como 
pudemos 
deixar 
passar 
por 
alto 
um 
detalhe 
to 
importante. 
-Que 
? 
-Olha 
as 
datas, 
Dean. 
Todos 
os 
acidentes 
fatdicos 
ocorreram 
no 
dia 
do 
aniversrio 
do 
transplante 
da 
vtima. 
Baixinho 
acrescentou: 
E 
 
tambm 
a 
data 
do 
aniversrio 
de 
meu 
transplante. 



Captulo 
trinta 


Alex 
observava 
a 
tela 
negra 
do 
computador. 
O 
cursor 
no 
se 
movia 
fazia 
tempo. 
A 
condenada 
marca 
seguia 
no 
mesmo 
lugar 
desde 
o 
dia 
da 
discusso 
com 
Cat. 
Tinha-se 
defendido 
como 
uma 
gata, 
pensou 
recordando 
que 
esteve 
a 
ponto 
de 
lhe 
arranhar. 
Uma 
mulher 
com 
esse 
temperamento 
no 
suportava 
que 
a 
manipulassem, 
e 
isso 
era 
o 
que 
ele 
tinha 
feito 
para 
lev-la 
 
cama. 
Sua 
reao 
tinha 
sido 
mais 
ou 
menos 
a 
que 
esperava. 


Massageou 
a 
nuca 
e 
situou 
os 
dedos 
sobre 
o 
teclado, 
como 
se 
pondo 
mos 
 
obra 
e 
desta 
vez 
em 
srio. 
O 
cursor 
seguia 
piscando, 
como 
se 
risse 
dele 
e 
o 
notificasse 
que 
tinha 
um 
tpico 
bloqueio 
de 
escritor. 
Fazia 
dias 
que 
tentava 
escrever 
uma 
cena 
de 
amor; 
melhor 
dizendo, 
de 
sexo. 
At 
esse 
ponto, 
o 
livro 
tinha 
avanando 
num 
ritmo 
bom; 
inclusive 
tinha 
comentado 
a 
Arnie. 
A 
trama 
foi 
tomando 
corpo 
e 
a 
ambientao 
estava 
to 
bem 
descrita 
que 
quase 
podia 
ouvir 
a 
gua 
que 
corria 
pelas 
tubulaes 
embaixo 
do 
asfalto 
das 
ruas. 
As 
personagens 
iam 
sendo 
conduzidas 
para 
situaes 
perigosas. 
De 
repente, 
e 
sem 
prvio 
aviso, 
tinham 
parado. 
Todos 
e 
a 
cada 
um 
deles 
se 
mantiveram 
em 
seus 
treze 


#
e 
anunciaram: 
 
no 
penso 
interpretar 
mais. 
 
O 
protagonista 
j 
no 
realizava 
atos 
heroicos 
e 
tinha 
se 
convertido 
em 
um 
imbecil. 
O 
criminoso 
era 
macio 
como 
uma 
manteiga. 
Os 
delatores 
estavam 
mudos. 
Os 
policias 
eram 
uns 
ineptos. 
A 
principal 
personagem 
feminina... 
Alex 
apoiou 
os 
cotovelos 
na 
borda 
da 
mesa 
de 
trabalho 
e 
passou 
ambas 
as 
mos 
no 
cabelo. 
Era 
ela 
que 
tinha 
encabeado 
o 
motim. 
De 
repente, 
descontente 
com 
o 
papel 
que 
Alex 
tinha 
creditado 
para 
ela, 
decidiu 
se 
desmitir 
e 
no 
mais 
interpretaria. 
Essa 
tia 
no 
mordia 
a 
lngua: 
tinha 
a 
boca 
to 
descarada 
como 
o 
cu, 
que 
ele 
tinha 
descrito 
com 
todo 
luxo 
de 
detalhes 
para 
seus 
leitores 
ao 
apresentar 
na 
pgina 
quinze. 
Mas, 
ao 
mesmo 
tempo, 
era 
muito 
feminina 
e 
vulnervel, 
bem 
mais 
do 
que 
ele 
ao 
princpio 
queria. 
Suspeitava 
que, 
quando 
ele 
no 
a 
via, 
tomava 
liberdades 
com 
esse 
aspecto 
de 
sua 
personalidade. 
Em 
um 
momento 
de 
debilidade, 
deixou 
que 
ela 
liberasse 
a 
sua. 
Agora 
era 
muito 
tarde 
para 
ratificar. 
Tinha 
chegado 
o 
momento 
em 
que 
o 
protagonista 
a 
seduziria, 
mas 
a 
cena 
de 
cama 
no 
se 
estava 
desenvolvendo 
como 
Alex 
tinha 
previsto. 
Em 
alguma 
parte 
situada 
entre 
o 
crebro 
e 
o 
depois, 
os 
impulsos 
criativos 
tinham 
sido 
desviados 
como 
um 
comboio 
a 
uma 
zona 
morta. 
Uma 
fora 
alheia 
a 
ele 
estava 
mudando 
as 
agulhas. 
Supunha 
que 
o 
heri 
tinha 
que 
levantar 
a 
saia, 
arrancar 
as 
calcinhas, 
entrar, 
correr, 
sair 
e 
a 
deixar 
gritando 
insultos 
e 
ameaando 
dizer 
a 
um 
fulano, 
que 
ruim 
era 
seu 
livro. 
O 
heri, 
desdenhoso 
e 
sarcstico, 
devolvia 
insulto 
por 
insulto 
e 
ameaa 
por 
ameaa, 
e 
a 
abandonava 
na 
srdida 
habitao 
do 
motel 
com 
as 
calcinhas 
rasgadas 
e 
um 
sofoco 
orgsmico 
como 
mudos 
depoimentos 
de 
sua 
degradao 
moral. 
Em 
mudana, 
a 
cada 
vez 
que 
Alex 
tentava 
escrever 
a 
cena, 
seu 
olho 
mental 
a 
via 
de 
outro 
modo. 
O 
protagonista 
acariciava-a 
por 
baixo 
da 
saia 
e, 
em 
vez 
de 
arrancar 
as 
calcinhas, 
deslizava 
os 
dedos 
em 
seu 
interior. 
Toc-la 
ali 
punha 
em 
rbita 
ao 
pobre 
membro. 
Seguia 
fazendo 
um 
trabalhinho 
at 
not-la 
excitada 
e 
mida 
e 
s 
ento 
tirava 
as 
calcinhas. 
Uma 
vez 
dentro 
dela, 
no 
tinha 
nenhuma 
pressa 
em 
sair. 
A 
garota 
no 
era 
o 
que 
ele 
esperava; 
era 
mais 
suave, 
mais 
doce, 
mais, 
mais 
clida. 
O 
homem 
se 
negava 
a 
cumprir 
as 
ordens 
de 
Alex 
de 
meter 
at 
o 
fundo 
e 
acabar 
de 
uma 
vez. 
Aturdido 
pelas 
emoes 
que 
o 
assaltavam, 
e 
ao 
invs 
do 
que 
era 
seu 
costume, 
o 
heri 
levantava 
a 
cabea 
para 
a 
olhar. 
Uma 
lgrima 
deslizava 
pela 
bochecha 
da 
garota. 
Ele 
perguntava 
que 
ocorria. 
A 
estava 
machucado? 
A 
estava 
machucando? 
-Gritou 
a 
mente 
de 
Alex. 
De 
onde 
sau 
isso? 
Supe 
que 
o 
heri 
no 
se 
importasse 
se 
a 
estivesse 
machucando. 
No, 
no 
lhe 
fazia 
dano. 
Da 
nica 
forma 
que 
poderia 
machuc-la 
era 
se 
o 
dizia 
a 
seu 
fulano, 
o 
mau, 
e 
ele 
sim 
que 
lhe 
faria 
dano. 
Era 
vtima 
de 
contnuos 
maus 
tratos, 
dizia 
a 
garota. 
Achava 
que 
seguiria 
com 
esse 
repugnante 
baboso 
se 
tivesse 
outra 
sada? 
No. 
As 
circunstncias 
obrigavam-na 
a 
suport-lo.
Est 
uma 
droga!, 
pensava 
Alex. 
 
uma 
puta. 
 
que 
no 
te 
d 
conta, 
espantalho? 
Esto-te 
tomando 


o 
cabelo. 
Tm-te 
porra 
por 
partida 
dupla. 
O 
protagonista 
olhava 
seus 
lmpidos 
olhos 
azuis 
e 
adentrava 
mais 
na 
sedosa 
gruta, 
aspirando 
a 
fragancia 
do 
ondulado 
e 
ruivos 
cabelos... 
#
Um 
momento. 
Ela 
era 
loira! 
Loira 
oxigenada. 
Assim 
a 
tinha 
descrito 
na 
pgina 
16. 
Que 
tinha 
ocorrido 
entre 
a 
pgina 
16 
e 
a 
104 
para 
mudar 
a 
cor 
do 
cabelo 
e 
a 
personalidade? 
E 
desde 
quando 
empregava 
palavras 
como 
lmpidos 
e 
sedosa 
gruta? 
Desde 
que 
tinha 
perdido 
o 
controle 
do 
livro. 
O 
cursor 
seguia 
piscando. 
Alex 
levantou 
da 
cadeira 
e 
abandonou 
a 
mesa. 
Seus 
dedos 
se 
negavam 
a 
tocar 
as 
teclas 
necessrias 
e 
no 
tinha 
nada 
mais 
que 
falar. 
Bom, 
isto 
ocorria 
s 
vezes. 
Inclusive 
aos 
melhores 
escritores. 
At 
prmios 
Pulitzer, 
de 
vez 
em 
quando 
ficavam 
bloqueados. 
E 
no 
digamos 
o 
bom 
que 
teria 
sido 
As 
vinhas 
da 
ira 
se 
Steinbeck 
no 
tivesse 
tido 
lapsos 
criativos 
de 
vez 
em 
quando. 
Era 
provvel 
que 
Stephen 
King 
ficasse 
uns 
dias 
de 
descanso 
quando 
falhava 
a 
inspirao. 
Caminho 
da 
janela, 
Alex 
viu 
a 
garrafa 
de 
whisky 
quase 
vazia 
na 
prateleira, 
como 
se 
fizesse 
elis, 
elis. 
Ao 
sair 
de 
casa 
de 
Cat, 
ela 
o 
estava 
ameaando 
com 
o 
vaso 
de 
vidro 
emplomado. 
Sabia 
que 
seu 
furor 
estava 
mais 
que 
justificado 
e 
se 
encaminhou 
diretamente 
a 
uma 
loja 
de 
bebidas 
alcolicas. 
O 
primeiro 
gole 
soube 
a 
mil 
demnios. 
O 
segundo 
passou 
melhor. 
O 
terceiro 
e 
o 
quarto 
comeou 
a 
gostar. 
No 
recordava 
os 
seguintes. 
Tinha 
vomitado, 
mas 
no 
tinha 
nem 
a 
menor 
idia 
de 
onde. 
Acordou 
com 
a 
claridade, 
com 
vontades 
de 
mijar 
que 
era 
uma 
tortura, 
e 
seu 
flego 
teria 
derrubado 
um 
elefante. 
Estava 
to 
atordoado 
que 
nem 
sequer 
recordava 
como 
tinha 
chegado 
ao 
estacionamento 
dos 
armazenes 
Krnart. 
Era 
um 
milagre 
que 
no 
tivesse 
se 
matado 
ou 
tivesse 
atropelado 
algum 
enquanto 
conduzia. 
Por 
sorte 
ningum 
tinha 
chamado 
 
policia 
para 
denunciar 
um 
bbado 
que 
estava 
dormindo 
dentro 
do 
carro 
estacionado 
ao 
lado 
da 
zona 
de 
carroas 
de 
compra 
do 
supermercado, 
e 
tambm 
no 
tinham 
roubado 
sua 
carteira. 
Voltou 
a 
casa 
e 
libertou-se 
de 
um 
par 
de 
litros 
de 
urina. 
Aps 
se 
banhar 
e 
barbear-se, 
tomou 
vrias 
aspirinas 
at 
que 
os 
sons 
de 
tambores 
dentro 
da 
cabea 
desapareceram. 
Voltou 
a 
ler 
a 
documentao 
que 
tinha 
facilitado 
sua 
sada 
da 
clnica 
de 
desintoxicao 
e 
recitou 
a 
prece 
dos 
Alcolicos 
Annimos. 
Estava 
disposto 
a 
atirar 
o 
resto 
de 
whisky 
no 
ralo 
mas 
decidiu 
conserv-lo 
como 
recordao 
de 
que 
era 
reabilitado, 
de 
que 
um 
gole 
podia 
ser 
letal 
e 
de 
que 
as 
respostas 
no 
se 
encontram 
em 
uma 
garrafa. 
Se 
assim 
fora, 
j 
teria 
aniquilado 
as 
suas 
bestas 
negras 
a 
muito 
tempo 
atrs. 
Tinha 
bebido 
um 
mar 
de 
lcool 
buscando 
motivos 
pelos 
que 
pudesse 
ter 
ocorrido 
aquilo. 
Suas 
oraes 
ao 
Sumo 
Hacedor 
costumavam 
ser 
em 
forma 
de 
perguntas. 
Por 
que 
decidiste 
te 
fixar 
de 
repente 
em 
Alex 
Pierce? 
Por 
algo 
que 
fiz? 
Por 
algo 
que 
no 
fiz? 
Ele 
pagava 
seus 
impostos, 
contribua 
com 
seu 
dzimo 
ao 
Exrcito 
de 
Salvao 
e 
era 
considerado 
com 
os 
idosos. 
Se 
era 
pelo 
incidente 
do 
Quatro 
de 
Julho... 
tinha 
pedido 
perdo 
mil 
vezes. 
No 
podia 
ter 
mais 
remorsos 
dos 
que 
tinha. 
Tinha 
feito 
o 
que 
tinha 
que 
fazer. 
Mas, 
ao 
que 
parece, 
O 
no 
tinha 
atendido 
a 
seus 
pensamentos, 
como 
tambm 
no 
os 
tinham 
escutado 
seus 
superiores 
do 
departamento. 
Ao 
sentir-se 
abandonado 
pelo 
mesmo 
Deus, 
comeou 
a 
ceder 
 
presso. 
Seu 
estado 
de 
nimo 
estava 
pelos 
chos; 
e 
suas 
perspectivas 
ante 
a 
vida, 
nas 
cloacas. 
O 
lcool 
converteu-se 
em 
seu 
melhor 
amigo. 
Agora, 
Arnie 
era 
seu 
nico 
amigo. 


#
Arnie. 
Nesse 
momento, 
suas 
mos 
desejavam 
agarrar 
o 
pescoo 
de 
Arnie. 
Seu 
bem 
intencionado 
agente 
o 
tinha 
aconselhado 
a 
ser 
sincero 
com 
Cat. 
O 
resultado 
foi 
que 
ela 
quase 
o 
deixa 
descerebrado 
com 
um 
vaso. 
No 
importa 
o 
que 
afirmem 
as 
mulheres, 
pensou; 
Na 
verdade, 
no 
querem 
saber 
a 
verdade. 
No 
teria 
sido 
mais 
fcil 
para 
ambos 
seguir 
se 
deitando, 
aceitar 
o 
prazer 
que 
isso 
proporcionava 
e 
deixar 
o 
resto 
nas 
mos 
do 
destino? 
Mas, 
segundo 
disse 
Arnie, 
isso 
seria 
um 
comportamento 
imbecil. 
Amaldioando, 
apoiou 
a 
frente 
na 
janela. 
Cat 
o 
tinha 
tirado 
a 
vontade 
de 
comer, 
de 
dormir, 
de 
controlar-se 
e 
de 
trabalhar. 
Temia 
repensar 
sobre 
o 
porque; 
agora 
suspeitava 
de 
seu 
instinto. 
Quanto 
mais 
tentava 
esclarecer 
as 
coisas, 
mais 
se 
complicavam. 
S 
tinha 
uma 
certeza: 
desde 
sua 
discusso 
com 
Cat, 
no 
tinha 
sido 
capaz 
de 
escrever 
nem 
uma 
s 
linha 
aceitvel. 
Sua 
relao 
sexual 
com 
ela 
tinha 
sido 
a 
melhor 
de 
sua 
vida. 
E 
isso 
era 
o 
que 
lhe 
carcoma 
e 
agora 
estava 
convertendo 
sua 
novela 
em 
uma 
droga. 
Decidido 
a 
recuperar 
o 
controle 
da 
situao 
antes 
de 
se 
ver 
obrigado 
a 
devolver 
o 
adiantamento 
 
editora, 
voltou 
ao 
computador. 
J 
que 
a 
cena 
no 
estava 
saindo 
como 
tinha 
previsto, 
deixaria 
que 
seguisse 
seu 
caminho 
e 
veria 
aonde 
conduzia. 
Que 
mais 
dava? 
No 
estava 
esculpindo 
as 
palavras 
em 
pedra. 
Vantagens 
do 
computador. 
Que 
maricas 
 
murmurou 
ao 
comear 
a 
digitar 
com 
seu 
rpido 
sistema: 
a 
dois 
dedos. 
Depois 
de 
escrever 
uma 
hora 
sem 
parar, 
j 
tinha 
cinco 
pginas. 
Devem 
estar 
boas, 
pensou 
confiante. 
Tinha 
o 
pnis 
to 
duro 
que 
poderia 
furar 
uma 
parede 
com 
ele. 



Captulo 
trinta 
e 
um 


-Pelo 
que 
vejo 
voc 
voltou 
novinha 
em 
folha. 
Sherry 
Parks 
sentou-se 
na 
frente 
de 
Cat. 
Jeff 
ocupou 
a 
outra 
cadeira 
e 
disse:
 
verdade? 
Fazia 
tempo 
que 
merecia 
umas 
frias. 
Foi 
muito 
bom 
 disse 
Cat 
Comi 
trs 
vezes 
ao 
dia, 
dormi 
at 
to 
tarde 
que 
era 
uma 
vergonha 
e 
caminhei 
pela 
praia. 
Em 
poucas 
palavras: 
portei-me 
como 
uma 
preguiosa. 
No 
tanto. 
Um 
passeio 
pela 
praia 
pode 
ser 
esgotador 
 comentou 
Sherry. 
J 
estava 
cansada 
ao 
terminar 
de 
me 
vestir. 
A 
gente 
tira 
a 
roupa 
na 
praia, 
mas 
eu 
tenho 
que 
me 
tampar. 
Devido 
 
medicao 
era 
muito 
sensvel 
s 
queimaduras 
solares. 
Voltando 
ao 
trabalho, 
abriu 
o 
expediente 
que 
Jeff 
deixou 
em 
cima 
da 
mesa. 
A 
foto 
a 
impressionou. 
Que 
menino 
lindo! 
Sherry 
estava 
de 
acordo. 
Sim. 
Michael 
 
uma 
preciosidade. 
Tem 
trs 
anos 
e 
nesta 
semana 
o 
Servio 
de 
Assistncia 
 


#
Infncia 
o 
colocou 
em 
um 
orfanato. 
Em 
que 
circunstncias? 
perguntou 
Cat. 
Seu 
pai 
 
um 
homem 
encantador 
que 
se 
chama 
George 
Murphy 
Ao 
que 
parece 
 
um 
suposto 
pedreiro 
incapaz 
de 
manter 
um 
posto 
de 
trabalho 
devido 
a 
seu 
temperamento 
e 
ao 
consumo 
de 
drogas. 
Despedem-no 
depois 
de 
dois 
dias. 
A 
famlia 
vive 
do 
auxilio 
desemprego 
e 
do 
pouco 
que 
a 
me 
contribui. 
Murphy 
maltrata-os? 
Segundo 
os 
vizinhos, 
sim. 
Tm 
chamado 
vrias 
vezes 
 
policia 
para 
denunciar 
brigas 
domsticas. 
Prenderam-no, 
mas 
ela 
no 
apresenta 
denncia 
porque 
ele 
a 
aterroriza 
 
explicou 
Sherry. 
No 
ms 
passado, 
a 
assistente 
social 
levou 
Michael, 
mas 
o 
devolveu 
a 
sua 
me 
quando 
Murphy 
foi 
detido 
por 
porte 
de 
drogas. 
Por 
desgraa, 
soltaram-no 
por 
falta 
de 
provas. 
Que 
de 
sorte 
 comentou 
Cat. 
 
o 
que 
pensaria 
qualquer, 
mas 
ele 
no 
toma 
jeito. 
Seus 
arranques 
de 
violncia 
so 
a 
cada 
vez 
piores 
e 
mais 
freqentes. 
E 
de 
repente, 
ataca 
mais 
ao 
menino 
que 
 
me. 
Na 
semana 
passada, 
Michael 
caiu. 
Passou 
por 
raios 
X 
na 
sala 
de 
urgncias, 
mas 
o 
liberaram 
porque 
no 
tinha 
nenhum 
osso 
rompido. 
Anteontem, 
sua 
me 
levou-o 
ao 
hospital 
de 
novo. 
Murphy 
o 
tinha 
jogado 
contra 
a 
parede. 
O 
menino 
era 
incapaz 
de 
chorar 
e 
sua 
me 
achou 
que 
tinha 
leses 
cerebrais 
irrecuperveis. 


 
E 
 
assim? 
No, 
s 
se 
tratava 
de 
uma 
concusso. 
Os 
mdicos 
o 
mantiveram 
em 
observao 
durante 
a 
noite 
e 
ontem 
entregaram 
ao 
Servio, 
que 
o 
ingressou 
em 
um 
orfanato. 
Como 
est? 
Chora 
e 
quer 
sua 
me, 
mas 
porta-se 
muito 
bem, 
j 
que 
mal 
tem 
meios 
de 
estabelecer 
comunicao. 
Esta 
manh 
disse 
que 
gostaria 
de 
comer 
uma 
banana 
aps 
os 
cereais, 
mas 
no 
sabia 
como 
se 
chamava. 
Pobre 
criana 
 
sussurrou 
Jeff. 
Est 
to 
aterrorizado 
por 
seu 
pai 
que 
no 
se 
atreve 
a 
falar 
 
acrescentou 
Sherry 
com 
tristeza. 
Cat 
voltou 
a 
olhar 
a 
foto. 
O 
menino 
tinha 
o 
cabelo 
escuro; 
os 
olhos, 
grandes, 
azuis 
e 
expressivos, 
e 
longas 
pestanas. 
Os 
lbios 
eram 
grossos 
e 
marcados 
por 
covinhas. 
Uma 
preciosidade 
com 
traos 
quase 
femininos. 
Todos 
os 
meninos 
lhe 
interessavam: 
sem 
ter 
em 
conta 
a 
raa, 
a 
idade 
ou 
o 
sexo. 
Sentia-se 
solidaria 
com 
eles 
e 
tolerava 
inclusive 
aos 
que 
pior 
se 
comportavam. 
O 
mau 
comportamento 
era, 
no 
geral, 
o 
termmetro 
do 
nvel 
de 
maus 
tratos 
que 
tinham 
sofrido. 
Suas 
vidas 
comoviam, 
enfureciam 
e, 
s 
vezes, 
faziam 
envergonhar-se 
de 
pertencer 
 
raa 
humana, 
que 
tanto 
dor 
causava 
a 
inocentes. 
Mas 
esse 
rosto 
tinha-a 
fascinado 
sem 
saber 
por 
que. 
Querido 
que 
prestasse 
ateno 
neste 
caso 
 disse 
Sherry 
Parece 
que 
podemos 
incluir 
no 
programa. 
Sua 
me 
adora-o, 
mas 
est 
dominada 
pelo 
medo 
a 
Murphy. 
Temo 
que 
no 
vai 
se 
opr 
para 
proteger 
Michael, 
e 
s 
Deus 
sabe 
o 
que 
deve 
estar 
suportando 
essa 
pobre 
mulher. 
J 
conheci 
outros 
tipos 
como 
ele: 
so 
capazes 
de 
destroar 
qualquer 
um, 
fsica 
E 
emocionalmente. 
O 
caso 
 
que 
desta 
vez 
vo 
a 
incriminar 
a 
ambos 
por 
maus 
tratos 
a 
um 
menor. 
O 
advogado 
de 
oficio, 
mal 
pago, 
com 
trabalho 
at 
as 
orelhas 
e 
que 
cobra 
por 
caso 
fechado, 
j 
est 
pedindo 
um 
#
acordo 
para 
no 
chegar 
a 
julgamento. 
Jeff 
interveio 
dizendo: 
Se 
declararo 
culpados 
de 
um 
cargo 
menor 
em 
troca 
de 
perder 
a 
custodia 
do 
menino. 
Ocorria 
com 
freqncia. 
Alguns 
pais 
cediam 
a 
seus 
filhos 
se 
podiam 
acolher 
a 
uma 
reduo 
de 
condenao. 
Por 
estranho 
que 
pudesse 
parecer 
s 
vezes 
era 
isso 
o 
nico 
que 
se 
importavam. 
Sberry 
olhou 
a 
Jeff 
e 
disse: 
Acho 
que 
nem 
ligam. 
Murphy 
aproveitar 
a 
oportunidade 
de 
livrar 
do 
menino 
e, 
tendo 
em 
conta 
que 
as 
prises 
esto 
cheias, 
 
provvel 
que 
cumpra 
s 
uma 
parte 
da 
condenao. 
Inclusive 
 
possvel 
que 
fique 
livre 
porque 
a 
condenao 
seja 
menor 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
j 
tem 
cumprido. 
Uma 
ganga 
para 
ele. 
Mas 
uma 
tragdia 
para 
a 
me 
do 
menino 
 afirmou 
Cat. 
Se 
esse 
menino 
fosse 
seu, 
mataria 
a 
qualquer 
que 
tentasse 
lev-lo; 
Mas 
no 
podia 
julgar 
a 
outra 
mulher. 
O 
medo 
era 
um 
fator 
muito 
importante. 
E 
tambm 
o 
amor. 
Se 
quer 
seu 
filho 
tanto 
como 
parece, 
 
possvel 
que 
tenha 
optado 
pelo 
ceder 
a 
adoo. 
E, 
depois, 
ser 
o 
melhor 
para 
ele. 
Sherry 
fez 
uma 
pausa, 
mas 
prosseguiu: 
O 
programa 
encontrar 
um 
lar 
para 
ele, 
mas 
por 
enquanto 
necessita 
do 
contato 
com 
outros 
meninos. 
Pensei 
que 
seria 
bom 
lev-lo 
ao 
piquenique. 
A 
Um 
piquenique? 
Jeff 
tossiu 
e 
esboou 
um 
sorriso 
tmido. 


 
Aguardava 
a 
sua 
volta 
para 
te 
dizer. 
Cat 
estava 
esperando 
uma 
explicao. 
Nancy 
Webster 
tem 
se 
metido 
entre 
sobrancelha 
e 
sobrancelha. 
Chamou 
ao 
menos 
uma 
dzia 
de 
vezes 
enquanto 
estava 
fora. 
No 
disse 
o 
senhor 
Webster 
que 
quando 
pede 
algo 
se 
converte 
em 
um 
rolo 
compressor? 
 
Algo 
semelhante. 
 
Pois 
conhece 
muito 
bem 
a 
sua 
mulher. 
Nancy 
me 
explicou 
que 
se 
demora 
meses 
para 
se 
organizar 
uma 
arrecadao 
de 
fundos 
como 
 
devido. 
De 
modo 
que, 
enquanto, 
convidou 
alguns 
contribuintes 
a 
uma 
pequena 
festa. 
Este 
fim 
de 
semana. 
 
Este 
fim 
de 
semana! 
Perguntei 
por 
que 
Tanta 
pressa 
para 
este 
fim 
de 
semana, 
ela 
disse 
no 
havia 
nenhum 
acontecimento 
social, 
mas 
nos 
prximos 
meses 
o 
estaria 
lotado. 
Portanto, 
 
agora 
ou 
nunca. 
Cat 
suspirou. 
Boas-vindas 
ao 
furaco, 
Cat. 
Na 
verdade 
no 
tirar 
muito 
seu 
tempo. 
S 
tem 
que 
comparecer 
ali 
no 
sbado. 
Eu 
j 
anunciei 
aos 
meios 
de 
comunicao 
e 
Sherry 
contou 
a 
meu 
SOS. 
Tem 
feito 
os 
preparativos 
para 
recolher 
aos 
meninos. 
Inclundo 
os 
que 
j 
foram 
adotados? 
perguntou 
Cat 
 
 
importante 
que 
assistam 
como 
depoimento 
palpvel 
de 
nossos 
sucessos. 
Mais 
ainda 
tendo 
em 
conta 
a 
publicidade 
negativa 
com 
que 
nos 
obsequiou 
Truitt 
aps 
a 
morte 
de 
Chantal. 
Jeff 
e 
eu 
j 
pensamos 
nisso. 
Inclumos 
a 
famlias 
adotivas 
e 
a 
casais 
que 
tm 
apresentado 
#
solicitaes 
de 
adoo. 
Nancy 
disse 
que 
no 
tinha 
limite 
no 
nmero 
de 
convidados 
sempre 
que 
antes 
da 
quinta-feira 
lhe 
dissssemos 
aproximadamente 
quantos 
seriam 
para 
fazer 
seus 
clculos. 
Ter 
churrasco 
para 
os 
adultos 
e 
cachorro-quentes 
para 
os 
meninos. 
Nancy 
pensa 
em 
tudo 
 comentou 
Cat 
com 
ironia.
Inclusive 
contratou 
uma 
banda 
de 
msica 
country 
de 
Austin. 
 
possvel 
que 
na 
ltima 
hora 
chegue 
Willie 
Nelson, 
mas 
no 
 
seguro. 
Willie 
Nelson? 
Deves 
de 
estar 
caoando. 
Em 
absoluto. 


 
E 
ter 
tudo 
isto 
organizado 
para 
o 
sbado? 
Essa 
senhora 
 
capaz 
de 
qualquer 
coisa. 
Sherry 
levantou 
para 
sair. 
A 
todos 
nos 
faz 
muita 
iluso 
e 
sou 
f 
de 
Willie 
Nelson 
ainda 
que 
use 
tranas 
e 
colares. 
Aps 
despedir 
a 
Sherry, 
Jeff 
deu-lhe 
os 
ltimos 
detalhes. 
Como 
v, 
no 
tem 
que 
fazer 
grande 
coisa. 
 
E 
se 
tivesse 
prolongado 
minhas 
frias? 
O 
que 
mais 
teria 
perdido? 
Nancy 
j 
pensei 
nisso. 
Ela 
ia 
enviar 
um 
avio 
particular 
e, 
depois, 
devolv-la 
 
Califrnia. 
O 
dinheiro 
no 
s 
fala: 
grita.
 
o 
que 
dizem. 
Jeff 
recolheu 
os 
expedentes, 
ps-lhos 
sob 
o 
brao. 
Chefa, 
est 
de 
timo 
aspecto. 
No 
 
um 
elogio. 
Obrigado. 
Pensei 
muito, 
mas 
dediquei-me 
mais 
a 
descansar. 
No 
estava 
decidida 
a 
lhe 
falar 
do 
terceiro 
recorte, 
Mas 
chegou 
 
concluso 
de 
que 
se 
j 
tinha 
confiado 
nele 
tinha 
que 
saber 
os 
ltimos 
acontecimentos. 
Jeff 
mostrou 
seu 
enojo. 
Que 
diabos 
 
esta 
droga? 
No 
sei. 
E 
Dean 
tambm 
no 
sabe 
que 
pensar. 
Voc 
j 
falou 
com 
o 
senhor 
Webster? 


 
No, 
mas 
penso 
o 
fazer. 
Se 
aparece 
por 
aqui 
algum 
tarado 
e 
comea 
a 
disparar, 
Bill 
tem 
que 
estar 
prevenido. 
Isso 
poderia 
pr 
em 
perigo 
a 
segurana 
da 
emissora. 
No 
acho 
que 
chegue 
a 
tanto. 
-Eu 
tambm 
no. 
Tenho 
a 
impresso 
de 
que 
esse 
indivduo 
seria 
bem 
mais 
sutil. 
Ento 
fez 
ver 
a 
coincidncia 
de 
datas 
nas 
mortes 
acidentais. 
 
como 
um 
enigma 
que 
quisesse 
que 
eu 
resolvesse. 
E 
quando 
foi 
teu...? 
Faltam 
poucas 
semanas 
para 
o 
quarto 
aniversrio 
de 
meu 
transplante. 
Cu 
santo, 
Cat, 
isto 
j 
deixou 
de 
ser 
uma 
piada 
de 
mau 
gosto. 
Os 
recortes 
podem 
ser 
ameaas 
diretas. 
No 
achas 
que 
chegou 
o 
momento 
de 
ir 
 
policia? 
Dean 
disse 
o 
mesmo, 
mas 
enquanto 
no 
existam 
ameaas 
reais, 
que 
podem 
fazer? 
No 
sabemos 
quem 
 
a 
pessoa 
que 
envia 
os 
recortes. 
Mas 
seguro 
que 
podem 
fazer 
algo. 
#
Pensei 
muito 
nisso. 
Posso 
contar 
com 
tua 
ajuda? 
No 
deveria 
perguntar. 
Obrigado. 
Ligue 
ao 
arquivo 
destes 
jornais 
e 
pede 
cpias 
de 
todos 
os 
artigos 
relacionados 
com 
estes 
casos. 
Se 
tiver 
mais 
informao 
sobre 
estes 
acidentes 
mortais, 
quero 
l-la. 
Busca 
algo 
concreto? 
No. 
Gostaria 
de 
saber 
se 
abriram 
investigaes 
em 
resultado 
das 
mortes, 
Ou 
se 
publicaram 
notas 
biogrficas 
sobre 
as 
vtimas 
Esse 
tipo 
de 
coisas. 


Em 
pessoa 
era 
inclusive 
mais 
lindo. 
Quando 
Cat 
o 
viu 
ficou 
pasmada 
Tinha 
o 
cabelo 
negro 
e 
rebelde. 
Levava 
camisa 
texana, 
jeans 
e 
botas 
lustrosas. 
Cat 
se 
ajoelhou 
diante 
dele. 
O 
menino 
tinha 
o 
dedo 
ndice 
na 
boca. 
Ol 
Michael. 
Meu 
nome 
 
Cat. 
Me 
Alegra 
em 
conhec-lo. 
Sherry 
levava 
ao 
menino 
da 
mo. 
Eu 
Tinha 
que 
vir. 
Foi 
o 
que 
a 
me 
do 
orfanato 
me 
disse. 
Sherry 
moveu 
negativamente 
a 
cabea: 
a 
contrasenha 
lembrada 
com 
Cat 
para 
dizer 
que 
Michael 
no 
se 
adaptava 
 
convivncia 
com 
outros 
meninos.
 
a 
senhora 
que 
comprou 
a 
roupa 
nova 
para 
voc, 
Michael, 
deveria 
lhe 
agradecer. 
O 
menino 
no 
tirava 
seus 
olhos 
do 
cho. 
No 
importa 
 
disse 
Cat 
Me 
agradecer 
em 
outra 
hora. 
Ainda 
no 
comi 
nada. 
Vamos 
comer 
um 
cachorro-quente? 
O 
pequeno 
levantou 
a 
cabea 
e 
olhou-a 
sem 
expresso 
em 
seus 
olhos 
azuis, 
como 
se 
no 
entendesse 
nada. 
Cat 
estendeu 
a 
mo. 
Michael 
pensou 
antes 
de 
tirar 
o 
dedo 
da 
boca 
e 
aceitar 
o 
convite. 
Bem, 
Sherry: 
depois 
nos 
reuniremos 
contigo. 
Cat 
adaptou 
seu 
passo 
ao 
de 
Michael. 
Gosto 
muito 
destas 
botas. 
So 
como 
as 
minhas, 
v? 
Parou 
e 
mostrou 
suas 
botas 
de 
cowboy. 
Tinha-as 
comprado 
em 
uma 
boutique 
de 
Rodeio 
Drive, 
em 
Beverly 
Hills, 
mas 
Michael 
no 
notaria 
a 
diferena. 
O 
menino 
comparou 
umas 
com 
outras 
e 
fez 
uma 
careta 
que 
parecia 
um 
sorriso. 
Cat 
tomou-o 
como 
sinal 
alentador 
e 
apertou 
a 
mo. 
Vamos 
ser 
bons 
amigos. 
O 
churrasco 
acontecia 
nos 
jardins. 
A 
banda 
de 
msica 
tocava 
na 
rotunda 
situada 
a 
orlas 
do 
lago, 
onde 
os 
patos 
comiam 
migalhas 
de 
po 
lanadas 
pelos 
meninos. 
O 
ar 
estava 
impregnado 
do 
suculento 
aroma 
a 
carne 
assada. 
Embaixo 
das 
rvores 
tinham 
instalado 
mesas 
com 
mantas 
de 
quadros 
brancos 
e 
vermelhos. 
Animadores 
e 
palhaos 
circulavam 
entre 
a 
multido 
repartindo 
bales 
e 
caramelos, 
e 
trs 
jogadores 
dos 
Dallas 
Cowboys 
davam 
autgrafos 
em 
bolas 
infantis. 
As 
cabeas 
de 
dois 
membros 
da 
equipe 
de 
basquete 
local 
destacavam 
acima 
de 
todas 
as 
demais. 
Aps 
apanhar 
os 
pratos, 
Cat 
e 
Michael 
sentaram-se 
a 
uma 
das 
mesas. 
Enquanto 
comiam 
os 
cachorros-quentes, 
ela 
o 
sondou 
em 
busca 
de 
alguma 
resposta, 
mas 
Michael 
no 
dizia 
nada, 
nem 
sequer 
quando 
o 
apresentou 
a 
Jeff, 
que 
era 
irresistvel 
para 
os 
meninos. 
Estava 
a 
vrios 
passos 
praa 


#
traz 
ao 
irem 
para 
o 
lago. 
Jeff 
convidou-o 
a 
acompanh-los 
a 
dar 
de 
comer 
aos 
patos, 
mas 
o 
menino 
negou 
com 
a 
cabea 
e 
Cat 
no 
pressionou. 
No 
obstante, 
deu-se 
conta 
de 
que 
alguma 
outra 
coisa 
tinha 
chamado 
a 
sua 
ateno. 
Seguiu 
a 
direo 
de 
seu 
olhar 
absorto. 
Ah, 
gosta 
dos 
cavalos. 
Quer 
montar? 
Olhou-a 
sem 
responder, 
mas 
seus 
olhos 
mostravam 
um 
fio 
de 
curiosidade. 


 
Vamos 
v-los 
de 
perto. 
Limpou 
a 
boca 
com 
um 
guardanapo 
de 
papel, 
pegou 
a 
mo 
do 
menino 
e 
andaram 
para 
o 
recinto 
fechado 
onde 
quatro 
pneis 
caminhavam 
em 
crculo, 
um 
por 
trs 
de 
outro. 
Ao 
chegar 
ali, 
Cat 
notou 
a 
preveno 
de 
Michael 
e 
deu-lhe 
tempo 
para 
que 
se 
acostumasse. 
Observaram 
aos 
animais 
e, 
quando 
desmontou 
o 
terceiro 
grupo 
de 
quatro 
meninos, 
Michael 
a 
olhou 
fixamente. 
Quer 
montar? 
O 
menino 
assentiu. 
V 
adiante. 
Cat 
abriu 
a 
grade 
e 
entraram 
na 
pista. 
Michael 
escolheu 
o 
menor 
pnei. 
Tambm 
 
meu 
favorito: 
 
o 
que 
tem 
a 
crina 
e 
a 
fila 
mais 
bonitas. 
Parece 
que 
ele 
tambemgostou 
de 
voce; 
estava 
te 
olhando 
de 
relance. 
Michael 
sorriu 
e 
Cat 
sentiu 
uma 
grande 
alegria. 
Um 
homem 
vestido 
de 
cowboy 
ajudava 
aos 
outros 
meninos 
a 
montar. 
Cat 
inclinou-se 
para 
subir 
ao 
menino 
 
cadeira. 
Deixa 
que 
eu 
fao 
isso. 
Ele 
deve 
pesar 
mais 
do 
que 
parece. 
Umas 
mos, 
das 
que 
conhecia 
muito 
bem 
o 
aspecto 
e 
o 
tato, 
a 
tiraram 
a 
um 
lado, 
apanharam 
a 
Michael 
e 
o 
depositaram 
na 
sela. 
Bom, 
garoto, 
aqui 
esta 
as 
rdias. 
Segure-as 
assim 
 disse 
Alex. 
Mostrou-lhe 
a 
forma 
de 
faz-lo 
e, 
a 
seguir, 
apoiou 
ambas 
mos 
no 
pomo 
da 
sela. 
Agora 
pensa 
que 
j 
fez 
isso 
outras 
vezes 
 
dando 
uma 
amistosa 
palmada 
no 
ombro. 
Tudo 
bem? 
O 
encarregado 
comprovou 
que 
Michael 
estivesse 
bem 
sentado 
na 
sela. 
Cat 
ps 
uma 
mo 
na 
pantorrilla. 
Michael, 
est 
pronto? 
O 
menino 
assentiu 
com 
a 
cabea. 
Te 
esperarei 
a. 
Saiu 
da 
pista 
e 
saudou-o 
com 
a 
mo. 
O 
encarregado 
fez 
chasquear 
a 
boca 
e 
os 
quatro 
pneis 
comearam 
a 
caminhar. 
A 
princpio 
a 
cara 
do 
menino 
mostrou 
terror, 
mas 
este 
desapareceu 
cedo. 
Olhava 
a 
Cat 
pela 
ponta 
do 
olho, 
com 
medo 
de 
mover 
a 
cabea. 
Ela 
sorriu, 
alentadora, 
e 
no 
deixou 
de 
olhar 
nem 
quando 
Alex 
se 
ps 
a 
seu 
lado. 
Um 
menino 
precioso. 
O 
que 
est 
fazendo 
aqui, 
Alex? 
#
Convidaram-me. 
 
um 
ato 
social 
que 
podia 
ter 
recusado. 
Vim 
porque 
queria 
contribuir 
com 
os 
meninos 
de 
Cat. 
No 
me 
digas.
 
verdade. 
Por 
que 
no 
enviou 
um 
cheque? 
Porque 
queria 
ver-te. 
Ela 
deu 
a 
volta 
para 
o 
olhar 
diretamente 
aos 
olhos. 
O 
que 
foi 
um 
erro, 
j 
que 
estava 
mais 
atraente 
que 
nunca. 
Foram 
a 
sua 
mente 
imagens 
que 
queria 
ter 
apagado. 
Desviou 
os 
olhos 
para 
Michael. 
Pois 
perdeu 
seu 
tempo. 
No 
recordas 
o 
ltimo 
que 
te 
disse? 
Que 
deixasse 
de 
fod-la. 


Cat 
baixou 
a 
cabea 
e 
emitiu 
uma 
pequena 
risada. 
No 
acho 
que 
utilizei 
essas 
palavras, 
mas 
a 
mensagem 
era 
a 
mesma. 
Tentei 
pr-me 
em 
contato 
contigo 
dzias 
de 
vezes. 
Onde 
esteve? 
Fui 
a 
Califrnia. 
A 
chorar 
sobre 
o 
ombro 
do 
doutor? 
Dean 
 
um 
amigo 
leal. 
Que 
comovedor. 
Com 
ele 
sei, 
ao 
menos, 
onde 
estou. 
Claro 
que 
sim. 
E 
eu 
tambm. 
Ests-lhe 
agradecida 
e 
o 
idiotas 
aproveita-se 
disso. 
No 
 
nenhum 
idiota; 
e 
minha 
relao 
com 
ele... 
Estavam 
nos 
olhando; 
algumas 
pessoas 
com 
sorrisos 
de 
complicidade 
Quem 
tinham 
assistido 
quele 
jantar 
de 
Nancy 
Webster 
na 
que 
ele 
era 
seu 
acompanhante, 
deviam 
pensar 
que 
tinham 
um 
romance. 
No 
querendo 
dar 
o 
espetculo, 
Cat 
sorriu 
e 
voltou 
a 
centrar 
sua 
ateno 
em 
Michael, 
quem 
agora 
j 
se 
atrevia 
a 
balanar 
nas 
costas 
do 
pnei, 
imitando 
ao 
garoto 
que 
montava 
sobre 
o 
animal 
que 
os 
precedia. 
V 
embora, 
Alex 
-disse 
ela 
baixinho 
Voc 
Deixou 
clara 
a 
sua 
posio 
e 
eu 
a 
minha. 
J 
no 
temos 
nada 
mais 
que 
nos 
dizer. 
Temo 
que 
no 
seja 
to 
fcil 
assim, 
Cat. 
Charlie 
e 
Irene 
Walters 
querem 
conhec-la 
E 
no 
demoraro 
em 
chegar. 
Prometi 
que 
os 
apresentaria 
eu 
mesmo. 
Foi 
muita 
bondade 
de 
sua 
parte 
os 
convidar. 
Como 
nossa 
primeira 
entrevista 
no 
pde 
acontecer 
pensei 
que, 
ao 
menos, 
tinha 
que 
lhes 
fazer 
chegar 
um 
convite 
pessoal. 
Tambm 
me 
disseram 
que 
algum 
da 
agncia 
os 
chamou 
para 
fixar 
outra 
entrevista. 
Tambm 
crdito 
seu? 


 
Sherry 
pensava 
que 
eram 
candidatos 
idneos 
para 
uma 
adoo 
e 
ficou 
desiludida 
quando 
expliquei 
o 
mal 
entendido. 
Seguro 
que 
no 
os 
descartou. 
 
Mas 
tu 
falaste 
em 
seu 
favor. 
Cat 
deu 
de 
ombros. 
#
Obrigado. 
Deu 
a 
volta, 
quase 
incapaz 
de 
conter 
sua 
raiva: 
-Tu 
no 
tem 
que 
me 
agradecer 
de 
nada. 
No 
o 
fiz 
por 
voc, 
seno 
pelos 
Walters. 
Tal 
e 
como 
me 
disse 
na 
manh 
em 
que 
nos 
conhecemos, 
no 
deviam 
julg-los 
pelas 
amizades 
que 
tenham. 
Estarei 
encantada 
de 
conhec-los 
quando 
cheguem, 
mas 
queri 
que 
voc 
suma. 
Agora 
desculpa, 
mas 
o 
passeio 
a 
cavalo 
terminou 
e 
tenho 
que 
recolher 
Michael. 
Passou 
por 
diante 
de 
Alex 
e 
entrou 
na 
pista. 



Captulo 
trinta 
e 
dois 


Alex 
deixou-a 
sair. 
Compreendia 
sua 
posio, 
e 
mais 
ainda 
em 
uma 
festa 
onde 
tudo 
o 
que 
dissesse 
e 
fizesse 
poderia 
ocasionar 
publicidade 
negativa. 
Assim 
que 
Cat 
recolheu 
Michael, 
Nancy 
a 
instado 
a 
ir 
 
glorieta, 
onde 
j 
tinha 
uma 
multido 
congregada. 
Alex 
captou 
a 
mensagem: 
tinha 
chegado 
Willie 
Nelson. 
Cantou 
umas 
quantas 
baladas 
e 
Cat, 
como 
convidada 
de 
honra, 
teve 
que 
ficar 
no 
estrado. 
Tinha 
a 
Michael 
sobre 
os 
joelhos 
e 
inclusive 
conseguiu 
que 
desse 
palmadas 
compassadas. 
Foi 
com 
ele 
ao 
microfone 
para 
agradecer 
a 
presena 
dos 
assistentes 
e 
sua 
contribuio 
para 
ajudar 
aos 
meninos. 
Quando 
Wille 
terminou 
sua 
atuao, 
Cat 
se 
acercou 
para 
lhe 
agradecer 
e 
riu 
com 
alguma 
de 
suas 
ocorrncias. 
Alex 
sentia 
umas 
fisgadas 
inexplicveis. 
O 
cantor 
saiu 
com 
seu 
squito, 
um 
monto 
de 
esfarrapados 
com 
aspecto 
de 
ter 
sido 
encontrado 
em 
uma 
praia 
duas 
semanas 
aps 
o 
naufrgio. 
Alex 
observou, 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
Cat, 
que 
Michael 
fechava 
as 
pernas 
e 
movia 
os 
ps. 
Cat 
agachou-se 
e 
disse-lhe 
algo 
ao 
ouvido. 
O 
menino 
assentiu. 
Segurando 
sua 
mo, 
entraram 
na 
casa. 
Alex 
seguiu 
os 
seus 
passos. 
Longe 
de 
espectadores, 
talvez 
pudessem 
chegar 
a 
um 
entendimento. 
Tentaria 
que 
ela 
aceitasse 
encontr-lo 
mais 
tarde. 
Talvez 
pensasse 
que 
sua 
efmera 
relao 
tinha 
terminado, 
mas 
estava 
equivocada. 
Vagou 
pelo 
salo, 
simulando 
jogar 
uma 
olhada 
s 
figuritas 
de 
porcelana 
enquanto 
esperava 
cortar 
o 
passo 
quando 
sasse 
com 
Michael 
do 
servio. 
Amaldioou 
para 
seus 
adentros 
ao 
ver 
que 
Bill 
Webster 
se 
adiantava. 


 
Cat! 
Ainda 
bem 
que 
tive 
sorte. 
No 
te 
vi 
em 
toda 
a 
tarde. 
 
Ol 
Bill. 
Apresento-te 
a 
Michael. 
Tinha 
que 
fazer 
xixi 
e 
tinha 
fila 
nos 
banheiros 
portteis. 
Pensei 
que 
no 
se 
importaria 
que 
usssemos 
um 
da 
casa. 
 
Por 
suposto 
que 
no. 
Quando 
um 
jovenzinho 
tem 
uma 
urgncia 
no 
pode 
esperar. 
Bem, 
que 
te 
parece 
a 
festa? 
 
Uma 
maravilha 
 
confirmou 
 
No 
me 
explicou 
como 
Nancy 
pode 
organizar 
tudo 
to 
rpido. 
 
No 
 
nada 
comparado 
com 
a 
que 
tem 
em 
perspectiva 
para 
a 
primavera. 
 
No 
posso 
imaginar. 
Alex 
divisou 
as 
sonrridentes 
expresses 
de 
Cat. 
Mas 
no 
pde 
ouvir 
o 
que 
dizia. 
 
Bill 
eu 
preciso 
falar 
contigo 
sobre 
algo 
que 
me 
parece 
importante. 
Podes 
dedicar-me 
cinco 
#
minutos 
na 
segunda-feira 
a 
primeira 
hora? 


 
Teu 
tom 
de 
voz 
inquieta-me; 
e 
no 
me 
esqueo 
de 
que 
voltou 
da 
Califrnia. 
No 
estars 
pensando 
em 
nos 
deixar? 
No. 
 
Qual 
 
o 
problema? 
 
Pode 
esperar 
at 
a 
segunda-feira. 
Me 
desculpe, 
Cat, 
mas 
na 
segunda-feira 
estarei 
em 
Saint 
Louis, 
em 
uma 
reunio 
de 
diretores. 
Vou-me 
manh 
pela 
noite 
e 
no 
voltarei 
at 
a 
quinta-feira. 
Suponho 
que 
posso 
esperar 
at 
ento. 
No 
sejas 
to 
comedida. 
Se 
pensas 
que 
 
algo 
srio...
 
que 
no 
sei. 
Queria 
saber 
tua 
opinio. 
Dispomos 
de 
cinco 
minutos. 
Vamos 
a 
meu 
escritrio. 
No 
queria 
deixar 
a 
Michael 
sozinho. 
Que 
entre. 
Pode 
entreter-se 
com 
minhas 
miniaturas. 
De 
acordo. 
Parece-me 
melhor 
no 
esperar 
outra 
semana. 
Alex 
ouviu 
como 
se 
fechava 
a 
porta 
do 
escritrio. 
Entrou 
no 
vestbulo 
e 
olhou 
a 
seu 
ao 
redor. 
Ao 
que 
parece 
no 
tinha 
ningum. 
Acercou 
a 
orelha 
 
porta. 
Os 
originais 
esto 
em 
casa, 
dentro 
de 
uma 
gaveta 
 dizia 
Cat 
 Levo 
as 
cpias 
em 
cima. 
Rogote 
que 
as 
leias 
e 
me 
digas 
o 
que 
pensas. 
Webster 
seguia 
silencioso. 
Alex 
ouviu 
que 
Cat 
falava 
a 
Michael 
de 
uns 
animais 
em 
miniatura. 
Cat! 
exclamou 
Webster. 
Quanto 
tempo 
faz 
que 
dura 
isto? 
Em 
umas 
semanas. 
Que 
te 
parece? 
Minha 
primeira 
impresso 
 
que 
quem 
os 
tenha 
 
um 
demente. 
Alex 
franziu 
o 
cenho. 
Jeff 
tem 
feito 
algumas 
averiguaes. 
Tinha 
um 
par 
de 
notcias 
breves 
sobre 
o 
acidente 
em 
Flrida. 
Mas 
nada 
dos 
outros 
dois. 
Consideraram 
mortes 
acidentais, 
o 
qual 
me 
leva 
achar 
que 
estou 
fazendo 
uma 
montanha 
de 
um 
gro 
de 
areia. 
Se 
a 
policia 
no 
tem 
suspeito, 
por 
que 
deveria 
as 
ter 
eu? 
Mas 
confesso 
que 
estou 
intranqila. 
Acho 
que 
voc 
tinha 
que 
estar 
inteirado 
porque, 
se 
algo 
ocorresse, 
poderia 
pr 
em 
perigo 
a 
segurana 
de 
todo 
o 
pessoal. 
Pensas 
que 
o 
remitente 
annimo 
se 
atreveria 
a 
te 
atacar? 
Alex 
no 
pde 
ouvir 
qual 
era 
a 
resposta 
de 
Cat. 
Mas 
algum 
tinha 
pronunciado 
seu 
nome. 
Virou. 
Nancy 
Webster 
tinha 
entrado 
na 
sala. 
Sorriu 
por 
compromisso 
para 
dissimular 
que 
estava 
escutando. 
Ol, 
Nancy. 
Voc 
viu 
Cat? 
Entrou 
na 
casa 
e 
segui-a 
at 
aqui. 
Acompanhava 
ao 
menino 
ao 
banheiro. 
Mas 
agora 
me 
pareceu 
ouvir 
sua 
voz 
a 
e 
me 
dispunha 
a 
chamar. 
Nancy 
entrou 
sem 
chamar 
no 
escritrio 
de 
Bill. 
Ol, 
garotos. 
A 
abertura 
da 
porta 
permitiu 
que 
Alex 
visse 
Bill 
sentado 
em 
um 
cadeiro 
de 
couro. 
Tinha 
patos 
em 
miniatura 
em 
fila 
no 
sof 
de 
defronte 
e 
Michael 
fazia-os 
avanar 
sobre 
a 
suave 
pele. 
Cat 
estava 
#
sentada 
sobre 
o 
tapete, 
aos 
ps 
de 
Webster. 
Bill 
meteu-se 
a 
toda 
pressa 
uns 
papis 
nos 
bolsos. 
Parecia 
surpreendido 
e 
preocupado. 
Que 
h, 
amor? 
A 
expresso 
de 
Nancy 
era 
to 
dura 
como 
se 
levasse 
uma 
-carilla 
de 
cemento 
armado. 
Alex 
sabia 
que 
no 
tinha 
passado 
nada, 
mas 
se 
sentia 
obrigado 
a 
calar. 
Esto 
a 
ponto 
de 
comear 
os 
fogos 
artificios. 
Devereis 
sair. 
Obrigado, 
Nancy. 
Webster 
levantou-se 
e 
ofereceu 
sua 
mo 
a 
Cat, 
que 
fez 
caso 
omisso 
e 
apanhou 
ao 
menino 
entre 
seus 
braos. 
Vamos, 
Michael. 
No 
se 
devemos 
perder 
os 
fogos 
artificios. 
Quando 
viu 
que 
Alex 
estava 
por 
trs 
de 
Nancy 
e 
intuiu 
que 
devia 
de 
ter 
escutado 
a 
conversa 
com 
Webster, 
seu 
sorriso 
forado 
gelou 
nos 
lbios. 
Cat 
e 
Michael 
saram. 
Ela 
fez 
grandes 
exclamaes 
de 
emoo 
ante 
a 
pirotecnia 
para 
animar 
ao 
pequeno, 
mas 
fingia. 
Nancy 
tinha 
a 
seu 
marido 
apanhado 
amorosamente 
do 
brao, 
mas 
seu 
entusiasmo 
comentrio 
sobre 
os 
fogos 
artificios 
tambm 
soava 
falso. 
Webster 
estava 
to 
ausente 
que 
mal 
se 
dava 
conta 
de 
nada. 
E 
Alex 
no 
via 
nada 
nem 
a 
ningum 
que 
no 
fosse 
Cat 
Delaney. 


Pela 
segunda 
vez 
nessa 
noite, 
Nancy 
encontrou 
a 
Bill 
enclausurado 
em 
seu 
escritrio. 
Todos 
tinham 
sado. 
E 
o 
servio 
de 
limpeza 
no 
chegaria 
at 
a 
manh 
seguinte. 
Quando 
entrou, 
seu 
marido 
levantou 
o 
copo 
para 
brindar. 
Conseguiu 
que 
tudo 
sasse 
de 
primeira, 
como 
sempre. 
Toma 
um 
copo 
comigo 
para 
celebrar. 
No, 
obrigado. 
Bill 
tinha 
tomado 
mais 
de 
um. 
Outro 
seria 
excessivo. 
Estava 
sofocado 
e 
tinha 
as 
rbitas 
dos 
olhos 
de 
cor 
rosado. 
Eram 
raras 
as 
vezes 
que 
se 
embebedava. 
Portanto, 
quando 
isso 
ocorria 
era 
evidente. 
Estou 
muito 
cansada, 
vamos 
dormir? 
disse 
ela 
alargando 
a 
mo. 
Vai 
aindo 
que 
eu 
j 
subo. 
Beberei 
outro 
copo. 
Serviu 
outro 
escocs 
e 
fez 
uma 
careta 
ao 
tomar 
um 
gole. 
No 
bebia 
por 
gosto. 
Nancy 
olhou-o 
e 
disse: 
Bill, 
que 
est 
acontedendo? 
No 
 
nada. 
Acha 
que 
sou 
idiota! 
Bill 
estava 
a 
ponto 
de 
protestar, 
mas 
mudou 
de 
ideia. 
Fechou 
os 
olhos, 
levantou 
o 
copo 
at 
a 
frente 
e 
deslizou-o 
entre 
a 
face, 
como 
se 
quisessem 
alisar 
as 
rugas. 
Observei 
a 
expresso 
de 
tua 
cara 
ao 
ver-me 
aqui 
com 
Cat. 
No 
deveria 
te 
dar 
explicaes, 
mas 
o 
farei. 
Falvamos 
de 
um 
assunto 
privado. 
Isso 
 
o 
que 
me 
preocupa. 
No 
 
o 
que 
voc 
pensa, 
Nancy. 
Pelo 
amor 
de 
Deus, 
confie 
em 
mim. 
Voc 
me 
faz 
sentir 
como 
se 
quisesse 
converter 
a 
Cat 
em 
minha 
amante 
porque 
me 
recorda 
a 
Carla. 
Portanto 
tenta 
substituir 
Carla 
por 
ela? 
Olhou-a 
com 
olhos 
de 
centella. 


#
 
 
isso 
o 
que 
pensa? 
Nancy 
baixou 
a 
cabea 
e 
contemplou 
a 
aliana 
de 
casamento. 
J 
no 
sei 
que 
pensar. 
Nada 
foi 
igual 
entre 
ns 
desde 
que 
perdemos 
Carla. 
Em 
vez 
de 
nos 
unir 
para 
superar 
a 
perda, 
foi-se 
abrindo 
um 
abismo 
que 
no 
sei 
como 
voltar 
a 
fechar. 
E 
no 
quero 
cair 
nele, 
j 
que 
ignoro 
aonde 
pode 
nos 
levar. 
Levantou 
a 
cabea 
e 
olhou-o 
angustiada. 
Por 
que 
j 
no 
vem 
a 
mim, 
Bill? 
Fao-o. 
No 
com 
tanta 
freqncia. 
E 
quando 
o 
faz, 
no 
tanto 
faz 
que 
antes. 
Noto 
a 
diferena 
e 
quero 
saber 
que 
 
o 
que 
se 
interpe 
entre 
ns. 
Se 
no 
tem 
um 
assunto 
com 
Cat, 
que 
? 
Quantas 
vezes 
eu 
terei 
que 
repetir? 
Nada. 
Tenho 
responsabilidades 
e 
quando 
volto 
a 
casa 
estou 
cansado. 
No 
consigo 
que 
me 
levante 
dando 
uma 
ordem. 
O 
sarcasmo 
e 
seu 
vocabulario 
grosseiro 
contrariaram-na. 
Encaminhou-se 
para 
a 
porta. 
No 
vale 
a 
pena 
falar 
contigo 
agora; 
est 
bbado. 
Outro 
sinal 
de 
que 
algo 
anda 
muito 
ruim. 
Ainda 
que 
no 
saiba 
o 
que 
, 
no 
me 
diga 
que 
so 
imaginaes 
minhas. 
-Carla 
era 
uma 
garota 
maravilhosa 
e 
sempre 
a 
amaremos. 
Voc 
tem 
uma 
boa 
relao 
com 
todos 
nossos 
filhos, 
mas 
voc 
e 
ela 
eram 
muito 
unidos. 
Quando 
morreu, 
sentiu 
que 
morria 
tambm 
uma 
parte 
de 
ti. 
Bill: 
se 
pudesse 
devolv-la, 
o 
faria. 
-Mas 
no 
posso. 
E 
nego-me 
a 
perder 
mais 
do 
que 
j 
me 
tiraram. 
Toda 
minha 
vida 
gira 
ao 
redor 
da 
sua 
porque 
te 
adoro. 
Tenho 
inteno 
de 
ficar 
seu 
lado 
e 
conseguir 
que 
nossa 
relao 
seja 
como 
antes. 
No 
me 
importo 
o 
que 
tenha 
que 
fazer. 
Cat 
dormiu 
muito 
pouco 
essa 
noite. 
Pensava 
em 
Michael. 
Estava 
to 
fechado 
em 
si 
mesmo 
que 
conseguir 
que 
se 
abrisse 
requeria 
muita 
pacincia 
e 
dedicao. 
No 
entanto, 
com 
os 
pais 
adequados 
chegaria 
a 
ser 
um 
menino 
normal 
e 
o 
esforo 
valeria 
a 
pena. 
S 
precisava 
que 
o 
quisessem 
e 
o 
amassem. 
Mas 
tinha 
tambm 
outra 
coisa 
que 
ocupava 
sua 
mente. 
Aps 
ver 
Alex 
dubidava 
de 
todas 
as 
resolues 
que 
tomou 
na 
Califrnia. 
Morria 
de 
vontade 
de 
v-lo. 


Irene 
e 
Charlie 
Walters 
eram 
to 
encantadores 
como 
ele 
disse. 
Seguro 
que 
aps 
assistir 
ao 
curso 
de 
capacitao 
obrigatrio 
seriam 
pais 
perfeitos 
para 
algum 
de 
meninos. 
Em 
qualquer 
outro 
momento 
teria 
desfrutado 
falando 
um 
momento 
com 
eles, 
mas 
a 
apresentao 
tinha 
acontecido 
pouco 
depois 
dos 
fogos 
artificios 
e 
ainda 
via 
a 
expresso 
na 
cara 
de 
Nancy 
Webster 
ao 
abrir 
a 
porta 
do 
escritrio. 
Era 
evidente 
que 
tinha 
interpretado 
erradamente 
o 
sentido 
da 
conversa 
privada. 
Estas 
preocupaes 
deixariam 
em 
suspense, 
alm 
das 
cartas 
annimas. 
Precisava 
de 
distrao, 
de 
modo 
que 
dedicou 
no 
domingo 
pela 
tarde 
a 
ir 
s 
compras, 
e, 
depois, 
a 
ver 
um 
filme. 
Na 
segunda-feira, 
ela 
e 
Jeff 
enviaram 
cartas 
de 
agradecimiento 
s 
pessoas 
que 
tinham 
entregado 
um 
cheque 
durante 
o 
piquenique 
a 
benefcio 
dos 
Meninos 
de 
Cat. 
Na 
tera-feira 
realizaram 
um 
vdeo 
de 
uma 
menina 
de 
cinco 
anos 
com 
um 
defeito 
auditivo 
que 
tinha 
perdido 
a 
seus 
pais 
em 
acidente 
de 
carro. 


#
Essa 
noite, 
quando 
Cat 
voltou 
a 
casa 
encontrou 
entre 
o 
correio 
um 
envelope 
idntico 
aos 
trs 
anteriores. 
Mas 
o 
contedo 
era 
diferente. 
Dentro 
tinha 
um 
leno 
de 
papel. 
Escrito 
em 
forma 
de 
artigo 
de 
jornal, 
era 
um 
resumo 
biogrfico 
da 
ex-atriz 
de 
telenovelas 
Cat 
Delaney, 
que 
tinha 
sofrido 
um 
transplante 
de 
corao. 
Era 
seu 
obturio. 



Captulo 
trinta 
e 
trs 


Eu 
Compreendo 
que 
seja 
um 
incomodo, 
mas 
no 
pode 
falar 
de 
delito, 
entende 
o 
que 
quero 
dizer? 
O 
tenente 
Bud 
Hunsaker, 
do 
Departamento 
de 
Policia 
de 
San 
Antonio, 
levava 
calas 
xadrez 
e 
botas 
de 
pele 
de 
lagarto 
negras 
com 
pontas 
brancas. 
A 
camisa 
branca, 
de 
manga 
curta, 
cingia-se 
sobre 
seu 
ventre 
de 
bebedor 
de 
cerveja 
rodeado 
por 
cinto 
de 
couro 
com 
tachinhas. 
A 
gravata, 
curta 
e 
com 
agulha, 
repousava, 
torcida, 
sobre 
o 
peito. 
A 
obesidade, 
as 
bochechas 
rolias 
e 
a 
pesada 
respirao 
faziam-no 
o 
perfeito 
candidato 
a 
um 
infarto. 
Desde 
o 
momento 
em 
que 
Cat 
entrou 
em 
seu 
escritrio 
masticava 
um 
charuto 
apagado 
e, 
pela 
direo 
de 
sua 
olhar, 
parecia 
manter 
um 
dilogo 
com 
os 
joelhos 
de 
Cat. 
Agora 
apoiou 
os 
rechochudos 
antebraos 
sobre 
a 
mesa 
e 
inclinou 
para 
frente. 
E 
diga-me, 
como 
 
Doug 
Speer? 
Como 
pessoa, 
quero 
dizer. 
No 
acho 
engraado 
ele 
errar 
na 
previso 
meteorolgica 
e, 
e 
ainda 
por 
cima, 
ficar 
fazendo 
piada. 
Doug 
Speer 
est 
em 
outra 
emissora; 
no 
o 
conheo 
 
contou 
Cat 
com 
um 
dbil 
sorriso. 
Ah, 
j. 
Com 
os 
homens 
do 
tempo 
sempre 
me 
ocorre 
o 
mesmo. 
Confundo 
uns 
com 
outros. 
Faz 
favor, 
tenente, 
poderamos 
voltar 
a 
isto? 
Indicou 
recortes 
que 
estavam 
sobre 
a 
mesa. 
Hunsaker 
manuseou 
o 
charuto. 
Senhorita 
Delaney: 
uma 
mulher 
famosa 
como 
voc 
j 
deveria 
contar 
com 
este 
tipo 
de 
coisas. 
J 
o 
sei, 
tenente. 
Quando 
interpretava 
Passages 
recebia 
toneladas 
de 
correio, 
incluindo 
diversas 
propostas 
de 
casamento. 
Um 
homem 
chegou 
a 
escrever-me 
cem 
cartas. 


 
V-o? 
Sorrindo 
de 
orelha 
a 
orelha, 
se 
reclinou 
no 
assento 
como 
se 
ela 
lhe 
desse 
a 
razo. 
Mas 
uma 
proposta 
de 
casamento 
no 
 
uma 
ameaa. 
Nem 
tambm 
no 
as 
cartas 
que 
alabam 
ou 
criticam 
minha 
atuao. 
Eu 
acho 
que 
isto 
so 
ameaas 
de 
mortes. 
Especialmente 
a 
ltima. 
Separou 
o 
obiturio. 
Que 
pensa 
fazer? 
O 
tenente 
se 
mexeu, 
incmodo, 
na 
cadeira, 
que 
fez 
barulho 
em 
protesto. 
Apanhou 
o 
papel 
datilografado 
num 
gesto 
s 
e 
voltou 
a 
l-la. 
A 
Cat 
percebeu 
que 
seu 
interesse 
era 
fingido; 
estava 
seguindo 
a 
emissora. 
J 
tinha 
formado 
uma 
opinio 
e 
nada 
que 
no 
fosse 
uma 
ameaa 
direta 
ia 
o 
faria 
mudar 
de 
ideia. 
O 
homem 
tossiu 
e 
disse: 
#
Tal 
e 
como 
eu 
vejo, 
se 
trata 
de 
algum 
demente 
que 
quer 
a 
pr 
nervosa. 
Bom, 
pois 
ele 
est 
conseguindo, 
j 
que 
estou 
nervosa. 
Vim 
aqui 
para 
que 
vocs 
descubram 
o 
demente 
e 
deixe 
de 
me 
molestar. 
No 
 
to 
fcil 
como 
parece. 
No 
parece 
fcil. 
Se 
fosse, 
faria 
eu 
mesma. 
A 
policia 
dispe 
de 
meios 
para 
solucionar 
este 
tipo 
de 
situaes. 
As 
pessoas 
comuns, 
no. 
Que 
acha 
que 
devemos 
fazer? 
Eu 
que 
sei! 
No 
podem 
seguir 
a 
pista 
do 
carimbo 
dos 
correios? 
Ou 
buscar 
a 
mquina 
de 
escrever? 
Ou 
a 
marca 
do 
papel? 
Ou 
se 
h 
impresses 
no 
papel? 
O 
tenente 
sorriu 
e 
piscou 
um 
olho. 
Senhora, 
voc 
tem 
visto 
muitos 
filmes 
de 
policiais. 
Cat 
sentia 
vontade 
de 
insult-lo 
at 
que 
levantasse 
seu 
gordo 
cu 
e 
deixasse 
de 
andar 
pelos 
ramos. 
Mas 
dar 
a 
impresso 
de 
uma 
histrica 
s 
confirmaria 
sua 
opinio 
de 
que 
estava 
ficando 
histrica 
por 
trs 
ou 
quatro 
ridculas 
cartas 
annimas. 
Tenente, 
no 
me 
trate 
com 
essa 
condescendncia. 
A 
Hunsaker 
apagou 
o 
sorriso. 
Oua, 
eu 
no... 
S 
faltou 
me 
dar 
uma 
palmadinha 
no 
ombro. 
Sou 
uma 
pessoa 
adulta, 
sensata 
e 
com 
capacidade 
de 
deduo, 
j 
que, 
fora 
de 
tero, 
tenho 
crebro. 
No 
estou 
com 
sndrome 
premenstrual, 
nem 
tomo 
lcool 
ou 
drogas. 
A 
diferena 
entre 
voc 
e 
eu 
so 
tantas 
que 
poderamos 
encher 
uma 
enciclopedia, 
mas 
a 
menos 
importante 
 
que 
eu 
levo 
saias 
e 
voc, 
calas. 
-E, 
agora, 
ou 
atira 
esse 
asqueroso 
charuto 
e 
comea 
a 
tomar 
meu 
problema 
em 
srio 
ou 
apresentarei 
uma 
queixa 
a 
seu 
superior. 
Tem 
que 
ter 
algum 
sistema 
para 
descobrir 
ao 
responsvel 
por 
isto. 
O 
tenente 
tinha 
o 
rosto 
da 
cor 
da 
cera; 
sabia 
que 
tinha 
atrapado. 
Endireitou 
a 
nuca 
para 
aliviar 
a 
rigidez 
pescoo 
da 
camisa, 
esticou 
a 
gravata 
e 
Tirou 
o 
charuto 
de 
boca, 
guardando-o 
dentro 
de 
uma 
gaveta. 
Sabe 
de 
algum 
que 
possa 
guardar 
rancor? 
No, 
a 
no 
ser 
que... 
Vacilou 
antes 
de 
informar 
de 
suas 
suspeitas, 
j 
que 
no 
tinha 
nada 
que 
as 
apoiasse. 
A 
no 
ser 
que...? 
H 
uma 
empregada 
na 
WWSA, 
uma 
jovem. 
Foi 
antiptica 
desde 
o 
primeiro 
dia 
que 
comecei 
a 
trabalhar 
na 
emissora. 
Explicou 
suas 
ms 
relaes 
com 
Melia 
King. 
Confessou 
que 
tinha 
pegado 
os 
remdios, 
mas 
no 
acho 
que 
possa 
ter 
manipulado 
um 
foco 
do 
estdio 
para 
que 
casse. 
Voltaram 
a 
contrat-la 
pouco 
depois 
de 
que 
eu 
a 
despedisse 
e, 
segundo 
parece, 
est 
contente 
em 
seu 
novo 
posto. 
Vejo 
todos 
os 
dias, 
ainda 
que 
mal 
nos 
dirigamos 
a 
palavra. 
No 
me 
cai 
bem, 
mas 
estou 
quase 
segura 
de 
que 
seu 
ressentimento 
no 
tem 
nada 
que 
ver 
com 
meu 
transplante.
 
uma 
moa 
feia? 
Como 
diz? 
Que 
aspecto 
tem? 
Poderia 
ser 
um 
monstro. 


#
Cat 
negou 
com 
a 
cabea.
 
uma 
garota 
esplndida 
e 
atrai 
aos 
homens. 
Talvez 
no 
queira 
concorrncia. 
Sua 
expresso 
era 
maliciosa. 
Cat 
evitou 
que 
seguisse 
por 
esse 
caminho 
com 
um 
glido 
olhar 
de 
seus 
olhos 
azuis. 
O 
tenente 
voltou 
a 
se 
mexer 
na 
cadeira. 
Apanhou 
a 
obiturio. 
A 
linguagem 
 
algo... 
Inculto. 
J 
me 
dei 
conta; 
no 
parece 
de 
jornal. 
E 
tambm 
no 
explica 
a 
causa 
da 
morte. 
Porque 
isso 
poderia 
me 
pr 
em 
alerta. 
Saberia 
o 
que 
esperar. 
Ningum 
chegou 
a 
ameaar, 
nem 
tem 
visto 
a 
rodeando 
por 
sua 
casa 
ou 
algo 
semelhante? 
Ainda 
no. 
Hunsaker 
resmungou, 
franziu 
os 
lbios 
e 
exalou 
um 
suspiro. 
Para 
ganhar 
tempo 
releu 
os 
outros 
recortes 
e, 
antes 
de 
falar, 
tossiu. 
So 
de 
diversas 
partes 
do 
pas. 
O 
filho 
de 
puta 
esteve 
muito 
ocupado.
O 
qual 
me 
parece 
que 
o 
faz 
ainda 
mais 
perigoso 
 disse 
Cat 
 
evidente 
que 
est 
obssecado 
com 
o 
destino 
desses 
transplantados. 
Seja 
ou 
no 
o 
responsvel 
por 
sua 
morte, 
percorreu 
muitos 
quilmetros 
para 
seguir 
suas 
pistas. 
Acha 
que 
ele 
est 
por 
trs 
desses 
supostos 
acidentes? 
O 
tom 
de 
voz 
do 
tenente 
dava 
a 
entender 
que 
ele 
no 
apoiava 
essa 
teoria. 
Cat 
no 
estava 
tambm 
no 
muito 
segura, 
pelo 
que 
evitou 
uma 
resposta 
direta. 
Parece 
significativo 
que 
as 
datas 
de 
suas 
mortes 
coincidam 
com 
o 
aniversrio 
dos 
transplantes,
que 
tambm 
coincide 
com 
o 
do 
meu. 
 
muita 
casualidade 
que 
seja 
uma 
simples 
coincidncia. 
Franziu 
o 
cenho, 
pensativo. 
Conhece 
 
famlia 
de 
seu 
doador? 
Pensa 
que 
possa 
ter 
uma 
relao?
 
uma 
suposio 
to 
aceitvel 
como 
qualquer 
outra. 
Que 
sabe 
de 
seu 
doador? 
Nada. 
At 
faz 
pouco, 
nunca 
quis 
saber 
nada. 
Mas 
ontem 
entrei 
em 
contato 
com 
o 
banco 
de 
rgos 
que 
conseguiu 
meu 
corao 
e 
perguntei 
se 
a 
famlia 
do 
doador 
tinha 
feito 
averiguaes 
sobre 
mim. 
Esto 
buscando 
nos 
arquivos 
da 
agncia 
que 
recolheu 
o 
corao, 
de 
modo 
que 
passaro 
em 
uns 
dias 
antes 
que 
tenha 
uma 
resposta. 
Se 
ningum 
perguntou 
por 
minha 
identidade, 
saberemos 
que 
essa 
 
uma 
pista 
falsa. 
Por 
qu? 
So 
as 
normas. 
A 
identidade 
de 
doador 
e 
receptores 
 
estritamente 
confidencial 
a 
no 
ser 
que 
ambas 
partes 
perguntem 
pela 
outra. 
S 
ento 
as 
agncias 
proporcionam 
informao. 
Corresponde 
aos 
indivduos 
decidir 
se 
entram 
ou 
no 
em 
contato 
entre 
eles. 
 
essa 
a 
nica 
forma 
de 
que 
algum 
possa 
saber 
quem 
recebeu 
um 
corao 
especfico? 
A 
no 
ser 
que 
seja 
capaz 
de 
entrar 
no 
computador 
central 
da 
Virginia 
e 
averiguar 
o 
nmero 
de 
UNS. 
Que 
 
isso? 
Explicou 
o 
que 
Dean 
lhe 
tinha 
explicado 
poucos 
dias 
antes:
UNS 
 
a 
rede 
de 
agncias 
que 
compartilha 
e 
troca 
rgos. 
 
cada 
doador 
de 
rgos 
e 
tecidos 
 


#
atribuido 
um 
nmero 
imediatamente 
aps 
a 
extirpao. 
O 
nmero 
se 
codifica 
com 
o 
ano, 
dia, 
ms 
e 
a
cronologa 
de 
quando 
os 
retiraram 
e 
foram 
aceitos 
por 
um 
banco 
de 
rgos. 
 
um 
mecanismo 
de 
segurana 
para 
evitar 
o 
mercado 
negro. 
O 
homem 
esfregou 
a 
cara. 
Droga, 
esse 
homem 
tem 
que 
ser 
esperto.
 
o 
que 
tenho 
tentado 
dizer. 
Enquanto 
mais 
hipteses 
apareciam, 
mais 
assustada 
estava. 
Tenente, 
ns 
estamos 
num 
crculo 
vicioso. 
Que 
pensa 
fazer 
para 
encontr-lo 
antes 
que 
ele 
me 
encontre? 
Com 
toda 
franqueza, 
senhorita 
Delaney: 
no 
h 
muito 
que 
possamos 
fazer. 
At 
que 
ocorra 
um 
estranho 
acidente, 
verdade? 
calma 
tranqila. 
Estou 
tranqila 
 
levantou-se 
para 
sair 
 E, 
por 
desgraa, 
voc 
tambm. 
O 
policial 
moveu-se 
com 
maior 
rapidez 
que 
ela 
acreditava 
que 
fosse 
capaz, 
rodeou 
a 
mesa 
e 
bloqueou 
a 
sada. 
Tenho 
que 
admitir 
que 
 
incompreensvel, 
mas 
por 
agora 
sua 
vida 
no 
tem 
corrido 
perigo 
nem 
se 
cometeu 
nenhum 
delito. 
E 
nem 
sequer 
sabemos 
se 
nessas 
outras 
mortes 
interveio 
uma 
mo 
estranha, 
no? 
No 
 admitiu 
lacnica. 
Ainda 
assim 
no 
quero 
que 
se 
v 
pensando 
que 
no 
a 
tomo 
em 
srio. 
A 
ver 
que 
parece 
isto. 
Tudo 
bem 
se 
eu 
designar 
um 
carro 
patrulha 
para 
que 
vigie 
sua 
rua 
durante 
as 
prximas 
semanas 
e 
no 
perca 
de 
vista 
sua 
casa? 
Era 
para 
dar 
risada. 
Esse 
homem 
no 
entendia 
nada. 
A 
pessoa 
que 
a 
espreitava 
era 
muito 
inteligente 
como 
para 
se 
deixar 
apanhar 
por 
um 
carro 
patrulha. 
Muito 
obrigado, 
tenente. 
Eu 
agradecerei 
qualquer 
tipo 
de 
ajuda 
que 
possa 
me 
proporcionar. 
Para 
isso 
estamos. 
O 
mais 
provvel 
 
que 
algum 
queira 
assust-la. 
J 
sabe. 
Com 
vontade 
de 
sair 
correndo, 
assentiu. 
O 
tenente 
acreditava 
ter 
resolvido 
o 
problema 
e 
fez 
um 
gesto 
galante 
ao 
dispor-se 
a 
abrir 
a 
porta. 
No 
duvide 
em 
me 
chamar 
se 
precisar. 
Claro 
que 
chamarei. 
E 
de 
que 
me 
servir? 
Agradeo 
que 
tenha 
recebido 
to 
rpido, 
tenente 
Hunsaker. 
Em 
pessoa 
voc 
 
ainda 
mais 
bonita 
que 
na 
tv. 
Obrigado. 
Ah, 
antes 
que 
se 
v... 
No 
 
todo 
dia 
que 
entra 
uma 
pessoa 
famosa 
em 
meu 
escritrio. 
Importar 
dar-me 
seu 
autgrafo 
para 
minha 
mulher? 
Estar 
encantada. 
A 
nome 
de 
Doris, 
faz 
favor. 
E 
no 
estaria 
a 
mais 
que 
acrescentasse 
Bud, 
se 
no 
 
muito 
pedir. 



Captulo 
trinta 
e 
quatro 


#
Que 
diabos 
ests 
fazendo? 
Fritando 
bacon. 
Utilizava 
um 
garfo 
ao 
no 
conseguir 
encontrar 
umas 
pinas 
em 
algum 
das 
gavetas 
do 
armrio 
de 
cozinha, 
Cat 
levantava 
uma 
massa 
sem 
forma 
da 
panela 
fumegante. 
Aps 
sua 
enervante 
experincia 
na 
delegacia, 
voltou 
a 
casa 
e 
mudou 
de 
roupa. 
Muito 
nervosa 
para 
ir 
trabalhar, 
chamou 
Jeff 
e 
disse 
que 
precisava 
em 
um 
dia 
livre 
para 
refletir. 
Demorou 
quase 
uma 
hora 
em 
chegar 
a 
uma 
concluso 
e, 
sem 
dar-se 
conta, 
estava 
empurrando 
um 
carro: 
fazendo 
compras 
para 
algum 
a 
quem 
assegurava 
desprezar. 
Espero 
que 
goste 
de 
estaladio. 
Depositou 
a 
tira 
de 
bacon 
junto 
s 
outras 
que 
se 
escurram 
sobre 
um 
papel 
de 
cozinha. 
Como 
quer 
os 
ovos? 
Como 
entrou? 
Pela 
porta. 
Estava 
aberta. 
O 
coou 
a 
cabea. 
Devo 
ter 
esquecido 
de 
fechar 
com 
chave 
antes 
de 
entrar. 
Claro. 
Fritos 
ou 
mexidos? 
No 
respondeu 
e 
ela 
jogou 
um 
olhar 
acima 
do 
ombro. 
Tinha 
o 
mesmo 
aspecto 
que 
a 
manh 
em 
que 
se 
conheceram, 
Mas 
agora, 
em 
vez 
de 
jeans, 
s 
levava 
cuecas. 
O 
becon 
no 
estava 
para 
comer, 
mas 
ele 
sim. 
Fritos 
ou 
mexidos? 
Saem 
um 
pouco 
melhor 
mexidos. 
Ele 
apoiou 
as 
mos 
nos 
quadris. 
Devo 
entender 
que 
h 
algum 
motivo 
especial 
para 
que 
tenha 
vindo 
aqui 
e 
esteja 
preparando 
o 
caf 
da 
manh? 
Sim. 
Coloque 
umas 
calas, 
senta 
 
mesa 
e 
te 
explicarei. 
Sacudiu 
a 
cabea, 
aturdido, 
e 
deu 
a 
volta. 
Ao 
regressar 
 
cozinha 
com 
uns 
Levis 
gastados 
e 
uma 
camiseta 
branca, 
o 
caf 
da 
manh 
estava 
sobre 
a 
mesa. 
Cat 
serviu 
duas 
canecas 
de 
caf 
e 
sentou-se, 
indicando-lhe 
que 
ocupasse 
a 
cadeira 
de 
frente. 
Obedeceu-a. 
Por 
enquanto 
no 
provou 
a 
comida, 
ainda 
bebia 
goles 
de 
caf. 
Ter 
algo 
a 
ver 
por 
ser 
o 
caminho 
mais 
curto 
para 
ganhar 
o 
corao 
de 
um 
homem 
seja 
atravs 
do 
estmago? 
Essa 
teoria 
caiu 
por 
seu 
prprio 
peso 
quando 
nos 
vimos 
obrigada 
fazer 
jornada 
completa. 
Alex 
sorriu 
e, 
a 
seguir, 
soltou 
uma 
gargalhada. 
Empunhou 
o 
garfo 
e 
disps-se 
a 
engulir 
ovos 
mexidos. 
Partiu 
um 
pedao 
de 
bacon 
e 
engoliu 
com 
um 
longo 
gole 
de 
suco 
de 
laranja. 
Desde 
quando 
no 
come 
algo? 
Parece 
que 
ontem 
pedi 
uma 
pizza. 
Talvez 
foi 
anteontem. 
Muito 
ocupado 
no 
trabalho? 
Soboru 
alguma 
torrada? 
Cat 
ps 
outras 
duas 
na 
tostadeira. 
Enquanto 
esperava 
que 
saltassem 
serviu-o 
outra 
caneca 
de 
caf. 
Alex 
segurou-a 
pelo 
pulso 
e 
olhou-a 
fixamente. 
Cat, 
passou 
por 
sua 
cabea 
a 
ideia 
de 
dona 
de 
casa? 
No. 


#
Ests 
fazendo 
comigo 
uma 
caridade? 
Voc 
no 
 
desse 
tipo. 
Est 
me 
oferecendo 
trgua? 
No 
a 
qualquer 
custo. 
Terei 
que 
pagar 
algo? 
Claro. 
Sair 
muito 
caro? 
A 
no 
ser 
que 
queiras 
que 
te 
batize 
com 
caf 
fervendo 
ser 
melhor 
que 
solte 
meu 
pulso. 
Assim 
o 
fez 
e 
ela 
devolveu 
a 
cafeteira 
ao 
seu 
lugar. 
A 
tostadeira 
expulsou 
as 
duas 
fatias. 
Cat 
apanhou-as 
e 
as 
colocou 
no 
prato 
sem 
nenhuma 
cerimnia. 
De 
modo 
que 
ainda 
no 
somos 
amigos 
 comentou 
enquanto 
untava 
a 
torrada 
com 
manteiga. 
No. 
Ento 
ser 
amantes 
fica 
descartado. 
Afundou 
os 
brancos 
dentes 
na 
torrada. 
Cat 
levou 
os 
outros 
pratos 
ao 
tanque, 
lavou-os 
e 
deixou-os 
no 
escorredor. 
Ordenou 
a 
cozinha 
enquanto 
ele 
terminava 
de 
comer. 
Levou 
depois 
o 
prato 
dele 
ao 
tanque, 
se 
serviu 
outra 
caneca 
de 
caf 
e 
voltou 
 
mesa. 
Cat 
estava 
limpando 
as 
migalhas 
com 
uma 
esponja 
mida 
quando 
Alex 
a 
rodeou 
pela 
cintura 
e 
a 
atraiu 
para 
si. 
Afundou 
a 
cara 
entre 
os 
seios 
e 
os 
beijou 
com 
avidez 
atravs 
da 
blusa. 
Ela 
se 
negou 
a 
responder 
e 
manteve 
as 
mos 
em 
alto, 
sem 
a 
menor 
inteno 
de 
lhe 
tocar. 
Por 
fim, 
ele 
levantou 
a 
cabea. 
No 
gostas? 
Gosto 
de 
muitssimo, 
s 
muito 
hbil, 
mas 
no 
vim 
aqui 
por 
isso. 
Alex 
abandonou 
e 
sua 
expresso 
voltou 
dura 
e 
irada. 
Se 
no 
veio 
fazer 
as 
pazes... 
No. 
Por 
que 
veio? 
Por 
isso. 
Mais 
vale, 
j 
que 
tenho 
um 
monto 
de 
trabalho. 
Cat 
no 
disse 
nada, 
lavou 
as 
mos, 
serviu 
outra 
caneca 
de 
caf 
e 
se 
sentou 
 
mesa, 
onde 
deixou 
a 
bolsa. 
Abriu-o, 
Tirou 
as 
copias 
de 
recortes 
e 
do 
obiturio 
e 
entregou.
 
esta 
a 
documentao 
secreta 
que 
mostrou 
a 
Webster 
a 
outra 
noite? 
De 
modo 
que 
estava 
escutando. 
J 
supeitava. 
Um 
vcio 
de 
meus 
tempos 
de 
policia. 
Ou 
simples 
m 
educao. 
Pode 
ser 
 admitiu 
encolhendo 
de 
ombros 
 Nancy 
Webster 
pensou 
que 
tu 
e 
seu 
marido 
tnham 
uma 
conversa 
ntima. 
Voc 
sabe 
que 
no. 
Por 
que 
deixou 
que 
pensasse 
o 
pior? 
No 
podias 
dizer 
a 
verdade? 
Quanto 
menos 
pessoa 
souber, 
melhor. 
Alex 
apanhou 
os 
papis 
e 
comeou 
a 
l-los. 
Ao 
chegar 
ao 
segundo, 
esfregou 
pensativa 
a 
cicatriz 
que 
partia 
a 
sobrancelha. 
Quando 
terminou 
de 
ler 
o 
terceiro, 
a 
olhou 
intrigado. 
Leu 
de 
novo 
o 
obiturio, 


#
amaldioou, 
apartou 
a 
cadeira 
e 
sentou 
de 
lado 
com 
as 
pernas 
cruzadas. 
Releu 
os 
xerox. 
Tens 
os 
originais? 
E 
os 
envelopes. 
Ouvi 
que 
dizia 
a 
Webster 
que 
tinhas 
comeado 
a 
receb-los 
h 
algumas 
semanas. 
Assim 
. 
E 
no 
achou 
conveniente 
me 
dizer? 
No 
era 
assunto 
teu. 
Alex 
soltou 
um 
palavro. 
De 
acordo, 
foi 
de 
mau 
gosto 
 admitiu 
 No 
mencionei 
a 
ningum 
at 
que 
recebi 
o 
terceiro. 
E 
a 
quem 
contou 
ento? 
Fora 
de 
Spicer. 
Porque 
que 
estou 
seguro 
de 
que 
contou 
ao 
querido 
Dean. 
Contei 
a 
Jeff 
 
contou, 
passando 
por 
alto 
o 
comentrio 
sarcstico 
 E 
depois 
a 
Bill. 
Porque 
podia 
pr 
em 
perigo 
a 
segurana 
da 
emissora. 
Ouvi 
como 
dizias. 
Quem 
mais 
sabe? 
Ningum. 
O 
falso 
obiturio 
chegou 
ontem. 
E 
isso 
foi 
a 
gota 
que 
encheu 
o 
copo. 
Esta 
manh, 
s 
oito, 
tive 
uma 
entrevista 
com 
um 
oficial 
de 
policia. 
Para 
o 
caso 
que 
me 
fez, 
podia 
ter 
dedicado 
esse 
tempo 
a 
tomar 
um 
banho 
de 
espuma. 
Que 
te 
disse? 
Quase 
ao 
p 
da 
letra 
explicou 
a 
conversa 
com 
o 
tenente 
Hunsaker. 
Minha 
vida 
pode 
estar 
em 
perigo, 
mas 
ele 
estava 
mais 
interessado 
em 
olhar 
minhas 
pernas. 
Bom, 


o 
caso 
 
que 
tentava 
acalmar 
com 
um 
monto 
de 
tolices 
sobre 
os 
ossos 
do 
oficio 
de 
ser 
uma 
pessoa 
famosa, 
como 
se 
eu 
no 
o 
soubesse. 
Cheirava 
a 
cigarro, 
a 
colnia 
barata 
e 
a 
machismo 
ao 
velho 
estilo. 
Parei 
aos 
ps, 
mas 
a 
nica 
coisa 
que 
entendi 
 
que, 
at 
que 
no 
me 
ocorra 
algo 
terrvel, 
a 
policia 
no 
pode 
fazer 
grande 
coisa 
fora 
de 
patrulhar 
por 
minha 
rua 
umas 
quantas 
noites 
 
semana. 
No 
te 
parece 
incrvel? 
Por 
desgraa, 
no. 
Contemplou-a 
durante 
uns 
instantes. 
Por 
isso 
se 
assustou 
aquela 
noite 
que 
encontramos 
Spicer 
em 
tua 
casa, 
verdade? 
E 
ainda 
est 
assustada. 
Cat 
mordeu 
os 
lbios 
e 
secou 
as 
palmas 
das 
mos 
suadas 
nas 
pernas 
dos 
jeans. 
Agora 
que 
tinha 
preparado 
o 
caf 
da 
manh 
e 
tinha 
confiado 
suas 
preocupaes 
se 
sentia 
nervosa, 
em 
parte 
porque 
podia 
adivinhar 
seu 
pensamento. 
Alex 
seguia 
impassvel, 
estudando-a 
com 
esses 
olhos 
que 
no 
perdiam 
nada. 
O 
que 
quer 
de 
mim, 
Cat? 
Ajuda. 
Ele 
se 
assustou. 
Minha 
ajuda?
 
a 
nica 
pessoa 
que 
conheo 
com 
uma 
mentalidade 
criminosa. 
Trabalhou 
com 
delinqentes, 
estudou 
seu 
comportamento, 
conhece 
o 
perfil 
de 
uma 
pessoa 
que 
faria 
uma 
coisa 
assim. 
Preciso 
de
sua 
opinio. 
 
obra 
de 
um 
comediante 
ou 
de 
um 
psicopta? 
Devo 
descart-lo 
como 
lixo 
ou 
tomar 
como 
um 
aviso? 
Deixando 
de 
lado 
o 
orgulho 
acrescentou: 
#
Estou 
aterrorizada, 
Alex. 
Isso 
eu 
j 
vi. 
E 
 
um 
alvo 
fcil. 
Cat 
agitou 
os 
cabelos 
com 
nervosismo. 
Sei-o, 
mas 
nego-me 
a 
viver 
em 
uma 
torre 
de 
marfim 
e 
a 
me 
converter 
em 
prisioneira 
de 
minha 
popularidade. 
Sempre 
existe 
a 
possibilidade 
de 
que 
um 
admirador 
se 
volte 
louco. 
A 
maioria 
s 
quer 
seu 
autgrafo, 
mas 
algum 
pode 
te 
matar. 
Assisti 
ao 
funeral 
de 
uma 
jovem 
atriz 
 
que 
um 
admirador, 
que 
assegurava 
ador-la, 
atirou 
nela 
quatro 
vezes. 
Moveu 
a 
cabea 
negativamente 
e 
disse 
com 
tristeza: 
Alex, 
j 
deve 
aprendender 
que 
quanto 
mais 
famoso 
voc 
, 
menos 
privada 
e 
segurana 
 
a 
sua 
vida. 
Os 
escritores 
desfrutam 
de 
maior 
anonimato 
que 
as 
estrelas 
da 
tv. 
Aceitou 
sua 
afirmao, 
mas 
seguiu 
pensando 
em 
voz 
alta. 
Gosto 
de 
ser 
popular, 
mentiria 
se 
dissesse 
o 
contrrio, 
mas 
o 
pagamento 
um 
preo 
muito 
alto 
por 
isso. 


 
Tinha-te 
sucedido 
antes 
algo 
similar? 
Explicou 
o 
que 
disse 
a 
Hunsaker 
sobre 
a 
correspondencia 
gerada 
por 
Passages. 
Aprendi 
a 
distinguir 
entre 
cartas 
de 
admiradores 
normais 
e 
as 
que 
estavam 
escritas 
por 
pessoas
desequilibradas. 
s 
vezes 
ficava 
nervosa, 
mas 
em 
geral 
no 
fazia 
caso. 
Nenhuma 
me 
tinha 
inquietado 
tanto 
como 
estes 
recortes. 
Talvez 
seja 
uma 
tolice 
e 
estou 
exagerando, 
mas... 
Aqui 
no 
h 
nenhuma 
ameaa 
direta 
 disse 
Alex. 
Se 
tivesse, 
seria 
mais 
fcil 
descart-la. 
Mas, 
desta 
forma, 
como 
se 
pode 
lutar 
contra 
o 
que 
no 
se 
v? 
E 
ainda 
que 
no 
veja 
o 
perigo, 
o 
pressinto. 
Talvez 
seja 
que 
minha 
imaginao 
est 
trabalhando 
a 
passo 
forado, 
mas 
ultimamente 
estou 
dstroada 
e 
no 
deixo 
de 
olhar 
a 
minhas 
costas. 
Sinto-me... 
Espreitada. 
Sim. 
Alex 
refletiu. 
Que 
achas 
que 
significa 
tudo 
isto, 
Cat? 
O 
que 
voc 
acha? 
Vim 
para 
saber 
tua 
opinio. 
Em 
troca 
desses 
horrveis 
ovos 
mexidos. 
J 
comi 
piores. 
Obrigado. 
Ficou 
calada, 
dando-lhe 
tempo 
para 
que 
ordenasse 
seus 
pensamentos. 
No 
a 
tinha 
ridiculizado 
por 
ter 
medo, 
ainda 
que, 
em 
verdade, 
desejava 
que 
o 
tivesse 
feito. 
Queria 
que 
dissesse 
que 
no 
era 
necessrio 
se 
preocupar 
pelas 
misteriosas 
mensagens. 
Te 
direi 
o 
que 
penso, 
mas 
 
s 
uma 
suposio 
 disse 
ele. 
Fao-me 
cargo. 
A 
pior 
hiptese... 
Cat 
assentiu. 
Tantas 
coincidncias 
mereceriam 
aparecer 
no 
livro 
Guiness 
dos 
recordes. 
Nisso 
eu 
acredito 
tambm. 
Separadas, 
as 
causas 
das 
mortes 
eram 
estranhas, 
mas 
acreditveis. 
Agrupadas, 
comeam 
a 
feder. 
Entendo. 
#
Tendo 
em 
conta 
o 
tempo 
e 
a 
distncia, 
a 
pessoa 
que 
te 
enviou 
os 
recortes 
no 
os 
encontrou 
por 
acaso. 
Conhecia 
as 
mortes. 
Inclusive 
 
possvel 
que 
fosse 
o 
responsvel. 
Se 
d 
por 
suposto 
que 
foram 
homicdios 
e 
no 
vontade 
divina. 
Aonde 
nos 
leva 
isso? 
Se 
 
o 
culpado 
dessas 
mortes, 
e 
neste 
ponto 
no 
est 
nada 
claro, 
no 
 
o 
assassino 
em 
srie 
habitual. 
No 
tem 
escolhido 
a 
suas 
vtimas 
a 
esmo. 
O 
destino 
tem 
escolhido 
suas 
vtimas. 
No 
obstante, 
teve 
muitos 
obstculos 
para 
encontr-las 
e 
mat-las 
de 
forma 
muito 
ingeniosa. 
Qual 
o 
motivo? 
Isto 
 
simples, 
Cat. 
O 
corao 
do 
doador. 
Disse 
o 
que 
ela 
temia. 
A 
hiptese 
de 
Alex 
coincidia 
com 
a 
sua 
ao 
p 
da 
letra. 
Essas 
trs 
pessoas 
transplantadas 
receberam 
o 
corao 
no 
mesmo 
dia 
que 
tu. 
O 
psicpata
conhecia 
a 
um 
dos 
doadores 
por 
alguma 
razo, 
no 
pode 
suportar 
que 
esse 
corao 
siga 
pulsando. 
 
evidente 
que 
no 
sabe 
quem 
 
o 
receptor, 
de 
modo 
que 
est 
eliminando 
todas 
as 
possibilidades. 
Um 
depois 
de 
outro, 
vai 
matando 
aos 
transplantados 
que 
receberam 
o 
corao 
nesse 
dia 
concreto, 
e 
sabe 
que, 
tarde 
ou 
cedo, 
acertar. 
Mas 
por 
qu? 
Para 
que 
o 
corao 
deixe 
de 
bater. 
Isso 
eu 
j 
sei, 
mas 
por 
qu? 
Se 
for 
algum 
to 
prximo 
ao 
doador 
 
mais 
que 
provvel 
que 
fosse 
quem 
deu 
a 
permisso 
para 
o 
transplante. 
Por 
que 
teria 
mudado 
de 
ideia? 
Qualquer 
sabe. 
Talvez 
acordasse 
uma 
manh, 
meses 
aps 
o 
transplante, 
e 
pensou: 
Deus 
meu, 
que 
fiz 
Aos 
familiares 
de 
doador 
obriga-se 
a 
tomar 
uma 
deciso 
a 
toda 
pressa 
e 
nas 
piores 
condies. 
Talvez 
sentisse 
pressionado 
para 
a 
doao. 
A 
idia 
comeou 
a 
obcec-lo 
e 
j 
no 
podia 
seguir 
vivendo 
com 
seu 
sentido 
de 
culpa. 
No 
leu 
O 
corao 
delator, 
de 
Poe? 
Esse 
corao 
no 
est 
enterrado. 
Segue 
pulsando. 
Bem, 
igual 
que 
a 
personagem 
do 
relato, 
a 
pessoa 
que 
te 
espreita 
o 
escuta 
continuamente. 
Isso 
o 
atormenta 
e 
o 
est 
ficando 
louco. 
No 
pode 
o 
suportar 
e 
quer 
o 
silenciar 
para 
sempre. 
Faz 
favor... 
gemeu 
Cat. 
Alex 
acariciou 
sua 
mo. 
Ou 
podemos 
estar 
equivocados 
de 
cabo 
a 
rabo. 
Voc 
pediu 
a 
minha 
opinio 
e 
esta 
 
a 
que 
tenho. 
Espero 
estar 
equivocado. 
Mas 
no 
acredita. 
No 
contou, 
mas 
no 
fazia 
falta. 
Ela 
leu 
a 
afirmao 
em 
seus 
olhos. 
Digamos 
que 
estamos 
na 
verdade. 
Como 
pode 
seguir 
a 
pista 
dessas 
pessoas, 
e 
chegar 
a 
voc? 
Deu 
a 
mesma 
explicao 
que 
a 
Hunsaker 
a 
respeito 
do 
nmero 
de 
UNS. 
Aps 
pensar 
sobre 
isso, 
disse:
Transplantes 
de 
corao 
ainda 
so 
notcia. 
 
possvel 
que 
encontrou 
as 
pistas 
que 
tinha 
tirando 
de 
aqui 
e 
de 
l. 
Quem 
sabe? 
At 
que 
no 
sabe 
que 
classe 
de 
tipo 
, 
no 
sabes 
como 
atua. 
Tem 
que 
ter 
dinheiro 
 disse 
ela. 
Por 
qu? 


#
Porque 
durante 
os 
ltimos 
quatro 
anos 
viajou 
por 
todo 
o 
pas. 
No 
podia 
pedir 
carona? 
Viajar 
num 
trem 
de 
cargas? 
Dispunha 
de 
um 
ano 
entre 
crime 
e 
crime, 
de 
modo 
que 
podia 
conseguir 
empregos 
temporrios 
para 
manter-se 
enquanto, 
pouco 
a 
pouco, 
se 
aproximava 
da 
sua 
prxima 
vtima. 
No 
tinha 
me 
ocorrido 
isso. 
Pode 
ser 
qualquer 
um. 
Um 
homem 
de 
negcios 
que 
s 
viaja 
em 
primeira 
classe 
ou 
um 
vagabundo. 
Seja 
quem 
for, 
esse 
filho 
de 
puta 
 
inteligente 
e 
astuto. 
Uma 
pessoa 
adaptvel, 
um 
camaleo. 
Pois, 
no 
teria 
conseguido 
se 
aproximar 
o 
suficiente 
dessas 
pessoas 
para 
assassin-las 
sem 
levantar 
suspeita? 
Como 
a 
mulher 
de 
Flrida. 
Atravessa 
uma 
porta 
de 
vidro 
em 
sua 
prpria 
casa. 
Se 
a 
empurraram, 
tinha 
que 
estar 
com 
ela 
dentro 
da 
casa. 
-Ele 
pode 
ter 
se 
passado 
por 
encanador 
ou 
eletricista 
 
aventurou 
Cat. 


 
E 
ela 
ficou 
regando 
as 
plantas 
enquanto 
tem 
um 
funcionrio 
em 
casa?
 
possvel. 
Mas 
pouco 
provvel. 
Eu 
imagino 
pedindo 
a 
algum, 
a 
quem 
conhece 
e 
confie, 
que 
segure 
a 
escada 
enquanto 
ela 
rega 
a 
samambaia. 
Cat 
estremeceu. 
Tem 
que 
ser 
um 
monstro. 
Mas 
no 
mata 
por 
prazer 
nem 
ao 
louco. 
Controla 
e 
est 
totalmente 
concentrado 
em 
sua 
misso, 
impulsionado 
pela 
vingana 
pela 
religio 
ou 
por 
qualquer 
outra 
motivao 
muito 
arraigada.
 
curioso 
o 
que 
motiva 
s 
pessoas 
a 
fazer 
o 
que 
fazem, 
que 
s 
vezes 
parece 
no 
fazer 
sentido. 
Ela 
no 
se 
importa 
como 
possa 
afetar 
a 
outros 
seres 
humanos 
sempre 
que 
conseguem 
seus 
propsitos. 
Suas 
palavras 
tinham 
um 
duplo 
significado 
que 
Alex 
captou 
de 
imediato. 
Continua 
achando 
que 
sou 
um 
imbecil. 
Sim. 
Sem 
a 
menor 
dvida. 
Disse 
com 
a 
mesma 
convico 
que 
se 
tivesse 
perguntado 
se 
h 
que 
erradicar 
a 
fome 
no 
mundo. 
No 
mereo 
um 
pouco 
de 
considerao 
por 
ter 
sido 
sincero 
contigo? 
Seguro 
que 
tua 
sinceridade 
era 
interessada. 
Cat, 
no 
me 
julgue 
com 
tanta 
severidade. 
No 
poderia 
tentar 
me 
entender? 
Entendo-te 
perfeitamente. 
Estava 
com 
vontade 
e 
ali 
estava 
eu. 
No 
te 
precisava 
a 
ti 
para 
trepar! 
gritou. 
Pois 
devia 
ter 
se 
jogado 
em 
outra! 
Por 
que 
tinha 
tanta 
pressa, 
fez 
eu 
me 
apaixonar 
e 
o 
fez 
a 
propsito! 
Ia 
contestar, 
mas 
mudou 
de 
ideia. 
Coou 
a 
cabea 
e 
amaldioou 
para 
suas 
adentros. 
Por 
fim, 
disse: 
Declaro-me 
culpado. 
Fiz-te 
achar 
que 
o 
impossvel 
era 
possvel. 
Por 
que 
 
impossvel? 
No 
queria 
contestar. 
Alex, 
que 
 
o 
que 
te 
corroe? 
No 
posso 
falar 
disso. 
Tenta-o 
comigo. 
Para 
valer, 
Cat, 
no 
gostaria 
de 
sab-lo. 
Seja 
o 
que 
for, 
o 
sexo 
no 
te 
vai 
ajudar 
a 
te 
sentir 
melhor. 
#
Olhou-a 
irritado. 
Algum 
dos 
dois 
est 
lembrando 
erradamente. 
Eu 
no 
s 
me 
senti 
melhor, 
seno 
no 
stimo 
cu. 
No 
quero 
dizer 
fisicamente. 
Claro 
que 
foi 
estupendo 
nesse 
sentido. 
Mas 
essa 
mentalidade 
masculina 
 
incomprensvel 
para 
as 
mulheres. 
Ao 
menos 
para 
mim. 
No 
sabem 
distinguir 
o 
fsico 
do 
emocional. 
Se 
vai 
bem 
de 
cintura 
para 
baixo, 
que 
mais 
d 
o 
demais? 
As 
mulheres... 
Poderia 
ser 
uma 
mulher 
 
disse 
ele 
de 
repente. 
Que? 
A 
pessoa 
que 
te 
ameaa 
pode 
ser 
uma 
mulher. 
Melia. 
Por 
que? 
Cat 
nem 
sequer 
deu 
conta 
ao 
dizer 
o 
nome 
em 
voz 
alta 
Agora 
j 
era 
muito 
tarde. 
Uma 
garota 
da 
emissora. 
Tivemos 
vrios 
confrontos 
Era 
a 
segunda 
vez 
que 
explicava 
esta 
manh. 
Me 
parece 
que 
a 
vi 
 disse 
Alex Boas 
tetas, 
melena 
negra, 
lbios 
carnudos 
e 
longas 
pernas. 
Vejo 
que 
no 
te 
escapaou 
nenhum 
detalhe.
 
difcil 
que 
passe 
desapercebida. 
Tambm 
 
malintencionada 
e 
odiosa, 
mas 
no 
me 
imagino 
que 
possa 
ser 
uma 
assassina. 
Qualquer 
pessoa 
 
suspeita, 
Cat. 
Qualquer 
um 
capaz 
de 
matar 
No 
o 
creio. 
Uma 
vez 
prendi 
uma 
criana 
de 
treze 
anos 
por 
ter 
liquidado 
a 
sua 
me 
enquanto 
dormia. 
O 
motivo? 
Tinha-a 
repreendido 
por 
colcocar 
muita 
sombra 
nos 
olhos. 
Era 
uma 
criatura 
de 
aspecto 
inocente 
com 
aparelhos 
nos 
dentes 
e 
um 
pster 
de 
Mickey 
Mouse 
em 
seu 
dormitrio. 
H 
assassinos 
entre 
ns 
dois 
que 
no 
suspeitamos. 
E 
este 
 
mais 
esperto 
que 
um 
esquilo. 
Supondo 
que 
tenha 
um 
assassino. 
Alex 
olhou 
as 
cpias 
de 
recortes. 
Teria 
que 
denunciar 
ao 
Departamento 
de 
Justia 
O 
que 
faltava. 
Devia 
de 
ser 
mais 
grave 
do 
que 
dava 
a 
entender. 
E 
o 
que 
vo 
fazer? 
Designar 
a 
algum 
para 
que 
pesquise 
as 
mortes. 
Isso 
supe 
muito 
tempo 
e 
muita 
burocracia, 
no? 
Seria 
a 
primeira 
vez 
que 
qualquer 
assunto 
que 
implique 
ao 
governo 
federal 
se 
movesse 
com 
agilidade. 
Falta 
menos 
de 
um 
ms 
para 
o 
aniversrio 
de 
meu 
transplante, 
E 
tenho 
o 
pressentimento 
de 
que 
serei 
a 
prxima 
vtima. 
Alex 
leu 
uma 
vez 
mais 
a 
xrox 
do 
obiturio. 
Quer 
que 
o 
encontre. 
Caso 
contrrio 
no 
os 
enviaria. 
Existe 
uma 
finalidade 
por 
trs 
de 
seus 
crimes, 
mas 
no 
a 
segue 
nem 
por 
instinto 
nem 
por 
prazer; 
sente-se 
obrigado 
a 
seu 
retorcido 
ideal, 
mas 
sabe 
que 
est 
equivocado. 
Roga 
que 
o 
detenham. 
Espero 
que 
o 
consigamos 
a 
tempo. 
Por 
que 
fala 
no 
plural? 
Sou 
incapaz 
de 
faz-lo 
sozinha, 
Alex. 
No 
tenho 
contatos 
nem 
experincia. 
Tu 
sim. 


#
O 
caf 
da 
manh 
est-me 
saindo 
caro. 
E 
se 
renuncio? 
No 
o 
creio; 
ainda 
h 
muito 
policial 
dentro 
de 
ti, 
Juraste 
cumprir 
com 
teu 
dever. 
Entregar 
uma 
placa 
no 
te 
libertou 
do 
compromisso. 
Se 
eu 
fosse 
uma 
desconhecida 
no 
me 
deixarias 
de 
lado; 
e 
se 
morresse 
de 
forma 
misteriosa 
nunca 
to 
perdoarias. 
Alex 
assobiou. 
Sabes 
jogar 
sujo.
Estou-me 
pondo 
a 
tua 
altura. 
Com 
sua 
habitual 
franqueza, 
Cat 
no 
se 
cortou. 
s 
a 
ltima 
pessoa 
 
que 
quisesse 
ter 
pedido 
ajuda, 
e 
no 
foi 
fcil 
vir 
aqui. 
Se 
tivesse 
outra 
opo, 
no 
teria 
recorrido 
a 
ti. 
Vale. 
Farei 
o 
que 
posso. 
Por 
onde 
sugere 
que 
comece? 
Aqui. 
Em 
Texas. 
Era 
evidente 
que 
no 
esperava 
uma 
resposta 
to 
rotunda. 
Por 
qu? 
No 
disse 
a 
ningum, 
mas 
tenho 
uma 
pista 
sobre 
a 
origem 
de 
meu 
corao 
prestado. 
Na 
noite 
de 
meu 
transplante 
ouvi 
que 
uma 
enfermeira 
dizia 
que 
vinha 
de 
Texas. 
Sempre 
achei 
que 
meu 
corao 
 
de 
aqui. 
Quis 
que 
parecesse 
s 
uma 
ideia 
sem 
definio 
e 
acrescentou: 
Talvez 
foi 
isso 
o 
que 
me 
trouxe 
aqui. 
Esta 
manh 
voc 
lanou 
a 
isca 
e 
 
lgico 
que 
me 
fisgou. 
Insinuas 
que 
vieste 
a 
Texas 
porque 
teu 
doador 
vivia 
aqui? 
Dean 
acha 
que 
esta 
classe 
de 
transferncia 
espiritual 
 
absurda. 
Tu 
que 
pensas? 
Estou 
de 
acordo. 
Levantou 
a 
sobrancelha 
para 
indicar 
que 
havia 
notado 
falta 
de 
convico 
em 
sua 
voz. 
Mas 
seguro 
que 
 
um 
tema 
estimulante 
para 
um 
debate. 
Talvez 
algum 
dia 
possa 
abrir 
um 
debate. 
Agora 
o 
que 
preciso 
 
descobrir 
 
pessoa 
que 
me 
ameaa. 
Texas 
 
a 
nica 
referncia 
que 
tenho. 
Bem. 
H 
que 
seguir 
o 
procedimento 
habitual. 
Alex: 
outra 
coisa. 
Pretendo 
saber 
se 
a 
famlia 
do 
doador 
tem 
tentado 
pr-se 
em 
contato 
comigo. 
Em 
srio? 
Vai 
na 
contramo 
de 
tua 
deciso, 
no? 
Voc 
me 
disse 
que 
no 
queria 
saber 
nada 
sobre 
teu 
doador. 
J 
no 
tenho 
outra 
oportunidade. 
Esto 
pesquisando 
nos 
arquivos. 
To 
comunicarei, 
se 
 
que 
h 
algo. 
De 
acordo. 
Enquanto 
comearei 
por 
Texas 
e 
seguirei 
a 
pista. 
Tambm 
tentarei 
averiguar 
algo 
sobre 
essas 
mortes 
acidentais. 
Poderia 
ter 
outro 
denominador 
comum 
entre 
essas 
vitimas. 
Mas 
no 
posso 
te 
prometer 
nada. 
Te 
agradecerei 
qualquer 
coisa 
que 
faas. 
Cat 
levantou-se 
e 
mostrou 
a 
geladeira. 
Deixei 
alguma 
coisa 
para 
voc 
comer. 
Acompanhou-a 
at 
a 
porta. 
Cat, 
no 
v 
embora. 


#
J 
terminamos 
de 
falar 
de 
negcios. 
Mas 
no 
de 
ns. 
No 
h 
mais 
que 
falar, 
Alex. 
Reconheceu 
que 
 
um 
imbecil 
e 
sabe 
que 
no 
quero 
s 
sexo. 
Ainda 
que 
haja 
algo 
que 
me 
intriga. 
Por 
que 
foste 
sincero 
to 
cedo? 
Podia 
ter-me 
tido 
o 
que 
quisesse. 
Sofreu 
um 
ataque 
de 
culpa? 
Ou 
Arnie 
ameaou 
em 
retirar 
os 
adiantamentos 
se 
voc 
no 
se 
comportasse 
como 
um 
bom 
garoto? 
Em 
vez 
de 
responder 
 
custica 
pergunta, 
apoiou 
a 
cara 
no 
dorso 
da 
mo. 
H 
um 
refro 
que 
diz: 
Tem 
cuidado 
com 
o 
que 
quer. 
Eu 
queria 
me 
deitar 
contigo 
e 
esquecer 
do 
mundo. 
Assim 
foi, 
mas 
tambm 
consegui 
outra 
coisa 
com 
a 
que 
no 
contava. 
Deu-me 
medo. 
Algo 
que 
no 
sabia 
como 
solucionar 
Resiguiu 
o 
perfil 
de 
seus 
lbios 
com 
o 
polegar. 
E 
que 
ainda 
no 
sei. 



Captulo 
trinta 
e 
cinco 


Assim 
 
como 
estamos. 
Queria 
que 
voc 
soubesse. 
Cat 
explicou 
tudo 
a 
Jeff 
Doyle 
e 
a 
Bill 
Webster 
e 
agora 
esperava 
sua 
reao. 
O 
escritrio 
de 
Webster 
era 
tranqilo, 
afastado 
da 
catica 
atividade 
dos 
escritrios 
de 
noticirios. 
Ela 
e 
Jeff 
estavam 
sentados 
no 
sof 
de 
couro 
cor 
creme 
e 
o 
presidente 
da 
emissora 
na 
cadeira 
do 
jogo. 
Sua 
postura 
relaxada 
era 
enganosa: 
o 
homem 
estava 
molesto. 
Esse 
oficial 
de 
policia... 
Hunsaker. 
No 
te 
fez 
caso? 
Mais 
ou 
menos 
 contou 
Cat 
 
Especialmente 
aps 
que 
o 
banco 
de 
rgos 
me 
informasse 
de 
que 
a 
famlia 
do 
doador 
nunca 
tentou 
me 
localizar. 
Isto 
a 
deixou 
desiludida 
e 
alegre 
ao 
mesmo 
tempo. 
Contente 
por 
no 
ter 
que 
saber 
detalhes 
pessoais 
do 
doador. 
E 
desiludida 
porque 
j 
no 
poderia 
identificar 
quem 
podia 
ser 
seu 
assassino. 
A 
indiferena 
do 
tenente 
Hunsaker 
 
exasperante. 
Mas 
quando 
disse 
a 
Alex 
no 
lhe 
surpreendeu. 
A 
no 
ser 
que 
cometa-se 
um 
delito, 
que 
pode 
fazer 
a 
policia? 
No 
h 
nenhuma 
causa 
de 
deteno, 
nem 
ainda 
que 
soubssemos 
quem 
prender, 
coisa 
que 
no 
sabemos. 
Algo 
poder 
se 
fazer 
 insistia 
Jeff. 
Estamos 
fazendo 
tudo 
o 
que 
podemos 
contou 
Cat Alex 
ainda 
tem 
amizades 
no 
Departamento 
de 
Policia 
de 
Houston, 
antigos 
colegas 
que 
olharo 
no 
computador 
e 
coisas 
pelo
estilo. 
Alex 
dispe 
de 
recursos 
que 
os 
cidados 
comuns, 
como 
ns, 
no 
temos 
acesso. 
s 
vezes 
esquece-se 
de 
mencionar 
j 
que 
nem 
a 
policia 
nem 
a 
gente 
fala. 
Pode 
ser 
convincente. 
Confias 
nele? 
perguntou 
Bill. 


 
Por 
que 
no 
teria 
que 
o 
fazer? 
#
Bill 
mostrou 
o 
envelope 
marrom 
que 
Cat 
levava 
as 
cpias 
dos 
recortes 
e 
do 
obiturio. 
Parece-me 
que 
esse 
envelope 
 
motivo 
suficiente 
para 
estar 
alerta 
ante 
qualquer 
desconhecido 
que 
aparea 
em 
tua 
vida. 
Alex 
Pierce 
no 
 
um 
desconhecido 
 verbalizou 
Jeff. 
Que 
sabes 
dele, 
Cat? 
insistiu 
Bill. 
Fora 
o 
evidente; 
isto 
: 
que 
fisicamente 
seja 
atraente. 
Ofende 
a 
sua 
insinuao, 
Bill. 
No 
me 
fiquei 
babando 
por 
um 
homem 
lindo. 
No 
estou 
cega 
pela 
paixo. 
No 
te 
enfades; 
s 
queria 
dizer... 
Queria 
dizer 
que 
ns 
mulheres 
pensamos 
com 
o 
corao 
e 
no 
com 
a 
cabea. 
Somos 
o 
sexo 
dbil: 
nossa 
inteligncia 
no 
d 
para 
reconhecer 
a 
um 
lobo 
disfarado 
de 
cordeiro. 
Levantou-se 
e 
dirigiu-se 
 
janela. 
Do 
terceiro 
andar 
ela 
contemplava 
o 
trfico 
para 
tentar 
acalmarse. 
Quando 
conseguiu 
deu 
a 
volta. 
Me 
desculpe, 
Bill. 
Voc 
se 
preocupa 
comigo 
e 
eu 
salto 
 
primera 
de 
mudana.
 
lgico: 
est 
submetida 
a 
uma 
grande 
presso. 
Isso 
est 
te 
afetando 
fsicamente? 
Fora 
algumas 
noites 
de 
insnia, 
no. 
Poderamos 
suspender 
o 
programa 
durante 
umas 
semanas. 
At 
que 
este 
assunto 
se 
solucione. 
Seguro 
que 
Sherry 
o 
entenderia 
 
disse 
Jeff 
apoiando 
a 
sugesto 
de 
Bill. 
De 
nenhuma 
forma. 
No 
ter 
nada 
em 
troca 
da 
minha 
vida; 
seguirei 
fazendo 
o 
mesmo 
de 
sempre. 
Nenhum 
louco 
dirigir 
minha 
existncia. 
Mas 
se 
a 
presso 
emocional 
chega 
a 
pr 
em 
perigo 
tua 
sade... 
Encontro-me 
estupendamente, 
em 
srio. 
Bill: 
quero 
deixar 
uma 
coisa 
bem 
clara. 
Pode 
guardar 
para 
voc 
a 
sua 
opinio 
sobre 
Alex. 
Preciso 
de 
sua 
ajuda. 
Isso 
 
tudo. 
Caminhou 
at 
o 
mvel 
onde 
a 
secretria 
deixou 
um 
servio 
de 
caf. 
Quer 
uma 
caneca? 
Ambos 
declinaro 
o 
oferecimento. 
Cat 
serviu-se 
uma 
caneca 
sem 
pressas. 
Recordava 
a 
despedida 
na 
casa 
de 
Alex. 
Tinha 
tentado 
beijla, 
mas 
ela 
no 
permitiu. 


E 
saiu 
antes 
que 
os 
hormnios 
brincassem 
com 
ela 
e 
ofuscar 
sua 
mente. 
As 
insinuaes 
de 
Bill 
no 
iam 
desencaminadas; 
talvez 
por 
isso 
a 
tinha 
molestado. 
Olhou 
a 
Bill 
e 
a 
Jeff 
e 
comentou: 
Segundo 
parece, 
algum 
decidiu 
me 
parar 
meu 
relgio. 
No 
 
coisa 
de 
piada 
 disse 
Jeff. 
Estou 
de 
acordo, 
Jeff 
 acrescentou 
Bill 
enquanto 
esfregava 
as 
mos 
como 
um 
general 
a 
ponto 
de 
dar 
ordens 
s 
tropas. 
Enviarei 
uma 
circular 
para 
que 
no 
entre 
ningum 
no 
edifcio 
sem 
crach 
e 
acompanhado 
de 
identificao. 
Cat 
de 
agora 
em 
diante, 
algum 
te 
acompanhar 
quando 
entrars 
e 
sair 
do 
carro 
at 
a 
entrada 
de 
pessoal. 
Bill, 
acho 
que... 
Est 
fora 
de 
discusso. 
Jeff: 
quando 
tiver 
que 
filmar 
em 
externas, 
que 
um 
dos 
guardas 
os 
acompanhe. 
Podem 
ficar 
na 
van 
dos 
tcnicos.
 
preciso 
que 
algum 
v 
armado? 


#
Boa 
ideia, 
senhor 
Webster 
 
disse 
Jeff 
sem 
fazer 
caso 
do 
comentrio 
de 
Cat. 
Sabia 
que 
protestar 
no 
serviria 
de 
nada, 
mas 
se 
negou 
redondamente 
quando 
Bill 
sugeriu 
colocar 
um 
vigilante 
em 
sua 
casa 
vinte 
e 
quatro 
horas 
por 
dia. 
Isso 
sim 
que 
no.
Sria 
a 
cargo 
da 
empresa. 
 
um 
objeto 
valioso: 
no 
consertaremos 
em 
despesas 
com 
tal 
de 
te 
proteger. 
No 
sou 
uma 
obra 
de 
arte. 
Sou 
uma 
pessoa 
e 
nego-me 
a 
ter 
um 
gorila 
com 
traje 
barato 
rodeando 
em 
minha 
casa. 
No 
quero 
viver 
como 
uma 
prisioneira 
em 
meu 
prprio 
lar. 
Se 
fizer 
isso, 
irei 
viver 
num 
hotel 
e 
ningum 
saber 
onde 
estou. 
Estou 
falando 
srio, 
Bill. 
No 
penso 
em 
permitir 
que 
esse 
neurtico 
controle 
minha 
vida 
mais 
do 
que 
j 
exerce. 
Depois 
de 
uns 
minutos 
de 
acalorada 
discusso, 
Bill 
cedeu 
a 
imposio. 
Pouco 
depois, 
ela 
e 
Jeff 
saram 
do 
escritrio. 
Enquanto 
baixavam 
no 
elevador, 
Jeff 
disse: 
S 
quer 
te 
proteger, 
Cat.
Agradeo, 
mas 
temos 
que 
manter 
isto 
dentro 
dos 
limites 
e 
no 
exagerar. 
 
provvel 
que 
Hunsaker 
tenha 
razo. 
Deixei 
voar 
a 
imaginao 
e 
minha 
histeria 
foi 
contagiosa. 
No 
 
histrica. 
Sairam 
e 
dirigiram-se 
 
redao. 
Talvez 
a 
palavra 
histeria 
seja 
muito 
forte. 
No 
obstante, 
estou 
deixando 
que 
umas 
cartas 
annimas 
me 
atemorizadar. 
O 
senhor 
Pierce 
no 
deu 
achou 
que 
fosse 
obra 
de 
um 
louco.
 
novelista. 
Talvez 
deva 
pensar 
melhor 
antes 
de 
falar 
com 
ele; 
tem 
muita 
imaginao. 
Seu 
trabalho 
dirio 
 
inventar 
crimes 
e 
violncia. 
Aproveitou 
uma 
ideia 
minha 
e 
a 
enfeitou 
at 
converter 
em 
um 
filme 
de 
suspense. 
Boa 
ideia. 
Escreverei 
um 
roteiro 
e 
o 
enviarei 
a 
Hollywood. 
Cat 
e 
Jeff 
deram-se 
a 
volta 
ao 
ouvir 
a 
voz 
de 
Alex. 
Mas 
tens 
que 
interpretar 
o 
principal 
papel 
 disse 
a 
Cat 
em 
tom 
cordial. 
Ol, 
Jeff. 
Ambos 
estavam 
surpreendidos 
do 
ver. 
Cat 
se 
recuperou 
primeiro. 
No 
te 
esperava. 
Falavam 
vrias 
vezes 
por 
telefone 
desde 
a 
manh 
do 
caf 
da 
manh 
em 
sua 
casa, 
mas 
no 
tinham 
se 
visto. 
Ele 
esteve 
em 
Houston 
e 
Cat 
no 
sabia 
que 
j 
voltara. 
Encontrei 
algo 
que 
talvez 
valha 
a 
pena 
pesquisar. 
Nesta 
tarde 
tenho 
uma 
entrevista 
com 
um 
tipo 
que 
aceitou 
falar 
comigo. 
Talvez 
no 
saque 
nada, 
mas 
precisar 
sair 
da 
emissora. 
Jeff, 
que 
temos 
para 
esta 
tarde? 
Pouca 
coisa. 
Nada 
que 
no 
se 
possa 
adiar? 
Jeff 
negou 
com 
a 
cabea. 
Um 
momento, 
Cat. 
Siga 
seu 
plano 
de 
trabalho. 
No 
v 
a 
nenhuma 
parte. 
Claro 
que 
sim. 
Vou 
ir 
contigo. 
No 
 
uma 
boa 
ideia. 
Quando 
souber 
de 
algo 
te 
direi. 


#
No 
 
suficiente. 
Ficaria 
louca 
esperando. 
Vou 
ir. 
No 
ser 
divertido 
e 
pode 
ser 
perigoso. 
Tambm 
o 
 
ficar 
sentada 
esperando 
a 
que 
um 
demente 
pule 
sobre 
voc. 
Vou 
tomar 
a 
medicao 
e 
volto. 
Caminhou 
at 
a 
porta 
do 
escritrio 
e 
deu 
a 
volta. 
Se 
foi 
sem 
mim 
saira 
te 
custar 
muito. 
Deixou-o 
esperando. 
Jeff 
recolheu 
os 
recados 
e 
os 
entregou 
a 
secretaria 
que 
ocupava 
o 
lugar 
de 
Melia 
e 
entrou 
no 
escritrio. 
Ligou 
para 
Sherry. 
Que 
diz? 
Cat 
devolveu 
os 
medicamentos 
a 
gaveta 
e 
fechou 
com 
chave. 
voc 
No 
ir 
gostar. 
Jeff 
franziu 
o 
cenho 
ao 
deixar 
a 
nota 
em 
cima 
da 
mesa. 
Michael 
volta 
a 
estar 
com 
seus 
pais. 
Deus 
meu! 
Seu 
advogado 
convenceu 
um 
promotor 
influencivel 
para 
que 
retirasse 
os 
cargos. 
George 
Murphy 
voltou 
a 
se 
livrar 
da 
priso 
Por 
um 
fio. 
Cat 
via 
a 
cara 
do 
menino 
e 
sentiu 
raiva 
e 
angstia 
ante 
a 
ideia 
de 
que 
voltasse 
a 
ser 
maltratado 
fsica 
e 
emocionalmente. 


 
O 
Que 
falta 
para 
retirar 
a 
custodia 
do 
menino? 
At 
que 
o 
desmenbrem? 
Como 
 
possvel 
que 
uma 
assistente 
social 
o 
permita? 
Sherry 
disse-nos 
que 
ocuparia 
pessoalmente 
do 
caso. 
Outro 
indcio 
de 
maus 
tratos 
e 
o 
menino 
no 
voltar 
a 
essa 
casa. 
Sherry 
no 
pode 
fazer 
guarda 
as 
vinte 
e 
quatro 
horas 
do 
dia. 
No 
obstante, 
a 
assistente 
social 
disse 
que 
Michael 
correu 
aos 
braos 
de 
sua 
me 
quando 
a 
viu. 
E 
que 
ela 
chorava 
e 
se 
beijaram. 
Segundo 
parece, 
esto 
muito 
unidos. 
Limita-se 
a 
sobreviver. 
A 
verdade 
 
que 
sinto 
algo 
por 
Michael. 
Algum 
outro 
telefonema? 
O 
doutor 
Spicer 
de 
Los 
Angeles. 
Quer 
ligue 
o 
antes 
possvel. 
O 
chamarei 
esta 
noite. 
Melhor 
agora. 
Disse 
 
secretria 
que 
era 
urgente. 
De 
acordo. 
Diga 
que 
ligue 
para 
ele. 
E 
vigia 
a 
Alex. 
No 
deixe 
que 
se 
v 
sem 
mim 
ainda 
que 
tenhas 
que 
o 
atar 
a 
uma 
cadeira. 
Enquanto 
esperava 
que 
passassem 
a 
ligao 
de 
Dean, 
separou 
o 
expediente 
de 
Michael 
dos 
demais. 
Ainda 
estava 
olhando 
sua 
fotografia 
quando 
a 
secretria 
anunciou 
que 
tinha 
a 
Dean 
ao 
aparelho. 
Tudo 
bom? 
disse 
com 
forada 
alegria 
 
Quanto 
me 
alegra 
te 
ouvir! 
Como 
ests? 
Muito 
bem. 
Pois 
no 
o 
parece. 
Bom, 
tive 
um 
desgosto. 
Resumiu 
o 
assunto 
de 
Michael. 
Os 
advogados 
fizeram 
um 
trato 
enquanto 
tomavam 
um 
par 
de 
cervejas 
sem 
ter 
em 
conta 
o 
bem
#
estar 
do 
menino. 
Deixemos 
isso. 
Tu 
s 
a 
voz 
tranquilizadora 
em 
um 
mundo 
incomprensvel. 
No 
chegue 
a 
concluses 
precipitadas. 
V. 
Tu 
tambm 
tens 
ms 
notcias? 
Parece-me 
que 
por 
hoje 
j 
tenho 
coberto 
a 
cota. 
No 
podes 
esperar? 
No. 
Pois 
adiante; 
no 
disponho 
de 
muito 
tempo. 
Na 
verdade 
j 
tinha 
que 
ter 
sado. 
Trata-se 
de 
Alex 
Pierce. 
O 
corao 
deu 
um 
viro. 
De 
Alex 
Pierce? 
Ainda 
bem 
que 
j 
no 
sai 
com 
ele. 
Suponho 
que 
no 
lhe 
disse 
nada 
dos 
recortes. 
Cat 
vacilou, 
mas, 
a 
seguir, 
disse: 
A 
verdade 
 
que 
sim 
o 
fiz. 
E 
agora 
realiza 
uma 
espcie 
de 
trabalho 
de 
detetive 
para 
mim. 
Deve 
de 
estar 
caoando! 
Pensei 
que 
com 
sua 
experincia 
como 
policia... 
Cat, 
no 
confie 
nele. 
No 
queria 
voltar 
de 
novo 
 
mesma 
histria. 
Como 
mimnimo, 
um 
noventa 
por 
cento 
da 
antipata 
de 
Dean 
estava 
baseada 
nas 
cime. 
Precisava 
sua 
opinio 
profissional; 
de 
modo 
que 
engoli 
meu 
orgulho 
e 
pedi 
sua 
ajuda. 
Aceitou 
em 
me 
ajudar 
a 
encontrar 
meu 
amigo 
annimo 
antes 
que 
aparea 
morta 
por 
acidente. 
Cat, 
escuta-me. 
Fiz 
algumas 
averiguaes 
sobre 
o 
passado 
de 
Pierce. 
Na 
biografia 
que 
aparece 
na 
contra-capa 
de 
seus 
livros 
deixaram 
muitas 
coisas. 
Voc 
fez 
averiguaes? 
Por 
qu? 
No 
te 
enfades. 
No 
estou 
chateada; 
estou 
indignada. 
No 
sou 
uma 
menina, 
Dean, 
nem 
voc 
 
meu 
anjo 
da 
guarda. 
Algum 
tem 
que 
o 
ser. 
Voc 
se 
deitou 
com 
esse 
homem 
sem 
saber 
nada 
dele. 
Sabia 
que 
queria 
me 
deitar 
com 
ele. 
Aps 
um 
silncio 
hostil, 
Dean 
disse: 
H 
algo 
mais 
que 
terias 
que 
saber. 
Algo 
que 
deveria 
saber 
da 
prxima 
vez 
que 
se 
meter 
em 
sua 
cama. 
Fez 
uma 
pausa. 
Alex 
Pierce 
 
um 
assassino 
sem 
escrpulos. 



Captulo 
trinta 
e 
seis 


Alex 
conduzia 
bem. 
Metido 
no 
intenso 
trfico, 
fazia 
circular 
o 
esportivo 
a 
boa 
velocidade 
e 
com 
destreza. 
O 
veculo 
era 
pequeno, 
com 
assentos 
baioxs 
e 
fofod 
que 
convidavam 
 
intimidade. 
O 
desejo 
sexual 
que 
Cat 
sentia 
por 
ele 
era 
como 
erupo 
permanente. 
Quanto 
mais 
consciente 
era 
disso, 
mais 


#
se 
enfurecia. 
Ests 
muito 
calada 
 disse 
Alex 
ao 
adiantar 
a 
um 
caminho. 
O 
gato 
comeu 
minha 
lngua. 
J. 
Pois 
sim. 
Ocorre 
algo 
ruim? 
Fora 
o 
fato 
de 
um 
psicpata 
queira 
me 
arrancar 
o 
corao. 
No. 
Cat 
suspirou 
e 
tirou 
umas 
mechas 
da 
frente. 
No 
tenho 
vontade 
de 
falar. 
Vale. 
Alex 
concentrou-se 
no 
volante 
e 
na 
estrada. 
Cat 
estava 
irada. 
Aps 
a 
informao 
de 
Dean, 
tinha 
sado 
do 
escritrio 
para 
encontrar 
a 
Alex 
flertando 
com 
Melia. 
Caminho 
da 
sada, 
ele 
perguntou:
 
essa 
a 
moa? 
 
essa 
a 
moa. 
Parece 
inofensiva. 
Cat 
olhou-o 
com 
desdenho. 
Voc 
estava 
deslumbrado 
mexendo 
o 
rabo. 
Mas 
foi 
ela 
que 
atirou 
Meus 
remdios 
na 
lixeira. 
No 
acho 
que 
seja 
um 
anjo, 
mas 
no 
d 
o 
tipo 
de 
uma 
assassina 
Sabes 
onde 
trabalhou 
antes? 
No. 


 
E 
algo 
de 
seu 
passado? 
No. 
Terei 
que 
pesquisar 
a 
fundo. 
Por 
suposto, 
pensou 
Cat. 
De 
modo 
que, 
alm 
de 
estar 
dominada 
pelo 
medo, 
em 
cima 
tambm 
pelo 
cime. 
Aps 
o 
que 
Dean 
lhe 
disse 
de 
Alex, 
estava 
zelosa 
de 
Melia? 
Seu 
futuro 
era 
desolador. 
Depois 
de 
um 
momento 
em 
silncio, 
ela 
disse: 
No 
me 
disse 
aonde 
vamos. 
A 
um 
povoado 
ao 
oeste 
de 
Austin. 
Nas 
montanhas. 
No 
esteve 
nunca 
ali? 
Cat 
negou 
com 
a 
cabea.
 
muito 
bonito. 
Parece-me 
que 
gostars. 
No 
 
uma 
visita 
turstica. 
Oxal 
fosse-o. 
Estavam 
a 
ponto 
de 
entrar 
em 
Austin 
pela 
estrada 
35, 
mas 
desviaram-se 
para 
o 
oeste 
por 
uma 
estrada 
nacional. 
Aps 
outra 
meia 
hora 
deixaram 
atrs 
Wimberly. 
Durante 
os 
ltimos 
vinte 
anos, 
a 
pequena 
populao 
tinha 
atrado 
a 
turistas. 
Durante 
os 
fins 
de 
semana, 
os 
mercadinhos 
e 
artesos 
faziam 
que 
a 
populao 
se 
triplicasse. 
Quando 
regressavam 
a 
suas 
casas, 
as 
ruas 
voltavam 
a 
ficar 
vazias 
e 
o 
povo 
recuperava 
a 
vida 
a 
passo 
de 
caracol 
at 
o 
prximo 
fim 
de 
semana. 
Aps 
deixar 
atrs 
o 
cartaz 
que 
marcava 
o 
limite 
do 
povoado, 
Alex 
tomou 
uma 
estrada 
que 
corra 
ao 
longo 
do 
Blanco 
River. 
Que 
rvores 
so 
essas 
que 
crescem 
na 
orla? 
perguntou 
Cat. 
#
Cipreses.
Tens 
razo. 
 
uma 
paisagem 
muito 
bonita. 
Pensei 
em 
comprar 
um 
pedao 
de 
terra 
por 
aqui 
e 
Construir 
uma 
casa. 
O 
Que 
te 
impede? 
Suponho 
que 
a 
falta 
de 
iniciativa. 
A 
estrada 
fez-se 
mais 
estreita 
e 
estava 
cheia 
de 
buracos. 
O 
esportivo 
deixava 
uma 
nuvem 
de 
poeira 
a 
seu 
passo. 
A 
certa 
distancia 
da 
estrada 
e 
dentro 
de 
um 
bosque 
de 
pecans, 
havia 
um 
edifcio, 
no 
outro 
lado 
do 
rio, 
onde 
as 
guas 
transparentes 
serpenteavam 
entre 
cantos 
rodados. 
O 
edifcio 
no 
se 
ajustava 
precisamente 
 
beleza 
natural 
da 
paisagem; 
Na 
verdade 
era 
antiesttico. 
As 
paredes 
de 
lminas 
metlicas 
onduladas 
estavam 
oxidadas 
e, 
em 
uma 
delas, 
tinha 
pintada 
uma 
caveira 
com 
duas 
mornas 
cruzadas. 
Uma 
bandeira 
dos 
confederados 
empoeirada 
e 
maltratada, 
pendurava, 
lnguida, 
no 
mastro. 
No 
tinha 
janelas. 
Nem 
nenhum 
cartaz, 
fora 
de 
um 
anncio 
luminoso 
de 
cerveja 
que 
piscava 
sobre 
a 
porta 
primeiramente. 
Fora 
estavam 
estacionados 
dois 
caminhes 
e 
uma 
Harley-Davidson. 
Cat 
dispunha-se 
a 
fazer 
um 
comentrio 
jocoso 
sobre 
o 
motel 
de 
m 
nota 
quando 
Alex 
entrou 
no 
estacionamento. 
Os 
pneus 
chiaram 
sobre 
a 
grama 
ao 
estacionar 
ao 
lado 
da 
moto. 
Est 
de 
piada? 
Vale 
mais 
que 
te 
cales. 
Inclinou-se 
sobre 
ela 
e 
abriu 
o 
porta-luvas. 
Um 
revlver 
esteve 
a 
ponto 
de 
cair 
no 
seu 
colo. 
Alex 
apanhou-o, 
abriu 
o 
tambor 
para 
assegurar-se 
de 
que 
estava 
carregado 
e 
voltou 
a 
fechar. 
J 
te 
adverti 
que 
no 
seria 
divertido. 
Se 
no 
quiser 
no 
precisa 
nem 
dizer. 
Cat 
olhou 
a 
entrada 
do 
edifcio, 
duvidosa. 
No. 
Se 
a 
dentro 
algum 
pode 
esclarecer 
o 
assunto, 
quero 
o 
saber. 
De 
acordo, 
mas 
ter 
que 
ficar 
calada 
e 
seguir 
o 
jogo, 
passe 
o 
que 
passe. 
Se 
comear 
a 
gritar 
no 
vai 
ser 
a 
nica 
prejudicada. 
Entendido? 
Cat 
no 
suportava 
que 
lhe 
dessem 
ordens 
e 
abriu 
a 
porta 
do 
carro, 
furiosa. 
Alex 
agarrou-a 
pelo 
brao. 
Entendido? 
Entendido 
 
contou 
no 
mesmo 
tom 
spero. 
Acercaram-se 
 
entrada 
e 
ela 
murmurou: 
Se 
eu 
soubesse, 
teria 
posto 
algo 
mais 
adequado. 
Por 
exemplo, 
jaqueta 
de 
couro 
e 
emissoras. 
Outra 
vez 
ser. 
Estaria 
melhor 
se 
fingisse 
de 
verdade 
nervosismo. 
Fingir 
nervosismo? 
Alex 
abriu 
a 
porta. 
Dentro, 
a 
atmosfera 
era 
to 
densa 
que 
podia 
se 
cortar. 
Durante 
uns 
segundos 
mal 
pde 
ver 
nada, 
mas 
os 
olhos 
de 
Alex 
devem 
ter 
acostumado 
de 
imediato, 
j 
que 
a 
empurrou 
at 
uma 
mesa 
e 
se 
dirigiu 
 
bar. 
Atendia-a 
um 
tipo 
gordo 
com 
olhos 
legaosos 
e 
uma 
barba 
negra 
e 
cheia 
que 
chegava 
at 
metade 
do 
peito. 
Os 
braos 
peludos 
como 
um 
urso 
repousavm 
sobre 
a 
tripa. 
Mascava 
chiclete 
enquanto 
olhava 
uma 
jogo 
de 
futebol 
em 
alvo 
e 
negro 
no 
televisor 
situado 
no 
ngulo 
da 
bar. 
Duas 
cervejas 
 
disse 
Alex. 
Da 
que 
tenha 
no 
barril. 
O 
homem 
olhou-o 
fixamente, 
sem 
mover-se, 
durante 
uns 
segundos. 
Depois, 
como 
se 
buscasse 


#
aprovao 
dirigiu 
a 
vista 
ao 
outro 
extremo 
do 
balco, 
onde 
outros 
dois 
clientes 
estavam 
sentados 
com 
a 
cabea 
abaixada. 
Por 
fim, 
cuspiu 
o 
chiclete 
ao 
cho, 
agarrou 
as 
asas 
de 
duas 
jarras 
com 
uma 
mo, 
abriu 
a 
espita 
e 
encheu-as. 
Alex 
os 
agradeceu, 
pagou 
e 
voltou 
 
mesa. 
Sentou-se 
ao 
lado 
de 
Cat. 
Finge 
que 
toma 
uns 
goles. 


 
No 
daro 
conta 
de 
que 
no 
bebemos? 
Sabem 
que 
no 
viemos 
beber. 
 
Pois 
sabem 
mais 
que 
eu. 
Que 
estamos 
fazendo 
aqui? 
 
Por 
agora, 
esperar. 
Rodeou-a 
com 
o 
brao 
e 
fez 
que 
se 
chegasse 
mais. 
Simulando 
que 
a 
mordiscava 
disse 
ao 
ouvido: 
No 
deixarei 
que 
te 
ocorra 
nada 
mau, 
prometo. 
Ela 
assentiu, 
mas 
jogou 
uma 
olhada 
aos 
outros 
dois 
clientes. 
Tinham 
dado 
meia 
volta 
no 
taburete 
e 
olhavam 
para 
ns 
trocando 
comentrios 
baixinhos. 
Um 
terceiro 
cliente, 
no 
que 
Cat 
no 
tinha 
fixado, 
estava 
diante 
da 
mquina 
de 
jogos, 
no 
outro 
extremo 
do 
balco. 
S 
via 
as 
costas. 
Era 
esqueltico 
e 
os 
magros 
jeans 
faziam 
sobras 
no 
traseiro. 
Tinha 
o 
cabelo 
reto, 
sujo 
e 
longo 
at 
o 
meio 
das 
costas. 
Dava 
a 
impresso 
de 
que 
jogava 
mais 
por 
aborrecimento 
que 
por 
nsias 
de 
ganhar. 
Quando 
o 
ltimo 
foguete 
se 
estrelou 
emitindo 
um 
som, 
deu 
a 
volta, 
levou 
a 
jarra 
aos 
lbios 
e 
caminhou 
a 
passo 
lento 
at 
a 
bar. 
Olhou-os, 
sentou-se 
em 
um 
dos 
taburetes 
e 
dedicou 
a 
contemplar 
a 
jogo 
de 
futebol. 
Cat 
murmurou: 
Quanto 
tempo 
teremos...? 
 
Silncio! 
Quero 
saber. 
 
Disse 
para 
fechar 
o 
bico 
e 
me 
deixe 
fazer 
isto 
a 
meu 
modo! 
A 
repentina 
alterao 
do 
tom 
de 
voz 
de 
Alex 
deixou-a 
pasmada. 
Olhou-o 
enquanto 
ele 
amaldioava 
baixinho 
e 
observava 
nervoso, 
acima 
do 
ombro, 
aos 
outros 
paroquianos 
e 
ao 
encarregado 
do 
bar. 
Alex 
tomou 
um 
gole 
de 
cerveja 
e 
dirigiu 
uma 
olhar 
de 
advertncia 
ao 
levantar 
da 
mesa. 
Cat 
viu 
que 
se 
chegava 
o 
tipo 
cadavrico 
que 
esteve 
jogando. 
Alex 
pediu 
outras 
duas 
cervejas 
e 
sentou-se 
no 
taburete 
contiguo. 
Perdoa, 
 
Petey? 
Os 
olhos 
do 
tipo 
no 
sairam 
do 
televisor. 
E 
tu 
que 
te 
importas? 
Alex 
inclinou-se 
sobre 
ele 
e 
disse 
algo 
que 
Cat 
no 
pde 
ouvir, 
Petey 
soltou 
uma 
gargalhada. 
 
Achas 
que 
sou 
estpido? 
Olhou 
 
bar. 
O 
encarregado 
emitiu 
uma 
pequena 
risada. 
Saia 
 disse 
Petey 
a 
Alex 
indicando 
a 
porta. 
Eh, 
ouve, 
tenho 
que... 
Petey 
deu 
a 
volta 
gritando 
como 
um 
gato 
que 
tirado 
da 
fila. 
Saia 
da 
minha 
vista, 
tio. 
Apestas 
a 
bofia. 
Pensa 
que 
sou 
policial! 
exclamou 
Alex. 
#
Importa-me 
um 
carajo 
se 
voc 
 
policial. 
Tu 
e 
eu 
no 
temos 
nada 
de 
que 
falar. 
Voltou 
a 
dedicar 
sua 
ateno 
 
tela. 
Alex, 
como 
se 
estivesse 
desesperado, 
secou 
as 
mos, 
nas 
pernas 
da 
cala. 
-Dixie 
disse-me... 
Petey 
voltou 
a 
cabea, 
tocando 
quase 
na 
bochecha 
de 
Alex 
com 
sua 
mo 
cheia. 
Conhece 
Dixie? 
Droga, 
por 
que 
no 
disse 
logo? 
Tu 
s 
o... 
Sobrinho. 
Droga. 
Petey 
fez 
uma 
indicao 
ao 
encarregado 
do 
bar. 
D-me 
outra. 
Esperou 
ter 
a 
jarra 
e, 
ento, 
indicou 
para 
Alex 
que 
apanhasse 
as 
outras 
duas. 
Caminharam 
at 
a 
mesa 
e 
Petey 
sentou-se 
diante 
de 
Cat. 
Ol, 
nena. 
Enquanto 
olhava-a, 
bebeu 
a 
espuma 
da 
cerveja.
 
teu 
fulana? 
Sim. 
Cat 
no 
disse 
nada 
enquanto 
Petey 
e 
Alex 
trocavam 
episdios 
do 
Tio 
Dixie. 
O 
tom 
de 
suas 
vozes 
foi 
apagando 
de 
forma 
to 
gradual 
que 
Cat 
no 
se 
deu 
conta 
at 
que 
Alex. 
Obrigado 
por 
ter 
aceitado 
me 
ver. 
Se 
no 
fosse 
que 
voc 
, 
eu 
teria 
te 
matado. 
Sei-o. 
Isto 
 
importante. 
Se 
no 
fosse, 
no 
pediria 
a 
Dixie 
que 
preparasse 
o 
encontro. 
Poderia 
dizer 
algum 
o 
que 
 
tudo 
isto? 
protestou 
Cat. 
Tranqila, 
nena. 
Petey 
alongou 
a 
mo 
e 
beliscou 
a 
bochecha. 
Ela 
deu 
bofetada. 
Ele 
riu 
e 
a 
agitou 
no 
ar 
como 
se 
tivessem 
chamuscado 
os 
dedos 
amarelados 
de 
nicotina. 
Com 
esse 
temperamento 
deve 
de 
ser 
uma 
fera 
na 
cama. 
Acalma 
de 
uma 
vez, 
sim? 
disse 
Mex 
o 
bastante 
alto 
cone 
para 
que 
os 
demais 
o 
ouvissem. 
J 
tinham 
entrado 
outros 
dois 
clientes: 
um 
homem 
e 
uma 
mulher 
de 
aspecto 
tosco 
e 
duro 
que 
trocavam 
insultos 
amistosos 
com 
o 
encarregado 
do 
bar. 
Explicou-te 
Tio 
Dixie 
de 
que 
quero 
que 
me 
fales? 
Petey 
assentiu. 
Recordo-o 
como 
se 
fosse 
ontem. 
So 
coisas 
que 
no 
se 
esquece. 
Faz 
quase 
quatro 
anos 
um 
membro 
da 
liga 
bateu 
em 
um 
caminho. 
Quase 
arrancou 
sua 
cabea. 


Cat 
engasgou 
e 
Petey 
olhou-a. 
0ye, 
seguro 
que 
 
de 
confiana? 
perguntou, 
preocupado 
a 
Alex
 
de 
confiana. 
Segue. 
Ns 
o 
conhecamos 
como 
Sparky. 
No 
sei 
qual 
era 
seu 
verdadeiro 
nome, 
mas 
era 
um 
tio 
legal. 
E 
sempre 
estava 
lendo. 
Poesia, 
filosofia, 
essas 
coisas. 
Tinha 
curso 
superior 
e 
acho 
que 
era 
do 
Leste. 
Imagino-me 
que 
vinha 
de 
famlia 
rica. 
Por 
seus 
gestos 
refinados, 
sabes? 
E 
da 
fazia 
na 
liga? 


#
Talvez 
os 
pais 
se 
intimidaram 
por 
algo 
e 
o 
jogaram 
de 
casa. 
Ou 
surpreendeu 
a 
sua 
garota 
na 
cama 
com 
outro. 
Quem 
sabe. 
O 
caso 
 
que 
esqueceu 
de 
seu 
nome, 
veio 
a 
Texas 
e 
nos 
encontrou. 
Todos 
ns 
gostvamos 
dele, 
exceto 
a 
Cyc. 
Nesse 
dia, 
ele 
e 
Cyc 
brigaram. 
Cyc? 
perguntou 
Cat. 
O 
chefe 
da 
liga. 
Se 
chamava 
Cyclops 
porque 
tinha 
um 
olho 
de 
vidro. 
Por 
que 
foi 
a 
briga? 
perguntou 
Alex. 
Por 
que 
ia 
ser? 
Por 
uma 
gata 
chamada 
Kismet, 
que 
tinha 
sido 
a 
garota 
de 
Cyc 
antes 
de 
aparecer 
Sparky. 
Fazia 
um 
par 
muito 
bonito 
e 
acho 
que 
tinha 
algo 
entre 
eles. 
Algo 
mais 
que 
sexo; 
essas 
coisas 
notam-se. 
O 
caso 
 
que 
Cyc 
no 
gostava 
de 
perder.
- 
curioso 
-disse 
baixando 
mais 
a 
voz 
 
Cyc 
suspeitava 
que 
Sparky 
era 
um 
camelo. 
Ele 
no 
tomava 
drogas; 
s 
fumava 
maconha 
de 
vez 
em 
quando, 
mas 
nada 
de 
droga 
forte. 
Era 
um 
camelo? 
Que 
eu 
saiba, 
no. 
O 
Que 
conduziu 
ao 
acidente 
e 
o 
que 
causou 
a 
morte? 
Cyc 
ameaou 
a 
Kismet 
e 
Sparky 
partiu 
para 
cima. 
Brigaram 
e 
ganhou 
Sparky. 
Fez 
saltar 
 
garota 
 
moto 
e 
partiram. 
Mas 
Cyc 
saiu 
depois 
deles 
e 
franca 
perseguio. 
Sparky 
estava 
a 
cento 
vinte 
quando 
chocou 
contra 
o 
caminho, 
j 
que 
no 
tinha 
visto 
nada 
igual 
nem 
antes 
nem 
depois. 
O 
cabelo 
sujo 
mal 
se 
moveu 
quando 
agitou 
a 
cabea 
negativamente. 
Eu 
os 
tinha 
seguido 
colina 
abaixo. 
Imaginava 
que 
Cyc 
seria 
o 
primeiro 
em 
derramar 
sangue, 
mas 


o 
caminho 
se 
adiantou. 
Sparky 
era 
uma 
enorme 
mancha 
de 
sangue 
pegajosa 
na 
estrada. 
Cat 
sentiu 
um 
estremecimiento, 
mas 
guardou 
silncio. 
Os 
enfermeiros 
recolheram 
os 
restos 
e 
os 
amontonaram 
na 
ambulancia. 
Os 
demais 
seguiram 
at 
o 
hospital. 
Para 
salvar 
a 
Kismet, 
Sparky 
tinha-a 
empurrado 
fora 
da 
moto 
antes 
do 
choque. 
Estava 
ferida, 
tinha 
um 
par 
de 
ossos 
rompidos 
e 
a 
cara 
destroada. 
Cyc 
tinha 
conseguido 
esquivar 
do 
caminho, 
mas 
perdeu 
o 
controle 
da 
moto. 
Tambm 
tinha 
ferida 
e 
contuses, 
mas 
estava 
consciente. 
-O 
tio 
de 
urgncias 
falou-nos 
de 
que 
Sparky 
podia 
ser 
um 
doador 
e 
queria 
ficar 
em 
contato 
com 
o 
familiar 
mais 
prximo. 
Dissemos 
que, 
pelo 
que 
ns 
sabiamos, 
Sparky 
no 
tinha 
famlia. 
Mencionou 
algo 
de 
suposto, 
no 
sei; 
algo 
para 
se 
combinar 
com 
os 
rgos. 
Suposto 
consentimento 
 disse 
Cat 
baixinho. 
Sim, 
isso. 
Mas 
um 
de 
ns 
tinha 
que 
assinar. 
A 
liga 
decidiu 
que, 
como 
Cyc 
era 
o 
lder, 
tinha 
ele 
que 
tomar 
a 
deciso. 
Disse: 
Sim, 
j 
podem 
tirar 
o 
corao 
desse 
filho 
de 
puta 
e 
o 
jogar 
aos 
ces 
se 
quiser 
-Portanto, 
suponho 
que 
o 
fizeram. 
Sedento 
por 
causa 
do 
monlogo, 
Petey 
enguliu 
a 
cerveja 
antes 
de 
acabar 
seu 
relato. 
Kismet 
esteve 
um 
par 
de 
dias 
inconsciente. 
Quando 
acordou 
estava 
histrica. 
Primeiro 
porque 
Sparky 
havia 
morrido; 
depois, 
porque 
o 
haviam 
mutilado 
antes 
de 
enterr-lo, 
Cyc 
dizia 
que 
o 
tio 
j 
no 
tinha 
cabea 
e, 
portanto, 
que 
mais 
dava? 
Mas 
ela 
no 
deixava 
de 
gritar 
como 
uma 
louca. 
Que 
ocorreu 
com 
ela? 
perguntou 
Cat. 
Ele 
negou 
com 
a 
cabea. 
Aps 
isso, 
a 
liga 
se 
dispersou. 
Mudei 
de 
ares. 
Olhou 
a 
Alex 
com 
toda 
inteno. 
Vais 
dizer-me 
por 
que 
te 
interessa 
a 
histria? 
Ela 
tem 
um 
corao 
transplantado. 
#
Os 
olhos 
de 
Petey 
desviaram-se 
a 
Cat 
com 
renovado 
interesse. 
Em 
srio? 
Voc 
acha 
que 
tem 
o 
corao 
de 
Sparky? 
Cat 
no 
teve 
que 
o 
pensar 
duas 
vezes. 
No. 
Sei 
que 
no. 



Captulo 
trinta 
e 
sete 


Tinha 
entendido 
que 
no 
tinhas 
averiguado 
nada 
de 
teu 
doador 
disse 
Alex. 
 
verdade, 
mas 
inclusive 
sem 
o 
relatrio 
da 
agncia 
teria 
sabido 
que 
Sparky 
no 
era 
meu 
doador. 
Cat 
olhou 
a 
Petey, 
que 
estava 
inclinado 
para 
diante 
escutando 
com 
ateno. 
No 
me 
puseram 
o 
corao 
de 
teu 
amigo. 
Vers: 
alm 
do 
tipo 
sangneo, 
o 
tamanho 
 
bsico 
para 
um 
bom 
ajuste. 
Fechou 
sua 
pequena 
mo 
em 
um 
puno. 
Precisava 
um 
corao 
deste 
tamanho. 
Sou 
pouca 
coisa 
para 
ter 
recebido 
o 
de 
um 
homem 
corpulento. 
Petey 
sorriu, 
mostrando 
os 
amarelados 
dentes. 
Sparky 
no 
era 
corpulento. 
Que? 
No 
me 
ocorre 
que 
tivesse 
em 
conta 
o 
tamanho 
do 
corao 
antes 
de 
seguir 
diante 
com 
isto? 
a 
recriminou 
Mex 
 
Petey, 
Diga-lhe 
o 
que 
disse 
a 
Dixie. 
Sparky 
era 
quase 
um 
ano, 
uma 
miniatura. 
No 
seria 
mais 
baixo 
se 
o 
tivessem 
serrado 
pelos 
joelhos. 
Sempre 
faziamos 
piadas 
por 
seu 
tamanho, 
especialmente 
Cyc, 
que 
por 
trs 
dizia 
que: 
como 
era 
possvel 
que 
o 
lpis 
devia 
de 
ter 
entre 
as 
pernas 
fosse 
capaz 
de 
satisfazer 
a 
Kismet? 
Mas 
a 
verdade 
 
que 
Sparky 
tinha 
o 
pnis 
de 
um 
cavalo 
de 
corrida. 
O 
que 
faltava 
de 
estatura 
o 
compensava 
por 
esse 
lado. 
Como 
era 
de 
grande? 


 
Ao 
menos 
um 
palmo 
 contou 
muito 
srio. 
Cat 
negou 
com 
a 
cabea. 
Como 
era 
de 
alto? 
Ah, 
metro 
cinquenta 
e 
cinco, 
metro 
sessenta, 
como 
mximo. 
Grosso? 
Droga, 
no. 
Ouve 
nena, 
 
que 
no 
escutas? 
Rara 
vez 
 
disse 
Alex. 
Estou 
dizendo 
que 
era 
magro. 
Ainda 
que, 
isso 
sim: 
forte 
e 
rpido. 
Sabia 
defender-se 
e 
colocou 
de 
costas 
a 
Cyc. 
Olhou, 
nervoso, 
acima 
do 
ombro 
de 
Alex. 
#
 
isso 
tudo? 
Temos 
que 
cobrir 
isto, 
me 
entende? 
Obrigado, 
amigo. 
Pelo 
Tio 
Dixie 
o 
que 
seja. 
Cat 
observou 
incrdula 
como 
Alex 
trocava 
vrias 
notas 
dobradas 
por 
uma 
bolsinha 
de 
plstico 
cheia 
de 
p 
branco. 
Colocou-a 
no 
bolso 
da 
jaqueta. 
Depois 
levantou 
e 
indicou 
que 
fizesse 
o 
mesmo. 
A 
modo 
de 
despedida, 
Petey 
disse: 
Importar 
que 
me 
beba 
vossas 
cervejas? 
O 
sol 
tinha 
descido 
entre 
a 
linha 
de 
rvores 
das 
longnquas 
colinas. 
Era 
um 
formoso 
crepsculo, 
sobretudo 
em 
comparao 
com 
o 
sinistro 
interior 
do 
bar. 
Cat 
inspirou 
profundamente 
para 
limpar 
as 
fosas 
nasais 
do 
cheiro 
de 
lcool, 
a 
fumo 
e 
corpos 
sem 
lavar. 
Entrou 
no 
carro 
e 
baixou 
a 
janela, 
ainda 
com 
vontades 
de 
ar 
puro. 
Alex 
se 
colocou 
ao 
volante 
e, 
sem 
pronunciar 
palavra, 
percorreram 
alguns 
quilmetros 
at 
chegar 
ao 
cruzamento. 
Cat 
observou 
assombrada 
como 
tirava 
a 
bolsinha 
do 
bolso, 
a 
abria 
e 
metia 
o 
dedo. 
A 
seguir 
esfregou 
as 
gengivas 
com 
o 
p 
branco. 
Alex 
voltou 
a 
cara. 


 
Por 
que 
me 
olhas 
dessa 
forma? 
No 
 
possvel 
que 
te 
surpreenda; 
tu 
vens 
de 
Hollywood. 
Conheci 
muitas 
pessoas 
que 
tomavam 
drogas 
como 
passatempo, 
mas 
sempre 
evitei 
qualquer 
contato 
com 
essa 
porcaria. 
No 
quer 
compartilhar 
comigo? 
No, 
muito 
obrigado. 
Seguro? 
Pensei 
que 
depois, 
quando 
cheguemos 
a 
tua 
casa, 
podias 
fazer 
um 
pouco 
de 
ch. 
Ch? 
Sim, 
e 
adoa-lo 
com 
isto. 
Derramou 
um 
pouco 
em 
seu 
colo. 
Ela 
olhou 
o 
p 
branco 
com 
asco 
e 
a 
seguir 
a 
ele. 
Alex 
estava 
tomando 
o 
cabelo. 
Molhou 
o 
dedo 
no 
polvillo 
e 
levou 
 
boca. 
Era 
a 
acar 
em 
p. 
Mentiroso 
 murmurou 
enquanto 
sacudia 
o 
acar 
da 
saia. 
Alex 
ria 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
calcava 
o 
acelerador. 
Petey 
 
um 
camelo. 
Mas 
 
tambm 
agente 
secreto, 
e 
faz 
anos. 
No 
estranharia 
que 
estivesse 
enganchado 
 
neve, 
mas 
jamais 
venderia 
a 
um 
policial. 
Nem 
sequer 
a 
um 
ex-policial. 
Como 
o 
encontrou? 
Comecei 
a 
buscar 
certificados 
de 
morte 
e 
encontrei 
que 
no 
Texas 
ocorrreu 
diversas 
mortes 
por 
acidente 
durante 
as 
doze 
horas 
anteriores 
ao 
seu 
transplante. 
O 
da 
moto 
era 
um 
bom 
ponto 
de 
partida. 
No 
me 
equivoquei, 
pois 
aps 
pesquisar 
mais 
a 
fundo 
descobri 
que 
a 
vtima 
tinha 
sido 
doador 
de 
rgos. 
Ento 
perguntei 
a 
um 
antigo 
camarada 
do 
Departamento 
de 
Policia 
de 
Houston 
se 
sabia 
de 
alguma 
agncia 
que 
se 
tivesse 
infiltrado 
em 
uma 
liga 
de 
motoristas 
durante 
os 
ltimos 
cinco 
anos. 
Comprovou-o 
e 
apareceu 
Tio 
Dixie, 
que 
se 
supe 
que 
 
o 
provedor 
de 
Petey, 
mas 
que, 
Na 
verdade, 
 
o 
cdigo 
de 
uma 
brigada 
especial 
antinarcticos 
de 
Austin. 
Falei 
com 
o 
chefe 
da 
brigada, 
que 
era 
relutante 
em 
preparar 
um 
encontro 
com 
Petey; 
s 
aceitou 
porque 
eu 
tinha 
sido 
policial. 
Corri 
um 
risco 
ao 
levar-te, 
de 
modo 
que 
espero 
que 
mantenha 
a 
boca 
fechada 
e 
no 
abra 
sua 
boca. 
#
Cat 
olhou-o 
com 
receio. 
Teu 
encontro 
com 
Petey 
no 
tinha 
nada 
que 
ver 
com 
o 
trfico 
de 
drogas. 
Por 
que 
tnha 
que 
interpretar 
essa 
cena? 
E 
por 
que 
ali? 
De 
ter-nos 
encontrado 
em 
outro 
lugar, 
se 
algum 
o 
tivesse 
visto 
falando 
com 
uma 
pessoa 
como 
eu, 
no 
drogada, 
levantaria 
suspeita. 
E 
no 
pode 
permitir. 
Perderia 
sua 
credibilidade, 
seus 
contatos, 
e 
 
provvel 
que 
a 
vida. 
Era 
melhor 
que 
eu 
parecesse 
um 
idiota 
que 
se 
atrevia 
a 
entrar 
em 
seu 
territrio 
para 
comprar 
cocana. 
Bom, 
pois 
sim 
parecia 
um 
idiota. 
Obrigado. 
Tens 
apetite? 
Cinco 
minutos 
depois 
estavam 
sentados 
frente 
a 
frente 
numa 
mesa 
quadrada 
com 
manta 
a 
quadros 
brancos 
e 
azuis. 
No 
centro 
tinha 
garrafas 
de 
tabasco 
e 
de 
Kectchup, 
um 
saleiro, 
um 
vidro 
de 
pimienta 
e 
um 
aucareiro. 
No 
jukebox 
soava 
a 
voz 
de 
Tanya 
Tucker. 
Na 
cozinha, 
 
vista 
do 
pblico, 
estavam 
assando 
diversos 
pedaos 
de 
carne. 
Cat 
retomou 
a 
conversa 
onde 
a 
tinham 
deixado. 
No 
tens 
nenhum 
problema 
para 
te 
acomodar 
s 
circunstancias, 
verdade, 
Alex? 
Depositou 
uma 
rodela 
de 
limo 
no 
copo 
de 
gua. 
Em 
meu 
antigo 
trabalho 
era 
uma 
necessidade. 
Hoje 
terias 
utilizado 
o 
revlver? 
Com 
tal 
de 
salvar-nos? 
Desde 
depois. 
Como 
tirando 
importncia, 
perguntou: 
J 
teve 
que 
disparar 
em 
algum? 
Olhou-a 
uns 
instantes 
antes 
de 
contestar: 
Quando 
se 
 
policial 
pensa 
que 
est 
treinado 
para 
enfrentar 
qualquer 
situao. 
Mas 
no 
 
assim. 
Ao 
surgir 
algo 
desesperado, 
faz 
o 
que 
pode. 
Sabia 
que 
no 
tiraria 
nada 
mais, 
de 
modo 
que 
ficou 
calada 
enquanto 
ele 
colocava 
acar 
no 
ch 
frio. 
Cat, 
por 
que 
no 
me 
conta 
algo 
de 
tua 
vida? 
Sei 
que 
 
rf 
e 
que 
viveu 
em 
orfanatos, 
mas 
nada 
mais. 
Pensou 
que 
se 
contasse 
algo 
de 
sua 
vida 
anterior 
estaria 
mais 
predisposto 
a 
falar 
da 
sua. 
O 
que 
Dean 
tinha 
contado 
a 
preocupava, 
mas 
no 
pensava 
que 
fosse 
to 
premeditado 
como 
ele 
pretendia 
fazer 
crer. 
Queria 
saber 
a 
verso 
de 
Alex 
sobre 
o 
ocorrido 
naquele 
fatdico 
Quatro 
de 
Julho, 
mas 
se 
perguntasse, 
ele 
no 
diria. 
A 
iniciativa 
tinha 
que 
sair 
dele. 
Criei-me 
no 
sul. 
Sim, 
assim 
 
 
acrescentou 
ao 
ver 
sua 
cara 
de 
surpresa 
 
No 
Alabama. 
Aps 
anos 
de 
exerccios 
de 
dico 
perdi 
o 
acento. 
Como 
era 
a 
pequena 
Cat 
Delaney? 
Magra 
e 
ruiva. 
Fora 
isso. 
Cat 
apanhou 
a 
faca 
e 
comeou 
a 
resseguir 
os 
quadros 
da 
manta 
com 
o 
fio. 
No 
 
uma 
histria 
agradvel. 
No 
acho 
que 
tire 
o 
apetite. 
Eu 
no 
estaria 
to 
seguro. 
Comeou 
por 
falar 
de 
sua 
doena. 


#
Curei-me 
do 
cncer, 
mas 
estive 
dbil 
durante 
mais 
de 
um 
ano. 
Em 
um 
dia, 
encontrava-me 
to 
mau 
que 
a 
professora 
me 
disse 
para 
ir 
para 
casa. 
O 
carro 
de 
meu 
pai 
estava 
estacionado, 
o 
que 
era 
raro 
a 
essas 
horas. 
Entrei... 
A 
garonete 
serviu 
as 
saladas. 
Entrei 
pela 
porta 
de 
atrs, 
esperando 
encontrar 
meus 
pais 
na 
cozinha. 
Mas 
a 
casa 
estava 
muito 
silenciosa. 
Mais 
tarde 
lembrei 
esse 
raro 
silncio, 
mas 
naquele 
momento 
no 
pensei 
nisso. 
Em 
sua 
mente 
cobrava 
vida 
de 
novo 
aquela 
menina 
esqueltica, 
de 
cabelo 
vermelho 
e 
indomvel, 
plida, 
as 
pernas 
escu1idas 
assomando 
pelas 
calas 
curtos 
e 
as 
sapatilhas 
esportivas 
azuis 
movendo-se 
sem 
fazer 
rudo 
pelo 
corredor 
onde 
fotografias 
de 
quando 
era 
um 
beb 
sorriam. 
Estavam 
no 
dormitrio. 
Alex 
removeu-se 
na 
cadeira 
e 
apoiou 
os 
cotovelos 
na 
mesa, 
mas 
ela 
continuava 
resiguiendo 
com 
a 
faca 
os 
quadros 
da 
manta, 
como 
um 
menino 
tentando 
pintar 
sem 
sair 
da 
margem. 
Tendidos 
na 
cama. 
Pensei 
que 
dormiam, 
pois 
no 
era 
domingo. 
Depois 
de 
um 
momento 
compreendi 
o 
que 
passava. 
Corri 
a 
casa 
dos 
vizinhos 
gritando 
que 
algo 
horrvel 
tinha 
ocorrido 
a 
meus 
pais. 
Maricas! 
exclamou 
Alex. 
Ladres? 
Cat 
deixou 
cair 
a 
faca. 
No. 
Papai 
disparou 
contra 
ela 
e 
depois 
de 
um 
tiro 
na 
nuca. 
Observou 
Alex 
com 
a 
mesma 
provocao 
com 
que 
tinha 
enfrentado 
s 
assistentes 
sociais, 
contestando 
a 
que 
se 
atrevesse 
a 
ter 
piedade. 
Passei 
os 
oito 
anos 
seguintes 
em 
orfanato, 
enviada 
de 
uma 
casa 
a 
outra, 
at 
que 
pude 
me 
defender 
sozinha. 
Como 
o 
fizeste? 
Aps 
o 
instituto, 
encontrei 
um 
emprego 
como 
datilografa 
em 
uma 
importante 
empresa, 
mas 
no 
ia 
chegar 
a 
nenhuma 
parte. 
As 
ascenses 
eram 
por 
idade 
e 
no 
por 
mritos. 
To 
injusto 
como 
o 
sistema 
de 
orfanato. 
Que 
tinha 
de 
mau? 
Que 
tinha 
de 
bom? 
No, 
isso 
 
geralizar 
muito. 
A 
maioria 
de 
pais 
so 
carinhosos 
e 
entregues. 
 
o 
conceito 
o 
que 
precisa 
uma 
reforma. 
Evita 
que 
os 
meninos 
vo 
a 
orfanatos. 
Sei-o. 
A 
salada 
j 
no 
lhe 
apetecia 
e 
apartou 
o 
prato. 
Mas 
um 
orfanato 
 
temporrio, 
e 
os 
meninos, 
mais 
ainda 
os 
maorcinhtos, 
o 
sabem. 
Est 
em 
uma 
casa, 
mas 
no 
 
tua 
casa. 
Permitem-te 
viver 
ali, 
mas 
s 
durante 
um 
tempo. 
S 
est 
de 
passagem 
at 
que 
te 
fazes 
maior, 
ou 
te 
portas 
mau, 
ou 
as 
circunstancias 
mudam, 
e 
ento 
o 
mudam 
para 
outra 
parte. 
A 
mensagem 
que 
percebes 
: 
Ningum 
te 
quer 
o 
suficiente 
como 
para 
ficar 
contigo 
para 
sempre, 
e 
depois 
de 
pouco 
tempo 
comea 
a 
achar 
que 
no 
vale 
nada. 
Como 
mecanismo 
de 
defesa 
se 
dedica 
a 
se 
comportar 
cada 
vez 
pior, 
a 
recusar 
pessoas 
e 
oportunidades 
antes 
que 
elas 
recusem 
a 
ti. 
Esta 
 
a 
anlise 
de 
uma 
pessoa 
adulta. 
Claro. 
Ento 
no 
dava 
conta 
de 
por 
que 
fazia 
assim. 
Era 
s 
uma 
menina 
solitria 
que 
se 
sentia 


#
abandonada 
e 
que 
havia 
feito 
qualquer 
coisa 
por 
reclamar 
um 
pouco 
de 
ateno. 
Sorriu 
com 
tristeza. 
Fiz 
verdadeiras 
diabruras. 
No 
suportava 
depender 
da 
caridade. 
Por 
outra 
parte 
h 
gente, 
inclusive 
com 
boas 
intenes, 
que 
no 
tem 
nem 
a 
menor 
ideia 
de 
como 
tratar 
a 
um 
menino. 


E 
isso 
inclui 
aos 
pais 
naturais. 
So 
pessoas 
que 
no 
sabem 
que 
esto 
fazendo 
dano. 
Uma 
palavra, 
uma 
olhar, 
inclusive 
uma 
atitude 
autoritaria, 
podem 
destroar 
a 
autoestima 
de 
um 
menino. 
Nem 
tudo 
termina 
nos 
maus 
tratos 
fsicos. 
Por 
exemplo? 
Poderia 
aborrec-lo 
durante 
horas. 
No 
me 
aborrece. 
Olhou-o 
com 
suspeita. 
Est 
tomando 
notas 
para 
tua 
prxima 
novela? 
As 
desventuras 
do 
Cat 
Delaney. 
Alex, 
a 
realidade 
 
pior 
que 
qualquer 
fico. 
E 
dizisso 
para 
mim, 
que 
fui 
policial? 
Segue. 
Isto 
no 
 
para 
publicar. 
Recordo 
alguns 
Natais 
-disse 
Cat, 
aps 
pensar 
 Eu 
tinha 
treze 
anos 
e 
j 
sabia 
como 
funciona 


o 
sistema. 
No 
devia 
confiar 
nele. 
Mas 
tinha 
outra 
menina 
no 
orfanato, 
de 
uns 
sete 
anos. 
E, 
alm 
do 
mais, 
o 
casal 
que 
nos 
cuidava 
tinha 
uma 
filha 
da 
mesma 
idade. 
As 
duas 
queriam 
uma 
Barbie 
como 
presente 
de 
Natal, 
e 
no 
falavam 
de 
outra 
coisa. 
Para 
ganhar 
os 
favores 
de 
Papai 
Noel 
faziam 
suas 
tarefas, 
deitavam 
cedo 
e 
comiam 
as 
verduras 
que 
colocavam 
diante. 
No 
dia 
de 
Natal, 
a 
filha 
do 
casal 
abriu 
sua 
caixa 
marca 
Mattel 
e 
apareceu 
a 
boneca 
loira, 
com 
um 
vestido 
de 
festa 
cor 
rosa 
e 
saltos 
altos. 
A 
menina 
adotiva 
teve 
que 
conformar 
com 
uma 
cpia 
de 
Barbie 
muito 
inferior 
 
original. 
Para 
ela, 
isto 
significava 
que 
nem 
sequer 
Papai 
Noel 
a 
considerava 
o 
bastante 
boa 
para 
ter 
uma 
Barbie 
para 
valer. 
Eu 
pensei: 
Como 
podem 
fazer 
tanto 
dano 
a 
uma 
criana? 
Contavam 
mais 
dois 
ou 
trs 
dlares 
de 
diferena 
de 
preo 
entre 
duas 
bonecas 
que 
a 
felicidade 
da 
menina? 
No 
estou 
em 
situao 
de 
julgar 
a 
ningum, 
j 
que 
no 
sou 
me. 
Imagino 
que 
 
um 
trabalho 
duro, 
mas 
no 
 
to 
difcil 
entender 
que 
penosa 
imagem 
de 
Papai 
Noel 
deve 
de 
ter 
menina. 
Tenho 
visto 
exemplos 
como 
este 
muitas 
vezes. 
Revolta-me 
as 
injustias 
contra 
os 
meninos, 
mas 
tambm 
aprendi 
que 
o 
mundo 
dos 
adultos 
no 
 
melhor. 
A 
garonete 
levou 
os 
restos 
da 
salada 
e 
serviu 
os 
lombinhos. 
Cu 
santo! 
exclamou 
Cat. 
Isto 
se 
merece 
um 
aplauso. 
No 
prato 
tinha 
um 
clombinho 
envolvido 
em 
massa 
dourada. 
E 
a 
carne 
desfazia-se 
na 
boca. 
E 
aps 
sair 
do 
orfanato? 
H 
um 
longo 
caminho 
at 
chegar 
a 
protagonista 
de 
um 
serie 
de 
televiso 
 
disse 
Alex. 
Era 
evidente 
que 
precisava 
de 
mais 
estudos 
e, 
ainda 
que 
economizasse 
at 
o 
ltimo 
cntavo, 
no 
podia 
pagar 
uma 
faculdade. 
Apresentei-me 
a 
um 
concurso 
de 
beleza. 
O 
garfo 
de 
Alex 
ficou 
a 
meio 
caminho 
entre 
o 
prato 
e 
a 
boca. 
 
Um 
concurso 
de 
beleza? 
Cat 
sentiu-se 
ofendida. 
#
 
to 
espantoso? 
Imaginava 
que 
algum 
como 
voce 
considerasse 
que 
esses 
concursos 
so 
machistas 
e 
exploram 
 
mulher. 
Nesse 
momento 
de 
minha 
vida, 
desejava 
sentir-me 
explorada 
conseguisse 
vinte 
mil 
dlares 
para 
poder 
estudar. 
De 
modo 
que 
comprei 
o 
melhor 
suti 
com 
aros 
que 
pude 
encontrar 
e 
acrescentei 
meu 
nome 
 
lista 
de 
candidatas. 
Me 
passa 
os 
peszinhos? 
O 
po 
era 
terno 
e 
mantecoso. 
Pura 
delcia, 
quase 
um 
pecado 
 
disse 
fechando 
os 
olhos 
e 
lambendo 
um 
pouco 
de 
manteiga 
que 
tinha 
ficado 
nos 
lbios. 
Se 
o 
pozinho 
parece-te 
quase 
um 
pecado, 
teria 
que 
ver 
a 
expresso 
de 
tua 
cara. 



Captulo 
trinta 
e 
oito 


Alex 
no 
tirava 
a 
vista 
de 
seus 
lbios. 
Ds-te 
conta 
de 
que 
todos 
teus 
movimentos 
so 
sensuais? 
Ds-te 
conta 
de 
que 
tens 
uma 
mente 
frtil? 
Sem 
dvida. 
Mas 
tu 
s 
uma 
bomba 
ambulante. 
Por 
isso 
os 
homens 
se 
apaixonam 
por 
voc. 
A 
frase, 
em 
vez 
de 
alegr-la, 
molestou-a. 
No 
 
verdade. 
Posso 
dar 
trs 
nomes. 
No, 
quatro. 
Diante. 
Dean 
Spicer. 
Desde 
que 
sai 
de 
Califrnia 
no 
somos 
mais 
que 
bons 
amigos. 
Porquevoce 
quer 
assim. 
Ele 
segue 
apaixonado 
por 
voc. 
O 
segundo 
 
Bill 
Webster. 
Aqui 
se 
engana. 
Bill 
adora 
a 
sua 
esposa. 
Ela 
compartilha 
minha 
teoria. 
Cat 
negou 
com 
a 
cabea. 
No 
 
verdade, 
se 
Nancy 
acha 
que 
h 
algo 
fora 
de 
e 
respeito 
mtuo, 
tambm 
se 
equivoca. 
Quem 
mais? 
No 
tomando 
isto 
a 
srio, 
mas 
sinto 
curiosidade. 
Jeff 
Doyle. 
Cat 
soltou 
uma 
gargalhada. 
Se 
no 
fosse 
homossexual, 
estaria 
apaixonado 
por 
voc. 
Como 
, 
se 
limita 
a 
beijar 
o 
cho 
que 
pisa. 
Ouve, 
tens 
muita 
imaginao. 
Quem 
 
o 
quarto?. 
Deixou 
que 
seu 
olhar 
penetrante 
respondesse 
por 
ele. 
Esperas 
que 
eu 
acredite? 
No. 
Estupendo, 
j 
que 
 
mentira 
e 
os 
dois 
sabemos. 
A 
nica 
coisa 
que 
quer 
 
que 
volte 
a 
meter 
na 
cama 
contigo. 
Que 
possibilidades 
tenho? 


#
Zero. 
Alex 
sorriu, 
como 
dizendo 
que 
no 
acreditava. 
Ganhaste? 
Que? 
Ah, 
o 
Concurso. 
No. 
Muito 
magra? 
Muito 
estpida. 
H 
uma 
explicao, 
no? 
Cat 
assentiu. 
Durante 
os 
dias 
anteriores 
pediam 
que 
falssemos 
com 
os 
juzes. 
Um 
deles 
era 
um 
tipo 
empalagoso, 
ao 
que 
parece 
fotgrafo, 
mas 
com 
aspecto 
de 
vendedor 
de 
carros 
de 
segunda 
mo. 
Nos 
apalpava 
sempre 
que 
podia 
e 
falava 
com 
a 
cada 
uma 
de 
ns 
por 
separado 
para 
nos 
dizer 
mais 
ou 
menos 
o 
mesmo: 
pequena, 
voc 
tem 
muita 
possibilidade 
de 
ganhar. 
Depois, 
anos 
fazamos 
confidencias 
e 
chegamos 
 
mesma 
concluso 
unnime 
de 
que 
era 
um 
velho 
verde 
e 
um 
desgraado. 
Mas, 
conforme 
chegava 
o 
sbado, 
dia 
do 
concurso, 
era 
a 
cada 
vez 
mais 
agressivo. 
J 
no 
nos 
fazia 
nenhuma 
graa, 
mas 
nenhuma 
das 
garotas 
queria 
ser 
a 
primeira 
no 
denunciar 
por 
medo 
a 
pr 
em 
perigo 
sua 
puntuao. 
O 
muito 
baboso 
sabia-o, 
claro, 
e 
estava-nos 
fazendo 
chantagem. 
De 
modo 
que 
decidi... 
No 
me 
diga. 
Sastes 
como 
defensora 
de 
causas 
justas. 
Sim. 
Pensei 
que 
tinha 
que 
desmascarar 
quele 
tipo. 
Durante 
o 
ensaio 
com 
traje 
de 
noite 
me 
acurralou 
em 
uma 
esquina 
oferecendo-me 
sua 
ajuda 
para 
ganhar. 
Fiz 
ver 
que 
estava 
muito 
agradecida 
e, 
ento, 
sugeriu 
que 
fora 
a 
ver 
a 
sua 
habitao 
Para 
discutir 
os 
detalhes. 
 
Ficamos 
de 
nos 
encontrar 
a 
determinada 
hora, 
mas 
antes 
de 
entrar 
em 
sua 
habitao 
deixei 
um 
recado 
 
presidenta 
do 
comit 
dizendo 
que 
aquele 
homem 
tinha 
que 
a 
ver 
o 
antes 
possvel. 
Preparaste 
uma 
armadilha. 
Sim, 
mas, 
por 
desgraa, 
voltou-se 
contra 
mim. 
A 
presidenta 
apareceu 
na 
porta 
e 
surpreendeu-o 
tentando 
desabotoar 
minha 
blusa. 
Ele 
inverteu 
os 
papis 
dizendo 
que 
eu 
tinha 
me 
apresentado 
em 
sua 
habitao 
para 
lhe 
oferecer 
meu 
corpo 
em 
troca 
de 
uma 
puntuao 
alta. 
Disse 
 
presidenta 
que, 
se 
no 
acreditasse, 
perguntasse 
s 
demais 
garotas 
s 
que 
esteve 
toqueteando 
durante 
toda 
a 
semana. 
Fazer, 
mas 
todas 
o 
negaram. 
Suponho 
que 
a 
coroa 
de 
pacotilla 
era 
mais 
importante 
que 
a 
verdade. 
De 
modo 
que 
me 
consideraram 
uma 
puta 
que 
tinha 
comprometido 
a 
integridade 
moral 
do 
concurso 
e 
me 
desqualificaram. 
Imaginei 
que 
dirias 
quatro 
coisas. 
Na 
verdade 
fui 
muito 
concisa. 
O 
nico 
que 
disse 
foi: 
voa 
se 
foder 
vocs 
todos? 
Eu 
serei 
uma 
atriz. 


Durante 
o 
resto 
da 
comida, 
e 
enquanto 
voltavam 
a 
San 
Antonio, 
explicou 
outros 
detalhes 
de 
sua 
vida. 
Aps 
o 
fracasso 
do 
concurso 
de 
beleza 
vendeu 
tudo 
o 
que 
tinha 
exceto 
algumas 
preas 
de 
roupa 
e 
comprou 
um 
bilhete 
de 
nibus 
para 
Los 
Angeles. 
Trabalhou 
como 
vendedora 
de 
perfumes 
de 
grandes 
lojas, 
ganhando 
o 
justo 
para 
pagar 
classes 
de 
interpretao 
e 
um 
apartamento 
infestado 
de 
baratas. 
Quando 
pde, 
fez 
um 
lbum 
de 
fotos 
e 
se 


#
dedicou 
a 
visitar 
agncias 
de 
jovens 
talentos. 
Por 
fim, 
como 
cado 
do 
cu, 
me 
chamou 
um 
agente 
para 
me 
dizer 
que 
lhe 
interessava 
ser 
meu 
representante. 
Ao 
princpio 
pensei 
que 
era 
uma 
piada. 
J 
conheo 
essa 
sensao 
 disse 
Alex. 
Tinham 
chegado 
s 
redondezas 
da 
cidade 
e 
saram 
da 
estrada
 
exatamente 
o 
que 
pensei 
quando 
me 
chamou 
Arni 
Villella. 
Qual 
foi 
teu 
primeiro 
trabalho? 


 
Um 
anncio 
para 
o 
tv. 
Encerava 
um 
parqu. 
Pagaram-me 
bem. 
Depois 
fiz 
mais 
anncios 
e 
interpretei 
algumas 
obras 
de 
teatro. 
Ento 
meu 
agente 
inteirou-se 
de 
que 
tinha 
uma 
nova 
personagem 
em 
Passages 
e 
me 
preparou 
uma 
prova 
para 
o 
papel 
de 
Laura 
Madison. 
J 
sabes 
o 
resto. 
 
Aonde 
vamos? 
perguntou 
ele. 
Aos 
estdios 
de 
televiso. 
Tenho 
o 
carro 
ali. 
 
Ests 
segura? 
Sabia 
o 
que 
Alex 
estava 
perguntando 
e, 
se 
deixasse 
que 
o 
desejo 
sexual 
decidisse 
por 
ela, 
a 
eleio 
teria 
fcil. 
Sim 
estou 
segura. 
Enquanto 
dirigiam-se 
para 
ali, 
Alex 
a 
colocou 
a 
par 
dos 
resultados 
de 
sua 
viagem 
a 
Houston. 
O 
Departamento 
de 
Justia 
no 
se 
mostrou 
muito 
disposto 
a 
pesquisar 
as 
mortes 
dos 
trs 
transplantados. 
O 
agente 
com 
que 
falei 
parecia 
hostil 
e 
indiferente. 
De 
modo 
que 
estamos 
sozinhos. 
Mais 
ou 
menos. 
Tal 
e 
como 
esto 
as 
coisas, 
nem 
sequer 
vo 
solicitar 
informao 
confidencial 
aos 
bancos 
de 
rgos, 
os 
nmeros 
UNS, 
etctera. 
At 
que 
no 
se 
determine 
que 
se 
cometeram 
crimes, 
no 
vo 
fazer 
nada. 
Por 
isso, 
como 
no 
podia 
seguir 
diante, 
comecei 
a 
revisar 
certificados 
de 
morte. 
Obrigado, 
Alex. 
Fez 
verdadeiros 
milagres 
com 
o 
pouco 
tinhas 
Eu 
seria 
incapaz 
de 
encontrar 
a 
Petey. 
Aps 
o 
que 
disse 
sobre 
a 
estatura 
de 
Sparky, 
acho 
que 
vale 
a 
pena 
continuar, 
no 
te 
parece? 
Por 
suposto. 
Tentarei 
localizar 
a 
membros 
da 
liga, 
ainda 
que 
seja 
provvel 
que 
seja 
uma 
busca 
intil. 
Primeiro 
tenho 
que 
encontrar 
algum 
deles. 
E, 
se 
tenho 
sorte, 
teria 
importado 
tanto 
sparky 
a 
essa 
pessoa 
como 
para 
seguir 
o 
rastro 
de 
seu 
corao? 
As 
possibilidades 
so 
escassas. 
Essa 
garota, 
Kismet, 
se 
pudesse 
encontr-la, 
 
possvel 
que 
saiba 
algo. 
Sim, 
mas 
estou 
seguro 
de 
que 
Kismet 
 
um 
nome 
inventado. 
Tambm 
no 
acho 
que 
Cyclops 
seja 
o 
nome 
com 
o 
que 
foi 
batizado 
o 
lder. 
Duvido 
que 
Cyclops 
esteja 
batizado. 
Cat 
ficou 
olhando 
ao 
vazio. 
Tal 
e 
como 
ele 
acabava 
de 
dizer, 
tinham 
poucas 
possibilidades 
de 
que 
pudessem 
identificar 
o 
seu 
perseguidor 
a 
tempo 
de 
evitar 
uma 
desgraa. 
Mas 
seguiria 
buscando 
qualquer 
via 
de 
sada: 
no 
podia 
cruzar 
os 
braos 
a 
espera 
de 
um 
acidente 
fatal. 
Alex, 
disse 
que 
revisou 
os 
certificados 
de 
morte 
acidentais 
cujas 
vtimas 
eram 
doador. 
Como 
foi 
as 
outras? 
Uma 
em 
um 
choque 
mltiplo 
na 
estrada 
de 
Houston 
durante 
no 
horrio 
de 
pico. 
Ocorreram 
vrias 
mortes, 
mas 
no 
sei 
se 
entre 
as 
vtimas 
teve 
algum 
doador. 
Paguei 
a 
um 
informente 
que 
est
se 
ocupando 
disso. 
 
ordem 
de 
um 
dos 
hospitais 
mais 
importantes. 
#
A 
outra 
foi 
um 
caso 
que 
tinha 
seguido 
de 
perto. 
Quando 
li 
o 
relatrio 
forense 
lembrei 
que 
ocorrido 
pouco 
antes 
de 
seu 
transplante. 
Interessada, 
Cat 
o 
instou 
a 
continuar. 
Durante 
meses 
foi 
uma 
notcia 
muito 
comentada 
a 
nvel 
nacional. 
Como 
novelista 
me 
interessava 
porque 
o 
crime 
acarretou 
sequelas. 
Ocorreu 
em 
Fort 
Worth. 
Paul 
Reyes 
encontrou 
a 
sua 
mulher, 
Judy, 
e 
a 
seu 
amante, 
na 
cama. 
Reyes 
destroou 
o 
crnio 
de 
Judy 
com 
um 
taco 
de 
beisebol, 
mas 
a 
equipe 
mdica 
da 
ambulancia 
conseguiu 
que 
o 
corao 
seguisse 
pulsando 
at 
chegar 
ao 
hospital, 
onde 
diagnosticaram 
morte 
cerebral. 
Reyes 
tinha 
sido 
preso 
e, 
da 
cela, 
concedeu 
permisso 
para 
que 
tirasse 
os 
rgos 
de 
sua 
mulher. 


 
Condenaram-no? 
No. 
A 
vem 
o 
melhor. 
Seu 
advogado 
pediu 
mudana 
de 
jurisdio 
e 
o 
julgamento 
celebrou-se 
em 
Houston, 
onde 
o 
absolveram. 
Por 
que? 
Tecnicamente, 
retiraram 
o 
corao 
de 
Judy 
Reyes 
antes 
que 
deixasse 
de 
bater. 
Portanto, 
ele 
no 
a 
matou. 
O 
erro 
judicial, 
terem 
processado 
a 
Reyes 
por 
assassinato 
e 
no 
por 
homicdio 
no 
premeditado, 
teve 
muito 
que 
ver. 
E 
tambm 
os 
truques 
da 
defesa. 
Total: 
absolvido. 
 
E 
no 
podiam 
o 
acusar 
de 
tentativa 
de 
homicdio? 
Ou 
de 
ataque 
com 
uma 
arma 
mortal? 
No 
se 
pode 
julgar 
a 
uma 
pessoa 
duas 
vezes 
pelo 
mesmo 
delito. 
Aps 
o 
julgamento, 
Reyes 
desapareceu. 
Desde 
ento 
no 
se 
soube 
nada 
dele. 
Cat 
estava 
intrigada: 
Ajusta-se, 
verdade? 
Paul 
Reyes 
no 
suporta 
que 
sua 
mulher 
o 
enganasse 
com 
outro 
e 
est 
obssecado 
com 
a 
ideia 
de 
parar 
esse 
corao. 
Tem-me 
passado 
pela 
cabea. 
Observei-o 
enquanto 
liam 
o 
veredicto. 
Seus 
olhos 
tinham 
a 
olhar 
um 
possesso. 
Acho 
que 
queria 
matar 
a 
Judy 
e 
seu 
remorso 
era 
no 
conseguir. 
A 
gente 
no 
desaparece 
sem 
deixar 
rastro. 
Algum 
tem 
que 
saber 
onde 
est. 
J 
tenho 
comeado 
a 
buscar 
a 
algum 
membro 
da 
fami1ia 
que 
queira 
falar 
comigo, 
mas 
a 
comunidade 
mexicana 
se 
fecha 
diante 
os 
desconhecidos. 
Alm 
do 
mais 
eles 
so 
contrrios 
a 
transplantes. 
Cat 
assentiu. 
A 
cultura 
hispana 
recusa 
a 
ideia. 
Sua 
crena 
 
que 
um 
corpo 
tem 
que 
se 
enterrar 
intacto 
ou 
o 
difunto 
no 
encontrar 
paz 
nem 
descanso 
na 
outra 
vida. 
Tinha 
vrios 
hispanos 
entre 
a 
populao 
de 
transplantados 
em 
Califrnia. 
Esto 
trabalhando 
para 
romper 
essa 
barreira, 
mas 
o 
sucesso 
 
ainda 
muito 
limitado. 
De 
modo 
que 
 
provvel 
que 
a 
deciso 
de 
Reyes 
no 
fora 
bem 
adotado 
pela 
famlia 
de 
sua 
esposa. 
Seguirei 
buscando. 
Meu 
grupo 
sangneo 
coincide 
com 
o 
de 
Judy? 
Sim. 
Portanto, 
pude 
receber 
seu 
corao.
 
possvel, 
mas 
h 
que 
ter 
em 
conta 
o 
fator 
tempo. 
Chegaram 
ao 
estacionamento 
e 
estacionaram 
ao 
lado 
do 
carro 
de 
Cat. 
AIex 
parou 
o 
motor, 
passou 
o 
#
brao 
pelo 
respaldo 
do 
assento 
e 
olhou-a 
cara 
a 
cara. 
Reyes 
agrediu 
a 
sua 
esposa 
ao 
meio 
dia. 
Teu 
transplante 
levou-se 
a 
cabo 
a 
primeiras 
horas 
da 
manh 
seguinte. 
Mas 
quanto 
tempo 
seguiu 
pulsando 
o 
corao 
de 
Judy 
Reyes 
antes 
que 
declarassem 
sua 
morte 
cerebral? 
Puderam 
ser 
horas, 
no? 
Qual 
a 
hora 
exata 
que 
retiraram 
os 
rgos 
e 
a 
hora 
do 
meu 
transplante.
 
s 
uma 
especulao. 
Desagradada 
por 
seu 
pouco 
entusiasmo, 
disse: 
Isto 
tem 
muitas 
possibilidades, 
por 
que 
te 
negas 
ao 
admitir? 
Estamos 
buscando 
fatos 
e 
no 
possibilidades. 
No 
chegues 
a 
uma 
concluso 
s 
porque 
te 
convm. 
H 
que 
pesquisar 
a 
fundo. 
Bom, 
pois 
ento 
no 
percas 
o 
tempo. 
O 
relgio 
avana 
para 
a 
data 
de 
meu 
aniversrio. 
Sou 
muito 
consciente 
disso, 
Cat. 
Ests 
assustada? 
-Claro 
que 
estou 
assustada. 
Vem 
viver 
comigo 
at 
que 
o 
encontremos. 
Parece 
incrvel 
que 
tenhas 
o 
valor 
do 
insinuar. 
Nem 
pensar, 
senhor 
Pierce. 
Por 
que 
no? 
Porque 
no 
quero. 
Mentirosa. 
Cat 
viu 
o 
sinal 
de 
alerta. 
Reconhecia 
que 
tinha 
muitos 
defeitos, 
mas 
mentir 
no 
era 
um 
deles. 
Na 
verdade, 
desprezava 
as 
mentiras 
e 
aos 
mentirosos. 
No 
teria 
podido 
a 
ofender 
mais. 
Ds 
muito 
valor 
a 
isso 
que 
tens 
entre 
as 
pernas, 
verdade? 
Ns, 
pobrecitas 
e 
frgeis 
mulheres, 
nos
pomos 
a 
tremer 
ante 
a 
ideia 
de 
ficamos 
nisso. 
 
isso 
o 
que 
pensas? 
riu 
com 
desdm. 
Seguro 
que 
foi 
o 
estpido 
orgulho 
machista 
de 
seu 
marido 
o 
que 
levou 
Judy 
Reyes 
a 
buscar 
um 
amante. 
Com 
a 
rapidez 
do 
raio, 
Alex 
Tirou 
o 
revlver 
da 
camiseta 
e 
apontou 
 
cabea 
de 
Cat. 



Captulo 
trinta 
e 
nove 


Cat 
pensava 
que 
tinha 
disparado 
at 
que 
se 
deu 
conta 
de 
que 
os 
trs 
golpes 
secos 
no 
eram 
tiros, 
seno 
algum 
que 
chamava 
 
janela 
do 
carro. 
Voltou 
a 
cabea 
e 
viu 
um 
segurana 
com 
o 
nariz 
quase 
pregado 
no 
vidro. 
Apressou-se 
a 
abrir 
a 
janela. 
Oh, 
senhorita 
Delaney, 
 
voc 
 disse 
surpreendido 
e 
aliviado 
Pareceu 
estranho 
ver 
um 
carro 
desconhecido 
ao 
lado 
do 
seu 
e 
vim 
dar 
uma 
olhada. 
Est 
tudo 
bem? 
Tudo 
est 
bem, 
obrigado. 
O 
senhor 
Webster 
deu 
ordens 
de 
que 
estejamos 
alerta 
a 
qualquer 
coisa 
suspeita. 
Acima 
do 
ombro 
de 
Cat 
olhou 
a 
Alex. 
Tinha 
escondido 
o 
revlver? 


#
 
voc 
amigo 
da 
senhorita 
Delaney? 
perguntou 
o 
guarda. 
Sim 
 contou 
Cat 
antes 
que 
Alex 
respondesse 
 
Acompanhou-me 
a 
recolher 
meu 
carro. 
Oua, 
amigo, 
j 
nos 
vamos. 
Importar 
se 
nos 
deixar 
a 
ss? 
disse 
Alex. 
Sim, 
s 
estvamos 
falando 
 
acrescentou 
Cat 
 
Nos 
iremos 
em 
seguida. 
Bom, 
de 
acordo. 
Com 
ares 
de 
importncia, 
o 
guarda 
ajustou 
o 
cinturo 
e 
a 
pistola, 
como 
para 
recordar 
Alex, 
ou 
a 
si 
mesmo, 
que 
ia 
armado 
e 
era 
perigoso. 
A 
piada 
em 
toda 
a 
emissora 
era 
que 
os 
guardas 
s 
tinham 
uma 
bala 
e 
faziam 
rodzio 
para 
a 
levar. 
O 
mais 
seguro 
era 
que 
a 
arma 
no 
estivesse 
carregada. 
A 
de 
Alex 
sim. 
Estarei 
a. 
Chame-me 
se 
precisar, 
senhorita 
Delaney. 
Olhou 
de 
novo 
a 
Alex 
e 
depois 
voltou 
ao 
edifcio. 
Cat 
subiu 
o 
vidro. 
Tinha 
conseguido 
conter-se 
diante 
do 
guarda, 
mas 
agora 
ajustaria 
contas 
com 
Alex. 
Ests 
louco? 
Como 
te 
atreves 
a 
apontar 
com 
uma 
pistola 
carregada! 
Deste-me 
um 
susto 
de 
morte! 
No 
apontava 
a 
ti. 
S 
tentava 
te 
proteger. 
De 
que? 
De 
uma 
sombra 
que 
tenho 
visto 
sair 
da 
escurido 
e 
acercarse 
 
janela. 
No 
sabia 
que 
fosse 
um 
guarda. 
Terias 
podido 
esperar 
a 
sab-lo 
antes 
de 
sacar 
uma 
pistola. 
Que 
 
a 
melhor 
maneira 
de 
que 
te 
matem: 
esperar 
e 
deixar 
que 
o 
outro 
se 
diante. 
Claro, 
teu 
sistema 
 
melhor. 
Primeiro 
disparar 
e 
depois 
fazer 
perguntas. 
No 
 
bem 
como 
o 
fizeste 


o 
Quatro 
de 
Julho? 
Quando 
mataste 
quele 
homem 
em 
Houston? 
Suas 
palavras 
ressoaram 
dentro 
do 
carro 
e, 
a 
seguir, 
seguiu 
um 
silncio 
sepulcral 
s 
interrompido 
por 
sua 
ofegante 
respirao. 
O 
rosto 
de 
Alex 
parecia 
talhado 
em 
pedra 
e 
seus 
olhos 
cintilavam. 
Quem 
te 
disse 
isso? 
Cat 
lamentou 
no 
instante 
em 
que 
pronunciou 
a 
frase. 
Alex, 
eu 
no... 
Quem 
te 
tem 
dito? 
Dean. 
Esta 
tarde. 
Seguro 
que 
o 
filho 
de 
puta 
tem 
carregado 
as 
tintas. 
Deu-te 
todo 
luxo 
de 
detalhes, 
verdade? 
Ao 
contrrio, 
foram 
bem 
escassos. 
Alex 
emitiu 
um 
bufido 
desdenhoso. 
Gostaria 
de 
conhecer 
tua 
verso, 
Alex. 
Outra 
vez 
ser. 
Alongou 
a 
mo 
e 
abriu 
a 
porta 
para 
que 
ela 
sasse. 
Alex, 
perdoa. 
No 
deveria 
ter 
falado 
do 
tema. 
No 
desta 
forma. 
J 
 
muito 
tarde. 
Ser 
melhor 
que 
te 
vs. 
Cat 
vacilou, 
mas 
era 
evidente 
que 
estava 
furioso 
e 
sem 
nenhuma 
vontade 
de 
se 
defender. 
Saiu 
e 
fechou 
a 
porta. 
Ele 
ps 
o 
carro 
em 
comear 
e 
saiu 
do 
estacionamento, 
a 
deixando 
sozinha. 
#
A 
Cat 
acordavam-na 
de 
um 
sonho 
profundo, 
mas 
inquieto. 
Antes 
que 
pudesse 
gritar, 
puseram 
uma 
mo 
na 
boca. 
Sou 
eu. 
Falava 
baixinho 
e 
rouco, 
mas 
ela 
a 
reconheceu 
no 
mesmo 
instante. 
Preciso-te. 
Estava 
deitado 
ao 
seu 
lado, 
cobrindo 
o 
corpo 
dela 
com 
o 
seu. 
Cat, 
dou-te 
medo? 
Ela 
negou 
com 
a 
cabea. 
Apartou 
a 
mo 
de 
sua 
boca 
e 
a 
substituiu 
pelos 
lbios. 
Ao 
princpio 
a 
beijou 
com 
macieza; 
depois, 
com 
maior 
intensidade. 
A 
seguir, 
apoiou 
os 
lbios 
em 
seu 
pescoo. 
No 
me 
recuses. 
-desabotoou 
o 
cinto 
e 
as 
calas 
e 
conduziu 
a 
mo 
dela 
at 
o 
interior. 
Foi 
uma 
noite 
pssima. 
Morro 
de 
vontade 
de 
ti, 
querida. 
Utilizava 
a 
mo 
de 
Cat 
para 
acariciar 
o 
pnis 
j 
em 
ereo 
e 
gemia 
de 
prazer 
enquanto 
o 
polegar 
deslizava 
pela 
pele 
tensa. 
Baixou 
a 
cabea 
e 
acariciou 
os 
seios 
acima 
da 
camisola. 
Desejas-me 
e 
sabe-lo 
muito 
bem. 
Verdade, 
Cat? 
No 
 
assim? 
Ela 
balbuceava, 
misturando 
protestos 
e 
assentimento, 
at 
que, 
com 
os 
ps, 
apartou 
a 
roupa 
de 
cama. 
Enquanto 
desabotoava 
a 
camisa, 
notava 
a 
pele 
ardente 
do 
homem 
ao 
tato 
das 
pontas 
dos 
dedos, 
dos 
lbios. 
Quando 
por 
fim 
esteve 
nu 
ainda 
por 
cima 
dela, 
o 
envolveu 
com 
um 
acolhedor 
abrao. 
Alex 
levantou 
a 
camisola 
centmetro 
a 
centmetro 
at 
a 
tirar 
pela 
cabea 
e 
atirar 
a 
um 
lado. 
Suas 
mos 
percorriam 
o 
torso 
desde 
o 
pescoo 
at 
os 
quadris 
com 
os 
dez 
dedos 
abertos, 
acariciando 
o 
mximo 
de 
superfcie 
ao 
mesmo 
tempo. 
Afundou 
a 
cabea 
na 
macieza 
do 
ventre. 
Ela 
apanhou 
a 
cabea 
e 
fechou 
as 
pernas 
ao 
redor 
de 
suas 
ndegas. 
Alex 
beijava 
o 
umbigo 
e 
esfregava 
a 
bochecha 
contra 
o 
espesso 
ninho 
de 
cabelos 
encaracolados. 
Com 
a 
lngua 
desenhou 
a 
estra 
que 
separa 
o 
ventre 
da 
ingle. 
Ela 
fincou 
os 
ps 
no 
colcho 
enquanto 
arqueava 
as 
costas 
e 
levantava 
os 
quadris. 
A 
mo 
separou 
as 
pernas 
e 
introduziu 
dois 
dedos. 
Cat 
gemeu 
de 
surpresa 
e 
prazer. 
Agenta 
 murmurou 
ele 
 
Ainda 
no. 
Quero 
estar 
dentro 
ti 
quando 
chegues. 
Mas 
j 
estava 
mida 
e 
os 
dedos 
de 
Alex 
eram 
hbeis. 
Tentou 
controlar 
a 
excitao 
desbordada 
at 
que 
j 
no 
pde 
mais. 
Dava 
a 
impresso 
de 
que 
ele 
sabia 
o 
momento 
justo 
de 
sua 
rendio, 
j 
que 
a 
penetrou 
s 
primeiras 
contraes. 
As 
paredes 
vaginais 
fecharam-se 
em 
torno 
de 
seu 
sexo. 
Oh, 
Deus, 
sim! 
Instantes 
depois, 
saciado, 
derrubou-se 
sobre 
ela; 
ambos 
banhados 
em 
suor. 


Depois 
de 
um 
momento, 
ele 
se 
ajoelhou, 
mas 
ela 
no 
estava 
disposta 
ao 
deixar 
sair. 
Incorporou-se 
de 
cintura 
para 
acima 
a 
fim 
de 
beijar 
o 
pubis 
do 
homem. 
Entrelaando 
seu 
cabelo, 
ele 
se 
colocou 
de 
costas 
e 
a 
levou 
consigo. 
Os 
mamilos 
de 
Cat 
se 
ergueram 


#
ao 
contato 
de 
sua 
lngua 
e 
baixou 
a 
mo 
para 
comprovar 
que 
Alex 
j 
voltava 
a 
estar 
preparado. 
Pouco 
a 
pouco, 
ela 
introduziu 
o 
membro 
viril 
em 
seu 
interior 
enquanto 
ele 
a 
olhava 
com 
os 
olhos 
entrecerrados, 
Cat, 
sentada 
galopava, 
com 
os 
seios 
erguidos 
e 
sem 
falso 
pudor, 
estava 
extasiada. 
Ele 
umedeceu 
os 
dedos 
com 
saliva 
e 
traou 
um 
crculo 
ao 
redor 
dos 
mamilos 
de 
Cat, 
que 
se 
endureceram 
ainda 
mais 
pela 
caricia. 
A 
outra 
mo 
de 
Alex 
voltou 
a 
brincar 
com 
os 
cabelos 
do 
pubis 
at 
encontrar 
seu 
centro. 
Foi, 
para 
ela, 
como 
cair 
fulminada 
por 
uma 
descarga 
eltrica. 
A 
cabea 
caiu 
para 
atrs 
e 
no 
podia 
deixar 
de 
empurrar 
os 
quadris. 
O 
dedo 
do 
homem 
continuava 
esfregando 
a 
pequena 
e 
escorregadia 
protuberncia. 
Ela 
j 
tinha 
perdido 
o 
mundo 
de 
vista, 
e 
Alex 
a 
segurou 
pelas 
ndegas 
para 
mant-la 
colada 
a 
ele 
at 
que, 
unssosso, 
conseguiram 
um 
orgasmo 
violento 
e 
demolidor. 
Caiu 
sobre 
o 
torso 
do 
homem, 
Ofegante 
e 
com 
o 
corao 
a 
ponto 
de 
saltar 
do 
peito. 
Alex 
manteve-a 
abraada 
e 
falou 
ao 
ouvido 
ainda 
que 
ela 
no 
sabia 
que 
ele 
estava 
dizendo. 


Cat 
acordou 
com 
a 
cabea 
aos 
ps 
da 
cama. 
Tinha-a 
tampado 
com 
um 
lenol 
e 
uma 
manta, 
mas 
o 
resto 
de 
roupa 
formava 
um 
baguna 
no 
centro. 
Sentou, 
tirou 
os 
cabelos 
da 
cara 
e 
olhou 
a 
seu 
redor. 
O 
dormitrio 
s 
estava 
iluminado 
pela 
griscea 
luz 
da 
manh. 
A 
casa 
permanecia 
silenciosa. 
Sabia 
que 
estava 
sozinha. 
Em 
algum 
momento, 
entre 
o 
xtase 
e 
o 
sonho, 
Alex 
tinha 
sado 
Ou 
ela 
o 
tinha 
sonhado? 
No. 
O 
interludio 
ertico 
tinha 
sido 
real, 
j 
que, 
em 
seu 
corpo 
tinha 
ainda 
agridoces 
impresses 
para 
demonstrar. 



Captulo 
quarenta 


Passou-se 
trs 
dias 
antes 
que 
voltasse, 
a 
saber, 
dele. 
Nem 
tinha 
chamado 
nem 
tinha 
tentado 
v-la. 
Com 
freqncia, 
durante 
esses 
trs 
dias, 
pensou 
que 
talvez 
a 
presso 
das 
ltimas 
semanas 
tivesse 
sido 
ruins, 
e 
a 
presena 
de 
Alex 
em 
sua 
cama, 
que 
provocou 
ser 
a 
experincia 
sexual 
mais 
intensa 
de 
toda 
sua 
vida, 
era 
s 
produto 
de 
sua 
imaginao. 
Mas 
ela 
sabia 
que 
tinha 
ocorrido. 
Se 
havia 
alguma 
dvida, 
dissipou-se 
quando 
ele 
colocou 
a 
cabea 
dentro 
da 
unidade 
mvel 
onde 
Cat 
estava 
sentada 
com 
Jeff 
discutindo 
os 
detalhes 
da 
reportagem 
que 
filmariam. 
Golpeou 
na 
porta 
aberta 
do 
caminho 
e 
ela 
levantou 
o 
olhar 
do 
papel 
que 
estava 
lendo. 
Jeff 
se 
virou. 
Ol, 
senhor 
Pierce 
 
disse 
mostrando 
surpresa. 
Alex 
devolveu 
a 
saudao, 
mas 
sem 
deixar 
de 
olhar 
a 
Cat. 
Sua 
reao 
ao 
v-lo 
foi 
de 
vinheta 
cmica. 
Ficou 
boquiabierta 
e 
a 
caneta 
de 
Jeff 
escorregou 
dentre 
os 
dedos, 
caindo 
de 
seu 
colo 
at 
chegar 
ao 
cho. 


#
Tenho 
que... 
Jeff 
balbuciou 
uma 
desculpa 
e 
deixou-os 
sozinhos. 
Alex 
seguia 
olhando-a. 
Levava 
jeans, 
uma 
camisa 
de 
algodo 
sem 
passar 
com 
as 
mangas 
dobradas 
e 


o 
cabelo 
despenteado. 
Ol, 
Alex, 
que 
te 
traz 
por 
aqui? 
Alex 
voltou 
a 
cabea 
e 
olhou 
para 
a 
equipe 
de 
produo 
que 
instalava 
a 
cmera 
de 
vdeo 
no 
parque. 
O 
realizador 
e 
Jeff 
estudavam 
os 
ngulos 
de 
filmagem, 
o 
ajudante 
testava 
os 
microfones, 
e 
o 
guarda, 
sobre 
o 
que 
tanto 
tinha 
insistido 
Bill, 
estava 
apoiado 
em 
uma 
rvore, 
fumando. 
No 
te 
tinha 
visto 
trabalhando 
em 
externas. 
No 
 
to 
divertido 
como 
pode 
parecer 
quando 
assistem 
em 
casa. 
Gostaria 
de 
ficar 
por 
aqui, 
se 
no 
te 
importar. 
De 
modo 
que 
no 
iam 
falar 
disso. 
Vale. 
Se 
ele 
queria 
dar 
a 
impresso 
de 
que 
a 
orga 
jamais 
tinha 
existido, 
pois 
muito 
bem. 
Era 
provvel 
que 
fosse 
melhor 
assim. 
Tinha 
ido 
a 
ela 
em 
plena 
noite, 
desesperado 
e 
rogando 
libertao 
fsica 
e 
emocional: 
um 
sinal 
de 
que 
tinha 
debilidades 
como 
qualquer 
outro 
ser 
humano. 
Ela 
respondeu 
sem 
a 
menor 
resistncia: 
um 
sinal 
de 
sua 
vulnerabilidade. 
Ambos 
tinham 
demonstrado 
uma 
ausncia 
total 
de 
autocontrole 
e 
sentido 
comum. 
No 
podia 
o 
condenar 
por 
us-la 
sem 
condenar 
a 
si 
mesma 
por 
se 
deixar 
usar 
com 
tanta 
facilidade. 
Pra 
que 
abrir 
um 
debate? 
No 
era 
melhor 
aparentar 
que 
no 
havia 
acontecido 
e 
poupar 
a 
discusso? 
Alm 
do 
mais, 
no 
estava 
muito 
segura 
de 
poder 
falar 
com 
franqueza 
a 
plena 
luz 
do 
dia 
do 
que 
tinham 
feito 
na 
escurido. 
Se 
ruborizava 
s 
do 
pensar. 
No 
me 
importo 
 
disse 
 Mas 
seguro 
que 
estar 
farto 
antes 
que 
terminemos. 
Parece 
que 
no. 
Chegou 
Jeff. 
Cat, 
acaba 
de 
chegar 
Sherry 
com 
Joseph. 
Colocou 
o 
tnis 
que 
antes 
tinha 
tirado. 
Alex 
ajudou-a 
a 
descer 
do 
caminho. 
Obrigado. 
Cat 
tentou 
comportar-se 
com 
naturalidade 
diante 
de 
Sherry, 
Jeff 
e 
a 
equipe 
de 
produo, 
ainda 
que 
ainda 
seu 
joelhos 
estivessem 
tremendo 
pela 
presena 
inesperada 
de 
Alex. 
Joseph 
a 
fez 
esquecer-se 
dele. 
A 
paralisia 
tinha 
detido 
o 
crescimento 
do 
garoto; 
tinha 
sete 
anos, 
mas 
aparentava 
quatro. 
Levava 
aparelhos 
ortopdicos, 
ainda 
que 
caminhasse 
sem 
ajuda 
de 
ningum. 
Tinha 
as 
orelhas 
de 
soplillo 
e 
culos 
com 
lentes 
grossas 
distorciam 
o 
tamanho 
de 
seus 
olhos. 
Sorria 
enquanto 
avanava 
para 
Cat. 
Vou 
sair 
na 
tv 
anunciou 
muito 
orgulhoso. 
Sherry 
Parks 
soltou 
uma 
gargalhada.
 
melhor 
que 
avis-la, 
Cat. 
 
um 
sedutor 
nato. 
Vai-te 
com 
olho 
ou 
te 
roubar 
os 
planos. 
Alegro-me 
de 
voltar 
a 
ver-te, 
Joseph. 
Tinham 
sido 
apresentados 
na 
festa 
de 
Nancy 
Webster. 
Agora 
o 
olhou 
risonha 
e 
acrescentou: 
-Mas 
se 
tentar 
me 
ofuscar, 
vais 
ver 
o 
que 
 
bom. 
Eu 
sou 
a 
estrela, 
no 
o 
esqueas! 
Vale 
 
contou 
Joseph, 
rindo. 
Ele 
move 
a 
cmera? 
Indicou 
a 
Alex. 
No, 
tem 
vindo 
a 
ver 
como 
rodamos. 
 
Alex 
Pierce, 
Joseph. 
Escreve 
livros. 
#
Livros? 
Para 
valer? 
Muito 
gosto, 
Joseph. 
Alex 
apertou 
a 
mo 
como 
se 
fosse 
um 
adulto.
 
voc 
muito 
alto. 
No 
tanto. 
Olha 
as 
botas. 
Levantou 
o 
p 
e 
mostrou 
o 
salto. 
Se 
as 
tirar 
meo 
um 
e 
sessenta. 
O 
riso 
de 
Joseph 
surgiu 
como 
as 
borbulhas 
de 
uma 
garrafa 
de 
champanhe. 
Cat 
fez 
uma 
nota 
mental 
para 
que 
seu 
riso 
aparecesse 
na 
reportagem. 
Quem 
poderia 
resistir 
a 
essas 
gargalhadas? 
Fez 
as 
apresentaes 
oportunas 
e 
Jeff 
anunciou 
que 
iam 
comear. 
Cat 
tomou 
a 
mo 
de 
Joseph 
e 
sentaram-se 
um 
ao 
lado 
do 
outro 
no 
banco. 
O 
ajudante 
de 
direo 
colocou 
os 
microfones 
e, 
primeiro, 
gravaram 
a 
entrevista. 
Conversou 
com 
o 
menino 
de 
coisas 
intrascendentes 
at 
que 
se 
esqueceu 
da 
cmera 
e 
esteve 
relaxado. 
Gostaria 
que 
algum 
o 
adotasse, 
Joseph? 
Claro. 
Poderia 
ter 
irmos 
e 
irms? 
 
possvel. 
Seria 
estupendo. 
Todas 
suas 
respostas 
eram 
simpticas 
e 
entraveis. 
Voltaram 
a 
filmar 
a 
entrevista 
de 
outro 
ngulo, 
de 
forma 
que 
ao 
mont-la 
desse 
a 
impresso 
de 
que 
tinha 
ao 
menos 
duas 
cmeras. 
Depois 
caminharam 
entre 
as 
rvores, 
enquanto 
outro 
tcnico 
seguia-os 
com 
a 
cmera 
ao 
ombro, 
at 
que 
Jeff 
anunciou 
que 
j 
tinham 
todo 
o 
material 
que 
precisavam. 
Joseph, 
toca 
aqui. 
Se 
alguma 
vez 
pensar 
em 
dedicar 
ao 
mundo 
do 
espetculo 
eu 
serei 
seu 
agente. 
Trato 
feito? 
O 
sorriso 
do 
menino 
era 
radiante. 
Cat 
agachou-se 
e 
abraou-o. 
Esperemos 
que 
tudo 
saia 
bem. 
Sim, 
mas 
no 
se 
preocupe, 
Cat. 
Se 
ningum 
me 
adota, 
no 
me 
chatearei 
contigo. 
A 
Cat 
formou-se 
um 
n 
na 
garganta. 
O 
pai 
de 
Joseph 
tinha 
desaparecera 
antes 
que 
ele 
nascesse; 
sua 
me 
era 
uma 
drogada 
depressiva 
a 
quem 
tinham 
retirado 
a 
custodia 
quando 
ele 
tinha 
trs 
anos. 
Desde 
ento 
tinha 
vvido 
em 
centros 
de 
adotivo. 
Merecia 
o 
amor 
de 
uma 
famlia, 
e 
com 
seu 
carter 
e 
senso 
do 
humor 
seria 
a 
alegria 
de 
qualquer 
casal. 
Enquanto 
Sherry 
o 
levava, 
Cat 
seguiu 
saudando 
com 
a 
mo 
at 
que 
se 
perderam 
de 
vista. 
Alex 
secou 
o 
suor 
da 
frente 
com 
a 
manga 
da 
camisa. 
Tens 
razo; 
no 
 
to 
divertido 
nem 
to 
fcil 
como 
parece. 
Duas 
horas 
de 
trabalho 
para 
um 
programa 
de 
dois 
minutos? 
Sem 
contar 
a 
montagem. 
E 
ainda 
bem 
que 
Cat 
rara 
vez 
necessita 
mais 
de 
uma 
tomada. 
Ofereceu 
um 
sorriso 
coqueta. 
Vamos? 
gritaram 
do 
caminho. 
A 
equipe 
j 
estava 
carregada, 
e 
a 
cmera, 
ao 
volante,haviam 
ligado 
o 
ar 
acondicionado. 
O 
guarda 
de 
segurana 
apressava 
o 
cigarro, 
disposto 
a 
saltar 
ao 
veculo. 
Nem 
tinha 
acercado 
a 
Alex 
nem 
tinha 
perguntado 
o 
porque 
de 
sua 
presena 
ali. 
Bill 
estava 
jogando 
fora 
o 
dinheiro, 
pensou 
Cat. 


#
Jeff 
caminhou 
para 
o 
caminho, 
mas 
ela 
ficou 
e 
olhou 
a 
Alex 
com 
perspicacia. 
No 
veio 
aqui 
com 
este 
calor 
sofocante 
s 
para 
ver 
uma 
filmagem, 
verdade? 
Foi 
interessante. 
Cat 
ps-se 
em 
jarras.
 
um 
pouco 
crescido 
para 
excurses 
instrutivas. 
Vamos, 
Pierce. 
Que 
passa? 
Encontrei 
a 
Cyclops. 


Estava 
abaixado 
ao 
lado 
da 
Harley, 
mudando 
uma 
buja. 
Na 
verdade 
no 
fazia 
falta, 
mas 
era 
uma 
forma 
de 
se 
distrair. 
Se 
tudo 
na 
vida 
funcionasse 
to 
bem 
como 
sua 
moto, 
seria 
um 
homem 
feliz. 
A 
Harley 
era 
a 
nica 
que 
acatava 
suas 
ordens 
sem 
reclamar. 
Montar 
nela 
nunca 
deixava 
de 
excit-lo. 
Kismet 
era 
outro 
assunto. 
Olhou-a 
com 
desprezo 
acima 
do 
ombro. 
Estava 
sentada 
ao 
lado 
de 
uma 
carteira 
de 
plstico 
amarelo 
que 
tinha 
arrastado 
at 
a 
sombra 
de 
um 
cedro 
esqueltico. 
Poucos 
anos 
atrs, 
a 
garota 
era 
rainha 
e 
ele 
era 
a 
inveja 
de 
todos 
os 
tios. 
Tinha 
um 
temperamento 
ardente 
e 
salvagem 
e 
no 
temia 
a 
nada. 
Nem 
sequer 
a 
ele. 
Naqueles 
tempos, 
se 
ele 
fazia 
algo 
que 
no 
gostava, 
se 
jogava 
em 
cima, 
s 
vezes 
arranhando 
e 
mordendo. 
Seguiam 
brigando 
at 
acabar 
na 
cama. 
A 
violncia 
punha-a 
a 
cem; 
quanto 
mais, 
melhor. 
Retorcia-se, 
empurrava 
e 
gritava 
como 
uma 
louca 
quando 
acontecia. 
Agora, 
os 
olhos 
negros 
que 
antes 
queimavam 
estavam 
apagados, 
mortos. 
E 
era 
como 
trepar 
com 
um 
cadver: 
suportava-o 
mas 
no 
participava. 
Inclusive 
seu 
aspecto 
era 
diferente. 
Escondia 
as 
tatuagens, 
o 
cabelo 
preso, 
e 
no 
recordava 
a 
ltima 
vez 
que 
colocou 
algo 
que 
realasse 
suas 
curvas. 
Tambm 
no 
falava 
igual. 
Tentar 
ressuscitar 
o 
anterior 
Kismet 
tinha-se 
convertido 
o 
objetivo 
da 
vida 
dele. 
Ela 
era 
um 
desafio 
constante. 
A 
tigresa 
estava 
ali 
dentro, 
em 
alguma 
parte, 
e, 
por 
trs 
de 
sua 
expresso 
vazia, 
a 
verdadeira 
Kismet 
ainda 
se 
troava 
do 
mundo. 
Ele 
o 
sbia; 
o 
nico 
que 
tinha 
que 
fazer 
era 
encontrar 
a 
maneira 
da 
acordar. 
Valia 
a 
pena 
tudo 
o 
que 
ela 
o 
tinha 
feito 
passar? 
No. 
J 
a 
havia 
tirado 
de 
cima 
anos 
atrs 
de 
no 
ser 
por 
um 
motivo 
de 
fora 
maior: 
 
o 
que 
ela 
queria. 
Ela 
teria 
gostado 
que 
brincasse, 
e 
s 
por 
de 
isso 
tinha 
decidido 
ter 
at 
que 
as 
ranas 
acreditassem 
cabelo. 
J 
a 
deixou 
escapar 
uma 
vez 
e 
o 
tinha 
posto 
em 
ridculo. 
Mas 
ele 
tinha 
rido 
o 
ltimo 
e 
melhor. 
Quando 
Sparky 
saiu 
de 
suas 
vidas, 
voltaram 
a 
comear 
onde 
o 
tinham 
deixado. 
Bom, 
no 
tudo, 
j 
que 
no 
era 
a 
mesma. 
No 
geral, 
olhava-o 
como 
se 
no 
existisse, 
e 
o 
nico 
que 
a 
tirava 
de 
sua 
indiferena 
era 
o 
medo. 
Quando 
estava 
aterrorizada 
era 
to 
malevel 
como 
a 
argila. 
De 
modo 
que 
assust-la 
converteu 
em 
seu 
passatempo 
favorito. 
Levantou 
e 
limpou 
as 
mos 
com 
um 
trapo 
vermelho. 
Entrem 
em 
casa. 
Sua 
brusca 
ordem 
a 
sobresaltou. 
Essa 
era 
outra 
coisa 
que 
o 
fastidiava... 
Quando 
ficava 
ensimismada. 
Tinha 
um 
mundo 
diferente, 
fechado 
para 
ele. 
Dentro 
faz 
calor, 
Cyc. 
Aqui, 
ao 
menos 
corre 
um 
pouco 
de 
brisa. 


#
Disse-te 
que 
entres. 
Pra 
que? 
No 
to 
imaginas? 
perguntou 
em 
tom 
cantado. 
Atirou-a 
do 
brao 
com 
fora 
para 
obrig-la 
a 
levantar-se. 
Ela 
gritou 
de 
dor. 
Naquele 
momento, 
estacionou 
um 
carro 
ao 
lado 
da 
Harley. 
Desceu 
um 
homem 
e 
olhou-os. 
Cyc 
soltou 
o 
brao. 
Quem 
 
esse? 
No 
sei. 
Era 
um 
tipo 
alto 
e 
delgado 
caminhou 
para 
eles. 
Tinha 
os 
olhos 
calculistas 
e 
um 
sorriso 
forado 
na 
boca. 
Um 
policial. 
Cyclops 
reconhecia-os 
a 
uma 
lgua. 
Seguro 
que 
levava 
uma 
arma 
embaixo 
do 
banco. 
Quem 
 
e 
o 
que 
quer? 
perguntou 
Cyc 
enfrentando 
ao 
visitante 
com 
agressividade.
Busco 
a 
algum 
chamado 
Cyclops. 
s 
tu? 
Cyc 
cruzou 
os 
braos 
tatuados 
sobre 
o 
peito. 
Ao 
sorrir, 
mexeu 
a 
cabea, 
fazendo 
tintinear 
a 
cruz 
de 
prata 
que 
pendurava 
da 
orelha. 
E 
da 
se 
o 
sou? 
Tu 
s 
Kismet? 
Sim. 
Fecha 
o 
bico. 
No 
diga 
nem 
uma 
palavra. 
Olhou 
ao 
homem 
e 
sabia 
por 
intuio 
que 
traria 
problemas. 
Quem 
 
voc? 
Alex 
Pierce. 
No 
sei 
quem 
.
 
lgico. 
Mas 
vem 
comigo 
algum 
que 
quer 
te 
conhecer. 
Voltou 
ao 
carro 
e 
abriu 
a 
porta 
do 
passageiro, 
onde 
trocou 
algumas 
palavras 
com 
algum 
antes 
de 
que 
sasse. 
O 
ltimo 
sol 
da 
tarde 
iluminou 
seu 
cabelo 
e 
Cyc 
reconheceu-a 
num 
instante. 
Por 
todos 
os 
santos! 
exclamou 
Cyc 
deixando 
a 
um 
lado 
sua 
agressividade. 
O 
tipo 
no 
saia 
de 
perto 
da 
ruiva. 
Ela 
no 
parecia 
to 
cautelosa. 
Uma 
moa 
com 
garras, 
pensou 
Cyc. 
Pequena 
mas 
valente. 
Via-se 
a 
simples 
vista. 
Chamo-me 
Cat 
Delaney. 
J 
sei 
quem 
s. 
Veio 
buscar 
a 
menino? 
Kismet 
levantou 
inesperadamente, 
deixando 
cair 
a 
bandeja 
com 
missangas 
que 
tinha 
sobre 
os 
joelhos. 
No 
vou 
permitir 
que 
voltem 
a 
lhe 
o 
levar! 
gritou. 
Mame? 
Cyc 
olhou 
a 
suas 
costas. 
O 
menino 
estava 
por 
trs 
da 
porta 
de 
vidro 
com 
o 
dedo 
na 
boca. 
Olhava-os 
com 
aqueles 
olhos 
abertos 
e 
frios 
que 
Cyc 
dava 
arrepios. 
Dispunha-se 
a 
dizer-lhe 
que 
entrasse 
quando 
a 
ruiva 
afogou 
um 
grito 
de 
surpresa. 


 
Michael! 
#
Captulo 
quarenta 
e 
um 


Cat 
ficou 
pasma. 
O 
menino 
abriu 
a 
janela 
e 
correu 
a 
esconder 
a 
cara 
na 
saia 
de 
sua 
me.
 
voc 
 
a 
me 
dele? 
perguntou 
Cat. 
Ela 
assentiu. 
Cat 
olhou 
o 
motorista. 
Pois 
voc 
deve 
de 
ser 
George 
Murphy. 
No 
veio 
por 
isso? 
Levar 
ao 
menino 
para 
que 
o 
adotem? 
Kismet 
comeou 
a 
gimotear 
e 
Cat 
acariciou 
seu 
brao. 
No 
estou 
aqui 
por 
Michael. 
Cyclops 
franziu 
o 
cenho. 


 
E 
a 
que 
veio? 
Tal 
e 
como 
disse 
Sherry, 
Michael 
e 
sua 
me 
pareciam 
estar 
muito 
unidos. 
O 
menino 
se 
lembrou 
de 
Cat 
e 
olhava-a 
com 
um 
tmido 
sorriso 
enquanto 
seguia 
abraado 
s 
pernas 
de 
sua 
me. 
Cat 
olhou 
ao 
motorista 
de 
cima 
abaixo. 
Enviou-me 
cartas 
ameaadoras? 
Se 
for 
assim, 
vim 
para 
advertir 
que 
coloquei 
o 
assunto 
nas 
mos 
da 
policia. 
Se 
receber 
outra... 
Ouve, 
cabrona... 
Cuidado 
com 
o 
que 
diz. 
Alex 
no 
levantou 
a 
voz, 
mas 
esta 
era 
bastante 
ameaadora 
como 
para 
silenciar 
a 
Cyclops. 
Ainda 
que 
at 
aquele 
momento 
no 
houvesse 
intervindo, 
Cat 
sabia 
que 
no 
lhe 
escapava 
nada. 
Isto 
no 
tem 
por 
que 
se 
complicar 
 disse 
 Limita-te 
a 
rsponder 
 
senhora. 
Enviou 
por 
correio 
recortes 
de 
jornal? 
No 
sei 
de 
que 
caralho 
est 
falando. 
Recortes 
de 
periodico? 
Deixe-me 
em 
paz 
ou... 
Vocs 
eram 
amigos 
de 
um 
garoto 
chamado 
Sparky 
 interrompeu 
Cat. 
Kismet 
murmurou 
baixinho: 
Sparky? 
Que 
passa 
com 
Sparky? 
Fecha 
o 
bico 
de 
uma 
vez 
 
gritou 
Cyc. 
Dirigiu 
seu 
olhar 
hostil 
a 
Cat. 
Se 
est 
buscando 
a 
esse 
ano, 
 
melhor 
que 
esquea. 
Faz 
anos 
que 
ele 
morreu. 
Sei-o. 
Pois 
por 
que 
ento 
veio 
encher 
meu 
saco? 
voc 
deu 
a 
permisso 
para 
que 
tirassem 
o 
corao 
para 
transplante. 
Fizeram-me 
um 
transplante
poucas 
horas 
aps 
que 
ele 
morresse. 
 
possvel 
que 
seja 
o 
mesmo. 
Kismet 
deixou 
escapar 
um 
grito 
sofocado 
antes 
de 
tampar 
a 
boca. 
E 
saltaram-lhe 
as 
lgrimas. 
Fiquei 
sabendo 
que 
era 
muito 
unida 
a 
ele. 
Kismet 
assentiu. 
Isso 
so 
guas 
passadas. 
Que 
quer 
de 
mim? 
disse 
Cyc. 
Contou 
Alex: 
Trs 
pessoas 
que 
receberam 
um 
novo 
corao 
no 
mesmo 
dia 
que 
ela, 
morreram. 
Achamos 
que 
o 
#
assassino 
era 
membro 
da 
famlia 
do 
doador, 
que 
mudou 
de 
ideia. 
O 
assassino 
deixou 
claro 
que 
sou 
a 
prxima 
da 
lista 
 acrescentou 
Cat. 
V, 
que 
pena 
 contou 
Cyc 
com 
sarcasmo. 
Alex 
ia 
dar 
um 
passo 
 
frente, 
mas 
Cat 
segurou-o 
pela 
manga. 
No 
acho 
que 
saibam 
nada, 
Alex. 
Ele 
a 
reconheceu 
de 
imediato. 
Vi 
em 
sua 
cara. 
Voc 
apararece 
na 
tv! 
Pensa 
que 
sou 
idiota 
e 
cego? 
gritou 
Cyclops. 
Penso 
que 
 
uma 
droga 
 respondeu 
Alex. 
Tranqilos. 
Os 
dois. 
Michael 
est 
assustado. 
Cat 
desviou 
o 
olhar 
a 
Kismet. 
Tetou 
alguma 
vez 
entrar 
em 
contato 
com 
a 
pessoa 
que 
recebeu 
o 
corao 
de 
Sparky? 
Sim. 
Cyc 
se 
virou. 
Que 
droga 
est 
dizendo? 
Como 
se 
no 
tivesse 
ouvido, 
Kismet 
continuou 
dialogando 
com 
Cat: 
Um 
ano 
aps 
a 
morte 
de 
Sparky 
fui 
ao 
hospital. 
Disseram-me 
que 
chamasse 
ao 
banco 
de 
rgos. 
E 
deram-me 
o 
nmero 
de 
telefone. 
Cyc 
levantou 
um 
dedo 
e 
ordenou: 
Cala-te. 
No 
diga 
nada. 
E 
onde 
estava 
eu 
enquanto 
escapaste 
para 
ir 
ao 
hospital? 
Ela 
seguiu 
sem 
lhe 
fazer 
caso. 
Chamei 
ao 
nmero 
que 
me 
deram. 
A 
mulher 
que 
se 
ps 
ao 
telefone 
era 
amvel, 
mas, 
como 
eu 
no 
era 
um 
familiar 
de 
Sparky, 
no 
podia 
me 
informar. 
Implorei. 
Queria 
saber 
se... 
J 
est 
bem! 
Cyc 
levantou 
a 
mo 
e 
a 
esbofeteou. 
Ainda 
que 
Cat 
quisesse, 
no 
poderia 
ter 
evitado. 
Alex 
lanou-se 
sobre 
Cyc, 
agarrou-o 
pelo 
pescoo 
e 
lanou-o 
contra 
a 
parede 
exterior 
da 
casa. 
Se 
voltar 
a 
bat-la 
eu 
o 
enviarei 
a 
priso, 
camarada. 
Mas 
antes 
vamos 
ter 
a 
briga 
que 
est 
buscando. 
Arrancarei 
seu 
olho 
bom 
e 
mejarei 
no 
oco. 
Quando 
terminar 
contigo, 
alm 
de 
idiota 
ser 
cego. 
Preferir 
que 
te 
encerrem 
a 
voltar 
a 
se 
ver 
comigo. 
A 
cara 
de 
Cyc 
estava 
torcida 
pela 
dor. 
O 
joelho 
de 
Alex 
pressionava 
suas 
genitais. 
Vale 
j, 
tio. 
No 
a 
vou 
sacudir. 
Cat 
observou 
que 
Michael 
voltava 
a 
esconder 
a 
cara 
entre 
as 
saias 
de 
sua 
me. 
Alex, 
o 
menino. 
As 
palavras 
fizeram 
o 
efeito 
de 
uma 
varinha 
mgica. 
Alex 
soltou 
a 
Cyc 
e 
retrocedeu 
at 
pr 
ao 
lado 
de 
Cat, 
mas 
sem 
baixar 
 
guarda. 
Durante 
o 
altercado, 
Kismet 
no 
se 
moveu, 
como 
se 
j 
estivesse 
acostumada 
 
violncia 
e 
a 
ter 
suportado 
muitas 
vezes. 
Faz 
favor 
-disse 
Cat 
 Sabes 
algo 
da 
pessoa 
que 
recebeu 
o 
corao 
de 
Sparky? 
Aonde 
o 
enviaram? 
Ela 
negou 
com 
a 
cabea, 
olhou 
a 
Cyc 
e 
depois 
ao 
cho. 
Cat 
estava 
segura 
de 
poder 
conseguir 
mais 
informao, 
no 
queria 
incrementar 
a 
ira 
de 
Cyc, 
que, 
sem 
dvida, 
cairia 
sobre 
ela 
e 
o 
menino. 
Deu 
a 
volta 
e 
no 
ocultou 
seu 
desprezo 
ao 
perguntar 
ao 
energmeno: 


#
No 
ter 
problemas? 
Por 
que 
teria 
que 
os 
ter?
Porque 
j 
os 
enviaste 
vrias 
vezes 
ao 
hospital. 
 
pattico. 
Acha 
que 
tem 
que 
demonstrar 
sua 
virilidade 
batendo 
em 
mulheres 
e 
meninos. 
Cat. 
Alex 
advertiu 
entre 
dentes 
que 
tivesse 
cuidado. 
Cyc 
se 
massageou 
os 
pulsos. 
No 
sabemos 
nada 
de 
teu 
corao, 
nem 
do 
de 
Sparky, 
nem 
de 
cartas. 
E 
ainda 
menos 
de 
assassinos. 
Saiam 
daqui 
antes 
que 
fique 
bravo 
para 
valer. 
Alex 
apanhou-a 
do 
brao. 
Vamos-nos. 
Subiram 
ao 
carro, 
Alex 
ligou-o 
e 
saram 
a 
toda 
velocidade, 
pondo 
terra 
de 
por 
meio 
entre 
eles 
e 
Murphy. 
No 
posso 
o 
crer. 
Todo 
este 
tempo 
esteve 
em 
meu 
escritrio 
-disse 
assombrada: 
Cyclops 
e 
Kismet. 
Como 
os 
encontraste? 
Tio 
Dixie 
tem 
bons 
arquivos 
e 
Murphy 
 
fichado 
por 
vrios 
delitos 
menores. 
Os 
departamentos 
de 
policia 
do 
Leste 
seguiram 
a 
pista, 
e 
o 
de 
San 
Antonio 
tinha 
sua 
direo 
atual.
Quando 
Michael 
apareceu 
na 
porta... 
 
um 
menino 
to 
sensvel 
e 
indefeso 
que 
no 
posso 
suportar 
que 
viva 
com 
esse 
animal. 
E 
a 
mulher? 
Parece 
que 
quer 
muito 
a 
seu 
filho, 
mas 
Cyc1ops 
a 
tem 
em 
seu 
dominio. 
Quando 
a 
esbofeteou... 
Tinha 
vontade 
de 
o 
pulverizarar. 
Alex 
apartou 
os 
olhos 
da 
estrada 
para 
dar 
um 
olhar 
irnico. 
E 
voc 
me 
acusa 
de 
disparar 
primeiro 
e 
perguntar 
depois. 
Como 
o 
prefere? 
Decidade-se. 
No 
comeemos, 
Alex. 
J 
tive 
bastantes 
discusses 
esta 
tarde. 
Preciso 
pensar 
antes 
do 
prximo 
assalto. 
Deves 
estar 
esgotada. 
Nunca 
abandonas 
to 
facilmente. 
Kismet 
e 
Cyclops 
viviam 
em 
uma 
pequena 
populao 
ao 
sul 
de 
San 
Antonio. 
Era 
meia 
hora 
de 
viagem 
que 
Cat 
dedicou 
a 
olhar 
para 
o 
vazio. 
Quando 
chegaram 
 
cidade, 
j 
estava 
anoitecendo 
e 
as 
casas 
e 
estabelecimentos 
comerciais 
tinham 
as 
luzes 
acendidas. 
Os 
anncios 
de 
nen 
atraam 
clientes 
a 
restaurantes 
e 
cinemas. 
Oxal 
no 
tivesse 
outro 
problema 
que 
decidir 
que 
filme 
gostaria 
de 
ver 
esta 
noite 
-disse 
Cat. 
Est 
morta 
de 
medo, 
verdade? 
Parece 
que 
tenho 
motivos 
para 
estar. 
Encontramos 
Cyclops, 
mas 
no 
estamos 
mais 
perto 
de 
meu 
perseguidor. 


 
No 
acha 
que 
seja 
obra 
de 
George? 
E 
tu? 
Gostaria 
que 
fosse, 
mas 
acho 
que 
no. 
Por 
que 
gostaria?
Porque 
tenho 
uma 
vontade 
louca 
de 
coloc-lo 
na 
cadeia. 
 
s 
questo 
de 
tempo 
que 
coloquem 
neles 
umas 
algemas. 
Cedo 
ou 
tarde 
estar 
encerrado 
na 
priso 
de 
Huntsville, 
e 
prferira 
que 
fosse 
#
antes 
que 
faa 
dano 
a 
algum, 
especialmente 
a 
Michael. 
Alm 
do 
mais, 
por 
seu 
bem 
quero 
que 
isto 
termine. 
Que 
possa 
dormir 
tranqila, 
sem 
te 
preocupar 
por 
saber 
se 
chegar 
ao 
dia 
seguinte. 
Homem, 
obrigado 
por 
animar-me 
e 
levantar-me 
a 
moral. 
Ao 
cabo 
de 
um 
momento 
perguntou: 
Por 
que 
no 
acha 
que 
possa 
ser 
Cyclops?
 
muito 
estpido; 
para 
comear. 
Este 
assunto 
tem 
um 
esquema 
complexo, 
bem 
planejado 
e 
bem 
realizado 
por 
algum 
com 
inteligncia 
e 
pacincia. 
Cyclops 
no 
tem 
nem 
uma 
coisa 
nem 
outra.
 
provvel 
que 
tenha 
razo, 
mas 
suponhamos 
que 
h 
outra 
possibilidade. 
Cyclops 
vive 
de 
forma 
muito 
precria, 
de 
modo 
que 
viajar 
durante 
certos 
perodos 
de 
tempo 
no 
suporia 
nenhum 
problema. 
Com 
Kismet 
e 
Michael 
a 
reboque? 
No, 
claro. 
Alm 
do 
mais: 
chegamos 
 
concluso 
de 
que 
quem 
me 
ameaa 
torna-se 
amigo 
de 
suas 
vtimas. 
Ningum 
em 
seu 
so 
conscincia 
deixaria 
que 
Cyclops 
se 
chegasse. 
Que 
me 
dizes 
dela? 
Poderia 
servir 
como 
isca 
para 
atrair 
s 
vtimas. 
Ela 
ganha 
sua 
confiana, 
talvez 
sua 
piedade; 
Cyclops 
mata-as. 
Cat 
recusou 
esta 
hiptese 
negando 
com 
a 
cabea. 
No 
me 
deu 
a 
impresso 
de 
que 
sua 
tristeza 
fosse 
fingida. 
No 
a 
vejo 
capaz 
de 
artimanhas. 
E 
Petey 
disse-nos 
que 
estava 
apaixonada 
por 
Sparky. 
Por 
que 
ia 
querer 
parar 
seu 
corao? 
Pareceu 
que 
ainda 
o 
segue 
querendo. 
Sim, 
e 
isso 
a 
Cyc 
no 
gosta 
nada; 
Se 
era 
ciumento 
quando 
Sparky 
vivia... 
Pode 
continuar 
ciumento. 
Kismet 
no 
pode 
o 
esquecer 
nem 
sequer 
aps 
tanto 
tempo 
 
disse 
Alex 
acabando 
sua 
frase. 
No 
se 
livrou 
de 
seu 
rival. 
Sua 
garota 
segue 
pendurada 
pelo 
pequeno 
grande 
homem 
que 
o 
derrotou 
no 
s 
na 
cama, 
seno 
tambm 
em 
uma 
briga 
com 
navalhas. 
Quer 
vingar-se 
matando 
qualquer 
um 
que 
possa 
levar 
o 
corao 
de 
Sparky. 
Ela 
olhou-o 
ilusionada, 
como 
se 
acabassem 
de 
descobrir 
o 
remdio 
contra 
o 
cncer. 
Mas 
sua 
borbulha 
de 
alegria 
desvaneceu-se 
em 
seguida. 
Isso 
nos 
volta 
a 
remeter 
a 
como 
pde 
infiltrar-se 
na 
vida 
das 
vtimas. 
Cyclops 
no 
 
uma 
pessoa 
que 
inspire 
confiana. 
Se 
algum 
que 
o 
conhece 
morre 
em 
estranhas 
circunstncias 
levantara 
suspeitas. 
Cat 
suspirou 
derrotada. 
Cu 
santo, 
quem 
teria 
pensado 
que, 
por 
receber 
o 
corao 
de 
um 
doador, 
teria 
a 
um 
psicpata 
no 
meu 
encalo? 
E 
sabe 
qual 
 
a 
graa? 
Bom, 
graa 
no 
sentido 
irnico. 
Nunca 
quis 
que 
se 
me 
tratasse 
de 
forma 
especial 
por 
ter 
sofrido 
um 
transplante. 
Isso 
faz 
que 
te 
saias 
do 
comum 
 
recordou 
Alex. 
Mas 
no 
quero 
um 
trato 
de 
preferncial. 
Desejo 
que 
a 
gente 
se 
esquea 
de 
que 
no 
tenho 
o 
corao 
com 
o 
que 
nasci. 
Em 
mudana, 
parece 
ser 
que 
 
a 
nica 
coisa 
que 
pensam 
quando 
esto 
comigo. 
O 
guarda 
do 
estacionamento 
da 
WWSA 
reconheceu 
desta 
vez 
o 
carro 
de 
Alex 
e 
saudou-os 
com 
a 
mo 
quando 
entravam. 
Sorria 
com 
reserva, 
como 
se 
ele 
fosse 
uma 
personagem 
fictcio 
de 
uma 
intriga 


#
amorosa. 
Alex 
parou 
o 
motor 
e 
voltou-se 
para 
ela. 
No 
 
o 
que 
eu 
penso, 
Cat. 
Nem 
de 
longe. 
Ela 
resistiu 
a 
tentao 
de 
sua 
proximidade 
com 
uma 
piada. 
Pensa 
fazer 
poesia 
sobre 
meus 
cabelos, 
meus 
olhos 
e 
meus 
lbios? 
Se 
quer. 
Ou 
poderia 
ser 
mais 
carnal 
e 
descrever 
as 
zonas 
ergenas 
de 
teu 
corpo, 
que, 
em 
teu 
caso, 
incluem 
at 
o 
ltimo 
centmetro 
de 
pele. 
Sei-o 
por 
experincia 
prpria. 
Era 
um 
alarde 
arrogante 
que 
provocou 
uma 
resposta 
 
inversa 
no 
interior 
de 
Cat. 
Lutou 
por 
ignorla. 
Guarda-te 
a 
linguagem 
forte 
para 
tuas 
novelas. 
No 
suportaria 
que 
desperdiasse 
essa 
pornografa 
barata 
comigo. 
Alex 
sorriu. 
Achei 
que 
gostasse. 
O 
que? 
A 
pornografa 
barata. 
Tinha 
lembranas 
vivas 
dos 
susurros 
em 
seu 
ouvido 
umas 
noites 
atrs. 
Antes 
que 
voltassem 
 
seduzir, 
abriu 
a 
porta 
do 
carro. 
Obrigado 
encontrar 
a 
Cyclops. 
Vou 
fazer 
mais 
averiguaes 
antes 
de 
descart-lo 
J 
me 
dirs 
algo. 
Boas 
noites, 
Alex. 
Cat. 
Virou. 
Parecia 
estar 
em 
conflito 
consigo 
mesmo 
sobre 
se 
devia 
dizer 
o 
que 
pensava. 
Por 
fim, 
disse 
somente: 
Boas 
noites. 
Foram-se 
por 
caminhos 
diferentes. 
Cat 
dirigia-se 
a 
sua 
casa 
com 
ideia 
confusas. 
Ele 
pudesse 
se 
esforar 
um 
pouco 
mais 
para 
derrubar 
suas 
defesas. 
Ela 
teria 
dito 
que 
no, 
mas 
ele 
insistisse 
um 
pouco 
mais 
a 
convenceria 
em 
passar 
uma 
noite 
com 
ele. 
Sua 
mente 
continuava 
dando 
voltas 
no 
assunto 
enquanto 
dispunha-se 
a 
deitar-se. 
Saiu 
da 
ducha 
quando 
soou 
o 
alarme. 
Haviam 
seguido 
at 
casa! 
Colocou 
o 
roupo 
e 
correu 
para 
a 
porta 
principal. 
A 
iluso 
burbujeava 
em 
seu 
interior 
como 
um 
vinho 
espumoso. 
Quando 
olhou 
atravs 
da 
janela, 
esperando 
ver 
a 
Alex, 
teve 
uma 
grande 
decepo. 



Captulo 
quarenta 
e 
dois 


Que 
quer, 
Murphy? 
Falar 
contigo 
-disse 
Cyclops. 
Abre. 


#
Cat 
forou 
uma 
gargalhada. 
No 
penso 
em 
abrir. 
Se 
quero 
entrar, 
nada 
vai 
me 
impedir. 
Por 
que 
no 
me 
poupa 
de 
jogar 
sua 
porta 
abaixo? 
Se 
no 
for 
chamarei 
 
policia. 
Faa-o 
e 
o 
pagar 
o 
piralho. 
Apoiou 
a 
frente 
na 
porta. 
Era 
uma 
loucura 
abrir 
em 
plena 
noite, 
mas, 
tal 
e 
como 
disse, 
uma 
porta 
fechada 
no 
o 
deteria. 
Era 
evidente 
que 
a 
tinha 
seguido 
desde 
os 
estdios 
de 
televiso. 
De 
que 
outra 
forma 
podia 
saber 
onde 
vivia? 
A 
no 
ser 
que 
tivesse 
estado 
enviando 
as 
cartas 
durante 
os 
ltimos 
dois 
meses. 
Fosse 
como 
fosse, 
por 
que 
estava 
duvidando 
entre 
abrir 
ou 
no? 
Por 
que 
no 
corria 
ao 
telefone 
e 
marcava 
o 
911 
com 
a 
esperana 
que 
chegassem 
antes 
que 
pudesse 
causar 
despedaos? 
Por 
Michael. 
Sabia 
que 
Cyclops 
cumpriria 
sua 
ameaa. 
Talvez 
Kismet 
no 
fora 
completamente 
inocente, 
mas 
o 
menino 
sim. 
Podia 
ser 
tarde 
para 
salvr 
a 
ela, 
mas 
valia 
a 
pena 
lutar 
por 
ele. 
Girou 
a 
chave 
e 
abriu. 
Seu 
fsico 
impunha. 
Alex 
tinha 
sido 
muito 
valente 
ou 
muito 
estpido 
para 
enfrent-lo. 
Tentou 
no 
se 
amedrontar 
por 
seu 
tamanho 
nem 
pelo 
cheiro 
que 
desprendia 
quando 
passou 
ao 
seu 
lado 
e 
entrou. 
Jogou 
uma 
olhada 
ao 
seu 
redor 
e 
fixou-se 
em 
um 
vaso 
de 
vidro 
com 
ervas 
aromticas 
que 
tinha 
em 
cima 
da 
mesinha. 
O 
levantou 
para 
cheir-lo. 
No 
 
nada 
que 
se 
possa 
fumar 
 
disse 
Cat. 
Ele 
esboou 
um 
sorriso 
de 
reptil. 
Muito 
gracioso. 
Voltou 
a 
deixar 
em 
seu 
lugar. 
Assim 
 
como 
vivem 
as 
estrelas 
do 
tv. 
Muito 
elegante. 
Muito 
melhor 
que 
a 
pocilga 
que 
compartilho 
com 
minha 
mulher 
e 
o 
menino 
verdade? 
Cat 
no 
respondeu, 
pois 
era 
bvio. 
Que 
est 
fazendo 
aqui 
a 
esta 
hora? 
Que 
 
to 
urgente 
para 
vir 
me 
ver 
hoje? 
O 
homem 
entrou 
no 
salo 
e 
deixou-se 
cair 
no 
sof 
branco, 
apoiando 
as 
botas 
na 
cadeira 
a 
jogo. 
Eh! 
Tranqila. 
Foste 
tu 
quem 
comeou 
tudo 
isto; 
no 
eu. 
Comeei 
o 
que? 
Essa 
droga 
sobre 
Sparky. 
No 
me 
lembrava 
desse 
ano 
e 
chegou 
voc 
com 
esse 
policial 
a 
remover 


o 
passado. 
Enquanto 
sorria, 
olhou-a 
de 
cima 
a 
baixo 
com 
seu 
olho 
so. 
Seu 
cu 
no 
levantava 
dois 
palmos 
do 
cho, 
igual 
que 
o 
teu. 
Ele 
a 
deixava 
nervosa 
e 
sentia-se 
mais 
vulnervel 
ainda 
vstida 
s 
com 
o 
roupo. 
Qual 
dos 
telefones 
da 
casa 
estava 
mais 
perto? 
Com 
que 
rapidez 
podia 
marcar 
o 
911? 
Tinha 
um 
trinco 
resistente 
em 
seu 
dormitrio? 
No 
o 
sabia; 
nunca 
o 
tinha 
precisado. 
Recorreu 
a 
seu 
domnio 
da 
interpretao 
para 
dissimular 
o 
medo. 
Pierce 
no 
 
policia. 
Soltou 
uma 
risotada. 
A 
quem 
quer 
enganar, 
monada? 
Rendo-me 
ante 
tantos 
conhecimentos 
sobre 
a 
policia. 
Mas, 
por 
que 
se 
irrita 
tanto 
que 
faamos 
#
umas 
perguntas 
sobre 
seu 
amigo? 
Sparky 
no 
era 
amigo 
meu. 
Ento, 
por 
que 
se 
importar? 
No 
me 
importo; 
mas 
fez-me 
pensar. 
Deve 
de 
ter 
sido 
um 
grande 
esforo. 
Sobre 
que? 
Brincava 
com 
um 
boto 
prateado 
da 
jaqueta 
de 
couro. 
Acha 
que 
leva 
o 
corao 
desse 
cabrito, 
no?
 
uma 
possibilidade. 
Mas, 
a 
no 
ser 
que 
tenha 
vindo 
para 
confessar 
trs 
assassinatos 
e 
ameaas 
por 
correio, 
no 
vejo 
que 
seja 
assunto 
seu. 
Por 
que 
no 
tira 
seus 
asquerosos 
ps 
de 
meus 
mveis 
e 
se 
longa 
com 
vento 
fresco? 
Lhe 
gui 
um 
olho. 
Ouve, 
ruiva, 
voc 
se 
irrita 
com 
facilidade 
e 
tens 
a 
lngua 
muito 
longa. 
Transa 
to 
bem 
como 
falas? 
Se 
tolerasse 
que 
a 
provocasse, 
cairia 
dentro 
de 
suas 
mos. 
Optou 
por 
cruzar 
de 
braos 
e 
aparentar 
incomodo. 
Murphy: 
 
tarde. 
Diga 
o 
que 
quer 
e 
v 
embora. 
Ele 
recostou 
a 
cabea 
nas 
almofadas 
do 
sof, 
mudou 
a 
postura 
dos 
ps 
na 
cadeira 
e 
se 
mexeu 
no 
assento. 
Vou 
ter 
que 
queimar 
esses 
mveis, 
pensou 
Cat. 
O 
pequeno 
bastardo 
no 
 
meu. 
Como? 
O 
filho 
de 
Kismet 
no 
 
filho 
meu. 
Sparky 
deixou-a 
grvida. 


A 
preocupao 
pelo 
mobilirio 
e 
o 
medo 
desapareceram 
inesperadamente. 
Sem 
dar-se 
conta, 
sentouse 
no 
brao 
do 
outro 
cadeiro. 
Voc 
no 
 
o 
pai 
de 
Michael?
 
o 
que 
acabo 
de 
dizer. 
O 
pai 
era 
Sparky. 
Sim. 
Por 
puro 
milagre, 
Kismet 
no 
abortou 
aps 
o 
acidente, 
ferida 
como 
estava. 
Para 
mim 
seria 
muito 
melhor, 
mas 
o 
piralho 
agentou. 
Oito 
meses 
aps 
a 
morte 
de 
Sparky, 
nasceu 
seu 
bastardinho. 
Agora, 
a 
mente 
de 
Cat 
ia 
por 
diante 
da 
de 
Murphy. 
No 
precisava 
que 
explicasse 
a 
importncia 
deste 
fato, 
mas 
ele 
o 
fez 
de 
todas 
as 
formas. 
Quando 
voc 
apareceu, 
a 
criana 
murmurou 
que 
te 
conheceu 
em 
um 
piquenique. 
Ele 
gosta 
de 
voc... 
Igual 
que 
ti. 
A 
caiu 
em 
sua 
bochecha 
quando 
baixou 
a 
cabea 
e 
simulou 
pensar 
nos 
mistrios 
da 
natureza. 
No 
 
curioso? 
Talvez 
fosse 
mais 
esperto 
do 
que 
ela 
e 
Alex 
imaginavam. 
Era 
horrvel 
pensar 
que 
fosse 
to 
inteligente 
como 
mesquinho. 
No 
s 
aonde 
quer 
ir 
parar 
 
mentiu. 
E 
um 
ovo. 
No 
 
nenhuma 
casualidade 
que 
exista 
essa 
simpatia 
mtua. 
Tu 
levas 
o 
corao 
de 
seu 
papai. 
Tu... 
Qual 
 
a 
palavra 
adequada?... 
Ligaste 
com 
a 
criana. 
Essas 
coisas 
de 
espirituais, 


#
afinidade, 
o 
karma, 
ou 
o 
que 
seja. 
A 
foto 
de 
Michael 
no 
expediente 
de 
Sherry 
tinha 
causado 
um 
impacto 
inexplicvel. 
Ou 
 
que, 
realmente, 
era 
inexplicvel? 
No 
tenho 
a 
segurana 
de 
levar 
o 
corao 
de 
Sparky. 
Digo 
que 
sim. 
Dida 
o 
que 
quiser 
 
levantou 
para 
insinuar 
que 
a 
visita 
tinha 
terminado, 
mas 
em 
outra 
parte 
J 
deu 
a 
sua 
mensagem, 
parece 
que 
no 
h 
nada 
mais 
a 
dizer. 
A 
 
que 
se 
enganas. 
Falta 
o 
principal. 
Que 
? 
Dinheiro. 
Isso 
era 
o 
ltimo 
que 
esperava 
ouvir. 
Que 
dinheiro? 
O 
que 
me 
deve. 
Voltou 
a 
sentar 
no 
brao 
do 
sof 
e 
olhou-o 
incrdula. 
No 
entendo 
nada. 
Pois 
deixa 
que 
to 
explique. 
Se 
Sparky 
tivesse 
vivido, 
teria 
que 
suportar 
tudo 
o 
que 
eu 
passei. 
Fizme 
cargo 
de 
seu 
filho, 
criei-o... 
Porque 
tem 
voc 
um 
bom 
corao 
 
disse 
com 
sarcasmo 
Exato. 
Cat 
se 
carcaje. 
Aceitou 
a 
Michael 
porque 
ia 
no 
lote 
com 
Kismet 
e 
queria 
recupera-la 
aps 
a 
morte 
de 
Sparky. 
No 
por 
amor, 
seno 
porque 
no 
podia 
tolerar 
que 
outro 
homem 
o 
tivesse 
humilhado. 
Desde 
ento 
est 
a 
castigando 
por 
isso. 
Apartou 
o 
sof 
de 
um 
chute 
e 
levantou-se. 
A 
maldita 
filha 
de 
puta 
me 
suplicou 
que 
a 
aceitasse. 
Cat 
estava 
decidida 
a 
no 
retroceder. 
Era 
um 
miservel 
que 
desfrutava 
vendo 
o 
medo 
nos 
olhos 
de 
suas 
vtimas. 
Podia 
quebrar 
seu 
pescoo, 
ou 
atravessar 
o 
corao, 
com 
a 
navalha 
que 
levava 
no 
cinto, 
mas 
no 
daria 
o 
gosto 
da 
ver 
intimidada. 
Faz 
quatro 
anos 
que 
agento 
a 
essa 
moa 
e 
a 
sua 
criana. 
Acho 
que 
mereo 
algo 
em 
troca. 
Parece 
que 
vai 
receber 
em 
troca 
no 
vai 
gostar. 
Escuta-me 
bem, 
ruiva 
 
fincou 
o 
ndice 
no 
peito-. 
Graas 
a 
mim 
no 
ests 
morta. 
Disse 
a 
esse 
mdico 
que 
podia 
levar 
o 
corao 
de 
Sparky. 
Estarias 
no 
outro 
bairro 
se 
tivesse 
dito 
que 
no. 
Pode 
que 
sim, 
pode 
que 
no. 
Digo 
que 
sim. 
E 
quero 
algo 
em 
troca 
de 
ter 
salvado 
esse 
seu 
rabo. 
Ah. 
A 
 
onde 
entra 
o 
dinheiro. 
Vamos-nos 
entendendo. 
Quer 
que 
te 
pague 
pelo 
corao? 
Seus 
delgados 
lbios 
separaram 
em 
um 
sorriso 
lento 
e 
malicioso. 
Alongou 
a 
mo 
e 
manuseou 
uma 
mecha 
do 
cabelo 
de 
Cat. 
J 
sabia 
desde 
o 
momento 
que 
te 
vi 
que 
 
uma 
mulher 
inteligente. 


#
Captulo 
quarenta 
e 
trs 


Alex 
estava 
em 
plena 
veia 
criativa. 
Os 
dedos 
no 
se 
moviam 
to 
rpido 
como 
as 
palavras 
e 
idias 
que 
fluam 
a 
seu 
crebro, 
mas 
no 
importava 
nada 
essa 
frustrao 
desde 
que 
seguissem 
chegando. 
Por 
fim 
tinha 
superado 
o 
bloqueio 
do 
escritor. 
Voltava 
ao 
nus 
e 
melhor 
que 
nunca. 
Pensava 
as 
frases 
e 
apareciam 
em 
pantalha. 
Soou 
o 
telefone. 
Filho 
de 
puta. 
Tentou 
no 
escutar 
o 
telefone 
e 
seguiu 
digitando. 
A 
essas 
horas 
da 
noite 
devia 
ser 
algum 
que 
se 
equivocava 
de 
nmero. 
Ou 
Arnie, 
que 
o 
chamava 
quase 
a 
cada 
dia 
para 
perguntar 
se 
seguia 
saindo 
com 
Cat. 
Quando 
dizia 
que 
sim, 
j 
que 
no 
podia 
mentir 
a 
seu 
agente, 
o 
recriminava 
por 
sua 
vontade 
de 
se 
buscar 
problemas. 
Soou 
de 
novo. 
No 
pare, 
se 
ordenou. 
Termina 
a 
frase 
antes 
que 
escape. 
Se 
a 
deixa 
agora, 
a 
ter 
perdido 
para 
sempre. 
Desaparecer 
nesse 
vazio 
que 
absorve 
palavras 
idneas 
e 
frases 
inspiradas 
que 
se 
assomam 
no 
subconsciente 
antes 
que 
possa 
as 
agarrar. 
O 
telefone 
soou 
por 
quarta 
vez. 
Como 
se 
nada. 
Fazia 
semanas 
que 
esperava 
uma 
noite 
como 
esta. 
Est-te 
saindo 
redondo. 
A 
trama 
est 
bem 
fechada, 
no 
como 
esperava, 
por 
suposto, 
mas 
desta 
forma 
tem 
maior 
fora. 
A 
ao 
desenvolve-se 
com 
dinamismo, 
os 
dilogos 
so 
ingeniosos, 
causam 
impacto. 
No 
apanhes 
o 
telefone, 
estpido! 
Levantou 
o 
auricular. 
Diga. 
Alex... 
no 
queria 
te 
molestar, 
mas... 
Cat? 
Encontras-te 
bem? 
No. 
Demorarei 
quinze 
minutos. 
Pendurou 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
pulsava 
a 
tecla 
para 
salvar 
o 
que 
havia 
escrito 
e 
desligava 
o 
computador. 
Colocou 
o 
tnis, 
apagou 
as 
luzes 
e 
saiu 
correndo. 
Era 
provvel 
que 
Tom 
Clancy 
tivesse 
tido 
que 
suportar 
interrupes 
constantes. 
Teria 
vendido 
outro 
milho 
de 
exemplares 
de 
Jogo 
de 
Patriotas 
de 
no 
ter 
sido 
pelos 
pequenos 
imprevistos 
da 
vida. 
E 
Danielle 
Steel 
teve 
nove 
filhos; 
imagine 
quantas 
vezes 
ao 
dia 
a 
interrompiam. 
Cat 
tinha 
ouvido 
o 
carro 
e 
abriu 
a 
porta. 
Agradeo 
que 
tenhas 
vindo. 
Ests 
branca 
como 
um 
papel. 
Que 
tem 
aconteceu? 
Por 
que 
est 
com 
cabelo 
molhado? 
Por 
que 
o 
lavei. 
Lavou 
o 
cabelo? 
Aps 
chamar-me 
para 
o 
que 
parecia 
uma 
situao 
de 
emergncia 
te 
lavaste 
o 


#
cabelo? 
No 
me 
grites! 
Indicou 
que 
passasse 
ao 
salo. 
Tive 
uma 
visita. 
Cyclops. 
O 
motorista 
deixou 
suas 
impresses 
no 
sof 
e 
na 
cadeira. 
Alex 
suspirou 
e 
mexeu 
o 
cabelo. 
Como 
entrou? 
Deixei-o 
passar. 
Que? 
Se 
eu 
no 
abrisse 
machucaria 
Michael. 
Ele 
te 
agrediu. 
No 
o 
fez! 
Agora 
 
voc 
que 
est 
gritando. 
O 
que 
ele 
queria? 
Vamos 
 
cozinha 
 disse 
ela 
gastei 
todo 
um 
aerosol 
de 
ambientador, 
mas 
ainda 
posso 
sentir 
seu 
cheiro. 
Ela 
entrou 
primeiro. 
Em 
cima 
do 
mrmore 
tinha 
uma 
panela 
fumegante. 
Perguntou 
se 
queria 
uma 
caneca. 
Alex 
achou 
que 
el 
tivesse 
bebido 
algumas 
doses 
de 
whiskies, 
mas 
ch 
no, 
obrigado. 
Cat 
serviu 
uma 
caneca, 
acrescentou 
uma 
colher 
de 
acar 
e 
sentou 
enfrente 
dele 
 
mesa 
da 
cozinha. 
As 
suas 
mos 
tremiam. 
Que 
queria? 
Dinheiro. 
Em 
troca 
do 
corao 
de 
Sparky. 
Como 
o 
sabes? 
Tenho 
lido 
casos 
semelhantes. 
Uma 
pessoa 
recebe 
um 
transplante 
de 
crnea, 
de 
fgado 
ou 
de 
tecido. 
Quando 
est 
bem, 
um 
membro 
da 
famlia 
do 
doador 
se 
apresenta 
e 
pede 
dinheiro. 
Eu 
tambm 
tinha 
ouvido. 
Citava-se 
nas 
sesses 
de 
terapia 
de 
grupo 
como 
um 
dos 
motivos 
para 
que 
os 
doadores 
e 
os 
receptores 
ficassem 
no 
anonimato. 
Cruzou 
os 
braos. 
Mas 
no 
achava 
que 
ningum 
fora 
to 
miservel. 
Cyclops 
.
 
repugnante. 
Quando 
colocou 
a 
mo 
em 
meu 
peito 
e 
os 
seus 
asquerosos 
dedos 
em 
meu 
cabelo 
me 
senti 
violada. 
Tomei 
outro 
banho. 
Levou 
a 
caneca 
aos 
lbios, 
mas 
mal 
podia 
a 
manter 
firme 
enquanto 
bebia. 
Perdoa 
que 
te 
tenha 
molestado, 
Alex. 
No 
me 
molestou 
 mentiu. 
No 
sabia 
a 
quem 
recorrer. 
Podia 
telefonar 
a 
esse 
tenente 
Hunsaker, 
mas 
inspira 
muito 
pouca 
confiana. 
Alex 
sups 
que 
devia 
tomar 
como 
um 
elogio. 
Fez 
bem 
em 
me 
chamar. 
No 
pode 
ficar 
sozinha. 
Teve 
problemas 
para 
que 
ele 
saisse? 
Na 
verdade 
no. 
Disse 
que 
para 
conseguir 
o 
dinheiro 
teria 
que 
passar 
sob 
meu 
cadver. 
Contou 
que 
isso 
tem 
fcil 
arranjo. 


#
Ele 
pode 
te 
matar. 
Repliquei 
que 
me 
matar 
seria 
uma 
tolice 
se 
o 
que 
quer 
 
dinheiro. 
Alex 
pensou 
que 
tinha 
sido 
um 
milagre 
que 
Cyclops 
no 
a 
tivesse 
maltratado; 
e, 
ao 
mesmo 
tempo, 
estava 
enfadado 
com 
ela. 
Foi 
graciosa, 
verdade? 
Sempre 
com 
suas 
ocorrncias. 
Por 
que 
diabo 
tinha 
que 
provocar? 
Que 
sugeres 
que 
deveria 
ter 
feito? 
Encolher-me 
de 
medo, 
chorar 
e 
deixar 
que 
ele 
visse 
o 
quo
assustada 
que 
estava? 
E 
tambm 
tenho 
que 
pensar 
em 
Michael 
e 
em 
Kismet. 
 
provvel 
que 
eles 
paguem 
seu 
furor. 
Estava 
furioso 
quando 
saiu? 
No 
mnimo. 
Suponho 
que 
estava 
convencido 
de 
poder 
me 
intimidar 
para 
que 
desse 
um 
cheque. 
Neguei-me 
e 
ele 
subiu 
pelas 
paredes 
quando 
deixei 
bem 
claro 
que 
no 
daria 
nem 
um 
centavo. 
E 
depois 
ele 
a 
ameaou? 
Disse 
que 
eu 
o 
lamentaria. 
Alex 
tambm 
estava 
preocupado 
por 
Michael 
e 
sua 
me, 
Mas 
queria 
aliviar 
a 
preocupao 
de 
Cat. 
O 
pensar 
duas 
vezes 
antes 
de 
voltar 
a 
pr 
a 
mo 
em 
cima 
a 
Michael. 
Faz 
poucas 
semanas 
que 
escapou 
por 
um 
fio 
de 
ir 
a 
priso. 
Confio 
em 
que 
isso 
seja 
decisivo, 
j 
que 
os 
vnculos 
de 
sangue 
no 
o 
detero. 
Michael 
no 
 
filho 
seu 
Explicou 
o 
que 
Cyclops 
lhe 
disse. 
Talvez 
isso 
explique 
por 
que 
me 
impressionei 
com 
a 
foto 
do 
menino 
inclusive 
antes 
do 
ver. 
Alex 
apoiou-se 
na 
mesa. 
Que 
queres 
dizer? 
Nada. 
Vamos, 
Cat, 
corri 
para 
salva-la. 
No 
mereo 
todos 
os 
detalhes?
 
uma 
bobagem. 
Esboou 
um 
tmido 
sorriso, 
encolheu 
os 
ombros 
e 
brincou 
com 
a 
colher; 
todos 
os 
sinais 
inequvocos 
de 
que 
estava 
buscando 
evasivas. 
Por 
fim, 
disse: 
Desde 
o 
momento 
em 
que 
comearam 
a 
se 
realizar 
transplantes 
de 
corao, 
existe 
a 
polmica 
sobre 
algumas 
das 
caractersticas 
do 
doador 
podem 
ser 
transmitidas 
ao 
receptor. 
Alex 
esperou 
um 
momento 
at 
assimilar 
a 
frase. 
Continua. 
 
ridculo, 
por 
suposto. 
O 
corao 
 
um 
rgo, 
um 
aparelho, 
maquina 
fisiolgica. 
A 
alma 
de 
uma 
pessoa 
 
algo 
completamente 
diferente. 
Pois, 
por 
que 
relaciona 
a 
sua 
atrao 
por 
Michael 
com 
a 
possibilidade 
de 
que 
seu 
pai 
fosse 
teu 
doador? 
No 
o 
fiz. 
Sim, 
o 
fez. 
E 
tambm 
Cyclops. 
Ele 
no 
se 
importa 
com 
quem 
recebia 
o 
corao. 
S 
v 
forma 
tirar 
dinheiro. 
Odeia 
a 
Michael 
porque 
 
a 
herana 
viva 
que 
Sparky 
deixou 
em 
Kismet. 
Castiga-a 
por 
ter 
preferido 
a 
Sparky 
e 
tem 
convertido 
sua 
vida 
em 
um 
inferno. 
No 
me 
estranha 
que 
parea 
to 
assustada. 
Cat, 
eles 
no 
so 
responsabilidade 
tua. 


#
Olhou-o 
com 
ar 
de 
que 
sentia 
to 
ultrajada 
como 
se 
tivesse 
urinado 
na 
bandeira 
norte-americana. 
Claro 
que 
sim! 
So 
seres 
humanos 
e 
correm 
perigo! 
Admiro 
teu 
altruismo, 
mas 
no 
podes 
salvar 
a 
todos 
os 
desgraados 
do 
mundo.
Se 
Cyclops 
os 
machucar, 
no 
poderia 
resistir. 
Poderias 
tu? 
 
que 
uma 
vida 
no 
significa 
nada 
para 
ti? 
Alex 
sentiu 
que 
uma 
onda 
de 
calor 
subia 
 
cara. 
Vou 
pass-lo 
por 
alto 
porque 
ests 
nervosa 
e 
confio 
em 
que 
no 
sabes 
o 
que 
dizes. 
Nada 
gostaria 
mais 
que 
fazer 
picadinho 
desse 
animal 
e 
me 
assegurar 
que 
no 
voltasse 
a 
tocar 
um 
cabelo. 
Mas 
h 
milhes 
de 
vtimas 
como 
eles 
em 
todo 
o 
pas. 
Sei 
que 
no 
posso 
salvar 
a 
esses 
milhes, 
mas 
queria 
ajudar 
a 
eles. 
No 
estars 
pensando 
em 
dar 
dinheiro? 
A 
discusso 
tinha-a 
deixado 
sem 
foras. 
Inclinou-se 
para 
frente 
e 
apoiou 
a 
cabea 
em 
ambas 
as 
mos. 
Nunca 
teria 
cedido 
a 
chantagem, 
mas 
deixou 
bem 
claro 
que 
se 
eu 
no 
pagasse, 
eu 
o 
lamentaria. 
De 
uma 
forma 
ou 
de 
outra. 
Ento 
olhou. 
Pela 
primeira 
vez 
desde 
que 
conhecia-a, 
via-a 
aterrorizada. 
Alex, 
quero 
que 
eixemos. 
Que 
deixemos? 
Esta 
busca 
infernal. 
Faz 
quase 
duas 
semanas 
que 
no 
recebi 
nenhuma 
carta 
annima. 
Estou 
segura 
de 
que 
algum 
com 
um 
senso 
de 
humor 
perverso 
estava 
fazendo 
uma 
piada. 
Isso 
 
tudo. 
A 
falso 
obiturio 
era 
a 
cartada 
final. 
Fez 
o 
que 
tinha 
planejado... 
Desconcertar-me 
e 
me 
deixar 
nervosa. 
Mas 
j 
terminou 
de 
jogar. 
Ests 
segura? 
No, 
no 
estou, 
mas 
j 
no 
quero 
levantar 
outra 
pedra. 
A 
cada 
vez 
que 
o 
fao, 
embaixo 
h 
um 
verme 
asqueroso. 
Tenho 
medo 
de 
abrir 
o 
correio. 
Um 
motorista 
tatuado, 
com 
um 
olho 
de 
vidro 
e 
tendncias 
homicidas, 
ao 
que 
nunca 
antes 
tinha 
visto, 
tenta 
me 
fazer 
chantagem 
e 
me 
ameaa 
de 
me 
matar. 
Tenho 
um 
sobresalto 
a 
cada 
vez 
que 
vejo 
minha 
prpria 
sombra, 
j 
no 
me 
sinto 
segura 
em 
minha 
casa, 
no 
posso 
concentrar 
no 
trabalho. 
Tenho 
perdido 
a 
vontade 
de 
comer 
e 
j 
no 
recordo 
quando 
dormi 
toda 
a 
noite 
de 
uma 
s 
vez. 
J 
no 
posso 
mais. 
No 
 
to 
fcil, 
Cat. 
No 
atires 
a 
toalha. 
J 
o 
fiz. 
Bom, 
pois 
eu 
nem 
posso 
nem 
quero. 
No 
se 
d 
um 
caso 
por 
fechado 
s 
porque 
no 
gostas 
do 
aspecto 
das 
provas 
que 
descobres. 
Oh, 
deixa 
j 
sua 
conversa 
de 
policia. 
J 
no 
o 
 
e 
esta 
no 
 
uma 
investigao 
oficial. 
Nem
tambm 
o 
argumento 
de 
uma 
de 
tuas 
novelas. 
 
minha 
vida! 
De 
acordo. 
E 
estou 
tentando 
proteg-la. 
Quero 
que 
vivas 
para 
celebrar 
o 
quarto 
aniversrio 
do 
transplante. 
Eu 
tambm. 
Fez 
uma 
pausa 
e 
suspirou. 
Sentia 
um 
n 
no 
estmago. 
O 
que 
vinha 
a 
seguir 
no 
ia 
gostar. 
Por 
isso 
me 
vou 
a 
Califrnia 
e 
ficarei 
com 
Dean 
at 
que 
passe 
a 
data. 
J 
est 
tudo 
arranjado. 


#
Alex 
se 
levantou. 
Ah, 
sim? 
E 
quando 
o 
arranjaste? 
Antes 
que 
chegasses. 
J. 
Chamas-me 
para 
que 
v 
a 
te 
resgatar, 
mas 
sou 
s 
uma 
asa 
protetora 
at 
que 
possa 
voltar 
com 
papai 
Dean, 
no 
 
isso? 
E 
acusavas-me 
de 
utilizar-te 
sexualmente. 
No 
tinha 
inteno 
de 
ofender, 
mas 
o 
fez. 
As 
lgrimas 
assomaram 
a 
seus 
olhos, 
mas 
ela 
era 
Cat 
e 
no 
se 
ia 
derrubar. 
Te 
acompanharei 
 
porta. 
A 
melhor 
atriz 
de 
carter 
da 
cena 
britnica 
no 
seria 
capaz 
de 
aparentar 
mais 
indignao 
regia 
quando 
se 
levantou 
da 
cadeira 
e 
saiu 
da 
cozinha. 
Ele 
a 
seguiu, 
mas 
s 
at 
a 
entrada, 
onde 
fechou 
a 
porta 
inesperadamente. 
No 
te 
vou 
deixar 
sozinha 
esta 
noite, 
Cat 
 
levantou 
as 
mos 
para 
pedir 
silncio 
antes 
que 
ela 
pudesse 
protestar 
 
Dormirei 
no 
sof. 
Jogou 
um 
olhar 
 
tapecara 
suja. 
Tenho 
dormido 
em 
lugares 
piores, 
cr-me. 
Agora 
pode 
reagir, 
replicar 
e 
insultar 
tudo 
o 
que 
quiser, 
mas 
ser 
uma 
perda 
de 
energia. 
E 
no 
tem 
muita. 
Cat, 
faa 
o 
que 
quiser: 
chore, 
prepare 
a 
mala, 
pinte 
as 
unhas, 
o 
que 
seja; 
mas 
at 
que 
saibamos 
a 
prxima 
jogada 
de 
Cyclops 
no 
te 
vou 
perder 
de 
vista. 



Captulo 
quarenta 
e 
quatro 


Cyc 
no 
podia 
crer 
o 
que 
viam 
seus 
olhos 
quando 
entrou 
na 
cozinha 
para 
tomar 
caf. 
Kismet 
j 
estava 
sentada 
 
mesa 
e 
aspecto 
quase 
o 
colocou 
de 
costas. 
Tinha-se 
maquiado 
como 
na 
primeira 
vez 
que 
a 
viu 
com 
sombras 
que 
acentuavam 
seus 
olhos 
escuros, 
e 
os 
cabelos 
cheios 
caam 
sobre 
os 
ombros. 
Tambm 
no 
levava 
as 
longas 
saias 
e 
as 
blusas 
amplas 
que 
tinham 
sido 
seu 
nico 
vesturio 
durante 
os 
ltimos 
quatro 
anos. 
Os 
jeans 
rasgados 
ajustavam 
ao 
seu 
corpo 
como 
uma 
luva 
cirrgica. 
E, 
pela 
cingida 
camiseta, 
aparecia 
em 
cima 
do 
seio 
a 
tatuagem. 
Era 
como 
uma 
morta 
viva 
desde 
a 
morte 
de 
Sparky 
e, 
de 
repente, 
acordasse. 
A 
transformao 
ocorreu 
da 
noite 
para 
o 
dia. 
E 
no 
era 
s 
uma 
questo 
de 
aparncia. 
Sua 
expresso 
era 
da 
antiga 
Kismet. 
Quando 
entrou 
na 
cozinha, 
ela 
se 
levantou 
e 
serviu 
uma 
caneca 
de 
caf 
com 
gestos 
rpidos 
e 
bruscos; 
tinha 
recuperado 
a 
inquietude 
de 
anos 
atrs. 
Cyc 
pensou 
que 
tinha 
metido 
algo, 
mas 
sabia 
que 
no 
tomava 
drogas 
desde 
a 
gravidez. 


Quer 
comer? 
Receioso 
pela 
sbitem 
troca, 
disse: 
Se 
quisesse 
comer 
diria. 
No 
seja 
imbecil. 


#
Serviu 
outra 
caneca 
de 
caf 
e 
voltou 
 
mesa. 
Recuperou 
o 
cigarro 
que 
se 
consumia 
no 
cinzeiro, 
levou 
aos 
lbios 
e 
exalou 
a 
fumaa 
para 
o 
teto. 
Quando 
estava 
grvida 
deixou 
o 
fumo 
e 
no 
tinha 
voltado 
a 
fumar. 
Agora, 
quando 
observava 
seus 
lbios 
carnudos 
chupando 
o 
filtro 
do 
cigarro, 
Cyc 
sentia 
uma 
cosquinha 
na 
entre 
as 
pernas. 
Tinha-a 
visto 
assim 
milhares 
de 
vezes, 
enojada 
e 
desafiante, 
mas 
fazia 
j 
muito 
tempo. 
At 
esse 
momento 
no 
se 
deu 
conta 
do 
que 
precisava 
sua 
agressividade. 
Mas 
Cyc 
era 
desconfiado 
por 
natureza 
e 
rara 
vez 
aceitava 
o 
que 
via. 
Que 
mosca 
te 
picou? 
Kismet 
apagou 
o 
cigarro. 
Pode 
ser 
que 
ontem 
 
noite 
voc 
abriu 
meus 
olhos. 
Merecias-to. 
Cyc 
tinha-a 
golpeado 
por 
t-lo 
posto 
em 
ridculo 
diante 
de 
Cat 
Delaney 
e 
seu 
amigo. 
Mas 
as 
marcas 
no 
eram 
visveis 
embaixo 
da 
maquiagem. 
No 
posso 
acreditar 
que 
se 
negou 
a 
pagar. 


Aps 
uma 
garrafa 
de 
lcool 
e 
umas 
feleiras 
de 
coca 
ele 
havia 
contado 
sobre 
sua 
visita 
a 
Cat. 
No 
te 
preocupes. 
Ter 
que 
apoquinar.. 
Quando? 
To 
cedo 
como 
se 
me 
ocorra 
algo 
 pegou 
o 
caf. 
Quem 
ela 
acha 
que 
? 
Graas 
a 
Sparky 
no 
est 
morta. 
Diz 
que 
pode 
levar 
o 
corao 
de 
outra 
pessoa. 
D 
igual, 
ela 
nos 
deve 
-disse 
Kismet 
tirando 
o 
cabelo 
da 
cara 
Mal 
temos 
tido 
para 
comer 
durante 
estes 
ltimos 
quatro 
anos 
e 
ela 
vive 
a 
todo 
luxo. 
No 
 
justo. 
Nos 
dar 
dinheiro; 
s 
tenho 
que 
pensar 
como. 
Tenho 
uma 
ideia. 
O 
olho 
bom 
a 
olhou 
intrigado. 
No 
me 
digas. 
Qual 
? 
Temos 
que 
nos 
mover 
antes 
que 
seu 
amigo 
o 
policial 
coma 
o 
seu 
estomago. 
Pode 
estragar 
tudo. 
Levantou 
como 
se 
a 
tivessem 
beliscado. 
Carregada 
de 
caf 
e 
nicotina, 
comeou 
a 
passear. 
Cyc 
estava 
de 
acordo 
com 
o 
que 
ela 
dizia, 
mas 
seria 
uma 
debilidade 
aceitar 
em 
seguida. 
Ficas 
fora. 
Tenho 
tudo 
sob 
controle. 
Ela 
deu 
a 
volta 
e 
o 
olhou 
cara 
a 
cara. 
E 
uma 
droga! 
Deixaste-te 
levar 
por 
sua 
cara 
bonita 
e 
seus 
olhos 
azuis. 
Tanta 
ameaa 
para 
voltar 
de 
vazio. 
Levantou-se 
e 
a 
esbofeteou. 
Ante 
sua 
surpresa, 
ela 
devolveu 
o 
golpe 
e 
a 
palma 
da 
mo 
aterrissou 
na 
orelha, 
destroando 
o 
tmpano. 
No 
obstante, 
ouviu 
o 
que 
ela 
lhe 
dizia: 
Vou 
tirar-te 
esse 
costume, 
filho 
de 
puta; 
 
a 
ltima 
vez 
que 
me 
bate. 
Seu 
ataque 
de 
gnio 
era 
excitante, 
mas 
o 
que 
podia 
tolerar 
tinha 
um 
limite. 
Queria 
algo 
a 
meio 
caminho 
entre 
a 
fera 
que 
tinha 
sido 
e 
o 
cordeirinho 
em 
que 
se 
converteu. 
Tenho 
algo 
para 
ti. 
Segurou-a 
pelos 
antebraos 
e 
empurrou-a 
contra 
a 
parede, 
encurralando-a 
ali 
com 
seu 
corpo. 
Ela 
dava 
socos 
no 
seu 
peito 
para 
que 
a 
soltasse, 
o 
qual 
teve 
que 
fazer 
para 
desabotoar 
os 
jeans 
e 
deslizar 


#
at 
os 
ps 
nus. 
Tentou 
escapar, 
mas 
agarrou-a 
pelos 
cabelos 
e 
atirou-a 
em 
cima 
da 
mesa, 
segurando-a 
ali 
com 
uma 
mo 
enquanto 
com 
a 
outra 
abria 
o 
zper. 
Cyc 
gemeu 
de 
prazer 
e 
surpresa 
quando 
ela 
comeou 
a 
masturb-lo 
com 
fora 
e 
ansiedade, 
como 
costumava 
fazer 
anos 
atrs, 
quando 
nunca 
tinha 
bastante, 
quando 
o 
sexo 
era 
uma 
competio 
de 
resistncia 
na 
que 
quase 
sempre 
ganhava 
ela. 
Levantou-a 
de 
cintura 
para 
acima 
e 
apertou-lhe 
os 
seios, 
beliscando 
os 
grandes 
mamilos. 
Ela 
inclinou 
a 
cabea 
e 
o 
mordeu 
no 
brao. 
Cyc 
deu 
um 
bofeto, 
se 
colocou 
em 
cima 
e 
sugou 
o 
peito 
como 
se 
sua 
vida 
dependesse 
disso. 
Kismet 
retorcia-se 
embaixo 
dele, 
lhe 
arranhava 
as 
costas 
nuas 
e 
gritava 
obscenidades. 
Cyc 
penetrou-a 
com 
tanta 
fora 
que 
as 
patas 
da 
mesa 
levantaram 
do 
cho 
e 
esteve 
a 
ponto 
de 
perder 


o 
equilbrio. 
Ela 
rodeava 
os 
seus 
quadris 
com 
suas 
potentes 
coxas, 
cruzou 
os 
tornozelos 
na 
face 
e 
fincou 
as 
unhas 
nas 
ndegas. 
O 
orgasmo 
chegou 
quase 
no 
mesmo 
instante 
e 
Kismet 
jogou 
os 
braos 
para 
trs 
acima 
da 
cabea, 
fazendo 
cair 
ao 
cho 
as 
canecas 
de 
caf 
e 
o 
cinzeiro. 
Agitava 
a 
cabea 
e 
mordeu 
o 
lbio 
inferior 
at 
rasgar 
a 
pele. 
Inclusive 
aps 
ter 
terminado, 
seus 
seios 
continuavam 
subindo 
e 
baixando. 
Cyc 
esfregou-os 
com 
suas 
calosas 
mos. 
Boas 
tetas. 
Murmurou 
e 
comeou 
a 
remover-se 
inquieta, 
arqueando 
as 
costas 
e 
mudando 
a 
posio 
das 
pernas. 
Estava 
em 
vermelho 
vivo, 
tinha 
os 
lbios 
roxos 
e 
inchados 
e 
no 
inferior 
tinha 
uma 
gota 
de 
sangue. 
Entre 
o 
cabelo 
mido 
olhava-o 
com 
os 
olhos 
sonolentos 
e 
entrecerrados, 
e 
sorria 
com 
aquela 
malcia 
que 
ele 
to 
bem 
recordava. 
Sempre 
disse 
que 
esse 
seu 
corpo 
 
pura 
dinamite. 
Ela 
riu 
com 
cobia. 
Vamos 
ser 
ricos, 
Cyc. 
Ricos. 
Sim. 
Tentou 
sair, 
mas 
ela 
o 
impediu 
sigurando-o 
entre 
suas 
coxas. 
Aonde 
vais? 
O 
corao 
de 
Cyc 
acelerou. 
Voltava 
a 
ser 
a 
antiga 
Kismet 
que 
sempre 
queria 
mais. 
Voc 
deixou 
uma 
porcaria 
aqui 
embaixo. 
Limpa-a. 
Apanhou 
a 
cabea 
do 
homem 
com 
ambas 
as 
mos 
e 
a 
afundou 
entre 
as 
suas 
pernas. 
Captulo 
quarenta 
e 
cinco 


Bateu 
devagar 
na 
porta 
do 
dormitrio. 
Cat? 
Wstou 
quase 
pronta. 
Chegou 
o 
txi? 


#
No. 
Mas 
Cyclops, 
sim. 
Abriu 
a 
porta. 
Alex 
estava 
verificando 
o 
tambor 
do 
revlver. 
Sentiu 
um 
calofro 
ao 
v-lo 
carregado. 
Passou 
aqui 
na 
frente 
e 
deve 
estar 
dando 
voltas 
no 
quarteiro 
-disse 
Alex 
Eu 
os 
vi 
dobrar 
a 
esquina 
ao 
final 
da 
rua. 
Vm 
para 
aqui. 
No 
est 
sozinho? 
Leva 
a 
Kismet 
e 
a 
Michael 
na 
moto. 
Deus 
meu! 
Suponho 
que 
os 
quer 
utilizar 
como 
refns 
para 
chantagea-la. 
Aps 
a 
discusso 
da 
noite 
anterior, 
Cat 
foi 
para 
o 
seu 
dormitrio 
e 
fez 
a 
bagagem 
para 
sua 
viagem 
a 
Califrnia. 
Mais 
tarde, 
apagou 
a 
luz 
e 
se 
deitou, 
mas 
no 
pde 
dormir. 
Ouvia 
Alex 
se 
mover 
pelos 
outros 
quartos, 
certamente 
para 
certificar-se 
de 
que 
portas 
e 
janelas 
estivessem 
fechadas. 
Ainda 
que 
estivesse 
furiosa, 
ela 
estava 
grat 
por 
ele 
ter 
ficado. 
Sentia-se 
bem 
mais 
tranqila 
sabendo 
que 
tinha 
uma 
sentinela. 
Essa 
manh, 
quando 
se 
encontraram 
na 
cozinha, 
tinham 
se 
comportado 
como 
dois 
desconhecidos. 
Alex 
ofereceu 
uma 
caneca 
de 
caf 
recm 
feito, 
ela 
aceitou 
e 
agradeceu. 
E 
perguntou 
a 
hora 
do 
vo 
e 
ofereceu-se 
para 
lev-la 
ao 
aeroporto. 
Eu 
Agradeo, 
mas 
pedi 
um 
txi. 
Muito 
bem. 
Voltou 
ao 
dormitrio 
para 
se 
banhar 
e 
vestir-se. 
No 
tinham 
voltado 
a 
se 
falar. 
Agora 
o 
seguia 
pelo 
corredor 
caminho 
do 
salo. 
Talvez 
no 
parem 
se 
vem 
teu 
carro 
estacionado 
na 
frente. 
Eu 
o 
coloquei 
na 
garagem 
quando 
foi 
dormir. 
Oh. 
 
melhor 
para 
ns 
que 
pensam 
que 
est 
sozinha. 
Temos 
o 
fator 
surpresa 
a 
favor 
nosso. 
Cat 
abriu 
um 
pouco 
as 
cortinas 
da 
janela 
e 
viu 
a 
moto 
que 
avanava 
devagar 
para 
a 
casa. 
Da 
outra 
janela, 
Alex 
disse: 
Volta 
para 
o 
teu 
quarto, 
Cat. 
Espera 
conseguir 
solucionar 
esta 
situao. 
De 
jeito 
nenhum. 
No 
 
momento 
de... 
Essa 
 
Kismet? 
Cat 
teve 
que 
esquecer 
das 
roupas 
e 
da 
maquiagem 
para 
estar 
segura. 
Se 
no 
levasse 
Michael 
nos 
braos 
no 
a 
teria 
reconhecido. 
Caminhava 
movendo 
os 
quadris, 
provocativa 
e 
descaradamente. 
Ontem 
podiam 
acovard-la 
com 
uma 
olhar 
e 
hoje 
parecia 
disposta 
a 
levar-se 
por 
diante 
a 
qualquer 
que 
se 
cruzasse 
em 
seu 
caminho. 
Tocou 
a 
campainha 
trs 
vezes. 
Cat 
olhou 
a 
Alex, 
quem 
fez 
um 
sinal 
para 
que 
abrisse 
a 
porta 
enquanto 
ele 
colocava 
detrs, 
de 
forma 
que 
ao 
a 
abrir 
no 
o 
vissem. 
Com 
cautela, 
Cat 
correu 
o 
trinco 
e 
entreabriu. 
O 
primeiro 
que 
viu 
foram 
os 
olhos 
chorosos 
de 
Kismet. 
Eram 
uma 
incongruencia 
em 
relao 
a 
maquiagem 
de 
buscona 
e 
os 
andares 
sinuosos 
e 
seguros 
com 
que 
se 
tinha 
acercado 
 
casa. 
Tremiam 
seus 
lbios. 
Faz 
favor, 
faz 
favor, 
ajude-me. 


#
Por 
 
descrio 
pouco 
lisonjeira 
que 
Cat 
tinha 
feito 
do 
tenente 
Hunsaker, 
Alex 
queria 
conceder 
a 
seu 
colega 
o 
bneficio 
da 
dvida. 
Por 
desgraa, 
Hunsaker 
esteve 
 
altura 
das 
expectativas. 
Desde 
o 
momento 
em 
que 
ps 
os 
ps 
no 
salo 
de 
Cat, 
o 
identificou 
como 
um 
palhao. 
Tinha 
o 
ego 
to 
inchado 
como 
a 
barriga. 
Ao 
parece, 
o 
destino 
voltou 
a 
reunir-nos 
 
disse 
a 
Cat 
com 
um 
amplo 
sorriso 
e 
restos 
de 
fumo 
nas 
mos. 
Isso 
parece. 
Minha 
mulher 
ficou 
muito 
contente 
com 
o 
autgrafo. 
Obrigado. 
Tenente 
Hunsaker, 
eu 
apresento 
Patricia 
Holmes 
e 
a 
seu 
filho, 
Michael. 
O 
tenente 
olhou 
a 
Kismet 
e 
fez 
uma 
ligeira 
inclinao 
de 
cabea. 
Enquanto 
esperavam 
que 
chegasse 
a 
policia. 
Cat 
tinha 
ficado 
no 
dormitrio 
com 
a 
mulher 
e 
o 
menino. 
Quando 
saram, 
Kismet 
j 
no 
levava 
nem 
sinal 
de 
maquiagem 
e 
havia 
prendido 
o 
cabelo. 
Ia 
vestida 
com 
um 
vestido, 
que 
devia 
de 
ser 
a 
nica 
roupa 
do 
armrio 
de 
Cat 
bastante 
grande 
para 
ela. 
Cat 
mostrou 
a 
Alex. 
E 
ele 
 
Alex 
Pierce. 
O 
policial 
apertou 
sua 
mo. 
Alex 
 
ex-policial. 
Sim? 
De 
onde? 
De 
Houston. 
Houston 
eh? 
 olhou-o 
de 
cima 
a 
baixo 
 Como 
 
que 
deixou 
o 
corpo? 
No 
 
assunto 
seu. 
Apanhado 
por 
surpresa, 
Hunsaker 
gritou: 
No 
 
necessrio 
ficar 
na 
defensiva. 
No 
o 
fao; 
limito-me 
a 
expor 
um 
fato. 
Tossiu 
e 
colocou 
a 
mo 
sobre 
o 
revlver. 
Bom, 
quem 
me 
vai 
explicar 
o 
que 
tem 
passado? 
Alex, 
tu 
tens 
visto 
mais 
que 
ns 
-disse 
Cat. 
Alex 
explicou 
o 
ocorrido 
no 
dia 
anterior 
e 
essa 
mesma 
manh, 
concluindo 
o 
relato 
com 
a 
petio 
de 
ajuda 
de 
Kismet 
na 
ombreira 
de 
Cat. 
Cat 
no 
perguntou 
nada. 
Deixei-a 
entrar 
e 
fechei 
a 
porta 
com 
o 
trinco. 
Patricia 
estava 
aterrorizada. 
Disse 
que 
Cyclops 
a 
mataria 
por 
tra-lo. 
Michael 
tambm 
tinha 
medo. 
Ainda 
que 
no 
soubesse 
o 
que 
estava 
acontecendo, 
via 
o 
pnico 
de 
sua 
me. 
Disse 
a 
Cat 
que 
os 
levasse 
ao 
seu 
dormitrio. 
Ento 
telefonei 
para 
o 
senhor, 
tenente 
 interveio 
Cat Mas 
no 
sabia 
o 
que 
Cyclops 
podia 
fazer. 
Disse 
que 
estivesse 
tranqila, 
que 
o 
deixaria 
frito 
antes 
que 
entrasse. 
Hunsaker 
olhou 
de 
relance 
o 
revlver 
colocado 
em 
cima 
da 
mesa. 
J 
no 
est 
carregada 
 disse 
Alex. 
E 
o 
motorista? 
Esse 
tal 
Cyclops. 
Que 
tem 
feito? 


#
Ele 
no 
esperava 
que 
Cat 
deixasse 
passar 
a 
Kismet 
e 
ao 
menino 
e 
fechasse 
a 
porta, 
de 
modo 
que 
percebeu 
que 
algo 
dera 
errado. 
Gritou 
atordoadoperguntando 
o 
que 
tinha 
acontecido. 
Ao 
no 
receber 
resposta, 
comeou 
a 
ficar 
nervoso. 
No 
me 
explico 
por 
que 
demorou 
tanto, 
Hunsaker. 
Se 
tivesse 
apressado 
a 
vir, 
Cyclops 
podia 
estar 
agora 
entre 
grades 
e 
esperando 
ser 
acusado 
por 
agresso 
e 
chantagem. 
O 
policial 
passou 
por 
alto 
a 
crtica 
e 
dirigiu-se 
a 
Cat. 
Ontem 
 
noite 
tentou 
extorqui-la? 
Sim. 
Cat 
explicou 
a 
visita 
de 
Cyclops. 
No 
parece 
o 
tipo 
de 
pessoa 
da 
que 
possa 
confiar. 
Por 
que 
no 
me 
chamou? 
Porque 
chamou 
a 
mim. 
E 
passei 
a 
noite 
aqui 
 declarou 
Alex. 
Hunsaker 
tirou 
suas 
prprias 
concluses. 
E 
esta 
manh? 
Por 
que 
voltou? 
Patricia 
convenceu-o 
pra 
que 
os 
trouxesse 
com 
o 
fim 
de 
amolec-la 
 disse 
Alex 
Quando 
ela 
entrou 
na 
casa, 
seu 
instinto 
deve 
t-la 
advertido 
que 
o 
haviam 
enganado 
e 
que 
teria 
problemas 
se 
no 
o 
largasse. 
foi-se? 
Sim, 
aps 
gritar 
que 
mataria 
a 
Kismet 
e 
ao 
menino. 
No 
posso 
citar 
suas 
palavras 
ao 
p 
da 
letra 
porque 
o 
menino 
est 
escutando, 
mas 
s 
tenho 
omitido 
uns 
quantos 
adjetivos. 
Agora 
esse 
delinqente 
anda 
solto 
 
acrescentou 
a 
modo 
de 
reprovao 
pelo 
atraso 
do 
policial. 
Hunsaker 
perguntou 
a 
Cat: 
Tem 
algo 
que 
acrescentar? 
S 
que 
Alex 
e 
eu 
vimos 
como 
Murphy 
golpeava 
 
senhora 
Holmes 
ontem 
pela 
tarde, 
em 
sua 
casa. 
A 
coisa 
ia-se 
complicando 
muito 
para 
ele. 
E 
coou 
a 
cabea. 
No 
entendo 
que 
faziam 
vocs 
ali. 
Estvamos 
seguindo 
uma 
pista 
do 
outro 
assunto 
que 
falei 
a 
voc 
em 
seu 
escritrio 
 disse 
Cat. 
Refere-se 
aos 
recortes 
de 
jornal? 
Sim. 
Pensei 
que 
podia 
ser 
Cyclops 
quem 
os 
tivesse 
enviado. 
Era 
ele? 
Cat 
olhou 
a 
Kismet, 
quem 
negou 
com 
a 
cabea. 
No 
creio, 
mas 
de 
todas 
as 
formas 
merece 
estar 
na 
priso. 
Pode 
perguntar 
ao 
Servio 
de 
Proteo 
 
Infncia; 
j 
tm 
vrias 
denncias 
contra 
ele 
por 
maus 
tratos 
a 
um 
menor. 
Ficou 
em 
liberdade 
por 
uma 
falha 
do 
fiscal. 
E 
ela? 
mostrou 
a 
Kismet. 
Tambm 
estava 
implicada, 
mas 
s 
porque 
no 
podia 
enfrentar 
Cyclops 
por 
medo 
a 
suas 
represlias. 
Hunsaker 
mostrou 
o 
sof 
manchado. 
Importa-se 
que 
me 
sente? 
Em 
absoluto. 
Acomodou-se 
na 
borda 
e 
olhou 
a 
Kismet, 
que 
estava 
sentada 
em 
uma 
cadeira 
com 
Michael 
sobre 
os 
joelhos. 


#
E 
voc 
que 
tem 
a 
me 
dizer? 
Kismet 
desviou 
o 
olhar 
a 
Cat, 
que 
tomou 
sua 
mo 
para 
anim-la. 
Fale 
o 
que 
me 
contou. 
Conteve 
as 
lgrimas 
e 
umideceu 
os 
lbios 
roxos 
e 
inchados. 
Ontem, 
quando 
eles 
se 
sairam, 
me 
explicou 
seu 
plano 
para 
conseguir 
dinheiro 
pelo 
corao 
de 
Sparky. 
Quem 
 
Sparky? 
Alex 
o 
colocou 
a 
par. 
Hunsaker 
escutava 
com 
ateno. 


 
minha 
Me, 
que 
complicado 
 
tudo 
isto 
 
murmurou 
-De 
modo 
que 
Cyclops 
queria 
dinheiro 
em 
troca 
do 
corao 
desse 
Sparky, 
que 
era 
o 
pai 
de 
seu 
garoto, 
correto? 
Kismet 
assentiu 
e 
acariciou 
a 
cabea 
de 
Michael. 
O 
menino 
no 
tinha 
movido 
de 
seu 
lado 
desde 
que 
Cat 
os 
tinha 
feito 
entrar. 
No 
cabia 
a 
menor 
dvida 
de 
que 
queria 
a 
seu 
filho. 
Ontem 
 
noite, 
Cyc 
voltou 
a 
casa 
muito 
tarde. 
Estava 
furioso 
porque 
a 
senhorita 
Delaney 
tinhase 
negado 
a 
dar 
o 
dinheiro. 
Tinha 
brincado 
com 
ele 
 
disse 
ao 
oficial. 
Alex 
estava 
horrorizado. 
Voc 
debochou 
dele? 
Isso 
no 
tinha 
me 
dito. 
Voc 
est 
louca? 
No, 
no 
estou 
louca. 
Calado! 
ordenou 
Hunsaker 
olhando, 
a 
Alex 
e 
depois 
a 
Kismet. 
Desculpe 
a 
interrupo, 
senhorita 
Holmes, 
no? 
Diante. 
Cyc 
cheirou 
umas 
linhas 
e 
ficou 
muito 
desagradvel. 
Tentei 
manter-me 
afastada 
dele, 
mas 
me 
deu 
uma 
surra. 
Quando 
dormiu, 
fiquei 
pensando 
em 
uma 
forma 
de 
escapar. 
Em 
seus 
olhos 
escuros 
caram 
algumas 
lgrimas. 
A 
senhorita 
Delaney 
parecia 
uma 
boa 
pessoa. 
Tinha-a 
visto 
na 
tv, 
ajudando 
a 
esses 
meninos. 
E 
na 
festa 
simpatizou 
com 
Michael. 
Que 
festa? 
No 
tem 
nenhuma 
importncia 
 
disse 
Alex Deixe-a 
que 
termine, 
quer? 
No 
sou 
eu 
que 
faz 
as 
interrupes, 
no 
voc. 
Hunsaker 
fez 
uma 
indicao 
a 
Kismet 
para 
que 
continuasse. 
No 
queria 
que 
Cyc 
a 
molestasse. 
Mas 
senti-me 
feliz 
ao 
saber 
que 
talvez 
o 
corao 
de 
Sparky 
salvasse 
a 
vida 
de 
algum 
como 
ela. 
E 
a 
forma 
dela 
o 
enfrentar 
me 
deu 
coragem. 
Decidi 
que 
eu 
tambm 
o 
faria. 
Mas 
no 
tinha 
dinheiro, 
nem 
meios 
de 
transporte, 
nem 
ningum 
a 
quem 
ir 
 interveio 
Cat Se 
tentasse 
escapar, 
no 
chegaria 
to 
longe 
antes 
que 
a 
encontrasse. 
E 
me 
machucado, 
possivelmente, 
tambm 
ao 
menino 
-disse 
Kismet. 
Sabia 
que 
minha 
nica 
possibilidade 
era 
o 
enganar. 
De 
modo 
que 
esta 
manh, 
eu... 
Estallou 
em 
soluos. 
Cat 
ps 
uma 
mo 
no 
seu 
ombro. 
Vamos, 
Patricia, 
segue; 
est 
quase 
terminando. 
Kismet 
assentiu. 
Ontem 
 
noite 
dei 
a 
Michael 
um 
tranquilizante 
para 
que 
dormisse 
at 
tarde. 
Sei 
que 
o 
que 
fiz 
foi 
ruim, 
mas 
no 
podia 
correr 
o 
risco 
de 
que 
se 
acordasse 
e 
visse... 
Consegui 
que 
Cyc 
se 
excitasse 
e 
tive 


#
que 
fingir 
que 
gostava. 
Tinha 
que 
o 
convencer 
de 
que 
voltava 
a 
ser 
a 
que 
era 
antes 
de 
me 
apaixonar 
de 
Sparky. 
Chorava 
em 
abundncia. 
Fez 
o 
que 
tinha 
que 
fazer, 
Patricia. 
Ningum 
dos 
presentes 
tem 
direito 
de 
te 
julgar. 
O 
tom 
de 
voz 
suave, 
comprensivo, 
de 
mulher 
para 
mulher, 
silenciou 
a 
Alex 
e 
a 
Hunsaker. 
Kismet 
tinha 
utilizado 
o 
sexo 
em 
troca 
de 
sua 
vida. 
Alguns 
homens 
podiam 
entend-lo, 
mas 
s 
outra 
mulher 
era 
capaz 
de 
entender 
a 
absoluta 
degradao 
desse 
ato. 
Nesse 
momento, 
s 
o 
fato 
de 
ser 
um 
homem 
fez 
que 
Alex 
se 
sentisse 
culpado. 
Perguntou 
se 
Hunsaker 
sentia 
o 
mesmo. 
No 
era 
provvel. 
Hunsaker 
era 
muito 
obtuso 
para 
captar 
algo 
to 
abstrato. 
Mas, 
ao 
menos, 
teve 
a 
sensibilidade 
de 
olhar 
para 
outra 
parte 
e 
permanecer 
calado 
at 
que 
Kismet 
esteve 
em 
condies 
de 
continuar. 
Depois 
o 
convenci 
para 
que 
me 
trouxesse. 
Eu 
falaria 
com 
a 
senhorita 
Delaney 
e 
poria 
ao 
menino 
como 
escudo, 
j 
que 
sabia 
que 
tocaria 
a 
sua 
alma. 
Ele 
no 
gostou 
da 
ideia, 
mas 
disse 
que 
com 
ameaas 
no 
tinha 
conseguido 
nada 
e 
que 
tinha 
de 
tentar 
de 
outra 
forma. 
Por 
fim, 
cedeu. 
Abraou 
a 
Michael. 
O 
caminho 
do 
quintal 
 
entrada 
da 
casa 
pareceu 
uma 
eternidade. 
Estava 
morta 
de 
medo 
que 
Cyc 
descobrisse 
meu 
plano 
antes 
que 
chegasse 
 
porta. 
Olhou 
a 
Cat 
com 
expresso 
de 
idolatria. 
No 
sei 
o 
que 
teria 
feito 
se 
voc 
tivesse 
fechado 
a 
porta 
nos 
nossos 
rostos. 
Nunca 
poderei 
te 
agradecer. 
O 
nico 
que 
quero 
 
que 
esteja 
a 
salvo 
desse 
animal. 
Vai 
apresentar 
denncia? 
 
perguntou 
Hunsaker. 
Sim. 
Est 
segura? 
s 
vezes 
as 
mulheres 
do 
para 
trs 
quando 
chega 
o 
momento. 
Ela 
no 
-disse 
Alex. 
Nem 
eu 
to 
pouco 
 
acrescentou 
Cat 
Ameaou 
me 
matar, 
e 
tambm 
a 
eles, 
se 
no 
entregasse


o 
dinheiro. 
 
extorso. 
Testemunharei 
contra 
ele, 
pode 
estar 
seguro. 
Mas 
antes 
ter 
que 
o 
encontrar. 
Enquanto, 
j 
que 
garantimos 
a 
Patricia 
e 
a 
Michael 
um 
lugar 
seguro 
para 
viver 
 
disse 
Alex. 
O 
policial 
se 
levantou. 
Terei 
que 
fazer 
muita 
papelada. 
Poderiam 
vir 
esta 
tarde 
a 
meu 
escritrio 
para 
prestar 
declarao? 
Todos 
disseram 
que 
sim. 
Estenderei 
uma 
ordem 
de 
busca 
e 
captura 
de 
George 
Murphy. 
J 
tenho 
sua 
descrio 
e 
a 
da 
Harley. 
Daqui 
a 
pouco 
lhe 
jogaremos 
a 
luva. 
No 
o 
encontrar 
 
disse 
Kismet, 
muito 
segura 
 Tem 
dezenas 
de 
lugares 
onde 
se 
esconder 
e 
pessoas 
que 
o 
encobriro. 
No 
o 
encontrar. 
Alex 
temia 
que 
tivesse 
razo, 
mas 
se 
guardou 
seu 
parecer. 
Se 
alguma 
vez 
capturavam 
a 
Cyclops, 
seria 
mais 
por 
descuido 
do 
motorista 
que 
por 
eficcia 
da 
policia. 
Hunsaker, 
por 
sua 
vez, 
fez 
grandes 
promessas 
de 
que 
cedo 
o 
encerrariam. 
Voc 
tranqila; 
deixe 
o 
assunto 
em 
nossas 
mos 
 acariciou 
a 
cabea 
de 
Michael Um 
menino 
muito 
lindo. 
#
Agradeo 
que 
tenha 
vindo 
-disse 
Cat 
enquanto 
o 
acompanhava 
 
porta. 
No 
chegou 
a 
saber 
quem 
lhe 
enviou 
os 
recortes? 
No. 
Era 
o 
que 
queria 
averiguar 
quando 
removi 
estes 
obstculos. 
Por 
suposto 
alegro-me 
de 
t-lo 
fato, 
j 
que 
agora 
Patricia 
e 
Michael 
so 
livres. 
Alex 
deu-se 
conta 
de 
que, 
como 
sinal 
de 
respeito, 
agora 
se 
referia 
a 
Patricia 
por 
seu 
verdadeiro 
nome. 
Kismet 
era 
algo 
que 
j 
pertencia 
ao 
passado. 
Tem 
recebido 
mais 
correspondncia 
deste 
tipo 
depois 
que 
veio 
me 
ver? 
No. 
V-o? 
 
disse 
muito 
satisfeito 
de 
si 
mesmo 
 
 
provvel 
que 
nunca 
saiba 
quem 
a 
enviava. 
J 
sabia 
eu 
desde 
o 
principio 
que 
no 
era 
nada 
importante. 
Cat 
tinha 
mais 
pacincia 
da 
que 
Alex 
podia 
se 
imaginar. 
Por 
ao 
trato 
paternalista 
do 
tenente, 
o 
agradeceu 
por 
ter 
dedicado 
seu 
tempo 
e 
sua 
ajuda. 
Esqueci-me 
de 
dizer. 
Enquanto 
espervamos 
a 
Hunsaker 
chegou 
o 
txi. 
Dei-lhe 
dez 
dlares 
de 
propina 
e 
despedi-o 
-disse 
Alex. 
Obrigado. 
No 
tinha 
voltado 
a 
pensar 
nisso. 
Ainda 
pensas 
ir 
a 
Califrnia? 
Primeiro 
tenho 
que 
me 
certificar 
que 
Patricia 
e 
Michael 
estejam 
a 
salvo. 
Chamei 
Sherry 
e 
j 
se 
est 
ocupando 
disso. 
Chegou 
meia 
hora 
mais 
tarde. 
Encontrei 
uma 
casa 
que 
me 
parece 
que 
gostara 
-disse 
a 
Patricia 
e 
a 
Michael 
 
H 
outras 
trs 
mulheres 
com 
seus 
filhos 
e 
uma 
assistente 
com 
plena 
dedicao. 
Dois 
dos 
meninos 
tm 
mais 
ou 
menos 
a 
idade 
de 
Michael, 
de 
modo 
que 
ter 
parceiros 
jogo. 
Ter 
vossa 
habitao 
com 
banho 
prprio 
e 
toda 
a 
intimidade 
que 
quiser. 
Mas 
 
obrigatrio 
comer 
todos 
juntos 
e 
colaborar 
nas 
tarefas 
domsticas. 
Patricia 
no 
podia 
crer 
em 
sua 
boa 
sorte. 
Estava 
to 
agradecida 
que 
exclamou: 
Estarei 
encantada 
de 
fazer 
qualquer 
coisa 
contanto 
que 
Ciclops 
no 
nos 
encontre. 
Pouco 
depois 
estavam 
na 
porta 
para 
despedir-se. 
Cat 
disse: 
Vocs 
ficaram 
bem. 
Se 
precisar 
de 
algo, 
ou 
quiser 
conversar, 
me 
chama. 
J 
te 
dei 
o 
nmero. 
Tenho-o 
no 
bolso. 
Cat, 
que 
tinha 
apanhado 
a 
mo 
de 
Michael, 
o 
abraou 
e 
o 
entregou 
a 
sua 
me. 
Cedo 
irei 
visitar-vos, 
te 
parece 
bem. 
Ficaremos 
encantados, 
verdade, 
Michael? 
O 
pequeno 
assentiu 
com 
timidez. 
Cat 
comeava 
a 
emocionar-se. 
Bom, 
at 
a 
vista. 
Sherry 
se 
ocupar 
de 
vocs. 
A 
acompanharei 
at 
o 
carro 
 
ofereceu 
Alex 
ao 
ver 
que 
Patricia 
parecia 
ter 
medo 
de 
sair. 
E, 
a 
seguir, 
sugeriu 
a 
Sherry 
 No 
custaria 
nada 
em 
dar 
um 
rodeio 
e 
buscar 
ruas 
possa 
ver 
se 
as 
esto 
seguindo. 
Em 
situaes 
como 
esta, 
 
o 
procedimento 
que 
seguimos 
 
contou 
Sherry 
com 
um 
sorriso. 
Alex 
saiu, 
jogou 
uma 
olhada 
aos 
arredores 
e 
indicou 
com 
a 
mo 
que 
podiam 
sair. 
Patricia 
se 
virou 
e 
apertou 
a 
mo 
de 
Cat. 
As 
palavras 
seguintes 
foram 
atropeladas, 
como 
se, 
de 
outra 
forma, 
no 


#
tivesse 
tido 
o 
valor 
de 
pronuncia! 
Cat, 
 
voc 
a 
nica 
pessoa 
que 
conheci 
to 
bondosa 
e 
altrusta 
como 
Sparky. 
Acho 
que 
merecia 
levar 
seu 
corao. 



Captulo 
quarenta 
e 
seis 


O 
trabalho 
era 
a 
alegria 
de 
Cat. 
Inclusive 
quando 
esteve 
doente, 
no 
deixou 
de 
dedicar 
s 
horas 
que 
fossem 
necessrias 
a 
Passages. 
Se 
estivesse 
deprimida, 
trabalhava; 
se 
estivesse 
feliz, 
trabalhava. 
Em 
seu 
estado 
atual, 
seguir 
trabalhando 
a 
aliviava. 
Tinha 
chamado 
a 
Jeff 
para 
explicar 
por 
que 
no 
estaria 
ali 
at 
aps 
o 
almoo. 
J 
te 
porei 
a 
par 
dos 
detalhes 
quando 
chegar. 
Na 
intimidade 
do 
escritrio 
de 
Cat, 
Jeff 
esteve 
escutando 
a 
histria 
com 
crescente 
incredulidade. 
Por 
todos 
os 
santos, 
Cat; 
esse 
George 
Murphy 
 
um 
selvagem. 
Ele 
poderia 
ter 
te 
matado. 
Pois 
no 
o 
fez. 
Por 
que 
no 
seguio 
o 
plano 
previsto 
e 
te 
vais 
a 
Los 
Angeles? 
Talvez 
fosse 
conveniente 
que 
estivesses 
em 
uns 
dias 
fora. 
J 
liguei 
a 
Dean 
e 
anulando 
a 
viagem. 
Sair 
agora 
seria 
fugir 
covardemente. 
No 
inspiraria 
muita 
confiana 
a 
Michael 
e 
Patricia 
que, 
aps 
terem 
se 
assegurado 
que 
estariam 
a 
salvo 
de 
Cyclops, 
fugisse 
com 
o 
rabo 
entre 
as 
pernas 
para 
a 
Costa 
Oeste. 
Em 
vez 
de 
escapar, 
trabalharia. 
Ao 
menos 
fique 
com 
a 
tarde 
livre. 
Ns 
terminaremos 
tudo 
aqui 
 
disse 
Jeff. 
Aqui 
 
onde 
preciso 
estar. 
Perdi 
algo 
importante 
esta 
manh? 
Vamos, 
mos 
 
obra. 
Fez 
umas 
quantas 
telefonemas, 
ditou 
vrias 
cartas 
e 
fez 
dublagem 
em 
duas 
filmaes 
em 
exteriores 
com 
a 
equipe 
de 
produo 
para 
a 
semana 
seguinte. 
Para 
a 
filmagem 
da 
quarta-feira 
entrei 
em 
contato 
com 
o 
velho 
cowboy 
que 
levou 
os 
pneis 
 
festa 
de 
Nancy 
Webster. 
Gosta 
dos 
meninos 
e 
disse 
que 
est 
a 
nossa 
posio, 
e 
grtis. 
Estupendo. 
Encantou 
Aos 
meninos 
e 
Michael 
desfrutou 
lindamente. 
Cat, 
o 
que 
fez 
por 
ele 
e 
sua 
me. 
No 
terminou 
a 
frase 
at 
que 
ela 
levantou 
a 
cabea. 
Foi 
muito 
generoso 
por 
tua 
parte 
que 
tenha 
tomado 
um 
interesse 
pessoal 
 
vacilou 
 Pensa 
que 
leva 
o 
corao 
de 
seu 
pai? 
No 
o 
sei 
nem 
quero 
o 
saber. 
Teria 
ajudado 
a 
qualquer 
mulher 
e 
a 
qualquer 
menino 
em 
uma 
situao 
similar. 
Basta-me 
com 
saber 
que 
esto 
a 
salvo 
e 
com 
a 
oportunidade 
de 
comear 
de 
novo. 
Aps 
deix-los 
em 
seu 
novo 
lar, 
Sherry 
tinha 
telefonado 
para 
dizer 
que 
tinham 
sido 
muito 
bem 
recebidos 
pelas 
outras 
famlias 
que 
viviam 
ali. 
Cat 
informou 
a 
Jeff. 
Patricia 
ofereceu-se 
para 
contribuir 
dinheiro 
para 
a 
comunidade 
fazendo 
colares 
e 
pulseiras. 
Vende-os 
a 
algum 
que 
tem 
uma 
banca 
no 
mercadinho. 
Com 
o 
tempo 
e 
algo 
mais 
de 
prtica, 
se 
converter 
em 
uma 
artista. 
Sem 
ti 
nunca 
seria 
possvel 
 
comentou 
Jeff. 


#
Cat 
franziu 
os 
lbios, 
pensativa. 
Se 
Sparky 
tivesse 
sobrevivido 
ao 
acidente 
suas 
vidas 
teriam 
tomado 
outro 
rumo. 
Talvez 
ao 
saber 
que 
estava 
grvida 
teriam 
deixado 
a 
liga 
de 
motoristas. 
Tivessem 
criado 
juntos 
a 
Michael 
com 
amor 
e 
ela 
teria 
podido 
aperfeioar 
seu 
talento 
para 
o 
artesanato. 
Segundo 
parece, 
Sparky 
era 
muito 
inteligente 
e 
se 
interessava 
por 
literatura 
e 
a 
filosofia. 
Teria 
podido 
ser 
mestre 
ou 
escritor. 
Isso 
 
uma 
novela 
rosa, 
Cat. 
O 
mais 
provvel 
 
que 
as 
coisas 
no 
tivessem 
ido 
assim. 
Mas 
nunca 
o 
saberemos, 
verdade? 
E 
outra 
pessoa 
viveu. 
Cat 
saiu 
de 
seus 
sonhos 
e 
desatou 
o 
n 
que 
sentia 
na 
garganta. 
Sim, 
outra 
pessoa 
viveu. 


Nessa 
mesma 
tarde, 
Jeff 
colocou 
a 
cabea 
pela 
porta 
do 
escritrio. 
O 
senhor 
Webster 
acaba 
de 
chamar. 
Agora? 
Estou 
at 
o 
pescoo 
de 
assuntos 
por 
resolver. 
Tem 
dito 
que 
agora 
mesmo. 
H 
algum 
motivo 
para 
ele 
estar 
preocupado? 
Parecia 
preocupado? 
Muito. 
Fazia 
dias 
que 
no 
via 
Bill. 
Quando 
sua 
secretria 
os 
acompanhou 
at 
o 
escritrio, 
ele 
demonstrou 
uma 
total 
falta 
de 
cordialidade. 
E 
acomodados 
no 
sof 
de 
couro, 
Bill 
apresentou 
ao 
seu 
outro 
visitante. 
Ronald 
Truitt. 
Como 
sabem, 
 
o 
comentarista 
de 
televiso 
do 
Light. 
De 
modo 
que 
esse 
quarento 
gordinho 
com 
calvicie 
incipiente 
era 
o 
seu 
nmesis 
jornalsta, 
o 
crtico 
sado 
do 
inferno. 
Tinha 
cheiro 
de 
nicotina, 
j 
que, 
pelo 
bolso 
da 
camisa, 
aparecia 
um 
pacote 
de 
Camel 
que, 
de 
vez 
em 
quando, 
tateava 
como 
para 
se 
certificar 
de 
que 
seus 
cigarros 
seguiam 
ali 
ainda 
que 
no 
pudesse 
fum-los. 
Queria 
aparentar 
que 
estava 
cmodo 
e 
despreocupado, 
mas 
no 
o 
estava 
fazendo 
bem. 
Balanava 
uma 
perna 
e 
piscava 
com 
muita 
freqncia. 
Cat 
fez 
caso 
omisso 
de 
Truitt, 
perguntou 
a 
Bill: 
Ou 
ocorre? 
Como 
cortesa 
profissional, 
o 
senhor 
Truitt 
veio 
nos 
avisar 
do 
contedo 
do 
artigo 
que 
aparecer 
amanh 
no 
jornal. 
Pensei 
que 
voc 
tambm 
tinha 
direito 
de 
se 
avisada. 


Avisar-me? 
Isso 
implica 
algo 
pouco 
agradvel. 
Por 
desgraa, 
o 
artigo 
tem 
Conotaes 
pouco 
agradveis. 
Com 
respeito 
ao 
programa 
Os 
Meninos 
de 
Cat? 
 
perguntou 
Jeff. 
Exato. 
Bill 
olhou 
ao 
jornalista 
e 
indicou 
que 
era 
a 
sua 
vez. 


 
Tem 
a 
palavra, 
senhor 
Truitt, 
mas 
tem 
de 
ficar 
claro 
que 
tudo 
o 
que 
for 
dito 
nesta 
habitao 
no 
ser 
publicado. 
Truit 
sentou 
mais 
erguido 
e, 
sem 
que 
fosse 
necessrio, 
abriu 
suas 
anotaes. 
Cat 
sabia 
reconhecer 
#
quando 
algum 
estava 
atuando. 
 
A 
ltimas 
horas 
desta 
manh 
tenho 
recebido 
um 
telefonema 
de 
algum 
chamado 
Cyclops 
 
disse. 


 
Ciclops 
ligou 
para 
voc? 
exclamou 
Cat. 
Voc 
o 
Conhece? 
perguntou 
Bill. 
 
Sim. 
Seu 
nome 
verdadeiro 
 
George 
Murphy 
e 
est 
sendo 
procurado 
pela 
policia. 
Disse 
de 
onde 
chamava? 
 
No 
 
esboou 
um 
sorriso 
Disse 
que 
o 
mais 
provvel 
era 
que 
voc 
mudasse 
os 
papis 
e 
o 
fizesse 
aparecer 
como 
o 
delinquente.
 
que 
 
o 
delinquente. 
Tem 
uma 
longa 
lista 
de 
delitos 
como 
meu 
brao, 
comeando 
por 
maus 
tratos 
a 
um 
menor 
e 
terminando 
por 
extorso.
 
possvel 
 disse 
Truitt Mas 
alega 
que 
voc 
no 
 
nenhuma 
santa. 
Nunca 
disse 
que 
o 
era, 
mas 
isso 
 
inveno. 
No 
tem 
nada 
melhor 
alm 
de 
escrever 
um 
monte 
de 
insultos 
entre 
um 
motorista 
dependente 
qumico 
buscado 
pela 
policia 
e 
eu? 
Trata-se 
de 
algo 
mais 
srio 
que 
um 
monte 
de 
insultos 
 
disse 
Bill. 
Fez 
uma 
pausa 
e 
deixou 
cair 
a 
bomba. 
Cat, 
o 
senhor 
Murphy 
a 
acusa 
de 
abusos 
a 
menores. 
Estava 
muito 
atnita 
para 
poder 
falar. 
Olhou 
a 
Bill 
e 
depois 
a 
Truitt. 
Assim 
. 
Cyclops 
disse 
que 
tinha 
abusado 
de 
seu 
filho 
durante 
uma 
festa 
em 
casa 
do 
senhor 
Webster. 
No 
tem 
nenhum 
filho 
 gritou 
em 
tom 
spero. 
Um 
menino 
chamado 
Michael? 
A 
me 
de 
Michael 
no 
est 
casada 
com 
Murphy. 
Legalmente 
no 
 
o 
padrastro 
do 
menino. 
Bom, 
isso 
d 
igual, 
mas 
tem 
dado 
p 
de 
perguntar 
se 
esse 
menino 
 
o 
nico 
do 
que 
voc 
tem 
abusado. 
No 
me 
negar 
que 
est 
em 
uma 
situao 
privilegiada 
para 
poder 
se 
aproveitar 
de 
vrios. 
No 
 
possvel. 
Se 
carcaje, 
incrdula, 
mas 
ningum 
mais 
sorria, 
e 
menos 
ainda 
Webster. 
Bill, 
dei 
algo, 
no 
acho 
que 
penses 
que... 
O 
que 
eu 
pense 
no 
importa. 
Cat 
dirigiu-se 
ao 
jornalista. 
Seguro 
que 
no 
vai 
publicar 
isso. 
Em 
primeiro 
lugar, 
 
absurdo; 
em 
segundo 
lugar, 
sem 
uma 
confirmao 
expe-se 
a 
uma 
demanda 
por 
quantias 
de 
propores 
astronmicas. 
Tenho 
algo 
no 
que 
corroborar. 
De 
novo 
ficou 
pasmada. 
Quem? 
No 
estou 
autorizado 
para 
o 
dizer. 
Minha 
segunda 
fonte 
de 
informao 
quer 
ficar 
no 
anonimato, 
mas 
asseguro-lhe 
que 
est 
em 
situao 
de 
saber 
de 
que 
vai 
a 
coisa. 
No 
sabe 
nada 
de 
nada! 
 
gritou 
 
De 
onde 
sau 
essa 
segunda 
fonte 
de 
informao? 
Movi-me, 
falei 
com 
gente. 
Est 
cometendo 
um 
terrvel 
erro, 
senhor 
Truitt. 
Se 
publicar 
esse 
artigo 
vai 
sair-lhes 
caro 
a 
voc 
e 
a 
seu 
jornal. 
Qualquer 
pessoa 
que 
me 
conhea 
sabe 
que 
fao 
tudo 
o 
que 
posso 
dentro 
de 
minhas 
#
possibilidades 
para 
resgatar 
a 
meninos 
de 
qualquer 
forma 
de 
abusos, 
que 
seja 
fsicos, 
sexuais 
ou 
psicolgicos. 
Se 
George 
Murphy 
quer 
acusar-me 
de 
algo, 
deveria 
ter 
inventado 
algo 
mais 
palpvel. 
Mas 
voc 
est 
em 
uma 
excelente 
situao 
para 
ganhar 
a 
confiana 
dos 
meninos, 
no? 
Parece-me 
uma 
insinuao 
desprecivel 
e 
que 
no 
merece 
resposta. 
Truitt 
adiantou-se 
at 
a 
borda 
de 
seu 
assento. 
Era 
como 
um 
tubaro 
que 
tinha 
cheirado 
o 
sangue 
e 
avanava 
em 
busca 
de 
sua 
presa. 
Por 
que 
abandonou 
uma 
brilhante 
carreira 
como 
atriz 
de 
telenovelas 
para 
fazer 
um 
programa 
local 
como 
Os 
Meninos 
de 
Cat? 
Porque 
me 
deu 
vontade. 
Por 
qu? 
insistiu 
o 
jornalista. 
Porque 
de 
outra 
forma 
no 
teria 
tido 
proviso 
de 
meninos 
de 
quem 
abusar! 
Cat. 
Bom, 
no 
 
a 
aonde 
quer 
chegar? 
Lamentou 
ter 
gritado 
com 
Jeff, 
que 
s 
tentava 
acalma-la. 
Aps 
uns 
momentos, 
falou 
a 
Truitt 
com 
um 
tom 
de 
voz 
mais 
razovel: 
Deixei 
minha 
carreira 
porque 
queria 
fazer 
algo 
que 
valesse 
a 
pena 
durante 
o 
resto 
de 
minha 
vida. 
A 
careta 
de 
Truitt 
mostrava 
ceticismo. 
Deixe-me 
ver 
se 
entendo. 
Renuncia 
a 
uns 
rendimentos 
fabulosos, 
 
fama, 
por 
uma 
quantidade 
muito 
inferior 
e 
quatro 
miserveis 
minutos 
em 
tela? 
negou 
com 
a 
cabea. 
No 
acredito. 
Ningum 
 
to 
altrusta. 
Cat 
no 
ia 
revelar 
seus 
motivos, 
que 
eram 
muito 
ntimos. 
Alm 
do 
mais, 
esse 
mesquinho 
gacetillero 
no 
merecia 
nenhuma 
explicao. 
Teria 
gostado 
de 
cuspir 
em 
sua 
cara, 
mas, 
pelo 
bem 
da 
WWSA, 
respondeu 
com 
diplomacia. 
No 
tem 
nada 
que 
apoie 
esta 
ridcula 
acusao. 
Cyclops 
 
um 
delinqente 
que 
mal 
sabe 
articular 
uma 
palavra 
por 
trs 
de 
outra. 
Tenho 
duas 
fontes. 
A 
outra 
 
digna 
de 
crdito 
e 
sabe 
sim 
como 
articular 
as 
palavras. 
Uma 
de 
suas 
fontes 
 
esse 
cheguei; 
e 
a 
outra 
 
algum 
que 
no 
tem 
coragem 
para 
me 
acusar 
cara 
a 
cara. 
Woodward 
e 
Bernstein, 
j 
sabem 
os 
do 
Watergate, 
escreveram 
com 
menos 
e 
terminaram 
tirando 
a 
droga 
de 
um 
presidente 
e 
passando 
 
histria. 
A 
compaixo 
impede-me 
de 
explicar 
o 
quo 
longe 
que 
est 
de 
Woodward 
ou 
de 
Bernstein, 
senhor 
Truitt. 
Ele 
se 
limitou 
a 
sorrir, 
fechou 
o 
bloco 
e 
levantou. 
Se 
deixasse 
de 
publicar 
uma 
notcia 
to 
jugosa 
como 
esta 
me 
expulsariam 
do 
colgio 
de 
jornalistas.
 
mentira. 
Descabelada 
e 
sem 
fundamento. 
Posso 
publicar 
isso? 
No 
 disse 
Webster 
ao 
se 
levantar 
 
Segue 
sendo 
uma 
conversao 
que 
no 
deve 
se 
publicar. 
A 
senhorita 
Delaney 
no 
est 
fazendo 
uma 
declarao 
oficial. 
Bill, 
no 
me 
importo... 
Faz 
favor, 
Cat. 
O 
departamento 
de 
relaes 
pblicas 
se 
ocupar 
disso. 


#
Acompanhou 
a 
Truitt 
at 
a 
porta. 
Depois, 
o 
silncio 
na 
habitao 
era 
prprio 
de 
um 
funeral. 
Cat 
estava 
furiosa 
e 
olhava 
a 
Bill 
com 
olhos 
cintilantes 
quando 
regressou 
a 
sua 
mesa 
e 
sentou. 
Estou 
esperando 
uma 
explicao, 
Bill. 
Por 
que 
cruzou 
de 
braos 
e 
deixou 
que 
me 
difamassem? 
Por 
que 
o 
recebeste? 
Cat, 
volta 
a 
sentar-se, 
controla-se 
e 
escuta-me. 
Sentou-se, 
mas 
no 
podia 
morder 
a 
lngua. 
Acha 
que 
sou 
capaz 
de 
abusar 
dos 
meninos? 
Claro 
que 
no! 
Mas 
tenho 
que 
pensar 
no 
que 
convm 
 
emissora. 
Ah, 
claro, 
a 
emissora. 
Enquanto 
a 
emissora 
fique 
 
margem, 
minha 
reputao 
pode 
arrastar 
pelos 
chos. 
Durante 
um 
momento, 
Bill 
parecia 
apenado. 
No 
podemos 
evitar 
que 
escreva 
e 
publique 
sua 
coluna, 
mas 
 
preciso 
se 
apressar 
a 
atalhar 
a 
polmica 
que 
este 
assunto 
vai 
gerar. 
J 
dei 
ordem 
ao 
departamento 
de 
relaes 
pblicas 
para 
que 
comeam 
j. 
Pode 
elaborar 
com 
eles 
uma 
declarao 
oficial. 
No 
tenho 
a 
menor 
inteno 
de 
desmentir 
uma 
mentira 
to 
atroz. 
Como 
pode 
algum 
me 
crer 
capaz 
de 
fazer 
dano 
a 
um 
menino? 
No 
conseguia 
conter 
as 
lgrimas. 
O 
pblico 
do 
programa 
no 
o 
crer, 
Cat 
 
disse 
Jeff, 
muito 
convencido. 
Penso 
o 
mesmo 
 
acrescentou 
Bill 
 
Lero 
o 
artigo 
e 
a 
terminar 
tudo. 
Teus 
admiradores 
o 
tomaro 
corno 
o 
que 
: 
um 
ataque 
malicioso 
por 
parte 
de 
algum 
que 
te 
odeia. 
Depois 
de 
umas 
semanas 
ningum 
se 
lembrar. 
Enquanto, 
o 
programa 
fica 
suspenso. 
Cat 
no 
dava 
crdito 
a 
seus 
ouvidos. 
No 
est 
falando 
srio. 
Me 
desculpe. 
J 
est 
decidido. 
Equivale 
a 
admitir 
a 
culpa. 
Rogo-te 
que 
o 
reconsidere, 
Bill. 
Sabes 
que 
apoio 
firmemente 
o 
trabalho 
que 
faz. 
Foi 
um 
empurro 
para 
a 
emissora 
e 
uma 
contribuio 
importante 
 
comunidade. 
O 
programa 
voltar 
em 
seu 
momento 
oportuno. 
No 
faz 
falta 
que 
te 
diga 
o 
respeito 
e 
o 
amor 
que 
sento 
por 
ti, 
Cat, 
e 
o 
que 
lamento 
te 
desagradar. 
Sou 
consciente 
de 
que 
te 
parece 
uma 
traio, 
mas, 
como 
responsvel 
pela 
WWSA, 
eu 
tenho 
a 
obrigao 
de 
pensar 
no 
melhor 
para 
todos, 
inclusive 
para 
ti. 
At 
que 
este 
incidente 
se 
tenha 
esquecido, 
no 
me 
parece 
conveniente 
que 
apareas 
em 
tela. 
Sua 
expresso 
sombria 
e 
seu 
imperioso 
tom 
de 
voz 
diziam 
que 
sua 
deciso 
era 
irrevogvel. 
Cat 
contemplou 
o 
cho 
e, 
depois, 
levantou 
a 
cabea. 
Muito 
bem, 
Bill; 
entendo 
tua 
postura. 
Ter 
minha 
demisso 
antes 
que 
acabe 
no 
dia. 
Que? 
exclamou 
Jeff. 
Cat... 
Escutem-me 
bem 
os 
dois. 
Se 
essa 
histria 
for 
publicada, 
o 
programa 
morrer 
para 
sempre. 
Poderia 
negar 
as 
acusaes 
at 
ficar 
afnica 
e 
no 
serviria 
de 
nada. 
As 
pessoas 
tm 
a 
tendncia 
de 
acreditar 
no 
pior; 
mais 
ainda 
se 
o 
lemos. 
Se 
est 
escrito, 
deve 
de 
ser 
verdade, 
no? 
Bill, 
acaba 
de 
dizer 
que 
tem 
de 
pensar 
no 
melhor 
para 
a 
WWSA. 
Eu 
tenho 
que 
pensar 
no 
que 
 


#
melhor 
para 
os 
meninos. 
Seja 
o 
que 
for 
o 
que 
acredita 
Truitt 
ou 
qualquer 
outra 
pessoa, 
seu 
bem-estar 
foi 
a 
nica 
coisa 
que 
me 
impulsionou 
a 
me 
dedicar 
de 
corpo 
e 
alma 
ao 
programa. 
E 
eles 
seguem 
sendo 
minha 
principal 
preocupao. 
J 
so 
vtimas 
inocentes 
e 
no 
quero 
que 
sofram 
mais 
eliminando 
o 
que 
poderia 
ser 
sua 
ltima 
esperana. 
Eu 
me 
vou, 
mas 
podem 
mudar 
o 
nome 
e 
seguir 
emitindo 
o 
programa. 
E 
recomendo 
que 
no 
perca 
tempo 
para 
buscar 
a 
algum 
que 
me 
substitua. 



Captulo 
quarenta 
e 
sete 


Ol, 
o 
que 
quer? 
Me 
ocorreu 
que 
cairia 
bem 
um 
pouco 
de 
mimo. 
Trouxe 
hamburguers 
com 
queijo. 
Jeff 
levantou 
o 
pacote 
para 
que 
ela 
pudesse 
ver 
pelo 
vidro. 
Com 
muitas 
caloras? 
Quase 
no 
posso 
levantar 
o 
pacote. 
Em 
todo 
caso... 
Cat 
abriu 
a 
porta, 
saudou 
a 
algum 
com 
a 
mo, 
fez 
passar 
a 
Jeff 
e 
voltou 
 
fechar. 
Quem 
voc 
saudou? 
No 
te 
fixaste 
no 
carro 
estacionado 
ao 
final 
da 
rua? 
 
meu 
anjo 
da 
guarda. 
O 
tenente 
Hunsaker 
deixou 
a 
casa 
vigiada 
vinte 
e 
quatro 
horas 
por 
dia 
at 
que 
detenham 
a 
Cyclops. 
Boa 
ideia. 
 
ideia 
de 
Alex. 
Eu 
me 
sinto 
uma 
idiota 
com 
todo 
este 
assunto 
de 
agentes 
secretos. 
Entraram 
na 
cozinha 
e 
tiraram 
a 
comida 
rpida 
dos 
sacos. 
A 
primeiras 
horas 
desta 
tarde, 
quando 
fomos 
a 
delegacia 
apresentar 
a 
denncia, 
Alex 
convenceu 
a 
Hunsaker 
a 
colocar 
um 
policial 
 
paisana 
no 
caso 
de 
Cyclops 
regressar. 
Ouve, 
esto 
maravilhosas 


 
disse 
devorando 
outra 
batata 
frita 
 
Obrigada. 
Imaginei 
que 
no 
teria 
comido. 
No 
comi. 
Nem 
sequer 
notei 
que 
tinha 
fome. 
Onde 
est 
o 
senhor 
Pierce 
agora? 
Como 
vou 
saber? 
No 
nos 
seguimos 
a 
pista. 
Parecia 
estar 
 
defensiva 
porque 
assim 
era 
como 
se 
sentia. 
Alex 
no 
tinha 
telefonado. 
Ainda 
que 
sabia 
que 
ela 
no 
ia 
mais 
para 
a 
California, 
suspeitava 
que 
ainda 
estava 
enfadado 
por 
lhe 
pedir 
ajuda 
e 
depois 
comunicar 
que 
voltava 
para 
Dean. 
No 
tinha 
sido 
essa 
sua 
inteno, 
mas 
ele 
notou. 
Aps 
deix-la 
sob 
a 
tutela 
de 
Hunsaker, 
tinha 
lavado 
as 
mos. 
Cat 
queria 
saber 
sua 
opinio 
sobre 
os 
ltimos 
acontecimentos, 
mas 
no 
o 
chamaria. 
Ele 
teria 
que 
dar 
o 
primeiro 
passo... 
se 
 
que 
queria 
o 
dar. 
Eu 
pensei 
que 
talvez 
estivesse 
contigo 
 disse 
Jeff. 
Ontem 
 
noite 
ficou 
aqui. 
Massageou 
a 
frente 
para 
tirar 
a 
jaqueta 
que 
parecia 
assaltar 
a 
cada 
vez 
que 
tentava 
encontrar 
#
algum 
sentido 
a 
sua 
estranha 
relao 
com 
Alex. 
Se 
no 
te 
importas 
preferiria 
no 
falar 
dele. 
Como 
queiras. 
Tens 
ketchup? 
Na 
geladeira. 
Mas 
usa-o 
com 
moderao, 
j 
est 
tarde 
e 
estou 
desempregada. 
Voc 
no 
vai 
se 
manter 
firme 
na 
sua 
demisso, 
verdade? 
Ao 
princpio, 
a 
hamburguer 
e 
as 
batatas 
hitas 
pareciam 
apetitosos. 
Agora, 
pensando 
na 
desero 
de 
Alex 
e 
no 
artigo 
de 
Truitt, 
a 
comida 
dava 
nuseas. 
Estou 
num 
Dilema 
sobre 
o 
que 
tenho 
que 
fazer, 
Jeff. 
Tudo 
 
to 
complicado... 
Com 
senso 
do 
humor 
acrescentou: 
Sabes? 
Era 
melhor 
quando 
meu 
nico 
problema 
era 
um 
corao 
em 
fase 
terminal. 
Agora 
minha 
vida 
amorosa 
 
uma 
verdadeira 
baguna, 
um 
motorista 
quer 
me 
matar, 
minha 
reputao 
vai 
ficar 
pelos 
chos 
graas 
a 
um 
jornalista-vampiro 
e 
no 
posso 
fazer 
nada 
para 
evitar. 
Claro 
que, 
se 
o 
olhamos 
pelo 
lado 
otimista, 
dentro 
de 
dois 
dias 
um 
psicpata 
pode 
surgir 
dentre 
as 
sombras 
e 
me 
liquidar, 
poupando 
assim 
todas 
as 
demais 
preocupaes. 


Dois 
dias? 
J 
no 
me 
lembrava. 
O 
tempo 
passou 
voando 
desde 
que 
conheci 
a 
Cyclops 
e 
envolvi-me 
no 
assunto 
de 
Patricia 
e 
Michael. 
Na 
verdade 
a 
data 
do 
aniversrio 
foi 
chegando 
sem 
que 
eu 
desse 
conta. 
O 
senhor 
Pierce 
no 
tem 
averiguado 
nada 
sobre 
os 
recortes? 
Passou 
pela 
sua 
cabea 
a 
ideia 
de 
que 
pudesse 
ser 
Ciclops. 
Mas, 
aps 
refletir 
sobre 
isso, 
o 
descartamos. 
No 
 
bastante 
inteligente. 
E 
Paul 
Reyes? 
Tinha 
explicado 
a 
Jeff 
o 
que 
sabiam 
de 
trs 
incidentes 
ocorridos 
pouco 
antes 
de 
seu 
transplante, 
e 
tinha 
pedido 
que 
buscassem 
na 
hemeroteca 
artigos 
de 
jornais 
relacionados 
com 
os 
trs 
casos. 
Como 
resultado 
de 
sua 
investigao, 
leram 
tudo 
o 
que 
encontraram 
do 
julgamento 
a 
Reyes. 
Alex 
tenta 
localizar 
algum 
familiar 
disposto 
a 
falar 
com 
ele. 
E 
o 
amante? 
O 
amante? 
repetiu 
perplexa. 
No 
sei. 
Tambm 
no 
tem 
sado 
nenhuma 
informao 
do 
acidente 
mltiplo 
na 
estrada 
de 
Houston? 
Que 
eu 
saiba, 
no. 
Nem 
lembrava-me. 
Soou 
o 
telefone. 
Diga? 
Onde 
esto? 
O 
corao 
disparou. 
Cyclops? 
Os 
olhos 
de 
Jeff 
saam 
das 
rbitas. 
Deixou 
cair 
o 
hamburguer 
e 
levantou 
da 
cadeira. 
Chamo 
a 
policia? 
perguntou 
em 
um 
susurro. 
Ela 
negou 
com 
a 
cabea 
e 
indicou 
que 
permanecesse 
calado. 
Mal 
podia 
ouvir 
a 
Cyclops 
pelo 
rudo 
de 
fundo. 
Advirto-to, 
zorra, 
ser 
melhor 
que 
me 
digas 
onde 
esto. 
Em 
um 
lugar 
onde 
no 
os 
encontrar. 


#
Cat 
falava 
tranqila 
e 
sem 
medo, 
ainda 
que 
o 
corao 
batesse 
acelerado. 
Esto 
a 
salvo 
e 
no 
voltar 
a 
machuc-los. 
Talvez 
sim, 
talvez 
no. 
Mas 
a 
ti 
sei 
que 
posso 
encontrar. 
Sei 
onde 
trabalha 
e 
onde 
vive. 
Nada 
disso 
teria 
ocorrido 
se 
voc 
tivesse 
ocupado 
de 
teus 
assuntos. 
J 
no 
trabalho 
para 
a 
WWSA, 
graas 
a 
voc. 
Que? 
No 
se 
faa 
de 
idiota, 
ainda 
que 
j 
sei 
que 
 
pedir 
muito. 
Mas, 
por 
outra 
parte, 
talvez 
seja 
mais 
idiota 
do 
que 
parece. 
S 
uma 
mente 
tacanha, 
mas 
torta 
podia 
inventar 
uma 
mentira 
como 
a 
que 
contou 
ao 
senhor 
Truitt. 
A 
quem? 
Ao 
jornalista 
do 
Light. 
De 
que 
caralho 
est 
falando? 
Tem 
o 
telefone 
grampeado? 
Claro, 
me 
entretem 
dizendo 
porcaria. 
E 
desligou. 
Cat 
seguiu 
com 
o 
telefone 
na 
mo. 
Por 
fim 
devolveu-o 
a 
seu 
suporte 
e 
ficou 
pensativa. 
O 
Que 
ele 
disse? 
perguntou 
Jeff. 
Pois... 
Sabe 
onde 
est? 
Cat? 
Que 
te 
ocorre? 
Precisava 
um 
momento 
para 
recuperar-se. 
Segue 
ameaando. 
Quer 
dizer 
acus-la 
de 
abusos 
a 
menores 
no 
era 
suficiente? 
Cyclops 
diz 
que 
no 
sabe 
nada 
disso. 
Por 
estranho 
que 
possa 
parecer, 
acho 
que 
diz 
a 
verdade. 
Jeff 
negou 
com 
a 
cabea, 
perplexo. 
No 
entendo 
nada. 
Eu 
tambm 
no. 
Truitt 
disse 
que 
Cyclops 
o 
chamou. 
No 
podem 
inventar 
esse 
nome. 
No 
inventou. 
Pois 
mente 
ento? 
No; 
algum 
telefonou 
a 
Truitt 
e 
se 
identificou 
como 
Cyclops. 
A 
Jeff 
acendeu 
uma 
bombilla: 
E 
pde 
ter 
sido 
qualquer. 
 
possvel 
que 
a 
mesma 
pesssoa 
que 
te 
enviou 
os 
recortes. 
Exato. 
Esta 
pessoa 
est 
em 
todas 
as 
partes. 
Tenho 
a 
impresso 
que 
se 
meteu 
dentro 
de 
minha 
pele. 
Sabe 
o 
que 
est 
passando 
quase 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
eu, 
inclusive 
minha 
relao 
com 
Cyclops. 
Ou 
talvez 
esteja 
precipitando 
em 
minhas 
concluses. 
Jeff, 
j 
no 
sei, 
nem 
que 
fazer 
nem 
que 
pensar. 
Tranqila, 
Cat, 
sejamos 
prticos. 
Supondo 
que 
a 
pessoa 
que 
te 
persegue 
inventou 
a 
histria 
do 
abuso 
de 
meninos 
e 
chamou 
a 
Truitt, 
quem 
a 
corroborara? 
Truitt 
 
ambicioso 
e 
repugnante, 
mas 
no 
me 
parece 
um 
imbecil. 
A 
mim 
tambm 
no. 
Portanto, 
no 
acho 
que 
colocaria 
seu 
pescoo 
em 
risco 
a 
no 
ser 
que 
tivesse 
essa 
segunda 
fonte 
que 
apoia 
as 
acusaes. 
Seguiram 
buscando 
os 
prs 
e 
os 
contras. 
A 
cabea 
de 
Cat 
estava 
a 
ponto 
de 
estalar. 
Aps 
dormir 
s 


#
um 
par 
de 
horas 
a 
noite 
anterior, 
tinha 
tido 
que 
se 
enfrentar 
 
chegada 
inesperada 
de 
Patricia, 
a 
Truitt 
com 
suas 
ms 
notcias, 
 
traio 
de 
Bill, 
e, 
agora, 
isto. 
Sua 
cabea 
no 
dava 
pra 
mais 
nada. 
Jeff, 
estamos 
dando 
voltas 
num 
crculo 
vicioso. 
Perdoa, 
mas 
amanh 
ser 
outro 
dia. 
Talvez 
um 
banho 
quente 
me 
ajude 
a 
dormir. 
Se 
quiser 
ficarei 
contigo. 
Obrigado, 
mas 
j 
tenho 
algum 
que 
me 
faz 
companhia 
ao 
final 
da 
rua. 
Diante 
da 
porta, 
Jeff 
abraou-a. 
Rogo-te 
que 
reconsideres 
tua 
renncia. 
J 
est 
apresentada. 
Mas 
Webster 
tinha 
sado 
quando 
a 
levou. 
No 
 
oficial 
at 
que 
a 
firme. 
Espera 
a 
ver 
os 
efeitos 
do 
artigo 
de 
Truitt. 
Talvez 
no 
sejam 
os 
que 
esperamos. 
Cat, 
no 
pode 
ir; 
voc 
 
o 
programa.
 
o 
que 
diziam 
todos 
quando 
eu 
era 
Laura 
Madison. 
A 
personagem 
j 
no 
existe, 
mas 
a 
telenovela 
est 
a 
a 
cada 
dia 
s 
doze. 
Isto 
 
diferente. 
Os 
Meninos 
de 
Cat 
 
tua 
misso 
na 
vida, 
importa-te 
muito. 
E 
tambm 
a 
todos 
ns. 
Cat 
quis 
aliviar 
a 
presso 
com 
uma 
piada. 
Doyle, 
no 
me 
engana: 
s 
tenta 
conservar 
teu 
emprego. 
Olhou-o 
enquanto 
entrava 
no 
carro 
e, 
a 
seguir, 
comprovou 
que 
o 
carro 
de 
policia 
sem 
identificao 
seguia 
ali. 
Ao 
princpio 
tinha-se 
oposto 
a 
ter 
algum 
que 
vigiasse 
a 
casa, 
mas 
agora 
tranqilizava 
saber 
que 
dispunha 
de 
ajuda 
ali 
mesmo. 
Cyclops 
podia 
voltar, 
ainda 
estava 
vido 
de 
sangue, 
mas 
estava 
convencida 
de 
que 
o 
desgraado 
no 
sabia 
nada 
da 
histria 
que 
tinham 
explicado 
a 
Truitt. 
O 
estilo 
de 
Cyclops 
era 
o 
ataque 
direto, 
talvez 
com 
uma 
navalha, 
mas 
no 
os 
subterfugios. 
Se 
ele 
no 
tinha 
telefonado 
a 
Truitt, 
quem 
o 
teria 
feito? 
E 
como 
sabia 
que 
o 
nome 
de 
seu 
inimigo 
era 
Cyclops? 
Quem 
era 
a 
segunda 
fonte 
de 
Truitt? 
Cat, 
buscando 
respostas, 
submergiu-se 
no 
banho 
de 
borbulhas. 



Captulo 
quarenta 
e 
oito 


Seu 
rosto 
contraa-se 
enquanto 
aumentava 
o 
ritmo 
e 
o 
sangue 
fervia 
nas 
veias. 
Tinha 
a 
frente 
banhada 
em 
suor 
e 
algumas 
gotas 
caam 
em 
seus 
olhos 
e 
lhe 
escorriam. 
Mexia-se 
como 
se 
corresse 
colina 
acima, 
esforando 
at 
o 
limite 
de 
suas 
foras, 
buscando 
um 
meio 
de 
esquecer 
seu 
sentido 
de 
culpa 
e 
absoluta 
por 
seus 
pecados. 
No 
se 
enganava 
pensando 
que 
isto 
era 
fazer 
o 
amor: 
sabia 
que 
era 
se 
autoflagelar. 
Aproveitava 
com 
todo 
cinismo 
da 
sensualidadee 
desta 
mulher 
que 
nunca 
dizia 
que 
no. 
Cedia 
a 
seus 
desejos 
sem 
uma 
palavra 
de 
afeto 
nem 
uma 
caricia 
terna, 
e 
jamais 
se 
queixava. 
Obedecia 
as 
suas 


#
ordens 
e 
quanto 
mais 
pedia 
mais 
ela 
dava. 
Sua 
submisso 
tambm 
no 
estava 
baseada 
no 
amor; 
e 
tambm 
no 
era 
desinteresada. 
Tinha 
motivos 
egostas 
para 
mant-lo 
contente 
e 
para 
que 
seguisse 
sendo 
seu 
amante. 
Os 
dois 
obtinham 
de 
sua 
relao 
sexual 
o 
que 
queriam. 
Imperava 
sempre 
entre 
eles 
o 
sexo 
lascivo 
e 
sujo: 
quanto 
mais 
degenerado, 
melhor. 
J 
que 
era 
uma 
relao 
ilcita, 
no 
perdiam 
nada 
ao 
satisfazer 
seus 
instintos 
primitivos 
e 
solta 
a 
imaginao 
a 
qualquer 
fantasa. 
Alongou 
as 
mos 
e 
agarrou 
ambos 
os 
seios. 
Seu 
ventre 
tinha 
deixado 
manchas 
de 
suor 
nas 
ndegas. 
A 
ela 
no 
gostava 
dessa 
postura, 
mas 
seu 
erotismo 
a 
dominava 
e 
levantou 
o 
lombo 
como 
se 
fosse 
um 
gato, 
propriedadendo 
as 
unhas 
no 
lenol. 
Amaldioou-o 
inclusive 
Quando 
comeou 
a 
ter 
convulses 
perto 
do 
clmax, 
quando 
ele 
j 
ejaculaba. 
A 
mulher 
deixou-se 
cair 
o 
rosto 
e 
ele 
se 
derrubou 
em 
cima 
dela. 
Depois 
de 
uns 
momentos 
disse 
ela 
entre 
dentes: 
Aparta-te, 
ests-me 
apertando. 
Tendeu-se 
de 
costas 
abrindo 
os 
braos, 
Ofegante 
ainda. 
Ela 
avanou 
a 
quatro 
patas 
at 
os 
ps 
da 
cama, 
se 
levantou 
e 
ps 
um 
vestido. 
Fiz-te 
dano? 
Faz 
parte 
do 
jogo, 
no? 
Sei 
que 
preferes 
no 
fazer 
dessa 
forma. 
Seguro 
que 
s 
mulheres 
das 
cavernas 
devia 
de 
parecer 
muito 
romntico. 
Esperava 
encontrar 
sarcasmo 
em 
sua 
expresso, 
mas 
estava 
seria. 
Rara 
vez 
o 
recriminava. 
Soou 
a 
campainha 
e 
os 
surpreendendo. 
Ele 
se 
levantou 
sobre 
os 
cotovelos. 
Quem 
pode 
ser? 
Nem 
ideia. 
No 
faas 
caso. 
Poderia 
ser 
meu 
irmo 
pequeno 
buscando 
um 
lugar 
onde 
passar 
a 
noite. 
Estando 
eu 
aqui? 
perguntou 
alarmado. 
A 
ideia 
de 
que 
alguem 
pudesse 
o 
encontrar 
no 
apartamento 
dela 
o 
punha 
nervoso. 
Tranqilo; 
ele 
no 
faz 
perguntas. 
O 
que 
eu 
fao 
 
assunto 
meu. 
Se 
anud 
o 
cinto 
de 
vestido, 
baixou 
a 
escada 
e 
abriu 
a 
porta. 
Que 
diabos 
faz 
voc 
aqui? 
ouviu 
que 
exclamava. 
Ol, 
Melia, 
posso 
passar? 
Que 
quer? 
perguntou 
Melia 
sem 
a 
menor 
cortesa. 
O 
homem 
esfregou 
a 
cara. 
O 
suor 
estava 
esfriando 
em 
seu 
corpo 
produziu 
um 
estremecimiento. 
Temos 
que 
esclarecer 
algumas 
coisas. 
Posso 
passar? 
Ouviu 
que 
a 
porta 
se 
fechava 
e 
imaginou 
s 
duas 
mulheres 
cara 
a 
cara. 
J 
est 
voc 
dentro. 
E 
agora 
que? 
Foi 
voc,no 
 
verdade? 
Voc 
 
a 
pessoa 
que 
esteve 
jogando 
sujo. 
No 
sei 
de 
que 
est 
falando 
 disse 
Melia 
 Apresenta-se 
aqui 
em 
plena 
noite, 
sem 
que 
ningum 
a 
tenha 
convidado 
e 
dizendo 
tolices. 
Jesus! 
Deve 
de 
estar 
paranoica; 
acho 
que 
voc 
precisa 
de 
um 
psiquiatra. 


#
Cat 
no 
se 
amilan. 
A 
pista 
esteve 
sempre 
diante 
de 
meus 
narizes, 
ainda 
que 
no 
a 
via. 
Mas 
esta 
noite, 
enquanto 
estava 
tomando 
um 
banho, 
veio-me 
 
cabea 
teu 
apelido: 
King. 
Sei 
muito 
bem 
como 
me 
chamo 
 
contou 
Melia 
em 
tom 
brincalho. 
Mas 
no 
 
o 
apelido 
de 
nascimento. 
O 
de 
nascimento 
 
Reyes, 
mas 
mudaste-o 
por 
King, 
que 
em 
ingls 
significa 
o 
mesmo. 
Ah, 
sim? 
Aposto 
a 
que 
sim. 
E 
tens 
um 
parente 
chamado 
Paul 
Reyes. 
Como? 
Paul 
Reyes.
 
possvel. 
No 
conheo 
todos 
os 
ramos 
da 
minha 
rvore 
genealgica. 
Deste 
ramo 
sim 
te 
lembrars. 
Apareceu 
nos 
jornais 
depois 
de 
ter 
matado 
a 
sua 
mulher 
com 
um 
taco 
de 
beisebol. 
Foi 
julgado, 
mas 
saiu 
absolvido. 
Oua, 
no 
tenho 
nem 
a 
mais 
remota 
ideia 
do 
que 
me 
est 
dizendo. 
No 
conheo 
a 
ningum 
chamado 
Reyes. 
Por 
que 
no 
se 
longa 
e 
me 
deixa 
em 
paz? 
Cat 
no 
estava 
disposta 
a 
abandonar. 
Paul 
Reyes 
doou 
o 
corao 
de 
sua 
mulher 
para 
transplante. 
Eu 
que 
me 
importo? 
Parece-me 
que 
muito. 
E 
a 
ele 
tambm; 
tanto 
que 
quer 
parar 
o 
corao 
de 
sua 
mulher 
infiel. 
Como 
funciona? 
Vejamos. 
Tu 
localizas 
aos 
transplantados 
e 
ele 
os 
mata, 
no 
 
assim? 
Mas, 
que...? 
Claro 
que 
s 
tu! 
Tinhas 
acesso 
a 
qualquer 
coisa 
de 
meu 
escritrio, 
estavas 
inteirada 
de 
todos 
os 
telefonemas, 
o 
sabias 
tudo 
sobre 
minha 
vida. 
O 
nico 
que 
sei 
 
que 
 
voc 
um 
caso 
clnico! 
gritou 
Melia. 
Todo 
o 
pessoal 
da 
emissora 
estava 
convidado 
para 
o 
churrasco, 
e 
ali 
me 
viu 
com 
Michael. 
Hoje 
ouviu 
falar 
de 
meu 
incidente 
com 
Cyclops. 
Sabia 
que 
Truitt 
no 
 
um 
admirador 
meu 
nem 
do 
programa, 
e 
que 
encantaria 
saber 
qualquer 
coisa 
que 
me 
prejudicasse. 
De 
modo 
que 
fez 
algum 
o 
chamar, 
 
provvel 
que 
os 
mesmo 
Reyes, 
que 
se 
identificasse 
como 
Cyclops 
e 
que 
explicara 
essa 
histria 
descabelada. 
Depois, 
quando 
Truitt 
comeou 
a 
pesquisar 
as 
acusaes, 
estava 
mais 
que 
disposta 
a 
corroborar. 
No 
podia 
ter 
nada 
pior. 
Um 
programa 
destinado 
a 
ajudar 
aos 
meninos 
, 
Na 
verdade, 
uma 
tampa 
para 
abusos 
sexuais. 
Tem 
voc 
uma 
imaginao 
incrvel. 
No 
foi 
imaginao 
que 
me 
casse 
um 
foco 
em 
cima. 
No 
tive 
nada 
que 
ver 
com 
isso! 
No 
so 
imaginaes 
que 
atirassem 
meus 
medicamentos 
ao 
cubo 
do 
lixo. 
Estava 
farta 
de 
voc. 
Por 
qu? 
Por 
ser 
to 
quejica! 
Ou 
por 
levar 
um 
corao 
que 
tu 
e 
tua 
famlia 
quereis 
que 
deixasse 
de 
bater. 
J 
lho 
disse; 
nem 
sequer 
conheo 
a 
ningum 
chamado 
Reyes. 
Judy 
Reyes 
era 
uma 
esposa 
infiel 
e 
toda 
a 
famlia 
estava 
ofendida. 
Ofereceste-te 
como 
vingadora. 


#
No 
posso 
crer 
o 
que 
estou 
ouvindo! 
Eu 
sim. 
Quando 
tive 
a 
pista 
sobre 
teu 
apelido, 
todos 
os 
demais 
tm 
encaixado. 
Tens-me 
estado 
hostigando. 
O 
foco, 
os 
recortes 
cartas 
annimas, 
o 
conto 
que 
lhe 
explicaram 
a 
Truitt; 
tudo 
estava 
planejado 
para 
me 
debilitar. 
Para 
que 
me 
derrubasse 
e 
fosse 
mais 
vulnervel. 
Depois, 
quando 
aparecesse 
morta, 
talvez 
um 
suicdio?, 
depois 
diriam 
que 
j 
fazia 
tempo 
que 
me 
comportava 
de 
uma 
forma 
estranha 
e 
que 
estava 
 
beira 
da 
loucura. 
Dime, 
Melia, 
como 
planejaram 
me 
matar 
tu 
e 
Paul 
Reyes? 
Atropelando-me 
no 
meio 
da 
rua 
e 
que 
parecesse 
um 
acidente? 
Enchendo-me 
de 
plulas 
para 
que 
eu 
me 
dar 
conta 
morreria 
de 
overdose? 
Outro 
acidente 
no 
estdio? 
Basta 
j! 
No 
sei 
nada 
de 
tudo 
isto. 
E 
tanto 
que 
sim. 
Sei 
que 
tem 
recebido 
correio 
annimo, 
mas 
no 
o 
enviei 
eu. 
Nem 
manipulei 
o 
foco 
para 
que 
casse. 
V-me 
escondida 
ali 
acima 
com 
uma 
chave 
de 
fenda? 
Volte 
 
realidade. 
Isto 
 
real. 
Comeou 
a 
trabalhar 
na 
WWSA 
pouco 
depois 
de 
eu 
anunciei 
que 
me 
mudaria 
para 
c. 
Voc 
moveu 
os 
fios 
para 
que 
te 
contratassem. 
E 
odia-me 
desde 
o 
mesmo 
momento 
em 
que 
me 
viste. 
No 
o 
nego. 
Mas 
no 
tem 
nada 
que 
ver 
com 
seu 
corao. 
Pois 
com 
que? 
Pensava 
que 
eu 
tinha 
alguma 
taxa 
de 
juro 
sentimental 
por 
ti. 
Bill 
Webster 
observava-as 
do 
alto 
da 
escada 
quando 
Cat 
levantou 
a 
cabea. 
Ao 
v-lo, 
mudou 
o 
semblante 
e 
seus 
olhos 
azuis 
no 
saram 
dele 
enquanto 
descia. 
Tinha 
posto 
os 
calas 
e 
a 
camisa, 
mas 
ia 
descalo. 
Sabia 
que 
era 
evidente 
que 
acabava 
de 
levantar 
da 
cama 
de 
Melia 
e 
que 
no 
tinha 
nem 
a 
menor 
possibilidade 
de 
autodefesa. 
Balbucear 
desculpas 
ou 
neg-lo 
custaria 
os 
ltimos 
fios 
de 
dignidade 
que 
ficaram. 
S 
puder 
chegar 
a 
uma 
concluso 
lgica 
do 
que 
v, 
Cat. 
Nesta 
ocasio, 
as 
aparncias 
no 
enganam. 
So 
exatamente 
o 
que 
parecem. 
Chegou 
ao 
bar. 
Preciso 
um 
copo. 
E 
vocs? 
Serviu-se 
um 
escocs 
no 
seco 
e 
bebeu-o 
de 
um 
gole. 
Melia 
acomodou-se 
em 
um 
extremo 
do 
sof 
e 
dedicou-se 
a 
olhar 
as 
unhas, 
feitas. 
Dava 
a 
impresso 
de 
que 
Cat 
tinha 
jogado 
razes 
no 
centro 
da 
sala. 
Repreend 
a 
Melia 
pelo 
que 
fez 
com 
teus 
remdios. 
Foi 
uma 
manobra 
estpida 
e 
infantil 
e 
adverti-lhe 
que 
no 
voltasse 
nunca 
mais 
a 
fazer 
nada 
semelhante. 
Jogou-me 
uma 
bronca 
 disse 
Melia 
mal 
humorada. 
A 
acusao 
nos 
olhos 
de 
Cat 
era 
sofocante, 
mas 
se 
prps 
no 
piscar. 
Lamento 
que 
te 
tenhas 
inteirado 
disto 
 disse 
 Mas 
fez 
uma 
acusao 
falsa 
contra 
Melia 
e 
vi-me 
obrigado 
a 
sair 
em 
sua 
defesa. 
Cat, 
por 
fim, 
falou. 
Isto 
 
incrvel. 
E, 
no 
entanto, 
explica 
muitas 
coisas. 
Como 
por 
que 
a 
readmitiste 
aps 
que 
eu 
a 
despedisse. 
Suspirou 
asqueada; 
uma 
reao 
que 
a 
ele 
no 
surpreendeu. 
Sabes 
que 
Nancy 
pensa 
que 
tem 
uma 
aventura 
comigo? 
disse 
Cat. 


#
No 
o 
falmos 
 
mentiu 
ele. 
Por 
que 
vocer 
se 
deita 
com 
ela 
se 
est 
casado 
com 
uma 
mulher 
maravilhosa? 
Se 
 
to 
maravilhosa, 
que 
faz 
ele 
em 
minha 
cama? 
perguntou 
Melia 
 
O 
direi: 
porque 
aqui 
fode 
como 
gosta. 
Melia, 
faz 
favor, 
deixa 
a 
mim. 
Cat, 
isto 
 
assunto 
meu. 
Deixou 
claro 
em 
diversas 
ocasies 
que 
no 
querias 
que 
me 
intrometesse 
em 
tua 
vida 
privada. 
Mereo 
a 
mesma 
cortesa. 
De 
acordo. 
Mas 
acho 
que 
tua 
fulana 
 
quem 
tem-me 
estado 
acossando. 
Equivocas-te. 
No 
tive 
tempo 
de 
comprovar 
seu 
expediente 
para 
saber 
onde 
esteve 
e 
da 
tem 
feito 
durante 
os 
ltimos 
anos, 
mas 
tenho 
a 
inteno 
do 
fazer. 
E 
se 
descubro 
que 
esteve 
cerca 
desses 
trs 
transplantados 
que 
morreram 
o 
notificarei 
ao 
Departamento 
de 
Justia. 
Tenho 
vivido 
toda 
minha 
vida 
em 
Texas 
 disse 
Melia. 
E, 
para 
sua 
informao, 
o 
nome 
de 
meu 
pai 
 
King. 
S 
tenho 
uma 
quarta 
parte 
de 
sangue 
hispana; 
de 
modo 
que 
isto 
manda 
sua 
teoria 
ao 
carajo. 
Alm 
do 
mais, 
noa 
me 
importo 
de 
quem 
seja 
seu 
corao. 
O 
nico 
que 
eu 
queria 
 
que 
no 
se 
achasse 
que 
aterrissando 
aqui 
ia 
levar 
Bill. 
No 
te 
pertence. 
Melia 
sorriu 
com 
desdem. 
No? 
Teria 
que 
ter 
visto 
faz 
cinco 
minutos. 
Tinha-o 
de 
joelhos. 
Bill 
sentiu 
ardor 
no 
rosto. 
Ao 
princpio, 
quando 
chegaste, 
Melia 
estava 
zelosa 
porque 
pensava 
que 
eu 
a 
ia 
troc-la 
por 
ti. 
Assegurei 
que 
no 
era 
essa 
a 
natureza 
de 
nossa 
relao. 
Cat 
olhou 
a 
Melia, 
que 
se 
peinaba 
com 
os 
dedos. 
No 
acho 
que 
seja 
to 
inocente. 
No 
mnimo, 
corroborou 
essa 
ridcula 
histria 
sobre 
abusos 
a 
menores, 
no 
 
verdade? 
Os 
olhos 
escuros 
piscaram. 
Bill 
chegou 
mais 
a 
ela. 
Melia, 
fez 
isso? 
Sua 
expresso 
era 
de 
culpa. 
Bill 
parecia 
sentir 
um 
imenso 
desejo 
de 
esbofete-la. 
Melia, 
contesta-me! 
Levantou-se 
do 
sof. 
Hoje 
ele 
homem 
me 
ligou? 
Repetiu-me 
o 
que 
um 
motorista 
chamado 
Cyclops 
disse 
por 
telefone 
e 
me 
perguntou 
se 
eu 
sabia 
algo. 
Falei 
que 
a 
tinha 
visto 
com 
esse 
menino 
no 
churrasco 
e 
que 
no 
havia 
se 
separado 
dele. 
Ento 
Truitt 
perguntou-me 
se 
ela 
havia 
tido 
a 
oportunidade 
de 
estar 
a 
ss 
com 
o 
menino. 
Contei 
que 
sim 
e 
que 
tinha 
visto 
com 
meus 
prprios 
olhos 
como 
entrava 
com 
ele 
na 
casa 
quando 
dentro 
no 
tinha 
ningum 
mais. 
Depois 
me 
perguntou 
se 
isto 
podia 
estar 
relacionado 
com 
o 
outro 
incidente, 
o 
do 
casal 
que 
voltou 
atrs 
na 
adoo. 
Podia 
essa 
menina 
ser 
outra 
das 
vtimas 
de 
Cat? 
Disse 
que 
era 
melhor 
no 
o 
mencionar, 
j 
que 
eu 
estava 
na 
equipe 
do 
programa 
quando 
ocorreu 
e 
no 
queria 
me 
ver 
incriminada 
com 
ela. 
Deus 
meu 
 murmurou 
Cat 
com 
uma 
mistura 
de 
asco 
e 
surpresa. 
Ento 
se 
dirigiu 
ao 
Bill: 
Ser 
melhor 
que 
a 
tenhas 
contente. 
Se 
alguma 
vez 
voc 
rompesr 
esta 
srdida 
relao, 
s 
Deus 


#
sabe 
os 
estragos 
que 
ela 
provocar 
em 
tua 
vida. 
E 
no 
ser 
por 
no 
t-la 
merecido. 
Sua 
ira 
ia 
aumentando. 
Seus 
cimes 
infundados 
estiveram 
a 
ponto 
de 
afundar 
o 
programa. 
Teria 
destrudo 
tudo 
o 
que 
tnhamos 
conseguido. 
Sua 
mentira 
pode 
afetar 
as 
vidas 
de 
dzias 
de 
meninos. 
E 
priv-los 
de 
um 
futuro, 
e 
tudo 
por 
essa... 
Vale 
a 
pena, 
Bill? 
No 
permito 
que 
faa 
julgamentos 
sobre 
Melia 
e 
sobre 
mim, 
Cat 
 disse 
em 
uma 
dbil 
tentativa 
de 
se 
defender 
 De 
todas 
as 
formas, 
lamento 
que 
hoje 
te 
tenham 
causado 
problemas. 
Problemas? 
repetiu 
sublinhando 
o 
absurdo 
da 
palavra 
 
E 
lament-lo 
no 
 
suficiente. 
No 
vai 
arranjar 
isto 
como 
uma 
desculpa. 
Levantou 
o 
telefone 
da 
mesinha 
e 
alongou-lho. 
Acredito 
que 
conhece 
o 
diretor 
do 
Light. 
Chama-o 
e 
evita 
que 
publiquem 
esse 
artigo.
 
impossvel, 
Cat, 
 
muito 
tarde. 
Seguro 
que 
j 
est 
em 
maquinas. 
Ento 
ser 
melhor 
que 
saia 
correndo 
e 
aperte 
voc 
o 
boto 
para 
as 
parar. 
Se 
publicarem 
a 
matria, 
juro-te 
que 
amanh 
ter 
outro 
artigo 
que 
eclipsar 
o 
meu. 
No 
gostaria 
de 
fazer 
isso 
a 
Nancy, 
mas 
o 
farei 
para 
salvar 
Os 
Meninos 
de 
Cat. 
Conheces-me 
e 
sabes 
que 
no 
 
um 
blefe. 
Olhou 
a 
Melia 
com 
olhos 
cintilantes. 
Tu 
no 
 
mais 
que 
uma 
puta. 
Uma 
puta 
estpida, 
maliciosa 
e 
barata. 
Ento 
se 
virou 
para 
Bill.
E 
voc 
me 
d 
pena. 
 
pattico; 
o 
tpico 
velho 
verde 
que 
tenta 
recuperar 
sua 
juventude 
fazendo 
guarradas. 
Sorriu 
com 
desdem 
e 
caminhou 
para 
a 
porta. 
Aconselho-te 
que 
faas 
esse 
telefonema 
antes 
que 
seja 
tarde 
demais. 



Captulo 
quarenta 
e 
nove 


Faltava 
quase 
uma 
hora 
para 
que 
amanhecesse 
quando 
Cat 
voltou 
a 
casa. 
Ao 
sair 
do 
apartamento 
de 
Melia 
estava 
muito 
nervosa 
para 
dormir, 
mas 
j 
tinham 
passado 
horas 
e 
tinha 
a 
sensao 
de 
que 
poderia 
dormir 
durante 
todo 
um 
ms. 
Tirou 
os 
sapatos, 
Tirou 
as 
mangas 
blusa 
dos 
jeans 
e 
dirigiu-se 
ao 
dormitrio. 
De 
onde 
vens 
a 
estas 
horas? 
A 
voz 
chegou-lhe 
da 
escurido 
do 
salo. 
Maldito 
seja, 
Alex! 
Levo 
meia 
noite 
te 
esperando. 
Alex 
acendeu 
o 
abajur 
e 
piscou, 
deslumbrado 
pela 
luz 
repentina. 
Estava 
jogado 
em 
uma 
cadeira, 
mas 
levantou-se. 
Que 
esteve 
fazendo? 
dirigindo. 


#
Dirigindo? 
San 
Antonio 
no 
tem 
praia. 
Busquei 
uma. 


 
E 
isso 
tem 
algum 
sentido? 
Para 
ti 
no, 
para 
mim 
sim. 
Que 
fazes 
em 
minha 
casa? 
No 
vi 
seu 
carro 
l 
fora. 
E 
como 
entrou? 
Deixei-o 
na 
outra 
rua, 
vim 
pelos 
ptios 
traseiros 
e 
entrei 
pela 
janela 
da 
cozinha 
foi 
fcil, 
igual 
que 
a 
outra 
vez. 
Deveria 
mudar 
esse 
trinco 
de 
brinquedo. 
E 
por 
que 
no 
ligou 
o 
alarme? 
No 
me 
pareceu 
necessrio, 
com 
um 
policial 
vigiando 
a 
casa. 
Esquivar 
foi 
muito 
fcil. 
Qualquer 
pode 
faz-lo. 
Pois 
v 
uma 
vigilncia 
 
murmurou 
ela. 
Por 
que 
no 
te 
seguiu? 
Queria 
faz-lo 
quando 
sa, 
mas 
disse 
que 
ia 
comprar 
po 
e 
leite 
e 
voltava 
em 
seguida. 
Agora 
o 
surpreendi 
bocejando 
e 
suponho 
que 
acordava 
de 
uma 
longa 
siesta. 
J. 
Ests 
bem? 
Ela 
assentiu. 
Pois 
no 
o 
parece. 
Teu 
aspecto 
 
deplorvel. 
At 
onde 
foi 
nessa 
viagem 
que 
tem 
durado 
horas? 
A 
nenhuma 
parte 
e 
a 
todas. 
E 
deixa 
de 
interrogar-me. 
Voc 
 
o 
intruso. 
Tenho 
fome. 
Tinha-se 
desvanecido 
suas 
esperanas 
de 
dormir, 
de 
modo 
que 
decidiu 
apazigu-las 
comendo. 
Desde 
o 
hamburguer 
com 
Jeff 
no 
tinha 
comido 
nada. 
Alex 
a 
seguiu 
 
cozinha. 
Cat 
apanhou 
uma 
caixa 
de 
cereais 
do 
armrio 
e 
encheu 
um 
prato. 
Queres? 
No, 
obrigado. 
Por 
que 
estava 
esperando? 
Falaremos 
disso 
depois. 
Aonde 
foi 
e 
por 
qu? 
O 
Que 
aconteceu 
desde 
que 
sau 
do 
escritrio 
de 
Hunsaker? 
Enquanto 
apanhava 
uma 
colherada 
de 
cereais, 
passas 
e 
amndoas 
fatiadas, 
disse: 
No 
vai 
acreditar. 
Prova. 
Indicou 
que 
se 
sentasse 
e 
ele 
arrastou 
uma 
das 
cadeiras 
da 
cozinha. 
Explicou 
tudo 
o 
referente 
a 
Rum 
Truitt. 
E 
resultou 
que 
no 
era 
Cyclops 
que 
o 
tinha 
chamado. 
Como 
o 
sabe? 
Ontem 
 
noite, 
enquanto 
Jeff 
e 
eu 
estvamos 
aqui 
sentados 
e 
me 
lamentava 
por 
me 
ter 
ficado 
sem 
trabalho, 
chamou 
o 
motorista. 
Est 
furioso 
comigo, 
mas 
assegurou 
que 
no 
sabia 
nada 
da 
noticia 
que 
tinham 
facilitado 
a 
Truitt. 
Podia 
estar 
mentindo. 
Sim, 
mas 
no 
me 
deu 
essa 
impresso. 
Se 
no 
foi 
ele, 
quem 
foi? 
Segue 
sendo 
um 
mistrio. 
Mas 
sei 
quem 
respondeu 
a 
historia. 
Melia 
King. 
J 
sabe 
quem 
; 
esse 
sonho 
mido 
ambulante. 
Para 
Alex 
a 
observao 
no 
fez 
graa. 
Faz 
sentido 
 disse 
ele Desde 
o 
princpio 
vocs 
no 
se 
deram 
bem. 
#
E 
agora 
sei 
o 
por 
que! 
Ela 
se 
deita 
com 
o 
homem 
que 
se 
supe 
ia 
pra 
cama 
comigo. 
Webster! 
No 
pode 
imaginar 
a 
bofetada 
moral 
que 
recebeu 
meu 
ego 
ao 
ver 
que 
prefere 
a 
ela 
 disse 
em 
tom 
custico. 
Contou 
o 
ocorrido 
no 
apartamento 
de 
Melia. 
Alex 
deu 
um 
soco 
sobre 
a 
mesa 
e 
disse: 
Esse 
filho 
de 
puta! 
J 
sabia 
eu 
que 
era 
um 
imbecil. 
No 
disse? 
Sempre 
pensei 
que 
Bill 
 
muito 
astuto, 
sagaz 
inclusive, 
mas 
em 
um 
sentido 
construtivo. 
Agora 
resulta 
que 
 
um 
adltero 
mentiroso 
e 
mesquinho, 
e, 
para 
mim, 
essa 
 
a 
forma 
mais 
rasteira 
de 
viver. 
No 
entendo 
por 
que 
 
um 
mandamento 
to 
difcil 
de 
guardar. 
Se 
quer 
andar 
transando 
por 
a 
no 
se 
case. 
Alex 
fez 
uma 
careta. 
No 
est 
de 
acordo? 
Estou 
de 
acordo 
em 
que 
no 
papel 
parece 
muito 
bonito, 
mas 
quase 
nunca 
 
to 
simples. 
s 
vezes 
h 
circunstncias 
atenuantes. 
Quer 
dizer 
que 
se 
podem 
justificar. 
Mas 
no 
vejo 
como 
Bill 
pode 
justificar 
este 
assunto. 
Estava 
furiosa 
com 
ele, 
mas 
tambm 
sentia 
uma 
estranha 
sensao 
de 
perda. 
Bill 
Webster 
no 
tinha 
que 
prestar 
contas 
do 
que 
fizesse 
em 
sua 
vida 
privada, 
mas 
se 
sentia 
trada 
por 
um 
homem 
ao 
que 
tinha 
admirado 
e 
respeitado. 
A 
traio 
doa-lhe. 
Por 
que 
teria 
que 
pr 
em 
perigo 
seu 
casamento 
com 
uma 
mulher 
to 
encantadora 
como 
Nancy 
por 
essa 
puta 
ressentida? 
Talvez 
Melia 
aceite 
seus 
caprichos. 
Disso 
estou 
segura, 
mas 
o 
que 
para 
valer 
me 
preocupa 
 
que 
Nancy 
pense 
que 
sou 
eu. 
J 
tinha 
terminado 
de 
comer 
os 
cereais 
e 
se 
levantou 
para 
fazer 
caf. 
Queria 
estrangul-lo. 
Estive 
a 
ponto 
de 
acabar 
com 
meu 
programa 
por 
no 
ser 
capaz 
de 
controlar 
seus 
mais 
baixos 
instintos. 
Durante 
nossa 
conversa 
tentou 
manter 
sua 
dignidade, 
mas 
via-se 
que 
estava 
envergonhado. 
Confio 
em 
que 
estivesse 
mortificado 
e 
espero 
que 
suem 
as 
mos 
a 
prxima 
vez 
que 
ele, 
Nancy 
e 
eu 
estejamos 
na 
mesma 
habitao. 
Quer 
caf? 
Sim, 
obrigado. 
Voltou 
 
mesa 
com 
duas 
canecas. 
Ao 
sair 
de 
casa 
de 
Melia 
estava 
muito 
nervosa 
para 
dormir, 
de 
modo 
que 
estive 
dirigindo 
durante 
horas 
tratando 
de 
encontrar 
uma 
explicao. 
Pensa 
que 
Webster 
pode 
evitar 
que 
publique 
 
matria? 
Penso 
que 
far 
o 
possvel, 
mas 
no 
conseguir 
pedir 
uma 
retratao 
e 
exigir 
que 
o 
jornal 
assuma 
toda 
a 
responsabilidade 
pelo 
erro. 
Sorriu 
com 
tristeza. 
Agora 
s 
tenho 
que 
me 
preocupar 
de 
seguir 
vivendo 
depois 
de 
passar 
a 
manh. 
No 
 
para 
fazer 
piada. 
E 
diz 
isso 
a 
mim? 
Tenho 
boas 
notcias. 
Me 
viro 
muito 
bem. 
Esta 
tarde 
chamou-me 
Irene 
Walters. 
Sabe 
quem 
passar 
o 
fim 
de 
semana 
com 
eles? 
Joseph. 


#
 
estupendo! 
Oh, 
espero 
que 
funcione. 
 
um 
garoto 
to 
inteligente 
e 
carinhoso... 
No 
me 
esqueo 
que 
me 
disse 
que 
no 
se 
enfadaria 
comigo 
se 
no 
o 
adotassem. 
Parece-me 
que 
isso 
est 
feito. 
Disseram 
que 
viram 
a 
reportagem 
e 
gostaram 
dele 
no 
mesmo 
instante. 
Tm 
que 
fazer 
o 
curso, 
entretanto 
os 
ir 
visitar. 
Charlie 
quer 
ensinar-lhe 
a 
jogar 
xadrez 
e 
Irene 
j 
tem 
uma 
lista 
de 
seus 
pratos 
favoritos. 
Inclusive 
levou 
Bandit 
 
salo 
para 
que 
cause 
boa 
impresso. 
Ao 
alongar 
a 
mo 
para 
acariciar-lhe 
a 
bochecha, 
Alex 
deu-se 
conta 
que 
chorava.
 
uma 
boa 
notcia. 
Obrigado 
por 
animar-me. 
Secou 
as 
lgrimas 
com 
um 
guardanapo 
de 
papel 
e 
depois 
olhou-a 
aos 
olhos. 
Quem 
chamou 
ao 
jornal, 
Cat? 
No 
o 
sei. 
Eu 
acho 
que 
a 
mesma 
pessoa 
que 
quer 
te 
matar. 
Eu 
tambm. 
E 
segue 
por 
a 
solto, 
jogando 
comigo. 
Mas, 
como 
pode 
saber 
o 
de 
Cyclops?
 
possvel 
que 
tenhas 
o 
telefone 
grampeado, 
ou 
microfones 
ocultos 
fez 
uma 
pausa. 
Ou 
pode 
ser 
algum 
muito 
prximo 
a 
ti, 
algum 
em 
quem 
confias 
e 
de 
quem 
nunca 
suspeitarias. 
O 
caf 
tinha 
lhe 
feito 
mal: 
Alex 
tinha 
chegado 
 
mesma 
concluso 
que 
ela. 
Levantou-se 
inesperadamente. 
Vou 
tomar 
banho. 
Que 
seja 
rpido. 
O 
avio 
sai 
dentro 
de 
duas 
horas. 
O 
avio? 
Por 
isso 
vim. 
Dizer 
que 
localizei 
 
irm 
de 
Paul 
Reyes. 
Vive 
em 
Fort 
Worth 
e 
est 
disposta 
a 
falar 
conosco. 



Captulo 
cinquenta 


Era 
horrio 
de 
pico 
e 
chegaram 
ao 
aeroporto 
no 
tempo 
certo 
de 
subir 
no 
avio. 
Depois 
de 
trs 
quartos 
de 
hora 
desembarcaram 
em 
Love 
Field, 
em 
Dallas, 
onde 
Alex 
alugou 
um 
carro. 
Vo 
ser 
mais 
longos 
estes 
trinta 
e 
cinco 
quilmetros 
at 
Fort 
Worth 
que 
o 
vo 
 disse 
ao 
sair 
do 
aeroporto. 
Sabes 
aonde 
vamos? 
Cat 
contemplava 
a 
cidade 
ao 
longe. 
Nunca 
esteve 
em 
Dallas. 
Oxal 
a 
viagem 
tivesse 
sido 
s 
turstica. 
A 
senhora 
Reyes-Dunne 
deu-me 
umas 
indicaes, 
mas 
de 
todas 
as 
formas 
j 
conheo 
a 
rea. 
Como 
a 
localizaste? 
Uma 
vez 
colaborei 
em 
um 
caso 
com 
a 
policia 
de 
Dallas 
e 
fiquei 
amigo 
de 
um 
dos 
detetives. 
Faz 
em 
alguns 
dias 
chamei-o 
para 
perguntar 
se 
recordava 
o 
caso 
Reyes. 
Contou 
que 
era 
difcil 
de 
esquecer, 
ainda 
mais 
quando 
mudaram 
o 
julgamento 
a 
Houston 
j 
no 
o 
tinha 
seguido 
muito. 


#
Como 
um 
favor, 
pedi 
que 
localizasse 
 
famlia 
de 
Paul 
Reyes 
e 
expliquei 
o 
motivo. 
Destaquei 
que 
no 
era 
um 
assunto 
relacionado 
com 
a 
policia. 
Depois 
de 
um 
par 
de 
dias 
telefonou-me 
para 
informar-me 
que 
tinha 
localizado 
 
irm 
de 
Reyes. 
Disse 
que 
no 
estava 
muito 
disposta, 
de 
modo 
que 
deixou 
que 
ela 
decidisse. 
Deu 
meu 
nmero 
de 
telefone 
quando 
se 
decidisse. 
Aqui 
est 
resultado: 
ontem, 
quando 
voltei 
do 
escritrio 
de 
Hunsaker, 
havia 
deixado 
uma 
mensagem 
na 
secretria 
eletrnica. 
Chamei-a 
e 
aceitou 
uma 
entrevista. 
Deu-te 
alguma 
informao 
por 
telefone? 
No; 
s 
me 
confirmou 
que 
era 
a 
irm 
do 
Paul 
Reyes 
que 
estava 
buscando. 
Todas 
suas 
respostas 
as 
minhas 
perguntas 
eram 
cautelosas, 
mas 
se 
mostrou 
interessada 
ante 
a 
possibilidade 
de 
que 
tivesse 
recebido 
o 
corao 
de 
Judy 
Reyes. 
Seguindo 
tanto 
o 
mapa 
de 
estradas 
como 
seu 
instinto, 
entrou 
no 
labirinto 
de 
estradas 
que 
ligava 
ambas 
as 
cidades. 
Uma 
comunidade 
fundia-se 
com 
outra 
para 
formar 
uma 
interminvel 
expresso 
de 
bairros 
perifricos. 
Alex 
encontrou 
a 
rua 
que 
estavam 
buscando 
em 
uma 
rea 
antiga 
no 
centro 
de 
Fort 
Worth, 
ao 
lado 
de 
Camp 
Bowie 
Boulevard. 
Estacionou 
diante 
da 
casa 
de 
tijolo. 
O 
jardim 
estava 
 
sombra 
de 
um 
sicomoro 
e 
as 
folhas 
cadas 
cruzavam 
embaixo 
de 
seus 
ps 
enquanto 
avanavam 
para 
a 
entrada. 
Uma 
formosa 
mulher 
de 
aspecto 
hispano 
saiu 
a 
receb-los. 
Usava 
um 
uniforme 
de 
enfermeira.
 
voc 
o 
senhor 
Pierce? 
Sim. 
Senhora 
Dunne, 
apresento-lhe 
a 
Cat 
Delaney. 
Encantada. 
A 
mulher 
apertou 
suas 
mos. 
Observou 
com 
ateno 
a 
cara 
de 
Cat. 
Acha 
que 
leva 
o 
corao 
de 
Judy?
 
possvel. 
A 
mulher 
no 
tirava 
a 
vista 
de 
em 
cima. 
De 
repente, 
recordou 
que 
tinha 
que 
fazer 
as 
honras 
e 
mostrou 
as 
cadeiras 
de 
vime 
da 
entrada. 
Se 
preferirem, 
podemos 
entrar. 
No, 
aqui 
est 
bem 
 disse 
Cat 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
se 
sentava. 
Gosto 
de 
estar 
ao 
ar 
livre 
sempre 
que 
posso.
 
voc 
enfermeira? 
Sim, 
do 
John 
Peter 
Smith, 
o 
hospital 
do 
condado, 
e 
meu 
marido 
 
radilogo. 
Agora 
trabalho 
no 
turno 
de 
noite 
e 
tenho 
saudades 
da 
luz 
do 
sol. 
Olhou 
a 
Alex 
e 
disse: 
No 
sei 
exatamente 
por 
que 
quer 
me 
ver. 
Por 
telefone 
no 
me 
deu 
muitas 
explicaes. 
Interessa-nos 
localizar 
seu 
irmo. 
Era 
o 
que 
me 
temia. 
Tem 
feito 
algo 
errado? 
Cat 
olhou 
a 
Alex 
para 
saber 
se 
tinha 
dado 
importncia 
s 
duas 
inocentes 
frases. 
Era 
evidente 
que 
sim. 
Tem 
tido 
problemas 
desde 
que 
foi 
absolvido 
do 
assassinato 
de 
sua 
mulher? 
A 
senhora 
Dunne 
respondeu 
 
pergunta 
de 
Cat 
com 
outra: 
Pra 
que 
querem 
o 
ver? 
No 
direi 
nada 
at 
saber 
que 
os 
trouxe 
aqui. 
De 
um 
envelope 
marrom, 
Alex 
Tirou 
recortes 
de 
jornal 
e 
os 
mostrou. 


#
Tinha 
visto 
antes 
estas 
resenhas? 


Enquanto 
lia 
recortes, 
era 
a 
cada 
vez 
mais 
evidente 
que 
a 
inquietavam. 
Ao 
outro 
lado 
dos 
culos, 
seus 
olhos 
demonstravam 
apreenso. 
Que 
tm 
que 
ver 
com 
Paul?
 
possvel 
que 
no 
seja 
nada 
 
disse 
Cat Mas 
faa 
o 
favor 
de 
fixar 
nas 
datas. 
 
amanh. 

o 
dia 
em 
que 
essas 
mortes, 
se 
supem 
que 
sem 
nenhuma 
relao 
entre 
si, 
ocorreram. 
 
tambm 
o 
aniversrio 
do 
assassinato 
de 
sua 
cunhada 
e 
de 
meu 
transplante. 
Ns, 
o 
senhor 
Pierce 
e 
eu, 
no 
achamos 
que 
os 
trs 
depois 
transplantados 
morressem 
acidentalmente. 
Pensamos 
que 
puderam 
ser 
assassinados 
por 
um 
membro 
da 
famlia 
de 
um 
doador 
que 
quer 
parar 
o 
corao 
na 
data 
em 
que 
se 
terminou. 
A 
senhora 
Dunne 
Tirou 
do 
bolso 
um 
leno 
de 
papel 
e 
secou 
as 
lgrimas. 
Meu 
irmo 
adorava 
a 
Judy. 
O 
que 
fez 
foi 
horrvel 
e 
no 
o 
perdoo. 
Deixou-se 
levar 
por 
um 
ataque 
de 
cime... 
A 
queria 
tanto 
que 
quando 
a 
viu 
com 
outro 
homem... 
Fez 
uma 
pausa 
para 
assoar 
o 
nariz. 
Judy 
era 
preciosa. 
Tinha 
sido 
o 
amor 
de 
sua 
vida 
desde 
a 
infncia. 
Era 
inteligente, 
bem 
mais 
que 
Paul; 
por 
isso 
a 
tinha 
em 
um 
pedestal. 
Um 
pedestal 
pode 
ser 
um 
lugar 
muito 
solitrio 
 sublinhou 
Cat. 
Sim, 
tem 
voc 
razo 
 
assentiu 
a 
enfermeira No 
justifico 
o 
adultrio 
de 
Judy, 
mas 
posso 
o 
entender. 
Era 
uma 
mulher 
decente 
e 
muito 
religiosa. 
Ao 
se 
apaixonar 
por 
outro 
homem 
deve 
ter 
sido 
um 
tremendo 
conflito 
pessoal. 
Estou 
segura 
de 
que 
se 
pudssemos 
o 
perguntar 
diria 
que 
a 
ao 
de 
Paul 
estava 
justificada 
e 
que 
o 
tinha 
perdoado. 
Mas 
duvido 
que 
perdoasse 
a 
si 
mesma 
por 
todo 
o 
dano 
que 
causou 
a 
ele 
e 
a 
suas 
filhas. 
Tossiu. 
E 
creio 
tambm 
que 
Judy 
ainda 
seguiria 
amando 
a 
esse 
homem. 
No 
era 
uma 
simples 
aventura: 
queria-o 
o 
suficiente 
como 
para 
morrer 
por 
ele. 
Cat 
recordou 
que 
Jeff 
tinha 
perguntado 
pelo 
amante 
e 
isso 
tinha 
acordado 
seu 
interesse. 
Que 
foi 
dele? 
Oxal 
soubesse-o 
 
a 
voz 
da 
senhora 
Dunne 
encheu-se 
de 
antipata O 
muito 
covarde 
fugiu. 
Nunca 
deu 
a 
cara. 
Nem 
Paul 
nem 
nenhum 
de 
ns 
soubemos 
nem 
sequer 
seu 
nome. 
Cat 
acariciou 
sua 
mo. 
Senhora 
Dunne, 
sabe 
onde 
est 
seu 
irmo? 
Dividiu 
entre 
ambos 
um 
olhar 
receiosa. 
Sim. 
Poder 
conseguir 
que 
falssemos 
com 
ele? 
Nenhuma 
resposta. 
Alex 
inclinou-se 
para 
ela. 
Existe 
uma 
remota 
possibilidade 
de 
que 
ele 
enviasse 
 
senhorita 
Delaney 
os 
recortes 
e 
o 
falso 
obiturio 
como 
uma 
specie 
de 
aviso? 
Sei 
que 
no 
quer 
acusar 
seu 
irmo, 
mas 
existe 
algum 
ligeiro 


#
indcio 
de 
que 
ele 
cometesse 
os 
trs 
assassinatos 
para 
parar 
o 
corao 
de 
Judy? 
No! 
Paul 
no 
 
um 
homem 
violento. 
Ao 
dar-se 
conta 
do 
absurdo 
dessa 
afirmao 
tendo 
em 
conta 
o 
crime 
que 
tinha 
cometido, 
retificou: 
S 
aquela 
vez. 
O 
engano 
de 
Judy 
voltou-o 
louco. 
Caso 
contrrio, 
nunca 
teria 
posto 
a 
mo 
em 
cima. 
Quem 
pediu 
que 
doasse 
seu 
corao 
para 
um 
transplante? 
perguntou 
Cat. 
Eu. 
A 
alguns 
membros 
da 
famlia 
no 
gostaram 
nada. 
Paul... 
Que 
disse? 
Que 
pelo 
que 
ela 
tinha 
feito 
merecia 
que 
tirassem 
seu 
corao. 
Alex 
olhou 
a 
Cat 
com 
toda 
inteno. 
E 
agora 
no 
pode 
suportar 
que 
seu 
corao 
infiel 
siga 
batendo. 
Meu 
irmo 
no 
persegue 
 
senhorita 
Delaney. 
Disso 
estou 
segura. 
No 
castigaria 
a 
outra 
pessoa 
pelos 
pecados 
de 
Judy 
e 
seu 
amante. 
Ps-se 
em 
p. 
Me 
desculpe, 
mas 
tenho 
que 
ir 
trabalhar. 
Cat 
levantou-se 
e 
apanhou-lhe 
a 
mo. 
Faz 
favor: 
se 
sabe 
onde 
est 
seu 
irmo, 
me 
diga. 
Desapareceu 
do 
mapa 
aps 
o 
julgamento 
em 
Houston. 
Por 
que 
foi 
absolvido? 
a 
instado 
Alex. 
Pelo 
bem 
das 
meninas. 
Suas 
filhas. 
No 
queria 
que 
se 
envergonhassem 
dele 
 Girou 
a 
cabea 
em 
direo 
a 
uma 
janela 
aberta 
 
Vivem 
comigo 
e 
meu 
marido. 
Temos 
custodia-a 
legal. 
Vem 
Paul 
a 
v-las? 
s 
vezes. 
De 
que 
vive? 
Pde 
ter 
viajado 
a 
essas 
outras 
partes 
do 
pas? 
Tem 
tido 
temporadas 
em 
que 
voc 
no 
soubesse 
onde 
stava? 
Se 
sabe 
algo, 
o 
diga, 
faz 
favor. 
Poderia 
salvar 
vidas. 
A 
minha 
e 
a 
dele. 
Eu 
te 
imploro. 
A 
senhora 
Dunne 
voltou 
a 
sentar-se, 
abaixou 
a 
cabea 
e 
comeou 
a 
chorar. 
Meu 
irmo 
tem 
sofrido 
muito. 
Quando 
matou 
a 
Judy, 
e 
assim 
foi 
ainda 
que 
o 
jri 
o 
absolvesse, 
tambm 
matou 
a 
si 
mesmo. 
Ainda 
est 
muito 
trastornado, 
mas 
vocs 
esto 
insinuando 
que 
 
capaz 
de 
fazer 
algo 
to 
horrvel... 
Esteve 
recentemente 
em 
San 
Antonio? 
Encolheu 
de 
ombros 
com 
tristeza. 
No 
sei. 
Suponho 
que 
 
possvel. 
Cat 
e 
Alex 
olharam-se 
excitados. 
Mas 
faz 
pouco 
veio 
aqui 
 
acrescentou. 
Est 
aqui? 
Na 
casa? 
No. 
Est 
em 
Fort 
Worth. 
Poderamos 
v-lo? 
Faz 
favor, 
no 
me 
pea 
isso. 
Deixem-no 
em 
paz. 
A 
cada 
dia, 
durante 
o 
resto 
de 
sua 
vida, 
ter 
que 
viver 
com 
o 
remorso 
pelo 
que 
fez. 
E 
se 
faz 
algum 
dano 
 
senhorita 
Delaney? 
Seria 
voc 
capaz 
de 
viver 
com 
esse 
remorso? 
No 
lhe 
far 
dano. 


#
Como 
o 
sabe? 
Sei-o. 
Tirou-se 
as 
culos 
e 
secou 
os 
olhos. 
A 
seguir, 
com 
andar 
muito 
dignos, 
voltou 
a 
pr-se 
as 
culos 
e 
levantou-se. 
Se 
tanto 
insistem, 
vingam 
comigo. 


Inclusive 
visto 
de 
fora, 
o 
edifcio 
no 
parecia 
nada 
bom. 
As 
maiorias 
das 
janelas 
tinham 
proteo. 
Tiveram 
que 
passar 
uma 
srie 
de 
controles 
antes 
de 
entrar 
no 
pavilho. 
No 
me 
parece 
uma 
boa 
ideia 
 disse 
o 
psiquiatra. 
Tinham 
explicado 
a 
situao 
e 
pediam 
permisso 
para 
falar 
com 
Paul 
Reyes. 
No 
tive 
tempo 
de 
terminar 
meu 
diagnstico 
e 
o 
bem-estar 
de 
meu 
paciente 
vem 
primeiro. 
Seu 
paciente 
pode 
estar 
implicado 
em 
trs 
assassinatos 
 
declarou 
Alex. 
Se 
est 
encerrado 
aqui, 
no 
pode 
fazer 
nada 
 
senhorita 
Delaney. 
E, 
depois, 
no 
amanh. 
Precisamos 
saber 
se 
Reyes 
 
a 
pessoa 
que 
a 
esteve 
incomodando. 
Ou 
descart-lo 
como 
suspeito. 
Exato. 
Voc 
j 
no 
 
policial, 
no 
 
verdade, 
senhor 
Perce? 
Que 
jurisdio 
tem? 
Absolutamente 
nenhuma. 
S 
queremos 
fazer 
umas 
perguntas 
 
disse 
Cat 
 
e 
observar 
sua 
reao 
ao 
me 
ver. 
No 
faramos 
nada 
que 
pusesse 
em 
perigo 
sua 
sade 
mental. 
O 
psiquiatra 
dirigiu-se 
 
irm 
de 
Reyes. 
Voc 
o 
conhece 
melhor, 
senhora 
Dunne, 
que 
lhe 
parece? 
Fiava-se 
de 
sua 
opinio 
porque 
era 
enfermeira 
na 
seo 
de 
psiquiatra 
de 
mulheres 
do 
hospital. 
Tinha-lho 
dito 
a 
Cat 
e 
a 
Alex 
quando 
se 
dirigiam 
para 
ali. 
Se 
pensasse 
que 
pode 
causar 
algum 
dano 
no 
os 
teria 
trazido. 
Acho 
que 
ao 
v-lo 
se 
dissiparo 
suas 
suspeitas. 
O 
doutor 
sospesou 
sua 
deciso 
e, 
por 
fim, 
acedeu: 
Dois 
ou 
trs 
minutos 
como 
mximo. 
E 
nada 
muito 
comprometedor. 
Burt 
ir 
com 
vocs. 
Burt, 
um 
homemzarro 
negro 
com 
calas 
brancos 
e 
camiseta, 
impressionava 
tanto 
como 
um 
defesa 
de 
rugby. 
Tudo 
bom 
est 
hoje 
meu 
irmo? 
perguntou 
a 
senhora 
Dunne. 
Esta 
manh 
esteve 
lendo 
um 
momento 
 
contou 
por 
em 
cima 
do 
ombro 
enquanto 
seguiam-no 
pelo 
corredor 
 Parece-me 
que 
agora 
est 
jogando 
a 
cartas 
na 
sala. 
Entraram 
em 
uma 
habitao, 
ampla 
e 
iluminada, 
onde 
os 
pacientes 
olhavam 
a 
televiso, 
se 
entretiam 
com 
jogos 
de 
mesa, 
liam 
e 
passeavam.
 
Esse 
 
Alex 
o 
mostrou 
com 
o 
dedo 
a 
Cat. 
Reconheo-o 
do 
julgamento 
em 
Houston. 
Reyes 
era 
delgado 
e 
um 
pouco 
calvo. 
Estava 
sentado 
fora 
dos 
demais, 
olhando 
ao 
vazio, 
ao 
que 
parece 
em 
seu 
mundo, 
e 
tinha 
as 
mos 
entre 
os 
joelhos. 
Demos 
a 
medicao 
 disse 
Burt 
 De 
modo 
que 
estar 
tranqilo 
mas, 
tal 
e 
como 
tem 
dito 
o 
doutor, 
se 
o 
paciente 
comear 
a 
se 
excitar 
tero 
que 
sair 
em 
seguida. 


#
De 
acordo 
 
disse 
a 
senhora 
Dunne. 
Burt 
ficou 
ao 
lado 
da 
porta. 
Cat 
observou 
que 
tinha 
pessoal 
uniformado 
entre 
os 
pacientes 
Olhando 
a 
seu 
ao 
redor, 
sentiu 
compaixo 
por 
todos 
eles. 
Eram 
adultos, 
mas 
indefesos 
como 
meninos. 
Viviam 
confinados 
dentro 
de 
quatro 
paredes 
e 
com 
sua 
misria 
espiritual. 
A 
senhora 
Dunne 
pareceu 
ler 
os 
depressivos 
pensamentos 
de 
Cat. 
Dentro 
deste 
tipo 
de 
estabelecimentos 
 
um 
hospital 
moderno, 
e 
temos 
mdicos 
excelentes 
e 
muito 
entregados. 
Seu 
irmo 
ainda 
no 
a 
tinha 
visto 
e 
ela 
o 
olhou 
com 
piedade. 
Paul 
chegou 
a 
casa 
de 
forma 
inesperada 
faz 
trs 
dias. 
Nunca 
sabemos 
quando 
se 
vai 
apresentar
nem 
em 
que 
condies. 
s 
vezes 
fica 
uns 
dias 
e 
tudo 
vai 
bem. 
Se 
lhe 
empaaron 
os 
olhos. 
Outras 
nos 
vemos 
obrigados 
a 
ingressar 
no 
hospital 
at 
que 
melhora. 
Como 
desta 
vez. 
Apresentava 
um 
estado 
de 
depresso 
total 
quando 
chegou. 
E 
atribu-o 
 
data. 
Amanh 
fazem 
quatro 
anos 
de... 
J 
sabem. 
Cat 
assentiu. 
Comeou 
a 
se 
comportar 
de 
forma 
irracional. 
As 
garotas 
querem-no 
muito, 
mas 
estavam 
assustadas. 
Meu 
marido 
e 
eu 
o 
trouxemos 
e 
nos 
recomendou 
que 
o 
deixssemos 
para 
fazer 
um 
exame
completo. 
 
necessrio 
molest-lo? 
Temo-me 
que 
sim 
 
contou 
Alex 
sem 
dar 
a 
Cat 
oportunidade 
de 
falar. 
Ainda 
que 
s 
seja 
um 
minuto. 
O 
faremos 
to 
breve 
e 
fcil 
como 
seja 
possvel. 
A 
senhora 
Dunne 
levou 
os 
dedos 
aos 
lbios 
para 
que 
deixassem 
de 
tremer. 
Quando 
ramos 
meninos 
era 
um 
encanto. 
Nunca 
dava 
problemas; 
era 
todo 
doura 
e 
amor. 
Se 
tivesse 
matado 
a 
essas 
pessoas, 
sei 
que 
seria 
sem 
querer. 
Outra 
personalidade 
vivendo 
dentro 
dele; 
no 
meu 
querido 
Paul. 
Alex 
apoiou 
uma 
mo 
em 
seu 
ombro. 
Ns 
ainda 
no 
sabemos. 
A 
senhora 
Dunne 
guiou-os 
at 
seu 
irmo. 
Apoiou 
as 
mos 
em 
seus 
ombros 
e 
murmurou 
seu 
nome. 
Ele 
levantou 
a 
cabea 
e 
a 
olhou, 
mas 
seus 
olhos 
estavam 
vazios. 
Ol, 
Paul, 
est 
tudo 
bem? 
Sentou-se 
a 
seu 
lado 
e 
cobriu 
as 
mos 
do 
doente 
com 
as 
suas. 
Amanh 
 
o 
dia 
 
tinha 
a 
voz 
rouca, 
como 
se 
a 
garganta 
estivesse 
seca 
por 
falta 
de 
uso 
 No 
dia 
que 
a 
encontrei 
com 
ele. 
No 
penses 
nisso. 
No 
penso 
em 
outra 
coisa. 
A 
senhora 
Dunne 
umideceu 
os 
lbios, 
nervosa. 
H 
algum 
que 
quer 
falar 
contigo, 
Paul. 
Apresento-te 
ao 
senhor 
Pierce 
e 
 
senhorita 
Delaney. 
Ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
ela 
falava, 
Paul 
olhou 
a 
Alex 
com 
indiferena, 
mas 
ao 
ver 
a 
Cat 
saltou 
da 
cadeira. 
Recebeu 
o 
que 
lhe 
enviei? 
Recebeu-o? 
De 
forma 
instintiva, 
Cat 
retrocedeu. 
Alex 
interps 
entre 
ela 
e 
Reyes. 
Sua 
irm 
segurou-o 
pelo 
brao. 
Burt 
foi 
correndo, 
mas 
Cat 
evitou 
que 
submetesse 
ao 
paciente. 


#
Faz 
favor 
-disse 
saindo 
de 
por 
trs 
de 
Alex, 
deixem-o 
falar. 


 
voc 
Enviou-me 
esses 
recortes? 
Sim. 
Por 
qu? 
Cat 
no 
tinha 
medo, 
mas 
Burt 
ainda 
cingia 
a 
mo 
no 
antebrao 
de 
Reyes 
e 
a 
senhora 
Dunne 
segurava 
o 
outro. 
Vai 
morrer. 
Como 
os 
demais. 
Como 
a 
velha, 
como 
o 
garoto. 
Afogou-se, 
passou 
horas 
na 
gua 
at 
que 
o 
encontraram. 
O 
outro... 
Cortou-se 
a 
femoral 
com 
uma 
serra 
eltrica 
 disse 
Alex. 
Sim, 
sim. 
Os 
salpicou 
de 
saliva. 
Tinha 
os 
olhos 
febris. 
E, 
agora, 
voc. 
Vai 
morrer 
porque 
leva 
seu 
corao! 
Deus 
meu! 
gemeu 
sua 
irm. 
Paul, 
que 
fez? 
Reyes, 
matou 
voc 
a 
essas 
pessoas? 
perguntou 
Alex. 
Fez 
um 
movimento 
rpido 
com 
a 
cabea 
e 
fixou 
seus 
olhos 
em 
Alex. 
Quem 
 
voc? 
Conheo-o? 
Conheo-o? 
Responda 
a 
minha 
pergunta. 
Matou 
a 
esses 
transplantados? 
Matei 
 
puta 
de 
minha 
esposa! 
 
gritou 
 Estava 
na 
cama 
com 
ele! 
Eu 
os 
vi. 
Matei-a; 
e 
alegro-me 
porque 
ela 
merecia. 
E 
voltaria 
a 
faz-lo. 
Oxal 
pudesse 
t-lo 
matado 
tambm 
a 
ele 
e 
lamber 
seu 
sangue 
das 
mos. 
A 
cada 
vez 
estava 
mais 
agitado 
e 
comeou 
a 
forar 
para 
se 
libertar 
da 
mo 
de 
Burt, 
quem 
chamou 
em 
busca 
de 
ajuda. 
Devido 
ao 
tumulto 
que 
estava 
creditando 
Reyes, 
outros 
doentes 
se 
mostravam 
inquietos. 
Entrou 
o 
mdico. 
Era 
o 
que 
eu 
temia. 
 gritou. 
Espere! 
S 
um 
segundo, 
faz 
favor. 
Cat 
chegou 
a 
Reyes. 
Por 
que 
se 
molestou 
em 
me 
avisar?
Transplantaram-lhe 
um 
corao, 
li-o. 
 
o 
de 
Judy? 
Conseguiu 
soltar-se 
e 
ps 
a 
mo 
sobre 
o 
peito 
de 
Cat. 
Cu 
santo! 
soluou 
ao 
notar 
as 
batidas 
 
Minha 
Judy. 
Amor 
meu, 
por 
que?, 
por 
que 
o 
fizeste? 
Eu 
te 
adorava, 
mas 
tinha 
que 
morrer. 
Paul 
-disse 
sua 
irm 
com 
voz 
entrecortada 
 Que 
Deus 
te 
perdoe. 
Os 
braos 
de 
Burt 
tinham-se 
fechado 
sobre 
ele 
e 
o 
levava. 
Alex 
apartou 
a 
Cat 
a 
um 
lado. 
Tinha 
ficado 
pasmada 
pela 
reao 
de 
Reyes. 
Esse 
homem 
sofria 
o 
indecritivelmente. 
Tinha 
enloquecido 
por 
amor, 
remorso 
e 
raiva. 
Dava 
mais 
lstima 
que 
medo. 
Alex 
rodeou-a 
com 
o 
brao. 
Ests 
bem? 
Assentiu, 
contemplando 
com 
piedade 
e 
horror 
como 
Reyes 
se 
debatia 
com 
Burt, 
quem 
tinha 
dificuldades 
para 
segur-lo 
enquanto 
gritava: 
Vai 
morrer! 
Via-se 
a 
presso 
das 
veias 
de 
seu 
pescoo 
e 
tinha 
a 
cara 
enrojecida 
e 
torcida. 
#
Amanh 
 
o 
dia. 
Igual 
que 
os 
outros, 
morrer. 
O 
mdico 
fincou-lhe 
uma 
seringa 
no 
bceps, 
mas 
ele 
no 
se 
deu 
conta 
da 
picada. 
Quase 
de 
imediato, 
deixou-se 
cair 
sobre 
Burt. 
Morrer 
 teve 
tempo 
ainda 
de 
dizer. 
E 
sucumbiu 
aos 
efeitos 
da 
droga. 



Captulo 
cinquenta 
e 
um 


Em 
que 
est 
pensando? 
Alex 
alongou 
um 
copo 
de 
limonada 
e 
colocou 
ao 
seu 
lado. 
Estavam 
no 
terrao. 
O 
sol 
Tinha-se 
posto, 
mas 
ainda 
tinha 
luz. 
Na 
churrasqueira 
assavam 
pedaos 
de 
carne 
e, 
de 
vez 
em 
quando, 
a 
gordura 
gotejava 
sobre 
o 
carvo 
e 
crepitava, 
enviando 
uma 
nuvem 
de 
fumaa 
aromtica. 
Cat 
no 
tinha 
falado 
muito 
durante 
o 
vo 
de 
regresso 
desde 
San 
Antonio. 
Quando 
ele 
sugeriu 
comprar 
algo 
para 
cozinhar 
em 
casa, 
assentiu 
sem 
prestar 
muita 
ateno. 
Compreendia 
que 
precisava 
meditar 
e 
no 
a 
tinha 
pressionado 
at 
agora. 
Cat 
bebeu 
um 
pouco 
de 
limonada 
e 
depois, 
com 
um 
suspiro, 
reclinou 
a 
cabea 
e 
contemplou 
o 
cu 
azul 
intenso. 
No 
posso 
achar 
que 
tudo 
isto 
tenha 
terminado. 
Pensava 
que 
me 
sentiria 
mais... 
Aliviada. 
E 
estou, 
mas 
no 
tiro 
da 
cabea 
a 
imagem 
desse 
homem 
gritando. 
No 
pode 
cumprir 
suas 
ameaas, 
Cat. 
J 
no 
tens 
motivos 
para 
estar 
assustada. 
Aps 
o 
que 
ouvimos 
que 
foi 
quase 
uma 
confisso, 
Paul 
Reyes 
no 
sair 
de 
quatro 
paredes. 
O 
Departamento 
de 
Justia 
comprovar 
suas 
atividades 
durante 
os 
ltimos 
anos. 
Acho 
que 
descobriro 
que 
seu 
caminho 
cruzou 
com 
os 
desses 
transplantados 
que 
morreram. 
Se 
 
processado, 
o 
mais 
provvel 
 
que 
o 
considere 
incompetente 
para 
ser 
julgado. 
Mas 
se 
seu 
estado 
mental 
melhorar 
ele 
ir 
a 
julgamento, 
ser 
declarado 
culpado 
e 
sentenciado 
a 
priso 
perpetua. 
Em 
ambos 
os 
casos, 
estaro 
salva. 
Na 
verdade 
ele 
no 
me 
deu 
medo, 
Alex; 
eu 
me 
compadeci. 
Devia 
quer-la 
muito. 
Como 
para 
abrir 
seu 
crnio? 
Exato 
 respondeu 
com 
seriedade 
a 
sua 
custica 
pergunta 
 
Quando 
ps 
a 
mo 
sobre 
meu 
corao, 
vi 
em 
seus 
olhos 
mais 
dor 
que 
dio. 
No 
pde 
suportar 
a 
infidelidade 
de 
sua 
esposa. 
Estava 
fora 
de 
si 
quando 
pegou 
o 
taco 
de 
beisebol. 
Matou-a, 
mas 
ainda 
a 
quer 
e 
sofre 
por 
ela. 
Talvez 
por 
isso... 
Que? 
No 
importa. 
 
uma 
loucura. 
Dize-mo. 
Talvez 
por 
isso 
desse 
seu 
consentimento 
para 
que 
tirassem 
o 
corao. 
Queria 
mat-la, 
mas 
Na 
verdade 
no 
queria 
que 
stivesse 
morta. 
E 
ento, 
por 
que 
matou 
a 
trs 
pessoas 
para 
deter 
seu 
corao? 


#
Sorriu 
e 
encolheu 
os 
ombros. 
Isso 
 
uma 
falha 
em 
minha 
teoria. 
J 
te 
disse 
que 
era 
uma 
loucura. 
Alex 
sentou-se 
na 
cadeira 
para 
olh-la 
cara 
a 
cara. 
Sabes? 
Em 
outra 
vida, 
poderia 
ser 
policial, 
Cat 
Delaney. 
Tens 
talento 
para 
a 
deduo 
 baixou 


o 
tom 
de 
voz 
Me 
alegro 
de 
que 
tudo 
tenha 
terminado. 
Eu 
tambm. 
Preparada 
para 
jantar? 
Estou 
morrendo 
de 
fome. 
A 
comida 
apagaria 
sua 
ansiedade. 
Desejava 
que 
existisse 
uma 
borracha 
instantnea 
para 
apagar 
a 
memria, 
j 
que 
a 
cena 
do 
hospital 
ficaria 
em 
sua 
mente 
durante 
muito 
tempo. 
A 
senhora 
Reyes-Dunne 
estava 
desesperada. 
Confessou 
chorando 
que 
mentiu 
sobre 
os 
recortes. 
Tinha-os 
visto 
antes. 
Abri 
sua 
mala 
para 
lavar 
a 
roupa 
suja 
e 
ali 
estavam. 
Ento 
pensei 
de 
onde 
os 
teria 
tirado, 
j 
que 
eram 
de 
deversas 
partes 
do 
pas. 
Mas 
no 
disse 
nada. 
Quanto 
menos 
falasse 
de 
transplantes, 
melhor. 
Alguns 
membros 
da 
famlia 
estavam 
enfadados 
com 
ele 
por 
ter 
doado 
o 
corao 
de 
Judy 
tanto 
como 
por 
ter 
matado. 
Outros 
pensavam 
que 
ela 
merecia. 
Machismo 
compreende? 
Cat 
e 
Alex 
assentiram. 
Sua 
mulher 
o 
traa: 
portanto, 
tinha 
motivos 
para 
mat-la. 
Mas 
tirar 
os 
rgos 
e 
enterr-la 
sem 
que 
stivesse 
completa, 
violava 
nossa 
cultura 
e 
nossas 
crenas 
religiosas. 
Conforme 
ia 
falando, 
a 
cada 
vez 
mostrava-se 
mais 
agoniada. 
Talvez 
se 
tivesse 
perguntado 
a 
Paul 
ao 
encontrar 
os 
recortes, 
vocs 
seriam 
poupados 
de 
todo 
este 
pesadelo. 
Se 
eu 
tovesse 
dado 
conta 
antes 
de 
sua 
demncia, 
essas 
pessoas 
no 
estariam 
mortas. 
Sei 
o 
que 
levou 
a 
matar 
a 
Judy, 
mas 
no 
posso 
achar 
que 
meu 
irmo 
pode 
assassinar 
a 
sangue 
frio. 
Voltava 
a 
matar 
a 
Judy; 
no 
a 
outras 
pessoas 
 
disse 
Alex. 
J 
o 
sei. 
Mas, 
de 
todas 
as 
formas, 
no 
acho 
que 
Paul 
seja 
capaz 
de 
algo 
semelhante. 
Tanto 
Cat 
como 
Alex, 
tentaram 
consol-la, 
mas 
com 
pouco 
sucesso. 
Sabia, 
e 
eles 
tambm, 
que 
Reyes 
estaria 
enclausurado 
durante 
o 
resto 
de 
sua 
vida. 
Nunca 
se 
recuperaria 
da 
traio 
de 
Judy 
e 
suas 
filhas 
cresceriam 
sem 
pais 
e 
com 
o 
estigma 
de 
seu 
crime. 
Cat 
entendia-o 
muito 
bem 
e 
sofria 
pelas 
meninas, 
s 
que 
no 
conhecia. 
Ela 
e 
Alex 
se 
sentaram 
 
mesa 
para 
jantar 
e 
devoraram 
a 
carne, 
as 
batatas 
assadas, 
a 
salada 
e 
um 
pastel 
de 
nozes 
que 
Cat 
tinha 
comprado 
no 
supermercado. 
Alex 
apartou 
seu 
prato 
vazio 
e 
se 
reclinou 
na 
cadeira 
esticando 
as 
longas 
pernas. 
Quer 
saber 
o 
que 
mais 
me 
impressiona 
em 
voc? 
A 
comida 
que 
posso 
engulir 
 
caoou 
Cat 
dando 
palmadinhas 
no 
estmago. 
Isso 
tambm. 
Por 
ser 
to 
magra 
voc 
deve 
ter 
um 
metabolismo. 
Muito 
obrigado. 
No 
recordo 
um 
elogio 
to 
galanteador. 
Alex 
deixou 
de 
rir 
e 
disse 
em 
srio: 
Estou 
impressionado 
por 
sua 
coragem. 
Hoje 
se 
mantive 
firme 
inclusive 
quando 
Reyes 
a 
tocou. 
Deve 
ser 
traumtico, 
e 
qualquer 
pessoa 
teria 
se 
afastado. 
No 
conheci 
nenhuma 
mulher, 
e 
a 
muito 
poucos 
homens, 
to 
valentes 
como 
tu. 
Digo-to 
para 
valer, 
Cat. 
Ela 
fincou 
o 
garfo 
no 
resto 
do 
pastel. 
#
Alex: 
no 
sou 
valente. 
No 
estou 
de 
acordo. 
Deixou 
o 
garfo 
e 
olhou-o. 
No 
sou 
valente; 
ao 
contrrio. 
Se 
eu 
fosse, 
meus 
pais 
no 
teriam 
morrido. 
Alex 
abaixou 
a 
cabea. 
Qual 
o 
motivo 
isso? 
Nunca 
havia 
explicado 
a 
ningum 
o 
que 
tinha 
ocorrido 
naquela 
tarde 
ao 
voltar 
da 
escola 
antes 
da 
hora. 
Nem 
ao 
servio 
de 
ajuda 
 
infncia. 
Nem 
s 
assistentes 
que 
tentavam 
averiguar 
at 
que 
ponto 
aquilo 
tinha 
afetado 
 
menina. 
Nem 
aos 
pais 
do 
orfanato. 
Nem 
a 
Dean. 
A 
ningum. 
Mas 
agora 
sentia 
a 
necessidade 
imperiosa 
de 
se 
desafogar 
com 
Alex. 
No 
sucedeu 
exatamente 
como 
te 
disse. 
A 
assistente 
social 
levou-me 
a 
casa 
e 
estranhou-me 
que 
o
carro 
de 
meu 
pai 
estivesse 
estacionado 
na 
frente. 
quela 
hora 
tinha 
que 
estar 
no 
trabalho. 
O 
pobre, 
rara 
vez 
faltava, 
e 
inclusive 
fazia 
horas 
extras 
nos 
fins 
de 
semana 
para 
pagar 
minhas 
faturas. 
Mas, 
inclusive 
assim, 
estava 
endividado 
e 
estava 
no 
limite 
de 
suas 
foras. 
Eu 
no 
entendia 
as 
palavras. 
Segunda 
hipoteca, 
encargo, 
emprstimos 
colaterais: 
no 
estavam 
em 
meu 
vocabulario. 
Mas 
ouvia-as 
nas 
agoniadas 
conversas 
de 
meus 
pais. 
Dobrou 
a 
guardanapo 
de 
papel 
ao 
lado 
do 
prato. 
Naquele 
dia, 
ao 
entrar 
em 
casa 
soube 
que 
algo 
estava 
errado. 
Tive 
uma 
sensao 
estranha, 
um 
calofro 
que 
no 
era 
pela 
temperatura. 
Suponho 
que 
se 
tratava 
de 
um 
pressentimento, 
mas 
tinha 
pnico 
enquanto 
avanava 
pelo 
corredor 
para 
o 
dormitrio 
de 
meus 
pais. 
Mas 
tinha 
que 
fazer. 
A 
porta 
estava 
entreaberta 
e 
meti 
o 
nariz. 
No 
estavam 
mortos, 
como 
te 
disse. 
A 
ti 
e 
a 
todos. 
No. 
Minha 
me 
estava 
na 
cama, 
apoiada 
no 
travesseiro, 
e 
chorava. 
Papai 
estava 
de 
p, 
ao 
lado 
da 
cama, 
com 
uma 
pistola 
na 
mo, 
e 
falava. 
No 
compreendi 
at 
muito 
tempo 
depois 
o 
que 
estava 
dizendo. 
Falava 
de 
matar 
e 
pensei 
que 
se 
referia 
a 
mim.
 
a 
nica 
forma 
e 
ser 
o 
melhor 
para 
Cathy. 
Nunca 
outra 
pessoa 
me 
chamou 
assim. 
Eu 
sabia 
que 
era 
uma 
runa 
para 
eles, 
mas, 
fora 
disso, 
tinham 
tido 
que 
suportar 
um 
inferno. 
Mame 
fazia 
filigranas 
para 
ocultar 
minha 
calvicie 
aps 
a 
quimioterapia 
e 
sofria 
muito 
mais 
que 
eu. 
Recuperei-me 
rpido, 
mas 
ela 
no. 
Quando 
ouvi 
que 
papai 
falava 
de 
uma 
soluo 
rpida 
a 
todos 
os 
problemas, 
imaginei 
que 
achariam 
um 
meio 
para 
se 
salvar 
e 
deixar 
de 
sofrer 
penalidades 
e 
despesas. 
Sem 
fazer 
rudo, 
entrei 
em 
minha 
habitao 
e 
me 
escondi 
no 
armrio. 
Fez 
uma 
pausa 
e 
mordeu 
o 
lbio 
inferior. 
Ali, 
abaixada 
na 
escurido, 
ouvi 
os 
disparos 
e 
soube 
que 
me 
tinha 
equivocado. 
E 
muito. 
Ento 
decidi 
ficar 
dentro 
daquele 
buraco 
para 
sempre. 
Morreria, 
no 
comia 
nem 
bebia. 
Inclusive 
to 
pequena, 
j 
tinha 
uma 
veia 
dramtica. 
Por 
fim, 
veio 
uma 
vizinha. 
Quando 
ningum 
veio 
atender 
a 
campainha 
sups 
que 
tinha 
algo 
errado 
e 
entrou. 
Encontrou 
meus 
pais 
mortos. 
Eu 
nem 
me 
movia; 
nem 
sequer 
quando 
chegou 
o 
carro 
de 
polica 
e 
a 
ambulancia. 
Algum 
chamou 
 
escola 
e 
ali 
disse 
que 
haviam 
me 
acompanhado 
a 
casa. 
Encontraram-me 
dentro 
do 
armario. 
Fingi 
que 
ao 
chegar 
j 
os 
tinha 
encontrado 
mortos. 
No 
disse 
a 


#
verdade... 
Que 
podai 
ter 
evitado. 
Isso 
no 
 
a 
verdade, 
Cat. 
Agitou 
a 
cabea. 
Se 
tivesse 
entrado 
no 
dormitrio... 
Eles 
teriam 
te 
matado 
tambm. 
Mas 
jamais 
saberei, 
e 
eu 
pude 
evitar. 
Podia 
ter 
saido 
correndo 
e 
pedir 
ajuda; 
qualquer 
coisa 
menos 
esconder-me. 
Devia 
dar-me 
conta 
do 
que 
queriam 
fazer, 
e 
talvez 
meu 
subconsciente 
soubesse. 
Alex 
rodeou 
a 
mesa 
e 
fez 
que 
ela 
se 
levantasse. 
Tinha 
oito 
anos. 
Tinha 
que 
entender 
o 
que 
passava. 
De 
no 
tivesse 
sido 
to 
covarde, 
os 
teria 
salvado. 
E 
por 
isso 
quer 
salvar 
todo 
mundo? 
Ps 
as 
mos 
sobre 
seus 
ombros. 
Cat 
 disse 
ao 
ouvido 
enquanto 
secava 
suas 
lgrimas 
com 
os 
polegares 
 voc 
se 
lembra 
com 
sua 
mente 
de 
pessoa 
adulta, 
mas 
era 
uma 
menina. 
Teus 
pais 
foram 
idiotas; 
no 
voc. 
Abraou-a. 
Quando 
era 
policial, 
vi 
coisas 
assim 
montes 
de 
vezes. 
Algum 
que 
tinha 
chegado 
ao 
limite 
de 
suas 
foras 
se 
suicidava 
e 
arrastava 
aos 
demais 
consigo. 
Se 
teu 
pai 
soubesse 
que 
estava 
em 
casa, 
tambm 
te 
teria 
matado. 
Cr-me. 
Esconder-se 
no 
armrio 
a 
salvou. 
No 
estava 
muito 
convencida, 
mas 
queria 
acreditar. 
Durante 
todos 
esses 
anos 
precisava 
de 
que 
algum 
lhe 
dissesse 
que 
fez 
o 
correto. 
Seguiu 
abraada 
a 
Alex 
at 
que 
seus 
lbios 
a 
fizeram 
reagir. 



Captulo 
cinquenta 
e 
dois 


O 
desejo 
era 
mais 
que 
eles 
e 
se 
beijaram 
com 
paixo. 
Cat 
adorava 
o 
roar 
da 
barba 
rala 
em 
seu 
rosto, 
encantava 
a 
forma 
dos 
fios 
do 
cabelo 
do 
homem 
entre 
seus 
dedos, 
deixava-a 
louca 
seu 
aroma 
e 
seu 
sabor. 
Queria 
a 
Alex. 
Ficavam 
coisas 
que 
tinha 
que 
esclarecer, 
mas 
estava 
segura 
de 
que 
era 
o 
homem 
de 
sua 
vida. 
Quando 
ele 
disse: 
Subimos? 
Apanhou 
sua 
mo 
e 
deixou-se 
levar. 
Ao 
chegar 
ao 
p 
da 
escada, 
fizeram 
uma 
pausa 
para 
se 
beijarem 
e 
tudo 
se 
descontrolou. 
Em 
matria 
de 
segundos 
estavam 
contra 
a 
parede, 
desprendendo 
da 
roupa 
e 
ele 
dentro 
dela. 
Acabou 
rpido. 
Levou-a 
em 
braos 
at 
o 
dormitrio 
e 
atirou-a 
sobre 
a 
cama. 
Suas 
mos 
no 
deixavam 
de 
acariciar 
seu 
corpo 
nu. 
Acariciava-lhe 
o 
ventre, 
mas 
suas 
mos 
pareciam 
mover-se 
por 
todas 
as 
partes. 
Quando 
levantou 
suas 
ndegas 
e 
deslizou 
os 
dedos 
para 
acariciar 
o 
interior 
das 
coxas, 
ela 
implorou: 
Alex, 
j 
no 
posso 
mais. 


#
Separou 
os 
lbios 
de 
seu 
sexo 
e 
introduziu 
a 
lngua 
vida 
at 
que 
a 
suco 
suave 
de 
sua 
boca 
provocou 
outro 
orgasmo 
cegador. 
Mudou 
de 
postura 
e 
colocou 
na 
boca 
o 
pnis 
ereto. 
Gostava 
desse 
sabor 
a 
almiscar, 
sua 
textura 
aveludada 
na 
lingua, 
a 
firmeza 
na 
boca. 
Estava-se 
entregando 
para 
compraz-lo, 
mas 
ele 
se 
afastou, 
se 
colocou 
por 
cima 
e 
a 
penetrou 
com 
um 
movimento 
rpido. 
De 
repente 
parou 
e 
ela 
ficou 
pasmada 
ante 
a 
trgua. 
No 
h 
que 
ter 
pressa 
 disse 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
mantinha 
Seu 
olhar 
e 
entrava 
agora 
at 
o 
fundo. 
Cat 
engasgou. 
Quero-te, 
Alex. 
No, 
no 
diga 
se 
no 
sintir. 
Beija-me. 
Suas 
bocas 
uniram-se 
enquanto 
os 
corpos 
moviam-se 
ao 
unissono. 
Quando 
terminaram, 
Alex 
permaneceu 
dentro 
e 
abraado 
a 
ela. 
Nunca 
tinha 
experimentado 
nada 
igual 
 
disse 
Cat 
 
S 
contigo. 
Pela 
primeira 
vez, 
sinto 
uma
unio 
to 
profunda 
com 
outra 
pessoa. 
Esta 
fuso 
de 
corpo, 
mente 
e 
alma. 
 
incrvel. 
Ele 
entreabriu 
os 
olhos 
e, 
com 
voz 
rouca, 
contou: 
Sim, 
o 
. 


Sabe? 
disse 
com 
voz 
uma 
sufocada 
pelo 
travesseiro 
 Se 
isto 
continuar 
assim 
terei 
que 
acrescentar 
uma 
nova 
plula 
s 
que 
j 
estou 
tomando. 
Sob 
o 
lenol, 
Cat 
tinha 
o 
traseiro 
contra 
seu 
ventre 
e 
ele 
rodeava 
sua 
cintura 
com 
o 
brao. 
Referes-te 
ao 
controle 
de 
natalidade? 
Sim. 
No 
se 
preocupe; 
eu 
me 
ocuparei 
de 
que 
no 
fique 
grvida. 
Ou 
poderamos 
esquecer 
de 
tomar 
precaues. 
Olhou-o 
por 
cima 
do 
ombro 
e 
sorriu 
com 
malcia. 
No 
precisa 
ficar 
plido, 
senhor 
Pierce. 
Se 
eu 
ficar 
grvida, 
o 
beb 
ser 
responsabilidade 
minha. 
Nada 
disso. 
Esse 
no 
 
o 
motivo 
de 
minha 
palidez. 
Eu 
achava 
que 
no 
deveria 
ter 
filhos, 
verdade? 
No 
recomendam, 
mas 
muitas 
transplantadas 
os 
tm 
e, 
at 
agora, 
tanto 
as 
mes 
como 
os 
filhos 
esto 
de 
maravilha. 
No 
se 
arrisque. 
H 
muitas 
coisas 
que 
poderiam 
sair 
erradas.
 
um 
pessimista. 
Sou 
realista. 
Pareces 
enfadado. 
Por 
qu? 
S 
estava 
caoando. 
E 
se 
chegou 
mais 
a 
ele. 
No 
estou 
enfadado, 
mas 
no 
quero 
que 
voc 
corra 
risco 
desnecessrio. 
No 
 
coisa 
de 
piada. 
Sempre 
quis 
ter 
um 
filho. 
Mas 
no 
pode 
ter 
tudo, 
recordou. 
Alm 
do 
mais, 
j 
te 
foram 
concedidas 
muitas 
bnos; 
uma 
delas 
a 
est 
abraando. 
Notava 
o 
flego 
em 
seu 
cabelo, 
e 
tambm 
isso 
era 
reconfortante. 
Era 
um 
homem 
to 
atraente, 
to 
viril, 
to... 
Tudo... 
E 
apareceram 
imagens 
da 
cada 
momento 
que 
tinham 
passado 
juntos. 


#
Ele 
deve 
ter 
notado 
seu 
riso 
silencioso, 
j 
que 
bateu 
seu 
bubum 
no 
joelho 
dela. 
Que 
 
to 
gracioso?
Estava 
pensando 
na 
ameaa 
que 
fez 
a 
Cyclops. 
 
a 
coisa 
mais 
grosseira 
que 
jamais 
tinha 
ouvido. 
Isso 
de 
arrancar 
o 
olho 
e...? 
No 
repita, 
faz 
favor. 
De 
onde 
tirou 
semelhante 
vocabulario? 
De 
onde 
vai 
ser? 
Da 
rua. 
Ou 
dos 
vesturios. 
Se 
tratar 
com 
policias 
durante 
tanto 
tempo 
sua 
boca 
comea 
a 
vomitar 
lixo. 
Alex 
tinha 
aberto 
uma 
brecha. 
Aps 
um 
momento 
de 
silncio, 
perguntou: 
Que 
ocorreu, 
Alex? 
Por 
que 
deixou 
a 
policia? 
Spicer 
j 
disse 
a 
voc. 
Matei 
algum. 
Dou 
por 
certo 
que 
disparaste 
contra 
algum 
enquanto 
estavas 
de 
servio. 
Esperou 
um 
momento 
antes 
de 
dizer 
nada. 
J 
no 
estava 
relaxado; 
tinha 
todos 
os 
msculos 
tensos. 
Esse 
algum 
era 
policial. 
No 
era 
estranho 
que 
o 
tivesse 
gravado 
na 
memria. 
Os 
policiais 
eram 
como 
uma 
irmandade. 
Consideravam-se 
entre 
eles 
como 
irmos. 
Queres 
falar 
disso? 
No, 
mas 
o 
farei. 


Hunsaker 
 
fala. 
Tenente, 
sou 
Baker. 
Que 
horas 
so? 
Acendeu 
o 
lustre 
do 
criado-mudo 
e 
sua 
mulher 
gruiu 
e 
afundou-se 
mais 
no 
travesseiro. 
Ele 
no 
havia 
dormido. 
O 
chille 
que 
tinha 
comido 
no 
jantar 
ardia 
no 
estmago; 
e 
seguia 
mijando 
as 
seis 
cervejas 
que 
tinha 
acompanhado. 
Estava 
a 
ponto 
de 
levantar-se 
para 
tomar 
um 
anticido 
quando 
soou 
o 
telefone. 
Perdoe 
que 
o 
chame 
to 
tarde 
 se 
desculpou 
seu 
subordinado 
 
Mas 
voc 
me 
disse 
que 
quando 
terminasse 
o 
relatrio 
deveria 
ligar 
para 
voc. 
Baker 
era 
um 
novato, 
mal 
sado 
do 
ovo 
e 
com 
vontades 
de 
comprazer. 
Tratava 
a 
cada 
misso 
como 
se 
fosse 
uma 
investigao 
sobre 
o 
assassinato 
de 
John 
F. 
Kennedy. 
Que 
relatrio? 
perguntou 
Hunsaker 
contendo 
uma 
ereo. 
Sobre 
os 
amigos 
de 
Cat 
Delaney. 
Deu-me 
uma 
lista 
e 
disse-me 
que 
fizesse 
averiguaes. 
Bom, 
j 
est 
terminado 
e 
no 
sabia 
se 
tinha 
que 
deixar 
o 
expediente 
em 
cima 
da 
mesa 
ou 
no. 
Diabos. 
Me 
desculpe, 
Baker, 
esqueci 
de 
lhe 
dizer: 
j 
o 
engavetamos. 
O 
garoto 
estava 
desiludido. 
Sim, 
a 
senhorita 
Delaney 
ligou 
a 
ltima 
hora 
da 
tarde 
porque 
tem 
encontrado 
ao 
tipo 
que 
a 
molestava 
em 
um 
manicomio 
de 
Fort 
Worth. 
Confessou-o. 
Retirei 
a 
vigilncia, 
mas 
esqueci-me 
do 
relatrio 
que 
te 
encarreguei. 
Me 
desculpe, 
mas 
ao 
menos 
cobrars 
horas 
extras. 
Vale? 
Vale. 
Hunsaker 
teve 
uma 
nova 
ereo 
e 
tinha 
vontade 
de 
urinar. 
Algo 
mais, 
Baker? 
No... 
bom... 
algo. 


#
Solta-o, 
Baker. 
 
algo... 
um 
paradoxo 
acho 
que 
 
a 
palavra 
correta. 
Trata-se 
desse 
novelista. 
Pierce. 
E 
quando 
Baker 
lhe 
informou 
o 
que 
tinha 
descoberto 
tambm 
Hunsaker 
pensou 
que 
era 
um 
paradoxo. 
Na 
verdade, 
se 
tratava 
de 
um 
fato 
trascendental. 
Cu 
santo 
 exclamou 
passando 
a 
mo 
pela 
cara 
 No 
te 
movas. 
Estarei 
a 
dentro 
de 
vinte 
minutos. 


Se 
for 
muito 
doloroso 
falar 
disso 
no 
tens 
que 
o 
fazer, 
Alex. 
No 
quero 
que 
penses 
que 
 
pior 
do 
que 
parece. 
J 
 
bastante 
ruim. 
Dedicou 
uns 
momentos 
a 
pr 
em 
ordem 
suas 
idias. 
Fazia 
anos 
que 
tentvamos 
desarticular 
uma 
rede 
de 
traficantes 
de 
droga, 
mas 
sempre 
estavam 
um 
passo 
por 
diante 
dos 
nossos. 
Vrias 
vezes 
tinham-se 
escapulido. 
Quando 
chegvamos 
ao 
lugar 
da 
distribuio 
j 
tinham 
levantado 
o 
vo. 
Por 
fim 
recebemos 
um 
sopro 
digno 
de 
confiana, 
mas 
tinha 
que 
atuar 
com 
rapidez. 
Planejamos 
uma 
armadilha 
para 
o 
Quatro 
de 
Julho, 
j 
que 
no 
a 
esperariam 
em 
dia 
de 
festa. 
A 
operao 
levava-se 
em 
segredo 
que 
s 
a 
conheciam 
os 
oficiais 
diretamente 
implicados. 
Estvamos 
nervosos, 
mas 
impacientes 
por 
apanhar 
aqueles 
sacanas. 


Chegamos 
 
casa 
e 
desta 
vez 
no 
os 
tinham 
avisado. 
Os 
chicos 
irromperam 
e 
apanharam-nos 
desprevenidos. 
Eu 
corri 
pelo 
corredor 
para 
os 
dormitrios, 
dei 
um 
chute 
a 
uma 
das 
portas 
e 
me 
encontrei 
cara 
a 
cara 
com 
um 
de 
nossos 
policiais. 
Tinha 
sido 
meu 
colega 
quando 
ramos 
patrulheiros.
 
difcil 
dizer 
qual 
dos 
dois 
ficou 
mais 
assombrado. 
Perguntei 
que 
droga 
estava 
fazendo 
ali 
se 
no 
estava 
atribudo 
quela 
misso. 
Contou-me 
que, 
efetivamente, 
no 
o 
estava. 
De 
repente 
vi 
claramente 
e, 
no 
mesmo 
momento, 
apontei 
a 
arma. 
Atirei-me 
ao 
cho 
rodando 
e 
apontei-lhe. 
No 
ao 
meu 
antigo 
camarada, 
no 
ao 
homem 
que 
acredita 
meu 
amigo, 
seno 
a 
um 
policial 
corrupto, 
a 
um 
maldito 
traficante 
de 
drogas. 
Disparei 
na 
cabea. 
A 
suas 
costas, 
Cat 
notava 
sua 
pesada 
respirao 
e 
o 
corao 
acelerado, 
e 
sabia 
o 
difcil 
que 
era 
falar 
disso. 
Fez 
o 
que 
devia 
fazer, 
Alex. 
Podia 
t-lo 
ferido. 
Mas 
atirei 
a 
matar. 
 
provvel 
que 
ele 
tivesse 
te 
matado.
Talvez. 
 
provvel. 
Suponho 
que 
te 
consideraram 
inocente 
de 
qualquer 
delito. 
Oficialmente. 
Armadilhas 
como 
essa, 
saem 
errado 
s 
vezes, 
j 
que 
podem 
se 
apresentar 
situaes 
inesperadas. 
Quando 
dissipou 
a 
fumaa, 
um 
policial 
estava 
morto 
e 
eu 
o 
tinha 
matado. 
Se 
a 
operao 
saiu 
errada, 
algum 
tem 
que 
pagar 
o 
pato. 
Na 
declarao 
do 
departamento 
afirmava-se 
que 
aquele 
policial 
estava 
atribudo 
 
operao 
de 
forma 
clandestina. 
E 
que 
eu 
o 
confundi 
com 
um 
dos 
traficantes 
e 
disparei 
antes 
do 
identificar. 
Foi 
uma 
grande 
injustia! 
Cobriram-se 
as 
costas. 
No 
queriam 
que 
soubesse 
que 
um 
de 
seus 
homens 
era 
traficante 
de 
drogas. 


#
Fizeram 
um 
funeral 
de 
heri, 
com 
salva 
de 
vinte 
e 
um 
tiros 
e 
todas 
as 
honras. 
Por 
que 
no 
falaste? 
Dizer 
a 
verdade? 
Seria 
o 
mesmo 
que 
inventar 
uma 
mentira 
para 
tampar 
meu 
engano. 
Era 
minha 
palavra 
contra 
a 
do 
departamento 
de 
policia. 
Por 
outra 
parte, 
a 
mulher 
desse 
tipo 
estava 
grvida 
do 
primeiro 
filho 
e 
no 
podia 
jogar 
droga 
em 
cima 
dele 
sem 
que 
casse 
neles 
tambm. 
Sua 
esposa 
no 
sabia 
nada 
do 
segundo 
emprego. 
Como 
o 
sabe? 
Sei-o. 
Alm 
do 
mais 
nunca 
tentou 
retirar 
o 
dinheiro 
que 
ele 
tinha 
acumulado. 
Ficou 
na 
caixa 
de 
segurana 
do 
banco 
enquanto 
ela 
e 
o 
beb 
foram 
viver 
a 
Tennessee 
com 
seus 
pais. 
Cat 
virou 
para 
olh-lo 
e 
acariciou 
com 
ternura 
a 
sobrancelha 
partida. 
Me 
desculpe 
muito, 
Alex. 
Oxal 
pudesse-se 
apagar 
o 
que 
te 
aconteceu. 
Eu 
que 
o 
diga. 
Aps 
isso 
me 
converti 
em 
um 
grande 
furnculo 
no 
cu 
do 
departamento 
que 
no 
deixava 
de 
ulcerar-se. 
Odiava 
sair 
para 
trabalhar. 
Os 
policiais 
que 
no 
sabiam 
o 
ocorrido 
me 
desprezavam 
pelo 
que 
fiz; 
os 
que 
sim 
o 
sabiam 
se 
perguntavam 
se 
teria 
atirado 
para 
matar, 
aps 
tudo. 
Eu 
era 
um 
paria 
e, 
para 
todos 
os 
efeitos, 
minha 
carreira 
estava 
acabada. 
De 
modo 
que 
dei 
a 
eles 
o 
que 
queriam: 
meu 
distintivo. 
Tua 
primeira 
carreira 
estava 
acabada 
 
ratificou 
 
J 
que 
ento 
 
quando 
comeaste 
a 
escrever. 
Agora 
entendia 
por 
que 
suas 
novelas 
descreviam 
situaes 
pouco 
lisonjeras 
dos 
assuntos 
internos 
do 
departamento 
de 
polica. 
Seus 
heris 
eram 
inconformistas 
que 
denunciavam 
os 
polticos 
com 
as 
mos 
sujas 
e 
policiais 
comprados, 
no 
geral 
 
custa 
de 
sacrifcios 
pessoais. 
Cat 
o 
beijou 
no 
peito 
e 
ele 
deslizou 
seus 
dedos 
pelo 
cabelo 
emaranhado 
e 
levantou 
sua 
cabea. 
A 
vida 
 
dura, 
mas 
tambm 
te 
d 
compensaes. 
Como 
que? 
perguntou 
ela, 
mimosa. 
A 
de 
ter 
te 
conhecido. 
Segurou-a 
pela 
nuca 
e 
roou 
seus 
lbios 
com 
ternura. 


Acordou 
de 
repente, 
como 
se 
algum 
tivesse 
gritado 
seu 
nome. 
Durante 
uns 
momentos 
ficou 
tendida 
e 
imvel; 
a 
nica 
coisa 
que 
ouvia 
era 
a 
respirao 
acompasada 
de 
Alex. 
Pouco 
a 
pouco 
se 
tranqilizou. 
Desfrutava 
de 
sua 
proximidade 
clida 
e 
protetora. 
Recordando 
como 
tinham 
feito 
amor, 
sua 
falta 
de 
pudor 
a 
ruborizou. 
Com 
ele 
se 
convertia 
em 
uma 
mulher 
dominada 
pelos 
instintos, 
livre 
para 
expressar 
sua 
sensualidade... 
E 
era 
magnfico. 
Observou-o 
enquanto 
dormia. 
O 
cenho 
no 
estava 
franzido 
e 
tinha 
suavizado 
a 
expresso 
nos 
lbios. 
O 
sonho 
libertava-o 
do 
pesadelo 
que 
o 
perseguia. 
Se 
ela 
podia 
perdoar 
 
menina 
assustada 
que 
tinha 
se 
escondido 
em 
um 
armrio, 
Alex 
podia 
se 
perdoar 
por 
ter 
disparado 
a 
um 
ex-camarada. 
Juntos, 
seriam 
capazes 
de 
superar 
traumas 
pessoais. 
Tinha 
que 
ir 
ao 
banheiro 
saiu 
da 
cama, 
ps 
a 
camisa 
de 
Alex 
e 
desceu. 
No 
queria 
o 
acordar 
tirando


o 
da 
cama. 
Atravs 
das 
persianas 
filtrava 
a 
luz 
das 
luzes 
da 
rua, 
que 
a 
guiaram 
at 
o 
lavabo 
situado 
sob 
o 
oco 
da 
escada. 
Ao 
sair, 
deu-se 
conta 
que 
estava 
de 
noite. 
#
A 
noite 
anterior 
no 
tinha 
dormido; 
o 
dia 
foi 
longo 
e 
esgotante. 
Tinham 
feito 
o 
amor 
at 
ficar 
extenuados. 
Sem 
embargo, 
aps 
ter 
dormido 
trs 
ou 
quatro 
horas 
estava 
fresca 
como 
uma 
rosa. 
Faltavam 
horas 
para 
que 
amanhecesse, 
mas 
no 
tinha 
sono. 
Tinha 
fome? 
No. 
Sejam? 
Tambm 
no. 
Seus 
olhos 
moveram-se 
at 
ficarem 
fixos 
na 
habitao 
proibida. 
Sabia 
que 
podia 
resistir 
sua 
atrao 
magntica. 
Mas 
sua 
curiosidade 
inata 
no 
permitiria. 
Se 
entrasse 
agora, 
o 
que 
aconteceria? 
A 
Alex 
no 
tinha 
gostado 
sua 
intromisso 
anterior, 
mas 
stabam 
na 
primeira 
fase 
de 
sua 
relao; 
mal 
se 
conheciam. 
Agora 
a 
situao 
tinha 
mudado: 
j 
tinham 
intimidade 
fsica 
e 
emocional. 
Compartilhavam 
secredos. 
Seguro 
que 
o 
absurdo 
Proibido 
a 
entrada 
j 
no 
fazia 
sentido. 
Tentou 
abrir 
a 
porta, 
mas 
estava 
fechada 
com 
chave. 
Melhor. 
Sabia 
que 
no 
tinha 
que 
entrar 
sem 
sua 
permisso. 
No 
obstante, 
ps-se 
de 
em 
pontas 
do 
p 
e 
passou 
a 
mo 
at 
a 
parte 
superior 
da 
porta, 
onde 
encontrou 
uma 
chave. 
O 
considerou 
um 
bom 
pressgio. 
De 
no 
ter 
querido 
que 
entrasse, 
no 
a 
teria 
deixado 
to 
 
vista. 
Introduziu-a 
na 
fechadura 
e 
abriu. 
Fez 
uma 
pausa 
para 
escutar, 
mas 
acima 
no 
havia 
nenhum 
rudo. 
Entrou 
e 
fechou 
a 
porta 
a 
suas 
costas 
antes 
de 
acender 
a 
luz. 
A 
habitao 
foi 
um 
desengano. 
Imaginava 
que 
o 
refgio 
de 
um 
escritor 
seriam 
acolhedor 
e 
interessante. 
Devia 
ter 
paredes 
com 
estantes, 
tapetes 
turcos 
e 
sof 
de 
couro. 
Talvez 
um 
balo 
terrqueo 
em 
uma 
esquina 
e 
a 
biblioteca 
cheia 
de 
edies 
limitadas 
e 
de 
coleces 
iluminadas 
por 
lustres 
stilo 
Tiffany. 
O 
lugar 
de 
trabalho 
de 
Alex 
era 
isso: 
um 
lugar 
de 
trabalho. 
Prtico, 
sem 
nenhuma 
graa, 
sem 
personalidade, 
sem 
esttica. 
O 
computador 
e 
a 
impresora 
repousavam 
em 
cima 
de 
uma 
mesa 
plegvel 
com 
patas 
metlicas 
e 
superfcie 
de 
formica. 
Ao 
lado 
tinha 
um 
fax. 
As 
enciclopedias 
e 
novelas 
no 
tinham 
o 
lombo 
de 
pele 
nem 
se 
alinhavam 
em 
peas 
de 
madeira, 
seno 
que 
se 
empilhavam 
em 
estantes 
metlicas. 
O 
telefone 
estava 
em 
cima 
das 
guias 
telefnicas. 
Em 
uma 
esquina, 
estava 
situada 
a 
mesa 
que, 
sem 
dvida, 
utilizava 
para 
os 
papis. 
Estava 
abarrotada 
de 
correspondncia, 
faxes, 
estratos 
de 
contas 
do 
banco, 
um 
bloco 
manchado 
de 
caf 
com 
letras 
ilegveis, 
setas 
e 
asteriscos; 
e 
um 
monto 
de 
expedientes, 
etiquetados 
a 
mo 
e 
muito 
usados, 
que 
tinham 
a 
margem 
dobrada. 
A 
Cat 
chamou 
a 
ateno 
uma 
fotografia 
marcada. 
Apanhou-a 
para 
ver 
de 
perto 
ao 
casal 
que 
sorria. 
Alex 
levava 
um 
bigode 
espetacular. 
Quando 
tivesse 
ocasio, 
o 
aproveitaria 
para 
cao-lo. 
A 
seu 
lado 
tinha 
uma 
jovem 
muito 
bonita. 
Igual 
a 
ele, 
levava 
calas 
curtas 
e 
botas 
de 
excursionista, 
e 
estava 
apoiada 
em 
uma 
enorme 
pedra. 
Ao 
fundo 
tinha 
uma 
cordilheira 
que 
parecia 
as 
Montanhas 
Rochosas. 
Fotos 
de 
frias. 
Tinha 
compartilhado 
umas 
frias 
com 
essa 
mulher. 
Cat 
se 
recriminou 
por 
sentir 
cimes. 
Como 
era 
lgico, 
Alex 
tinha 
tido 
outras 
relaes 
amorosas, 
e 
era 
provvel 
que 
algumas 
tivessem 
sido 
srias. 
No 
podia 
deixar 
que 
uma 
foto 
a 
faz-la 
reagir 
como 
se 
fosse 
uma 
adolescente. 
Voltou 
a 
deixar 
a 
foto 
onde 
estava. 


#
A 
parede 
de 
por 
trs 
da 
mesa 
estava 
coberta 
com 
painis 
de 
cortia 
ainda 
que 
mal 
se 
visse, 
j 
que 
estava 
cheia 
de 
papis 
scritos, 
tanto 
a 
mo 
como 
a 
mquina, 
e 
artigos 
recortados 
de 
jornais 
e 
revistas. 
Pensou 
que 
devia 
de 
ser 
material 
para 
o 
livro 
que 
estava 
escrevendo, 
pelo 
que 
viu 
com 
uma 
olhada 
a 
esmo. 
Depois 
de 
poucos 
minutos 
se 
deu 
conta 
que 
todos 
os 
artigos 
estavam 
relacionados 
com 
um 
tema. 
E 
no 
era 
com 
um 
crime, 
nem 
com 
policiais 
corruptos. 
Tratava-se 
do 
transplante 
de 
rgos; 
concretamente 
de 
transplantes 
de 
corao. 
Uma 
coisa 
em 
particular 
a 
intrigou. 
A 
duplicata 
de 
um 
dos 
recortes 
que 
Paul 
Reyes 
tinha 
enviado.
Mas 
no 
era 
a 
foto-cpia 
que 
ela 
tinha 
dado 
semanas 
atrs, 
mas 
um 
original. 
stava 
amarelado. 
Claro: 
era 
de 
dois 
anos 
atrs. 
Tremiam 
os 
seus 
joelhos 
e 
deixou-se 
cair 
no 
assento. 
Cat: 
controla-te, 
disse. 
No 
chegue 
a 
concluses 
precipitadas. 
Tem 
que 
ter 
uma 
explicao 
lgica 
e 
ainda 
no 
a 
encontrou. 
Alex 
estava 
investigando 
a 
vida 
dela 
para 
um 
de 
seus 
livros. 
Sim, 
isso 
devia 
de 
ser. 
No 
queria 
dizer 
nada 
por 
que... 
Por 
qu? 
Por 
que 
no 
o 
tinha 
mencionado? 
A 
que 
vinha 
tanto 
secredo? 
A 
resposta 
podia 
estar 
nos 
expedientes. 
O 
de 
acima 
de 
tudo 
estava 
etiquetado 
como 
AMANDA. 
Abriu-o 
e 
o 
corao 
disparou. 
Sorria 
um 
primeiro 
plano 
da 
mesma 
mulher 
que 
tinha 
visto 
na 
outra 
foto. 
Seus 
olhos 
eram 
preciosos 
e 
tinha 
uma 
expresso 
inteligente. 
Qual 
devia 
de 
ser 
sua 
relao 
com 
Alex? 
Morria 
de 
vontade 
de 
sab-lo, 
mas 
tambm 
lhe 
dava 
medo. 
Apartou 
a 
foto 
para 
ler 
outro 
arquivo. 
O 
certificado 
de 
funo 
de 
Amanda. 
Sua 
relao 
tinha 
terminado 
com 
a 
morte 
dessa 
mulher. 
Pobre 
Alex. 
Se 
tinha 
significado 
algo 
para 
ele, 
a 
perder 
deve 
ter 
sido 
uma 
tragdia 
e 
explicava 
parte 
de 
seu 
cinismo. 
Sua 
morte 
prmatura, 
unida 
ao 
de 
ter 
disparado 
contra 
um 
camarada, 
tinha 
muito 
que 
ver 
com 
que 
tivesse 
refugiado 
no 
lcool. 
Havia 
perdido 
Amanda 
antes 
ou 
aps 
o 
tiroteio? 
Cat 
buscou 
a 
data 
do 
certificado 
e 
levou 
a 
mo 
 
boca 
para 
evitar 
um 
grito. 
Quando 
se 
recuperou, 
o 
corao 
seguia 
seu 
prprio 
caminho. 
Frentica, 
saui 
no 
arquivo 
de 
Amanda 
e 
leu 
a 
etiqueta 
do 
seguinte, 
ainda 
que 
j 
estivesse 
quase 
segura 
do 
que 
leria. 
DANIEL 
L. 
LUCAS, 
alias 
SPARKY. 
J 
sabia 
de 
quem 
era 
o 
expediente 
que 
vinha 
a 
seguir. 
No 
se 
equivocou. 
JUDITH 
REYES. 
Tremiam 
as 
mos, 
mas 
abriu 
os 
outros 
arquivos, 
que 
tinham 
o 
nome 
dos 
transplantados 
mortos 
em 
estranhas 
circunstancias. 
Tinha 
informao 
exaustiva, 
descries 
detalhadas 
dos 
acidentes 
fatais, 
cpias 
dos 
relatrios 
dos 
forenses 
e 
da 
policia, 
documentao 
 
que 
s 
um 
policial, 
ou 
um 
ex-policial 
muito 
inteligente, 
podia 
ter 
acesso. 
O 
ltimo 
arquivo 
levava 
seu 
nome. 
Estava 
a 
ponto 
de 
desmaiar, 
mas 
abriu-o: 
sua 
vida, 
especialmente 
pos 
o 
transplante. 
Dzias 
de 
fotografias, 
algumas 
de 
anos 
atrs, 
outras 
da 
semana 
anterior, 
umas 
posando, 
outras 
tomadas 
com 
teleobjetiva. 
Jogou 
um 
olhada 
aos 
outros 
arquivos. 
Todos 
tinham 
necessitado 
um 
trabalho 
meticuloso. 
Era 
impossvel 
que 
o 
tivesse 
iniciado 
semanas 
atrs, 
quando 
ela 
havia 
pedido 
ajuda 
para 
encontrar 
 


#
pessoa 
que 
a 
ameaava. 
O 
que 
tinha 
diante 
representava 
horas, 
dias, 
anos 
de 
investigao 
minuciosa. 
Tinha 
feito 
um 
estudo 
a 
fundo 
dessas 
mortes. 
Negava-se 
a 
aceitar 
o 
que 
isso 
implicava. 
A 
porta 
abriu-se 
a 
suas 
costas. 
Cat 
teve 
um 
sobressalto 
e 
virou 
em 
sua 
cadeira. 
Alex 
olhava-a 
com 
olhos 
acusadores. 



Captulo 
cinquenta 
e 
trs 


Eu 
te 
Disse 
que 
no 
entrar 
aqui. 
Cat 
tinha 
a 
boca 
seca, 
mas 
em 
vez 
de 
demonstrar 
seu 
medo 
passou 
 
ofensiva. 
Que 
 
tudo 
isto? 
Como 
o 
tens 
compilado? 
Que 
significa? 
J 
te 
interessavam 
os 
transplantes 
de 
corao 
muito 
antes 
de 
me 
conhecer? 
Quem 
era 
Amanda? 
No 
deveria 
meter 
o 
nariz 
em 
meus 
arquivos 
pessoais. 
Quero 
saber 
por 
que 
os 
tem, 
Alex. 
Quem 
era 
Amanda? 
Uma 
mulher 
 
que 
quis. 
Intimamente 
unida 
a 
ti. 
Sim. 
E 
morreu. 
Sim. 
Pelas 
costas, 
agarrava 
a 
quina 
da 
mesa. 
Segundo 
o 
certificado 
de 
morte 
morreu 
horas 
antes 
de 
meu 
transplante. 
Era 
uma 
doadora 
de 
corao? 
Depois 
de 
uns 
instantes 
assentiu. 
Por 
que 
nunca 
me 
falou 
dela? 
Espera! 
Estava 
to 
confunsa 
que 
era 
um 
enorme 
esforo 
coordenar 
seus 
pensamentos. 
Algo 
tinha 
disparado 
em 
sua 
memoria 
com 
respeito 
a 
uma 
conversa 
de 
um 
par 
de 
noites 
atrs. 
O 
choque 
mltiplo 
na 
estrada 
 
exclamou 
 Jeff 
mencionou-o 
quando 
eu 
j 
o 
tinha 
esquecido. 
Amanda 
foi 
uma 
das 
vtimas? 
No. 
Alex, 
quem 
era? 
Diga-me! 
Vocs 
tiraram 
frias 
juntos. 
Devia 
ser 
uma 
relao 
estvel. 
Era, 
e 
muito. 
As 
lgrimas 
caiam 
dos 
olhod 
de 
Cat. 
Teve 
uma 
relao 
muito 
estvel 
com 
uma 
doadora 
e 
nunca 
me 
disse 
nada. 
Por 
qu? 
Agora 
j 
no 
importa. 
Pois 
eu 
acho 
que 
importa 
muito. 
Caso 
contrrio 
teria 
me 
falado 
dela, 
igual 
ao 
que 
fez 
no 
caso 
de 
Sparky 
e 
Judy 
Reyes. 
Por 
que 
no 
sei 
quem 
era 
Amanda? 
Cat 
j 
no 
suportava 
mais 
a 
situao. 


#
Como 
morreu? 
Cat... 
Conta-me! 
Como 
morreu? 
De 
uma 
embolia 
cerebral, 
durante 
o 
parto. 
Parto? 
Cat 
estava 
 
beira 
da 
histeria. 
E 
o 
beb? 
Meu 
filho 
nasceu 
morto. 
Estrangulou-se 
com 
o 
cordo 
umbilical. 
Cat 
no 
pde 
evitar 
um 
gemido. 
Teu 
filho. 
Amanda 
era 
tua 
esposa? 
No 
chegamos 
a 
nos 
casar. 
Bem, 
isso 
era 
uma 
formalidade. 
Tnheis 
um 
compromisso 
mutuo. 
Total 
e 
absoluta. 
Voc 
a 
amva. 
Teria 
dado 
minha 
vida 
por 
ela. 
Cat 
apartou 
as 
lgrimas 
que 
a 
rodavam 
pelas 
bochechas. 
E 
acha 
que 
levo 
seu 
corao. 
Alex 
avanou 
com 
os 
braos 
estendidos, 
mas 
ela 
voltou 
a 
retroceder. 
Cat, 
j 
est 
bem, 
no 
tenha 
medo. 
Acalme-se 
e 
escuta. 
Mas 
o 
que 
vou 
escutar! 
Sou 
uma 
ingnua 
que 
acredito 
em 
tudo 
o 
que 
me 
dizem. 
Nunca 
busco 
dobros 
significados 
nem 
agendas 
ocultas. 
Confio 
s 
cegas 
 
disse 
com 
uma 
pequena 
risada 
sarcstica. 
Sentia 
uma 
opresso 
no 
peito; 
estava 
ferida 
no 
mais 
prfundo 
de 
seu 
ser.
 
um 
miservel 
filho 
de 
puta 
que 
esteve 
transando 
comigo 
porque 
fazia 
com 
Amanda! 
Escuta-me... 
No! 
J 
estou 
farta 
de 
te 
escutar! 
Quando 
penso 
que 
voc 
tinha 
tudo 
planejado... 
Foi 
uma 
charada 
de 
primeiro 
prmio. 
Nosso 
encontro 
e 
o 
que 
tem 
vindo 
depois. 
Sim 
 admitiu 
Alex. 
Cat 
estava 
suportando 
o 
insuportvel. 
Irene 
e 
Charlie 
Walters 
tinham 
solicitado 
a 
adoo 
de 
um 
dos 
meninos 
 apressou 
a 
acrescentar 


 
Confiava 
em 
conhecer-te 
atravs 
deles. 
Mas 
no 
tinha 
previsto 
que 
o 
irmo 
de 
Irene, 
que 
vive 
em 
Atlanta, 
ficasse 
doente, 
nem 
que 
apareceria 
aquela 
manh. 
Eu 
no 
acredito. 
Mas 
ali 
estava 
e, 
ao 
instante, 
senti 
algo... 
E 
tu 
tambm. 
J. 
Amor 
a 
primeira 
vista. 
Achas 
que 
o 
corao 
de 
Amanda 
fez-te 
uma 
indicao 
quando 
te 
vi? 
Removeu 
os 
cabelos. 
Pois 
j 
no 
sei 
o 
que 
pensar. 
Mas 
estou 
apaixonado 
por 
voc. 
No. 
Continua 
apaixonado 
por 
Amanda. 
O 
que 
fiz 
foi... 
Desprecivel, 
jogo 
sujo, 
repugnante. 
Uma 
cachorrada! 
Verdade! 
Sim, 
sou 
um 
imbecil; 
j 
o 
admiti 
faz 
tempo. 
#
J 
no 
disse 
mais. 
Abaxou 
a 
cabea 
e 
ficou 
olhando 
ao 
cho. 
Depois 
de 
uns 
minutos 
levantou 
os 
olhos 
e, 
baixinho, 
disse: 
Para 
que 
possas 
me 
perdoar, 
primeiro 
ters 
que 
entender 
quanto 
a 
quis. 
Cat 
estava 
muito 
transtornada 
para 
poder 
falar 
e 
ele 
aproveitou 
seu 
silncio 
para 
se 
defender.
Amanda 
pressionava-me 
pra 
que 
nos 
casssemos, 
mas 
eu 
me 
negava 
devido 
a 
meu 
trabalho. 
s 
vezes 
passava 
em 
vrios 
dias 
seguidos 
fora 
de 
casa. 
Quando 
saa 
pela 
porta, 
ela 
no 
sabia 
se 
voltaria 
a 
me 
ver 
vivo. 
Essa 
classe 
de 
vida 
 
um 
inferno 
para 
a 
relao 
do 
casal. 
Queria 
que 
se 
sentisse 
livre 
para 
que 
pudesse 
sair 
quando 
quisesse. 
Sem 
papel. 
Pouco 
depois 
de 
que 
ocorresse 
esse 
feio 
assunto 
no 
departamento, 
ficou 
grvida. 
Eu, 
ao 
princpio, 
estava 
contrariado; 
depois, 
assustado. 
Mas 
ela 
estava 
to 
alegre 
que, 
pouco 
a 
pouco, 
comecei 
a 
gostar 
a 
ideia: 
essa 
nova 
vida 
era 
como 
um 
comeo 
de 
esperana. 
Quando 
me 
comunicaram 
que 
estava 
em 
trabalho 
de 
parto, 
sa 
correndo 
para 
o 
hospital, 
mas 
fiquei 
retido 
pelo 
choque 
mltiplo 
na 
estrada. 
Quando 
consegui 
chegar 
ali... 
Esfregou 
os 
olhos 
antes 
de 
seguir. 
Fiqei 
louco 
quando 
o 
mdico 
me 
comunicou 
que 
havam 
diagnosticado 
morte 
cerebral. 
Cat 
ainda 
tinha 
os 
olhos 
chorosos, 
mas 
j 
no 
estava 
furiosa, 
seno 
comovida 
pela 
trgica 
histria. 
De 
vez 
em 
quando, 
soluava. 
Ento 
se 
apresentou 
a 
empregada 
do 
banco 
de 
rgos. 
No 
me 
pressionou, 
devo 
reconhecer. 
Desculpou-se 
pela 
intromisso 
em 
um 
dos 
momentos 
mais 
difcil, 
mas 
recordou-me 
que 
Amanda 
na 
sua 
carteira 
de 
motorista 
constava 
que, 
se 
acontecesse 
alguma 
coisa, 
queria 
ser 
doadora 
de 
rgos. 
Isso 
est 
considerado 
um 
documento 
legal, 
mas, 
inclusive 
assim, 
me 
disse 
que 
no 
procederiam 
a 
retirada 
dos 
rgos 
sem 
meu 
consentimento. 
Amanda 
no 
tinha 
familiares 
vivos, 
por 
isso 
a 
deciso 
era 
s 
minha. 
Algum 
precisava 
do 
corao 
de 
Amanda. 
Se 
eu 
negasse, 
outra 
pessoa 
ia 
morrer. 
Tinham 
que 
tirar 
o 
rgo 
o 
quanto 
antes 
possvel; 
o 
fator 
tempo 
era 
primordial. 
Se 
desse 
a 
permisso... 
Avariou 
a 
voz. 
Cat 
sabia 
que 
j 
no 
estava 
ali 
com 
ela, 
seno 
no 
corredor 
daquele 
hospital, 
paralisado 
pela 
dor 
enquanto 
pediam 
permisso 
para 
arrancar 
o 
corao 
a 
sua 
amada. 
Fazia 
cinco 
anos 
que 
vivamos 
juntos 
e 
nunca 
dei 
a 
ela 
o 
que 
mais 
queria, 
que 
era 
meu 
sobrenome. 
Em 
Houston, 
naqueles 
tempos, 
a 
gente 
costumava 
virar 
o 
nariz 
ao 
ouvir 
meu 
nome, 
e 
pensei 
que 
era 
melhor 
que 
seguisse 
com 
o 
seu. 
Ou 
talvez 
fosse 
muito 
egosta. 
Queria-a; 
sabia 
que 
queria 
viver 
com 
ela 
e 
com 
nosso 
filho 
durante 
o 
resto 
de 
minha 
vida. 
Mas 
no 
compreendi 
o 
quanto 
precisava 
dela 
at 
que 
j 
no 
estava 
neste 
mundo. 
Por 
ironia 
do 
destino, 
nesse 
dia 
havia 
entregado 
o 
meu 
distintivo: 
o 
que 
ela 
estava 
pedindo 
desde 
o 
tiroteio. 
Queria 
que 
me 
dedicasse 
a 
escrever; 
acreditava 
no 
meu 
talento. 
Ou, 
ao 
menos, 
 
o 
que 
me 
dizia 
 sorriu 
com 
amargura. 
Aps 
enterr-la, 
esvaziei 
nosso 
apartamento, 
presenteei 
as 
roupas 
do 
beb 
e 
estive 
bbado 
dia 
e 
noite 
durante 
vrios 
meses. 
Quando 
deixei 
de 
beber 
e 
comeou 
minha 
amizade 
com 
Arnie, 
pensei 
em 
perguntar 
pelo 
receptor 
de 
seu 
corao. 
Fiquei 
obcecado 
com 
a 
ideia 
do 
encontrar 
eu 
mesmo. 
No 
podia 
tirar 
da 
cabea 
que 
seu 
corao 
seguisse 
vivendo 
dentro 
de 
outra 
pessoa. 
Comecei 
a 
ler 
jornais 
das 
principais 
cidades 
publicados 
desde 
o 
dia 
de 
sua 
morte 
at 
vrias 
semanas 
depois. 
Buscava 
artigos 
sobre 
transplantes 
de 
corao. 
Se 
os 
receptores 
so 
mediamente 
inteligentes, 


#
s 
vezes 
podem 
descobrir 
quem 
foram 
seus 
doadores 
s 
lendo 
os 
jornais. 
Era 
possvel 
que 
tambm 
funcionasse 
ao 
inverso. 
Li 
todo 
o 
que 
pude 
encontrar 
relacionado 
com 
o 
tema. 
Assim 
descobri 
quais 
so 
os 
requisitos 
necessrios 
para 
evitar 
rechazos. 
Escrevia 
os 
requisitos 
e 
fazia 
um 
perfil 
da 
pessoa 
receptora, 
igual 
que 
o 
faria 
para 
a 
personagem 
de 
um 
de 
meus 
livros. 
Teu 
transplante 
tinha 
sido 
todo 
um 
acontecimento 
para 
a 
imprensa. 
Aproveitando 
meus 
anteriores 
contatos 
com 
a 
policia, 
ou 
com 
subornos, 
ou 
utilizando 
qualquer 
artimanha 
que 
me 
ocorria, 
atravs 
de 
um 
empregado 
do 
hospital 
de 
Califrnia 
soube 
a 
hora 
em 
que 
tinham 
realizado 
teu 
transplante. 
O 
tempo 
decorrido 
entre 
uma 
operao 
e 
a 
outra 
era 
muito 
pequena, 
mas 
seguia 
sendo 
possvel. 
Teu 
grupo 
sangneo 
e 
o 
dela 
coincidiam, 
tnham 
quase 
o 
mesmo 
tamanho. 
Quanto 
mais 
pesquisava, 
mais 
convencido 
estava 
de 
que 
levava 
seu 
corao. 
Tinha 
a 
inteno 
de 
me 
mudar 
para 
Los 
Angeles 
para 
conhec-la 
quando 
publicaram 
que 
vinha 
para 
San 
Antonio. 
E, 
de 
imediato, 
deixei 
Houston 
e 
vim 
para 
c 
 
fez 
uma 
pausa 
 
J 
sabes 
o 
resto. 
O 
nico 
que 
sei 
 
que 
 
um 
asqueroso 
farsante. 
No 
princpio, 
sim. 
Ao 
v-la 
nessa 
porta 
senti 
um 
golpe 
e 
soube 
que 
tinha 
atingido 
na 
mosca. 
Sabia 
que 
estava 
no 
caminho 
certo, 
conforme 
ai 
te 
conhecendo, 
mais 
me 
convencia. 
Tinha 
traos 
de 
carter 
semelhante 
aos 
seus. 
No 
quero 
continuar 
escutando. 
Tua 
forma 
de 
ser 
me 
faz 
lembrar 
dela, 
seus 
gostos 
e 
manas 
so 
os 
mesmos. 
Tem 
inclusive 
seu 
senso 
do 
humor 
e 
seu 
otimismo. 
Basta 
j! 
 
tampou 
os 
ouvidos. 
Tinha 
que 
fazer 
o 
amor 
contigo, 
Cat; 
precisava. 
Utilizou-me 
como 
mdium. 
Sim. 
Tinha 
que 
saber 
se 
podia 
me 
comunicar 
com 
ela. 
Sent-la. 
Toc-la 
uma 
vez 
mais. 
Cu 
santo! 
gritou 
destroada 
ao 
ouvi-lo. 
E 
senti 
uma 
conexo 
csmica. 
Mas, 
era 
Amanda? 
Ou 
eras 
tu? 
O 
ocorrido 
entre 
ns 
tinha 
sido 
to 
extraordinrio 
que 
comecei 
a 
me 
sentir 
culpado 
por 
t-la 
trado. 
No 
me 
ir 
dizer 
que, 
em 
quatro 
anos, 
eu 
era 
a 
primeira 
mulher 
com 
a 
que 
tinha 
estado? 
No, 
mas 
 
a 
primeira 
que 
significou 
algo 
para 
mim, 
da 
que 
sei 
o 
nome 
quando 
acordei. 
Por 
isso 
deixei 
de 
te 
ver, 
porque 
j 
no 
confiava 
de 
minhas 
intenes. 
Estava 
me 
apaixonando 
por 
voc 
e 
no 
tinha 
nada 
que 
ver 
com 
Amanda. 
J 
no 
queria 
saber 
se 
levava 
seu 
corao. 
Quase 
enrolei 
a 
lngua 
na 
manh 
que 
me 
diss 
que 
tinha 
chamado 
ao 
banco 
de 
rgos 
para 
fazer 
averiguaes 
sobre 
teu 
doador. 
Quando 
comeou, 
telefonei 
 
agncia 
que 
tinha 
retirado 
o 
corao 
de 
Amanda 
e 
anulei 
a 
solicitao 
de 
informao. 
Se 
levasse 
seu 
corao, 
no 
queria 
saber. 
A 
nica 
coisa 
que 
queria 
saber 
era 
que 
te 
amava. 
Espera 
que 
eu 
acredite 
neste 
conto 
de 
fadas! 
E, 
quanto 
a 
isto... 
Deu 
um 
golpe 
com 
o 
brao 
aos 
arquivos, 
que 
caram 
ao 
cho 
e 
esparramarm 
seu 
contedo. 
Voc 
teve 
vrios 
problemas 
para 
nada. 
Pelo 
que 
ambos 
sabemos, 
nem 
sequer 
levo 
seu 
corao! 
Estou 
seguro 
ao 
noventa 
por 
cento. 
No 
tinha 
experimentado 
esse 
impacto 
demolidor 
com 
os 
outros. 


#
Mesmo 
assim... 
Calou-se 
inesperadamente 
ao 
dar-se 
conta 
do 
que 
ele 
acabava 
de 
dizer. 
Os 
outros? 
Os 
outros 
transplantados? 
Tambm 
chegou 
a 
conhec-los? 
De 
imediato, 
deixou 
de 
chorar 
e 
viu 
a 
verdade 
com 
uma 
clareza 
vidroina. 
Deus 
meu! 
s 
tu! 
Cat... 
Lanou-se 
sobre 
ele, 
golpeando 
no 
peito 
com 
os 
punhos. 
Alex 
perdeu 
o 
equilbrio, 
retrocedeu 
at 
a 
estante 
e 
alguns 
livros 
caram 
ao 
cho. 
Cat 
correu 
para 
a 
porta 
e 
fechou-a 
inesperadamente 
a 
suas 
costas. 
Sem 
deter-se 
um 
minuto, 
entrou 
na 
sala 
e 
apanhou 
as 
chaves 
do 
carro 
de 
Alex, 
que 
estavam 
em 
cima 
do 
criado-mudo. 
A 
porta 
estava 
fechada 
e, 
com 
dedos 
nervosos, 
manipulou 
o 
trinco. 
Ouvia 
os 
ps 
nus 
de 
Alex 
correndo 
depois 
dela. 
Abriu 
e 
subiu 
ao 
carro. 
Cat, 
espera! 
gritou. 
Pra 
que 
possas 
me 
matar 
como 
aos 
outros? 
Ligou 
o 
carro 
e 
pisou 
no 
acelerador. 
Os 
pneus 
chiaram 
e 
giraram 
sobre 
si 
mesmos. 
Alex 
quase 
tinha 
chegado 
ao 
carro 
quando 
Cat 
conseguiu 
o 
controlar 
e 
se 
perdeu 
na 
noite. 



Captulo 
cinquenta 
e 
quatro 


Onde 
estava 
essa 
estpida? 
Mas 
Kismet 
no 
era 
to 
estpida, 
teve 
que 
recordar 
Cyclops 
j 
que 
ele 
tinha 
cado 
em 
sua 
armadilha. 
Durante 
dias 
esteve 
pensando 
como 
poderia 
a 
encontrar 
e, 
at 
agora, 
no 
tinha 
ocorrido 
nenhuma 
ideia, 
o 
que 
seria 
um 
milagre. 
Tinha 
o 
crebro 
podre 
por 
viver 
a 
base 
de 
lcool 
e 
drogas. 
Tinha 
perguntado, 
mas 
nenhum 
de 
seus 
conhecidos 
sabia 
onde 
tinha 
albergues 
para 
mulheres. 
O 
nico 
que 
conseguiu 
foram 
comentrios 
sarcsticos 
e 
deboches 
por 
no 
poder 
reter 
a 
sua 
mulher. 
Maldita 
seja! 
Tinha 
que 
encontra-la 
e 
a 
trazer 
 
fora, 
ainda 
que 
s 
fosse 
para 
salvar 
a 
cara 
diante 
de 
seus 
amigos. 
Inclusive 
estava 
perdendo 
o 
respeito 
de 
seus 
inimigos, 
o 
que 
ainda 
era 
pior. 
Quando 
colocasse 
as 
mos 
em 
cima 
dela, 
e 
certamente 
era 
s 
questo 
de 
tempo, 
lamentaria 
por 
t-lo 
enganado. 
No 
seria 
to 
valente 
de 
no 
fosse 
por 
essa 
Delaney, 
que 
era 
a 
culpada 
de 
tudo. 
Tinha 
sado 
do 
nada 
para 
ressuscitar 
a 
Sparky. 
Meter 
a 
Kismet 
na 
linha 
era 
fcil; 
s 
tinha 
que 
a 
ameaar 
em 
bater 
no 
menino 
e 
se 
convertia 
num 
corderinho, 
faria 
qualquer 
coisa 
para 
proteger 
ao 
asqueroso 
bastardo 
de 
Sparky. 
Mas 
no 
podia 
a 
controlar, 
nem 
muito 
menos 
castig-la 
como 
merecia, 
se 
no 
a 
encontrava. 
S 
uma 
pessoa 
podia 
dizer 
onde 
estavam 
escondidos 
Kismet 
e 
o 
piralho. 
Bom, 
Na 
verdade 
duas 
pessoas, 
mas 
prefera 
no 
ter 
que 
falar 
com 
esse 
Pierce 
a 
no 
ser 
que 
fosse 
absolutamente 
necessrio. 
Em 
qualquer 
caso, 
ficar 
sentado 
e 
dando 
volta 
no 
assunto 
no 
serviria 
para 
nada. 
J 
tinha 
refletido 


#
sobre 
a 
Situao 
at 
cansar 
e 
era 
o 
momento 
de 
passar 
 
ao. 
Agora 
os 
nimos 
j 
estariam 
calmos, 
a 
policia 
devia 
de 
ter 
outros 
assuntos 
em 
que 
se 
ocupar 
e 
j 
no 
o 
buscaria. 
Levantou 
cambaleando, 
brio, 
antes 
de 
recuperar 
o 
equilibrio 
para 
sair 
do 
bar. 
O 
ar 
da 
noite 
era 
fresco 
e 
tonificante 
e 
o 
respirou 
um 
pouco. 
Ao 
montar 
na 
Harley, 
a 
tocou 
como 
se 
fosse 
um 
objeto 
vivente. 
Quando 
ps 
a 
potente 
mquina 
para 
andar, 
agradeceu 
a 
vibrao 
entre 
as 
coxas 
e 
o 
sexo, 
que 
lhe 
fez 
recuperar 
a 
virilidade 
e 
a 
segurana 
em 
si 
mesmo, 
muito 
abalada 
aps 
o 
fracasso 
com 
Cat 
Delaney. 
Se 
deixasse 
que 
essa 
ruiva 
sasse 
livre 
aps 
ter 
fodido 
a 
sua 
vida, 
ele 
mesmo 
forneceria 
uma 
faca 
para 
que 
o 
aougueiro 
o 
capasse. 


 
Isso 
no 
 
nada, 
querida 
 disse 
com 
uma 
pequena 
risada 
enquanto 
saa 
a 
todo 
gs. 
Bill 
Webster 
no 
tinha 
tirado 
o 
olho. 
Pela 
ensima 
vez 
olhou 
o 
relgio 
do 
criado-mudo. 
Jogou 
a 
roupa 
a 
um 
lado 
e 
saltou 
da 
cama. 
Suas 
calas 
estavam 
bem 
dobradas 
em 
cima 
da 
cadeira. 
Ele 
a 
Estava 
colocando 
quando 
Melia 
se 
levantou 
e, 
sonolenta, 
murmurou 
seu 
nome. 
Sinto 
t-la 
acordado 
 
disse 
 
continue 
dormindo. 
Aonde 
vai? 
J 
est 
na 
hora 
de 
eu 
ir 
embora. 
Agora? 
Achei 
que 
tinha 
dito 
a 
Nancy 
que 
estaria 
fosse 
toda 
a 
noite. 
Fiz-o. 
E 
por 
que 
no 
esperas 
at 
amanh? 
J 
 
amanh. 
Melia 
estava 
amuada; 
no 
gostava 
do 
dilogo 
trivial 
a 
horas 
to 
intempestivas. 
Odeio 
acordar 
sozinha. 
Hoje 
no 
poder 
evitar. 
Qual 
o 
motivo 
de 
tanta 
pressa? 
H 
algo 
que 
tenho 
que 
fazer. 
A 
estas 
horas? 
O 
quanto 
antes, 
melhor. 
Utilizou 
todos 
seus 
encantos 
para 
faz-lo 
voltar 
 
cama, 
mas 
no 
conseguiu 
dissuadi-lo. 
Saiu 
a 
toda 
pressa, 
sem 
sequer 
lhe 
dar 
um 
beijo 
de 
despedida. 


Alex 
amaldiou 
enquanto 
contemplava 
a 
parte 
posterior 
de 
seu 
carro 
que 
desaparecia 
pela 
esquina, 
mas 
no 
perdeu 
o 
tempo 
em 
lamentaes. 
Voltou 
a 
entrar 
na 
casa, 
subiu 
de 
dois 
em 
dois 
os 
degraus 
at 
o 
dormitrio 
e 
vestiu-se. 
Tirou 
o 
revlver 
da 
primeira 
gaveta 
da 
mesa, 
apanhou 
um 
punhado 
de 
balas 
e 
meteu-lhas 
no 
bolso 
da 
camisa 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
baixava 
a 
escada. 
Caminho 
da 
porta, 
olhou 
o 
relgio 
e 
soltou 
outro 
palavro. 
A 
moto 
seguia 
na 
oficina 
e 
ela 
tinha 
levado 
o 
carro. 
Com 
a 
coronha 
do 
revlver 
rompeu 
a 
janela 
do 
BMW 
de 
seu 
vizinho. 
Em 
matria 
de 
segundos 
fez 
uma 
ligao 
eltrica 
e 
saiu 
a 
toda 
velocidade. 


#
Voltou 
a 
olhar 
o 
relgio. 
Cat 
s 
estava 
a 
cinco 
minutos 
de 
vantagem. 


Estava 
muito 
assustada 
para 
chorar; 
mas 
o 
faria 
depois. 
Quando 
ele 
estivesse 
entre 
grades 
e 
ela 
a 
salvo, 
derramaria 
at 
a 
ltima 
lgrima 
por 
seu 
colossal 
engano. 
Agora 
tinha 
que 
se 
concentrar 
em 
sobreviver. 
Tinha 
sido 
Alex 
desde 
o 
princpio. 
Existia 
a 
possibilidade 
de 
que 
levasse 
o 
corao 
de 
sua 
querida 
Amanda, 
de 
modo 
que 
planejou 
mat-la 
como 
aos 
demais. 
Hoje 
era 
o 
dia, 
o 
aniversrio 
do 
dia 
que 
tinha 
dado 
uma 
nova 
vida 
para 
ela, 
mas 
uma 
dor 
insuportvel 
para 
ele. 
Disse 
que 
estava 
obssecado 
pela 
ideia 
de 
que 
o 
corao 
de 
Amanda 
seguisse 
pulsando 
dentro 
de 
outro 
corpo. 
Tinha 
seguido 
a 
pista 
dos 
possveis 
receptores 
utilizando 
sua 
habilidade 
para 
o 
engano, 
ficando 
intimo 
deles 
o 
suficiente 
para 
mat-los 
sem 
levantar 
suspeita. 
Depois, 
passava 
para 
vtima 
seguinte 
para 
a 
te-la 
em 
sua 
armadilha. 
Quem 
melhor 
para 
cometer 
crimes 
to 
perfeitos, 
que 
a 
polica 
nem 
sequer 
tinha 
considerado 
crimes, 
que 
um 
ex-policial 
escritor 
de 
ingeniosas 
novelas? 
Sabia 
como 
eliminar 
provas 
e 
tapar 
buracos 
em 
uma 
maquinao. 
Estremeceu-se 
porque 
tudo 
o 
que 
usava 
era 
a 
camisa 
de 
Alex. 
Notava 
a 
fria 
tapecaria 
de 
couro 
sob 
o 
traseiro 
e 
estava 
arrepiada. 
Assim 
que 
chegasse 
a 
casa 
chamaria 
ao 
tenente 
Hunsaker. 
Mas 
antes 
tinha 
que 
chegar. 
Mantinha 
um 
olho 
no 
retrovisor. 
Ainda 
que 
tivesse 
deixado 
sem 
carro, 
ele 
tinha 
muitos 
recursos. 
Quase 
esperava 
que 
outro 
veculo 
a 
adiantasse. 
Isso 
seria 
perfeito, 
no? 
Podia 
faz-la 
cair 
de 
um 
viaduto 
e 
fugir. 
Sua 
morte 
seria 
considerada 
um 
acidente 
e 
ningum 
suspeitaria 
dele, 
j 
que 
ela 
teria 
morrido 
ao 
volante 
de 
seu 
carro. 
Sim. 
Seria 
uma 
histria 
convincente. 
Aps 
passar 
a 
noite 
com 
ele, 
tinha 
sado 
a 
primeiras 
horas 
da 
manh 
para 
sua 
casa. 
Ele 
tinha 
emprestado 
seu 
carro. 
No 
posso 
o 
crer 
 diria 
ele 
quando 
o 
notificasse 
sua 
morte. 
Simularia 
dor 
e 
todos 
acreditariam 
em 
sua 
inocncia. 
Igual 
que 
tinha 
feito 
ela. 
Por 
que 
no 
quis 
escutar 
a 
Dean? 
Nem 
a 
Bill? 
Os 
dois 
puseram-na 
em 
guarda, 
tinha 
intuido 
sua 
duplicidade. 
Por 
que 
ela 
no? 
Seu 
lado 
escuro, 
como 
preferia 
o 
chamar, 
era 
to 
escuro 
que 
era 
um 
assassino. 
Tinha 
interpretado 
muito 
bem 
seu 
papel, 
com 
a 
habilidade 
e 
o 
refinamento 
de 
um 
maestro. 
Primeiro 
tinha 
seguido 
a 
pista; 
depois, 
tinha-a 
seduzido. 
A 
seguir 
desapareceu, 
para 
que 
ela 
tivesse 
saudades. 
Voltou 
para 
converter-se 
em 
amigo 
e 
confidente 
quando 
mais 
o 
precisava. 
E, 
por 
fim, 
fizeram-se 
amantes 
no 
sentido 
mais 
estrito 
da 
palavra. 
Ela 
tinha 
declarado 
seu 
amor 
em 
voz 
alta; 
e 
o 
tempo 
todo... 
Soluava 
ao 
entrar, 
com 
excesso 
de 
velocidade, 
na 
rampa. 
Aferrada 
ao 
volante, 
enfilou 
os 
ltimos 
metros 
que 
a 
separavam 
de 
sua 
casa 
sem 
deixar 
de 
recordar 
que 
no 
era 
o 
momento 
de 
desejar 
levar 
pelas 
emoes. 
Se 
vivesse 
para 
isso, 
teria 
tempo 
para 
se 
lamentar. 
Estacionou 
diante 
de 
um 
sinal 
de 
pare, 
abriu 
a 
porta 
e 
correu 
para 
a 
casa. 
No 
primeiro 
degrau 
tropeou 
com 
algum 
sentado 
ali 
e 
gritou. 
O 
intruso 
ficou 
de 
p 
e 
segurou-a 
pelos 
ombros: 


#
Cat, 
onde 
esteve? 
Quase 
desmaiou. 
Primeiro 
de 
medo; 
depois, 
de 
alvio. 
Jeff! 
Agarrou-o 
pela 
manga 
da 
jaqueta, 
apoiou-se 
contra 
seu 
peito 
e 
tentou 
recuperar 
o 
flego. 
Tem 
que 
me 
ajudar! 
Cat, 
quase 
vai... 
Onde 
deixou 
sua 
roupa?
 
uma 
longa 
histria. 
Cat 
abriu 
a 
porta 
e 
desligou 
o 
alarme. 
Jeff 
tinha-a 
seguido 
at 
o 
interior 
da 
casa. 
Tenho 
que 
chamar 
 
policia. 
Alex 
Pierce 
 
a 
pessoa 
que 
tenta 
me 
matar. 
Que? 
Pela 
mulher 
a 
quem 
queria. 
Morreu 
quando 
dava 
a 
luz 
e 
doou 
seu 
corao. 
Enquanto 
explicava 
os 
motivos 
de 
Alex, 
derramou 
o 
contedo 
da 
bolsa 
em 
cima 
da 
mesa 
buscando 
o 
carto 
de 
Hunsaker. 
Onde 
estar? 
Tenho 
que 
o 
chamar. 
Hoje 
 
o 
aniversrio. 
Eu 
sei. 
A 
meia-noite 
me 
deu 
conta; 
e 
no 
sabia 
nada 
de 
voc 
durante 
todo 
dia. 
Vim 
para 
te 
fazer 
companhia. 
Vir 
a 
buscar-me, 
Jeff. 
Tem 
que 
fechar 
o 
crculo 
e 
depois 
de 
muitos 
recursos. 
No 
tens 
nem 
ideia 
do 
metdico 
que 
foi 
seu 
plano. 
Soou 
a 
campainha 
e, 
a 
seguir, 
uns 
socos 
na 
porta. 
Cat! 
Ficaram 
gelados. 
Jeff 
saiu 
diante 
dela, 
utilizando 
seu 
corpo 
como 
escudo. 
Em 
qualquer 
outra 
circunstncia, 
teria 
rido 
de 
sua 
tentativa, 
heroica, 
mas 
cmica, 
para 
a 
proteger. 
A 
policia 
vem 
a 
caminho 
 
gritou 
Jeff. 
Sou 
Bill. 
Cat 
apartou 
a 
Jeff 
a 
um 
lado 
e 
abriu 
a 
porta. 
Bill 
Webster 
entrou. 
Que 
passa? 
Doyle, 
que 
faz 
aqui? 
Cat, 
por 
que 
est 
vestida 
assim. 
Alex 
 
a 
pessoa 
que 
enviou 
os 
recortes 
 
disse 
Jeff 
 Matou 
aos 
outros 
transplantados 
e 
agora 
quer 
fazer 
o 
mesmo 
com 
Cat. 
Bill 
estava 
assombrado. 
Como 
sabem 
que 
 
Pierce? 
Onde 
est 
agora? 
Acabo 
de 
deix-lo. 
Os 
dois 
homens 
trocaram 
olhadas 
aps 
jogar 
uma 
olhada 
a 
suas 
pernas 
nuas. 
Nada 
importava 
menos 
que 
se 
justificar. 
Vou 
chamar 
ao 
tenente 
Hunsaker. 
Descreveu 
a 
grandes 
traos 
o 
lugar 
de 
trabalho 
de 
Alex, 
os 
arquivos, 
a 
grande 
quantidade 
de 
informao 
que 
tinha 
conseguido. 
Agora 
tudo 
faz 
sentido. 
Ele 
deve 
ter 
se 
vangloriado 
quando 
pedi 
que 
me 
ajudasse 
a 
encontrar 
a 
meu 
inimigo. 
Deu-me 
as 
pistas 
sobre 
Sparky, 
encontrou 
a 
Paul 
Reyes 
e 
fez 
passar 
um 
calvario 
a 
esse 
desgraado 
e 
a 
sua 
irm. 
Quem 
 
Reyes? 
perguntou 
Bill. 


#
Cat 
explicou 
a 
viagem 
a 
Fort 
Worth. 
Ficaram 
perplexos 
ao 
saber 
at 
onde 
tinha 
chegado 
Alex 
para 
encontr-la. 
Aqui 
est. 
Cat 
encontrou 
o 
carto 
de 
Hunsaker 
e 
chegou 
ao 
telefone. 
Eu 
o 
farei; 
 
melhor 
que 
te 
vistas 
 
sugeriu 
Jeff. 
Obrigado. 
Cat 
encaminhou-se 
para 
o 
dormitrio, 
mas 
Bill 
a 
seguiu. 
Consideras-me 
ainda 
um 
amigo? 
Podes 
perdoar 
por 
meu 
assunto 
com 
Melia? 
Era 
curioso 
como 
uma 
experincia 
ameaadora 
para 
sua 
vida 
dava 
a 
todos 
os 
demais 
uma 
nova 
perspectiva. 
Bill, 
estava 
chateada 
e 
desiludida, 
mas 
eu 
no 
sou 
quem 
deve 
te 
julgar. 
Claro 
que 
seguimos 
sendo 
amigos. 
De 
repente, 
ficou 
curiosa. 
Por 
que 
veio 
at 
aqui 
a 
estas 
horas? 
Antes 
que 
ele 
pudesse 
contestar, 
Jeff 
disse 
que 
Hunsaker 
j 
vinha. 
Ficar 
at 
que 
chegue? 
Ambos 
assentiram. 
Cat 
os 
agradeceu 
e 
foi 
para 
o 
seu 
quarto. 


O 
doutor 
Dean 
Spicer 
deixou 
o 
carto 
de 
plstico 
na 
cmoda 
e 
abandonou 
a 
habitao. 
Era 
cedo 
e 
os 
corredores 
estavam 
desertos. 
No 
tinha 
ningum 
mais 
no 
elevador. 
Ao 
atravessar 
o 
vestbulo, 
s 
viu 
a 
um 
recepcionista 
dormindo 
no 
balco. 
O 
garoto 
no 
o 
viu. 
Tinha 
chegado 
a 
San 
Antonio 
justo 
antes 
de 
meia-noite, 
em 
um 
vo 
desde 
Los 
Angeles 
que 
fazia 
parada 
em 
Dallas. 
Chamou 
desde 
o 
aeroporto 
e, 
depois, 
quando 
chegou 
a 
San 
Antonio. 
Ela 
no 
tinha 
respondido 
aos 
seus 
telefonemas. 
Pensou 
em 
deixar 
uma 
mensagem 
na 
secretria 
eletrnica, 
mas 
no 
o 
fez. 
Se 
Pierce 
estava 
com 
ela, 
no 
queria 
ser 
um 
intruso 
deixando 
ouvir 
sua 
voz 
no 
dormitrio 
enquanto 
faziam 
o 
amor. 
Tambm 
no 
estava 
seguro 
da 
acolhida 
de 
Cat. 
A 
ltima 
vez 
que 
falavam 
bateu 
o 
telefone 
em 
sua 
cara. 
Tinha 
falado 
do 
disparo 
mortal 
a 
um 
policial 
atribudo 
a 
Pierce. 
Quando 
se 
tratava 
de 
Pierce, 
ela 
pensava 
com 
o 
corao 
e 
no 
com 
a 
cabea.
 
que 
existia 
alguma 
mulher 
que 
no 
fizesse 
o 
mesmo? 
Aps 
pens-lo 
muito, 
chegou 
 
concluso 
de 
que 
talvez 
tivesse 
sido 
melhor 
avisar 
por 
telefone. 
Sua 
visita 
seria 
uma 
surpresa, 
ainda 
que 
no 
devesse 
o 
ser. 
Hoje 
era 
o 
aniversrio 
de 
seu 
transplante. 


A 
rua 
estava 
escura 
e 
silenciosa. 
Cyc 
estacionou 
a 
moto 
 
sombra 
de 
uma 
rvore, 
ao 
outro 
extremo 
da 
ma, 
e 
no 
perdia 
de 
vista 
a 
casa 
de 
Cat 
Delaney. 
Reconheceu 
o 
carro 
postado 
diante 
da 
entrada: 
era 
o 
de 
Pierce. 
Mas 
tinha 
outro 
sobre 
a 
rua 
com 
as 
luzes 
enfocadas 
para 
os 
dormitrios. 
Droga. 


#
Ultimamente 
nada 
saa 
bem. 
Era 
bvio 
que 
seria 
uma 
estupidez 
entrar 
enquanto 
seu 
amigo 
o 
policial 
estivesse 
com 
ela. 
Planejava 
seu 
movimento 
seguinte 
quando 
um 
homem 
ao 
que 
nunca 
tinha 
visto 
abriu 
a 
porta, 
disse 
algo 
acima 
do 
ombro, 
saiu 
e 
a 
fechou 
a 
suas 
costas. 
Olhou 
a 
seu 
ao 
redor. 
Cyclops 
conteve 
o 
flego, 
ainda 
que 
de 
seu 
lugar 
no 
pudesse 
o 
ver. 
O 
homem 
caminhou 
com 
passo 
apressado 
at 
o 
carro 
de 
Pierce 
e 
introduziu-o 
na 
garagem. 
Saiu 
depois 
de 
uns 
momentos 
e 
derrubou 
a 
pesada 
porta. 
A 
contnuao 
chegou 
o 
outro 
carro 
estacionado 
na 
acera 
e, 
aps 
manipular 
um 
jogo 
de 
chaves, 
entrou 
e 
saiu 
em 
direo 
contrria 
a 
seu 
esconderijo. 
Essa 
atividade 
deixou-o 
perplexo. 
No 
estava 
seguro 
de 
que 
aquele 
carro 
fosse 
o 
de 
Pierce, 
verdade? 
S 
tinha 
visto 
que 
ele 
o 
conduzia. 
Podia 
ser 
dela. 
E 
era 
possvel 
que 
tivesse 
outro 
assunto 
com 
outro, 
fora 
Pierce. 
Por 
que, 
se 
no, 
sairia 
a 
essas 
horas? 
J 
que 
ele 
tinha 
sado, 
estaria 
sozinha? 
Cyc 
deixou 
a 
moto 
por 
trs 
da 
rvore 
e 
avanou 
as 
escondidas. 


Cat 
sentia 
a 
necessidade 
de 
tirar 
dela 
cada 
toque, 
do 
cheiro, 
de 
qualquer 
coisa 
que 
lembrar-se 
dele. 
Relaxaria 
alguns 
minutos 
na 
banheira 
enquanto 
esperava 
a 
chegada 
de 
Hunsaker. 
Ningum 
sabia 
o 
que 
podia 
ocorrer 
depois. 
Com 
um 
profundo 
suspiro 
entrou 
no 
banho 
de 
bolhas 
quentes 
e 
apoiou 
a 
cabea 
na 
borda 
da 
banheira. 
Morria 
de 
vontade 
de 
afogar 
tambm 
em 
seu 
desespero 
e 
chorar 
at 
ficar 
sem 
lgrimas, 
mas 
agora 
no 
podia 
se 
deixar 
levar 
por 
suas 
emoes. 
Tinha 
que 
ser 
pragmtica, 
fria, 
dura; 
to 
despiadada 
como 
ele 
o 
tinha 
sido. 
Sem 
escrpulos. 
Fechou 
os 
olhos 
para 
apagar 
as 
imagens 
de 
Alex, 
mas 
seguia 
vendo 
sua 
cara 
em 
diversas 
atitudes. 
Quando 
faziam 
o 
amor, 
enquanto 
falava 
de 
seu 
trabalho, 
explicando 
sua 
devoo 
por 
Amanda. 
Sentia 
um 
n 
na 
garganta, 
mas 
fez 
um 
esforo 
e 
conteve-se. 
Talvez 
por 
isso 
no 
ouviu 
que 
a 
porta 
do 
banho 
se 
abria. 
Na 
realidade 
no 
fosse 
por 
uma 
leve 
corrente 
de 
ar 
da 
rua 
nem 
sequer 
teria 
aberto 
os 
olhos. 
Quando 
o 
fez, 
o 
sobresalto 
fez 
que 
se 
sentasse, 
derramando 
gua 
acima 
da 
borda 
da 
banheira. 
Que 
ests 
fazendo? 
Voc 
se 
assustou? 
Estava 
estupefata; 
muito, 
inclusive, 
para 
gritar. 
Atnita, 
observou 
como 
apanhava 
o 
secador 
de 
cabelo 
do 
suporte 
de 
parede. 
Quando 
o 
ligou, 
comeou 
a 
emitir 
um 
barulho. 
Me 
desculpe, 
Cat. 
Vai 
ser 
vtima 
de 
um 
trgico 
acidente. 
O 
sorriso 
agridoce 
gelou 
seu 
sangue. 



Captulo 
cinquenta 
e 
cinco 


#
Droga! 
Alex 
deu 
um 
soco 
ao 
volante. 
Tinha 
ficado 
sem 
gasolina! 
J 
era 
ruim 
roubar 
um 
carro 
ainda 
mais 
com 
tanque 
vazio. 
Fez 
girar 
o 
volante 
com 
fora 
para 
deixar 
o 
carro 
no 
acostamento 
da 
estrada. 
Abriu 
a 
porta, 
saiu 
e 
empreendeu 
uma 
louca 
carreira. 
O 
seu 
vizinho, 
o 
yuppie, 
estaria 
bem 
empregado 
se 
roubassem 
seu 
bebezinho 
e 
o 
desxaisse 
Sem 
gasolina, 
por 
todos 
os 
santos! 
Tinha 
pouco 
trfico. 
Levantou 
o 
dedo 
a 
alguns 
veculos 
que 
passavam, 
mas 
duvidava 
que 
algum 
se 
detivesse. 
Seu 
aspecto 
no 
inspirava 
muita 
confiana, 
com 
o 
cabelo 
despenteado, 
sem 
barbear 
e 
com 
a 
camisa 
para 
fora 
da 
cala. 
Tomou 
a 
rampa 
de 
sada, 
correndo 
pesadamente 
sobre 
o 
pavimento 
enquanto 
contava 
os 
metros 
que 
faltavam 
at 
a 
casa 
de 
Cat. 
Essa 
manh 
tinha 
encontrado 
a 
soluo 
para 
o 
seu 
enigma. 
Durante 
o 
sonho, 
o 
subconsciente 
tinha


o 
descifrado. 
Desde 
o 
Princpio 
esteve 
perdida 
a 
pea 
final 
do 
quebra-cabea 
e 
o 
espao 
vazio 
saltava 
 
vista. 
Por 
que 
no 
o 
tinha 
visto 
antes 
que 
assassinassem 
a 
trs 
inocentes? 
Amaldioou-se 
por 
sua 
stupidez. 
Todas 
as 
faturas 
que 
se 
tinham 
apresentado 
neste 
labirinto 
de 
vidas 
intercruzadas 
tinham 
sido 
liquidadas; 
menos 
uma. 
Por 
desgraa 
era 
a 
letal. 
Correndo 
ao 
limite 
de 
suas 
foras, 
dobrou 
a 
esquina 
e 
esquivou 
justo 
a 
tempo 
uma 
boca 
de 
incndios. 
Vive, 
Cat. 
No 
me 
deixe 
voc 
tambm. 
A 
Cat 
tremia 
os 
dentes. 
Por 
que 
faz 
isto? 
No 
entendo 
nada. 
Pois 
no 
 
difcil. 
Morrer 
electrocutada 
e 
ter 
sido 
um 
fatal 
acidente, 
igual 
aos 
demais. 
Bom, 
no 
podia 
ter 
deixado 
tuas 
intenes 
mais 
claras. 
Cat 
Delaney: 
sempre 
to 
piadista. 
Desta 
vez 
no 
te 
sairs 
com 
a 
tua. 
O 
tenente 
Hunsaker 
vem 
de 
caminho. 
Jeff 
Doyle 
sorriu. 
Chamei 
o 
servio 
meteorolgico; 
no 
 
policia. 
Bill... 
Enviei-o 
a 
um 
recado. 
Sua 
chegada 
inesperada 
foi 
um 
contratempo, 
mas 
encontrei 
a 
forma 
de 
livrar-me 
dele. 
O 
Aconselhei 
que 
tirasse 
o 
carro 
de 
frente 
da 
casa, 
de 
forma 
que 
quando 
apareer 
Pierce 
para 
te 
matar 
no 
o 
alertasse. 
Muito 
inteligente. 
Sim. 
Aprendi 
a 
apagar 
bem 
minhas 
impresses. 
Quando 
Bill 
voltar, 
me 
encontrar 
falando 
por 
telefone 
perguntando 
por 
que 
Hunsaker 
ainda 
no 
chegou. 
Ns 
nos 
preocuparemos 
por 
que 
no 
saiu 
ainda 
do 
banho 
e 
encontraremos 
teu 
cadver. 
Eu 
terei 
um 
ataque 
histrico, 
como 
fazem 
os 
gays 
nestas 
situaes. 
Me 
culparei 
por 
no 
ter 
te 
aconselhado 
a 
atualizar 
a 
instalao 
eltrica 
desta 
casa 
antiga. 
Deveria 
ter 
um 
interruptor 
de 
segurana 
para 
evitar 
este 
tipo 
de 
acidentes. 
Minha 
conjectura 
ser 
que 
estava 
to 
trastornada 
pela 
traio 
de 
Pierce 
que 
no 
pensava 
bem 
ou 
apanhaou 
o 
secador. 
Webster 
confirmar 
minha 
teoria. 
Ele 
a 
viu 
quo 
nervosa 
voc 
estava 
aps 
descobrir 
que 
teu 
amante 
planejava 
te 
matar. 
#
Alex 
o 
negar. 
Sem 
dvida, 
mas 
tambm 
estar 
implicado 
nas 
outras 
mortes 
quando 
a 
policia 
encontrar 
provas 
acusadoras 
em 
seu 
apartamento. 
Obrigado 
por 
falar 
de 
seu 
estdio 
privado, 
Cat. 
Ao 
que 
parece, 
guarda 
arquivos 
exaustivos 
de 
suas 
entrevistas. 
Entrevistas? 
Suas 
entrevistas 
com 
os 
transplantados 
de 
corao. 
Causa 
muita 
impresso 
s 
pessoas, 
sabes? 
Todas 
elas 
me 
disseram. 
Estavam 
muito 
orgulhosos 
de 
que 
os 
tivesse 
entrevistado 
para 
seu 
livro. 
O 
senhor 
Pierce 
 
muito 
inteligente 
e 
hbil. 
Nenhum 
deles 
suspeitou 
que, 
Na 
verdade, 
buscava 
o 
corao 
de 
Amanda. 
Inclusive 
eu 
achei 
que 
estava 
investigando 
para 
um 
livro. 
Isto 
, 
at 
quando 
ele 
comeou 
a 
pesquisar 
voc 
e 
descobri 
que 
sua 
amada 
tinha 
sido 
doadora 
de 
corao. 
Quando 
a 
policia 
encontrar 
os 
arquivos, 
ter 
alguma 
explicao, 
verdadeira? 
 emitiu 
uma 
pequena 
risada 
 Devo 
reconhecer 
que 
sups 
uma 
contrariedade 
quando, 
de 
repente, 
ele 
apareceu
em 
cena. 
Temia 
que 
estragasse 
tudo 
se 
me 
descobrisse. 
 
evidente 
que 
comeou 
a 
suspeitar 
que 
tinha 
alguma 
coisa 
errada 
quando 
os 
trasplantados 
de 
corao 
que 
tinha 
entrevistado 
iam 
aparecendo 
mortos. 
Por 
suposto 
a 
intervalos 
de 
um 
ano, 
mas 
para 
um 
ex-detetive 
a 
coincidncia 
era 
muito 
curiosa. 
Caiu 
na 
conta. 
Fora 
o 
fato 
de 
querer 
encontrar 
a 
sua 
Amanda 
em 
ti, 
 
provvel 
que 
quisesse 
salvar 
do 
destino 
fatal 
dos 
outros. 
Seu 
desejo 
de 
proteg-la 
era 
sincero. 
Inclusive 
cheguei 
a 
suspeitar 
que 
fosse 
ele 
quem 
tinha 
enviado 
os 
recortes. 
Tive 
um 
sobressalto. 
Me 
deixou 
nervoso 
ao 
saber 
que 
algum 
tinha 
descoberto 
meu 
plano, 
ainda 
que 
isso 
no 
teria 
feito 
desistir. 
No 
obstante, 
Pierce 
acrescentou 
um 
pouco 
de 
emoo. 
Com 
ele 
a 
situao 
era 
mais 
complexa 
e, 
portanto, 
mais 
interessante. 
As 
outras 
mortes 
tinham 
sido 
muito 
fceis; 
esta 
suporia 
um 
desafio. 
Agora 
ser 
uma 
excelente 
cabea 
de 
turco 
com 
a 
que 
no 
tinha 
contado. 
Negou 
com 
a 
cabea 
e 
limpou 
os 
lbios. 
As 
coisas 
no 
pintam 
bem 
para 
nosso 
novelista, 
verdade? 
E 
menos 
ainda 
tendo 
em 
conta 
todos 
esses 
arquivos 
que 
tem, 
to 
bem 
guardados. 
D 
a 
impresso 
de 
que 
o 
homem 
est 
obssecado, 
no? 
Adotando 
uma 
expresso 
pensativa, 
acrescentou: 
Na 
verdade, 
Pierce 
e 
eu 
temos 
motivaes 
similares. 
Referes-te 
a 
encontrar 
o 
corao 
de 
Amanda? 
Tambm 
a 
conheceu? 
Cat 
 disse 
em 
tom 
de 
deboche 
 Onde 
est 
tua 
imaginao? 
Ainda 
no 
se 
deu 
conta? 
Deveria 
ter 
vergonha. 
Sua 
tranqilidade 
aterrorizava-a. 
Se 
tivesse 
despotricado 
e 
jogado 
espuma 
pela 
boca 
a 
teria 
assustado 
menos. 
Mas 
sua 
lgica 
fria 
e 
calculista 
e 
o 
suave 
tom 
de 
voz 
indicavam 
sua 
loucura. 
Estava 
totalmente 
separado 
da 
realidade. 
Como 
sempre, 
ningum 
suspeitar 
de 
meus 
crimes. 
Voc 
culpava 
Melia 
de 
todo 
o 
que 
estava 
mau, 
nunca 
a 
mim. 
Fui 
eu 
quem 
vazou 
a 
histria 
dos 
OConnor 
a 
Rum 
Truitt. 
E 
tambm 
o 
chamei, 
me 
fazendo 
passar 
por 
Cyclops, 
para 
que 
engolisse 
essa 
historia 
sobre 
os 
abusos 
a 
menores. 
Durante 
a 
reunio 
no 
escritrio 
de 
Webster, 
tive 
medo 
de 
que 
reconhecesse 
minha 
voz, 
mas 
estava 
muito 
absorto 
em 
te 
atacar 
e 
no 
prestou 
nenhuma 
ateno 
em 
mim. 


#
Derrubar 
o 
foco 
foi 
complicado, 
mas 
tambm 
foi 
obra 
minha. 
Essa 
brincadeira 
quase 
a 
mata 
antes 
do 
previsto; 
a 
nica 
coisa 
que 
devia 
fazer 
era 
se 
alarmar. 
Seus 
lbios 
formaram 
uma 
compungida 
careta. 
Aps 
tantos 
reveses, 
tantas 
pessoas 
como 
professionais, 
ser 
comprensvel 
que 
no 
dia 
do 
aniversrio 
de 
teu 
transplante 
estivesses 
descontrolada 
e 
quase 
 
beira 
do 
suicdio. 
viajarei 
para 
outra 
parte 
do 
pas, 
conseguirei 
um 
novo 
emprego 
e 
voltarei 
a 
me 
perder 
no 
anonimato. 
Posso 
interpretar 
quase 
qualquer 
papel 
e 
passar 
desapercibido. 
Sou 
muito 
camalenico. 
Muito 
annimo. 
Muito 
pouca 
coisa. 
As 
pessoas 
raramente 
olham 
para 
mim. 
S 
Judy 
pensava 
que 
eu 
era 
especial. 
Judy? 
Judith 
Reyes? 
Era 
o 
seu 
amante! 
Ah, 
por 
fim 
entendeu. 
Sim, 
sou 
o 
desconhecido 
que 
scapou 
desse 
cretino. 
De 
repente, 
sua 
expresso 
mudou 
e 
seus 
olhos 
encheram-se 
de 
lgrimas. 
A 
matou 
com 
um 
taco 
de 
beisebol. 
Como 
conseguiue 
fugir? 
Ficou 
imvel 
olhando-a; 
parecia 
hipnotizado 
pelo 
sangue 
encharcado 
embaixo 
de 
sua 
cabea. 
Estava 
em 
transe 
e 
no 
prestou 
ateno 
em 
mim. 
Apanhei 
a 
roupa 
e 
fugi. 
Sabia 
que 
no 
podia 
fazer 
nada 
por 
Judy: 
estava 
morta; 
e 
eu 
com 
ela. 
Passeava 
ao 
recordar 
aquela 
tarde 
de 
bochorno 
em 
Fort 
Worth. 
Judy 
era 
muito 
religiosa 
e 
estava 
apegada 
 
cultura 
hispana. 
Seu 
marido 
sabia 
como 
se 
teria 
sentido 
se 
mutilavam 
seu 
corpo. 
Ela 
no 
teria 
aceitado 
uma 
doao 
de 
rgos 
 disse 
Cat. 
Tinha 
que 
entret-lo 
falando 
at 
que 
Bill 
voltasse. 
Seus 
olhos 
fizeram 
uma 
varredura 
pelo 
banheiro, 
buscando 
formas 
de 
poder 
escapar 
ou 
um 
instrumento 
para 
defender-se. 
Mas, 
enquanto 
ele 
seguisse 
segurando 
o 
secador, 
no 
podia 
nem 
se 
mover. 
Se 
o 
fizesse, 
o 
deixaria 
cair 
e 
ela 
passaria 
desta 
para 
melhor. 
A 
ideia 
a 
teria 
ofendido 
 dizia 
Jeff 
 
Queria 
que 
a 
enterrasse 
intacta. 
E 
Reyes 
sabia-o. 
Doar 
seus 
rgos 
era 
a 
forma 
de 
castigar 
por 
nosso 
amor, 
uma 
tortura 
perptua 
para 
toda 
a 
eternidade. 
A 
nica 
forma 
de 
poder 
libertar-nos 
 
parar 
seu 
corao. 
Matando 
ao 
receptor. 
Sim. 
Enquanto 
seu 
corao 
segue 
pulsando, 
sua 
alma 
vagar 
atormentada. 
Jurei 
sobre 
sua 
tumba 
que 
daria 
a 
ela 
o 
descanso 
e 
a 
paz 
que 
merece, 
de 
modo 
que 
tive 
que 
matar 
ao 
garoto. 
O 
adolescente 
de 
Memphis. 
Como 
o 
localizou? 
Ele 
encolheu 
os 
ombros, 
como 
se 
isso 
tivesse 
sido 
a 
parte 
mais 
fcil. 
Consegui 
um 
emprego 
em 
um 
banco 
de 
rgos. 
Muito 
cedo 
soube 
o 
nmero 
atribudo 
ao 
corao 
de 
Judy 
e 
isso 
me 
levou 
at 
ele. 
Se 
voc 
j 
tinha 
cumprido 
a 
promessa 
que 
fez 
a 
Judy, 
por 
que 
matou 
aos 
demais? 
E 
por 
que 
quer 
me 
matar? 
Os 
computadores 
falham 
por 
erros 
humanos. 
E 
se 
tivesse 
ocorrido 
alguma 
confuso 
com 
os 
nmeros? 
No 
podia 
me 
arriscar. 
Tinha 
que 
eliminar 
qualquer 
paciente 
que 
tivesse 
recebido 
um 
corao 
nesse 
dia. 
Era 
a 
nica 
forma 
de 
garantir 
o 
cumprimento 
da 
minha 
misso. 


#
Cat 
sentiu 
um 
calafrio, 
mas 
tentou 
no 
demonstrar 
seu 
terror. 
Por 
que 
esperava 
o 
dia 
do 
aniversrio? 
De 
outra 
forma 
seriam 
simples 
assassinatos. 
No 
sou 
um 
psicpata. 
Eu 
os 
matei 
no 
dia 
do 
aniversrio 
 
como 
um 
ritual 
que 
Judy 
teria 
gostado. 
Assistia 
s 
a 
missas 
solenes, 
com 
toda 
a 
pompa 
e 
circunstncia 
da 
tradio. 
Assim 
 
que 
ela 
teria 
querido. 
Acredita 
para 
valer 
que 
estaria 
orgulhosa 
de 
voc 
por 
ter 
matado 
a 
essas 
pessoas? 
Ela 
iria 
querer 
se 
reunir 
ao 
seu 
corao. 
E 
 
o 
que 
vou 
fazer. 
Para 
que 
sua 
alma 
encontre 
a 
paz 
eterna. 
Secou 
as 
lgrimas 
com 
o 
dorso 
da 
mo. 
Quero-a 
muito 
para 
deixar 
que 
sua 
alma 
siga 
atormentada. 
Cat, 
eu 
lamento 
que 
tenha 
que 
morrer 
porque 
te 
aprecio, 
mas 
no 
tenho 
outra 
sada. 
Beijou 
as 
pontas 
de 
seus 
dedos 
e 
pressionou-as 
contra 
o 
peito 
de 
Cat. 
Judy, 
amor 
meu, 
descansa 
em 
paz. 
Eu 
te 
amarei 
sempre. 
Cat 
agarrou 
sua 
mo 
justo 
quando 
a 
outra 
deixava 
cair 
o 
secador. 
Gritou 
com 
todas 
suas 
foras. 
Ficaram 
a 
escuras. 
O 
secador 
caiu 
na 
gua, 
mas 
apenas 
respingou. 
Jeff 
gemia 
pelo 
fracasso. 
Cat 
quis 
sair 
da 
banheira, 
mas 
ele 
a 
impediu. 
Ouviu 
que 
seus 
joelhos 
colidiram 
contra 
o 
assoalho 
do 
piso 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
colocava 
sua 
cabea 
dentro 
da 
gua. 
Manteve-a 
ali 
abaixo 
enquanto 
ela 
se 
debatia 
agitando 
os 
braos 
e 
pernas, 
balanando 
a 
cabea 
de 
lado 
para 
o 
outro 
e 
arranhando 
seus 
braos. 
Mas 
no 
a 
soltava. 
Sem 
perceber, 
abriu 
a 
boca 
para 
gritar 
que 
se 
encheu 
de 
gua 
espumante. 
Ao 
longe 
ouviu 
passos 
barulhentos 
pelo 
corredor. 
A 
porta 
do 
banho 
abriu-se 
e, 
de 
repente, 
ficou 
livre. 
Tirou 
a 
cabea 
em 
busca 
de 
ar, 
sufocada 
pela 
gua 
que 
obstrua 
sua 
garganta 
e 
as 
fossas 
nasais. 
O 
cabelo 
molhado 
colava-se 
 
cara 
e 
impedia 
sua 
viso, 
ainda 
que 
estivesse 
tudo 
to 
escuro 
que 
tambm 
no 
teria 
visto 
grande 
coisa. 
Cat? 
Era 
Alex. 
Estou 
aqui 
dentro. 
No 
se 
mova 
 gritou. 
Colocou 
Jeff 
no 
cho. 
No 
teria 
briga, 
j 
que 
Alex 
era, 
de 
longe, 
o 
mais 
forte. 
Filho 
de 
cadela: 
se 
a 
machucou... 
Sua 
ameaa 
foi 
interrompida 
com 
um 
grito 
de 
surpresa. 
Est 
bem? 
 Era 
Bill, 
de 
p 
na 
porta 
aberta. 
Do 
revlver 
de 
Alex 
surgiu 
num 
flash. 
O 
tiro 
ricocheteou 
nas 
paredes 
do 
banheiro. 
Bill 
se 
apavorou. 
Alex 
gritava 
furioso. 
Os 
olhos 
de 
Cat 
tinham-se 
adaptado 
 
escurido 
e 
viu 
que 
Jeff 
tinha 
conseguido 
segurar 
o 
pulso 
de 
Alex 
e 
lutavam 
pela 
posse 
da 
arma. 
As 
paredes 
da 
banheira 
de 
porcelana 
estavam 
escorregadias 
e 
midas, 
mas 
Cat 
saiu 
engatinhando 
e 
lanou-se 
sobre 
Jeff. 
Dando 
socos 
na 
cara, 
arranhava-o 
e 
arrancava 
seu 
cabelo. 
Gritou 
de 
dor 
e 
soltou 
a 
pistola, 
com 
a 
que 
Alex 
apontou 
na 
nuca 
ao 
mesmo 
tempo 
em 
que 
o 


#
levantou 
com 
um 
puxo. 
Deu 
um 
chute 
no 
traseiro 
de 
Jeff 
e 
ordenou: 
Vamos, 
caminha 
 
disse 
enquanto 
recuperava 
o 
flego 
 Faz 
favor, 
j 
que 
nada 
gostaria 
mais 
que 
te 
voar 
da 
cabea. 
Me 
mate 
 soluou 
Jeff 
 
Eu 
falhei 
com 
Judy 
e 
quero 
morrer. 
No 
me 
atente. 
Cat 
avanou 
cambaleando 
para 
a 
porta 
e 
tropeou 
com 
os 
ps 
de 
Webster. 
Bill? 
 
dbil 
luz, 
viu-o 
estendido 
de 
costas. 
Tinha 
uma 
mancha 
vermelha 
sobre 
o 
peito. 
Deus 
meu, 
no! 
No! 
-exclamou 
soluando. 
Mal 
se 
mantinha 
em 
p, 
mas 
chegou 
at 
o 
criado-mudo, 
levantou 
o 
telefone 
do 
gancho 
e 
marcou 
o 


911. 
Depois 
voltou 
ao 
lado 
de 
Bill, 
ajoelhou-se 
a 
seu 
lado 
e 
apanhou 
sua 
mo. 
O 
socorro 
J 
vm 
 
disse 
a 
Alex. 
Como 
est 
Webster? 
perguntou. 
No 
se 
moveu. 
Talvez 
possa 
anotar 
outra 
morte, 
Doyle. 
Jeff 
balbuceava 
incoerncias. 
Cat 
estava 
trastornada. 
Agarrou 
um 
pedao 
da 
colcha, 
mas, 
em 
vez 
de 
envolver-se 
nela, 
tampou 
a 
Bill. 
O 
som 
das 
sirenas 
era 
o 
melhor 
que 
tinha 
ouvido. 
Inclinou-se 
sobre 
Bill 
e 
o 
instado: 
Agenta, 
Bill. 
O 
socorro 
J 
chegou. 
Pode 
ouvir-me? 
Voc 
ficar 
bem. 
Ele 
no 
respondeu, 
mas 
Cat 
confiava 
em 
ele 
que 
notava 
sua 
presena. 
O 
tenente 
Hunsaker 
foi 
o 
primeiro 
que 
entrou 
na 
casa. 
Que 
passa 
com 
a 
luz? 
A 
caixa 
de 
fusveis 
est 
na 
despensa 
da 
cozinha 
 
gritou 
Alex 
desde 
o 
banheiro 
 
Ligue 
o 
interruptor 
do 
centro. 
Preciso 
ajuda 
no 
dormitrio. 
Um 
homem 
recebeu 
um 
disparo 
no 
peito 
 gritou 
Cat. 
Em 
matria 
de 
segundos 
voltou 
a 
luz. 
Cat 
fechou 
os 
olhos, 
deslumbrada. 
Quando 
voltou 
aos 
abrir, 
dois 
enfermeiros 
e 
Hunsaker 
entravam 
pela 
porta 
do 
dormitrio. 
Hunsaker 
tinha 
desembainhado 
sua 
arma. 
Bom, 
Pierce, 
voc 
est 
preso. 
Saia 
com 
as 
mos 
para 
cima. 
De 
que 
diabo 
est 
falando? 
gritou 
Alex. 
No 
foi 
Alex. 
Ele 
o 
capturou 
a... 
Incapaz 
de 
seguir 
falando, 
Cat 
indicou 
a 
porta 
aberta 
do 
banheiro. 
Um 
dos 
enfermeiros 
ps 
a 
mo 
no 
seu 
ombro. 
Esse 
homem 
est 
muito 
ruim, 
senhora. 
Afaste-se 
e 
deixe 
que 
ns 
o 
ajudaremos. 
Ele 
Se 
salvar? 
Faremos 
o 
possvel. 
Com 
certa 
cautela, 
Hunsaker 
chegou 
 
porta 
do 
banheiro 
segurando 
a 
pistola 
com 
ambas 
as 
mos. 
Atire 
a 
arma, 
Pierce. 
Com 
muito 
gosto, 
imbecil. 
Assim 
voc 
atira 
nele. 
#
Quem 
 
esse? 
Jeff 
Doyle.
 
o 
filho 
da 
puta 
que 
chamou 
o 
servio 
meteorolgico 
simulando 
falar 
comigo? 
O 
telefone 
ainda 
est 
pinchado, 
verdade? 
perguntou 
Alex. 
Exato. 
E 
foi 
uma 
sorte. 
Bom, 
quem 
 
esse 
maricas?
 
uma 
longa 
histria. 
Coloquem 
as 
algemas 
e 
leia 
os 
seus 
direitos. 
Um 
momento, 
Pierce. 
No 
me 
diga 
o 
que 
tenho 
de 
fazer. 
Eu 
vim 
aqui 
por 
voc. 
Faa-o 
 
disse 
Alex 
apartando 
a 
um 
lado. 
Caminhou 
para 
os 
enfermeiros 
inclinados 
em 
cima 
de 
Webster 
que 
lutavam 
para 
salvar 
sua 
vida. 
Cat 
estava 
de 
p, 
rgida, 
olhando. 
Alex 
apanhou 
o 
vestido 
do 
respaldo 
da 
cadeira 
e 
a 
ajudou 
a 
colocar. 
Abraou-a. 
Voc 
est 
bem? 
Ela 
assentiu. 
De 
verdade? 
Sim. 
S 
tenho 
medo 
por 
Bill, 
est...? 
Ainda 
vive. 
Ele 
pegou 
seu 
queixo 
e 
a 
obrigou 
a 
levantar 
a 
cabea. 
Voc 
foi 
muito 
valente. 
Podia 
ter 
disparado 
em 
mim 
tambm. 
Obrigado. 
Agora 
que 
tudo 
havia 
terminado, 
seus 
joelhos 
dobravam 
e 
estava 
tremendo. 
No 
sou 
valente. 
Eu 
acho 
que 
sim. 
Cat. 
Se 
tivesse 
acontecido 
alguma 
coisa 
com 
voc... 
A 
beijou 
na 
frente. 
Quero-te. 
A 
mim, 
Alex? 
Para 
valer 
 
a 
mim 
a 
quem 
quer? 



Captulo 
cinquenta 
e 
seis 


Que 
disse? 
perguntou 
Dean. 
Agradeceu 
 
aeromoa 
que 
tinha 
servido 
o 
segundo 
Scott 
com 
gua. 
Nada 
 contou 
Cat 
 Ento 
voc 
chegou. 
Em 
pleno 
caos. 
Alex 
e 
eu 
no 
tivemos 
outra 
oportunidade 
para 
falar 
a 
ss. 
Pensei 
em 
te 
fazer 
uma 
surpresa 
e 
trazia 
uma 
garrafa 
de 
champanhe 
para 
celebrar 
o 
quarto 
ano 
de 
tua 
segunda 
vida. 
E, 
ao 
chegar 
 
sua 
casa, 
a 
encontro 
rodeado 
pela 
policia 
enquanto 
colocavam 
algum 
em 
uma 
ambulancia. 
Estava 
morto 
de 
medo. 
Ela 
apertou 
sua 
mo 
e 
apoiou 
a 
cabea 
no 
respaldo. 
Estou 
to 
cansada... 
No 
quero 
falar 
mais 
disso, 
mas 
tenho 
que 
o 
fazer. 
Preciso 
desafogar-me. 
Depois 
de 
uns 
momentos 
de 
reflexo, 
acrescentou:
Aprendi 
que 
no 
 
bom 
manter 
ms 
recordaes 
reprimidas. 
 
melhor 
deix-las 
sair, 
clare-las, 


#
analis-las, 
esclarec-las 
e, 
depois, 
enterr-las 
para 
sempre. 
Quem 
te 
enxinou 
essa 
gota 
de 
sabedoria? 
disse 
em 
tom 
sarcstico 
 
Ou 
no 
 
necessrio 
que 
pergunte? 
Dean, 
voc 
prometeu. 
Nada 
de 
crticas 
a 
Pierce. 
De 
acordo, 
mas 
aceitei 
a 
revelia 
 
bebeu 
um 
gole 
 J 
quase 
esclarecemos 
tudo, 
mas 
ainda 
h 
coisas 
que 
no 
entendo. 
Disse 
que 
Bill 
voltou 
a 
tua 
casa 
a 
p 
aps 
ter 
mudado 
o 
carro 
de 
lugar. 
Chegou 
ao 
mesmo 
tempo 
que 
Alex. 
Sim. 
Bill 
viu-o 
correr 
e 
saiu 
correndo 
seguindo 
Pierce. 
Ele 
advertiu 
a 
Pierce 
estava 
indo 
atrs 
dele 
e 
que 
ele 
e 
Jeff 
estavam 
ali 
para 
me 
proteger. 
Alex 
explicou 
que 
ia 
me 
salvar 
de 
Jeff, 
que 
tinha 
sido 
o 
amante 
de 
Judy 
Reyes. 
Deve 
ter 
sido 
muito 
convincente. 
Para 
isso, 
ele 
tem 
talento 
de 
sobra. 
Bom, 
o 
caso 
 
que 
Alex 
o 
fez 
ver 
que 
o 
carro 
de 
Jeff 
no 
estava 
ali. 
Era 
evidente 
que 
o 
tinha 
escondido 
para 
que 
ningum 
soubesse 
que 
ele 
estava 
em 
minha 
casa. 
Nem 
sequer 
eu, 
at 
que 
estivesse 
dentro 
e 
ser 
muito 
tarde. 
Isso 
convenceu 
Bill 
e 
perguntou 
que 
podia 
fazer 
para 
ajudar. 
Rodearam 
a 
casa 
espiando 
pelas 
janelas 
e 
tratando 
de 
averiguar 
o 
que 
estava 
acontecendo. 
Queriam 
que 
fosse 
um 
ataque 
por 
surpresa. 
O 
cardiologista 
continuou 
escutando 
o 
relato: 
E 
quando 
Alex 
viu 
Jeff 
segurando 
o 
secador 
ao 
lado 
da 
banheira 
correu 
 
parte 
posterior 
da 
casa, 
entrou 
pela 
janela 
da 
cozinha, 
localizou 
a 
caixa 
de 
fusveis 
e 
desligou 
a 
electricidade. 
Ele 
teve 
rpido 
reflexos. 
Por 
sorte 
sabia 
onde 
estava 
a 
caixa. 
Evitou 
dizer 
que 
foi 
desta 
forma 
que 
Alex 
entrou 
em 
sua 
casa 
outras 
duas 
vezes. 
Graas 
a 
Deus, 
j 
que 
outros 
dois 
minutos 
e... 
No 
me 
recorde. 
Pobre 
Bill. 
No 
final 
da 
manh 
me 
deixaram 
v-lo. 
Segue 
na 
UTI 
e 
muito 
debilitado, 
mas 
ficar 
bem. 
Nancy 
no 
se 
moveu 
de 
seu 
lado. 
Que 
o 
levou 
a 
tua 
casa 
a 
essas 
horas 
da 
madrugada? 
Uma 
ideia 
genial 
para 
Os 
Meninos 
de 
Cat. 
Disse 
uma 
mentira 
piedosa 
para 
proteger 
a 
intimidade 
dos 
Webster. 
Tinha 
sido 
um 
milagre 
que 
a 
bala 
perdida 
no 
tivesse 
atravessado 
nenhum 
rgo 
vital. 
Tinha 
sofrido 
traumatismo 
e 
perda 
de 
sangue 
com 
orificio 
de 
entrada 
e 
sada, 
mas 
se 
recuperaria 
perfeitamente. 
Essa 
manh 
havia 
pedido 
 
enfermeira 
da 
UTI 
que 
o 
deixasse 
um 
momento 
a 
ss 
com 
Cat. 
Queria 
agradec-la 
por 
faz-lo 
ver 
que 
era 
vergonhosa 
a 
sua 
relao 
com 
Melia. 
Eu 
rompi 
com 
ela. 
Quero 
a 
Nancy. 
Sem 
seu 
amor 
e 
seu 
apoio... 
Fez 
uma 
pausa, 
como 
se 
falhassem 
as 
foras. 
At 
a 
morte 
de 
Carla 
nossa 
vida 
era 
um 
paraso, 
era 
como 
se 
estivssemos 
isentos 
do 
sofrimento 
de 
outras 
pessoas. 
Quando 
ela 
morreu, 
soubemos 
que 
no 
ramos 
diferentes. 
Estava 
trastornado 
e 
sentia-me 
incapaz 
de 
super-lo. 
Busquei 
algo 
que 
aliviasse 
minha 
dor. 
Cometi 
a 
estupidez 
de 
envolver-me 
em 
uma 
relao 
srdida 
com 
uma 
mulher 
que 
no 
chega 
nem 
a 
sola 
do 
sapato 
da 
Nancy. 
Achava 
que 
no 
merecia 
outra 
coisa. 
Estava-me 
castigando 
por 
no 
ter 
podido 
salvar 
a 
minha 
filha. 


#
Melia 
me 
paquerou 
at 
que 
a 
contratei. 
Depois, 
fez 
questo 
de 
trabalhar 
em 
teu 
programa. 
J 
sabe 


o 
resto. 
Na 
noite 
que 
me 
encontrou 
em 
sua 
casa 
voc 
me 
disse 
coisas 
que 
abriram 
meus 
olhos. 
Compreendi 
que 
tinha 
que 
acabar 
com 
ela. 
Uma 
vez 
decidido, 
no 
fiquei 
ali 
nem 
um 
minuto 
mais. 
Alongou 
a 
mo 
para 
apanhar 
a 
sua. 
Fui 
a 
tua 
casa 
para 
agradecer-te 
que 
tivesse 
salvado 
o 
que 
mais 
importa 
para 
mim 
no 
mundo: 
minha 
famlia. 
O 
que 
tem 
que 
fazer 
agora 
 
melhorar; 
ainda 
temos 
que 
fazer 
muitas 
coisas 
juntos. 
O 
beijou 
na 
frente. 
No 
corredor 
encontrou 
com 
Nancy, 
que 
a 
abraou. 
Obrigado, 
Cat. 
Por 
qu? 
Se 
no 
fosse 
por 
mim, 
Bill 
no 
teria 
recebido 
o 
disparo. 
Nancy 
olhou-a 
comunicando 
uma 
complicidade 
mais 
profunda. 
Ele 
me 
explicou 
tudo. 
Eu 
o 
perdoei, 
mas 
voc 
poder 
me 
perdoar? 
Fui 
muito 
injusta 
ao 
suspeitar 
que... 
No 
importa 
 
interrompeu 
Cat 
 
Aprecio 
muito 
tua 
amizade 
e 
tem 
toda 
minha 
admirao 
por 
teu 
talento 
para 
organizar 
arrecadaes 
de 
fundos. 
Posso 
seguir 
confiando 
em 
tua 
ajuda? 
To 
cedo 
como 
Bill 
esteja 
recuperado. 
Dean 
a 
fez voltar 
ao 
presente. 
Segundo 
parece, 
Webster 
e 
Pierce 
agora 
se 
admiram 
mtuamente. 
Ela 
riu. 
O 
que 
 
curioso, 
j 
que 
no 
gostaram 
um 
do 
outro 
da 
primeira 
vez 
que 
se 
viram. 
Alex 
estava 
furioso 
consigo 
mesmo 
por 
ter 
deixado 
que 
Jeff 
se 
apoderasse 
da 
arma 
durante 
a 
luta. 
Bill 
disse 
que 
no 
tinha 
que 
se 
culpar 
de 
nada, 
pois 
se 
ele 
tivesse 
ficado 
na 
cozinha, 
como 
ele 
pediu, 
no 
teria 
ficado 
na 
linha 
de 
fogo. 
Que 
vai 
ser 
desse 
Doyle? 
Cat 
tinha 
visto 
como 
o 
levavam 
algemado 
e 
o 
faziam 
subir 
 
parte 
posterior 
do 
furgn. 
Ainda 
custava 
relacionar 
ao 
homem 
sensvel 
e 
arduo 
trabalhador 
com 
um 
assassino 
a 
sangue 
frio. 
Quando 
a 
policia 
registrou 
seu 
apartamento 
encontrou 
lbuns 
de 
recortes 
e 
velhos 
jornais 
que 
faziam 
parecer 
insignificante 
a 
recopilao 
de 
Alex. 
Era 
bvio 
que, 
desde 
a 
morte 
de 
Judy 
Reyes, 
estava 
obssecado. 
Alex 
diz 
que 
ele 
enfrentar 
trs 
julgamentos 
por 
assassinato 
e 
dois 
por 
tentativa 
de 
assassinato. 
Mas, 
como 
aconteceram 
em 
quatro 
estados, 
ter 
mudanas. 
E 
deferimentos. 
Segundo 
parece, 
 
uma 
salada 
legal. 
No 
importa 
como 
se 
resolva: 
passar 
o 
resto 
de 
seus 
dias 
entre 
grades. 
Ela 
Ficou 
pensativa 
um 
instante. 
So 
trs. 
Trs 
que? 
As 
pessoas 
que 
esto 
entre 
grades. 
Jeff, 
Paul 
Reyes 
e 
George 
Murphy. 
Cyclops. 
No 
posso 
achar 
que 
o 
prendessem 
a 
um 
par 
de 
metros 
de 
tua 
casa. 
Pergunto-me 
quais 
seriam 
suas 
intenes. 
No 
seriam 
boas. 
Resistiu 
 
priso 
e 
insultou 
a 
um 
policial. 
No 
parece 
ser 
um 
bom 
futuro. 
Cat 
sorriu 
feliz. 
Graas 
a 
Deus, 
Patricia 
e 
Michael 
j 
no 
tero 
que 
suport-lo. 
Patricia 
trabalha 
como 
aprendiz 
#
em 
uma 
empresa 
de 
joas. 
Poder 
ganhar 
a 
vida 
e 
aperfeioar 
seu 
oficio. 
Um 
psiclogo 
infantil 
ocupa-se 
de 
Michael 
e, 
agora 
que 
j 
no 
est 
aterrorizado 
por 
Cyclops, 
sair 
da 
casca 
rapidamente. 
E 
Reyes? 
Eu 
Lamento 
por 
ele 
e 
sua 
famlia. 
Sua 
irm 
estava 
comovida 
quando 
a 
chamei 
para 
avisar 
que 
ele 
no 
tinha 
matado 
aos 
outros 
transplantados. 
Quando 
estvamos 
no 
sanatorio, 
no 
me 
ameaava, 
mas 
me 
avisava. 
Segundo 
a 
declarao 
de 
Jeff 
 
policia, 
ele 
tinha 
enviado 
os 
recortes 
a 
Reyes. 
Queria 
que 
soubesse 
que 
tinha 
encontrado 
um 
sistema 
genial 
para 
sua 
diablica 
vingana. 
Jeff 
nunca 
imaginou 
que 
esses 
recortes 
aparecessem 
em 
minha 
correspondencia 
como 
aviso. 
Por 
a 
sua 
instabilidade 
mental, 
Reyes 
captou 
seu 
significado. 
Em 
algum 
momento, 
tinha 
chegado 
 
concluso 
de 
que 
a 
atriz 
de 
telenovelas 
Cat 
Delaney 
levava 
o 
corao 
de 
sua 
mulher. 
Quando 
compreendeu 
a 
pauta 
dos 
assassinatos, 
imaginou 
que 
eu 
era 
a 
seguinte 
na 
lista, 
igual 
que 
fez 
Alex. 
Alex 
tambm 
estava 
seguindo 
a 
pista 
com 
a 
esperana 
de 
me 
salvar. 
A 
inteno 
de 
Reyes 
era 
mais 
ou 
menos 
a 
mesma. 
Foi 
a 
San 
Antonio 
para 
vigiar-me. 
Suponho 
que 
soube 
meu 
endereo 
me 
seguindo 
a 
casa 
desde 
a 
emissora 
de 
televiso. 
Por 
que 
no 
se 
identificou 
e 
disse 
o 
que 
suspeitava? 
Ainda 
que 
o 
absolvessem 
por 
uma 
falha 
legal, 
tinha 
matado 
a 
sua 
esposa 
em 
um 
ataque 
de 
cime. 
Era 
considerado 
um 
doente 
menta1. 
Eu 
teria 
acreditado 
ou 
qualquer 
outra 
pessoa? 
Boa 
pergunta. 
Conforme 
chegava 
a 
data 
do 
aniversrio, 
sua 
inquietude 
ia 
aumentando 
e 
voltou 
 
cena 
do 
crime, 
por 
dizer 
de 
alguma 
forma. 
Esta 
era, 
ao 
menos, 
a 
hiptese 
de 
sua 
irm. 
Ontem 
escrevi 
uma 
carta 
explicando 
todo 
o 
ocorrido 
e 
lhe 
agradecendo 
por 
tentar 
me 
advertir. 
No 
estou 
segura 
de 
que 
o 
entenda, 
mas 
eu 
achava 
que 
tinha 
que 
o 
fazer 
e 
me 
sinto 
melhor. 
Agitou 
os 
cubos 
de 
gelo 
da 
limonada, 
que 
seguia 
intacta. 
Quantas 
tragdias 
se 
produziram 
como 
resultado 
desse 
nico 
dia, 
quatro 
anos 
atrs. 
E 
tambm 
sei 
muito 
bem 
-disse 
Dean 
apanhando 
sua 
mo. 
Essas 
pessoas 
morreram 
sem 
nenhum 
motivo. 
Mas 
tambm 
tinham 
vivido 
com 
seu 
novo 
corao. 
Seus 
transplantes 
valeram 
a 
pena 
e, 
se 
tivessem 
que 
o 
repetir, 
teriam 
feito 
a 
mesma 
eleio. 
Marcaram 
sua 
vida. 
Isso 
 
o 
que 
tentamos: 
dar 
mais 
tempo 
ao 
paciente. 
Depois, 
o 
destino 
toma 
o 
controle 
e 
ningum 
pode 
o 
prever 
nem 
o 
alterar. 
Todo 
isso 
 
verdade 
e, 
aqui, 
o 
sei 
 indicou 
sua 
cabea 
 mas 
tenho 
que 
o 
assimilar 
aqui 
 
tocou 
seu 
corao. 
E 
o 
melhor 
lugar 
para 
consegur 
ser 
em 
tua 
praia 
privada. 
Alegro-me 
de 
voltar 
a 
vela 
de 
perto. 
Fiquei 
com 
saudades. 
Vou 
voltar, 
Dean. 
O 
programa 
foi 
suspenso 
at 
que 
possa 
formar 
outra 
equipe, 
mas 
no 
 
um 
assunto 
fechado. 
Nem 
pens-lo. 
Estamos 
discutindo 
a 
possibilidade 
de 
associarmos 
 
emissoras 
de 
outras 
cidades 
e 
isso 
supor 
bem 
mais 
trabalho, 
mas 
pensa 
na 
quantidade 
de 
meninos 
que 
poderamos 
ajudar 
-disse 
esperanosa 
 Ficarei 
em 
Malib 
duas 
ou 
trs 
de 
semanas 
e 
depois 
voltarei. 
O 
que 
aconteceu 
com 
dele? 
Entra 
no 
esquema? 
Alex. 


#
O 
nome 
tinha 
escapado 
dos 
seus 
lbios 
sem 
perceber. 
Invadiu 
nela 
uma 
nostalgia. 
Tinha 
arriscado 
sua 
vida 
para 
salv-la 
e 
nunca 
o 
esqueceria. 
Mas 
tambm 
no 
esqueceria 
seu 
engano. 
Toda 
sua 
relao 
se 
tinha 
baseado 
em 
uma 
mentira 
por 
omisso. 
Quando 
ele 
disse 
que 
a 
queria, 
tinha 
sido 
tambm 
uma 
mentira? 
S 
tinha 
uma 
forma 
de 
turar 
as 
dvidas. 
Tenho 
que 
te 
pedir 
um 
favor, 
Dean. 
Teus 
desejos 
so 
ordens, 
Cat. 
No 
caoes. 
Voc 
no 
vai 
gostar. 
Suspirou 
perguntando 
se, 
por 
estar 
decidida, 
teria 
coragem 
de 
seguir 
diante. 
Quero 
saber 
se 
levo 
o 
corao 
de 
Amanda. 
Ficou 
perplexo. 
Sei 
que 
sempre 
disse 
que 
no 
queria 
saber 
nada 
do 
doador. 
E 
no 
quero, 
a 
no 
ser 
que 
fosse 
Amanda. 
Isso 
eu 
tenho 
que 
saber. 
Cat... 
Levantou 
ambas 
as 
mos 
recusando 
seus 
argumentos. 
No 
me 
importo 
o 
que 
faa 
para 
conseguir. 
Pede 
favores, 
faa 
jogo 
sujo, 
rompe 
qualquer 
norma 
tica, 
mente, 
suplique, 
soborna, 
rouba. 
Tens 
os 
contatos 
e 
a 
forma 
de 
saber 
obter 
a 
resposta. 
Voc 
percebeu 
que 
me 
convm 
negar? 
Mas 
no 
o 
far. 
Tambm 
poderia 
mentir 
sobre 
munha 
averiguao 
para 
te 
proteger 
a 
mais 
angstias. 
Tambm 
isso 
seriaa 
uma 
vantagem 
para 
mim. 
Tambm 
no 
far 
isso. 
Voc 
Me 
dir 
a 
verdade. 
Como 
est 
to 
segura? 
Porque 
faz 
quatro 
anos 
que 
voc 
teve 
coragem 
de 
olhar 
nos 
olhos 
e 
dizer-me 
que 
no 
duraria 
muito. 
Via 
sua 
imagem 
borrada 
pelas 
lgrimas 
e 
acariciou 
suas 
mos. 
Nunca 
falou 
com 
evasivas, 
por 
mais 
dolorosa 
que 
seja 
a 
verdade. 
Dean, 
eu 
preciso 
que 
volte 
a 
ser 
esse 
tipo 
de 
amigo 
necessito 
que 
seja 
to 
honesto 
comigo 
como 
quando 
me 
disse 
que 
estava 
morrendo. 
E 
compara 
viver 
sem 
ele 
com 
morrer? 
O 
pior 
seria 
viver 
com 
ele 
e 
me 
perguntar 
sempre 
se 
me 
quer 
por 
mim 
mesma 
ou 
por 
ser 
outra 
pessoa. 
E 
apertou 
sua 
mo 
com 
fora. 
Faz 
favor, 
descobre 
se 
levo 
o 
corao 
de 
Amanda. 



Captulo 
cinquenta 
e 
sete 


Algo 
obrigou 
a 
Cat 
a 
levantar 
a 
vista 
para 
a 
casa 
no 
mesmo 
momento 
em 
que 
Dean 
saa 
na 
varanda 


#
e 
a 
saudava 
com 
a 
mo. 
Ela 
devolveu 
a 
saudao 
e 
continuou 
contemplando 
a 
mar 
baixa 
quando 
outra 
pessoa 
apareceu 
ao 
seu 
lado. 
O 
vento 
levantava 
a 
aba 
do 
chapu 
e 
a 
segurou 
com 
uma 
mo. 
Ainda 
que 
sua 
silueta 
esta 
contra 
o 
sol, 
reconheceu 
sua 
figura 
alta 
e 
esbelta, 
a 
forma 
da 
cabea, 
sua 
pose. 
Disse 
algo 
a 
Dean. 
E 
apertaram 
a 
mo. 
Dean 
olhou-a, 
dizendo 
adeus 
com 
a 
mo 
e 
entrou 
na 
casa. 
Teve 
o 
impulso 
de 
correr 
para 
ele, 
mas 
ficou 
imvel 
vendo 
como 
baixava 
os 
degraus 
da 
empinada 
escada. 
Ao 
colocar 
os 
ps 
na 
areia, 
suas 
botas 
de 
cowboy 
afundaram 
at 
o 
cano, 
mas 
no 
se 
deu 
conta. 
Sua 
ateno 
estava 
concentrada 
nela, 
igual 
 
Cat 
que 
no 
podia 
tirar 
seus 
olhos 
dele. 
Ol. 
Ol. 
Bonito 
chapu. 
Obrigado. 
Seguiam 
olhando-se 
at 
que, 
finalmente, 
ela 
disse: 
Esta 
rea 
est 
reservada 
aos 
residentes. 
Como 
entrou? 
Utilizando 
meus 
poderes 
persuasivos. 
Tm 
funcionado. 
Como 
uma 
varinha 
mgica. 
E 
aqui 
est. 
E 
aqui 
estou. 
E 
de 
muito 
mau 
gosto 
porque 
Spicer 
abriu-me 
a 
porta. 
Ficou 
comigo. 
S 
como 
amigo.
Isso 
ele 
me 
disse. 
 
uma 
boa 
pessoa. 
Custou 
algo 
esse 
elogio? 
Sim. 
O 
privilgio 
de 
dormir 
aqui. 
Ontem 
 
noite 
passou 
sua 
ltima 
noite 
contigo; 
inclusive 
como 
amigo. 
A 
partir 
de 
hoje, 
todas 
tuas 
noites 
sero 
ao 
meu 
lado. 
Ah, 
sim? 
Sim. 
No 
aceitarei 
um 
no 
como 
resposta, 
Cat. 
Dei 
h 
voc 
tempo 
para 
que 
clareasse 
suas 
idias, 
tenho 
agentado 
durante 
trs 
longas 
semanas 
e 
a 
cada 
um 
desses 
vinte 
e 
um 
dias 
foi 
um 
inferno. 
Conseguiu 
escrever? 
Como 
um 
imbecil. 
Dia 
e 
noite. 
At 
que 
terminei. 
Acabou 
o 
livro? 
Todas 
as 
suas 
seiscentas 
trinta 
e 
duas 
pginas. 
Enviei 
a 
Arnie 
e 
ontem 
me 
telefonou 
para 
dizer 
que 
era 
o 
melhor 
que 
havia 
escrito. 
E 
que 
vai 
vender 
como 
rosquinhas. 
Marcou 
a 
mo 
e 
apanhou 
uma 
mecha 
de 
cabelo 
que 
escapava 
do 
chapu. 
Estudou-o 
com 
ateno 
enquanto 
o 
entrelaava 
entre 
seus 
dedos. 
Arnie 
tinha 
curiosidade 
de 
saber 
por 
que 
tinha 
mudado 
o 
esquema 
inicial 
e 
tinha 
acrescentado 
um 
idilio. 
E 
o 
que 
voc 
disse? 
Que 
tinha 
tido 
uma 
inspirao. 
No 
podia 
escrever 
uma 
histria 
de 
amor 
antes 
de 
te 
conhecer, 
Cat. 
Pensava 
que 
essa 
parte 
de 
mim 
tinha 
morrido 
com 
Amanda, 
mas 
estava 
equivocado. 
Apanhou-a 
pela 
nuca. 


#
Te 
seguirei 
at 
que 
se 
renda 
por 
esgotamento, 
se 
essa 
 
a 
forma 
de 
te 
conseguir. 
Quero 
estar 
com 
Cat 
Delaney 
hoje, 
manh 
e 
sempre. 
No 
me 
importo 
se 
leve 
o 
corao 
de 
um 
chimpanz. 
Quero 
ver 
teu 
cabelo 
vermelho 
no 
travesseiro 
ao 
lado 
a 
cada 
amanh. 
Eu 
te 
Amo. 
E 
com 
respeito 
ao 
que 
fiz... 
Nunca 
teve 
um 
fechamento 
a 
minha 
vida 
com 
Amanda. 
No 
pude 
pedir 
perdo 
por 
ser 
um 
maldito 
egosta 
e 
no 
me 
casar 
com 
ela, 
nem 
agradecer 
por 
todas 
as 
vezes 
que 
tinha 
agentado 
meus 
lamentos 
por 
meus 
problemas. 
Nem 
chorar 
com 
ela 
pela 
perda 
de 
nosso 
filho. 
Fechou 
os 
olhos, 
como 
se 
quisesse 
que 
ela 
entendesse. 
Depois 
olhou-a 
compungido. 
No 
pude 
me 
despedir 
dela, 
Cat. 
Gostaria 
de 
ter 
me 
despedido. 
Compreendo-o 
 disse 
Cat 
baixinho 
 
Na 
verdade, 
acho 
que 
sou 
afortunada 
ao 
ser 
querida 
por 
um 
homem 
que 
antes 
soube 
amar 
to 
bem. 


Alex 
apanhou 
suas 
mos 
e 
as 
levou 
aos 
lbios. 
Cat, 
pode 
perdoar-me? 
Quero-te. 
Inclinou-se 
com 
inteno 
de 
beij-la, 
mas, 
pelo 
rabo 
do 
olho, 
viu 
movimento 
e 
virou. 
Chegava-se 
uma 
jovem. 
Ol, 
Sarah 
 disse 
Cat 
 Tem 
desfrutado 
do 
passeio? 
Muito. 
Tudo 
isto 
 
precioso. 
A 
jovem 
olhou 
a 
Alex 
por 
baixo 
da 
asa 
do 
chapu. 
Usava 
jeans, 
tnis 
e 
um 
moletom 
com 
o 
emblema 
dos 
Bruins. 
Tinha 
o 
cabelo 
liso 
e 
escuro 
e 
os 
olhos 
castanhos. 
Apresento-te 
a 
Sarah 
Choate. 
Sarah, 
ele 
 
Alex 
Pierce. 
Alex, 
Sarah 
 
uma 
grande 
admiradora 
tua. 
Sempre 
 
agradvel 
conhecer 
a 
uma 
admiradora. 
Muito 
gosto, 
Sarah. 
O 
mesmo 
digo. 
Alex 
mostrou 
seu 
moletom. 
Estuda 
na 
Universidade 
de 
Los 
Angeles? 
Sim. 
Para 
especializar-me 
em 
Literatura 
Inglesa. 
Estupendo. 
Que 
ano 
est? 
Segundo. 
Sarah 
 
muito 
modesta 
para 
dizer 
que 
 
um 
gnio 
 disse 
Cat 
 
Tem 
escrito 
alguns 
relatos 
que 
tm 
ganhado 
prmios 
e 
tm 
sido 
publicados. 
Estou 
muito 
impressionado. 
Felicito-te. 
Sarah 
se 
ruborizou. 
Obrigado, 
mas 
nunca 
chegarei 
a 
ser 
to 
boa 
como 
voc. 
Escreves 
novelas 
de 
fico? 
Mais 
bem 
de 
no 
fico. 
Ento 
interveio 
Cat: 
Tem 
escrito 
artigos 
sobre 
sua 
experincia 
como 
transplantada 
de 
corao. 
Alex, 
que 
at 
ento 
tinha 
tomado 
seu 
olhar 
de 
adorao 
como 
a 
de 
um 
admirador 
diante 
de 
seu 
dolo, 
ficou 
tenso. 
Fixou 
seus 
olhos 
nos 
da 
rapariga, 
depois 
nos 
de 
Cat 
e, 
de 
novo, 
nos 
de 
Sarah, 
que 
agora 
estavam 
velados 
pelas 
lgrimas. 
Eu 
ficarei 
eternamente 
agradecida. 


#
O 
som 
das 
ondas 
e 
do 
vento 
amorteceu 
suas 
palavras, 
mas 
Cat 
e 
Alex 
leram-nas 
nos 
lbios 
e 
nos 
olhos. 
Sarah 
apanhou 
a 
mo 
de 
Alex 
e 
a 
apertou 
com 
fora. 
Lamento 
muito 
o 
ocorreu 
com 
Amanda 
e 
o 
beb. 
Cat 
contou-me 
seu 
calvario 
quando 
morreram. 
Mas 
eu 
te 
agradeo 
pela 
deciso 
que 
tomou. 
Sei 
que 
Amanda 
tinha 
feito 
constar 
na 
carteira 
de 
motorista 
sua 
inteno 
de 
ser 
doador 
de 
rgos, 
mas 
voc 
a 
fez 
possvel. 
Sem 
seu 
corao, 
eu 
teria 
morrido. 
Devo-lhe 
a 
vida 
e 
jamais 
poderei 
pagar. 
Jamais. 
Cat 
conteve 
o 
flego; 
no 
muito 
segura 
de 
qual 
seria 
sua 
reao. 
Contemplou 
os 
olhos 
da 
rapariga 
e, 
a 
seguir, 
colocou 
a 
mo 
no 
centro 
do 
peito. 
Ela, 
em 
vez 
de 
retroceder, 
sorriu. 
Nesse 
momento 
abraou-a, 
e 
assim 
permaneceram 
durante 
uns 
minutos 
enquanto 
o 
vento 
soprava 
a 
seu 
ao 
redor. 
Quando 
a 
soltou, 
tinha 
a 
voz 
rouca 
e 
os 
olhos 
midos. 
Amanda 
estaria 
muito 
feliz 
de 
que 
tivesse 
sido 
voc. 
Seja 
feliz. 
Obrigado. 
Durante 
muito 
tempo 
no 
quis 
saber 
nada 
de 
meu 
doador 
nem 
de 
sua 
famlia. 
Sentia 
o 
mesmo 
que 
Cat. 
Ela 
ainda 
no 
sabe 
nem 
quer 
o 
saber. 
Mas 
faz 
pouco 
mudei 
de 
ideia. 
No 
sei 
explicar 
por 
que. 
De 
repente, 
tive 
a 
necessidade 
imperiosa 
de 
localizar 
 
pessoa 
rsponsvel 
de 
meu 
novo 
corao 
e 
agradecer. 
Solicitei 
informao 
ao 
banco 
de 
rgos 
e 
estava 
esperando 
contestao 
quando 
o 
doutor 
Spicer 
se 
ps 
em 
contato 
comigo. 
Explicou-me 
que 
a 
situao 
era 
diferente, 
mas 
me 
pediu 
que 
falasse 
com 
Cat 
antes 
de 
conhecer 
 
famlia 
de 
meu 
doador. 
Por 
suposto, 
j 
sabia 
quem 
era 
Cat 
e 
disse 
que 
estaria 
encantada. 
Fiquei 
nervosa 
quando 
me 
informou 
de 
que, 
precisamente, 
meu 
escritor 
favorito 
era... 
Bom, 
j 
sabe. 
Cat 
me 
convidou 
para 
ficar 
alguns 
dias 
com 
ela 
e 
conversamos 
muito. 
Estou 
sabendo 
de 
tudo. 
Estava 
segura 
de 
que 
voc 
no 
se 
importara 
que 
me 
contasse 
sua 
histria 
com 
Amanda. 
No, 
no 
me 
importo. 
A 
verdade 
 
que 
estou 
muito 
contente 
de 
t-la 
encontrado, 
Sarah. 
Significou 
mais 
do 
que 
imagina. 
Alex 
olhou 
a 
Cat 
de 
tal 
maneira 
que 
deu 
um 
n 
na 
garganta. 
Rodeou-a 
com 
o 
brao. 
Sarah 
compreendeu 
que 
estava 
sobrando. 
Bom, 
tenho 
que 
sair. 
O 
doutor 
Spicer 
me 
deixar 
no 
campus 
antes 
de 
voltar 
ao 
seu 
trabalho 
no 
hospital. 
Alex, 
no 
parece 
que 
estvamos 
predestinados 
nos 
conhecer? 
Sim. 
voc 
se 
Importaria 
se 
eu 
escrevesse 
de 
vez 
em 
quando? 
No 
quero 
atrapalhar, 
mas... 
Voc 
no 
atrapalha, 
eu 
ficaria 
triste 
se 
no 
escrevesse. 
E 
tambm 
Amanda. 
Teria 
gostado 
que 
fssemos 
amigos. 
O 
radiante 
sorriso 
de 
Sarah 
saiu 
do 
corao. 
Observaram-na 
enquanto 
subia 
os 
degraus 
at 
a 
varanda, 
onde 
se 
deteve 
para 
os 
saudar 
antes 
de 
entrar 
na 
casa. 


 
Ela 
 
maravilhosa 
-disse 
Alex. 
Sabia 
que 
iria 
gostar. 
Sei 
que 
parece 
uma 
loucura, 
mas 
queria 
que 
Amanda 
pudesse 
conhec-la. 
No 
me 
parece 
uma 
loucura. 
#
Colocou 
suas 
mos 
sobre 
os 
ombros. 
Obrigado. 
Fiz-o 
tambm 
por 
mim, 
Alex. 
Tinha 
que 
saber 
a 
quem 
ama 
realmente. 
voc 
sabe 
a 
quem 
quero 
 
murmurou. 
A 
beijou 
durante 
um 
longo 
momento 
e, 
quando 
fez 
uma 
pausa 
para 
respirar, 
ela 
dedicou 
um 
momento 
a 
observar 
os 
ngulos 
de 
sua 
cara, 
o 
cabelo 
despenteado, 
a 
sobrancelha 
partida. 
Via 
amor 
em 
seus 
olhos. 
Amanda 
tem 
toda 
minha 
gratido. 
Levantou 
a 
cabea, 
perplexo. 
No 
teve 
nada 
que 
ver 
com 
teu 
corao. 
Mas 
muito 
com 
o 
teu. 


Fim 


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